O Contrato-Capitulo 28

Bella pov’s

Logo o avião iria aterrissar e durante toda a viagem, desde nossa saída do hotel até o embarque, Edward esteve calado. A princípio eu acreditei que era o cansaço, mas como o seu silêncio perdurou mesmo ele estando acordado e mesmo eu puxando assunto, sabia que algo o incomodava.




–Edward? –Eu o chamei. Estávamos na primeira classe, seguindo de avião para nossa casa. Edward olhou para mim com um sorriso que não alcançava seus olhos.

–Oi amor. –Apertou minha mão que segurava a dele.

–O que está acontecendo? Você está tão calado. Tem algo incomodando você, não têm? –Eu queria ajudá-lo. Eu faria o possível para ajudá-lo.

Edward fez o que tem feito desde que começou a agir estranhamente: parou de olhar para mim.

–Não tenho nada amor. Estou apenas cansado. Não dormimos muito bem durante esses dias em que estivemos em Vancouver... Não que eu tenha alguma reclamação. –Um meio sorriso sacana no rosto. E eu me lembrei...

Sete dias em que estivemos em Vancouver. Além de conhecê-lo melhor, fizemos tantas loucuras que qualquer um que me conhecesse não acreditaria. Edward me encheu de presentes, roupas em sua maioria, e nada pude fazer para impedi-lo. Também comprei algumas coisas para Edward, coisas simples como uma camisa pólo, um cordão de aço e um bichinho de pelúcia. Apesar da simplicidade, Edward pareceu adorar. Usava a camisa pólo agora juntamente com o cordão e o bichinho de pelúcia estava guardado em sua mala. Mas o fato de eu ter aceitado seus presentes não foi minha maior mudança. O que realmente fizemos que eu jamais pensasse fazer foi durante o sexo. Eu não só aceitei tudo o que Edward propunha, novas posições, como quase fiz sexo oral nele. Mas ficou no campo do quase, por que ao ver o quanto eu estava acanhada, Edward disse que estava tudo bem e não me deixou fazer.

Voltando ao presente, olhei Edward com ceticismo. Eu não iria cair nesse papo de que ele estava apenas cansado. Ele percebeu isso e suspirou olhando a paisagem da pequena janela ao seu lado.

–Eu queria ficar com você um pouco mais em Vancouver ou em qualquer outro lugar. Aproveitar um pouco mais. –Sua voz era tristonha causando uma forte comoção em mim. Após saber da triste historia de Edward, eu entendia o porquê de tanta carência.

–Você fala como se nós não fossemos nos ver mais. –Sorri na tentativa de deixar o clima mais leve, isso não pareceu convencê-lo. Edward olhou para mim.

–Bella, eu disse a você o que acontecerá quando retornarmos. Eu assumirei a presidência e estarei sempre ocupado. Se ao menos você reconsiderasse meu pedido e assumisse o secretariado então você poderia...

–Eu vou pensar Edward. –Falei rapidamente, interrompendo-o. –Eu gosto do que eu faço, você sabe. Eu não gostaria de mudar completamente de função desse jeito.

–Pelo menos você se compromete a pensar, isso não é uma negativa absoluta. –Ele falou num tom divertido. Sorri. –Então se você diz isso, diante de uma proposta tão simples como ser minha secretaria para ficarmos juntos, o que você diria de mandarmos tudo para o inferno e passássemos o resto de nossas vidas viajando pelo mundo?

Olhei com deboche para ele. Só o Edward para ter idéias tão absurdas e impulsivas. Sair e largar tudo?

–Você está brincando, não é? –Perguntei e Edward riu, mas eu sabia que, no fundo, ele não estava brincando.

–Pense bem em como seria ótimo. Nós dois em um iate, seguindo por varias localidades do mundo conhecendo lugares, pessoas, culturas... Uma eterna lua de mel! –Edward me puxou para mais perto, abraçando-me.

–E nós nos enjoaríamos de tudo e imploraríamos para voltar a nossa rotina de antes. A vida não pode ser só divertimento. Além disso, se você pensa em ter um filho, acostume-se a assumir suas responsabilidades desde já. Não podemos ter uma vida aventureira assim se você quer ter um filho.

Minhas palavras o calaram. Só depois me toquei que, após a noite em que Edward me pediu para ter um filho meu, nenhum de nós tocou novamente no assunto. Eu não sei por que Edward não voltou a falar, mas eu não falei nada por que sinceramente eu não me sentia preparada para ser mãe.

–Então é por isso que você descarta tão veementemente minha proposta de sumirmos? Está realmente pensando no que pedi? –Seus olhos cor de ocre brilhavam. Ele parecia tão feliz ante a possibilidade de eu aceitar!

–Eu estou pensando ainda. Não posso dar uma resposta, eu... Eu não... –Murmurei atordoada. Edward segurou minha mão em sinal de conforto.

–Tudo bem. Não precisamos falar nisso se o assunto a deixa desconfortável. Tudo ao seu tempo e, no nosso caso, o tempo levado em consideração é o seu.

Suas palavras me acalmaram e, a fim de me deixar mais confortável, falamos sobre banalidades durante toda a viagem.

...

Havíamos chegado ao anoitecer em casa. O apartamento estava limpo e arrumado, Magdalena e Eli ficaram durante esse tempo na casa. Fomos direto para nossos quartos. Edward franziu os lábios quando eu entrei em meu quarto.

–Você vai dormir no seu quarto?

–Não sei. Pra mim tanto faz onde vou dormir. –Dei de ombros.

–Eu estava pensando... Poderíamos dividir o meu quarto. Você manteria seus pertences no seu quarto se quiser, mas dormiria comigo todas as noites. Depois de tudo o que nós passamos em Vancouver eu acho que deveríamos de fato agir como um casal e... –Eu o puxei e o calei com um beijo.

O que era para ser um beijo simples acabou empolgando-o ao ponto de eu sentir sua excitação latente. Edward envolveu minha cintura com os seus braços e encostou-se à parede comigo entre a parede e ele.

Minhas mãos foram para o seu cabelo, puxando-o para mim. Acabamos nos afastando quando nossos pulmões reclamaram por ar.

–Vamos tomar banho juntos. –Edward sugeriu ofegante.

–Preciso verificar meu e-mail. Eu pedi para o chefe do departamento da contabilidade para me enviar os meus trabalhos por e-mail. Vou depois. Vá à frente. –Sugeri. Edward mostrou-se aborrecido por eu não ter ido de imediato, mas não falou nada enquanto se afastava. Deixei minhas bagagens no meu quarto, eu iria arrumá-las quando desse.

Liguei meu notebook conectando-o a internet e entrando em minha conta. Fiquei surpresa com a quantidade de e-mails na minha caixa de entrada. Quase todos eram da empresa. E eu sabia que, na manhã seguinte em que eu retornaria a empresa, eu teria muito trabalho pela frente e pouco tempo para Edward. Então eu desliguei o notebook, retirei minhas roupas deixando-as na área de serviço. Vesti um roupão e fui até Edward que tomava banho no seu banheiro.

Ele ainda estava no chuveiro quando eu entrei. Retirei o roupão e o pendurei juntamente com o roupão de Edward. Ele estava de costas enquanto a água do chuveiro caia em seu corpo limpando os vestígios do sabonete em seu corpo. A imagem do meu marido tomando banho era erótica, eu poderia ficar ali em pé, nua, olhando-o fazer algo tão simples.

–Não vai entrar? –Ele falou de costas. É claro que havia percebido minha presença.

–Parece que você está quase acabando. Fico aqui e espero. –Eu sabia que ele iria protestar. Virou-se para mim, abriu o Box de vidro e me puxou.

–Eu tomaria quantos banhos fossem necessários apenas para dividir o Box com você. –Ele me enlaçou pela cintura puxando-me para mais perto do seu corpo. Fomos cambaleantes para baixo do chuveiro. A água estava morna, mas mesmo assim eu o abracei mais apertado. Encostei minha cabeça em seu peito, ouvindo os batimentos furiosos de seu coração. Edward mantinha um braço em minha cintura e com o outro acariciava meus cabelos; beijou minha testa.

–Eu verifiquei o meu e-mail. Tenho muito trabalho acumulado. Acho que a partir de amanhã não farei nada além de trabalhar. –Eu disse de olhos fechados, respirando o cheiro doce de Edward.

–Quer que eu contrate alguém para fazer o serviço para você? –Edward perguntou e eu sabia que brincava.

–Se o trabalho ficar muito pesado, eu sou capaz de aceitar. –Falei num tom divertido. Sentia as mãos de Edward em minhas costas, acariciando-as.

–Você deve estar cansada, não é? Eu também estou, mas... Eu quero aproveitar enquanto não temos nenhuma incumbência. –Sua voz era rouca, profunda.

Eu não me agüentei mais e o beijei. Edward me prensou na parede e com os braços me encaixou no seu quadril. Nossos corpos buscavam o melhor encaixe enquanto nos beijávamos furiosamente. E quando, por fim, nós nos unimos, eu me senti plena. Mais do que o prazer do sexo, era bom estar assim com Edward. Como se fôssemos um e nada, absolutamente nada, pudesse nos separar.

Eu esperava que as coisas continuassem assim.

...

Sem sono. O fato de ter dormido algumas vezes durante o vôo dificultou minha noite. Edward dormia tranqüilo ao meu lado. Eu peguei uma camisa qualquer dele, vestindo-a e assim cobrindo minha nudez. Decidi, para passar o tempo, adiantar alguma coisa da empresa.

Entrei em meu quarto e fui logo ligando o meu notebook. Afastei a cadeira da escrivaninha de sentei. Como a noite estava muito fria, levantei e peguei um moletom, vestindo-o por cima da camisa de Edward.

Antes que eu tivesse a chance de ir até o computador, meu celular toca. Estranho o horário da ligação, mas resolvo atender mesmo assim. E então me frustro ao ver que a ligação não está identificada.

–Alô? –Nada. Ninguém responde do outro lado, mas posso ouvir a respiração. –Vá para o inferno! –Esbravejo desligando o celular.

Eu estava exausta disso. Durante boa parte do tempo em que estive com Edward em Vancouver ligações não identificadas me atormentaram. Edward não percebeu nada e achei que deveria contar, mas acabei não dizendo. Era bobagem incomodá-lo com os trotes que estava recebendo.

O estresse que senti pela ligação desconhecida foi demais. Desliguei meu computador, ignorando os afazeres que havia dito a mim mesma que adiantaria, fechei a porta do meu quarto e segui para o quarto de Edward. Ele não estava dormindo como imaginei, os olhos estavam entreabertos.

–Onde foi? –Murmurou em uma voz que mostrava o quanto estava cansado. Ele poderia estar tendo uma crise de sonambulismo agora.

–Estava sem sono e fui adiantar alguma coisa do meu trabalho, mas desisti. –Caminhei até a cama, após fechar a porta, e Edward afastou-se para que eu pudesse deitar ao seu lado. Assim que eu deitei, meu marido nos cobriu parcialmente com o edredom, deitando-se bem próximo a mim.

Acreditei que dormiria assim que tivesse o conforto do meu corpo, mas logo suas mãos passeavam pelo meu seio, por cima da camisa de botões que eu havia vestido.

–Por que ainda está com essa camisa? Dispa-se para mim. Prefiro sentir a sua pele ao tecido. –Murmurou debilmente, os olhos fechados.

–Tudo bem, eu vou tirar. –Eu disse, mas não era necessário, pois Edward, ansioso para me ter nua ao seu lado, já desabotoava os botões da camisa que me cobria. Logo eu estava parcialmente despida, a camisa aberta expondo meu corpo.

Cansado como estava eu duvidava que Edward fosse me possuir novamente. De fato ele não fez nada além de roçar seus lábios nos meus enquanto uma de suas mãos acariciava meu abdômen. Seu rosto deslizou pelo meu colo até que seu nariz roçou um de meus seios em uma caricia deliciosa.

Senti a costumeira excitação me tomar e quando Edward me acariciava desse jeito, mas quando eu pensei em estimulá-lo a fazer amor comigo, Edward já estava dormindo.

E a manhã seguinte chegou e eu soube no momento em que eu acordei que nossos dias seriam sobrecarregados, como Edward previra. Edward não estava ao meu lado pela manhã, mas na cama havia um bilhete, pedindo desculpas por ter que sair tão cedo e encerrando-o com um “eu te amo”.

Tomei um demorado banho, me vesti com esmero e tomei um reforçado café da manhã, tendo como companhia Magdalena e Eli. Fui para a empresa de moto e me senti estranha quando eu a estacionei na vaga de sempre. Passei pouco mais de sete dias fora, mas pareciam ter passado anos.

Havia muito trabalho acumulado e tratei de fazer tudo o que tinha para fazer. O problema foi que do momento em que pisei no meu espaço até duas horas após o expediente, eu me vi enfiada em trabalho. Não almocei com Angela, apenas troquei algumas palavras com ela quando Angela veio me trazer uma marmita.

Cansada como eu estava eu sabia que dormiria rapidamente, mas levei trabalho comigo mesmo assim. Passei na sala de Edward só para descobrir que ele estava em reunião e não tinha previsão da tal reunião acabar. Fui de moto para casa.

Era estranho, após passar dias com Edward como uma sombra, entrar no apartamento e não encontrar ninguém. Magdalena e Eli ficavam até uma determinada hora, como havíamos combinado há algum tempo. Mas eu tinha que aceitar aquela situação desconfortável.

Tomei um bom banho, esquentei o jantar deixado por Magdalena, escovei os dentes e fui trabalhar. Liguei meu laptop e comecei com a atividade mais difícil, deixando as mais fáceis para depois. Consegui terminar alguma coisa, uma análise aqui, uma dedução fiscal a revisar... Minhas pálpebras pesadas, dor nas costas, articulações dos dedos doloridas de tanto digitar.

–Amor? –Uma voz me chamou. Olhei surpresa para a porta e vi Edward vestindo uma calça moletom preta e uma camisa cinza de algodão. –Ainda está acordada? Pensei que já estivesse dormindo.

Olhei o relógio do notebook, estava tarde e eu nem tinha sentido o tempo passar.

–Não percebi que horas são.

–O que está fazendo? –Edward entrou no meu quarto e postou-se atrás de mim.

–Estou trabalhando. Tenho muita coisa acumulada para me dar ao luxo de trabalhar só no escritório. –Continuei a me concentrar no trabalho.

Senti os braços de Edward me envolvendo pelo pescoço. Logo seus lábios beijavam o meu ombro.

–Deixe isso para lá. Vamos para a cama. –Sua voz deixava claro que não iríamos para a cama a fim de dormir.

–O que? Ainda tem fôlego para isso? –Perguntei num tom brincalhão. Arfei ao sentia uma mão sua acariciando meu abdômen.

–Sempre. Vamos para a cama. –Pediu numa voz sexy.

–Já estou indo. Vá à frente.

–O que? Vai mesmo me trocar pelo trabalho? –Disse Edward amuado. Afastou-se de mim apenas para postar-se ao meu lado, assim eu veria sua expressão carrancuda mesmo que olhasse a tela do laptop.

–Já estou acabando. Me dê uns minutinhos. –Pedi.

–Promete não demorar? Se você demorar muito eu venho buscá-la a força. –Ameaçou. Desviei meus olhos do meu trabalho e sorri para ele.

–Pode deixar. –Peguei seu rosto e o puxei para mim, beijando-o. Edward não se mostrou afoito no beijo como imaginei. Afastou-se sem dar às costas para mim com um sorriso travesso nos lábios.

–Estou esperando! –Lembrou-me sem sequer fechar a porta do meu quarto. Voltei ao meu trabalho, não concentrada como gostaria.

Dormindo. Foi assim que eu o encontrei quando, após mais dez minutos trabalhando, deixei tudo de lado e me juntei a ele. Edward havia tido um dia mais atribulado que o meu, era natural ter dormido tão rapidamente.

Eu me deitei ao seu lado, aconchegando-me tão perto dele que parecíamos um só naquela majestosa cama. Eu adormeci tão rapidamente como ele.

E no dia seguinte tivemos mais um dia tumultuado.

E no dia seguinte...

E no dia seguinte...

Domingo!

–Bella, está pronta? –Edward perguntou enquanto eu retocava minha maquiagem no banheiro.

–Sim. –Fechei o batom e o coloquei dentro da minha bolsa de mão prateada. Eu usava um vestido longo rosa com detalhes prateados nas alças, maquiagem leve, a não ser pelo batom rubi em meus lábios. Meus cabelos estavam presos num coque frouxo, preparado meticulosamente pelo cabeleireiro escolhido por Edward. Além dos meus cabelos, cuidou de minhas unhas pintando-as de vermelho.

Eu estava bonita e me sentia bem com isso. Agora eu era digna de estar ao lado da atração principal da noite. Sai do banheiro às pressas, tomando cuidado para não tropeçar naqueles sapatos vermelho com salto agulha.

Edward estava parado próximo a porta, trajando um lindo smoke clássico. Quando nos olhamos ambos estacamos tamanha a beleza do outro. Edward tinha os olhos brilhantes e estendeu a mão para mim, beijando-a quando eu coloquei minha mão sobre a sua.

–Você está tão linda! É até um pecado eu deixá-la sair assim. –Elogiou-me. Corei de prazer.

–Eu poderia dizer o mesmo de você. –Brinquei. Edward, num tom e reverência, pegou meu rosto e o contemplou, beijando-me levemente nos lábios. Ele não ousou mais e sabia por quê.

–Não quero desarrumá-la, mas quando nós chegarmos, eu vou possuí-la pelos dias em que não a toquei devido aos nossos compromissos de trabalho. –Seu tom de voz poderia sugerir uma ameaça, mas eu não via desse jeito.

–Vamos então. Quanto mais cedo estivermos lá, mais cedo sairemos. –Peguei sua mão guiando-o para a saída.

Edward e eu seguíamos para a festa preparada pela empresa Cullen para oficializar Edward como o novo presidente. Como sua esposa eu tinha de estar ao seu lado, mesmo que isso significasse apenas sorrir e ser ignorada.

...

Sorrir. Cumprimentar a todos que me cumprimentavam. Estar o tempo todo ao lado de Edward, apoiando-o. Não era algo desconfortável, mas extremamente cansativo. Quando eu pensava em sair do lado de Edward, alguém vinha cumprimentá-lo e Edward educadamente me apresentava.

E sempre que podia eu admirava Edward, tão bonito e confiante! Eu podia ver, nos olhos daqueles que o cumprimentavam e trocavam palavras acerca da empresa, um brilho de fascínio nos olhos. E Edward era mesmo fascinante, falando de coisas tão complexas de forma fácil como se o assunto falado fosse algo que amasse, como um hobby. Eu tinha que me policiar e parecer atenta ao que acontecia caso contrário todos me veria babando pelo meu marido como uma completa idiota.

Em um dado momento Aro convocou Edward ao palco para que discursasse. Eu fiquei próxima a ele, em cima do palco, a pedido de Edward, enquanto ele pegava um papel passado por um funcionário. Seu discurso era belo, ou pelo menos eu pensei que era por que eu não dei muita atenção. Minha atenção foi voltada para uma figura de vermelho que estava próximo. A cor do vestido longo que usava era chamativa demais, não pude ignorar. Olhando melhor para a figura exuberante eu a reconheci: Tânia, ex-secretária e amante de Edward.

Ela olhava para Edward com os olhos apertados, um surto de ódio impressionante. Imaginei o motivo para garanto ódio, Edward a havia demitido e provavelmente parado de ficar com ela. Eu tentei, sem sucesso, desviar meus olhos dela, mas não consegui. Claro que tive de desviar quando Tânia pareceu perceber minha presença. Nos poucos instantes que nossos olhos se encontravam, vi algo que não imaginei que veria em seu rosto antes furioso: um sorriso.

...

Eu sorri para Edward enquanto eu o via tentar chegar até mim. Impossível. Sempre existia em seu caminho alguém reivindicando sua atenção, puxando-o para uma conversa a três ou mais pessoas. Eu continuei sentada, olhando-o o tempo todo. Às vezes alguém vinha falar comigo e eu conversava, mas minha atenção não era desviada por muito tempo.

–Oi Bella! –Alguém me cumprimenta, reconheço a voz antes de olhar quem poderia ser.

–Oi Alice. Finalmente eu a vi no evento. –Disse enquanto Alice e Jasper sentavam na mesma mesa que a minha. –Oi Jasper. –Eu o cumprimentei. Jasper sorriu.

–Eu estava ocupada demais cuidando dos preparativos do evento. Jasper estava me ajudando. Por culpa disso eu estou perdendo boa parte da diversão. Edward já discursou?

–Sim. Foi um discurso... –Eu fiquei atenta demais a Tânia ou a beleza de Edward para saber o que ele falou. –Foi muito bom. –Um garçom se aproxima e Jasper pega taças para todas nós.

–O Edward é ótimo com discursos, principalmente com o discurso dos outros. –E todos nós rimos com a crítica de Alice. Tomei um pouco do champanhe e, após gastar todo o meu batom na taça, resolvi ir ao banheiro para retocar a maquiagem. Durante o trajeto tive que cumprimentar mais pessoas. Achei estranho ser alvo de tanta atenção. Na época posterior ao meu casamento, eu não era sequer tratada como mulher de Edward Cullen.

Essa mudança seria por que o próprio Edward me trata como sua mulher? E quando ergui minha cabeça, me deparo com uma mulher olhando-me intensamente. A surpresa que senti foi dando espaço à irritação. Por que atrás de mim, dentro do toalete feminino, estava Tânia, ex-secretaria e ex-amante de Edward.

–Olá. –Disse em uma voz doce, tão doce que causava ânsia de vomito.

Fiquei parada a olhá-la através do espelho a minha frente. Não sabia exatamente o que dizer. Poderia fazer uma cena, algo que eu queria, e prejudicar a cerimônia que ocorria em que meu marido tornava-se presidente da empresa de publicidade Cullen. Mas é claro que não agiria assim!

–Nossa, que expressão irritada é essa? –Tânia perguntou enquanto se aproximava. Sacou um batom vermelho de sua bolsa de mão e o passou. Respirei fundo e me preparei para sair, mas Tânia segurou meu braço. Olhei para o local onde ela segurou com uma surpresa irritada.

–Como está o Edward? A última vez em que eu o vi estava passeando em um hotel com a família em Miami. –Disse num tom afável. Empreguei alguma força retirando sua mão de meu braço enquanto a encarava com espanto.

Edward? Ele encontrou Tânia no hotel?

–Ele está ótimo. –Falei com aspereza. Tânia parecia divertir-se com o modo como eu estava agindo.

–Ele parece bem. Fico me perguntando o que mudou desde que eu deixei a empresa. –Guardou o batom na bolsa de mão vermelha que usava. Sacou da bolsa um pequeno vidro de perfume borrifando-o em seu pescoço.

–Ele está andando com companhias melhores. É isso. –Eu esperava que Tânia tivesse percebido o recado em minhas palavras e o sarcasmo que tingia o que eu dizia. Ela percebeu. Fechou a cara por alguns instantes e então sorriu forçadamente após alguns minutos.

–Defendendo com unhas e dentes o marido! As coisas melhoraram entre vocês dois, não é? –Embora quisesse passar uma imagem despreocupada, Tânia parecia atenta a mim, esperando por uma resposta.

–Isso não é da sua conta! –Esbravejei saindo rapidamente do toalete. Andei a passos rápidos até o salão onde ocorria o evento. À medida que eu me aproximava, tentei sorrir. Impossível. A insinuação de Tânia de ter encontrado com Edward em Miami martelava a minha cabeça. Ela poderia estar inventando, claro, mas como soube que Edward estava em Miami e que a família dele (Alice e Jasper) estava lá?

–Ah, me desculpe! –Disse após me esbarrar com alguém.

–Hei Bella, o que houve? –Era Alice. Eu havia me esbarrado em Alice.

–Não é nada. Eu havia ido ao toalete. –Alice me olhava com desconfiança. Eu devia estar com uma cara péssima. –Eu vou me sentar.

Caminhei por entre as pessoas, deixando Alice falando sozinha, enquanto procurava a mesa reservada para Edward e eu. Não percebi que Alice me acompanhava. Eu só a vi quando eu me sentei e ela puxou uma cadeira sentando-se ao meu lado.

–Você não está com uma cara boa. Aconteceu alguma coisa? –Ela perguntou com os olhos fixos em mim, avaliando-me. Suspirei.

–Encontrei com uma pessoa que eu não queria encontrar, só isso. Não quero falar sobre o que aconteceu.

Eu sabia que Alice me encheria de perguntas, mas Jasper apareceu e reivindicou sua atenção. Agradeci a ele em pensamento. Eu precisava ficar sozinha para me recompor. Se bem que... Talvez se eu perguntasse algo, Alice pudesse me dizer se viu Tânia no hotel em Miami.

“Não posso deixar que as palavras de Tânia me abalem. Talvez tenha mentido.” –Repeti esse pensamento como um mantra. Algumas pessoas vieram até mim e me cumprimentaram. Eu não as conhecia, mas procurei ser simpática. Era natural eu ser o foco de atenção agora que todos me reconheciam como a esposa do presidente de uma empresa importante. Mas era justamente naquele momento que eu queria ser invisível aos olhos de todos.

Por que eu não conseguia ignorar as palavras de Tânia? Por que eu me permitia ser afetada por ela? Era simples: por que ela foi amante de Edward.

Abaixei a cabeça encostando-a na mesa e respirei fundo. Eu nunca desejei tanto ir para casa como agora.

–Bella? –A voz familiar me despertou. Levantei minha cabeça num átimo, o que me causou certa tontura. Edward abaixava-se ao meu lado, olhando-me preocupado. –Você está bem? Alice disse que parecia aborrecida.

Quando eu o olhei, a palavra “mentiroso” veio vivida em minha cabeça. Procurei sufocar esse sentimento injustificado.

–Só estou um pouco cansada. Desde que cheguei eu quase não sentei. –Sorri, mas meu sorriso forçado pareceu imbecil demais até para mim. Edward me olhou com desconfiança, não estava engolindo minha desculpa assim como a irmã não engoliu.

–Sei. Desculpe. Eu imaginei que seria assim, você tendo que dar atenção a todos. No entanto não precisa mais fazer isso. Fique descansando aqui. Eu logo me juntarei a você. Preciso cumprimentar mais alguns sócios e logo estarei livre. Nós poderíamos...

–Não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem. Faça o que deve fazer Edward. –Coloquei minha mão em seu rosto, acariciando-o. Edward fechou os olhos apoiando o rosto em minha mão, mas algo aconteceu. Edward olhou para além de mim, e congelou.

Edward levantou-se num átimo, apertou minha mão, que havia capturado enquanto levantava-se, e se afastou. Olhei envolta, ainda sentada, quando vi Tânia, no seu vistoso tomara que caia longo da cor vermelha, olhando para Edward enquanto este se afastava mais e mais de mim.

Foi estranho e um medo me tomou. Se eu fosse à antiga Bella eu não teria percebido nada disso. Mas eu era uma Bella nova, perceptiva, que havia percebido coisas que eu não queria perceber: havia algo de muito errado entre Edward e Tânia.

...

–Está tão calada! Aconteceu alguma coisa? –Edward perguntou pela segunda vez desde que saímos do evento. Dei de ombros.

–Estou muito cansada. Só isso. –Murmurei olhando a noite janela afora. Não demoraria até chegarmos a nossa casa.

–Alice disse que você estava bem e então mudou. Tem certeza que é só cansaço?

Eu pensei no que deveria dizer; Eu poderia contar o que aconteceu e colocá-lo na parede. Eu devia fazer isso, mas não fiz.

–É cansaço Edward. Apenas isso.

Ele não acreditou, mas não falou mais nada sobre meu estranho comportamento durante o trajeto até a nossa casa. Às vezes perguntava algo, pedia minha opinião sobre alguma coisa que ocorreu no evento. Procurei responder, mas não consegui passar a imagem de pessoa despreocupada e cansada.

Chegamos em casa, fui diretamente para o meu quarto retirar o vestido, os sapatos, a maquiagem, os acessórios, e assim tomar um banho. Mas a água morna não me ajudou a relaxar ou a esquecer. Nada me ajudaria a esquecer as insinuações de Tânia. Lembranças desagradáveis vieram e senti meu coração apertar. Eu odiava me lembrar da época em que Edward me odiava e me destratava.

Eu queria dormir sozinha, sabia que Edward me encheria de perguntas e meu silêncio o enervaria. Quando vesti uma camisola e fui para próximo da minha cama, Edward entrou em meu quarto.

–Bella, vem dormir comigo? –Ele pediu. Larguei a coberta que até então segurava. Edward percebeu. –Você quer dormir aqui? –Ele perguntou num tom de voz estranho.

–Só para variar. Faz algum tempo que não durmo no meu quarto. –Eu me virei e sorri. Edward me olhava com preocupação e frustração. Deu de ombros e veio para junto de mim. Eu me deitei e logo ele me seguiu. Fiquei deitada de costas, olhando o teto, esperando que Edward não viesse me fazer perguntas. Fechei os olhos, mas sabia que, mesmo cansada, não conseguiria dormir.

–Bella, o que houve hoje no evento? Eu sei que você está mentindo. Isso não pode ser somente cansaço. Eu também estou cansado, mas não trataria você friamente como está fazendo comigo.

Eu me virei e o olhei. Ele estava sentado na cama, os olhos só em mim, com mágoa. Eu me espantei e tratei de arrumar a besteira que eu havia feito.

–Edward, não é nada disso. Não foi nada, é sério! –Falei desesperada. –Eu... –O que eu diria a ele? Eu não tinha idéia.

Edward se aconchegou próximo a mim, mantendo o corpo erguido por um braço só para me olhar. Seu rosto estava tão próximo e me intimidou. Coma mão livre, ele acariciou meu rosto.

–Eu me preocupo com você. Eu quero poder ajudar co o que eu puder, mas o que eu posso fazer se você não me conta o que se passa? Por que não confia em mim? –Sua voz estava um pouco embargada. Edward estava tão triste! Como pude magoá-lo assim?

Meus olhos fixos nos olhos dele; meus lábios entreabertos, prontos para contar a verdade; contar que eu encontrei Tânia e ela fez insinuações. Ao invés disso...

–Bella! Por que está chorando? –Ele perguntou desesperado. –Eu fiz alguma coisa? Fui eu que... –Eu coloquei um dedo em seus lábios, calando-o.

–Eu não sei o que deu em mim. Pensei nos meus pais hoje, durante o evento. E quando penso neles eu me sinto mal por que eu lembro que estou completamente sozinha. –Minha voz foi sumindo enquanto as lágrimas tomavam meus olhos embargando minha visão.

Senti seus dedos em minha bochecha, enxugando as lágrimas. Seu rosto antes triste agora estava cheio de compaixão.

–Eu estou aqui com você. Eu nunca vou deixá-la sozinha, nunca vou decepcioná-la. Bella, você é a mulher da minha vida, a única co quem eu quero ter filhos e viver o resto da minha vida. Eu sempre estarei aqui, serei seu porto seguro. E isso tudo por que eu amo você.

Suas palavras me atingiram em cheio. Meu choro aumentou tanto que Edward pareceu mais preocupado, já que eu estava quase histérica. Ele me abraçou forte, murmurando palavras de conforto e beijando-me nos lábios a cada vinte minutos.

Não fizemos amor naquela noite, eu estava cansada física e emocionalmente para algo assim. Foi bom de qualquer forma. O calor dos braços do meu esposo afastou os pensamentos que até então me atormentavam. Eu só esperava que os pensamentos ficassem longe mesmo que Edward não estivesse me abraçando.

Edward pov’s

Por que eu estava tão nervoso? Era bobagem, eu sabia. Ainda sim eu me sentia tenso. Bella certamente havia percebido, eu não havia falado muito desde que saímos do hotel em direção ao aeroporto.

Eu procurei ignorar meus fantasmas para ter uma lua de mel plena com Bella, conseguindo a duras penas um pouco de paz. Eu consegui, mas agora, voltando para a minha cidade, tudo estava vindo à tona: Tânia, minhas responsabilidades como novo presidente da empresa e o contrato.

–Edward? –Bella me chamou. Estávamos na primeira classe de um avião. Tentei sorrir, mas o meu sorriso devia ser mais falso que a possibilidade de Paris Hilton ser virgem.

–Oi amor. –Apertei sua mão delicadamente.

–O que está acontecendo? Você está tão calado. Tem algo incomodando você, não têm? –Ela estava preocupada, claro. Eu adorava vê-la preocupada comigo, mostrava que ela se importava. Mas eu não poderia contar a verdade. Só me restou não olhá-la e mentir.

–Não tenho nada amor. Estou apenas cansado. Não dormimos muito bem durante esses dias em que estivemos em Vancouver... Não que eu tenha alguma reclamação. –Minha piadinha amainou um pouco o clima. Cenas de nossos últimos dias em Vancouver me tomaram, assim como tomaram a mente de Bella.

Durante os dias que se passaram em Vancouver, conhecia uma Bella nova, conheci fatos que eu ignorei no passado. Sua infância e adolescência foram narradas por ela e eu soube o quanto Bella era forte, mais forte do que eu havia imaginado. Bem diferente de mim. Além disso, fizemos tanta coisa juntos! Seja entre quatro paredes ou em qualquer outro lugar da pousada, indo da conversa despreocupada ao sexo. E quando me lembro do sexo em especial, lembro-me de como agimos. Bella apenas reagiu a mim, ela era tímida demais para me agarrar e me usar, mas o pouco que fez foi o suficiente para me inflamar. E a tentativa de sexo oral por parte dela foi a melhor coisa! Sua tentativa frustrada resultou numa Bella vermelha e eu tentando não perder o pique na cama devido à situação cômica.

Voltando ao presente, minha mulher ainda me olhava preocupada. Ela esperava por uma resposta.

–Eu queria ficar com você um pouco mais em Vancouver ou em qualquer outro lugar. Aproveitar um pouco mais. –Eu não estava mentindo, esse era um dos motivos de minha tristeza. E ela reagiu exatamente como sempre, ignorando meus desejos como um capricho de uma criança.

–Você fala como se nós não fossemos nos ver mais. –Bella falou de forma descontraída. Ela não entendia os meus tormentos e eu esperava que nunca entendesse. Isso era um alivio e ao mesmo tempo frustrante.

–Bella, eu disse a você o que acontecerá quando retornarmos. Eu assumirei a presidência e estarei sempre ocupado. Se ao menos você reconsiderasse meu pedido e assumisse o secretariado então você poderia...

–Eu vou pensar Edward. Eu gosto do que eu faço, você sabe. Eu não gostaria de mudar completamente de função desse jeito.

Como sempre Bella se recusava a aceitar um pedido meu. Filhos? Ela nem tocava no assunto. Ser minha secretária? Repudiava a idéia como se eu estivesse pedindo para ser o braço direito de Hitler. Mas, pensando melhor...

–Pelo menos você se compromete a pensar, isso não é uma negativa absoluta. –Sorri. Bella acompanhou o meu sorriso. –Então se você diz isso, diante de uma proposta tão simples como ser minha secretaria para ficarmos juntos, o que você diria de mandarmos tudo para o inferno e passássemos o resto de nossas vidas viajando pelo mundo?

–Você está brincando, não é? – E como eu imaginei, ela odiou minha idéia. Para ela era só uma brincadeira, mas para mim... Ah se ela soubesse! Eu sempre pensei de forma gananciosa, querendo usurpar o lugar do meu pai na presidência e ser o todo poderoso da empresa, isso até conhecer Bella.

–Pense bem em como seria ótimo. Nós dois em um iate, seguindo por varias localidades do mundo conhecendo lugares, pessoas, culturas... Uma eterna lua de mel! –Eu a abracei esperando que o meu poder de sedução a convencesse a ceder. Outras mulheres se debruçariam em mim e aceitariam a minha proposta, mas minha esposa era o oposto de todas elas.

–E nós nos enjoaríamos de tudo e imploraríamos para voltar a nossa rotina de antes. A vida não pode ser só divertimento. Além disso, se você pensa em ter um filho, acostume-se a assumir suas responsabilidades desde já. Não podemos ter uma vida aventureira assim se você quer ter um filho.

Sim, eu estava calado. Há pouco pensei que Bella não tocaria no assunto e lá estava ela falando abertamente sobre isso. Suas palavras indicavam que Bella estava cogitando a possibilidade de ter um filho meu. Ou talvez ter um filho meu fosse uma idéia mais aceitável do que sair por ai curtindo a vida.

–Então é por isso que você descarta tão veementemente minha proposta de sumirmos? Está realmente pensando no que pedi? –Falei empolgado. Pensar nele com um filho meu, ser minha, só minha, era algo que me agradava, e isso era espantoso. Meses atrás eu jamais pensaria em filhos.

–Eu estou pensando ainda. Não posso dar uma resposta, eu... Eu não... –E lá estava Bella gaguejando, nervosa, com medo de se comprometer. Bom, pelo menos ela não havia dito não. Peguei delicadamente suas mãos na tentativa de ganhar a sua atenção.

–Tudo bem. Não precisamos falar nisso se o assunto a deixa desconfortável. Tudo ao seu tempo e, no nosso caso, o tempo levado em consideração é o seu.

Não toquei mais no assunto. Daria tempo ao tempo. Ter um filho era uma decisão difícil, muito mais para a mulher do que para o homem. O importante é que ela estava comigo então era bobagem pressioná-la para termos uma criança.

Tempo ao tempo... Eu realmente precisava aprender a ser paciente.

...

Noite. Ninguém a vista em nosso apartamento e tudo estava como deveria estar. Magdalena e Eli já haviam saído, elas nunca dormiam em nossa casa. Bella e eu seguimos para nosso quarto, o meu antigo quarto, agora nosso. Mas ela não chegou a ir para onde eu queria. Seguia para o seu quarto e isso me aborreceu. Será que, após tudo o que aconteceu, não dormiríamos juntos? Voltaríamos aos hábitos nada convencionais de não dividir nada com o outro?

–Você vai dormir no seu quarto?

–Não sei. Pra mim tanto faz onde vou dormir. –Deu de ombros, despreocupada. Como se não fizesse muita questão de dormir comigo... Tudo bem, eu estava meio paranóico.

–Eu estava pensando... Poderíamos dividir o meu quarto. Você manteria seus pertences no seu quarto se quiser, mas dormiria comigo todas as noites. Depois de tudo o que nós passamos em Vancouver eu acho que deveríamos de fato agir como um casal e... –Fui interrompido por um beijo dela, algo que eu não esperava. Logo correspondi avidamente ao beijo, apertando o corpo da minha esposa junto ao meu. Bella queria estar próxima a mim tanto quanto eu queria estar a ela, segurou-me pelos cabelos, mantendo-me preso a ela. Só me afastei quando a necessidade de respirar falou mais alto.

–Vamos tomar banho juntos. –Sugeri ofegante. Sentia meu corpo queimando, necessitado demais dela.

–Preciso verificar meu e-mail. Eu pedi para o chefe do departamento da contabilidade para me enviar os meus trabalhos por e-mail. Vou depois. Vá à frente. –Disse. Fiquei aborrecido, não gostava quando Bella priorizava o trabalho e me deixava de lado. Eu mandaria tudo para o inferno só para ficar com ela se fosse necessário! Não procurei levar isso muito a sério. Bella, apesar de tudo o que aconteceu e das mudanças ocorridas nela, ainda era a Bella responsável no trabalho.

Ela seguiu para o seu quarto e eu para o meu. Retirei minhas roupas, deixando-as em cima de uma poltrona. Fui diretamente para o banheiro, fazendo todos os movimentos bem lentamente, assim daria tempo para Bella se juntar a mim. E, enquanto eu a esperava, eu pensei no dia a dia atribulado que teria no momento em que pisasse na empresa. Eu sabia o quão atarefado um presidente de uma grande empresa era, observei o cotidiano do meu pai, por isso tinha essa certeza. Eu não queria ficar tão distante assim de Bella. Não queria que ela acabasse como a minha mãe... Ok, meus pensamentos definitivamente não deveriam seguir esse caminho. Não agora.

Continuei com o mecanismo de banho e não me detive quando ouvi um barulho na porta – Era ela quem havia entrado. Como não ouvi mais nada, resolvi me manifestar.

–Não vai entrar? –Falei sem me virar.

–Parece que você está quase acabando. Fico aqui e espero.

Pelo amor de Deus! Por que ela dizia coisas assim sabendo que eu iria protestar? Ela sabia que eu faria qualquer coisa para estar com ela, se fosse preciso eu me sujaria novamente só para ficar com ela naquele banheiro.

–Eu tomaria quantos banhos fossem necessários apenas para dividir o Box com você. –Eu a puxei para mim em direção ao chuveiro. Ficamos abraçados enquanto a água morna nos banhava. Bella manteve sua cabeça em meu peito, certamente poderia ouvir as batidas enlouquecidas do meu coração. Com uma mão eu acariciei seus cabelos, beijando sua testa. Mais um momento do cotidiano emoldurado como o maior e melhor acontecimento de nossas vidas. E definitivamente eu estava me sentindo um homem muito sensível, quase um Emo.

–Eu verifiquei o meu e-mail. Tenho muito trabalho acumulado. Acho que a partir de amanhã não farei nada além de trabalhar. –Ótimo, eu não era o único que só teria tempo para trabalhar, minha mulher também ficaria imersa em trabalho.

–Quer que eu contrate alguém para fazer o serviço para você? –E eu contrataria, assim como contrataria alguém para ficar na presidência para mim durante pouco tempo, alguns anos quem sabe.

–Se o trabalho ficar muito pesado, eu sou capaz de aceitar. –Retrucou, não levando a sério minha proposta. Enquanto isso meu corpo queimava. Eu ficava impressionado com a velocidade com que eu me excitava quando estava com Bella. Tudo nela me atraia, empurrando-me para um turbilhão de sensações luxuriantes.

–Você deve estar cansada, não é? Eu também estou, mas... Eu quero aproveitar enquanto não temos nenhuma incumbência. –Sussurrei, sabendo que o meu convite não seria recusado, como sempre.

O fogo nos consumiu. Meu corpo uniu ao corpo dela, exigindo um encaixe perfeito e satisfação imediata. Minha esposa, como sempre, não me decepcionou. Embora não fosse tão ativa na cama, Bella se entregava ao que eu exigia dela, de seu corpo. Era fácil conduzi-la e, assim, chegar ao êxtase. Mas não bastava apenas sentir prazer, eu sempre buscava o seu prazer. E isso tudo por que...

Eu a amava.

...

Estava frio e isso era estranho. Tateei a cama, procurando por ela. Bella não estava na cama. De tão cansado que estava não consegui acender as luzes ou sair da cama. Fiquei apenas esperando pelo momento em que voltaria para a cama, o que certamente não demoraria.

Como um viciado, encostei meu rosto no travesseiro ao lado e inspirei o perfume que ali estava impregnado. O cheiro dos cabelos de minha mulher. Não havia nada melhor do que aquilo. E logo eu senti sua presença no quarto.

–Onde foi? –Perguntei a ela. Bella se aproximou lentamente, vestia uma camisa minha.

–Estava sem sono e fui adiantar alguma coisa do meu trabalho, mas desisti. –Veio até a cama. Eu lhe dei espaço e a cobri quando se deitou. Tateei seu corpo, aconchegando-me nela, e me incomodei ao sentir o tecido.

–Por que ainda está com essa camisa? Dispa-se para mim. Prefiro sentir a sua pele ao tecido. –Murmurei com os olhos fechados.

–Tudo bem, eu vou tirar. –E mesmo se prontificando a retirar a roupa, eu já estava fazendo o serviço por ela. Minhas mãos e meus lábios foram usados despreocupadamente para acariciá-la quando a camisa foi retirada. Senti a macies de um seio em meu rosto e então eu apaguei.

...

Ajeitei metodicamente a minha gravata enquanto olhava Bella dormir. Era cedo e provavelmente eu já estaria na empresa quando ela acordasse. Poderia chamá-la e assim ter uns poucos momentos de sua companhia, mas Bella parecia precisar de um descanso. Como não queria simplesmente ir embora e deixar a cama vazia ao seu lado, deixei um bilhete e nele pedia desculpas por sair, terminando-o com a frase “eu te amo”.

Tomei um rápido café, seguindo para a empresa em meu carro. Mal cheguei e fui recebido por Aro e uma equipe de funcionários que assumiam cargos importantes na empresa.

Apesar de ainda não assumir publicamente o cargo, eu já estava sendo tratado como presidente da Cullen Publicidade. E por esse motivo, senti naquele primeiro contato, após retornar da minha lua de mel, o peso da responsabilidade. Claro que eu tinha uma idéia do quão atarefado um presidente de uma grande empresa era, observei meu pai ignorar a tudo pelo trabalho, mas não imaginava que era algo tão intenso. Quis ver Bella, mas sempre que pensava em dar uma escapada, algum funcionário me abordava e me levava a sala de reuniões reservada ao presidente.

Aro disse que eu poderia usar a sala de meu pai, mas não a usei. Deixaria para usar após a o evento de posse; eu realmente queria adiar isso. Não tinha boas lembranças das poucas vezes em que visitei aquele lugar. A sua presença ainda estava viva em cada corredor da Cullen publicidade e certamente estava ainda mais viva em sua sala. Por esse motivo fiquei na sala do antigo cargo que ocupava diretor. Um dos motivos para eu querer ficar na minha antiga sala era a proximidade com o local de trabalho de Bella. Ledo engano pensar que dessa forma eu poderia vê-la. Eu não vi ela o dia todo.

...

–Por hoje nós encerramos senhor Cullen. –Aro disse. Eu já estava de pé próximo a porta.

–Ah sim. Eu preciso ir. Minha esposa deve estar esperando por mim. –Disse rapidamente sem me despedir adequadamente dos demais funcionários.

–Nos vemos amanhã senhor Cullen. Ainda há muito que decidir. –E definitivamente odiei aquela promessa silenciosa de mais trabalho por parte de Aro. Não que eu não gostasse de trabalhar, é claro que eu gostava! O que me irritava era ficar longe da minha mulher; eu havia me viciado a sua presença e me sentia agoniado por passar tanto tempo sem ela. Sabe lá Deus o que poderia acontecer se eu me ausentasse por muito tempo... Eu poderia encontrar a minha linda esposinha grávida de um cara bom de papo que iria iludi-la! Eu sei pensamentos completamente idiotas.

–Ah senhor Cullen! Acabou suas incumbências do dia? –Minha secretária, a senhora Slater, perguntou.

–Sim. –Disse com um sorriso estampado no rosto enquanto pegava meu casaco de suas mãos e o vestia. –Vou me encontrar com a Bella e ir para casa.

–Infelizmente sua esposa já foi senhor Cullen. A senhora Cullen passou por aqui antes.

–O que? E por que não me chamou? –Minha voz carregava uma raiva injustificada. Minha secretaria havia sido instruída a não interromper as reuniões com nada. Eu deveria ter esclarecido que Bella era uma exceção a regra.

–O senhor havia dito que... –Ela murmurou surpresa.

–Eu sei. Deixe para lá. Eu deveria ter dito a você para interromper quando for minha mulher. Estou indo agora.

Olhei o relógio, estava muito tarde. Podia sentir o cansaço ameaçando me dominar e isso estava me irritando. Eu não queria ter um dia a dia tão atribulado que não teria energia para mais nada. Frustrado, segui para o estacionamento. Enquanto dirigia pelas ruas da cidade, senti um vazio por Bella não estar comigo no carro. Quando ela não estava por perto, eu me sentia extremamente solitário. Não era algo bom de se sentir, toda essa dependência. Ainda mais agora que eu passaria mais tempo longe dela do que antes. E me praguejei pelo tempo desperdiçado nos primeiros meses de nosso casamento.

...

Bella provavelmente estava dormindo, mas não em meu quarto. Eu iria me juntar a ela, mas antes tomaria um bom banho e comeria algo. Procurei ser rápido e completo em minhas tarefas. Não senti o que eu comia, mas a água morna do chuveiro eu não pude ignorar. Aliviou um pouco a tensão dos músculos, cansados pelo dia estressante. Ainda sim eu não estava completo, relaxado. Só havia uma pessoa que poderia me ajudar a de fato relaxar... E ela estava acordada, algo que eu não esperava, em frente ao seu computador quando eu entrei em seu quarto.

–Amor? – Eu a chamei. Bella deixou de olhar a tela e me encarou. –Ainda está acordada? Pensei que já estivesse dormindo.

–Não percebi que horas são. –Disse olhando para algo da tela, provavelmente o horário. Fiquei radiante por vê-la acordada. Agora eu poderia aproveitar junto a ela aqueles poucos momentos.

–O que está fazendo? –Entrei de uma vez no quarto postando-me atrás dela. Logo identifiquei o conteúdo no laptop: trabalho.

–Estou trabalhando. Tenho muita coisa acumulada para me dar ao luxo de trabalhar só no escritório. –Simplesmente voltou ao seu trabalho. Eu não estava acreditando! Bella realmente me colocaria de lado? Meus braços a envolveram enquanto depositava um beijo em seu ombro. Eu teria de usar todo o meu poder de persuasão agora.

–Deixe isso para lá. Vamos para a cama. –Eu a queria tanto! Um dia sem ter ela por perto era um verdadeiro martírio.

–O que? Ainda tem fôlego para isso? –Sua voz era brincalhona. Isso me fez sorrir.

–Sempre. Vamos para a cama. –Pedi novamente, louco para senti-la em meus dedos, em minha boca, em minha pele.

–Já estou indo. Vá à frente.

–O que? Vai mesmo me trocar pelo trabalho? –Eu me afastei e me coloquei ao seu lado para que ela me olhasse.

–Já estou acabando. Me dê uns minutinhos. –Pediu numa voz manhosa. Não pude resistir. Eu só esperava que Bella não repetisse isso sempre, me por de lado pelo trabalho.

–Promete não demorar? Se você demorar muito eu venho buscá-la a força. –Falei num tom de ameaça querendo que ela prometesse.

–Pode deixar. –Inesperadamente recebi um beijo de minha esposa, uma promessa silenciosa de compensação pelo dia afastado dela. Isso bastou para eu sair do quarto dela e voltar para o meu quarto.

–Estou esperando! –Gritei enquanto abria a porta do meu quarto, puxava as cobertas e me deitava. Apenas alguns minuto e Bella estaria comigo.

Só uns minutinhos...

Era pouco tempo...

Pouquíssimo...

Meus olhos fechados.

Eu adormeci, exausto. Praguejei em pensamento pela minha fraqueza. Eu não deveria deixar o cansaço me vencer assim tão facilmente. Prometi a mim mesmo que o dia seguinte seria diferente, mas isso não aconteceu. Os dias seguintes foram mais cansativos que o primeiro. Quando eu chegava em casa ou estava cansado demais para fazer amor com Bella, ou ela já estava dormindo. O pior de tudo é que as coisas só piorariam após a festa da oficialização de minha posse como presidente da Cullen publicidade.

Era por esse motivo que eu estava tão desanimado naquele dia, o dia em que minhas responsabilidades triplicariam. Lá estava eu arrumado, com um traje a rigor, esperando por Bella. Iríamos para a cerimônia de posse e eu esperava não ter que ficar o evento todo.

–Bella, está pronta? –Eu a chamei. Quanto mais cedo chegássemos ao evento, mais cedo sairíamos. Tive a impressão de ter ouvido um “sim” de dentro do banheiro, onde a pouco ela havia ido retocar a maquiagem. Não demorou a Bella se juntar a mim, linda em um delicado vestido cor de rosa. Sua imagem deslumbrou meus olhos. Ergui uma mão e Bella aceitou o meu toque, beijei sua mão.

–Você está tão linda! É até um pecado eu deixá-la sair assim.

–Eu poderia dizer o mesmo de você. –Bella disse, o rosto corado. Peguei seu rosto entre minhas mãos, admirando-o em cada detalhe, beijando-a em seguida. Não ousei passar dos limites, caso o contrário faríamos tudo, menos ir ao evento de posse.

–Não quero desarrumá-la, mas quando nós chegarmos, eu vou possuí-la pelos dias em que não a toquei devido aos nossos compromissos de trabalho. –Minhas palavras poderiam soar como uma ameaça e assustá-la, mas isso não ocorreu. Bella já estava se habituando ao meu verdadeiro eu e isso era bom.

–Vamos então. Quanto mais cedo estivermos lá, mais cedo sairemos. –Suas palavras me pegaram de surpresa. Pegou minha mão e fomos para a garagem do nosso condomínio.

Eu não queria ir ao evento, seria um saco. Um bando de puxa-sacos fazendo elogios a mim e tentando desviar minha atenção para baboseiras sem sentido. Eu costumava aturar esse tipo de coisa, precisava ser um tipo imparcial, mas conhecendo alguém como Bella e convivendo com ela... Bem... Eu realmente mudei. Ainda sim as aparências tinham que ser mantidas.

–Boa noite senhor Cullen... Senhora Cullen. –O organizador do evento nos cumprimentos.

–Boa noite. –Eu disse em uníssono com Bella.

...

Após muita conversa, sorrisos forçados e promessas de contratos milionários com minha empresa, chegamos ao ponto principal do evento: a posse. Aro convocara-me ao palco. Um discurso havia sido preparado pelo porta-voz e, como eu não estava muito inspirado para preparar um discurso de ultima hora, o aceitei. A meu pedido, Bella, que em momento algum deixou de estar ao meu lado, ficou em um canto do palco, fitando-me. Sorri para ela e comecei o discurso diante de todos: funcionários, convidados, sócios, parasitas e... Tânia!

“Acalme-se Edward! Não olhe para ela!” –Meus pensamentos gritaram enquanto eu desviava meu olhar dela e fitava qualquer um no evento.

Claro que ela poderia estar aqui, o dono da empresa, seu chefe e provavelmente amante, tinha negócios com a empresa. Ainda sim eu não esperava e fui pego completamente desprevenido. Procurei me manter tranqüilo enquanto lia o discurso, eu nem sabia mais o que eu estava lendo. Havia pensado em agradecer a Bella e aproveitar a oportunidade para dizer o quanto eu a amava publicamente, mas agora que Tânia estava no evento eu não poderia.

Ao sei se algum percebeu o quanto eu estava abalado, eu esperava que não. Quis ser rápido e sair logo daquele lugar, eu precisava disso. Quando terminei o discurso, caminhei apressado para onde Bella estava. O problema foi que muitas pessoas vieram ao meu encontro, amontoando-se ao meu redor e me impedindo de chegar até Bella.

A princípio eu me aborreci e praticamente empurrei todos ao meu redor para chegar até ela, mas quando Bella sorriu para mim, tranqüilizando-me, procurei dar atenção às pessoas que me parabenizavam. Prometi a mim mesmo que não demoraria com aqueles cumprimentos. Vi afastado de mim, conversando com alguns sócios, Alice e Jasper. Alice me notou e mandou uma língua, Jasper sorriu e fez um cumprimento de cabeça.

E vários minutos se passaram...

Inferno, onde estava Bella? Eu não conseguia me livrar do amontoado de pessoas que vinham me cumprimentar! Estava preocupado com ela, deixá-la por ai com Tânia no evento não era boa coisa. Alice e Jasper poderiam até estar com ela, mas isso não era sinal de segurança. Do jeito que minha irmã era revoltada comigo, era capaz de contar ela mesma a verdade. Driblei algumas pessoas murmurando desculpas incompreensíveis.

Por fim eu localizei Alice e sabia que através dela poderia encontrar a minha esposa.

–Alice! –Chamei. Ela se virou no mesmo instante.

–Oi para você também. Nem me cumprimentou adequadamente. –Falou emburrada. Sorri diante de sua atitude infantil.

–Estive ocupado demais dando atenção aqueles que realmente me interessam no evento. –Disse num tom provocativo, sabendo que ela agiria como uma criança me mandando língua. Dito e certo: minha irmãzinha me mandou língua.

–Se é assim por que não está dando atenção a Bella? Ela está sentada em algum lugar com uma cara nada boa.

Estremeci.

–Como assim? Do que você está falando Alice? –O nervosismo me tomou e me vi caminhando entre os convidados para procurar por Bella. Alice me deteve, segurando-me pelo braço.

–Hei, ela está sentada em uma mesa que foi reservada para ela e você. Fica naquela direção. –Alice apontou para a direção que eu deveria seguir. –Vou ficar com Jasper agora.

Eu a vi se afastar, indo até onde Jasper a esperava. Continuei minha empreitada até encontrar uma Bella cabisbaixa, sentada em uma mesa, fitando o nada. A expressão em seu rosto me alarmou e rapidamente me juntei a ela.

–Bella? –Eu a chamei. Bella, que havia abaixado a cabeça, levantou-a num átimo. Eu me abaixei ao seu lado, preocupado com o que eu estava enxergando no seu rosto bonito. –Você está bem? Alice disse que parecia aborrecida.

Bella tentou melhorar a expressão do seu rosto.

–Só estou um pouco cansada. Desde que cheguei eu quase não sentei. –Sorriu forçadamente. Definitivamente alguma coisa estava acontecendo com ela. Seria Tânia? Não, eu duvidava. Se Tânia tivesse falado alguma coisa, Bella sequer me olharia. Preferi acreditar que ela estava chateada por que eu não estava dando nenhuma atenção a ela.

–Sei. Desculpe. Eu imaginei que seria assim, você tendo que dar atenção a todos. No entanto não precisa mais fazer isso. Fique descansando aqui. Eu logo me juntarei a você. Preciso cumprimentar mais alguns sócios e logo estarei livre. Nós poderíamos...

–Não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem. Faça o que deve fazer Edward. –Bella acariciou meu rosto, tentando me acalmar. Relaxei com o seu toque despreocupado apenas por alguns instantes, mas aquela tensão que eu estava sentindo pela proximidade de Tânia não se dissipou. E foi ai que eu a vi novamente, olhando-nos com uma expressão de ódio misturada com sarcasmo. Eu conhecia aquela expressão afinal de contas Tânia foi minha amante, era a cara de quem queria confusão. E me lembrei que quando nos encontramos na pousada em que eu me hospedei com Bella e meus familiares, em Miami, eu havia renegado Bella. Seria perigoso se Tânia soubesse que Bella e eu estamos bem. Agora ela sabia pelo modo como eu estava com Bella, que nós éramos de fato marido e mulher.

Levantei rapidamente, soltando a mão de Bella. Ela provavelmente não entenderia meu comportamento, mas eu iria inventar uma desculpa qualquer mais tarde. Voltei a interagir com os convidados que a pouco havia ignorado, mas não dei atenção a conversa. Não ousei olhar envolta e me deparar com Tânia, tampouco ousei olhar para Bella com os mesmos olhos amorosos que tenho devotado a ela desde que descobri o quanto a amava. Eu já estava arriscando demais, qualquer coisa a mais me entregaria.

...

Bella estava anormalmente calada desde o momento em que eu a encontrei sentada sozinha. Por que ela estava assim? Chateada por eu não ter dato tanta atenção a ela? Ou por que Tânia aprontou das suas enquanto eu a deixei sozinha?

–Está tão calada! Aconteceu alguma coisa? –Perguntei pela segunda vez. Bella mostrou indiferença com um dar de ombros.

–Estou muito cansada. Só isso. –Sequer olhou para mim, seu olhar voltado para a janela. Parecia estar com raiva de mim... Mas se fosse algo relacionado à Tânia ela não estaria me ignorando, estaria tentando me matar.

–Alice disse que você estava bem e então mudou. Tem certeza que é só cansaço? –Procurei sondá-la. Bella pareceu pensar sobre o que iria dizer e, como eu imaginei, continuou insistindo com o papo do cansaço.

–É cansaço Edward. Apenas isso.

Definitivamente ela não se abriria para mim, não agora. E eu teria novamente que ser muito paciente e continuar tentando. Não poderia correr o risco de deixar algo entre nós dois. Nenhum dos dois voltou a falar sobre o assunto em questão que parecia perturbar Bella. Às vezes eu a incitava a falar perguntando o que havia achado do evento. Bella respondia as minhas perguntas monosilabicamente, mostrando-se levemente entediada, ou no mínimo avoada. Eu preferiria acreditar que não era o tédio da minha companhia que a motivava a agir com tanta estranheza.

Ao chegarmos a nossa casa, minha esposa foi para o seu quarto sem titubear. Não me segurei e entrei em seu quarto, a fim de colocá-la na parede e obrigá-la a se abrir comigo, mas como ela estava tomando banho eu deixei para depois. Retirei minhas roupas, tomei em bom banho e vesti uma roupa de dormir confortável. Deitei na minha cama, esperando pelo momento em que ela viria até mim, mas esse momento não veio. Não agüentei e resolvi procurá-la em seu quarto, descobrir com o que eu estava lidando.

Quando entrei em seu quarto, Bella estava vestida com uma camisola e caminhava para a sua cama. Provavelmente dormiria ali e nem se deu o trabalho de me chamar, ou talvez ela achasse que não precisava.

–Bella, vem dormir comigo? – E como ela segurava as cobertas da própria cama, continuei. –Você quer dormir aqui? –A irritação na minha voz foi mal ocultada.

–Só para variar. Faz algum tempo que não durmo no meu quarto. –Havia algo no sorriso dela que não me alcançava, Bella parecia estar fingindo que sorria, tentando ocultar algo de mim. Isso só me deixava mais preocupado e aborrecido com a sua conduta. Procurei me acalmar, seguindo para a cama, mas não me deitei. Aquele era o momento para alguns esclarecimentos por parte dela.

–Bella, o que houve hoje no evento? Eu sei que você está mentindo. Isso não pode ser somente cansaço. Eu também estou cansado, mas não trataria você friamente como está fazendo comigo. –E como eu imaginei finalmente ela resolveu me dar atenção.

–Edward, não é nada disso. Não foi nada, é sério! Eu... –Ela estava nervosa, sempre foi uma péssima mentirosa. Fiquei o mais próximo possível a ela, querendo manter seus olhos em mim, assim seria mais fácil impedi-la de me evitar. Com o corpo praticamente postado em cima dela e acariciando seu rosto coma mão livre, comecei.

–Eu me preocupo com você. Eu quero poder ajudar com o que eu puder, mas o que eu posso fazer se você não me conta o que se passa? Por que não confia em mim? –Minha voz estremeceu. Eu odiava quando ficávamos desse jeito, agindo como perfeitos estranhos.

Eu vi as mudanças no olhar que Bella lançava para mim: surpresa, tensão, alerta e depois...

–Bella! Por que está chorando? Eu fiz alguma coisa? Fui eu que... –Bella me calou colocando um dedo nos meus lábios. Enquanto isso eu só conseguia pensar em Tânia e no que ela poderia ter feito para Bella estar tão deprimida.

–Eu não sei o que deu em mim. Pensei nos meus pais hoje, durante o evento. E quando penso neles eu me sinto mal por que eu lembro que estou completamente sozinha.

Naquele momento, enquanto observava a mulher que eu mais amava chorar copiosamente, eu percebi que havia lacunas impossíveis de serem preenchidas. Eu poderia amá-la, respeitá-la e tratá-la da melhor forma possível, mas eu não poderia fazer nada quanto ao vazio que ela sentia com relação aos pais. Era angustiante aquela sensação de impotência. Enxuguei algumas lágrimas em seu rosto enquanto tentava encontrar as palavras certas.

–Eu estou aqui com você. Eu nunca vou deixá-la sozinha, nunca vou decepcioná-la. Bella, você é a mulher da minha vida, a única com quem eu quero ter filhos e viver o resto da minha vida. Eu sempre estarei aqui, serei seu porto seguro. E isso tudo por que eu amo você.

Era estranho. O Edward de antigamente jamais diria palavras assim para uma mulher. Eu havia mudado muito, o amor por Bella me mudou de forma irremediável. Ao invés de acalmá-la, minhas palavras aumentaram a vazão das lágrimas. Eu a abracei forte enquanto dizia palavras doces, beijando-a a todo momento, querendo transmitir mais segurança do que fiz até hoje.

Os minutos se passaram. Bella foi se acalmando em meus braços até o choro se transformar em um ressonar tranqüilo. Infelizmente eu não consegui dormir tão bem. Alguma coisa lá no fundo me dizia que havia mais entristecendo Bella do que a saudade dos pais. E eu rezava para saber lidar com o que estivesse vindo contra nós dois.

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