O Contrato-Capitulo 34

Bella pov’s

Lembro-me como se fosse ontem da noite em que meus pais morreram. Voltava da faculdade, na minha moto, e estranhei ao ver um carro de policia estacionado no meio fio. Em frente a minha casa estavam dos policiais, parecendo brechar através da cortina que cobria a persiana de vidro, a fim de encontrar alguém na casa. Estacionei em frente à garagem, com minha visão periférica analisando cada passo dado por eles. Desci da moto, retirando o capacete. Pretendia abrir a garagem e guardar logo a moto, como sempre fazia, mas ao ver a aproximação de um deles eu fiquei parada. O mais velho dos policiais, um homem baixo e meio roliço, aproximou-se de mim.

–Você deve ser a Isabella Swan... –Murmurou. Eu assenti fracamente com a cabeça enquanto minha mente fervilhava com as hipóteses acerca da presença daqueles dois sujeitos. –Precisamos conversar. –Disse, retirando um lanço do bolso da calça de brim caramelo e enxugando a tez suada.



Nunca me esquecerei daquele fim de tarde em que, após a vida de meus pais ser ceifada em um acidente de transito, um policial veio me comunicar o ocorrido. Naquele trágico dia, algo quebrou dentro de mim. Eu me entreguei a mais profunda melancolia e acreditei que nunca mais passaria por algo parecido.

Eu estava completamente enganada.

Trajando uma saia comprida, preta, e um suéter cinza, eu segui trôpega ao local indicado pela imprensa onde ocorreria o funeral. Passei alguns minutos em frente à majestosa catedral, tentando ficar um pouco mais controlada. Era uma manhã chuvosa de segunda feira, um clima deprimente para uma situação que ia alem da tristeza. Sim, talvez os céus estivessem prestando sua homenagem aqueles que se foram.

Devido ao frio daquele dia nublado, vesti meu casaco preto e minhas luvas pretas de couro. Fechei o guarda chuva, agora que estava embaixo da marquise do prédio e respirei algumas vezes antes de entrar. Certifiquei-me de que havia uma caixa de lenços de papel da minha bolsa, para o caso de as lagrimas novamente encharcarem meu rosto. Não que eu estivesse preocupada com a maquiagem que eu fizera ser desfeita, não me importava nenhum pouco com algo tão idiota. Eu só não queria parecer tão frágil. Eu precisava aparentar força por que havia uma pessoa naquela igreja que precisaria muito disso.

Entrei cautelosamente na igreja, ricamente adornada com buques enormes de lírios brancos e coroas de flores das mais variadas cores. Toda aquela beleza não me agradou, deixava mais claro o evento fúnebre. Fui seguindo para o interior da capela, recebendo olhares dos fotógrafos e pessoas que aparentemente não tinham conseguido entrar na capela principal. Todos aguardavam por alguma coisa naquela pequena saleta, enquanto seguranças impediam a passagem de quem não tivesse sido convidado ao evento.

Será que me deixarão passar, pensei aturdida. Eu não era mais da família, me separara de Edward. Embora a nossa separação não tivesse caído ainda nas graças da imprensa, Edward sabia de tudo e poderia me impedir de entrar, se quisesse. Ele poderia não colocar o meu nome na lista e assim me impediria se acessar o interior da igreja onde ocorria a cerimônia. Eu me aproximei rapidamente dos seguranças que controlavam a porta, colocando óculos escuros e uma carpe vermelha envolta da cabeça, cobrindo parcialmente meu rosto. Não sei se algum dos paparazzi me reconheceu, eu procurei ser rápida. Dei o meu nome, rezando para que eu pudesse passar. Felizmente concederam-me passagem e me apressei em entrar e assegurar um lugar ao fundo, onde eu pudesse ver a capela como um todo, sem ser detectada.

O lugar estava ricamente adornado com flores de todo o tipo, principalmente lírios brancos. Havia muita gente, algumas pessoas choravam audivelmente e outras pareciam entediadas, na certa estando ali apenas para cumprir um rito social. Reconheci alguns funcionários da empresa ao qual eu trabalhei e até alguns clientes da Cullen publicidade. Olhei para frente, dando atenção as palavras do padre, e meu coração congelou.

Em cima do altar mor estavam mais arranjos de flores e dois caixões brancos, parecendo perdidos diante de tantos ornamentos. Senti meu coração se afundar em alguma parte de mim. Uma dor dobrada me atingiu, as lembranças da morte dos meus pais e agora... Isso. O mal estar que me tomou fez com que eu sentasse, embora todos ali estivessem de pé para rezar, seguindo as orientações do padre. Segurei meu rosto entre as mãos e chorei baixinho, sentindo uma tristeza sem precedentes.

A vida é algo efêmero de fato. Uma hora você está bem, conversando com amigos e familiares e fazendo planos. Na outra, você é apenas mais um cadáver nas estradas. Eu sempre soube do quão preciosa a vida é, do quanto ela pode mudar em pouco tempo, mas mesmo assim não conseguia assimilar o que ocorrera no sábado e que só soubera no domingo de manhã através de um noticiário.

Eu nuca os odiei, mesmo após descobrir que Alice fazia parte do complô para que Edward armara. Jasper então nem se fala, ele nunca esteve envolvido. Por isso ao me deparar com os caixões onde os dois repousavam, eu senti como se tivesse perdido pessoas muito importantes. As lembranças das vezes em que estivera na companhia dos dois, em especial de Alice, vinham na minha cabeça, aumentando a dor no peito que eu sentia. Ela fora, sem ser convidada, junto ao marido Jasper, uma parte da minha família. Seria sempre assim...

Lembrei da noticia passada no canal local na manhã de domingo, sobre um acidente na auto-estrada que culminou na morte de um casal. Lembrei do desespero que senti, vestindo-me rapidamente a fim de encontrar Edward. Passei o dia para lá e para cá, sem localizá-lo; também liguei para todos os seus números disponíveis, sem, porém, falar com ele. Não dormi e pouco comi de domingo para hoje, segunda feira. Conversei com Angela, que me ligara algumas vezes, e graças a ela eu soube onde ocorreria a cerimônia em homenagem a eles, podendo estar aqui. Infelizmente Angela decidira não vir, abalada demais com o ocorrido visto que trabalhava diretamente com Alice. Eu me sentia esgotada física e emocionalmente, precisando tomar comprimidos de calmante e dormir, mas ao pensar em Edward e no que ele poderia estar passando eu bancava a forte e seguia em frente.

Não dei muita atenção a cerimônia como deveria, tentando, inutilmente, fingir que as pessoas ali dentro dos caixões não eram conhecidos meus. Procurei por Edward com o olhar, mas não o vi, algo difícil para uma igreja simplesmente abarrotada de gente.

“Provavelmente ele está sentado na primeira fileira”, pensei. Eu deveria ir até lá, mas a quantidade de pessoas se aglomerando nas primeiras fileiras me inibiu completamente. Como meus sentimentos acerca da tragédia não estavam completamente disciplinados, achei melhor permanecer onde estava, na ultima fileira. Eu precisava ajudar Edward nesse momento de dificuldade e para isso precisava passar a imagem de uma pessoa forte, com os sentimentos firmemente controlados.

Perdida em devaneios, me assustei quando as pessoas começaram a se afastar. Os caixões estavam sendo retirados do local e transportados para uma saída lateral. Levantei, olhando ao redor, mas o mar de gente me impediu de ver Edward. Quando a igreja se esvaziou um pouco, ele não estava lá.

“Droga!” – Sai pela entrada principal, vendo todos os que estavam presentes no evento driblarem os fotógrafos e entraram em seus luxuosos carros, estacionados no meio fio, para seguirem ao local onde Alice e Jasper seriam enterrados. Olhei envolta, tentando localizar novamente Edward, sem sucesso. Driblei a multidão de pessoas a fim de pegar um taxi do outro lado da rua, mas uma mão no meu ombro me deteve. Olhei para o dono da mão e me surpreendi.

–Senhor Volturi?! –Aro, o vice-presidente da Cullen publicidade, estava atrás de mim, vestido de preto dos pés a cabeça. Carregava uma expressão cansada no rosto e sorriu minimamente a me ver.

–Senhora Cullen, é um prazer revê-la após tanto tempo. Pena que as circunstancias não sejam as melhores.

–Sim... –Concordei com um suspiro.

–Está indo para o local do sepultamento? –Ele me perguntou. Eu assenti. –Irá com o senhor Cullen, seu marido, imagino.

Fiquei abismada ao perceber que Aro não sabia de nossa separação. Ao que tudo indicava Edward não abrira a boca para ninguém sobre isso. Estupidamente me perguntei se Alice e Jasper sabiam antes de...

–Não irei com ele. Pegarei um taxi e me dirigirei para lá. –Falei rapidamente, não querendo entrar em detalhes sobre a separação. Felizmente Aro não me pressionou por mais detalhes.

–Quer uma carona? Estou indo para lá? –Um carro preto estacionou a nossa frente e um motorista saiu de dentro dele para abrir a porta para Aro. Assenti, agradecida pela oferta, verbalizando logo em seguida meu agradecimento. Ficamos calados por algum tempo e olhei tristemente para o tempo nublado. O chuvisco estava engrossando e logo teríamos uma tempestade terrível.

–A senhora se separou do Edward, não é? –Aro perguntou, deixando-me sobressaltada. Eu o olhei por alguns instantes, sem saber o que falar. Ele olhava para o meu rosto, estudando minha reação, e para a minha mão onde deveria haver uma aliança.

Com os olhos fixos no chão, falei:

–Ele não contou nada a ninguém? –Meu murmúrio débil felizmente foi ouvido por Aro.

–Não. Sequer retirou a aliança dos dedos. Mas a julgar pela sua constante ausência e a falta de uma aliança, assim como o fato de não ter vindo com o senhor Cullen, especulei que deviam estar separados.

–Nos separamos oficialmente há alguns dias atrás. –Confessei, olhando agora para a janela, vendo a tempestade que caia. –Mas acho que eu não precisava verbalizar nossa atual situação. Você coletou os indícios que comprovam o divórcio.

–E mesmo assim a senhorita veio. Por um acaso falará com o senhor Cullen? –Me perguntou e senti seus olhos sobre mim. Continuei olhando para fora.

–Eu vim para isso. Não vim necessariamente para prestar minha homenagem aos mortos. Acho mais valido fazer isso quando a pessoa está viva. O que resta agora é somente um corpo. A Alice e o Jasper que conhecemos não estão mais aqui. –Desabafei com uma voz e conduta inexpressivas.

–Concordo plenamente com a senhorita. Só estou aqui para dar algum amparo ao senhor Cullen. Não está sendo fácil para ele. –Suas palavras me fizeram encará-lo.

–Como ele está? Não o vi desde ontem. Tentei encontra-lo, mas ele não atendeu minhas ligações ou ficou parado nos lugares onde sua presença é constante.

–Ele esteve ocupado desde ontem com os preparativos do enterro. Não deve ter dormido nada. Só passou no apartamento essa manha para trocar de roupa. Ele não está nada bem, afinal os dois únicos parentes que ele tinha serão enterrados daqui a pouco. Ele vai precisar muito de alguém ao seu lado e não vejo pessoa mais indicada do que a senhorita. Mesmo estando separados... –O olhar que Aro lançou para mim era poderoso, praticamente me compelindo a agir de alguma forma na tentativa de ajudar Edward. Ele não precisava ter uma conduta tão intimidadora assim a fim de me convencer, afinal de contas eu estava ali pelo Edward, por ninguém mais.

Após vários minutos chegamos ao local onde os corpos seriam sepultados. Antes mesmo de o carro entrar na área do estacionamento do cemitério eu já sabia que aquele lugar era lindo. Um campo veste se perdia no horizonte, cheio de jazidas e flores dos mais variados tipos. Quando o carro parou, o motorista desceu, portando um guarda chuva, e foi na direção de Aro, abrindo sua porta.

–Vamos senhorita Swan. Dividiremos o guarda chuva, assim não ficaremos molhados. –Sorriu, estendendo sua mão a fim de me ajudar a sair do carro.

–Se me permito, eu gostaria de ficar mais uns minutos aqui no carro. –Pedi. Aro, claro, permitiu, instruindo seu motorista a pegar um segundo guarda chuva no carro e me dar quando eu desejar sair do veiculo. Ele partiu, caminhando e seguindo a leva de convidados para o evento. Procurei relaxar no banco de couro do carro, ignorando o motorista que me olhava pelo espelho retrovisor. Encarei novamente a tempestade que caia lá fora, sentindo um estranho torpor me dominar, como se uma força invisível estivesse agindo em meu corpo. Permaneci alheia a tudo por um tempo indeterminado. Por fim sai do carro, sendo prontamente seguida pelo motorista que trouxe para mim um guarda chuva. Eu peguei o objeto, agradecida por não me deixar molhar por aquela chuva torrencial e sai do estacionamento, indo em direção ao local onde ocorria o funeral.

Não sei se foi por causa da chuva, ou se realmente eu demorei demais dentro daquele carro, mas ao me aproximar do local notei que as pessoas começavam a retornar. Provavelmente o sepultamento fora mais rápido pela chuva que caia. Olhei envolta, tentando encontrar Edward, mas não o vi. Caminhei por entre o fluxo de pessoas na direção contrária, ainda olhando a tudo atentamente. Enquanto isso minha mente tentava planejar qual a conduta que eu teria ao me encontrar com o meu ex-marido. Não, eu sabia que era bobagem planejar algo, pois quando estivesse com ele todo o planejamento seria esquecido.

Aro passou por mim a vários metros de distancia, conversando com um homem qualquer. Não me viu. Olhei para frente, localizando finalmente o lugar onde ocorreu minutos atrás o sepultamento. Ninguém mais estava lá, todos foram embora.

Nem todos haviam ido embora como eu pensara.

Eu o reconheceria em qualquer lugar, de qualquer jeito. Estava de pé, sem nenhuma proteção a chuva, olhando para os túmulos. Não pude ver o seu rosto por estar de costas para ele, mas imaginei que sua expressão facial não deveria estar nada boa. Todos aparentemente foram embora, deixando-o sozinho. Praguejei em silencio. Como as pessoas ousaram deixá-lo? Edward devia estar arrasado, alguém deveria ter ficado com ele! Alguém deveria persuadi-lo a sair daquela chuva e ir para casa descansar!

Ninguém se importa com ele. São, em sua maioria, sanguessugas que vieram cumprir apenas seu papel ante a sociedade. A maioria não conhecia Alice e Jasper e, se conheciam, não pareciam se importar com o fato de agora estarem mortos. Se não se importavam com o casal, por que se importaria com o irmão de Alice?

Eu me importo e isso basta, pensei. Se ele não sabia desse fato, eu contaria. Foi com essa resolução, e a própria imagem de Edward que agora se ajoelhava no gramado, que me fez seguir até ele com passos firmes.

Alheio como estava, Edward não percebeu a minha presença. Foi só quando sentia que a chuva não mais caia nele, agora que eu o cobria com o meu guarda chuva, que ele, lentamente, virou-se, ainda de joelhos no gramado. E o que eu encontrei ao olhar naqueles orbes dourados... Deus, não havia ninguém nesse mundo mais devastado do que ele. Um misto de tristeza, vazia, raiva... O que existia de fato naqueles olhos era difícil de se definir.

–Vai acabar doente se permanecer nessa chuva. –Falei baixinho, mas ele conseguiu me ouvir, eu acho. Apesar de estar me olhando, parecia que ele não conseguia me ver. Um vazio tenebroso parecia possuí-lo, como se estivesse prestes a entrar em estado catatônico.

Com muito cuidado eu me ajoelhei, ainda tentando proteger a nós dois da chuva com o guarda chuva que eu segurava. Ele se inclinou, colocando o seu rosto na curva do meu pescoço enquanto os braços, ao invés de me envolverem, pendiam ao seu lado.

–Eles me deixaram... Todos eles. Bella, eu estou só. –Sua voz era só um murmúrio débil que compreendi apenas por estar colada a ele. Tentando segurar o choro, eu o envolvi com o braço livre e o apertei contra mim, esperando que, de alguma forma, a dor que o consumia passasse com esse contato.

–Você não está só. Eu estou aqui com você. Eu sempre estarei aqui para você. –Arrulhei em seu ouvido enquanto ele parecia relaxar mais e mais nos meus braços. –Agora vamos para a sua casa. Você precisa se secar, comer alguma coisa e descansar.

Eu me levantei, amparando-o enquanto continuava a tentar nos proteger da chuva. Edward caminhou trôpego ao meu lado e tive que sustentar seu peso, passando um braço ao redor da sua cintura. Só havia um carro no estacionamento, a nossa espera. Pensei que era Aro esperando por Edward já que o carro era igual, e havia um motorista, mas me equivoquei. Provavelmente esse era mais um carro com motorista da empresa em que Edward presidia.

O motorista nos ajudou a entrar, pegando o meu guarda chuva e guardando-o na frente. Relaxei no banco de couro, sentindo a exaustão que tanto tentei afastar finalmente me dominar. Com Edward parecia estar acontecendo a mesma coisa. Ele havia encostado sua cabeça no vidro, olhando para a paisagem fora da janela, alheio a tudo. Pensei em mil coisas para dizer e abstraí-lo de pensamentos nebulosos, mas no final optei pelo silencio.

O motorista seguia para o apartamento de Edward sem que verbalizássemos o nosso destino. Saiu do carro e nos ajudou a chegar até o hall de entrada do prédio sem nos molharmos. Edward seguiu para os elevadores e eu fui junto, sem saber se ele me permitiria ajudá-lo ou não. Não importava, eu iria ficar e auxiliá-lo com alguma coisa mesmo que ele não quisesse.

Entrar novamente no apartamento que jurei não pôr mais os pés foi estranho. Tudo estava como sempre esteve: limpo, arrumado, exalando requinte. Mas os últimos acontecimentos pareciam fazer com que o local refletisse o espírito do dono: vazio, frio e escuro. Acendi s luzes da sala enquanto Edward seguia para o quarto. Eu o segui pouco depois. Ele não fez menção de retirar as roupas ensopadas como imaginei que faria, apenas se aproximou de uma grande janela, afastando um pouco as cortinas e vendo a chuva torrencial que caia lá fora.

Eu me aproximei, colocando uma mão em seu braço. Ele se virou minimamente para me olhar.

–Vai acabar doente com essas roupas. –Disse, subitamente retirando dele o casaco molhado que o cobria. Edward me olhou, não surpreso ou especulativo, mas ausente. Eu o ajudei também a retirar o paletó e as luvas de couro pretas. Quando iria afrouxar a gravata, ele me segurou pelo pulso.

–Por que você está aqui? –Perguntou. Não parecia de fato curioso com a minha presença lá ao fazer essa pergunta. O fato de eu estar ali não tinha importância para ele.

–Quero cuidar de você. –Minha voz soava estranha, ainda refletindo a comoção dos últimos acontecimentos. Edward me olhou fixamente, segurando fortemente minha mão em direção ao seu peito. As mãos podiam estar frias, mas o seu peito, com um coração acelerado dentro, estava assustadoramente quente. Senti a aproximação dos nossos corpos graças a ele e estremeci. Assustada com a situação, eu procurei me desvencilhar antes que fizesse alguma bobagem.

–É melhor você tomar um banho e vestir roupas limpas e secas. Eu vou preparar algo para você comer. –Eu me afastei, seguindo apressadamente para a cozinha.

Foi difícil me concentrar em algo. Como se não bastasse à tristeza que eu estava sentindo por Alice e Jasper, agora eu sentia meu coração se acelerar de um jeito estranho por Edward. Seria a compaixão agindo em mim? Seria a pena que estou sentindo por ele confundindo minha mente? Ou talvez... Não! Não era o momento de cometer erros agora, pensando em coisas que eu deveria esquecer. Eu estava lá para cuidar do bem estar de Edward e assim o faria, nada mais.

Preparei uma sopa de legumes utilizando quase tudo o que encontrei na geladeira. A sopa ficara gostosa e acabei por comer um pouco, faminta pelas horas sem comer algo. Antes de levar comida para Edward, retirei meu casaco e luvas, deixando-os em cima do sofá, retirando logo em seguida os sapatos. Arrumei a sopa em uma mesinha de café da manhã e assim levei comida para ele. Ao chegar ao quarto, precariamente iluminado por um abajur, eu o encontrei sentado na cama. Já havia tomado banho e vestia uma calça moletom preta e camisa branca. Fitava o nada, perdido em pensamentos nada felizes.

Deixei a bandeja em cima do criado mudo e me sentei diante dele, notando que os cabelos ainda estavam ensopados. Peguei a toalha que o envolvia pelo pescoço e me pus a enxugar seus cabelos, olhando-o atentamente, sem me envergonhar, já que ele continuava a fitar um ponto qualquer no chão. Senti a necessidade de dizer algo sábio, e piegas, para fazer o seu estado psicológico melhorar e assim o fiz, ainda que relutante.

–Você sabe... Eu passei pelo que você está passando. Perdi meus pais, as únicas coisas que eu tinha, antes mesmo de ter uma vida estável como você tem. Na época eu achei que nunca superaria e quis me entregar à dor que sentia. E então eu percebi que eles desaprovariam uma atitude dessas. Aonde quer que eles estejam Alice e Jasper não querem que você se entregue. Pode parecer impossível agora, mas o tempo se encarregará de ajudá-lo não a esquecer... O tempo fará com que a dor fique suportável.

Eu sabia que as minhas palavras eram pura demagogia. Eu sabia o que era perder o que lhe restava... Palavras não adiantariam de nada. E pela expressão vazia de Edward, não adiantaram nada mesmo. Deus, o que eu poderia fazer para ajudá-lo?

–Edward... –Murmurei seu nome com um olhar suplicante. Ele se ajeitou na cama, deitando-se de lado. Colocou sua cabeça em meu colo enquanto seus braços tentavam me envolver sem muito sucesso.

–Estou tão... Cansado. –Disse num fio de voz. Aconchegou-se mais e mais em mim e loco ressonava tranqüilo. Ele devia estar exausto para dormir tão rapidamente, pensei. Com uma mão, lentamente, acariciei os cabelos acobreados enquanto pensava em como seguiríamos a partir de agora, Edward e eu.

Edward pov’s

Quando minha mãe morreu, uma mão segurou a minha durante todo o enterro. Era a mão pequena de Alice. Ela foi a única que de fato me prestou consolo naquele momento de dor, ninguém mais. Também tive minha mão capturada por ela no enterro do nosso pai, muito embora eu não precisasse de consolo naquela situação. Deus, ela segurava a minha mão até nas pequenas coisas, como quanto eu tinha dez anos e nosso cachorro morreu meses depois de ser adquirido.

Quem seguraria na minha mão agora que não me restava mais nada?

Os últimos acontecimentos foram como um borrão de tão rápidos, mas mesmo assim eu me lembraria deles para sempre, em cada detalhe: os policiais notificando-me sobre um acidente ocorrido na estrada, vitimando um casal; meu desmaio; Aro praticamente fazendo tudo para que eu não me aborrecesse com a liberação dos corpos e os detalhes do sepultamento (eu só precisava estar próximo para assinar alguns papéis); horas sem dormir ou comer, mesmo quando todos insistiam para isso; ninguém ao meu lado para me abraçar e dizer que ficaria tudo bem...

Eu não fui reconhecer os corpos, não precisei. Aro fez isso por mim e, mesmo que não o fizesse, a placa do carro seria um forte indicativo. Eu soube, com mais detalhes, através dos policiais que nos acompanharam até o necrotério, o que de fato houve. Eles voltavam da fazenda e, em um determinado momento, um carro em alta velocidade perdeu o controle e os atingiu de frente. Minha família sequer tiveram uma chance, morreram no local.

Eu já estava suficientemente abalado, praticamente em estado catatônico, pelo ocorrido. Saber que eles estavam vindo da fazenda, após eu ter contado a Alice sobre o divorcio, só piorou as coisas. Eu sabia o que eles estavam fazendo... Eles voltavam por que estavam preocupados comigo. Eu poderia apostar que Alice queria me ajudar novamente com Bella... Alice... Eles morreram por minha causa, concluí.

A depressão me atingiu com força incapacitante e fiquei alheio a tudo, tentando acordar daquele pesadelo. Com o passar das horas, e quando tive que me vestir para a ocasião na segunda pela manhã, enfim a ficha estava caindo.

Eu estava completa e arrasadoramente só.

Se não fosse por Aro me ajudar a chegar à igreja onde ocorreria uma cerimônia em homenagem a eles, eu provavelmente teria ficado sentado no chão do meu closet, olhando para o nada. E era assim que eu estava agora enquanto o padre fazia uma missa emocionada em uma igreja ricamente decorada e cheia de gente.

Muitas pessoas me cumprimentaram, algumas me abraçaram, outras tentaram um aperto de mão... Nada me alcançou. É como se minha existência tivesse sido sugada para um buraco negro e ninguém fosse forte o suficiente para me tirar dali. Mas talvez esse estranho entorpecimento fosse algo bom, uma forma de espaçar de uma dor maior.

Estar ausente fez com que a cerimônia inteira fosse mais rápida do que o esperado e eu era constantemente deslocado para lá e para cá por Aro. Ao final daquele espetáculo macabro, Aro desvencilhou-se de mim para conversar com algumas pessoas. A cerimônia já havia acabado e muitas pessoas faziam menção de se aglomerarem ao meu redor para dar consolos vazios. Tratei de me retirar, sem esperar por Aro, uma vez que viemos em carros separados e não haveria problema. Todo aquele tumulto era terrível, deixando-me em agonia. Eu segui para o carro e entrei quando a porta foi aberta pelo motorista, ignorando os presentes na cerimônia que insistiam em me chamar ou a imprensa. Que se fodam todos!

–Provavelmente choverá. Isso apressará o sepultamento. –Disse o motorista, tentando puxar papo. Resisti a vontade de mandá-lo a merda por um comentário tão insignificante em um momento inoportuno e continuei a olhar, apático para fora da janela.

Eu continuei aéreo, abraçando o torpor sentido como um acidentado que abraça a morfina, querendo permanecer alheio a realidade para todo o sempre. Queria fingir que minha irmã estava viva, viajando para algum lugar do mundo e gastando a fortuna da família com roupas e jóias. Jasper, sempre ao seu lado, mandando noticias e informando com diversão que estava controlando os gastos da esposa. E Bella, sempre linda, tão linda, recusando meus presentes e se contentando com almoços no refeitório. Meu amor perdido... Onde ela estaria? Teriam contado a ela o ocorrido? Sem pensar, retirei a luva de couro que cobria minha mão esquerda, vendo o anel no meu dedo. Eu não conseguia tirá-lo, provavelmente passaria muito tempo sem me livrar da única lembrança que eu carregava do meu casamento, além da aliança dela.

Onde ela estaria? Por que não estava ao meu lado? Não, eu não poderia querer algo assim, afinal de contas Bella me odiava e se viesse até mim seria por pena. Ainda sim eu queria...

–Senhor Cullen, chegamos.

Chovia fracamente, mas logo choveria mais forte. Pouco me importava. Segui o fluxo de pessoas em direção ao local onde ocorreria o sepultamento. Olhando envolta, lembrei das vezes em que estive naquele cemitério, eu definitivamente não tinha boas recordações. Meus pais estavam enterrados lá e provavelmente o tumulo de Alice e Jasper seria ao lado do tumulo deles. Ver o tumulo dos meus pais, após anos evitando tal coisa e ver meus últimos parentes sendo enterrados... Sim, o pior momento da minha vida estava com força total.

Novamente eu fiquei em um estado de inércia, ignorando a todos. Certamente eu era olhado com estranheza, ou talvez todos compreendessem que aquele era um momento delicado.

Olhando para os caixões que eram rapidamente colocados no buraco feito no chão, eu esperei por aquela mão cálida que sempre segurava a minha nos momentos difíceis, mas ela não veio. Alice nunca mais seguraria a minha mão, ou me ligaria só para me chamar de idiota. Eu jamais voltaria a pescar com Jasper, ou ser repreendido pelo modo como tratava as mulheres. Tudo estava perdido para mim, absolutamente.

A realidade enfim chegou até mim e senti meu corpo inteiro enrijecer. Eu queria gritar, me descabelar, bater em alguma coisa! Eu não estava mais agüentando tantas coisas dando erradas! Por que isso estava acontecendo comigo? Uma punição divina pelos meus crimes para com Bella e tantas outras pessoas que sacaneei? Que forma terrível e me fazer pagar! Eu preferiria que algo tivesse acontecido comigo do a uma pessoa tão alegre e caridosa quanto Alice e alguém tão nobre quanto Jasper.

A qualquer momento e eu vou desmoronar, pensei enquanto, mais rapidamente do que o previsto, os caixões eram colocados a sete palmos debaixo da terra. A chuva começou a cair, espantando rapidamente a maioria dos abutres que estavam ao meu redor. Uma pessoa postou-se ao meu lado, protegendo-me com um guarda chuva, mas eu o empurrei levemente.

–Eu estou bem sozinho. –Murmurei, ignorando o frio que começava a sentir. Logo minhas vestes estariam ensopadas e eu corria o risco de ficar doente. Dane-se! Quem se importava? Ninguém se importava comigo! As únicas pessoas que se importavam estavam mortas agora.

O que eu farei com a minha vida? Como posso continuar?

Cai de joelhos no chão, sem me importar se alguém testemunhava aquele comportamento patético. As palavras dos policiais naquela noite de sábado ainda gritavam na minha cabeça, deixando-me nauseado.

“... A placa do carro que sofrera o acidente identificou os ocupantes...”.

Eu sentia o meu corpo inteiro se sacudir em espasmos e um grito ameaçando romper de minha boca. Estranhamente eu não consegui verter uma lágrima sequer e me preocupei com isso. Eu sentia a loucura, a histeria e tantos outros sentimentos se aproximarem, arrastando minha racionalidade para o buraco. Eu não me surpreenderia se dali a alguns dias eu estivesse com o pé na cova por simplesmente ignorar a vida. Ao mesmo tempo, uma parte de mim, em algum lugar, gritava por ajuda, não querendo se perder no nada. Será que alguém poderia ouvir os meus silenciosos gritos? Alguém me resgataria daquele mar de dor que ameaçava me matar?

A chuva acima de mim simplesmente parou de me banhar. Eu não teria ligado para um detalhe tão bobo se não fosse por uma sensação. Algo estranho me tomou, obrigando-me a virar e a descobrir por que eu não me molhava se ainda chovia pesadamente. Notei que alguém estava atrás de mim, segurando um guarda chuva acima da minha cabeça. Ela estava de pé, olhando-me cheia de compaixão. Ela...

Eu poderia imaginar qualquer pessoa atrás de mim, até mesmo o espírito de meus familiares mortos, mas não ela. Não depois de tudo o que eu fiz a ela, prejudicando sua vida de forma irremediável.

Bella...

Estava como um anjo. Não, ela era um anjo. E todos os pensamentos tenebrosos que até então tomavam a minha mente simplesmente sumiram. Ela havia me dado muito e agora, estando ali, ela estava me salvando como jamais imaginaria ser possível. Ela falou alguma coisa, mas eu não consegui ouvir, perdido naquele momento que quase me tirava do tal buraco negro. Ela se ajoelhou, tentando a todo custo me proteger da chuva. O seu cheiro, tão doce e familiar, me atingiu, criando uma atmosfera de casa, de lar a nossa volta. Eu me vi inclinando, procurando pelo único calor que poderia me aquecer, não da chuva, mas daquele caos que era a minha vida.

–Eles me deixaram... Todos eles. Bella, eu estou só. –Desabafei, sem pensar. Mesmo com ela ali me oferecendo conforto, eu ainda estava só e era fundamental que eu não me esquecesse disso. Por que ela iria partir e eu ficaria sem sequer o prazer de sua companhia. Senti o seu braço me envolver, puxando-me para mais perto.

–Você não está só. Eu estou aqui com você. Eu sempre estarei aqui para você. Agora vamos para a sua casa. Você precisa se secar, comer alguma coisa e descansar.

Suspirei de prazer pelas suas palavras, como uma heroína que prometia tirar a vitima daquela situação terrível. Ela me ajudou a me locomover para fora do cemitério, em direção ao carro cedido pela empresa. O tempo todo me protegeu da chuva e até me ajudou a caminhar, mesmo sem ter tanta força para fazê-lo. Eu apreciei o seu toque de bom grado, o perfume e o calor, mas não tanto quanto eu apreciaria no passado. Minha mente estava nublada com o horror das sucessivas perdas que ocorreram e ocorriam em minha vida. Uma pena... Eu realmente queria apreciar a sua companhia.

Entramos no carro com a ajuda do motorista e relaxei absurdamente ao sentar no banco de couro. O frio começou a incomodar, mas eu não ligava. Apesar de querer olhar para Bella até cansar, se é que isso era possível, como um cego quando vê a luz pela primeira vez, eu não o fiz. Bella não falou nada, o que eu agradeci. Eu já havia ouvido todo o tipo de discursos a fim de me trazer consolo nesse momento de dor e não queria ouvir, pelo menos naquele momento, nada dela. O silencio se mostrou o mais adequado naquela situação.

Seguimos para o meu apartamento e não protestei quando ela me seguiu. Por que protestaria? Era verdade que me incomodava o fato dela estar ali pela pena, mas eu queria tanto tê-la por perto!

Ao passar pela porta, fui diretamente para o meu quarto enquanto Bella ligava as luzes. Não me importei de me despir, retirando aquelas roupas molhadas. Olhei para a chuva torrencial que caia, sentindo um medo atormentador me atingir quando eu pensava no dia seguinte. A partir de amanhã eu estaria sozinho em todos os sentidos que se poderia pensar. Bella estava comigo ali, era verdade, mas amanhã certamente partiria para viver novamente a sua vida.

Senti uma mão caliça tocar o meu braço, afastando o frio que me tomada. O poder do toque dela era algo realmente assombroso. Virei um pouco e novamente encarei aqueles orbes castanhos cheios de piedade. Piedade... Ela me odiava, mas estava ali por culpa de sua humanidade.

–Vai acabar doente com essas roupas. –Pouco a pouco as minhas roupas foram sendo tiradas por ela, mas o toque de suas mãos, que volta e meia roçavam na minha pele, não conseguiu me entorpecer ao ponto de eu não perguntar o porquê de suas ações.

–Por que você está aqui? – Fui um pouco rude no modo como perguntei e se pudesse escolher um culpado para o meu comportamento eu diria que era culpa daquela desconfiança de que ela estava ali por se sentir obrigada.

–Quero cuidar de você. –Falou num sopro de voz. Segurei sua mão junto ao peito e a encarei. Ela queria cuidar de mim? Por quê? Pela pena? Pelo senso de obrigação? Ou por...

–É melhor você tomar um banho e vestir roupas limpas e secas. Eu vou preparar algo para você comer. –Ela se afastou de mim, assustada com a intensidade que surgiu naqueles instantes. Nem havia reparado que, enquanto a encarava, eu tinha me aproximado demais dela. Era aquela força magnética que ainda existia entre nós, puxando-nos na direção do outro; puxando-me na direção dela seria o mais correto.

Acabei fazendo o que ela queria, livrando-me das peças de roupa que ainda vestia e indo ao banheiro. A água quente pareceu me ajudar a sair daquela letargia, mas não agradeci a isso. Eu queria viver em um mundinho fictício criado pela minha mente, na tentativa insana de afastar as mortes de minha irmã e meu cunhado. Mas eu sabia que logo os fatos recentes viriam me atormentar, estapeando a minha cara e compelindo-me a aceita-los, mesmo não querendo isso. E por alguns segundos eu quis permanecer no banheiro, deitado no piso de mármore, e esperar sabe-se lá Deus pelo o que.

Vestindo qualquer coisa que encontrei no meu closet, sentei na cama e esperei. Não ouvi barulho algum na cama e temi que Bella tivesse ido embora. Eu não estava preparado para a sua partida, ainda não. Precisava demais da companhia de alguém, caso o contrário eu poderia fazer alguma idiotice. Felizmente ela ainda estava aqui, entrando depois de minutos com uma bandeja com comida. Eu certamente não comeria, não conseguiria, mas fiquei quase feliz pela sua gentileza em me preparar algo para comer. Bella deixou a bandeja em cima do criado mudo e sentou-se de frente para mim. Pegou a toalha que eu havia deixado envolta do meu pescoço e calmamente tratou de enxugar os meus cabelos, a única coisa que não fiz questão de secar após o banho. O silencio novamente imperou, mas em algum momento ela quebraria, sei que sim. Ela o fez como imaginei.

–Você sabe... Eu passei pelo que você está passando. Perdi meus pais, as únicas coisas que eu tinha, antes mesmo de ter uma vida estável como você tem. Na época eu achei que nunca superaria e quis me entregar à dor que sentia. E então eu percebi que eles desaprovariam uma atitude dessas. Aonde quer que eles estejam Alice e Jasper não querem que você se entregue. Pode parecer impossível agora, mas o tempo se encarregará de ajudá-lo não a esquecer... O tempo fará com que a dor fique suportável. –Ah, ela falou o mesmo discurso que todos os outros durante o dia, mas senti que com ela não eram palavras desprovidas de sentimentos. Ela de fato viveu o que eu vivi e triunfou. Ela não entendia, porém, que éramos pessoas diferentes. O que se aplicava a Bella não necessariamente se aplicaria a mim. E caso ela não tivesse notado ainda, eu era bem mais fraco do que ela.

–Edward... –Ela murmurou meu nome e o modo como falou mais me pareceu uma caricia do que palavras sendo ditas para mim. Eu deitei, colocando minha cabeça no seu colo, envolvendo seu corpo precariamente com os meus braços. Seu calor me envolveu e me senti como dentro de um casulo, apreciando aquele contato após tanto tempo privado disso.

–Estou tão... Cansado. – Confessei, referindo-me a tudo.

Eu estava cansado dessa vida de obrigações para com a Cullen publicidade.

Eu estava cansado da falsidade e interesse alheios.

Eu estava cansado de perder pessoas que eu amava.

Eu estava cansado de ter Bella ao meu lado sem de fato tê-la para mim.

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