O Contrato-Capitulo 26*-*

Bella pov’s

Raramente eu via Edward dormindo. Nem ao menos eu me lembrava da ultima vez em que o vi dormir, mas certamente era uma linda visão. Seu rosto estava tranqüilo, bem diferente da noite anterior. Meus dedos acompanharam seus traços bonitos, da tez lisa ao queixo, em uma caricia suave.

Era muito bom estar ali com ele e, agora, ser a sua esposa.




Olhei para a janela de vidro, cuja cortina estava afastada, só para concluir que o céu ainda estava parcialmente escuro. Voltei a me deitar na cama, aconchegando-me nos braços do meu marido, enquanto nos cobria com o grosso edredom. E como imaginei mesmo inconsciente, Edward puxou-me para mais perto dele.

...

Estava frio, muito frio. Mesmo com as roupas de inverno que eu estava usando, poderia sentir o vento penetrando meus casacos e roçando em minha pele. Por instinto eu me abracei a fim de aplacar aquele frio. Observei a linda paisagem que me cercava. Havia neve em todo lugar, cobrindo o chão, as arvores, os tetos das construções ao nosso redor. Muitas pessoas estavam ao meu redor, distraídas demais com o seu divertimento. Havia mais pessoas do que eu havia calculado. Homens, mulheres, crianças e idosos estavam em toda a parte do terreno da pousada.

Distraída como estava, dei um solavanco ao sentir uma mão em meu ombro.

–Desculpe, assustei você? –Edward perguntou com brandura. Dei de ombros.

–Não tem importância. Então, você sabe onde será a aula de esqui?

–Será em uma estação localizada um pouco acima, na montanha. Podemos ir para lá através daquela forma. –Edward apontou para uma estrutura similar ao bonde, mas não havia bondes e sim cadeiras de metal que levavam os esquiadores para a estação onde os turistas praticavam todo o tipo de modalidade no gelo.

Edward pegou a minha mão e fomos andando até o “bonde”. Sentamos em um dos bancos e um funcionário colocou uma barra de segurança a nossa frente. Fiquei encantada com a paisagem ofertada pela natureza a nós dois, enquanto subíamos até uma determinada parte da montanha. Edward ficou calado, segurando a minha mão. Quando olhei para o lado, notei que ele me observava e sorria.

–Que foi? –Perguntei.

–Você parece estar gostando.

–Claro que eu estou Edward, por que não gostaria do passeio? –Edward desviou os olhos de mim e encarou a imensidão branca.

–Eu não cheguei a perguntar se era para este lugar que você queria ir. Talvez você quisesse ir para outro lugar, um lugar mais quente e... –Apertei suavemente sua mão, silenciando-o.

–Não importa o lugar, mas com quem eu estou. –Sorri. Os olhos de Edward brilharam e um lindo sorriso iluminou seu rosto.

–Você tirou as palavras da minha boca.

Logo chegamos à estação de esqui indicada por Edward. Ele me ajudou a descer do estranho veiculo e caminhamos cautelosos pelo gelo em direção ao prédio principal. Fomos recepcionados por um rapaz, cuja roupa e crachá indicavam que era um instrutor de esqui. Ele nos levou a sala onde pegaríamos nosso equipamento e assim o fizemos. Com a ajuda de Edward eu peguei os itens necessários para a aula de esqui e os coloquei.

Verdade seja dita eu não estava muito a fim de ter aquelas aulas, mas como Edward parecia feliz com o programa eu cedi.

...

–Edward, eu não acho que vá conseguir! –Repeti numa voz falha. Edward sacudiu a cabeça em negativa.

–Claro que vai! Você sempre faz tudo perfeitamente, vai matar de letra isso. –Falou num tom confiante.

Tivemos aula com um instrutor que nos deu exclusividade. Edward já sabia esquiar, pelo que eu soube, ele aprendeu quando criança nesse mesmo local. Após as instruções eu tentei esquiar, mas não obtive muito resultado. O instrutor parecia disposto a me ajudar e Edward concordou com sua ajuda, isso antes do rapaz ficar próximo a mim e me tocar em alguns momentos. Ai Edward agiu como eu imaginei que agiria: dispensou o cara e disse que agora ele me ajudaria.

–Eu não sei não, Edward. –Disse insegura. Tudo o que havia conseguido até agora foi caminhar trôpega com os pés presos aquela parafernália chamada esqui. Edward segurou minha mão em sinal de conforto.

–Não se preocupe, é fácil. Vamos fazer o seguinte, eu vou esquiar e você fica me observando. Observe meus movimentos. –Pegou minha mão guiando-nos a uma parte mais alta a fim de praticar. Eu o segui sentindo uma perigosa vertigem à medida que chegávamos a uma parte alta onde existia rampas para os esquiadores mais experientes descerem.

Havia poucas pessoas naquele lugar, suspeitei que aquela rampa era freqüentada apenas por esquiadores experientes.

–Fique olhando. Não descerei a rampa mais íngreme. –Edward disse afastando-se de mim e seguindo para a beirada de uma descida não tão íngreme quanto a que estava as minhas costas. Eu o vi se preparar, fazendo os movimentos ensinados pelo instrutor com perfeição. Colocou o visor nos olhos, visor este que antes estava na sua cabeça. Curvou-se levemente e logo se impulsionou para descer.

Edward era gracioso e, ao contrário de mim, todas aquelas camadas de roupas para o frio lhe caiam bem. Seus movimentos no gelo eram rápidos, precisos. Temi a velocidade que ele estava alcançando, mas, mostrando sua incrível habilidade, Edward parou num solavanco. Olhou para o lugar onde eu estava e acenou. Pegou um caminho estável (certamente feito pela pousada) e conseguiu voltar até onde eu estava rapidamente.

–E então, como eu fui? –Perguntou entusiasmado vindo em minha direção.

–Foi muito bem. –Falei alegremente abrindo os meus braços no momento em que Edward chegou próximo. Não contente em apenas me abraçar, Edward tomou meus lábios em um rápido, porém gostoso, beijo.

–Você quer que eu desça novamente? Eu sei que a cena de mim descendo as montanhas é incrivelmente erótica. –Falou numa voz propositalmente sedutora.

–Eu quero ver, mas não para ficar excitada – Minha voz era firme, mas meu rosto estava vermelho de vergonha. – Eu quero observar como você se movimenta. –Eu me afastei empurrando-o para frente.

–Como quiser, mas vou querer algo em troca pelas aulas. –Olhou-me com aqueles belos orbes cor de mel que queimavam. Meu rubor aumentou.

Edward pareceu se aprontar, demorando mais do que o necessário. Eu o olhei, fascinada. E então notei, tardiamente, que Edward estava ficando fora de vista, sem sequer se mexer. Achei estranho. E então, pouco a pouco, eu fui percebendo o que acontecia.

A parte de neve onde eu estava em pé foi cedendo e, com isso, eu fui caindo justamente na parte mais íngreme da descida.

–EDWARD! –Eu o chamei. Meu corpo rodou e fiquei de frente enquanto eu descia a uma velocidade impressionante.

–BELLA! –Ele gritou o meu nome, mas sua voz estava ficando mais e mais longe enquanto eu deslizava no gelo.

Felizmente consegui me manter de pé, nunca vou saber como, mas eu cambaleava como louca e certamente meu equilíbrio não duraria muito.

–AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! Gritei a plenos pulmões seguindo tão rápido para baixo que tudo ao meu redor parecia um borrão branco.

E então eu a vi. O tronco grosso e aparentemente áspero. Um pinheiro centenário bem em frente de mim. Eu iria me chocar contra ele e, com a velocidade que estava, quebraria no mínimo um ou dois ossos.

“EU VOU MORRER!” Pensei enquanto a distancia diminuía mais e mais. Fechei os olhos esperando pelo impacto, mas o impacto que senti veio de uma direção completamente errada. Fui jogada para o lado, não colidi com a árvore. Derrapei no gelo, mas não cheguei a me ferir. Alguma coisa quente me envolvia, protegendo-me.

Durante alguns minutos o silencio imperou. Eu fiquei imóvel, meu corpo em cima de um corpo já conhecido. Uma mão apertava-me pela cintura, querendo me manter parada, naquela posição. Nossas respirações arfantes.

–Meu amor, você está bem? Está ferida? –Sua voz a traia, revelando seu desespero. Eu me afastei minimamente dele, meu corpo ainda em cima do seu. Eu o olhei e assenti fracamente. Edward suspirou aliviado. E então, incapaz de me impedir, eu voltei a deitar sobre ele, voltei a cabeça para o outro lado e vomitei.

...

Sentada em frente à lareira acessa, eu tentava ignorar o frio que fazia. Impossível. Meu corpo tremia bastante apesar do cobertor que me cobria. Edward logo veio até mim com duas taças na mão, sentou-se ao meu lado, bem próximo a mim.

–Trouxe para você. Vai ajudá-la a esquentar o seu corpo e a relaxar. –Passou a taça de vinho tinto para mim. Eu a peguei.

–Não sei se beber alguma coisa alcoólica vai ajudar. –Disse dando o primeiro gole. O vinho tinha um gosto bom, algo que me surpreendeu. Dei mais outro gole. Edward me acompanhou fazendo o mesmo.

Quando descobri que Edward me traia, eu mudara da água para o vinho. Adquiri hábitos nada louváveis e um deles foi beber. Nunca senti prazer em sorver coisas alcoólicas, mas na época eu o fazia não pelo gosto (definitivamente esse motivo não existia), mas por que ansiava esquecer. Esquecer a vida miserável que levava.

–Obrigada pelo que você fez. Se não fosse por você eu acho que estaria... –Não pronunciei o final. Só de pensar que quase sofri um grave acidente, sentia um frio na espinha.

–Nem me lembre. Eu quase enfartei quando vi você cair. Achei que não conseguiria ajudá-la. –Edward largou a taça no chão e colocou a mão na testa. A lembrança parecia perturbá-lo mais do que eu.

Sorvi um pouco mais de vinho para logo mais segurar a taça com uma das mãos e me virar levemente para Edward.

–Hei, não fique se atormentando com o que houve. –Pedi tocando seu rosto com a mão livre. Meu ato fez Edward relaxar. Passou um braço em volta de mim. Pelo sorriso que tinha cravado nos lábios, estava satisfeito por eu estava ali, tão perto dele.

Eu me aconcheguei melhor em Edward e voltei a beber meu vinho. E durante vários minutos ficamos apenas calados, abraçados, olhando as chamas e sorvendo vinho. Notei que eu bebia muito mais do que Edward, ele nem havia passado para a segunda taça quando comecei minha quarta.

Às vezes Edward ignorava sua bebida e me beijava, ora um beijo calmo, ora um beijo intenso, como se fosse me perder a qualquer momento. Aquela altura, eu estava tão alta que não o questionei, por que ele parecia tenso e por que não me levava logo para a cama.

Sexta taça.

Eu estava bêbada. Os olhos pesavam e tudo ao meu redor parecia um borrão. Bem, eu parei de beber a algum tempo então voltei à estaca de “bêbada de primeira viagem”.

–Bella...

Sua voz despertou um pouco da minha letargia. Virei minha sexta taça e o encarei sem conseguir focar direito o seu rosto.

–hmmm... –Murmurei encostando minha cabeça em seu ombro. –Que foi?

–Eu tenho uma coisa... –O resto do que ele disse passou em um borrão. Eu devia estar realmente bêbada.

–Você está falandoooo alguma cois... Por que eu to meio... –Murmurei. Edward se mexer e pareceu me colocar de frente para ele. Eu abri os olhos.

–O que foi? –Perguntei numa voz um pouco mais composta.

–Sabe... Tem um amigo meu que fez uma burrada. Queria saber sua opinião sobre o que ele fez. –Sua voz parecia descontraída, mas seus olhos estavam meio injetados, eu era o efeito da bebida em mim?

–O que foi que o cara fez? –Perguntei num esforço hercúleo para ficar acordada.

–Ele se casou apenas por dinheiro. Iria receber uma grana se casasse com alguém e casou com a primeira que apareceu. Ele veio até mim, não sabe se conta para a mulher ou não. Teme a reação dela. O que você faria se fosse você?

Eu pensei no assunto, mas não consegui pensar por muito tempo. Olhando para Edward, com aquela expressão sexy de preocupação, tudo o que eu queria era ficar com ele. Por isso eu me debrucei sobre ele beijando avidamente sua boca. Edward sequer correspondeu atarantado pelo modo como eu agi.

–Calma amor. –Ele pediu com um tom brincalhão. –Eu deixo você fazer o que quiser comigo... –Murmurou enquanto me envolvia pela cintura. –Mas quero que me responda à pergunta.

Não entendi por que Edward fazia questão que eu respondesse aquela pergunta quando havia coisas muito mais interessantes a se fazer. Quis deixar para lá e voltar a beijá-lo, mas a aparente urgência de Edward com minha resposta me compeliu a responder.

–Se eu fosse essa idiota... Hmmm... Eu o mandaria para o inferno e nunca mais olharia na sua cara! –Minha voz arrastava era engraçada e me fez rir. Voltei a beijá-lo, mais ansiosa para passar da fase do beijo até o sexo.

Haviam duas coisas que eu deveria pensar, mas eu as ignorei. Eu não queria mais nada, a não ser sentir Edward em mim, dentro de mim. Após beijá-lo demoradamente, sussurrei em seu ouvido:

–Vamos para a cama. –Sugeri. Minhas palavras o despertaram.

Senti meus pés saindo do chão e meu corpo flutuar. Ele me carregava para o quarto. O movimento rápido causou uma onda de vertigem, senti tudo girar, mesmo após Edward parar e me deitar na cama.

Os lábios de Edward cobriram os meus de forma urgente e suas mãos hábeis rasgaram minha roupa enquanto tirava as peças. Eu queria ajudá-lo a me despir e a se despir, mas estava tão sonolenta! Correspondi aos seus beijos e o acariciei onde minhas mãos tocavam, mas nada conseguiu afastar aquele cansaço de mim.

Eu provavelmente dormi, culpa do álcool. Se não fosse por ele... Edward e eu... Bom... Nós estávamos bem agora. Ainda haveria a manhã seguinte para nós dois... Não é?

Edward pov’s

Eu queria verdadeiramente apreciar a tudo naquele momento. O lugar bonito, a diversão, minha esposa... Mas as preocupações me cercavam. Embora Tânia estivesse bem longe, eu temia que ela fizesse algo. Não somente ela, qualquer um que conhecesse a verdade. Eu não queria perder o que eu havia conquistado.

Não, não era um bom momento pensar nos problemas. Não quando Bella me esperava para um passeio.

Caminhei até ela, que parecia estar apreciando a paisagem invernal, e coloquei a mão em seu ombro. Bella reagiu com um solavanco. Eu a peguei desprevenida.

–Desculpe, assustei você? –Perguntei gentilmente. Bella deu de ombros.

–Não tem importância. Então, você sabe onde será a aula de esqui?

–Será em uma estação localizada um pouco acima, na montanha. Podemos ir para lá através daquela forma. –Apontei para as aerocadeirinhas. Bella não discordou da programação que eu havia escolhido. Peguei sua mão e seguimos para a aerocadeirinha que nos levaria a estação de esqui.

Bella olhava a tudo, deslumbrada. Eu apreciei a cena, mais a ela do que a paisagem, enquanto nossas mãos estavam entrelaçadas. Fiquei feliz por ela estar feliz, assim eu sempre me lembraria desse lugar como o local onde tivemos momentos felizes. Bem diferente da época em que estive aqui.

Quando vim aqui, ainda criança, eu não vi a beleza do local como merecia ser contemplada. Não apreciei o divertimento que o lugar oferecia. Por que eu estava cercado de cobras, garotos de pouca idade ávidos pela minha amizade... E o beneficio que tal amizade traria.

Não, eu não iria perder o meu tempo recordando bobagens. Não quando eu tinha Bella ao meu lado. E ela continuava a olhar para a paisagem branca, alheia a tudo; alheia a mim.

–Que foi? –Perguntou. Tão rápido foi o seu movimento que nem percebi quando se virou para olhar para mim.

–Você parece estar gostando.

–Claro que eu estou Edward, por que não gostaria do passeio? –Perguntou retoricamente. Olhei para a neve.

–Eu não cheguei a perguntar se era para este lugar que você queria ir. Talvez você quisesse ir para outro lugar, um lugar mais quente e... –Senti em minha mão o aperto de seus dedos.

–Não importa o lugar, mas com quem eu estou. –Sorriu. Suas palavras tão singelas e doces me encheram de alegria.

–Você tirou as palavras da minha boca. –E como eu imaginei, após eu dizer isso, Bella corou.

...

Eu tinha tudo para que o meu dia fosse maravilhoso, isso até o nosso instrutor aparecer.

Após chegarmos à estação de esqui, Bella e eu fomos ao prédio principal para pegar nossos equipamentos e termos aula com o instrutor que contratei. Bem, eu não precisava de aulas,mas minha esposa precisava. Eu achei que tinha feito bem contratando um profissional para dar assistência a ela, isso até...

–Muito bem senhora Cullen! É esta posição que deve executar enquanto esquia. –O instrutor dizia enquanto a tocava na cintura. Bella estava absorva demais na explicação, tentando aprender o mais rápido possível a esquiar. Ela não havia notado o ar malicioso do cara e o modo estranho como ele a tocava.

Filho da puta!

–Eu acho que Bella já teve noções demais de esqui. Agora é hora de suas aulas praticas. Seus serviços não serão mais necessários. –Falei o mais casual possível enquanto envolvia a cintura de Bella com um braço, puxando-a para mim.

–Hmmm... Bem... Se estiver tudo bem para a senhora Cullen... –O idiota olhou sugestivamente para a minha mulher, na certa que ela pedisse para que ele continuasse ali. Ele até poderia ficar, mas ficaria, no mínimo, com um olho roxo.

–Está tudo bem. Eu já aprendi bastante. Obrigada pelas suas dicas. –Sorriu para ele. Aquilo me deixou aborrecido. Aquele sorriso gentil deveria ser somente meu.

O funcionário afastou-se, visivelmente constrangido. Sorri satisfeito. Senti em minhas costelas um cutucão de Bella.

–Por que fez isso? Não precisava ser tão rude com o rapaz. –Protestou. Coloquei minhas mãos em seu rosto erguendo-o. Eu a beijei na testa e nos lábios.

–Por que sou um homem incrivelmente ciumento que não suporta qualquer marmanjo encostando-se a sua mulher. –O modo bem humorado com que confessei meu ciúme pareceu diverti-la. –E agora eu vou cumprir minha promessa. Vou ensiná-la a esquiar.

...

–Edward, eu não acho que vá conseguir! –Bella dizia repetidas vezes. Parecia apavorada.

–Claro que vai! Você sempre faz tudo perfeitamente, vai matar de letra isso. –Tentei passar o máximo de confiança que pude. Mas Bella ainda parecia à beira de um ataque.

–Eu não sei não, Edward. –Falou numa voz tremula. Segurei a sua mão a fim de confortá-la. Eu sabia que Bella não iria esquiar sozinha. Eu precisava passar mais segurança a ela.

–Não se preocupe, é fácil. Vamos fazer o seguinte, eu vou esquiar e você fica me observando. Observe meus movimentos. –Segurando sua mão, eu a guiei até uma parte mais alta onde pudéssemos descer de esqui. Olhando aos arredores, lembrei de minha infância, quando vinha para cá nos passeios escolares. Foi aqui onde aprendi a esquiar, foi aqui onde perdi minha virgindade com uma professora da antiga escola, foi aqui que eu descobri o quanto eu estava cercado de cobras.

Não gosto dele, mas meu pai me pediu para ser o seu amigo. Afinal de contas ele é um Cullen!

Essa era apenas uma das muitas frases que ouvi durante o tempo em que estive em uma escola de alto padrão apenas para rapazes. Mas não, não era o momento de recordações amargas. Bella estava me observando, prometi ensiná-la a esquiar.

–Fique olhando. Não descerei a rampa mais íngreme. –Eu me afastei dela seguindo para a beirada do barranco. Preparei-me para o momento colocando meu visor e posicionando-me adequadamente. Após curvar o meu corpo, tomei o impulso que me faria descer.

Fo rápido, emocionante, co movimentos precisos. Eu estava acostumado a esquiar de alturas ainda maiores e mais íngremes. Descer naquela parte da montanha era brincadeira de criança. Procurei não me afastar muito do ponto onde havia deixado Bella. Após descer alguns metros, parei. Olhei para Bela, acima de mim, e acenei. Peguei um caminho estável o suficiente para que eu pudesse subir sem problemas e logo eu estava ao lado de Bella.

–E então, como eu fui? –Perguntei enquanto me encaminhava até onde Bella estava.

–Foi muito bem. –Abriu seus braços para me receber. Não hesitei em ir em sua direção e tomá-la nos meus braços. Eu a beijei, apreciando tanto aquele beijo como se fosse algo mais.

–Você quer que eu desça novamente? Eu sei que a cena de mim descendo as montanhas é incrivelmente erótica. –Falei a fim de atiçá-la. Quem sabe Bella não desistiria das aulas e seguiria para o nosso chalé, comigo a tira colo.

–Eu quero ver, mas não para ficar excitada – Apesar da voz séria, seu rosto estava corado. – Eu quero observar como você se movimenta. –Eu me afastei empurrando-o para frente.

–Como quiser, mas vou querer algo em troca pelas aulas. –Disse provocativo. Eu me afastei e novamente me preparei para esquiar satisfeito pelos olhos de Bella estarem só em mim. A fim de provocá-la ainda mais, fiz a tudo lentamente, para que Bella apreciasse a visão. E quando eu estava prestes a descer...

–EDWARD! –Eu ouvi a voz de Bella. Parei e retirei o visor que instantes atrás havia colocado no meu rosto. Vi Bella a alguns metros, mas havia algo errado. Bella estava se afastando sendo que eu não havia saído do lugar.

–BELLA! –Eu gritei enquanto processava o que estava acontecendo. Bella estava caindo, caindo...

Não parei para pensar, não poderia. Desci frenético o barranco e segui em disparada na tentativa de pegar Bella. Ela descia sem nenhum cuidado, a qualquer momento cairia. Milagrosamente ela conseguiu ficar de pé, mas isso não aliviada em nada meu desespero.

Bella... Bella! BELLA!

–AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! –Ela gritou, percebendo, antes de mim, que se encaminhava diretamente para uma arvore. Na velocidade que seguia, Bella acabaria...

Eu me impulsionei mais e mais conseguindo me aproximar de Bella o suficiente para interromper sua trajetória mortal. Com um movimento rápido, cortei Bella pegando-a pela cintura e afastando do tronco. Caímos os dois em meio à neve. Felizmente Bella não sentiu nada do impacto, ou pelo menos eu acreditava nisso. Eu a envolvi como um casulo, assegurando-me que não recebesse o impacto de nossa queda. A dor em meu corpo foi instantânea, mas eu a ignorei.

O silencio imperou por alguns instantes. Bella estava deitada sobre mim, imóvel demais, e temi o seu silencio. Felizmente logo ouvi sua respiração aos arquejos, assim, como a minha.

–Meu amor, você está bem? Está ferida? –Perguntei desesperado, temendo que minha tentativa de salva-la não tivesse poupado seu corpo de algum ferimento. Bella me ouviu e se afastou minimamente de mim, após me olhar por poucos segundos ela assentiu. Suspirei aliviado. Eu havia impedido o pior, nunca me senti mais satisfeito comigo mesmo.

Bella deitou-se novamente sobre mim, sua cabeça estava um pouco afastada. Ouvi um barulho estranho e logo constatei o que estava acontecendo. Eu afaguei as costas de Bella enquanto ela vomitava.

...

“Acalme-se Edward, já passou!” –Eu ordenei para o meu corpo enquanto segurava minhas mãos. O tremor não havia diminuído.

Por muito pouco eu não perdi a minha esposa. Se eu não tivesse sido rápido o suficiente, Bella poderia estar morta. E só de pensar na possibilidade, além das mãos tremulas, sentia ânsia de vômito. Tentando afastar os pensamentos nebulosos que me assaltavam, servi o vinho que havia aberto em duas taças e fui para a sala do chalé onde Bella e eu estávamos hospedados.

Ela me esperava em frente à lareira acessa, sentada, e parecia estar com frio. Claro que estava com frio, uma tempestade de gelo caia do lado de fora e fogo algum seria suficiente para aquecer a cabana. Bom, mas Bella tinha a mim e meu corpo certamente serviria para aquecê-la. Peguei a garrafa que havia deixado no balcão e deixei em um local de fácil acesso para nós dois, sentei ao seu lado e lhe passei uma taça.  

–Trouxe para você. Vai ajudá-la a esquentar o seu corpo e a relaxar.

–Não sei se beber alguma coisa alcoólica vai ajudar. –Disse. Ainda sim tomou o vinho ofertado. Dei atenção então a minha taça.

Eu não sabia em que Bella estava pensando, talvez relembrando o acidente... Mas eu estava ciente demais das preocupações que me assaltavam. E não era apenas o acidente que quase resultou em algo grave, eu também estava preocupado com a verdade. Era bobagem me preocupar com isso, nós estávamos protegidos dos segredos que me separavam Bella de mim.

Quando nós voltarmos eu assumirei a presidência. Eu estarei mais ausente e Bella, de certa forma, ficará desprotegida. Se ela souber de algo sem que eu esteja por perto para explicar... E eu sabia que o melhor era contar a verdade. No entanto contar a verdade implicava em riscos.

–Obrigada pelo que você fez. Se não fosse por você eu acho que estaria... –Bella não terminou de falar o que eu agradeci. Só de pensar novamente no que havia acontecido...

–Nem me lembre. Eu quase enfartei quando vi você cair. Achei que não conseguiria ajudá-la. –Larguei minha taça e coloquei a mão na testa. A imagem de Bella derrapando em direção a uma árvore era aterrorizante. Bella virou para mim.

–Hei, não fique se atormentando com o que houve. –Pediu tocando meu rosto. Relaxei um pouco ao seu toque. Eu a envolvi puxando seu corpo para mais perto do meu. Bella recostou-se em mim e ficou em silencio bebendo o seu vinho.

Naquele momento ficamos calados. Parecia não ser algo desconfortável para Bella, mas era para mim. Por que eu estava cheio de culpa e, naquele instante, eu estava cogitando a possibilidade de contar. Eu precisava contar. Mas como o bom covarde que era deixei o tempo passar, e Bella virar taça após taça de vinho. Ela ficaria bêbada, disso eu não tinha duvida. Eu poderia contar a verdade e ter a esperança de que ela esquecesse no dia seguinte.

Com o passar dos minutos, Bella ia bebendo mais e mais enquanto eu mal tocava em minha bebida. Eu a beijei, ora calmo, ora desesperado, aproveitando o que poderia ser o meu ultimo momento com ela.

Na sexta taça de Bella, eu resolvi me pronunciar.

–Bella...

Bella me encarou, os olhos pesados devido a letargia do álcool.

–hmmm... Que foi? –Sua voz estava arrastada.

–Eu tenho uma coisa para contar a você. –Minha voz travou quando disse esta frase. Eu iria mesmo seguir adiante? Contar sobre o contrato e comprometer de forma irreversível meu casamento? Eu não queria, eu queria ficar calado e seguir com minha lua de mel, mas...

–Você está falandoooo alguma cois... Por que eu to meio... –Ela definitivamente estava bêbada. Se eu dissesse algo a probabilidade de se lembrar era remota. Eu poderia me aproveitar disso e contar a verdade, ou sondá-la.  

–O que foi? –Perguntou tentando soar normal, mas falhando miseravelmente.

–Sabe... Tem um amigo meu que fez uma burrada. Queria saber sua opinião sobre o que ele fez. –Minha voz soou descontraída como eu queria, mas era tudo o que eu poderia fazer. Eu estava com um medo absurdo.

–O que foi que o cara fez? –Perguntou tentando ficar desperta. Eu sorri pelo seu esforço em me dar atenção.

–Ele se casou apenas por dinheiro. Iria receber uma grana se casasse com alguém e casou com a primeira que apareceu. Ele veio até mim, não sabe se conta para a mulher ou não. Teme a reação dela. O que você faria se fosse você? –Ela poderia perceber. Eu não queria que percebesse. Seria meu fim se tudo acabasse.

Bella parou, ficou a me olhar, parecia refletir sobre o que eu dizia. Para a minha surpresa, ao invés de responder a pergunta, Bella atirou-se sobre mim beijando-me. Correspondi atarantado por seu ato.

 -Calma amor. –Pedi tentado a deixar para lá, mas eu não poderia. –Eu deixo você fazer o que quiser comigo... –Eu a apertei contra meu corpo. –Mas quero que me responda à pergunta.

E eu esperei irracionalmente ansioso pelo que ela diria. Se ela dissesse que perdoaria, eu contaria a verdade.

 -Se eu fosse essa idiota... Hmmm... Eu o mandaria para o inferno e nunca mais olharia na sua cara! –Disse e me beijou, mas eu não senti o seu beijo. Eu processava suas palavras e simplesmente não consegui ficar indiferente.

Ela não iria me perdoar. Ela me rejeitaria.

–Vamos para a cama. –Sussurrou em meu ouvido. Eu fiz o que ela pediu, mas era como se apenas meu corpo, explodindo de desejo, correspondia a ela. Minha mente estava longe, temerosa da resposta de Bella. Eu carreguei Bella com certa pressa, querendo qualquer coisa que me distraísse. Deitamos na cama e não perdi meu tempo, beijei Bella vigorosamente.

 Eu queria me perder nela, eu queria fingir que éramos um casal perfeito, sem mentiras. Eu poderia tentar, mas eu sabia que logo os pensamentos nebulosos voltariam. Minhas mãos tatearam seu corpo com urgência, rasgando aqui e ali. Bella não estava ajudando muito como normalmente faria, mas não liguei. Eu devorei seus lábios como se fosse um homem faminto e o lábio de Bella o meu único alimento.

Ela não correspondia mais a mim, murmurava coisas desconexas. Eu me afastei e a vi, dormia serena. Acariciei seus cabelos e seu rosto.

Minha Bella, minha adorada Bella... Eu quase a perdi tantas vezes, mas a cada quase perda meu peito se enchia de dor. Eu nunca iria me acostumar com isso.

Eu a beijei na testa, bochecha, lábios, encostei minha testa na sua e suspirei.


Estava decidido: eu não contaria a verdade a Bella.

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