O Contrato-Capitulo 25*-*

Bella pov’s

Barulhos na porta. Eu não queria levantar. Com os olhos parcialmente abertos, eu sacudi levemente o corpo postado acima de mim. Nenhum movimento. Acabei levantando.

Edward dormia tão profundamente que não notou quando sai debaixo dele. Vesti um hobby e segui trôpega até a porta do quarto ruidosamente sendo batida. E quem eu encontrei do outro lado da porta?

–Alice... –Murmurei cansada. Ela entrou empurrando-me um pouco para o lado. Em suas mãos estavam as minhas sacolas.

–Bom dia! Trouxe suas sacolas. Escolhi um look para você usar hoje. –Deixou boa parte das sacolas no chão. Uma sacola foi passada para mim. –Vista isso.



–Alice, que horas são? –Perguntei sabendo, apesar de não estar olhando o horário, o quão cedo deveria estar.

–Seis horas. E acredite, para nós, turistas, é o horário ideal para acordar. Chame Edward. Vejo vocês daqui a pouco no refeitório. –Saiu saltitante para porta, fechando-a no processo.

Ótimo! Eu me sentia cansada, o corpo dolorido pela caminhada com Alice para compras no dia anterior. Deixei minhas sacolas no chão da sala, incluindo a sacola que Alice me dera, e voltei ao quarto.

Edward dormia de bruços. Caminhei até ele, sentando na cama, e o sacudi.

–Edward, Alice veio aqui. É melhor acordarmos.

–Eu estou acordado, infelizmente. –Respondeu para a minha surpresa.

–Pensei que estivesse dormindo. –Disse. Edward sentou-se na cama, os dedos passando pelo cabelo desgrenhado.

–Eu não tinha a melhor das minhas noites de sono. Eu estava prestes a dormir. Alice... Será a última vez que viajamos com ela. –Sua voz soava furiosa. Ele estava realmente aborrecido com a irmã. Sorri.

–Melhor nós nos levantarmos. –Levantei, para dar o exemplo. –Eu vou arrumar minhas compras. Tome banho primeiro.

–Hei. –Edward me chamou. Interrompi minha caminhada até a sala e me virei para olhá-lo. –Vem cá. –Chamou com o indicador. Tinha um sorriso travesso nos lábios.

Cautelosamente eu segui até ele tentando reprimir uma risada. Num átimo, Edward puxou-me fazendo com que eu deitasse na cama. Seus braços me mantinham perigosamente perto dele.

–Não recebi meu beijo de bom dia. –Murmurou. Pude sentir nos lábios o choque do seu hálito.

–Nunca fomos de trocar beijos de bom dia. –Retruquei sem conseguir desviar meus olhos dos dele.

–Então acho melhor modificarmos certas coisas. Eu faço questão desse ritual típico de casais normais. –Seus olhos tinham um brilho hipnótico. Não pude resistir. Fiquei parada enquanto Edward me beijava e correspondi ao seu beijo com ternura. Seus lábios tinham um gosto doce, indefinível. Seus lábios migraram para a minha orelha. Pude ouvir sua voz baixa.

–Se formos nos reconciliar como ontem a noite, vou querer brigar sempre com você. –Eu sabia que estava brincando.

–Sério? Então logo teremos uma reconciliação parecida. –Me encolhi ao sentir seus dentes mordendo o lóbulo da minha orelha.

–É mesmo? Já está prevendo uma nova briga? Você é vidente? –Roçou seus lábios em toda a extensão do meu pescoço. Arfei enquanto meus olhos fechavam.

–Não é isso. Não sou vidente ou coisa parecida. É que... –Lembrei do pedido de Jacob. –Jacob quer me apresentar a sua família. Prometi que eu os conheceria.

Edward parou no mesmo instante. Fiquei desnorteada sem saber o que vinha. Ele estava simplesmente parado e não podia ver seu rosto por ele tê-lo enterrado no meu pescoço.

–Edward, você está bem? –Perguntei temerosa. Para minha surpresa ele se afastou e estava sorrindo.

–Claro que estou bem. E você pode ir. –Suas palavras me paralisaram no mesmo instante.

–Como é que é? –Voltei a perguntar. Sim, eu estava soando como uma imbecil.

–Você pode ir. Apenas me avise o dia. Adiarei meus compromissos e a acompanharei. –Levantou-se, nu, seguindo para o banheiro.

–Edward, você não pode ir comigo! –Esbravejei. Tarde demais, ele entrou no banheiro, ignorando-me.

Voltei a deitar na cama e bufei frustrada.

...

–Vou nadar amor. –Jasper disse retirando sua camisa. Alice sorriu para ele.

–Tudo bem. Aproveite por que logo iremos a outro ponto turístico daqui. –Pegou a camisa do marido e o beijou nos lábios. Jasper olhou para Edward que estava sentado em uma cadeira de praia ao meu lado.

–Você vem? Depois daqui vamos ao porto para praticar Sky surf e passear de Jet-ski.

–Sim. Eu vou. –Edward levantou-se retirando a camisa branca que usava e dando a mim. –Não vou demorar. –Inclinou-me para me beijar. Eu olhei a ele e a Jasper seguindo para a água, maravilhada pela sua beleza escultural. Não fui a única a olhá-los, todas as mulheres da praia, até as comprometidas, o secavam com os olhos.

Não gostei disso. Eu não gostava que olhassem o que é meu. Fiquei surpresa com o sentimento ultra possessivo.

–Ciúmes? –Eu me virei para a dona da voz, Alice. –Eu sei como é isso. O Jasper é o sonho de consumo de muitas mulheres. Está sempre sendo observados por elas e, convenhamos, gosta da atenção.

–O que você faz para conviver melhor com isso? –Perguntei querendo ocultar a possessão em mim por Edward. Eu não precisava disso para nos atrapalhar ainda mais.

–Eu faço isso. –Sorri matreira e simplesmente... Retirou a parte de cima do biquíni jogando-a para mim.

–ALICE! –Gritei em pânico. Ela me ignorou. Pegou a cadeira em que estava sentada e a levou para longe do guarda Sol que nos protegia.

–Vou pegar um bronze. Vem também. –Inclinou a cadeira deitando-se nela.

–Alice! Vista o seu biquíni! –Retruquei olhando para todos os lados. Alguns rapazes surfistas nos olhavam.

–Relaxa Bella! Aqui topless é liberado. Veja ao seu redor. Não sou a única. –E eu fiz o que ela sugeriu. De fato outras mulheres faziam topless, mas a maioria era velha sem nenhum atrativo para se olhar.

–Venha pegar Sol. –Chamou. Não me pareceu uma má idéia. Queria mesmo ficar com uma cor mais bronzeada ocultando a cor marfim de minha pele. Peguei minha cadeira, eu a inclinei e deitei de bruços.

Sentir o Sol era bom. Em minha cidade o clima não era tão quente. Deixei o meu corpo relaxar naquela posição, mas me espantei ao sentir uma mão atrás de mim.

–Hei! –Tentei me virar, mas Alice havia desamarrado os fios do meu biquíni. Se me virasse, todos veriam meus seios. Voltei a deitar de bruços, mas virei o rosto para olhá-la. –O que você fez!

–Assim não fica marquinha de biquíni nas suas costas. Marca de biquíni em cima não é nada sexy. Relaxe. Ninguém vai ver seus seios enquanto mantiver essa posição. Depois eu amarro para você.

Eu a obedeci voltando a deitar a ignorando tudo ao meu redor. Foi relaxante. Passar alguns minutos concentrada apenas no calor sob minha pele e ignorar qualquer pensamento obscuro...

Não era tão fácil. Minha mente vagou para os acontecimentos da noite anterior. As palavras de Edward, sempre parecendo querer dizer algo mais, sempre me deixavam confusa. Eu sentia algo por detrás da sua tensão e sofrimento, algo indefinível.

O que Edward estaria escondendo de mim?

–Oi amor! –Ouvi a sua voz próxima a mim e senti algo ser jogado em cima do meu corpo. Eu abri um olho e o vi pegar uma cadeira e se sentar ao meu lado.

–O que é isso? –Perguntei olhando para toalha em cima de mim. Tentei tira-la, mas Edward me impediu.

–Não quero que vejam você. Já olhou envolta? Um monte de gaviões secando você! Vamos, amarrarei seu biquíni. –Levantou e sentou atrás de mim, seu peito praticamente colado em minhas costas. –Continue embrulhada nessa toalha. –Pediu. Mantive a toalha envolta de mim deixando apenas as costas à mostra. Senti suas mãos agindo, amarrando novamente a parte de cima do biquíni.

Olhei para Alice, Jasper a olhava com desgosto e ela sorria como uma criança pega em uma traquinagem. Ele olhou ao redor encarando os rapazes que secavam a esposa e, subitamente, tacou-lhe um beijo. Definitivamente estava marcando seu território. Os rapazes desviaram o olhar, sentindo-se intimidados. As mulheres suspiraram tristonhas, o espetáculo de Jasper deixou claro que ele tinha dona.

–Pronto. –Edward anunciou. Retirei a toalha que me cobria e o olhei com azedume.

–Não precisava disso.

–Se você estivesse no meu lugar, você concordaria com minha atitude. Não gosto desses cuecas olhando para você.

–Se quer saber, Edward, eu estou no seu lugar. Você pode não ter notado, mas chama muita atenção usando apenas uma sunga. –Passei a toalha para ele. –A propósito, cubra-se.

Ouvi o seu riso e logo ele pegou toalha acatando meu pedido. Beijou-me na bochecha.

–Quer tomar banho de mar comigo? –Perguntou no pé do meu ouvido. Me arrepiei.

–Vai se comportar? –Minha voz me traia, traia o meu desejo por ele. Seu hálito soprou próximo ao meu pescoço.

–Não vou me comportar. –Beijou meu ombro esquerdo. Levantei.

–Vem. –Ofereci minha mão. Edward a pegou e seguimos até a beirada da água. Repentinamente Edward me pegou nos braços, ignorando meus protestos, e seguiu para a água.

A água estava fria, mas os braços de Edward, sempre a minha volta, me mantiveram aquecida. Quando a água batia no peito de Edward, ele me soltou por alguns instantes. Após isso seus braços me envolveram mantendo-me colada a ele. E logo seus lábios procuraram os meus. Eu o beijei calmamente. Minhas mãos o envolveram pelo pescoço enquanto meus lábios roçavam nos seus lábios, mordiscando-os levemente. Edward soltou um gemido pelo meu ato.

–Acho que você não vai aceitar a nova etapa da nossa relação, não é? –Perguntou com os olhos fechados.

–Que nova etapa seria essa? –Com meus braços eu o envolvi pela cintura aninhando-me ainda mais em seus braços. Edward abriu os olhos e sorriu diabolicamente.

–Sexo em local público. –Suas palavras não tinham um pingo de pudor. Senti meu rosto esquentar.

–Nem pensar! –Eu o afastei dando braçadas para trás, aumentando o espaço entre nós. Edward tinha uma expressão cômica de desagrado no rosto, parecendo uma criança birrenta tentando convencer a mãe a comprar um brinquedo. Eu ri.

–Poxa Bella, assim você me desaponta. Você não quer conhecer os ensinamentos sobre sexo que eu posso fornecer? –Edward fazia um beicinho enquanto falava. Apesar de constrangida, tentei manter um dialogo.

–Sim, mas não em local publico. –Dei mais braçadas aumentando mais ainda o espaço entre nós. Isso desagradou Edward. Ele começou a se mover bem vagarosamente para frente, até mim, estreitando continuadamente o espaço entre nós.

–Você não sabe o que está perdendo! –Sua voz era sedutora e perigosamente persuasiva. Prendi a respiração.

–Fala como se fosse experiente no assunto. Por um acaso já fez ISSO em local publico? –O modo enfático com que disse a palavra isso fez Edward alargar o sorriso.

–Sim e é muito bom. O proibido mesclado ao prazer é ótimo! –Só percebi o quanto Edward estava perto quando senti seu hálito em meus lábios. Os olhos cor de ocre ardiam. Então algo me ocorreu e, sem pensar, eu soltei.

–Foi antes de nós nos conhecermos, certo? –E pela expressão de Edward, ficou claro que aquele era um assunto com o qual ele não saberia lidar, e nem queria.

–Bom, eu... Bem... –Murmurou tentando encontrar uma saída. –Olha, não vamos falar sobre o passado, ok?

–Por que não? Eu não sei muito sobre você, a não ser o que eu descobri com o convívio e o que me falaram. Ainda sim não é muita informação. Eu gostaria de saber mais coisas sobre você, coisas relacionadas ao seu passado. Sou sua esposa, tenho o direito de saber! –Ao terminar o meu discurso emocionado, eu estaquei.

Pensei que havia passado dos limites, exigindo tanto assim de Edward. No passado, durante os dois primeiros meses de casamento, Edward se irritava quando eu fazia alguma cobrança. Mas agora... Ele sorria, maravilhado com minhas palavras. Como se eu estivesse fazendo algo maravilhoso para ele. Esse era o novo Edward, aquele que ficava feliz com qualquer coisa feita por mim.

–Vamos fazer o seguinte Bella. Eu prometo contar boa parte da minha vida, mas não por enquanto. Quando estivermos no hotel em Vancouver, ai sim. –Edward se aproximou e, na água, conseguiu segurar a minha mão. –Vamos, Alice está esperando.

Caminhamos até a margem onde Alice, vestida, sacudia os braços tentando chamar a minha atenção. O dia seria cansativo, deduzi pela empolgação da minha pequena cunhada.

...

A primeira atividade foi à pesca. Edward ensinou-me pacientemente como pescar e, na primeira tentativa, fisguei um peixe de mais de dois quilos. Eu teria continuado aquela atividade, só para ficar ao lado de Edward, mas Alice me arrastou para o Jet-ski.

Graças às aulas que tive na fazenda dos Cullen, eu sabia exatamente como proceder. Edward continuou sua pesca com Jasper a vários metros enquanto eu brincava no Jet-ski, ladeada por Alice. Realmente me diverti.

Seguimos meticulosamente a lista de Alice. Jet-ski, passeio de lancha, pesca (atividade escolhida por Jasper, não por Alice), Sky surf (eu queria praticar, mas Edward achou perigoso demais para mim e somente ele, Jasper e Alice se aventuraram), nadar, etc. Muitas atividades, além de almoço em um belo restaurante, nos ocuparam. Eu já sentia meu corpo parcialmente dolorido pelo dia anterior. Tinha certeza de que amanhã eu me sentiria pior.

Todos estavam felizes. Eu também estava feliz. Todos aqueles acontecimentos divertidos em um lugar belo pareciam meio irreais. Sei lá. Parece que foi ontem que eu era uma jovem deprimida, cheia de raiva e mágoa. Agora eu tinha uma família feliz. Eu tinha um marido amoroso que sempre desejei. E mesmo com os fatos acontecendo, reais, eu ainda não me sentia parte daquilo. Tudo parecia um sonho. Eu parecia...

–Está cansada? –Edward perguntou. Estávamos os dois vislumbrando a deslumbrante arquitetura de um cais. O pôr do Sol a nossa frente, magnífico.

–Estou. Acho que conhecemos todos os lugares considerados pontos turísticos aqui. –Suspirei. O cansaço querendo obrigar meu corpo a ceder. Encostei-me na mureta do cais, minhas costas no cimento enquanto meu corpo ficava de frente para Edward. Ele se aproximou, colocando seus braços ao meu redor, suas mãos descansando na mureta.

–Já acabou pelo menos. A programação de Alice se encerra aqui. Vamos voltar ao resort. –Dizia enquanto sua mão ergueu-se, tocando minha fronte em uma suave caricia. –E então, ao invés de jantarmos com Jasper e Alice, jantaremos em nosso quarto. –Um sorriso brotou de seus lábios.

–Acho que só terei forças para um bom banho e nada mais. Eu preciso dormir. –Resmunguei encostando-me nele, minha cabeça repousou em seu ombro esquerdo enquanto minhas mãos o seguraram pela barra da jaqueta, puxando-o para mim.

–Eu também estou precisando de um descanso. Toda esta agitação está me esgotando. –Abraçou-se aspirando o perfume de meus cabelos. –Se estivermos cansados e Alice vier nos encher pela manhã, eu a expulsarei. Nós descansaremos custe o que custar.

–Hei! Vocês ficarão parados ai? Vamos logo para o resort! –Gritou Alice sacudindo os braços. O nosso carro com motorista havia chegado afinal. Edward afastou-se pegando minha mão e guiando-me até a rua.

...

–Finalmente! Estou cansado. Irei para o quarto. –Jasper anunciou.

–Pode ir, mas eu irei a uma sessão de massagem aqui no resort. E Bella irá comigo. –Virou-se e me olhou sorridente. Fechei minha cara.

–O que? –Minha voz subiu alguma oitavas. –Alice, eu não vou ficar zanzando pelo resort! Eu estou cansada! –Minha fúria repentina parecia divertir Edward. Ele ria, ainda segurando minha mão.

–Ah Bella! Eu não quero ir sozinha! –Sua voz lamuriosa não me comoveu. Percebendo isso, Alice continuou. –E acredite, será melhor vir comigo. Com essa massagem você não acordará dolorida. E vai ajudá-la a dormir.

–Eu não... –Murmurei sem saber como dispensá-la. Edward decidiu por mim.

–É melhor ir. Uma massagem vai ser algo bom para você. –Aconselhou-me.

Com um suspiro resignado eu assenti. Alice tomou meu braço e saiu me puxando com brusquidão. Meus protestos não a impediram de seguir apressadamente resort adentro.

–Espera Alice! Não precisa ser tão apressada! Hei!

...

Era inacreditável. Havia uma fila de mulheres esperando pela chance de receberem a tal massagem de um profissional. Alice não esmaeceu ante aquela fila, continuava sorridente e saltitante.

–Alice, tem muita gente na fila. Eu não vou esperar.

–Bella, fique quietinha. São só alguns minutos de espera! –Alice sequer me olhava, seus olhos fixos na porta da tal massagista.

–Você disse isso meia hora atrás. Já estamos na fila a quarenta e cinco minutos. Eu mal consigo ficar de pé. Eu vou voltar para o quarto. –Sai da fila. Alice protestou, mas eu a ignorei. Eu precisava de um bom banho e uma boa noite de sono. Nada mais.

Segui para o elevador, olhando ao redor na tentativa de localizar Edward, mas não o encontrei. Deve estar no quarto, pensei. Ele conseguiu escapar de Alice afinal. Não demorei a chegar ao corredor onde ficava nosso quarto. Entrei, estranhando a porta entreaberta. Teria Edward esquecido de fechar?

–Edward? –Eu o chamei. Todas as luzes estavam apagadas, com exceção da luz de nosso quarto. Caminhei cautelosa até lá e suspirei aliviada ao vê-lo lá. Isso até estudá-lo melhor.

–O que está fazendo? –Perguntei. Edward assustou-se, não deve ter notado minha presença até então. Endireitou o corpo olhando para mim. Na cama, nossas malas. A dele feita, a minha estava sendo arrumada por ele.

–Não vi você entrar. Você não tinha ido com Alice a sessão de massagem? –Sua voz estava estranha.

–Havia muita gente. Desisti. Então... O que você está fazendo? Por que estava arrumando as malas?

–Por que nós vamos embora. Vamos embora do resort e iremos para Vancouver. Hoje. Agora.

Estaquei.

–O que? Ir embora? Agora? Nós não íamos ficar mais um dia? –Enquanto eu falava, Edward fechava o zíper da minha mala, acabando sua tarefa. Não me olhou.

–Eu estou cansado de seguir fielmente a programação de Alice. Se continuar aqui, eu serei culpado por um assassinato. –Virou-se e sorriu. Um sorriso falso a meu ver. –Vamos agora sem que ela saiba. Vamos para a melhor parte da nossa viagem, aquela em que teremos apenas a companhia um do outro.

–Eu... –Eu não sabia o que dizer. Seria algo extremamente romântico se não fosse uma desconfiança crescente em mim. Algo estava errado com Edward. Ele pegou as malas posicionando-as lado a lado.

–Eu vou fechar a conta no resort. Saímos de fininho. Não quero Alice enchendo. Depois falo com ela por celular.

–Olha, eu sei que você está um pouco aborrecido com a sua irmã, mas ir embora é algo meio estremado. Vamos ficar mais um dia. Um dia não nos custará nada. Ela ficará aborrecida se sairmos assim. –Tentei argumentar, mas algo na postura rígida de Edward me fez perceber que era inútil.

–Bella, por favor, coopere comigo. Garanto que não se arrependerá. E Alice não ficará brava conosco. –Embora sua atitude fosse despreocupada e até divertida, havia algo, um brilho, desesperado em seus olhos.

–Tudo bem. Eu vou apenas trocar de roupa. –Fui até uma de minhas malas pegando as roupas que usaria. Troquei rapidamente, lavando meu rosto escovando meus dentes no processo. Quando sai do quarto, Edward estava usando o telefone do quarto, falando com a recepção. Guardei minha roupa e minha nécessaire em uma mala.

–Eu já avisei a recepção que sairemos mais cedo. Todos os procedimentos serão tomados por eles agora. Também liguei para um carro nos levar ao aeroporto.

–Edward, mas não tem problema embarcarmos um dia mais cedo? Acho que pode não haver vaga no próximo avião para Vancouver.

–Não se preocupe. Eu liguei para o aeroporto. Consegui duas vagas, mas teremos de ir na classe econômica. Você se importa? –Encarou-me.

–Não. –Disse e logo dois funcionários do resort vieram para levar nossas bagagens. Segui com Edward estranhando seu silencio e a rigidez de sua postura. Quando chegamos ao saguão, Edward olhava para todos os lados, como se procurando alguém. Talvez verificando se Alice estaria em algum lugar, pensei.

Durante vários minutos ficamos calados. Edward atento demais ao que nos rodeava, e eu olhando para ele, tentando entender seu comportamento estranho. Quando chegamos ao aeroporto após uma rápida viagem de carro, ele resolveu se manifestar.

–Vamos chegar lá ao entardecer. Acho que o nosso primeiro dia lá será dormindo. –Sorria, despreocupado. Agora sim ele parecia mais relaxado.

–Não me importo, mas você falará com Alice quando ela descobrir que escapamos. –Impus. Edward fez uma mesura, beijando minha mão em seguida.

–Como quiser. –Segurou minha mão enquanto seguíamos para o portão de embarque. Realmente ele havia conseguido vagas na classe econômica. Para mim a classe econômica ainda era algo luxuoso, mas não para Edward.

Eu pude ver o quanto às cadeiras mais próximas uma das outras e a quantidade maior de pessoas o incomodava, mas ele procurou não demonstrar. Infelizmente sentamo-nos afastados do outro. Edward sentou ao lado de uma mulher gorda que praticamente ocupava o seu acento também. Eu me sentei ao lado de um velho com uma cara de tarado. O senhor não tirou os olhos do meu decote, pouco exposto devido à jaqueta que usava.

Então o que se pode concluir dessa viagem de avião a Vancouver é que... Bem... Foi um desastre! Eu não dormi, temendo o tarado sentado ao meu lado e Edward, que estava sentado na outra coluna de poltronas na minha direção, não deve ter dormido com aquela senhora de ossos grandes pressionando-o contra a estrutura do avião.

...

Vancouver era como sempre imaginei que fosse: linda e fria. Porém não pude apreciar a visão, eu estava à beira de um colapso de cansaço. Não havia dormido nada e Edward, pelo que eu soube, também não. Seguimos sonolentos até o hall do aeroporto. Edward logo conseguiu um taxi para nós e, graças à ajuda de alguns funcionários do aeroporto, conseguimos colocar toda a nossa bagagem no porta-malas.

Quando estávamos dentro do taxi, seguindo para a pousada escolhida por Edward, no cume de uma das montanhas, seu celular tocou. Cansada como eu estava, recostei-me no acento do taxi, fechando os olhos. Não ouvi a voz do Edward, provavelmente ele não atendeu.

–É a Alice? –Perguntei ainda com os olhos fechados.

–Não. Acho que era da empresa. A ligação caiu. –A voz de Edward parecia tensa. Mas estava cansada demais para perguntar.

Devo ter cochilado dentro do taxi, logo estávamos na pousada. Ela era grande, linda, e oferecia o calor que eu procurava. Só agora, meio desperta do sono, eu sentia o frio cortante.

Não olhei envolta, apenas caminhei bocejando o tempo todo. Edward me firmou temendo que eu caísse de tão cansada que estava, mas ele não estava melhor do que eu. Fomos recepcionados por vários funcionários. Edward foi conduzido à recepção explicando sobre o que nos levou a pousada mais cedo e logo fomos liberados para o chalé em que ficaríamos.  Assim que nossas malas foram deixadas na pequena sala do chalé, e os funcionários nos deixaram sozinhos, eu desabei em um sofá.

–Eu acho que não vou conseguir mais me mexer. –Murmurei. Edward sentou-se em uma poltrona de frente para mim.

–Também estou esgotado. Acho que passaremos o restante da tarde debaixo de uma coberta. –E eu vi o seu sorriso malicioso, pensando em coisas obscenas.

–Eu não sei o que você está pensando, mas seja lá o que for saiba que eu só tenho energia para me deitar e nada mais. –E sorri ao ver sua expressão facial despencar. –Vou tomar um banho. –Anunciei pegando apenas os pertences que usaria.

Pensei que Edward me seguiria. E eu vi a intenção nos seus olhos. Então seu celular tocou e, seja lá quem ligava para ele, fez com que Edward desistisse.

–Alice, eu suponho. –Disse. Ele assentiu.

–Fomos descobertos. Pode deixar, eu converso com ela.

–Boa sorte. –Falei com diversão seguindo para o banheiro, que só poderia ficar no segundo andar, no quarto.

O banho foi mais demorado do que eu previa e propositalmente deixei a porta aberta esperando que Edward entrasse, mas ele não entrou. Estranhei. Prossegui com o banho dando atenção ao banheiro em todos os seus detalhes. Tinha uma decoração rústica como o restante da pousada, requintada. O ambiente estava aquecido graças à água quente do chuveiro, mas eu sabia que estaria muito frio quando saísse. Após o banho, sai do quarto vestindo as roupas que eu já havia separado, um moletom azul bebe composto por calça e camisa. Penteei meus cabelos e fiz uma trança. Quando estava escovando meus dentes, Edward entrou no banheiro.

–Eu pedi um jantar para nós dois. –Disse enquanto retirava suas roupas jogando-as despreocupadamente em cima de uma poltrona.

–Eu estou tão cansada. Não sei se terei energia para comer. –Falei enquanto enxaguava a boca.

–Você precisa comer Bella. Não chamo de comida as bobagens que comemos no avião. –Sua voz soava como o pai preocupado com a filha. Suspirei.

–Tudo bem. Eu vou esperar você sair do banho. –Disse seguindo para o quarto, fechando a porta atrás de mim.

Pensei em arrumar meus pertences no closet que lá havia, os meus e os de Edward. Desci, peguei as malas, levando uma por uma, e as deixei próxima a cama. Sentei na cama e coloquei em cima da mesma uma mala minha. Eu iria retirar minhas roupas e colocá-las em qualquer lugar.

Não sei exatamente se cheguei a abrir a mala e retirar uma muda de roupa. Eu apaguei no instante que deitei na cama.

...

Senti frio. Encolhi-me nas cobertas que me cobriam. Minha mão tateou a cama, a procura de um corpo quentinho que pudesse me esquentar, o corpo do meu marido. Fiquei surpresa ao constatar que estava sozinha na cama. Procurei o botão do abajur acendendo-o. Pra falar a verdade não precisava fazer isso, pois o nosso chalé era ao estilo duplex sem paredes que separassem o quarto do restante dos cômodos (o único cômodo separado era o banheiro) sendo assim como as luzes da sala estavam acessas, o chalé inteiro ficava iluminado.

Eu queria levantar e procurar Edward. Ele certamente estava na sala, mas fazendo o que? Talvez estivesse jantando. Olhei ao redor encontrando um grande relógio de parede, era madrugada. Ele estaria comendo a essa hora? Muitos questionamentos que eu queria resolver, mas estava cansada demais para fazê-lo. Desliguei o abajur. Fechei os olhos, virando-me de lado. Esperaria o sono vir novamente, algo que não demoraria.

Ouvi passos na escada em formato de caracol, a alguns metros de onde eu estava deitada. Senti o peso adicional na cama. Um suspiro cansado soou próximo a mim. Bem, era Edward. Finalmente se recolheu para dormir, pensei. Esperei pelos seus braços quentes que certamente me envolveriam, mas isso não aconteceu. Eu me virei lentamente e o vi. Sentado na cama, um braço apoiado no joelho sendo que este estava pousado em sua testa, sustentando a cabeça. Seus olhos estavam fechados, uma expressão cansada e preocupada na face bonita.

Ele não percebeu que eu o observava. Edward definitivamente estava estranho. Algo havia acontecido no resort, algo que não presenciei. O que poderia ter sido? Seja lá o que estivesse passando na cabeça de Edward, eu queria ajudá-lo.

–Sem sono? –Quando minha voz chegou aos seus ouvidos, Edward virou-se abruptamente. Enquanto me encarava, eu comecei a sentar na cama, ao seu lado.

–Desculpe-me, acordei você? –Perguntou com brandura.

–Não exatamente. E então? Está com problemas para dormir? –Voltei a perguntar, olhando-o, sondando-o.

–Sim. Não sei bem por que eu estou assim. Pensei que adormeceria assim que deitasse. Mas não importa. Eu ficarei quietinho agora. Vá dormir. –Acariciou minha bochecha com uma mão.

–Vou dormir depois que ajudá-lo a relaxar. –Falei com seriedade, mas minhas palavras, a julgar o sorriso malicioso de Edward, foram interpretadas erroneamente.

–Ah, é ótimo saber que você quer que eu relaxe. Conheço um método infalível. –Edward inclinou-se, fazendo nossos rostos ficarem a centímetros de distancia, enquanto seu corpo paulatinamente ficava acima o meu corpo. Antes que me beija-se, eu me manifestei.

–Não estava falando de sexo, estava falando de conversarmos. –Minhas palavras o detiveram. Afastou um pouco o seu rosto e me fitou interrogativo.

–Conversar? Sobre o que?

–Sobre o que aconteceu no resort. –E quando terminei de falar, Edward ficou instantaneamente pálido.

–O que aconteceu no resort? Do que você está falando? –Balbuciou.

–Alguma coisa aconteceu lá, eu sei. Você estava bem e, de repente, decidiu que queria sair de lá sem comunicar a sua irmã e ao seu cunhado e vir para cá. Algo deve ter acontecido, não é? Seja o que for eu quero que me conte. Quero poder ajudar.

Edward ficou calado, afastou-se de mim voltando a sua posição anterior. Não me olhava.

–Não aconteceu nada no resort. Eu só estava de saco cheio da programação da Alice. –E eu sabia, pelo tom hesitante da sua voz, que Edward escondia algo. Voltei a me sentar ao seu lado, colocando minha mão no seu joelho esquerdo.

–O que está incomodando você? Pode falar. –Falei com brandura. Eu queria estreitar os laços com Edward, queria que ele confiasse em mim. Ele me olhou, algo em seu olhar mostrava medo, virou-se novamente deixando de me olhar.

–Só estou preocupado com o que acontecerá quando voltarmos para casa.

–Preocupado com o que exatamente? –Insisti feliz por ele estar colaborando.

–Com a... –Parou. Recomeçou. –Com a empresa. Eu teria que assumir a presidência e não sei se estou preparado. Não sei se conseguirei ser um bom presidente como meu pai foi. Tenho medo de falhar.

O silêncio se apoderou do nosso quarto por alguns instantes. Então era por isso que ele parecia temeroso, preocupado? Sorri.

–Não confia no seu talento como administrador? Se não confia, eu confio. Não só eu como todos os demais funcionários da empresa. Você foi um diretor executivo excepcional, será um presidente melhor do que o seu pai foi.

Edward virou-se para mim.

–Acredita mesmo nisso? –Perguntou.

–Eu acredito. E você deveria acreditar também. Além disso, você não administrará a empresa sozinho, muitas pessoas o ajudarão. Eu o ajudarei dentro de minhas possibilidades. –Minha mão foi capturada pela sua mão.

–É muito bom ouvir isso de você. –Murmurou.

–Pode contar comigo. Para o que der e vier. –Eu me aproximei e o beijei nos lábios. –Agora vamos dormir. Você está precisando disso. –Deitei e Edward me acompanhou deitando ao meu lado. Nós dois encarávamos o teto, e então meus olhos fecharam.

–Não vou conseguir dormir assim. –Edward resmungou.

–Assim como? –Perguntei numa voz fraca, meus olhos fechados.

Senti os seus braços envoltos em meu corpo, puxando-me para ele. Edward me ajeitou de modo que minha cabeça ficou deitada em seu peito e meu corpo estava quase que deitado sobre o dele.

–Bem melhor. –Suspirou fechando finalmente seus olhos. Não demorou a dormir. Eu ainda permaneci acordada por alguns minutos, olhando-o. Tentando entender o que estava errado. Por que eu sentia, em meu âmago, que havia alguma coisa errada.

Bobeira, eu pensei. Num ato corriqueiro, acariciei as madeixas acobreadas de Edward até que, exausta, dormi.

Edward pov’s

Eu não dormi bem. Lembrar do que aconteceu foi o suficiente para uma noite insone. Bella e sua nova aproximação com Jacob eram o terror para mim. Se antes eu já estava inseguro de contar a verdade para Bella, agora eu achava impossível. Um vacilo, era só isso o que Jacob estava esperando para abocanhar Bella. Eu não permitiria. Simplesmente...

...

Pouco a pouco fui percebendo o ambiente ao meu redor. Senti uma mão me dar leves empurrões e, após isso, vozes ao longe. Abri os olhos. Não encontrei Bella comigo. Não me mexi. Eu estava cansado demais para isso. Continuei deitado de bruços.

Vozes soavam na sala. Abri parcialmente meus olhos enquanto minha mente tentava ouvir o que se passava. Quando notei que as vozes eram de Alice e Bella, ignorei. Certamente Alice veio nos encher, como fizera ontem. Logo o barulho foi cessando e eu sabia que Bella logo estaria ali comigo.

Dito e feito. Ouvi seus passos, eu a senti sentando próxima a mim e sua mão me sacudindo.

–Edward, Alice veio aqui. É melhor acordarmos.

–Eu estou acordado, infelizmente. –Respondi desanimado.

–Pensei que estivesse dormindo.

Sentei-me na cama.

–Eu não tinha a melhor das minhas noites de sono. Eu estava prestes a dormir. Alice... Será a última vez que viajamos com ela. –Eu estava furioso. Não sei a que horas dormi, mas certamente não dormi às oito horas necessárias para um ser humano.

–Melhor nós nos levantarmos. –Levantou. –Eu vou arrumar minhas compras. Tome banho primeiro. –Bella foi se afastando. Naquele breve contato percebi algo tardiamente: nós quase nunca nos cumprimentávamos como um casal. Lembro das poucas vezes em que assisti bobagens na TV, e os casais costumavam dar bom dia e se beijar. Será que poderíamos ser um pouco como os casais tradicionais?

–Hei. –Eu a chamei e quando Bella se virou, eu a chamei com o dedo indicador. –Vem cá.

Como se eu fosse um predador e ela a indefesa presa (o que poderia ser verdade) Bella caminhou cautelosamente até mim. Acredito que não pretendia se aproximar demais, mas eu não permitiria qualquer espaço entre nós. Bella caiu na cama e tratei de imobilizá-la com o peso do meu corpo.

–Não recebi meu beijo de bom dia. –Murmurei próximo aos seus lábios.

–Nunca fomos de trocar beijos de bom dia. –Bella não desviava os olhos de mim.

–Então acho melhor modificarmos certas coisas. Eu faço questão desse ritual típico de casais normais. –Eu me aproximei lentamente e tomei seus lábios em um beijo calmo, sem o desespero habitual. Lembrei de ontem, do que fizemos após a briga. Sabia que se relembrasse Bella do ocorrido ela iria corar.

–Se formos nos reconciliar como ontem a noite, vou querer brigar sempre com você. –Falei em seu ouvido.

–Sério? Então logo teremos uma reconciliação parecida. –Disse enquanto eu mordia levemente o lóbulo de sua orelha.

–É mesmo? Já está prevendo uma nova briga? Você é vidente? –Rocei meus lábios em sua pele e com satisfação ouvi sua respiração aos arquejos.

–Não é isso. Não sou vidente ou coisa parecida. É que... –Bella parou, após alguns segundos continuou. –Jacob quer me apresentar a sua família. Prometi que eu os conheceria.

Eu parei. Senti uma onde do mais puro ódio me paralisar e ameaçar com a pacífica manhã entre Bella e eu. O que eu falei sobre me desentender com ela apenas para mais uma noite intensa não era verdadeiro, eu odiava brigar com ela. Eu poderia fazer um escândalo, claro, e Bella esperava por isso. Mas algo dentro de mim dizia que era exatamente o que Jacob queria. Ele queria que nos desentendêssemos mais e mais até Bella se cansar de mim e cair nos seus braços.

–Edward, você está bem? –Bella perguntou confusa com o meu silencio. Procurei fazer cara de paisagem, bancando o mártir.

–Claro que estou bem. E você pode ir. –E vi claramente o choque perpassar seu rosto pelo que eu havia dito.

–Como é que é?

–Você pode ir. Apenas me avise o dia. Adiarei meus compromissos e a acompanharei. –Levantei seguindo para o banheiro. Bella certamente protestaria.

–Edward, você não pode ir comigo! –Eu a ouvi dizer, mas a ignorei inteligentemente e me tranquei no banheiro.

Por dentro, a preocupação me consumia.

...

Manhã ensolarada. Eu encarava o céu satisfeito em apenas estar deitado sentindo o calor tocar a minha pele. E satisfeito também por que Bella estava ali e Jacob... Bom... Eu não sabia onde ele estava, mas esperava que estivesse no inferno.

–Vou nadar amor. –Jasper anunciou para Alice.

–Tudo bem. Aproveite por que logo iremos a outro ponto turístico daqui. –Minha irmã disse. Logo ouvi a voz de Jasper em, quando o olhei, olhava para mim.

–Você vem? Depois daqui vamos ao porto para praticar Sky surf e passear de Jet-ski.

–Sim. Eu vou. –Anunciei retirando a camisa que vestia. Logo nós sairíamos então eu aproveitaria para nadar um pouco. Dei a camisa a Bella, que estava sentada em uma cadeira ao meu lado. –Não vou demorar. –Eu a beijei nos lábios. Logo mais Jasper e eu seguíamos para a praia.

Caminhamos até o mar e rapidamente entramos, ignorando a temperatura fria das águas. Jasper e eu mergulhamos, evitando uma grande onda que se formou, e logo mais nós dois emergimos.

–E ai? Brigou muito com a sua esposa ontem por causa do amante? –Jasper falou num tom despreocupado. Eu quase cuspi sangue.

–AMANTE? QUE HISTORIA É ESSA? –Eu sabia exatamente do que ele estava falando, também sabia quem havia lhe contato. Alice...

–Alice me explicou o episodio de ontem. Aparentemente o rapaz que trouxera Bella até aqui foi um... Bom, ela disse a palavra “amante”. Alice não mentiria pra mim e a julgar pela sua atitude quando Bella chegou...

–É! ERA O AMANTE DELA SIM! –Notei que o meu tom de voz estava chamando atenção dos outros banhistas então procurei falar mais baixo. Para a minha surpresa, Jasper riu.

–Que situação a sua! Deve ter ficado irado, não é? O pior é que nem pode repreendê-la. Você estará em debito com ela eternamente. –A julgar pelas palavras de Jasper, estava na cara que ele fora informado por Alice de tudo o que tem acontecido em minha vida. Felizmente ele não me lançou um olhar acusativo como Alice costumava fazer. Resolvi que poderia conversar abertamente sobre minha vida co ele, quem sabe até ouvir conselhos.

–Eu fiquei irado, mas Bella jogou na minha cara que eu não tinha esse direito. Ela tem razão. Eu fiz muito mal a ele, como Alice deve ter contado a você. Eu nem posso chamar Jacob de seu antigo amante, ela não estava me traindo, estava apenas tentando ser feliz. Confesso que estou preocupado. Com Jacob por perto, coisas dolorosas podem ser despertadas na mente de Bella. E se eu me permitir errar, eu posso perdê-la para ele.

–É uma situação difícil a sua. Não acha que tudo se resolveria se contasse a verdade?

–Não Jasper. Ontem eu percebi. Bella ainda não me perdoou, está ferida. Ela pensa que fiz mal a ela por infantilidade. Se ela souber a verdade... E eu não falarei nada. –E eu me sentia péssimo por isso. Eu devia a verdade a Bella, mas me sentia fraco para contar. Por que eu não agüentaria as conseqüências.

Jasper pretendia me dar um conselho a fim de amortizar meu pesar, mas nada falou. Notei que olhava para a praia. Acompanhei o seu olhar e vi algo pior do que Bush usando biquíni: minha irmã fazendo topless.

–Alice. –Jasper murmurou em uma voz raivosa. Um monte de homens se aglomerava para olhá-la. Senti o típico ciúme de irmão mais velho, mas não foi esse meu lado que me fez sair da água acompanhando Jasper. Foi o lado marido olhando para os cuecas que, além de olharam minha irmã, olhavam para minha esposa. Ela não estava fazendo topless, mas havia desatado os nós do biquíni, exibindo as costas nuas. Isso era o suficiente pra mim.

Jasper e eu nadamos como tubarões, tamanha a pressa de proteger o que era nosso. Ele tinha os olhos em Alice e eu tinha meus olhos em Alice e Bella.

Pelo menos você só precisa se preocupar com uma, pensei mal humorado enquanto encarava Jasper. Eu o ignorei enquanto ia diretamente a nossa bolsa, pegando uma toalha.

–Oi amor! – Joguei a toalha nas costas nuas de Bella.

–O que é isso? –Perguntou olhando para toalha. Tentou tira-la, mas eu a impedi.

–Não quero que vejam você. Já olhou envolta? Um monte de gaviões secando você! Vamos, amarrarei seu biquíni. –Sentei atrás de Bella. –Continue embrulhada nessa toalha. –Pedi.

Bella me obedeceu, felizmente, enquanto eu me propunha a amarrar seu biquíni. Olhei feio para os caras parados que ainda babavam em cima da minha esposa.

Inferno! Eu já tinha o encosto do Jacob, não precisava de outro demônio da luz negra! Os rapazes pareceram perceber o ciúme homicida que me tomavam e foram cuidando de suas vidas. Amarrei fortemente as amarras do biquíni.

–Pronto. –Anunciei satisfeito.

–Não precisava disso. –Bella murmurou com azedume.

–Se você estivesse no meu lugar, você concordaria com minha atitude. Não gosto desses cuecas olhando para você. –Falei contendo a verdadeira fúria que grasnava em mim. Bella não precisava ficar ciente do ciúme que me tomava naquele momento, eu não queria que ela pensasse que eu era um psicopata.

–Se quer saber, Edward, eu estou no seu lugar. Você pode não ter notado, mas chama muita atenção usando apenas uma sunga. –Passou a toalha para mim. –A propósito, cubra-se.

Fiquei surpreso em saber que ela me entendia. Satisfeito por Bella confessar ter ciúmes de mim. Verdade seja dita não reparei se recebia olhares femininos (ou até masculinos), por que só tinha uma pessoa que eu queria que me olhasse. Peguei a toalha, mas não me cobri. Tinha outras idéias em mente. Beijei a bochecha de Bella.

–Quer tomar banho de mar comigo? –Perguntei de modo que só ela pudesse me ouvir.

–Vai se comportar? –Sue voz falhava. Sorri. Meus labiois roçaram seu pescoço.

–Não vou me comportar. –Beijei seu ombro esquerdo. Ela se levantou num átimo.

–Vem. –Ofereceu sua mão e eu prontamente a peguei. Caminhamos pela praia e quando estávamos próximos da água, eu a peguei em meus braços. Bella protestou, mas logo seu protesto foi abafado quando nossos corpos encontraram uma onda.

Mesmo após submergirmos, Bella ainda protestava, empurrando-me. Eu a abracei mais apertado após notar que sua pele estava arrepiada. Bella foi se aquietando, apreciando aquele contato como eu apreciava. Caminhamos até certo ponto da água. Soltei Bella por alguns instantes apenas para ajeitá-la melhor em meus braços.

Não hesitei em beijá-la e esperei que ela entende-se aonde nós pararíamos com aquelas caricias na água. Eu estava ofegante, quente, desejoso de um contato mais intimo com ela. O prazer mesclado com o proibido, eu adorava isso. Suas mãos envolveram meu pescoço puxando-me para ele e seus lábios, parecendo tão impacientes como meu corpo, mordiscaram meus lábios. Um gesto erótico. Minha excitação atingiu níveis alarmantes.

–Acho que você não vai aceitar a nova etapa da nossa relação, não é? – Perguntei. Eu sabia o quanto Bella era puritana e achava meio difícil ela mudar certos conceitos dela, apesar de tudo.

–Que nova etapa seria essa? –Seus braços agora abraçavam minha cintura. Eu sorri diabolicamente para ela.

–Sexo em local público. –Minhas palavras tiveram o desejo esperado, e não o desejo que eu queria. Seu rosto ficou vermelho de vergonha.

–Nem pensar! –Ela se afastou de mim. Tentei segurar o riso. Bella era tão Bella! Ainda sim eu fiquei chateado, isso significaria que ela não iria ceder. Ela riu, divertida com a expressão birrenta em meu rosto.

–Poxa Bella, assim você me desaponta. Você não quer conhecer os ensinamentos sobre sexo que eu posso fornecer? –Falei num tom bem infantilizado até para mim.

–Sim, mas não em local publico. –Dei mais braçadas aumentando mais ainda o espaço entre nós. Isso desagradou Edward. Eu fui me movendo bem vagarosamente para frente, até ela.

–Você não sabe o que está perdendo! –Lancei todo o meu poder de sedução para ela.

–Fala como se fosse experiente no assunto. Por um acaso já fez ISSO em local publico? –Falou evidentemente constrangida.

–Sim e é muito bom. O proibido mesclado ao prazer é ótimo! –Disse já tão próximo a ela que poderia sentir o calor do seu hálito.

–Foi antes de nós nos conhecermos, certo?

Eu parei. MERDA! Que assunto a ser discutido! É claro que eu lembrava às vezes em que fiz sexo em local publico e boa parte delas foi com Tânia, quando eu já estava casado com Bella.

–Bom, eu... Bem... –O que dizer? Se falasse algo, certamente Bella me evitaria. –Olha, não vamos falar sobre o passado, ok?

–Por que não? Eu não sei muito sobre você, a não ser o que eu descobri com o convívio e o que me falaram. Ainda sim não é muita informação. Eu gostaria de saber mais coisas sobre você, coisas relacionadas ao seu passado. Sou sua esposa, tenho o direito de saber!

Então era por isso que Bella fazia essa pergunta? Por que queria me conhecer? De fato eu nunca me abri para ela, apesar da intimidade inegável que tínhamos. E eu não sabia muito sobre ela. Quando Bella me falou a seu respeito, antes e dois meses após o nosso casamento, eu fingia ouvir, ou a ignorava. Mas Bella ainda queria saber coisas de mim, isso era realmente bom!

–Vamos fazer o seguinte Bella. Eu prometo contar boa parte da minha vida, mas não por enquanto. Quando estivermos no hotel em Vancouver, ai sim. –Eu me aproximei e segurei a sua mão. –Vamos, Alice está esperando.

Olhei para Alice, toda serelepe enquanto tentava chamar a nossa atenção. Pelo menos estava trajando a parte de cima do seu biquíni.

 ...

Seguimos com a programação de Alice fazendo de tudo um pouco. Pescamos (ensinei Bella a pescar e ela pescou algo melhor do que eu na primeira tentativa, afetando minha masculinidade e orgulho), e após a pesca, Bella foi praticar com o Jet-ski. Fizemos varias praticas esportivas além destas, como o passeio de lancha, Sky surf, nadar, etc. Em algumas eu barrei Bella, como em Sky surf, temendo que se machucasse.

Parada para o almoço, nós comemos próximos do hotel. Passeio no calçadão, ao entardecer. Ver o pôr do Sol com Bella... Era algo que eu queria.

–Está cansada? –Perguntei a ela enquanto a via olhar maravilhada para a estrutura incomum do cais.

–Estou. Acho que conhecemos todos os lugares considerados pontos turísticos aqui. –Suspirou. Estava cansada, Alice não nos deixava exatamente descansar. Encostou-se na mureta de proteção que separávamos do mar. Eu me aproximei colocando minhas mãos na mureta, meus braços em volta dela, prendendo-a a mim.

–Já acabou pelo menos. A programação de Alice se encerra aqui. Vamos voltar ao resort. –Toquei seu rosto. –E então, ao invés de jantarmos com Jasper e Alice, jantaremos em nosso quarto. –Sorri. Será que estava tão evidente em meu rosto a programação que eu havia feito? Jantar no quarto, só nos dois, uma dança lenta, Bella procurando o calor para aquecê-la da brisa que invade o nosso quarto pela janela... E eu possuindo-a.

–Acho que só terei forças para um bom banho e nada mais. Eu preciso dormir. –Ela percebeu e logo me dispensou, mas eu não desistiria fácil. Encostou-se em mim, procurando apoio.

 -Eu também estou precisando de um descanso. Toda esta agitação está me esgotando. –Aspirei o perfume de seus cabelos quando me aproximei mais dela. –Se estivermos cansados e Alice vier nos encher pela manhã, eu a expulsarei. Nós descansaremos custe o que custar.

–Hei! Vocês ficarão parados ai? Vamos logo para o resort! –Alice gritou. Pela primeira vez não me incomodei com sua atitude mandona. Logo ficaria a sós com Bella.

...

–Finalmente! Estou cansado. Irei para o quarto. –Jasper anunciou.

–Pode ir, mas eu irei a uma sessão de massagem aqui no resort. E Bella irá comigo. –Alice disse. Bufei ao lado de Bella.

–O que? Alice, eu não vou ficar zanzando pelo resort! Eu estou cansada! –A fúria de Bella era divertida. Sorri.

–Ah Bella! Eu não quero ir sozinha! E acredite, será melhor vir comigo. Com essa massagem você não acordará dolorida. E vai ajudá-la a dormir.

–Eu não... –Bella murmurou querendo dispensar Alice. Eu pensei em ajudá-la, mas uma massagem após o dia corrido seria boa para ela. Quem sabe, após a massagem, ela não ficasse mais disposta a dormir tarde?

–É melhor ir. Uma massagem vai ser algo bom para você. –Aconselhei. E Bella me ouviu. Alice só precisou daquela pequena confirmação para pegar Bella pelos braços e arrastar para longe de mim.

–Espera Alice! Não precisa ser tão apressada! Hei! –Ouvi sua voz pelos corredores e, ao passo que Alice aumentava a distancia, não a ouvi mais.

–Vou para o quarto. Gostaria de dormir, mas Alice vai querer jantar no restaurante do hotel. Vou me arrumar. Vai mesmo jantar no quarto com Bella?

–Vou Jasper. Precisamos de um pouco de privacidade. –Trocamos sorrisos cúmplices. Ele era homem, entendia.

–Tudo bem. Boa noite. Esteja preparado para amanhã. –Alertou seguindo então para os elevadores. Eu parei, então recomecei a andar.

–Espera ai Jasper, nós iremos para o mesmo andar e... –Meus olhos foram tapados por mãos. Tateei as mesmas e reconheci serem mãos femininas.

“Bella...” –Sorri abertamente retirando as mãos dos meus olhos e fitando minha esposa. Meu sorriso foi morrendo quando percebi quem era e um pavor mudo tomou conta de mim.

–Tânia... –Balbuciei. Ela sorri de um jeito sarcástico.

–Olá gatinho. –Disse em uma voz arrastada, tentando soar sexy. Ou talvez ela estivesse bêbada, o que era bem provável.

–E ai. –Tentei soar desinteressado e segui para os elevadores.

–Espera ai! Não vá depressa! Faz tempo que não nos víamos. Está aqui há muito tempo? –Segurou meu braço. Fui obrigado a olhá-la. Trajava roupas ousadas, um vestido de alça vermelho decotado e curto.

–Eu acabei de chegar. Estou cansado. –Falei numa voz que traia minhas palavras. Eu estava agitado, muito agitado. Eu precisava sair dali rápido. Ela sabia a verdade, Tânia sabia do contrato. Se Bella nos visse...

–Hei, está sozinho aqui? Quer companhia? –Acariciou meu braço. Enrijeci.

–Não estou sozinho aqui. –Pensei em dizer que estava com Bella, mas seria uma grande estupidez. –Alice e Jasper estão aqui.

–Sério? Viajem com a família? Que estranho. Você não é disso. –Ela riu. Olhei disfarçadamente para os lados, temendo ser visto com ela ali. –Então não tem uma companhia para entretê-lo quando a família não está por perto, não é? Quer ter agora? –Sua voz tinha cheiro de álcool.

–Não é acho melhor ir para o seu quarto. Ou melhor, para o quarto onde está hospedada com o seu chefe. –Provoquei. Ela fechou a cara com minha insinuação, mas não negou. Claro que não ia negar. Eu conhecia Tânia. Ela não me amou, queria apenas benefícios. Agora existia outro otário no meu lugar.

–Sabe como é que é. Preciso pagar minhas contas e sou chegada ao luxo que meu salário não pode proporcionar. –Falou num tom de deboche. –Mas você ainda tem passe livre comigo.

–Eu estou indo. Passar bem. –Eu a afastei. Senti um alivio crescente ao fazer isso. Isso até ouvir as próximas palavras de Tânia.

–E a ameba com pernas da sua esposa? Como está?

A raiva que senti não tinha precedente. Eu queria mandá-la a merda, mas sabia que se agisse com raiva, eu iria acabar mal.

–Não sei. Pergunte para ela. –Disse tentando mostrar desinteresse.

–Então continua tratando sua esposa como paria? Mas pelo que eu me lembro, ela deixou de ser uma ameba com pernas, não é? Ela ainda não pediu divorcio?

–Não, mas não demorará o dia em que nos separaremos. –Falei, caminhando calmamente para o elevador. Tânia não me seguiu, mas eu vi, antes das portas do elevador se fechar, seu sorriso zombeteiro. Eu soube então que precisava sair dali.

...

–... Sim, Edward e Isabella Cullen. Eu preciso ir hoje para Vancouver. Tenho duas passagens de primeira classe para viajar amanhã, mas preciso ir hoje. –Falei enquanto caminhava para lá e para cá em meu quarto.

–Lamento senhor Cullen, mas nossos sistemas nos informam que não há vaga na primeira classe. No entanto, há vagas disponíveis para Vancouver na classe econômica.

Eu nunca pisei em classe econômica. Nem queria imaginar o que encontraria lá. A única coisa que eu sabia de classe econômica eram informações que colhi em filmes de tragédias com aviões e, infelizmente, os da classe econômica eram os primeiros a morrer.

–Tudo bem. Reserve duas vagas para mim. Eu trocarei minhas passagens por essas duas vagas. Irei para o aeroporto assim que possível. –Informei a atendente pegando uma de minhas malas, a única que desfiz.

–Aguardaremos ansiosamente ao senhor e a sua esposa. –Falou simpática. Desliguei o  celular.

Eu precisava sair dali e tirar Bella. Não teria paz enquanto Tânia estivesse ali. Peguei os poucos pertences que tirei da mala e os enfiei sem cuidado. Fiquei grato por não ter desfeito as malas, nem eu e nem Bella.

Após arrumar minhas malas, eu me prontifiquei a arrumar as malas de Bella. Eu tinha que ir embora. Eu tinha que levar Bella comigo. Por mais que Tânia não tivesse nenhuma prova material sobre o contrato, eu não queria que ela encontrasse Bella.

...

–O que está fazendo? –A voz quebrou parcialmente minha concentração. Olhei assustado para a porta. Era Bella.

–Não vi você entrar. Você não tinha ido com Alice a sessão de massagem? –Minha voz estava agitada, isso não era bom. Ela olhava para o que eu estava fazendo com uma expressão confusa.

–Havia muita gente. Desisti. Então... O que você está fazendo? Por que estava arrumando as malas?

Agora eu teria que ser um bom ator. Eu teria que mentir. Teria? Ou eu poderia contar a verdade?

–Por que nós vamos embora. Vamos embora do resort e iremos para Vancouver. Hoje. Agora.

–O que? Ir embora? Agora? Nós não íamos ficar mais um dia? –Voltei a olhar para minha tarefa, fechando a ultima mala que precisava ser arrumada.

–Eu estou cansado de seguir fielmente a programação de Alice. Se continuar aqui, eu serei culpado por um assassinato. –Tentei sorrir. –Vamos agora sem que ela saiba. Vamos para a melhor parte da nossa viagem, aquela em que teremos apenas a companhia um do outro.

–Eu... –Ela me olhava mais e mais confusa. Evitei seu olhar e coloquei as nossas malas lado a lado.

–Eu vou fechar a conta no resort. Saímos de fininho. Não quero Alice enchendo. Depois falo com ela por celular. –Eu esperava que Bella acreditasse na minha desculpa, mas pela cara que fazia, ela não acreditava.

–Olha, eu sei que você está um pouco aborrecido com a sua irmã, mas ir embora é algo meio estremado. Vamos ficar mais um dia. Um dia não nos custará nada. Ela ficará aborrecida se sairmos assim. –Ela queria ficar. Ela queria me dissuadir da minha decisão. Isso não era bom.

–Bella, por favor, coopere comigo. Garanto que não se arrependerá. E Alice não ficará brava conosco. –Eu tentei parecer descontraído, mas estava desesperado. Ela percebeu isso, certamente percebeu. Após me olhar bem fundo nos olhos, ela falou:

–Tudo bem. Eu vou apenas trocar de roupa. –Pegou algumas coisas em sua mala. Assim que entrou no banheiro, peguei o telefone. A recepção atendeu e avisei que partiríamos mais cedo. Eles ficaram confusos, pensando que sofri algo no interior do resort e por isso queria ir. Inventei a desculpa de que tive um problema pessoal, por isso sairia mais cedo. Pedi que cuidassem dos procedimentos. Eu não tinha tempo para papeladas. Também liguei para conseguir um carro com motorista que nos levasse ao aeroporto. Fiquei satisfeito com a facilidade com que tudo foi arrumado para a nossa partida.

Logo Bella apareceu.

–Eu já avisei a recepção que sairemos mais cedo. Todos os procedimentos serão tomados por eles agora. Também liguei para um carro nos levar ao aeroporto. –Avisei a ela.

–Edward, mas não tem problema embarcarmos um dia mais cedo? Acho que pode não haver vaga no próximo avião para Vancouver.

–Não se preocupe. Eu liguei para o aeroporto. Consegui duas vagas, mas teremos de ir na classe econômica. Você se importa? –Eu saiba que Bella não se importava. Ela diria algo como “para quem sempre andou de ônibus, classe econômica em avião é luxo”.

–Não. –Falou simplesmente. Bingo!

Dois funcionários do resort vieram até nosso quarto nos ajudar com a bagagem. Fiquei tenso enquanto saiamos do nosso quarto. Temia encontrar com Alice, ela pediria explicações que eu não poderia dar diante de Bella. Senti medo principalmente por Tânia. Se ela visse Bella, eu nem queria pensar no que faria. Mesmo querendo agir com tranqüilidade para não alarmar Bella, não pude deixar de olhar em todas as direções.

Ficamos calados durante muito tempo. Eu queria me acalmar e só assim agir de uma forma mais espontânea. Quando chegou ao aeroporto, eu me manifestei.

–Vamos chegar lá ao entardecer. Acho que o nosso primeiro dia lá será dormindo. –Agora eu estava mais relaxado. Não havia como Tânia aparecer.

–Não me importo, mas você falará com Alice quando ela descobrir que escapamos. –Falou. Sorri para Bella fazendo uma mesura.

–Como quiser. –Peguei sua mão e seguimos para o portão. Eu estava tranqüilo, não me importava de ter que enfrentar Alice ou Jasper (embora Jasper não fosse realmente se importar). O mais importante era manter o segredo.

Eu realmente não estava ligando para o fato de estar na classe econômica, isso até entrar no avião. O lugar era cheio de gente, os bancos encolhidos um no outro. Para piorar Bella e eu não sentamos próximos. Eu sentei ao lado de uma mulher de ossos largos e Bella ao lado de um cara que tentava a todo custo olhar o seu decote.

Eu não dormi; algo que havia planejado acontecer durante a viagem. Não por estar sendo prensado na estrutura do avião pela tiazinha, mas preocupado com Bella. Se o cara com olhos de maníaco tentasse algo contra ela, definitivamente eu seria expulso por agressão.

...

Eu não pude apreciar a paisagem gelada e ter recordações da minha infância. Estava tão cansado que dormiria nu naquele gelo com um sorriso nos lábios. Bella estava pior do que eu, mal conseguia andar em linha reta. Conseguimos um taxi e com a ajuda de funcionários do aeroporto, além do próprio taxista, não ficamos carregando nossas malas para lá e para cá.

Bella estava de olhos fechados, recostada no acento do taxi, quando meu celular tocou.

Deve ser Alice, pensei. Peguei o celular e congelei ao ver quem era.

“Porcaria!” –Desliguei guardando-o no bolso do meu casaco. Eu estava relaxado, mas aquela ligação acabou com o pouco de felicidade que ainda me restava. Tânia tinha o meu celular, nunca me preocupei em trocar o número, e estava ligando agora para mim.

Eu tinha que pensar. Mudar de número seria a primeira coisa que faria. Por hora eu manteria o celular desligado até ela desistir. Eu não poderia correr o risco de Bella atender.

–É a Alice? –Bella perguntou com os olhos fechados.

–Não. Acho que era da empresa. A ligação caiu. –Falei num tom de voz que certamente me denunciaria. Bella não falou mais depois disso. Deve ter cochilado no taxi. Era bom que estivesse dormindo, se ela visse meu rosto, acharia que eu perdi algum parente ou coisa parecida. Liguei novamente o celular. Alice logo ligaria e eu precisava me explicar, antes que ela colocasse a guarda nacional em nosso encalço.

Chegamos à pousada localizada na base de uma montanha. O lugar era conhecido, eu já havia ido para lá quando adolescente em excursões de minha escola. Bella despertou, mas estava cansada, apesar do rápido cochilo. Eu também estava exausto e acima de tudo queria dormir para poder deixar de lado as preocupações que me tomavam. Tentei firmá-la enquanto andava e seguimos primeiramente a recepção, onde tive que explicar o porquê de chegar mais cedo, e logo fomos para o chalé que havia alugado. Após nossa mala ser deixada na sala do chalé, Bella desabou em um sofá.

–Eu acho que não vou conseguir mais me mexer. –Murmurou. Sentei em uma poltrona em frente a ela.

–Também estou esgotado. Acho que passaremos o restante da tarde debaixo de uma coberta. – Sorri maliciosamente, mas a malicia e a expectativa, coisas que sempre me tomavam quando Bella estava comigo, não estavam em mim. Eu ainda estava nervoso por Tânia.

–Eu não sei o que você está pensando, mas seja lá o que for saiba que eu só tenho energia para me deitar e nada mais. –Desfiz o sorriso com as palavras de Bella. Ela continuou. –Vou tomar um banho. –Levantou-se e pegou alguns de seus pertences. Não devia ter forças para carregar a mala até o nosso quarto, no segundo andar do chalé. Pensei em segui-la e apenas me deixar levar, esquecer os tormentos.

Meu celular tocou novamente. Minha tensão diminuiu um pouco quando vi quem era: Alice. Ainda sim fiquei amuado. O banho com Bella teria que esperar.

–Alice, eu suponho.

–Fomos descobertos. Pode deixar, eu converso com ela. –Atendi prontamente a ligação enquanto Bella seguia para o segundo andar.

–Boa sorte. –Sua voz soava divertida. Tive de sorrir.

–Oi Alice.

–ONDE VOCE E BELLA ESTÃO? A RECEPÇÃO ME DISSE QUE VOCES DOIS EVADIRAM! EDWARD SEU GRANDE ESCROTO! –Ela estava irada. Segurei uma gargalhada.

–Alice, acalme-se. Bella e eu viemos logo para Vancouver, como combinado.

–O combinado era vocês passarem mais um dia aqui antes dessa viagem. Você estragou tudo Edward Cullen!

–Alice, me escute. Eu precisei sair daí. –Falei num tom de voz sério, isso certamente fez com que ela parasse com o berreiro.

–Por quê? O que aconteceu Edward?-Sua voz soava preocupada.

Eu poderia mentir para Alice, mas ela logo descobriria. Ela sempre enxergava através dos meus pretextos.

–Encontrei com Tânia ai no hotel. Ela está com o seu atual patrão. –Fiquei calado. Alice perceberia.

–Não contou a verdade para a Bella ainda.

–Não Alice. Nem vou contar. Não quero que Tânia se encontre com Bella.

–Você acha que a sua antiga secretária contaria a Bella?

–Se ela soubesse como estou com a Bella, ela contaria sim. Eu fingi que não ligava para a Bella, não sei se ela caiu. Mas não acho que ela vá procurar a Bella. –Eu esperava que Tânia não fizesse isso. Eu a prejudiquei e Tânia salivava vingança, mas não faria nada se pensasse que eu não ligava para Bella.

–Edward, você tem que contar a Bella...

–Alice, eu não vou discutir. Vou manter meu celular desligado. Qualquer coisa ligue para o celular de Bella. Se a empresa ligar para você querendo falar comigo, transfira para o celular da Bella. Eu vou eliminar o meu atual número.

–Tudo bem Edward, você é que sabe. Mas você sabe o que eu penso sobre essa gostaria de esconder a verdade da Bella.

–Eu sei Alice, mas não correrei riscos. Eu preciso desligar. –E eu o fiz. Após acabar com a ligação, lembrei-me das muitas mensagens comprometedoras que Tânia costumava me enviar. Fui ao menu de mensagens e as apaguei, sem me incomodar de reler. Apaguei os números de Tânia, o celular e o da casa, e o histórico de chamadas. Por fim desliguei o aparelho. Só para ter com o que me distrair, liguei para a recepção pedindo que o jantar fosse levado para o quarto, a culinária local, prometendo algo gostoso e quente, poderia me distrair.

Ainda fiquei uns minutos na sala, fitando o nada; minhas mãos trêmulas. Foi por pouco, muito pouco. Se Bella encontrasse com Tânia, eu não saberia o que poderia ter acontecido, mas não seria algo bom.

Não sei por quanto tempo fiquei aéreo, mas quando fui para o quarto, Bella já estava pronta para dormir, usando moletons devido ao frio, e escovava os dentes. Entrei no banheiro.

–Eu pedi um jantar para nós dois. –Disse retirando minhas roupas e jogando-as pelo banheiro.

–Eu estou tão cansada. Não sei se terei energia para comer.

–Você precisa comer Bella. Não chamo de comida as bobagens que comemos no avião. –Disse com preocupação.

–Tudo bem. Eu vou esperar você sair do banho. –Saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si.

Fui até o chuveiro ligando-o. Sentei no chão azulejado e fiquei parado, recebendo a água morna, olhando para o nada, não querendo pensar na merda em que eu estava metido.

...

–Bella? –Eu a chamei novamente, mas Bella estava profundamente adormecida. Notei que nossas malas estavam lá, ela deve tê-las trazido para cima. Procurei me enxugar melhor com uma toalha, peguei um pijama de algodão mais pesado devido ao frio e o vesti. Olhei novamente para Bella, ela parecia tremer apesar de estar parcialmente coberta por um lençol. Peguei um grosso edredom do closet e a cobri. Sentei na cama e fitei seu bonito rosto adormecido. Acariciei seus cabelos cor de mogno, não resistindo me inclinei para aspirar o doce perfume de morango. Beijei sua testa e fui descer as escadas.

O jantar estava preparado, mas Bella não comeria comigo, pois estava dormindo. Sentei na cadeira e, faminto, me servi. Comi vagarosamente planejando o que faria após o jantar. Dormiria. Eu estava cansado afinal.

Algo estranho ocorreu enquanto eu mastigava. Eu olhei para a cadeira onde Bella certamente sentaria se estivesse comigo. Ela estava vazia, Bella dormia no quarto, mas a sensação de ver aquela cadeira vazia me atordoou.

“Se ela souber a verdade, vai ser assim. Eu vou estar só.” –Pensei. E a situação que minha mente gerou foi o suficiente para eu perder o apetite. Deixei o jantar, sem quase comer, e peguei a garrafa de vinho tinto que acompanhou o prato pedido.

Eu sentei em uma poltrona próxima a janela (as cortinas estavam afastadas), por isso poderia ver o gelo caindo do lado de fora. Tomei o vinho em grandes goles enquanto minha mente tentava, através da bebida, se desligar.

 Viva apenas o presente, ordenei a mim mesmo. Esqueça os problemas, por favor! –Eu implorei. Mas não adiantava. Aquilo sempre me perseguiria. Aquela maldita culpa, aquele maldito contrato.

...

Ela ainda dormia, constatei. Sentei na cama. Eu não conseguia simplesmente deitar e dormir, mesmo após ter bebido. Suspirei. Sentei na cama apoiando a cabeça com uma mão. Refletir, planejar como eu contaria a ela, de nada adiantou. Por que não adiantava planejar, eu simplesmente não diria as palavras. Nunca fui covarde ou temeroso de algo e me sentia atordoado por experimentar tais sentimentos agora.

–Sem sono? –A voz me assustou. Eu me virei. Bella já sentava na cama.

–Desculpe-me, acordei você? –Perguntei.

–Não exatamente. E então? Está com problemas para dormir?

Essa era uma pergunta simples. Eu poderia responder.

–Sim. Não sei bem por que eu estou assim. Pensei que adormeceria assim que deitasse. Mas não importa. Eu ficarei quietinho agora. Vá dormir. –Acariciei seu rosto.

–Vou dormir depois que ajudá-lo a relaxar. –Bella falou fitando-me. Sorri malicioso.

–Ah, é ótimo saber que você quer que eu relaxe. Conheço um método infalível. –Eu me inclinei cobrindo seu corpo com o meu. Não era minha intenção fazer nada disso, mas eu fazia. Devia ser culpa do vinho. Eu iria beijar, talvez me perdendo em seus lábios macios, eu me esquecesse do grande filho da puta que eu era.

–Não estava falando de sexo, estava falando de conversarmos. –Com essa eu tive que parar para encará-la.

–Conversar? Sobre o que?

–Sobre o que aconteceu no resort.

Eu parei. Mais que merda! Ela tinha visto o que aconteceu!

–O que aconteceu no resort? Do que você está falando? –Balbuciei.

–Alguma coisa aconteceu lá, eu sei. Você estava bem e, de repente, decidiu que queria sair de lá sem comunicar a sua irmã e ao seu cunhado e vir para cá. Algo deve ter acontecido, não é? Seja o que for eu quero que me conte. Quero poder ajudar. –Bella transmitia uma profunda preocupação em sua voz. Senti o alivio me tomar. Ela não saia o motivo de eu estar estranho.

–Não aconteceu nada no resort. Eu só estava de saco cheio da programação da Alice. –Foi tudo o que consegui dizer enquanto voltava a me sentar. Bella também se sentou tocando um de meus joelhos.

–O que está incomodando você? Pode falar. – Bella queria que eu me abrisse, queria me ajudar. Mas eu não poderia. Simplesmente não poderia.

–Só estou preocupado com o que acontecerá quando voltarmos para casa. –Eu estava preocupado com a verdade tão próxima de nós. A verdade que acabaria com o meu casamento.

–Preocupado com o que exatamente?

–Com a... –Parei. Agora eu precisava ser astuto. Não poderia falar que minha preocupação era com a Tânia. –Com a empresa. Eu teria que assumir a presidência e não sei se estou preparado. Não sei se conseguirei ser um bom presidente como meu pai foi. Tenho medo de falhar.

Uma desculpa esfarrapada. Jamais duvidei da minha capacidade como administrador. Bella cairia no meu blefe?

–Não confia no seu talento como administrador? Se não confia, eu confio. Não só eu como todos os demais funcionários da empresa. Você foi um diretor executivo excepcional, será um presidente melhor do que o seu pai foi.

–Acredita mesmo nisso? –Perguntei olhando para ela.

–Eu acredito. E você deveria acreditar também. Além disso, você não administrará a empresa sozinho, muitas pessoas o ajudarão. Eu o ajudarei dentro de minhas possibilidades. –Seu discurso era otimista. Capturei sua mão.

–É muito bom ouvir isso de você. –Murmurei. Mas a verdade é que era bom tê-la simplesmente ali, comigo.

–Pode contar comigo. Para o que der e vier. –Bella se aproximou e me beijou. –Agora vamos dormir. Você está precisando disso.

Bella se deitou. Eu a acompanhei deitando-me ao seu lado. Encarei o teto e senti minha posição desconfortável. Então percebi o que estava faltando.

–Não vou conseguir dormir assim. –Resmunguei.

–Assim como? –Perguntou inconsciente do que eu pediria. Era tão obvio! Puxei Bella para mim, deitando-a sobre meu corpo.

–Bem melhor. –Fechei meus olhos enquanto meu corpo inteiro desabava. Eu estava exausto, fiquei surpreso por dormir tão profundamente.

Como era bom sentir Bella comigo. Como eu queria que isso perdurasse!

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