Bela Problema x Edward Solução - Capitulo 10 Aniversário

Edward PDV


Em silêncio, segui Carlisle até seu escritório. O cara bufava e resmungava o tempo todo, tantas coisas que eu não conseguia entender. Bem, eu até preferia não entender mesmo, pois, com certeza, estava sendo o alvo daquelas lamentações.

Quando chegamos, meu sogro trancou a porta e me olhou de forma assassina! Pensei: “Vai me matar!” Era óbvio que minha hora havia chegado. Afinal, por qual outro motivo ele precisaria nos trancar ali? Sem falar que os outros jamais ouviriam meus gritos de agonia, a julgar pela espessura das paredes e da porta.

Estava perdido! Não havia ninguém pra me salvar!




Carlisle, mudo, caminhou em direção à sua velha estante. Que clima horrível! Queria sumir, juro. De dentro de uma gaveta, o médico zangado tirou uma maletinha, fechada com um cadeadinho. Espera, eu acho que sei o tipo de coisa que se guardam em cases desse tamanho. Pensa, pensa...

Enquanto pensava, o pai de Bella começava a abrir o cadeado. Lembrei! As pessoas usam isso pra guardar... ARMAS?

– Edward Cullen, você me decepcionou. – Ele tinha acabado de abrir a mala e eu já esperava ver o revólver que ia sair de lá. Todo meu corpo tremia, me impedindo de falar ou pensar.

– Carlisle, eu... – É isso aí. Eu nada! Não tinha o que falar. Ia morrer ali e nem daria uma explicação ao meu assassino.

– Você não precisa falar. Não há nada que mude as coisas agora, pois eu mesmo vi suas atitudes. Achei que fosse um rapaz diferente dos outros, mas parece que me enganei. – O que ele tirou da mala, para a minha alegria momentânea, foi um calmante. Parece que ele só usava aquilo quando realmente sentia vontade de matar as pessoas, pois estava tão bem trancado! Nossa!

Depois que engoliu o comprimido, prosseguiu:

– Edward, não gostei nada de ver minhas filhas brigando por você. Eu trouxe todos para cá pra tentarmos ser uma família, não para você brincar com os sentimentos delas.

– Mas, Carlisle...

– Calado, rapaz! – Tentei, né? – Eu mandei me escutar. Se você tivesse decência, pelo menos, teria me pedido pra namorar minha filha! Isso se realmente quisesse algo sério com ela, porque, ao que parece, não são essas suas intenções, já que também está se relacionando com Rose.

– NÃO! – Arregalei os olhos.

Ele sentou-se em uma larga cadeira e pôs os cotovelos em cima da mesa de escritório, fulminando-me com os olhos. Já que ele não iria me matar (eu acho), decidi me explicar.

– Está certo, eu errei em não falar com você antes de iniciar o namoro com a pirralha, mas é complicado. Ela tem dificuldades em assumir o que temos. Já Rosalie, nunca tivemos nada... quero dizer... tivemos sim... mais não foi nada sério, e foi antes de sentir o que sinto hoje por sua filha mais nova. – Ok, eu estava suando pra caramba.

– Quer dizer que teve um caso com minha filha mais velha, enjoou dela e partiu pra minha caçula?

ELE NÃO TINHA OUVIDO O QUE EU ACABARA DE EXPLICAR?

– Não, Carlisle! – Eu ia precisar ser claro e direto. – Rosalie sabia no que estava se metendo quando ficamos juntos. Ambos só queríamos nos divertir um pouco. Não aconteceu nada demais entre nós.

– Bella sabia disso?

– Não!  – Baixei a cabeça, constrangido.

– Vocês jovens mudam de sentimento muito rápido. Pouco tempo atrás, Isabella estava querendo namorar aquele seu amigo Jacob, e agora, já está com você? É demais para minha cabeça!  – Ele pôs as mãos na fronte.

Realmente era confuso. Meu frango e eu aprontamos muito antes de decidirmos ficar juntos. Era chegado o momento de eu me impor e mostrar que minhas intenções eram as melhores. Me aproximei do meu futuro padrasto, fitando-o firmemente.

– Posso te garantir que não tenho nada com Rosalie. Me desculpe pelos erros cometidos. Ainda assim, peço que permita meu namoro com Bella.

Ele riu sem humor.

– Bella namorando? Isso não dará certo. Escute uma coisa, Edward, sei que muitas garotas da idade dela conseguem lidar com esse tipo de coisa facilmente, mas minha filha é diferente, ela tem sérios problemas com perdas. Isso aconteceu desde a morte de Renée. Ela afasta as pessoas com seu jeito rebelde para não criar vínculos ou amizades e é apenas uma forma inconsciente de evitar que se magoe. Ao que me parece, ela abriu a guarda para você, porém, não posso deixar isso seguir adiante, já que logo esse pequeno romance terá um fim, quando o verão acabar. E então, como ficaremos? Ela sofrerá outra perda, o que apenas intensificará os problemas psicológicos que se recusa a tratar. Pode parecer fácil pra você, já que nos verá apenas em ocasiões especiais. Agora, para mim e sua mãe, não. Teremos que continuar buscando infinitas formas de harmonizar essa família. E tudo por causa de uma aventura de férias?

– Não é uma aventura de férias!  – Afirmei, aborrecido.

– Mesmo? Então, quais são seus planos para esse relacionamento? – Indagou, acalmando-se.

Desviei o olhar sem saber o que responder, afinal, não havia refletido sobre isso ainda. Eu e minha pirralha mal conseguimos passar um dia sem brigar. Como poderia eu fazer planos para algo que ameaçava acabar a qualquer momento?

Carlisle pigarreou, impaciente.

– Ainda não tenho planos. – Fui obrigado a admitir, sem jeito.

– Foi o que eu pensei. – Suspirou. – Não me entenda mal, gosto de você. De todos, o considero o mais responsável e maduro, porém, não é a pessoa certa pra namorar Bella. Logo que voltar para a faculdade, irá esquecê-la. De alguma forma, tudo acabará bem.

Ele se levantou e caminhou em direção à porta, pronto para encerrar a conversa.

– Espere! – Me pus de pé, decidido. – Me dê alguns dias para amadurecer esse relacionamento. Peço uma chance de mostrar que pode ser bem sucedido. Se até lá, nós provarmos de alguma forma que esse namoro é apenas uma aventura banal, indigna de ser levada adiante, eu volto pros EUA e nunca mais teremos essa conversa novamente. Me limito a ser apenas o meio-irmão de Isabella. Prometo!

A expressão de Carlisle denunciava surpresa e curiosidade.



Bella PDV


Faziam alguns minutos que meu pai e o Cullen estavam trancados no escritório. Decidi esperar do lado de fora tempo suficiente para que Carlisle despejasse sobre ele toda sua ira. O cretino merecia, já que escondeu de mim que havia ficado com Rosalie. Nada poderia me deixar mais enfurecida. Agora entendia o porque da intimidade dos dois. Era melhor pra ele enfrentar meu pai do que a mim, pois queria espancá-lo até a morte por ter se envolvido com a sebosa. Tudo bem que foi antes de mim, mas o idiota não tinha o direito de me esconder isso, agora, eu sempre iria ficar com a pulga atrás da orelha, imaginando o que mais ele poderia estar ocultando. Assim que Edward levasse uma boa bronca, eu iria invadir o escritório e anunciaria a meu pai que pouco me importava a opinião dele, deixar de namorar EDZINHU estava fora de cogitação. Minhas mãos tremiam terrivelmente, meu corpo permanecia quente como se estivesse sendo consumido por labaredas de revolta e repulsa.

Impaciente, levantei-me para ir até o escritório e encarar Carlisle. Infelizmente, a porta se abriu muito antes do que o esperado. Todos os olhos e ouvidos das pessoas ali presentes se aguçaram.

– Está vivo? – Emmett falou espantado, com um tom de deboche.

– OLHA SÓ...

– Shhh! – Meu pai sinalizou para que eu me calasse. Porra, justo agora que eu ia iniciar a batalha? – Vou consentir esse namoro...

– VIVA! – Gritou a fotolete e seu tio não gostou da comemoração adiantada.

– Como eu estava dizendo, vou consentir desde que sigam as regras estipuladas por mim.

– Regras? – Ergui uma sobrancelha. Regras e eu não nos dávamos bem.

– Sim, se forem sair juntos vão ter de estar em casa antes das 11h, e nada de namorar dentro dos quartos. Terão que ficar aqui na sala, onde todos possam ver. – É, pelo visto, ele vive no século passado.

– Diz pra mim que isso é piada. – Não agüentei e gargalhei.

Edward fez uma carranca, reprovando-me. Dava para perceber que queria que eu cedesse.

– Tudo bem. – Prendi o riso, eu ia burlar todas as regras mesmo!

– Ótimo!  – Carlisle passou a mão na testa, exausto. – Não quero mais confusão por hoje. Vou me recolher. Boa noite. – Ele subiu as escadas e a mosca morta o seguiu.

Bastou eles saírem para o bisonheto berrar, correndo em direção ao irmão.

– Cabeçudo, namorar na sala? AHAHAHAHAHA! Você vai virar viado!

Meu Cullen ignorou o tapado e veio até mim, falando:

– Esta noite minha cabeça está cheia, mas amanhã precisamos conversar!

Não gostei da frase. Ele me deu um suave beijo na testa e saiu, deixando-me confusa.

Me arrastei até o quarto. Lá, me joguei na cama em frangalhos. Precisava de muitas horas de sono.



Emmett PDV


Eu estava no meu quarto, sentado na cama com notebook, zoando pra valer em um chat e passando-me pelo Dr. Comedor de Mães. A mulherada adorava o negócio de doutor, principalmente quando falava que tinha grana a dar de pau. Estava passando a lábia em uma totosa que não parava de me corrigir, quando alguém bateu à porta.

Saltei, ainda de olho na tela. Meu amigão Toicinho dormia tranquilamente, provavelmente sonhando com porquinhas. Garanhão!

Abri a porta, imaginando ser meu irmão voador com dor de cotovelo. Ia mandar o carente atravessar a rua de olhos vendados.

– Oi, Emmett. – Contraí os músculos dos braços, logo que percebi se tratar da loira gostosa.

– Oi, Rose. – Sorri malicioso.

De cabeça baixa, totalmente envergonhada, murmurou algo que não entendi.

– O quê, mulher?

Ela revirou os olhos e repetiu.

– Posso dormir aí com você hoje?

E É BOM!

Fiz cara de interessado.

– Pra que, bandida? Pra me usar como brinquedo sexual?

– Isso!  – Sorriu, presunçosa.

– Olha só a minha resposta. – Rindo, bati a porta na cara dela.

A cachorra merecia, depois de ter me rejeitado da última vez que a procurei. Contei de1 até 40. Era pra ser até 60, mas me perdi no meio do caminho. Reabri a porta e a totosa já não estava lá. Coloquei a cabeça pra fora e a vi andando no corredor.

– Ei, bandida! Vem aqui que vou te dar umas palmadas! Você está precisando, pistoleira!

A devassa correu em minha direção, toda assanhada, analisando minha mercadoria. EITA!

Entramos no quarto pra brincar de polícia e ladrão, no caso, bandida.



Bella PDV


Virei-me na cama e cobri ainda mais meu rosto com o edredom, ao ouvir batidas na porta. Sabia que já passavam das 16h. Fiquei o dia inteiro deitada, tentando fugir do maldito dia. Mergulhada em melancolia, revivi, de forma descontrolada, a fatídica data em que minha mãe se foi.

Logo que a insistente pessoa parou de bater, coloquei a cabeça para fora das cobertas, com olhos inchados e lábios secos. Tudo que eu queria era que as horas corressem. Cobri a face com as mãos, enquanto sentia os conhecidos espasmos no peito.

Um barulho próximo à janela me fez ficar alerta. Achei que era Edward e quase resmunguei, quando notei se tratar de Rosalie, que acabara de cair no chão.

– Porra de janela!  – Esbravejou.

– Podemos nos estapear mais tarde? – Fiz careta, sem ânimo nem para brigar.

– Não vim aqui pra isso.

– O que quer?

– Feliz aniversário. – Ela jogou uma grande caixa em cima da cama.

– Por favor, não me diga que essa é a cabeça do Edward. – Apontei pro pacote, temerosa, enquanto ela ria.

– Eu não cortaria a cabeça, e sim, outra coisa.

– Por que está aqui, sebosa? – Confesso que a súbita gentileza dela me causava arrepios.

Minha irmã sentou na cama e, após um longo suspiro, falou:

– Você e o Cullen, hein? Por essa eu não esperava.

– Por que não? – Fechei a cara.

– Vocês são tão distintos... – Fez uma longa pausa. – Mas de alguma forma, até que combinam.

Ok, estou bestificada.

– Onde quer chegar?

– Estou aqui pra insistir que desça para comemorar seu aniversário.

– Não! – Me joguei na cama, pondo o travesseiro no rosto.

– Pára de drama, Bella! Acha que é a única que sofre com essa data? Eu também sofro, caramba! Nem por isso fico usando isso como desculpa pra ser uma tapada completa.

Joguei o travesseiro pro lado e a encarei, pasma.

– Sofre?  – Enruguei a testa.

– Lógico, sua burra. Papai também, mas você faz questão de ignorar isso, bancando a emo mal entendida. Poxa, ele está lá fora super preocupado, torcendo para que participe da festa. Todo mundo ralou por sua causa.

– Mesmo? – Desviei o olhar.

– Escuta só. – Ela pôs uma mão no meu ombro. – Lembra quando éramos pequenas? Eu tinha as melhores bonecas, as roupas mais bonitas. Já você, não ligava pra nenhuma dessas coisas e, ainda assim, parecia mais feliz que eu. E sabe por quê?

– Não. – Murmurei.

– Porque sempre foi a filha favorita dos nossos pais. Por muito tempo, a invejei. Eu era a mais bonita. Mesmo assim, os holofotes estavam sempre voltados para você. Agora que sou adulta, aprendi a conviver com isso, aceito a vida como ela é... – Sorriu, constrangida. – ...embora eu tenha revivido os velhos tempos, quando soube que estava namorando Edward. Mesmo sem ser estonteante, você conseguiu fisgá-lo. – Ri, mal conseguindo acreditar naquela conversa. – Mas não importa também. Eu não gosto tanto dele quanto imaginava, ele é meio brocha. – Agora nós duas ríamos. – Só quero te dizer que não vou mais me meter no caminho de vocês, já tenho admiradores suficientes.

– Eu sei. – Falei, lembrando da infinidade de homens que andavam atrás dela em Forks. – Eu também já tive muita inveja de você!  – Admiti, fazendo careta.

– Por quê?

– Ah, qual é? Estala os dedos e todos fazem o que você quer. Onde quer que vá, homens e mulheres ficam com cara de bobos, admirados com sua beleza.

– Isso é verdade! – Sorriu, orgulhosa. Em seguida, passou a mão na minha cabeça. – Mas você também é bonita, Bella, de um jeito diferente. – Ficamos em silêncio por alguns segundos, então, minha irmã falou: – Eu poderia estar deitada em uma cama curtindo uma depressão. Ao invés disso, estou de pé, pronta pra farrear, sorrir e aproveitar a minha vida o máximo possível. Quem morreu foi a nossa mãe, mana, não nós. Acha mesmo que ela iria gostar de nos ver pra baixo hoje? De maneira alguma! Exigiria que, em sua homenagem, celebrássemos a vida! Você sabe o que ela sempre dizia...

– Para todo o problema existe uma solução. – Repetimos a conhecida frase juntas.

– Vamos, abra meu presente. Quero que o use hoje.

Abri a caixa retangular prateada e logo avistei uma peça de roupa azul. Rose, vendo que eu estava atônita, tirou de lá meu presente e exibiu o vestido. Decote em V, comprimento até a panturrilha. Era realmente lindo.

– Nossa! – Escapuliu de mim a palavra, enquanto alisava o tecido.

– Tenho que ir agora. Não se empolgue muito pelo que eu falei. Vou continuar sendo a irmã mais velha e nós sempre implicamos com as caçulas. – Ironizou, já com a mão na maçaneta.

– Espera!  – Pedi, levantando-me.

– O que?

– Você tem razão. Reneé adorava festas. Diga a todos que eu descerei em breve. – Suspirei, trêmula. – Farei isso em memória dela.

– É assim que se fala!  – Rose deu uma piscadela.

Por impulso, corri até minha irmã e a abracei, fechando os olhos.

– Obrigada. – Murmurei, tendo a certeza de que tinha perdido a sanidade mental.

– Tudo bem. – Ela me abraçou de volta. Eu devia estar mesmo com a sensibilidade à flor da pele.

A imprevisível saiu, deixando-me sozinha com o vestido azul.

Já era noite quando desci o último degrau da escada, alisando o vestido novo. Engoli seco, pedindo a Deus para me acordar, caso eu estivesse no meio de um pesadelo. Foi nesse momento que notei as luzes apagadas. A iluminação era mantida por algumas velas, ainda assim, não pude deixar de notar um pequeno palanque no meio da sala, com cortinas improvisadas de lençóis. Que merda era aquela?

– Você está linda. – Murmurou meu pai, vindo da cozinha.

– O que é aquilo? – Indaguei, ignorando o cortês comentário, enquanto meu dedo indicador apontava o local.

– Não sei, mas Alice pediu para que nos acomodássemos no sofá. – A mosca aproveitou meu estado de perplexidade e me empurrou em direção ao assento branco. Sentamos, os três, curiosos.

Alguém acendeu, simultaneamente, quatro abajures próximos ao palanque, criando um clima diferente. As cortinas abriram-se e avistamos, ninguém mais, ninguém menos que Marius, fantasiado de fadinha-sininho, com direito a asinhas coloridas e varinha de condão!

– Boa noite, queridíssimo público. HU! ... OHOHOHOHOHO!  – Olhei para trás, em busca do público ao qual ele se referiu. Constatando que a bichona estava louca, voltei a minha atenção para ele. – Tenho o prazer de lhes apresentar a peça mais escandalosamente bombástica desde... desde... – Ele ficou olhando para as cortinas atrás de si, como se esperasse que alguém lhe desse uma mãozinha. Como isso não aconteceu, continuou. – Desde a morte de Michael Jackson! Por favor, aplaudam a grande peça BELLA PROBLEMA X EDWARD SOLUÇÃO, dos autores Edward e Alice. Com figurino dessa bela moça que lhes fala.

– O QUÊ? – Levantei-me involuntariamente, espantada, enquanto a mosca morta aplaudia fervorosamente.

– Shhh... – Carlisle me puxou pelo braço, obrigando-me a sentar. – Eu quero ver isso.

Pisquei os olhos, perdida.

– Posso continuar? Que mundiça mais mal educada! Credo!  – O viado provocou, fazendo careta.

Dei de ombros.

No centro do palco, ele começou a tagarelar, segurando uma folha de papel.

– Era uma vez, em um reino muito, muito distante, um casal apaixonado,  cheio de planos para o futuro. – Marius correu para o canto e precisei abrir bem os olhos para acreditar que Alice e Jasper entraram em cena, vestidos de forma estranha.

– Meu amor! – A fofolete suspirou, pegando a mão do ex-namorado. – Carlisle, estou feliz por ter me pedido em casamento. Mal consigo acreditar que viajaremos para a Itália. – É, agora eu entendia porque ela usava uma peruca longa castanha.

– Sim, Esme, vai ser maravilhoso. Lá seremos uma família e tudo pode acontecer.

Meu pai riu quando o suposto maconheiro tentou imitá-lo.

– O que esse casal feliz e gostoso não sabia é que a maquiavélica Bella, a  filha perturbada de Carlisle, tinha planos para dar um fim nesse meloso relacionamento. – Peguei uma almofada e joguei contra a criatura sem noção, que insistia em narrar aquela palhaçada. – Que raxa uÓ, gente, eu desisto!  – Ele cruzou os braços, em protesto.

– PORRA, SEM PREGAS! CONTINUA LOGO!  – Ouvi o berro de Emmett, mesmo sem saber ao certo de onde vinha.

– Tá bom. – A bicha fez biquinho, falando suavemente. – Mas só porque você está pedindo com jeitinho.

Bufei, não crendo que estava sendo obrigada a passar por aquilo.

– Como eu ia dizendo...  Bella, a filha perturbada de Carlisle, tinha planos para dar um fim nesse meloso relacionamento.

– Oh, não! Bella, a megera, não! Ela é pior que todos os vilões juntos dos Power Rangers!  – Minha prima, uma atriz dramática, fingiu que ia desmaiar e Jasper a arrastou para fora de cena.

– Bella estava pronta para agir assim que a cambada chegou na Europa... – O narrador apontou para as cortinas e nada saiu de lá. Pigarreou, zangado. – BELLA, ESTAMOS ESPERANDO!

Juro que esfreguei os olhos, embasbacada, quando vi Edward aparecer, andando como se tivesse uma perna maior que a outra. O pior não era isso e sim, a peruca morena e as roupas detonadas.

No meio do palco o ouvi, com minha boca abrindo-se lentamente.

– ELES NÃO IRÃO SE CASAR! MUUUAHAHAHAHAHAHA! FAREI DE TUDO PARA IMPEDIR PORQUE... PORQUE... OK, ESPERA, QUE EU ESTOU PENSANDO!  – Fingiu olhar pro teto, refletindo. Que cretino! Estava zombando de mim. Trinquei os dentes.

– ANTES TERÁ QUE ME ENFRENTAR, SAMARA!  – Emmett apareceu e contive o riso quando percebi que estava, comicamente, interpretando Edward. Este foi ao chão, ao ser empurrado pelo bisonho. Estranhei o balde de água nas mãos dele.

– RÁ, RÁ! O QUE FOI, EDZINHU ESTÁ COM RAIV... – Meu Cullen foi calado quando o serial kiler jogou a água na cara dele. – PORRA, EMMETT, ISSO NÃO ERA PARA SER AGORA! -Esbravejou.

– Os bons atores sempre improvisam. – Defendeu-se, orgulhoso. Gargalhei sem querer.

– Continuem!  – Exigiu Marius.

Meu namorado deu uma rápida olhada no papel em suas mãos e disse:

– DÊ ADEUS A VIDA, EDGAYZINHO!  – Cerrou o punho rente ao rosto do irmão.

– CALA A BOCA, PIRANHA!  – Contra-atacou Emmett, também com um roteiro em mãos.

– O QUE?  – O som de surpresa saiu da boca de todos, inclusive da minha, pois me senti ofendida.

Meu Cullen, confuso, tomou o papel das mãos dele e verificou.

– PIRRALHA! NÃO PIRANHA, SEU MONSTRO!  – Praticamente, esfregou o texto na cara do burro.

– AH... FOI MAL... SABE COMO É, SEMPRE TROCO O L PELO N!  – A anta deu uma risadinha. Então, continuou de onde parou. – CALA A BOCA, PIRRALHA!

– QUER SABER, EU VOU DESCER O CACETE, JÁ QUE NÃO SEI CONVERSAR!  – Bella, aiiinnn... quero dizer, Edward, jogou-se nas costas do bisonhento, enquanto ficavam girando pelo palanque, simulando uma briga.

– E esse foi o ódio à primeira vista de Bella e Edward. Porém, o que será que o destino os reserva?  – O pavão fez um passinho de balé: rodopiou e jogou um punhado de purpurina no ar.

– Que coisa mais ridícula!  – Zombou Rosalie, assistindo tudo de pé, atrás de mim. – Os piores atores encenando uma palhaçada narrada pela bicha mais estranha do mundo!

– ROSE!  – Meu pai desaprovou, sério.

– BEM DOIDA! Cheirou cola? Fica calada porque eu bem sei o que uma loira da tua laia quer, sebosa!  – Marius não deixou por menos e eu ri alto.

– FOCO, GALERA!  – Pediu Alice, saindo de trás de uma cortina.

Edward e Emmett se retiraram do palco e Marius continuou narrando.

– Eles se odiaram até não poderem mais, infernizaram a vida um do outro. Então, um belo dia, Bella se interessa por Jake!  
Franzi a testa e lá vinha o Toicinho, atravessando o palco com um negócio pregado na cabeça, mais parecia um tufo de cabelo preto e jaquetinha de couro. Carlisle e Esme divertiam-se muito.

Edward entrou em seguida e tentou pegar o animal, que o fez, literalmente, suar a camisa para conseguir agarrá-lo.

– OH, JAKE, EU SOU LOUCA POR VOCÊ!  – Disse, segurando o porco que grunhiu. Isso seria uma resposta? Ou protesto por estar sendo apertado? – MESMO, MEU LOBO? VOCÊ GOSTA TANTO ASSIM DE MIM?  – A voizinha afeminada dele me fazia temer que estivesse gostando demais da peruca. Toicinho-Jake se contorceu.

– VOCÊ NÃO PODE FICAR COM ELE, SAMARA!  – O dono do leitão marchou pro meio do palco.

Foi nesse momento que todos pararam pra ver Alice e Jasper caindo no palco, rolando no chão entre beijos afoitos e obscenos.

– Espero que isso esteja no roteiro. – Murmurou meu pai confuso.

Assim que o casal ou ex-casal (eu estou na dúvida) percebeu que estavam sendo observados, se mandaram, ruborizados.

Emmett riu, mas prosseguiu.

– NÃO PODE SER!  – Bella (a outra de quase dois metros de altura) enfiou o dedo na cara do Edward (o outro sem cérebro, apenas músculos.) – EU NÃO POSSO, NÃO QUERO! – Ajoelhou-se no chão em puro drama.

– NOS DÊ UMA CHANCE, SAMARA, VAMOS CASAR E MORAR NO SEU POÇO!

Meu Cullen, rapidamente, colocou a folha em frente ao rosto, provavelmente, procurando aquela fala. Gargalhei muitíssimo.

– Não escrevi isso. – Fulminou o irmão.

– Mas eu sim!  – Respondeu o gênio, exibindo um rabisco grande para ele. Após um longo suspiro, Edward (Bella) seguiu com a péssima interpretação. – ESTOU COM JAKE, VOU EMBORA COM ELE!  – Apontou para o vazio, de olhos fechados.

– Ele fugiu. – Marius sussurrou como se ninguém tivesse notado.

– VOLTE, JAKE!  – Assobiou Emmett e o Toicinho voltou pro palanque. – ELE NEM SEQUER TE CONHECE!  – Chacoalhou os ombros freneticamente da pobre Bella. – EU ESTOU APAIXONADO POR VOCÊ!

Me lembrava muito bem daquele momento. Olhei para os lados, procurando saber de onde vinha a música de fundo dramática e tensa. Não demorou para eu avistar Jasper, próximo ao aparelho de som, risonho.

– VOU EMBORA! – Edward saiu, praticamente mancando. Quantas vezes eu ia precisar dizer pra ele que não ando daquele jeito?

– POR QUE, DEUS? POR QUÊ? – Emmett caiu de joelhos, lacrimejando. Não sei se pela música ou se pelas lágrimas, mas me comovi com aquele breve momento, em que apenas podíamos ver a expressão desolada do bisonho. Me perguntei se meu Cullen havia passado realmente por aquilo. Esme e Carlisle pareciam estar tão envolvidos quanto eu, já que estávamos ardendo em expectativa, à espera das próximas palavras do fajuto Edward. Ele ergueu a mão para o alto e recitou: – SER GAY OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO.

Um tênis voador o atingiu. Óbvio que aquilo era obra do meu namorado.

Sobressaltei quando ouvi o grito:

– EDWARD!  – Agora já podíamos ver Bella na ponta do palco. – EU TAMBÉM ESTOU APAIXONADA POR VOCÊ!

Ele ou ela... (à essa altura, estou confusa) correu para Emmett (Edward) e se jogou em seus braços. Era uma cena bem bizarra que me fez gargalhar como louca.


Celine Dion - Thats The Way It Is


Quando dei por mim, estava aplaudindo de pé. E não era a única, Carlisle e Esme também.

Edward, Emmett, Jasper, Alice e Marius, enfileirados, em cima do palco, deram as mãos e inclinaram-se em um cumprimento.

Meu namorado tirou a peruca e piscou o olho para mim.

Meus pés, por vontade própria, foram ao encontro dele. Meu Cullen, ensopado, pôs as mãos na minha cintura, erguendo-me no ar. Ficamos da mesma altura. Meu coração acelerou de felicidade quando ele me beijou bem ali, na frente de todos.

– Oh! Esqueci de anunciar o final. – Reconheci a voz da bichona. – BELLA PROBLEMA E EDWARD SOLUÇÃO VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE!... Adoro conto de fodas... HU! ... OHOHOHOHOHOH!

Ri, de olhos fechados, com a boca grudada na do EDZINHU.

– Hora do bolo!  – Alice me puxou, sorrindo.

Quando abri os olhos, meu pai nos encarava totalmente pálido. Foi aí que entendi a intervenção da minha prima. Ele estava chocado por me ver beijar.

Arrastei Edward pra fora dali antes que ele fosse fuzilado pelo olhar ciumento do meu Carlisle. A sala de jantar estava decorada com flores, velas e vários presentes empilhados em um canto. Como eu não poderia me empolgar com aquilo? Porém, minutos depois.

– Oh, não! Isso, não. – Pedi, acuada com todos à minha volta, prontos para cantar os parabéns.

– Te transformo em abóbora, raxa!  – Marius sorriu, tocando minha cabeça com sua varinha de condão.

– Onde está seu noivo?  – Ironizei.

– Trabalhando, tá, meu amor? – Ele não gostou da pergunta. – Fique na sua, gobira!

– Apaga as velinhas!  – Alice ordenou, as acendendo.

– Não. – Tirei a vela do bolo. – Sem vela e sem parabéns. Por favor. É a única coisa que peço. – A última vez que eu fiz aquilo, tudo acabou mal. Minha família, percebendo minha alteração, concordou.

– Tudo bem. Então, vamos abrir o champanhe!  – Meu pai já estava segurando a enorme garrafa. – Podemos, ao menos, dizer parabéns?

Sinalizei positivamente com a cabeça e isso aumentou a euforia da família.

Carlisle ergueu a garrafa, abrindo-a, e, no mesmo momento que encolhi os ombros ouvindo o estampido, todos gritaram:

– PARABÉNS!

Gargalhei feliz.

– Champanhe francês? É por isso que eu adoro vocês. – Marius se agarrou a uma taça de cristal.

Fomos rapidamente servidos. Dei um breve gole na bebida gelada, então, a Fofolete berrou:

– VAMOS BRINDAR!

Típico dela.

Erguemos as taças e me olharam, à espera de que eu falasse algo.

– Por favor... – Pedi, ruborizando.

– Anda, Bella!  – Insistiu Jasper, feliz por ter dado uns amassos.

Ok, fala a primeira coisa que te vier à cabeça!

– EU TENHO 18 ANOS! UHÚÚÚ!  – Gritei em plenos pulmões. Riram da minha empolgação.

As taças tocaram-se e o som do cristal ecoou pelo local. Logo em seguida, vieram as palmas.

MEU DEUS, EU TENHO 18 ANOS! A FICHA CAIU! UAU!

Não precisei fingir felicidade, eu estava trasbordando dela. Edward me abraçou e senti que nada poderia ser mais perfeito.

– Vamos comer bolo!  – Rosalie estalou os dedos, nos apressando.

Fiquei diante da guloseima, sem saber pra quem deveria dar aquele primeiro pedaço. Indecisa entre meu pai e namorado, resolvi fazer algo diferente.

– Vou quebrar as regras...

– Bem a sua cara. – Minha prima provocou.

– Formem uma fila. Ao invés de eu iniciar dando o bolo para os mais queridos, vou dar aos que menos tenho afinidades... – Esme foi a primeira a se posicionar, sorridente, sem eu pedir. Ri alto. – Bisonhento, fique atrás da sua mãe... – Ele foi pulando, animado. – Anda, Marius, fique literalmente atrás do seu bonequinho. – Zombei.

– Que aniversário de pobre! Nunca me senti tão ralé na minha vida. – Ele empinou o nariz. – Fila pra pegar o bolo? Só o que falta aparecer é uma velha gorda gritando: AS CRIANÇAS PRIMEIRO! É uÓ, pobreza total! Se forem servir típica comida de mundiça, strogonoff de frango, me avisem, que eu vou embora.

– Como você sabe do strogonoff?  – Alice arregalou os olhos.

O boiola tapou o rosto com as mãos, não crendo.

Revirei os olhos e continuei.

– Jasper, Alice, Edward e Carlisle, pra fila nessa ordem. – Ordenei, e eles assim fizeram. Não pareciam ter se importado com a brincadeira, pois o que eu queria era dar o primeiro pedaço de bolo a Esme, só por ter trazido Edward à minha vida. E a fila foi preciso, já que eu não conseguia admitir minha verdadeira intenção.

Comecei a distribuição. Emmett ficou insatisfeito com seu pedaço e roubou o do suposto maconheiro. Por último, coloquei dois pedaços de bolo em pratos e servi meu Cullen e meu pai.


Edward Cullen - Bella's Lullaby


A comemoração prosseguiu, conversamos sobre como é ter 18 anos. EDIZNHU subiu pra se secar e trocar de roupa. Quando voltou, ao invés de se juntar a nós, estagnou na porta da frente e passou o dedo na sobrancelha, sinalizando que queria falar comigo. Sem chamar muito a atenção, fui até ele.

Caminhamos até o jardim. Me lembrei imediatamente de ele ter citado na noite anterior que precisávamos conversar.

– Vamos ter aquela tal conversinha? É sobre nosso namoro?  – Fiz careta, desanimada.

– Não, esperaremos até amanhã. Não quero estragar essa sua alegria.

– Então, por que estamos aqui?  

Ele se aproximou de mim. Minhas pernas tremeram levemente. Com o nariz, acariciou meu pescoço. Pisquei os olhos algumas vezes, sem conseguir respirar. Edward depositou alguns beijos na minha clavícula e seus lábios fizeram um torturante percurso até a orelha.

– Quero te dar o meu presente. – Sussurrou em meu ouvido.

Quem nessas horas quer presente? Eu queria era enchê-lo de beijos. Mas, me contive pra não deixar transparecer o desespero.

– Ok. – Respondi em um fio de voz.

EDZINHU deu um passo atrás, abrindo os braços.

– Vem buscar. – Sorriu torto.

ADOREI!

O abracei imediatamente com todas as minhas forças.

– Eu não podia ganhar nada melhor.

O babaca gargalhou.

– O que foi?  – Fechei a cara.

– O presente não sou eu.

– Ah... – Falei, me sentindo estúpida.

– Procura! Logo vai achar. – Disse, ainda com os braços abertos.

Colei meu corpo ao dele e minhas mãos invadiram o paletó escuro. Procurei nos bolsos e nada achei. Queria me concentrar, pois ele estava tão cheiroso que quase caí pra trás. Busquei também nos bolsos dianteiros da calça. Nesse momento, ele soltou uma risadinha maliciosa. Ignorei, partindo pra vasculhar os bolsos traseiros. E foi no esquerdo que achei uma pequena bolsinha de veludo.

– O que é isso?  – Como Edward não respondeu, desatei o nó e despejei na palma da minha mão o objeto prateado. – MEU DEUS! – As palavras saíram involuntariamente, quase deixei o cordão cair no chão.

– O que foi? Não gostou?  – Perguntou, em um tom preocupado. – Mandei consertar o fecho.

Atônita, acariciei o cordão com o pingente de estrela que fora da minha mãe. Toda a alegria que antes sentia, deu lugar a estranha sensação de deslocamento. Paralisei, sem conseguir pronunciar uma palavra. Era como se tudo tivesse ficado nublado. Ainda assim, o Cullen pegou a jóia de minhas mãos e a colocou em volta do meu pescoço. Logo depois, beijou a tatuagem com seu nome que eu tenho na nuca.

– Feliz aniversário, meu frango. – Murmurou.

Definitivamente, eu não estava preparada para aquilo. Espasmos violentos encheram meu peito de dor. Ofegante, olhei à minha volta, aturdida. Precisava ficar sozinha.

– Bella? – Meu namorado percebeu que algo estava errado.

Balancei a cabeça, tentando raciocinar. Minhas pernas, por vontade própria, se moveram e, quando percebi, já estava correndo para fora do jardim.

– BELLA, ESPERA!  – Podia ouvir a voz dele, clamando por mim. Infelizmente, explodi em reações desanexadas.

Olhei rapidamente para trás e vi um Edward confuso. Foi nesse momento que meu corpo se chocou contra algo, violentamente. Caí sentada. Assim que a breve tontura passou, olhei pra cima e embasbaquei.

– Jake? – Praticamente, cuspi o nome.

– Oi. – Ele acenou.


(Continua...)

***

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