O Contrato - Capitulo 12

Bella pov’s
Eu não adormeci completamente. Senti que alguém me carregava colocando-me em uma cama macia, talvez fosse ele. Ao abrir os olhos eu soube que realmente Edward tinha me tirado do sofá e me colocado no meu quarto. Levantei cambaleante, vi o horário em um relógio, era madrugada. Eu fui até o quarto de Edward em frente ao meu, trôpega, e bati a porta. Bati uma, duas, três vezes e então finalmente alguém me atendeu. 
Edward estava descabelado, a cara inchada de sono, lindo. Mas naquele momento de angústia eu não vi beleza, não vi nada. Entrei num átimo no quarto e passei a caminhar para lá e para cá. 
–Sabe que horas são? Eu preciso dormir. –Disse irritado, sentou-se em sua cama. Eu me aproximei, o rosto já tomado pelas lágrimas, e ajoelhei diante dele. Deitei minha cabeça em seu colo e chorei copiosamente.
Edward ficou imóvel.
–Por favor, me fala o que foi que eu fiz! Eu peço perdão mesmo sem saber! Fale-me, Edward! Eu peço perdão, eu peço perdão, mas pára com isso! –Exigi aos berros sem me importar se estava fazendo bobagem. Edward ficou parado sem oferecer nenhum consolo. E minha mente gritava fazendo perguntas sobre a situação. O que estava acontecendo? Eu estava vivendo um pesadelo? 
–Pára com isso Bella. –Ele murmurou. Eu o encarei. Sua feição estava perturbada. Parecia pena? O que eu via refletido naquele rosto? Antes que pudesse nomear o sentimento que parecia tomar Edward, ele mudou. Sua feição era fria, tão fria que recuei.
–Não fez nada de errado, Bella. Fui eu que fiz. –Disse. Eu levantei do chão e Edward fez o mesmo. Ele pegou minha mão e me levou para fora do quarto. Eu fiquei para fora e Edward ficou próximo a porta.
–O que você fez, Edward? –Perguntei com a voz falha. Eu PRECISAVA entender o que estava acontecendo. Edward olhou o chão e quando me olhou senti um golpe no peito. O seu olhar doía, queimava. 
–Eu me casei com você. Foi o meu erro. –Falou e então fechou a porta na minha cara. Eu fiquei parada, não sei por quanto tempo. Eu estava em choque. 
Isso não estava acontecendo.
Não podia estar acontecendo.
Eu não merecia sofrer.
Este não era o conto de fadas que eu havia planejado para mim.
Onde estava a minha fada madrinha?
“Pode ser só uma fase Bella. Edward vai parar com isso. Vai sim. Ele está confuso.” –Pensei tentando me consolar. Eu não deveria ter aceitado me casar tão rapidamente. Deveria ter pedido um tempo. Edward se precipitou e estava confuso. Mas logo ele perceberia que foi bom ter casado comigo. Eu mostraria para ele a partir daquele dia que foi a decisão mais sábia. Eu o faria enxergar. 
–Vai ficar tudo bem, Bella. –Disse para mim mesma e rumei para o meu quarto.
Eu esperei, esperei por esse dia.
Eu esperei...
–Você vai comigo para a empresa. –Disse naquela manhã do dia seguinte. Eu sorri.
–Obrigada. 
Foi à única coisa que ele falou.
Os dias foram passando...
–Aonde vai? –Perguntei vendo-o se arrumar. Era noite. Edward nem olhou para mim concentrado demais em ajeitar a gravata.
–Uma festa da empresa. –Disse.
–As esposas costumam acompanhar seus maridos em eventos como este, não é? –Comentei risonha. Edward virou-se para mim, com olhar frio, e disse curto e grosso:
–Não me acompanhará. 
Eu me refugiei em meu quarto, eu não chorava diante de Edward, mas ele sabia que eu chorava.
Eu voltei a trabalhar normalmente. Tentava sorrir, tentava me empenhar, eu conseguia, mas... 
Jessica estava sempre aérea para perceber minha depressão. Perguntava-me insistentemente sobre Edward e eu respondia com mentiras. Eu não poderia dizer o que se passava. Angela, porém, infelizmente estava mais consciente de mim. Ela sentia que eu não estava bem, perguntou inúmeras vezes o que estava acontecendo. Eu menti, mas ela não acreditou. No entanto ela não me questionou. Esperava que eu dissesse de livre e espontânea vontade, algo que não iria acontecer. 
Eu ainda esperava que Edward mudasse, mas isso não aconteceu. Ele me evitava, era frio, mal falava comigo. Chegava tarde em casa, as vezes não chegava, e nada dizia. Ele era um estranho pra mim. Eu viva em sua casa no meu mundinho, meu quarto. Eu passava mais tempo lá quando estava em casa. Uma forma de evitar sofrer, e chorar, era me refugiar lá. Falava com as empregadas, mulheres ótimas. 
Eu me fechei em mim mesma e não contei nada a ninguém. Eu não poderia.
Alice, logo após o casamento, viajou para a África com Jasper para cuidar de assuntos da empresa e para uma terceira lua de mel. Ela me ligou durante o tempo em que se ausentou. Eu não atendi as ligações. Eu não liguei de volta. Eu não poderia. 
Dois meses se passaram...
–Bom dia amiga! –Jess me cumprimentou. Eu entrei em nosso cubículo e sentei em minha cadeira ligando meu computador para mais um dia de trabalho. Eu era um zumbi, cheia de dor por que o homem com quem eu me casei o homem da minha vida me tratava como um lixo.
–A Angela veio agora a pouco aqui, queria falar com você. 
–Depois falo com ela. –Murmurei com a voz morta, algo que já fazia parte de mim.
–Ah você já alugou a sua antiga casa? –Jess perguntou mexendo em seu computador.
–Não. Por quê?
–Eu queria alugar. To cansada de ouvir meu pai reclamando toda vez que levo o Mike para lá. Quer dizer ele é meu namorado agora! –Falou emburrada. 
–Pode ficar lá se quiser. Deixei minha mobília lá. –Disse e após isso dei atenção ao meu trabalho. O silêncio que tomou nosso espaço foi quebrado por uma voz conhecida.
–Oie! –A voz soou. Virei-me rapidamente. 
–Alice? –Murmurei. Ela veio saltitando, linda em seu vestido Chanel verde oliva, em minha direção. 
–Você vem comigo! –Disse autoritária e saiu me puxando.
–Alice, eu preciso trabalhar! –Pedi. Ela me ignorou. 
–Vamos! 
Eu já deveria estar acostumada com o fato de que Alice não gostava de ser contrariada. Aprendi isto quando ela se encarregou dos preparativos de meu casamento.
...
–... foi ótimo e nós vamos ajudar algumas escolas da África. E aproveitamos para termos outra lua de mel. Ah, por que não retornou as minhas ligações Bella?
Eu mal ouvia a voz de Alice.
–BELLA! 
–Ah, oi. O que foi?
–Você está escutando o que eu estou falando? Está tão aérea! Eu aqui contando minhas aventuras na África com Jasper e você ai, parada.
–Desculpe Alice, qual foi sua ultima pergunta... Coisa que disse?
–Por que não me ligou ou atendeu minhas ligações? –Alice cruzou as mãos e apoiou seu queixo nelas. Eu olhei para minha comida intacta no prato. Era meu horário de almoço, estávamos no refeitório da empresa. Alice só bebia um chá e eu tinha um prato intocado na minha frente. 
–Eu liguei, mas estava fora de área quando eu ligava. –Menti. Eu nem tentei ligar.
–Sério? Que pena! Tipo em alguns momentos meu celular ficou fora de área mesmo. Mas me fale de você? Já falei muito sobre mim e você claramente não escutou. 
–Você deve ter falado com o Edward. Ele não falou como estamos? –Indaguei com os olhos em meu prato. Vi pela visão periférica Alice dar de ombros.
–Ele só falava que tudo está bem. Eu quero detalhes. Fala! –Alice pareceu concentrada em minhas palavras. Procurei ser fria, indiferente.
–Estamos bem. Agora eu vou voltar para o trabalho. –Levantei da mesa.
–Bella, você nem comeu! Fica!
–Lamento Alice, eu preciso ir. Até! –Segui meu caminho. Alice era esperta, perceberia a mentira e faria perguntas. Nunca fui boa em mentir, mas tenho mentido com freqüência, ocultando minha vida miserável por vergonha. 
–Ah, vai haver um jantar hoje à noite! Na minha casa. Vá com o Edward. Jasper quer ver você e ele. –Alice disse. Eu acenei de costas. 
O pior foi ouvi-la falando em como foi maravilhoso estar com Jasper. Foi ter inveja dela, desejar que o mesmo acontecesse comigo. Eu me sentia um lixo! 
Meus passos foram aumentando até que eu estava correndo. Correndo em direção ao banheiro. Eu ia ter uma crise e iria ser violenta. E como sempre as perguntas me assaltavam:
Por que comigo?
Por que eu?
Onde foi parar o amor que Edward sentia por mim?
Acabei no banheiro feminino após passar por diversas alas. Entrei em um compartimento e fiquei lá, sentada no chão, encolhida. 
Eu queria sumir, desaparecer. Lembranças dos últimos dois meses me assaltavam. Edward mal falando comigo, Edward e seu olhar frio, Edward me ignorando, Edward...
–Bella? Bella você está aqui? –Era Angela. Ela estava em frente ao local onde eu havia me refugiado.
–Merda. –Murmurei encolhendo-me mais na parede. Eu não queria ver ninguém, não quando estava arrasada. Ela bateu na porta do local do Box onde eu estava. 
–Bella, eu sei que está aqui. Eu vi você correndo para cá. Abre a porta, por favor. –Angela suplicou. Não sei o que me motivou, mas abri a porta. Não ousei olhar para Angela, eu veria pena em seus olhos. Eu vi uma vez pena nos olhos do Edward, em nosso segundo dia de casados. Eu ainda guardava aquele olhar de piedade. Eu odiava aquele olhar de piedade. Eu senti a porta sendo fechada, mas Angela não saiu. Ela ajoelhou-se a minha frente e ficou me olhando.
–Está acontecendo algo com você, algo muito grave. Tem haver com o Edward, não é?
Eu fiquei calada fitando o chão. Ela entendeu meu silêncio como um “sim”.
–Por que não nos contou, Bella? Somos suas amigas. Podemos ajudá-la.
–Como Angela? Não podem me ajudar. –Murmurei. –A não ser que... Que faça com que ele me ame e me aceite. Pode fazer isso, Ang? –Eu a olhei e vi seu olhar sobre mim. Pena, tristeza.
–Desde quando está tendo uma crise no seu casamento? –Ela perguntou. Já que Angela tinha me visto naquele estado deplorável, eu não vi motivos para mentir, não mais. 
–Desde o primeiro dia. Eu nunca dormi com ele como disse, nunca tivemos viagens nem nada. Eu menti. Tive que mentir. Eu não poderia contar que fui rejeitada na manhã seguinte, que Edward tem me desprezado. É muita humilhação. –Coloquei a cabeça entre as mãos e chorei copiosamente, de novo. Angela ficou calada, ainda de joelhos diante de mim, olhando meu sofrimento. Eu sabia que ela estava de mãos atadas. Ninguém poderia me ajudar. A única pessoa que poderia me livrar daquele sofrimento era Edward e ele não mostrava sinais de que iria fazê-lo. 
–Sabe por que Edward agiu assim? –Angela perguntou. Eu balancei a cabeça em negativa. 
–Não. Eu não fiz nada. Nada. –A voz falhava, as lágrimas caiam. –Eu nunca fiz nada, nada! Pensei que a culpa era minha, pedi perdão, mas o próprio Edward admitiu que eu nada fiz. Ele se arrependeu de casar comigo. Eu não deveria ter aceitado, foi tudo rápido demais! Mas eu queria tanto tê-lo pra sempre que... A culpa ainda é minha. 
–Ah, Bella. –Angela disse soando como um lamento. Abraçou-me. Fiquei encolhida em seus braços chorando. Eu não conseguia mais segurar, estava difícil. Já foi muito que eu fiz, guardando só para mim o meu sofrimento durante dois meses. O pior não era chorar diante de alguém, mas saber que meu ato não mudaria nada. 
–Até quando vai ficar só assistindo, Ang? Acho que já está na hora de contar. –Outra voz soou próximas a nós duas. Virei e vi de pé na porta Jessica. Fiquei surpresa, não imaginei que a veria. Jess tinha a cara amarrada, aborrecida com algo. Olhou brevemente para mim e voltou a falar com Angela.
–Acho que já esperamos tempo demais para contar. Não agüento mais ver a Bella agindo como um zumbi para aquele filho da puta! –Ela falou alterada. Eu a olhei, confusa, e então a ficha caiu.
–Você sabia, sabia que meu casamento não andava bem. Sabia que eu mentia quando eu respondia suas perguntas acerca do casamento. –Murmurei. Jess limitou-se a assentir. Era o pior. Se até alguém tão avoada como Jessica tinha percebido então todos da empresa sabiam. 
–Jess, acho melhor eu conversar com a Bella. –Angela falou enquanto afagava minhas costas. Jessica bufou.
–Acho que a Bella precisa de um choque de realidade para acordar e isso você não é capaz de fazer. É minha vez de fazer algo. –Jessica entrou e sentou diante de mim. 
–Pode não ser uma boa idéia contar agora Jess. –Angela murmurou alarmada.
–Contar o que? Do que vocês estão falando? –Perguntei confusa com toda a situação ao meu redor. 
–Serei breve por que enrolar não é comigo. Eu teria dito antes, mas a Ang achou que era melhor esperar. Bobagem ao meu ver! Enquanto você está aqui chorando por aquele cretino, culpando-se do fracasso do seu casamento, ele tá no maior amasso com a vadia da Tânia!
As palavras de Jessica foram como ser eletrocutada. Eu fiquei parada, os olhos arregalados. 
–O que? –Balbuciei. 
–Todo mundo tá comentando. Seu maridinho nem discreto é. Pega a Tânia e freqüenta casas de luxo que oferecem prostitutas. Achei que você sabia das traições por isso andava infeliz. O cumulo saber que você estava alheia a tudo enquanto todo mundo ria das suas costas. 
Eu não poderia acreditar. Não poderia. Sacudi a cabeça em negativa. Angela ficou apenas me olhando, notei pela visão periférica, e Jessica bufou.
–Francamente está na cara o que eu digo, mas se você precisa de provas então aqui está. –Ela retirou do bolso da calça jeans que usava o seu celular, mexeu nele por alguns instantes e me passou. A função vídeo estava ativada. Eu encarei por cinco segundos o visor até fazer meus dedos se mexerem apertando o botão “play”. Assisti ao vídeo com atenção. A medida que eu via as imagens e compreendia os fatos, as lágrimas caiam. Eu poderia negar aquilo, poderia, mas estaria apenas mentindo para mim mesma. Eu tinha mentido para mim tempo demais.
Lembro-me que as especulações de que Edward tinha algo com Tânia já circulavam muito antes dele me notar. Eu nunca dei ouvidos a elas apesar de estar tão obvio. Mesmo agora eu queria negar, era mais fácil negar e seguir em frente do que saber que chorei, sofri e me desesperei por nada. 
Nada.
Essa palavra tornou-se parte de mim. Eu não era nada para ele, eu era um nada! Mas pior do que não ser um nada para a pessoa que você ama, é descobrir que você é a única. 
No vídeo eu via Edward entrando em um motel de luxo. Só consegui ver quem estava no carro com ele na segunda parte da gravação, vendo Tânia pelo outro lado. Era o seu carro, era a placa do carro, era Edward. 
Entreguei em silencio o celular a Jessica. Fiquei parada, completamente parada.
–Eu sabia que ela ia surtar. Não deveríamos ter falado desse jeito. –Angela se lamentou afagando minhas costas. 
–Não deveríamos falar uma ova! –Jessica esbravejou. Eu estava alheia a tudo remoendo o ódio que surgia com uma potencia incapacitante, intoxicante. O amor tão puro, tão forte que sentia por ele esvaindo-se pela ponta de meus dedos, caindo em um precipício junto com a Bella amorosa que sempre fui. Lágrimas brotaram de meus olhos, mas estas lágrimas eram diferentes. Eu nunca havia chorado de raiva até agora. Eu queria trucidá-lo com minhas próprias mãos e mesmo assim não seria o suficiente para que ele pagasse pelos dois meses de sofrimento. Não era...
–Bella, se você for ficar catatônica pelo menos avisa! –Jessica disse enquanto me sacudia. Engraçado, eu não havia percebido que as duas me sacudiam. 
Eu comecei a rir; não rir, mas a gargalhar. Alto demais. Eu estava tendo uma crise histérica enquanto meus olhos insistiam em despejar lágrimas. 
–Vixe, a garota pirou. –Jessica disse.
–Culpa sua! –Angela falou. –Bella, recomponha-se, por favor! –Implorou. 
–Não se preocupe, eu estou bem. Melhor do que imaginava. Perto das dores que senti nos últimos dois meses, saber que estava sendo chifrada não é nada. –Dei de ombros. As duas me olhavam como se eu estivesse louca. –Eu preciso ficar sozinha um pouco. É melhor vocês irem para o trabalho ou levarão bronca. 
–Não sei se é uma boa idéia. –Angela murmurou.
–Eu vou ficar bem meninas. Obrigada por tudo. –Sorri. Meu sorriso as deixou mais alarmada. Jessica foi a primeira a se levantar pegando Angela pelo braço.
–Melhor nós irmos. Ela vai ficar bem. O pior já passou. 
Eu não as vi sair. Fiquei sentada no chão olhando para o piso. Pensando no que deveria fazer. Eu precisava desforrar, eu tinha que fazê-lo pagar. Havia muitas formas de fazê-lo pagar, mas eu só conseguia pensar em uma: matá-lo!
...
–TÁ LOUCA MULHER? NÃO PODE MATÁ-LO! –Jessica gritou. Eu a olhei, reprovadora. 
–Por que não? –Perguntei enquanto continuava com o meu trabalho.
–Por que eu serei cúmplice. Além disso, eu não quero ficar desempregada. –Sorri. Jessica iria pensar em si mesma ao invés de pensar em Edward. Adorei isso. 
–O que sugere? Que eu peça separação? –Zombei. 
–Claro que não! Eu sugiro um belo par de chifres nele! –Jess tinha um olhar diabólico.
–Ele não vai ligar. Tenho certeza. –Não consegui mascarar a dor na minha voz. Eu ainda estava muito machucada embora agisse normalmente. 
–Ele é uma pessoa publica. Não será nada bom para ele se a esposinha estiver com outro. Isso irá atingi-lo Bella. E eu posso ajudar. Sabe posso lhe dar uns toques para tornar a vingança saborosa. –Jessica tinha um brilho no olhar, acho que queria se vingar do Edward não por mim, mas por que ele nunca deu uma chance a ela. Não importava. Eu não precisava de ajuda para a vingança, apenas precisaria de um incentivo para não fraquejar. Jessica era um ótimo incentivo.
–Não quero saber de vingança, quero apenas recuperar o tempo perdido. Vivi tempo demais como uma ameba... Jess, que tal sairmos para algum lugar, só nós três? Angela, você e eu? –Perguntei sabendo sua resposta antes mesmo que ela pronunciasse algo. 
–Fechado! Mas vamos dar um jeito em você. Você não vai molambenta por ai nem pensar! ^
–Ah Jess faça o que você quiser! Eu não ligo.
–Que bom então vamos a uma boutique assim que sairmos daqui do trabalho, eu vou produzi-la. Vamos a uma boate que inaugurou semana passada, você vai amar!
Jessica ficou a falar, refinando seus planos. Eu não dei muita atenção imersa no trabalho diante de mim e no ódio que me consumia. Temia o que pudesse fazer caso o visse, poderia obliterá-lo ignorando a lei. Não, aquele maldito não merecia nem a morte. Eu precisava pensar; pensar em uma forma de atingi-lo. Eu iria atingi-lo. 
Sorri ante a expectativa de humilhá-lo. 
Edward pov’s
Dormir era bom, as preocupações desapareciam temporariamente. Os aborrecimentos também. Batidas me despertaram. 
–Merda! –Murmurei. Eu estava tão cansado! Quem poderia estar me incomodando? Abri a porta lentamente e me surpreendi ao vê-la de pé. A irritação por ter despertado me tomou. 
–Sabe que horas são? Eu preciso dormir. –Disse irritado. Ela entrou e passou a andar para lá e para cá, nervosa. Ainda vestia o hobby branco que cobria a pele. Procurei não olhá-la muito naqueles trajes diminutos. Sentei na cama. Ela iria começar a falar. Talvez pedisse p divorcio. 
Claro que Bella ia me surpreender. 
Veio até mim, caiu de joelhos e deitou sua cabeça em meu colo. Fiquei atônico diante da cena. Ouvi seu choro baixo que se intensificava. 
–Por favor, me fala o que foi que eu fiz! Eu peço perdão mesmo sem saber! Fale-me, Edward! Eu peço perdão, eu peço perdão, mas pára com isso! –Exigiu descontrolada. 
Não consegui fazer nada. Enquanto digeria a cena lamentável diante de mim, o remorso me atingiu com forma incapacitante. Eu poderia contar a verdade, ou poderia dar o que ela queria. Não seria ruim para mim ceder, desde que me precavesse com um preservativo estaria tudo bem. Não, eu não poderia correr o risco. Implicaria em uma magoa muito mais profunda no futuro. Ao menos, quando tudo acabasse, eu poderia dizer que fui nobre o suficiente a ponto de não tocá-la. 
–Pára com isso Bella. –Murmurei. Ela me encarou com uma expressão aturdida. Procurei mascarar a pena que sentia. 
–Não fez nada de errado, Bella. Fui eu que fiz. –Disse. Ela levantou, fiz o mesmo. Peguei sua mão e a guiei para fora do meu quarto. Minhas palavras iriam doer e na manhã seguinte eu não me surpreenderia se ela me pedisse divórcio e me mandasse à merda. 
–O que você fez, Edward? –Perguntou. Olhei o chão pensando se deveria dizer, conclui que era o melhor. 
–Eu me casei com você. Foi o meu erro. –Falei e fechei a porta diante de uma Bella em choque. Pronto, estava feito. 
Sentei na cama sentindo algo estranho, aquele sentimento de um erro indesculpável. Eu não deveria ter agido assim, eu não deveria tê-la escolhido. Seria muito mais fácil se ela fosse uma vadia interesseira. Bella não era. E verdadeiramente não merecia ser magoada. 
“Vai ficar tudo bem. Ela provavelmente vai me deixar.” –Eu pensei, mas este pensamento em nada me confortou. 
E os dias foram passando...
Ela não fez nada. 
Pelo amor de Deus por que ela não me deixava? Eu estava sendo tão frio, rude, eu merecia no mínimo uma bofetada! Mas não. Bella era sempre amorosa, tentava sempre estabelecer uma conversa, tentava não incomodar. Como alguém poderia ser assim? Mesmo o remorso me atingindo, eu não deixei de cumprir meu papel. Continuei a ser terrível com ela. Ela não reagia diante de meus ataques de insensibilidade, mas eu sabia que ao anoitecer chorava. 
Quando Bella dormia, eu entrava em seu quarto e oferecia o único conforto que poderia oferecer a ela: eu a cobria melhor e enxugava suas lágrimas com a ponta de meus dedos. A dor dela se tornava a minha e esse era o principal motivo para eu passar mais tempo fora de casa.
Tânia me servia os prazeres que eu não tinha com Bella, mas era a única coisa que pedia a ela. As conversas com Tânia estavam escassas, isso por que ela adorava dizer coisas maldosas sobre Bella quando estávamos juntos. Eu não gostava.
–Nossa já viu a tal de Bella pela empresa? Parece um zumbi. Nunca me diverti tanto! –Ela disse na cama. Eu fumava um cigarro. Eu a olhei com raiva.
–Cala a boca Tânia! –Disse. Ela me olhou incrédula.
–O que foi? Tá criando afeição pro aquela coisa? –Ela perguntou ofendida. Bufei. Levantei-me vestindo as roupas que havia tirado. Eu não ia dormir com ela, era preferível uma prostituta.
–Hei Edward, aonde vai? –Ela perguntou. 
–Procurar outro lugar para ficar. –Foi tudo o que eu disse antes de sair de seu apartamento, seguindo para o primeiro prostíbulo de luxo que encontrei.
Algo estava se operando em mim e eu temia isso. Quando via Bella sofrer, quando a via fingindo estar feliz diante de mim só para não me aborrecer... Eu me sentia um lixo! Como pude escolhê-la? Eu deveria ter percebido o quanto era boa, deveria ter percebido que ela era a pessoa errada para magoar. Teria sido mais aceitável da minha parte falsificar o testamento. 
Alice viajou para a África com Jasper após meu casamento. Ela viajou em parte por minha culpa, ela não queria ver o que sabia que veria quando o dia seguinte chegasse para Bella e eu. Ela ligou algumas vezes para mim, perguntava sobre Bella, queixava-se que Bella não atendia suas ligações.
–Ela está bem Alice. –Eu dizia numa voz monótona. 
–Vai à merda Edward! Não acredito em você! –Ela gritava do outro lado da linha. Alice não poderia fazer mais nada por Bella e ela sabia disso, por isso ela estava mais e mais furiosa a cada ligação. Se ela contasse a verdade Bella iria odiá-la por não ter dito antes, iria me odiar por tê-la usado. Pediria o divórcio a ainda sim eu iria lucrar.
O pensamento não me encheu de felicidade como outrora. Vê-la sofrer já não era divertido, era uma tortura. Certamente eu tinha carimbado meu passaporte para o inferno por fazê-la sofrer. Eu não iria reclamar se eu fosse tomar chá com o capeta, estava merecendo coisa pior. 
Dois meses se passaram
–Você está sendo o assunto da empresa, sabia? –Tânia comentou. Eu não tirei os olhos do computador.
–Por quê? 
–Por que você se casou com uma anta que não percebeu que você a está chifrando. 
Ignorei. Quanta besteira! Eu não estava nem ai se era o assunto de fofoca dos funcionários eu se já estava ficando obvio que Tânia e eu tínhamos um caso. Eu não procurei mesmo esconder que eu a pegava.
–Tânia qual a próxima coisa da minha agenda? –Perguntei. Ela olhou a agenda em suas mãos.
–Almoço com uns sócios no restaurante francês de sempre. As reservas já foram feitas. Aliás, já passou do horário do almoço, mas você está com tempo de sobra. 
–Ótimo. Levantei da minha poltrona, e naquele momento... A porta se abre.
–EDWARD! –Alice gritou. Ótimo.
–Hmmm eu acho que vou esperá-lo no estacionamento. –Tânia murmurou e seguiu toda cheia de pose para fora, ignorando o olhar de ódio que Alice lhe desferiu. Ela lançou, após a saída de Tânia, seu ódio para mim.
–SEU DESGRAÇADO!
–Boa tarde Alice. É bom vê-la após dois meses. Como foi na África? –Perguntei cheio de deboche sentando-me na poltrona. 
–Eu estava conversando com a Bella. Ela tá um lixo! Nunca a vi mais deprimida. Edward, eu sabia que você era ganancioso, mas esperava que deixasse isso de lado para dar a ela algo mais que tristeza.
–Olha Alice não me vem com sermão não! Você sabia que isso iria acontecer, deveria ter contado a verdade. Por que não contou? –Lancei para ela um olhar de acusação. Ela tinha a sua parcela de culpa na historia. Alice calou-se e fitou o chão.
–Eu esperava que você não cometesse o mesmo erro do nosso pai. Você viu como nossa mãe sofreu e odiou nosso pai por isso. E agora age como ele agiu. Eu estou muito decepcionada com você. –Ela murmurou. A veracidade em suas palavras me deprimiu.
–Você não é a única. Tem muita gente decepcionada comigo, até eu mesmo. –Levantei. –Eu tenho trabalho.
–Jantar na minha casa as oito. Leve-a, não custa nada. –Os olhos de Alice pediam. Eu concordei.
–Estarei lá e Bella estará comigo. –Disse enquanto saia.
...
Eu estava avoado, nada que alguém percebesse. Pensei no jantar, em convidar Bella e comprar algo bonito para ela usar. Um pouco de felicidade não faria mal aos dois. Após o almoço, deixei Tânia na empresa. Ela me fez perguntas, para onde eu iria. Disse que iria para casa rapidamente. Ela sabia que eu estava mentindo, mas nada disse. Fui a uma boutique cara, comprei um vestido azul até os joelhos para Bella e sapatos brancos. Bella não era nada vaidosa, mas certamente iria gostar do meu presente. Procurei esconder os embrulhos no carro. Se Tânia visse e soubesse que era para Bella ela iria me infernizar.
Mais trabalho. Será que o dia seria tão atarefado? E foi. Fiz tudo sentindo a impaciência me tomar. Eu não via Bella desde manhã, queria logo contar a ela que iríamos jantar com Alice. Provavelmente Alice já havia dito, mas Bella deveria estar pensando que eu não a levaria. 
“Ela vai ficar contente. Desde o casamento eu nunca a presenteei ou a levei para algum lugar.” –E era verdade. Bella não fazia questão de presentes, mas eu sabia que desejava sair comigo. Algumas vezes sai para eventos promovidos pela empresa. Bella, como minha esposa, deveria me acompanhar e ela sabia disso. Ela jogava indiretas, desesperada para que eu a levasse, mas eu não levei e fui ríspido. Eu poderia compensar agora, ou talvez compensá-la mais vezes. Não ia tirar o pedaço se eu passeasse com ela. 
E Tânia veio até mim ao final do expediente toda risonha.
–-Vamos para o meu AP amor? –Ela perguntou abraçando-me Eu a beijei rapidamente sem nenhuma vontade.
–Tenho um jantar com Alice. Depois. –Disse afastando-a de mim já seguindo para o estacionamento. Já eram sete horas. Olhei para o espaço que Bella ocupa, mas não havia ninguém lá. Estranho. Geralmente Bella me espera. Enquanto seguia para o estacionamento eu olhei todos os cantos, mas não a encontrei. 
“Será que foi para casa? Geralmente ela me espera. Uma das poucas coisas que faço por ela é levá-la e trazê-la do trabalho. Liguei para o seu celular, algo que nunca fiz até então. Ninguém atendeu.
“Deve ter ido para casa.” –Pensei e rapidamente entrei no carro. Rapidamente cheguei ao meu apartamento. 
A primeira coisa que estranhei é que o apartamento estava em silencio. Procurei pelas empregadas, mas não as encontrei. 
“Devem ter ido embora.” –Segui para o quarto de Bella, deveria estar lá. Em minhas mãos o que comprei para ela. Sorri em antecipação ao sorriso dela. Abri a porta.
–Bella. –Chamei procurando não demonstrar muito entusiasmo. Eu não poderia esquecer de agir com frieza, mesmo quando meu estado de espírito era diferente. Quando a vi entrei em choque. 
Subia o zíper de uma de suas botas de cano médio. Os cabelos cor de mogno penteados e presos num rabo de cavalo. Estava maquiada, muito bem maquiada, algo incomum. Usava uma saia preta de pregas preta e uma camisa branca de mangas compridas colada ao corpo. Ela me ignorou enquanto ainda calçava a bota. 
Eu não sabia o que pensar, eu nunca a vi com roupas tão ousadas antes. Ele ficou ereta e virou-se para me olhar. Seu olhar era diferente, mortos. Nunca a vi lançar um olhar tão indiferente. 
–Então Alice deve ter falado do jantar, mas não acho que deveria ir com estas roupas. É inadequado. –Resmunguei, mas verdade seja dita eu não estava incomodado com as roupas, mas com o que elas provocavam em mim. Excitação. 
Ela veio caminhando em minha direção e parou a centímetros de mim. Inclinou-se e aproximou seus lábios de meus ouvidos. Sussurrou:
–Aproveite o jantar. –Disse e senti um arrepio perpassar todo o meu corpo. Eu fiquei paralisado enquanto ela passava por mim. Só consegui me mexer quando ouvi a porta da sala ser ruidosamente fechada.

4 comentários :

AAAAAAAAAAAAAAAAA que legal...amei a atitude de Bella, Natália vc foi demais...estou mais que anciosa para a continuação...bjuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Dinha
16 de fevereiro de 2012 20:18 comment-delete

Uii....

17 de fevereiro de 2012 00:09 comment-delete

aaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
a fanfic esta devolta amei

Anônimo
17 de fevereiro de 2012 22:16 comment-delete

rsrsrs, e vamos postar ainda mais.

17 de fevereiro de 2012 22:58 comment-delete

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