Kiss Me II - Capitulo 8


Capítulo 8.


Durante o tempo em que ficou ali, minha mãe fez questão de deixar bem claro que achava horrível uma noiva entrar barriguda numa igreja. Não era exatamente algo que eu pudesse optar, certo? Acho que meu bebê não nasceria prematuro apenas para eu poder estar com uma silhueta fina no altar.

Em determinado momento, Rob, Tom e meu pai ficaram bebendo e conversando na sala e eu fui me deitar, colocar um pouco os pés para o alto. O silêncio do meu quarto foi quebrado quando minha mãe entrou, batendo de leve na porta e vindo se juntar a mim na cama.

- Atrapalho?
- Não, mãe.

Por que ela fazia essa pergunta? Passava pela cabeça dela que um dia eu diria “sim, atrapalha”? Ela deitou ao meu lado e esticou as pernas da mesma forma que eu.

- Como se sente, Kristen?
- Estou bem.
- Feliz?

Minha mãe estava com algum problema? Sério, não eram perguntas que precisavam mesmo de respostas. Já era de se esperar, não é? Olhei-a franzindo a testa e revirei os olhos depois.

- Lógico que sim, mãe! Como não estaria?
- Eu não sei, por isso perguntei. Na sua idade e com sua vida profissional ainda se consolidando, seria normal que estivesse assustada com a gravidez.
Ela até tinha um pouco de razão nisso, mas era passado. Alisei minha barriga e relembrei os dias que sucederam a descoberta da gravidez. Realmente não tinha sido fácil nem para mim e muito menos para Robert, mas agora... parecia que já estava escrito nas estrelas.

- Eu entendo, mãe. Só que nós dois já passamos por essa fase do medo. Robert e eu estamos ainda mais unidos, sabe?
- Sei, claro. Quando a relação é sadia, uma gravidez só contribui ainda mais.
- Rob é perfeito. Ele faz tudo que está ao alcance dele para me agradar, para me deixar bem. Eu não poderia querer nada mais do que isso.

Minha mãe pousou uma mão sobre a minha, que alisava a barriga e me olhou de jeito cálido. Por mais que ela às vezes não soubesse o limite das coisas, ainda assim eu me sentia feliz e segura, por saber que sempre teria seus braços para correr.

- Eu estou feliz por você estar feliz, querida. Tenho certeza que os dois serão ótimos pais.
- Obrigada.

Não lembro o restante da conversa, só sei que quando acordei já era outro dia e só tinha Robert ali. Ele estava dormindo todo torto, com o rosto grudado perto do meu umbigo e as mãos no meio de suas pernas. Parecia um feto também.

- Amor? Preciso levantar...

Acordei-o delicadamente, fazendo cafuné do jeito que o fazia se derreter. Ele emitiu um grunhido e se mexeu na cama, abrindo os olhos verdes mais lindos do mundo.

- Bom dia, princesa. E bebê.

Rob deu um beijo em minha barriga e levantou bocejando. Eu ainda não conseguia entender como tinha conseguido esse homem.
[...]
Três semanas se passaram e quase não se deu para perceber. Tudo porque todo o tempo que tínhamos livre, nós usávamos com os preparativos do casamento e com compras para o bebê. Era preciso correr com as coisas, se eu quisesse entrar na igreja vestindo no máximo manequim 40 e quando finalmente chegou a semana tão esperada, eu comecei a entrar em pânico.

- Baby, estou te sentindo estranha... Está tudo bem, certo?

Robert perguntou quando eu resolvi mudar a disposição das mesas da nossa recepção pela 5ª vez. Eu apenas não conseguia me decidir quem colocar sentado com quem. Sempre achava algum buraco ou alguma combinação perigosa.

- Eu estou bem, Rob. São só essas mesas... Não está dando certo.
- O que não está dando certo, Kiki? Veja bem, da primeira vez já estava certo.
- Não, não estava. E além disso, o que são aquelas flores que eu escolhi para a cerimônia? Horríveis! Não combinam com meu vestido, não combinam com meu buquê... Ou você acha que eu devo trocar de buquê?

Ele abriu a boca para falar, mas eu interrompi, pois já sabia do que se tratava. Homens são todos iguais.

- Já sei, você vai dizer que eu devo é trocar de vestido. Rob! Já estamos em cima, não posso ousar fazer isso!
- Eu posso tentar falar?
- É bom, né? Ficar calado não está ajudando...
♪ Hey There Delilah ♪
Meu noivo sorriu daquele jeito lindo que iluminava seu rosto e me fazia voltar à adolescência, como se o garoto mais popular do colégio sorrisse para mim. Hormônios, o que fizeram comigo?

- Kiki, pare de se preocupar tanto com os detalhes. Vai dar tudo certo, vai ficar tudo lindo.
- Como você pode ter tanta certeza, Rob?
- Porque eu simplesmente sei. Como algo pode ficar ruim com você presente?

Estranho ele estar fazendo isso, pois com certeza não haveria sexo. Rob tirou o fichário do casamento de minhas mãos e o colocou sobre a cômoda. Depois voltou e ajoelhou-se diante de mim, beijando minhas mãos com tanta calma que poderia me fazer dormir.

- Tudo que me importa no dia, é que você esteja lá, caminhando na minha direção, Kiki. O casamento á para nós, não para os outros.
- Mas eu...

Ele calou minha boca com um dedo e balançou a cabeça negativamente.

- Sem “mas”. A arrumação das mesas será essa e as flores continuarão as mesas. Assim como o buquê e o vestido.

Suspirei, cansada, sentindo-o empurrar de leve meu corpo até que eu estivesse completamente deitada. Robert veio subindo em cima de mim e beijando cada pedaço do meu corpo como se fosse um objeto sagrado.

- Eu te amo tanto... Pare de surtar e case-se comigo, ok?
[...]
Na contagem do calendário, faltavam exatamente três semanas para o casamento. Estava uma correria que envolvia decoração, escolha de cores, tecidos e comida. Um dos problemas também estava sendo manter tudo em segredo o máximo que conseguíssemos para evitar a chuva de paparazzis no dia do casamento.

Eu e Robert optamos por fazer a cerimônia religiosa no mesmo local da festa, evitando assim maior exposição. Sim, porque se antes já era um deus nos acuda por causa da notícia do nosso namoro, agora então com o casamento estava mil vezes pior. Os fãs surtavam e a imprensa comemorava a cada nova foto.

- Amor, se não sairmos agora de casa iremos nos atrasar. Você está linda, Kiki. Não precisa se arrumar tanto.
- Eu já vou!

Ele sempre usava essa de eu estar linda apenas com a intenção de me apressar. Terminei de passar um gloss para tirar minha expressão de defunto e saí do banheiro. Nós estávamos indo fazer a prova do bolo do casamento e eu esperava que pudéssemos concordar no sabor rapidamente.

- Podemos ir, mas já aviso que estou um pouco enjoada, pode ser que não consiga provar os sabores.
- Essa criança vai ser um nojo para comer, porque eu nunca vi grávida para enjoar tanto como você.
- E você conhece muitas grávidas desde quando, Rob?
- Bem... Ok, deixa para lá.
Quando saímos de casa notamos que estávamos sendo seguidos por algum paparazzi e Robert precisou despistá-lo pelo trânsito para que ficássemos livres. Ao chegarmos na confeitaria, estacionamos na rua de trás para entrarmos pelos fundos, tudo em nome do anonimato.

- Eles conseguem cansar qualquer pessoa quando querem... Insuportável!
- Tarde demais para reclamar, amor. É um fardo que tem que carregar por ser tão gostosa.

Rob beijou minha mão como costumava fazer sempre e sorriu para mim quando nos sentamos.

- Boa tarde, Kristen, Robert.

A dona do buffet nos recebeu super bem e começou a nos mostrar o cardápio que estava montando para o dia D. Alguns minutos depois, começaram a nos servir os sabores para escolhermos o bolo. Robert gostou logo do primeiro, de nozes com baba de moça, mas eu detestei.

- Isso é por que realmente não gostou ou por causa do enjôo?
- Não sei. Acho que não gostei mesmo.
- Mas você adora nozes!
- E daí? Não gostei do bolo, Rob.

Ele me olhou torto e puxou o próximo prato para a outra prova. O bolo da vez era bonito, com recheio de ameixa com doce de leite e a aparência realmente estava apetitosa. Quando coloquei o primeiro pedaço na boca, quase tive um orgasmo.

- Maravilhoso!
- Uma merda.

Ok, aquilo não ia mesmo dar certo pelo visto. Nós nos olhamos e cruzamos os braços, sem mudarmos nossas opiniões.
Me senti naqueles filmes de faroeste, onde um pistoleiro encara o outro a distância e com a mão no coldre para sacar a pistola a qualquer momento.

- Rob, eu estou carregando o seu filho. Nada mais justo que deixar eu escolher o sabor que quero, não acha?
- Não, pois tenho certeza que até lá você vai estar na neurose de não querer engordar mais ainda e vai acabar não comendo o bolo.
- Como assim “engordar mais ainda”? O que você quis dizer com isso?

Mas eu só faço merda mesmo. Tinha que tocar nesse assunto tão sensível numa hora dessas? Kristen agora me encarava como se estivesse prestes a pular em meu pescoço e me esfaquear.

- Não quis dizer nada em especial, Kiki. Podemos provar o outro bolo?
- Não, não podemos. Você acha que estou gorda demais, Rob?
- Não, amor. Você nem sequer engordou ainda.

Ela fechou a cara e seus lábios começaram a tremer, antecipando um choro que estava por vir. Era tudo que eu não queria e que todos os homens sempre faziam o possível para evitar. Choro de mulher e pior, de mulher grávida.

- Rob, por essa eu não esperava. Tentar consertar é uma coisa, mas mentir assim descaradamente já é demais.
- Eu não menti, Kiki.
- Eu engordei 5kg, Robert! Como você me diz que eu nem engordei nada ainda?

E desde quando eu notava a diferença de malditos 5kg. Engordar para mim é quando a pessoa ganha mais de 20 cacete!

Ele empurrou o prato do bolo que eu tinha gostado na minha direção e eu funguei.

- Amor, para mim você continua a mesma perfeição de antes, ok? E vamos resolver isso logo. Ficaremos com o que você gostou.

Pelo menos para alguma coisa meu choro serviu.

7 comentários :

Continue, por favor! Está muito boa essa fic!!

Anônimo
10 de fevereiro de 2013 13:48 comment-delete

Cade a continuação?

Ana
25 de julho de 2013 04:49 comment-delete

Por favor continue com a fic
eu to curiosa por favor?

Anônimo
1 de agosto de 2014 12:55 comment-delete

Continuaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!

Anônimo
20 de agosto de 2014 18:00 comment-delete

Por favor continue escrevendo essa e a melhor historia que eu já li.😊😃😉

Anônimo
12 de setembro de 2014 13:44 comment-delete

Tem continuacao? Por favor preciso de uma continuacao

27 de outubro de 2014 14:06 comment-delete

Amo está fic cade a continuação?

29 de junho de 2016 12:01 comment-delete

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