Kiss Me II - Capitulo 4


Capítulo 4.


Droga! Eu tinha dito que não ia chorar e agora estava molhando minha blusa com as lágrimas que pingavam. O médico gostoso me olhava com pena e Robert me olhava assustado. Virei atração de circo e isso que ainda nem estava redonda! OMG, vou morrer!

- Você está bem, Kiki?
- Sim.
- É normal isso, fiquem sabendo. Os hormônios de Kristen estão sofrendo reviravoltas e é tudo novo para ela. Ou seja, extremamente normal sentir medo, achar que não será boa mãe, se achar feia, gorda e...

Gorda? Ele disse que estou gorda? É o fim do mundo, salvem-se! Chorei ainda mais e alisei minha barriga que até então era lindamente reta. Quando comecei a pensar quantas roupas iria perder, a depressão aumentou. Eu amava minhas calças de cintura baixa...

- Então nós voltamos quando o exame estiver pronto, certo Dr.?
- Exatamente. Basta ligarem e marcarem o horário do retorno. E Kristen, qualquer coisa, qualquer dúvida, é só me ligar. Não importa o horário, eu sou obstetra também e caso ainda não tenha um...

O gost... digo, médico, me entregou um cartão com quatro números diferentes de telefone. Eu iria decorar todos eles!
Eu e Rob saímos do consultório em silêncio. Ele provavelmente estava com medo de mim e dos meus ataques, não posso culpá-lo, já que quando ele me olhou dentro do elevador eu voltei a chorar.

- Nós iremos passar por isso juntos, você sabe, né?
- Sei. Mas é medonho...
- Eu estou do seu lado, Kiki. Para qualquer coisa amor.

Ele me beijou na testa quando chegamos no carro. A volta para casa foi silenciosa e eu estava com minha mente trabalhando sem parar. Tinha tanta coisa para ser feita antes que minha barriga desse as caras. OMG, tinha um casamento! Eu não podia casar de barrigão! Nunca!

- Vamos antecipar o casamento para mês que vem no máximo, ok?
- Tem certeza?
- Eu tenho, mas você me parece que não. O que foi, prefere adiar? Pode ser sincero, Rob!
- Deus, Kiki! Controle seus hormônios! Só estou perguntando para que você não faça nada precipitado.

Eu estava mesmo insuportável. Depois que o gás passava eu me arrependia do que fizera ou falara. Será que seria assim durante nove malditos meses? Nós chegamos rápido em casa e eu fui deitar um pouco. Estava me sentindo enjoada e não queria ter que vomitar pela 3ª vez no dia.
[...]
Acordei com o apartamento extremamente escuro, já que a noite tinha caído e as luzes estavam apagadas. Sentei-me na cama e não encontrei Rob pelo quarto. Já ia ligar para ele, quando ouvi a porta da sala bater.

- Acordada?

Rob apareceu no quarto, com a mesma roupa que usava mais cedo e um dos braços para trás do corpo. Meu olhar foi direto naquela direção e ele sorriu quando percebeu minha curiosidade.

- O que é isso?
- Eu saí para dar uma volta enquanto você dormia e parei pelo caminho...
- Para...?

Ele então entrou pelo quarto e veio sentar ao meu lado na cama, exibindo o que segurava na mão. Fiquei sem reação quando vi uma caixinha transparente, com um sapatinho branco e minúsculo dentro. Mordi meus lábios e fiquei apenas olhando para aquilo.

- Sabe, precisamos começar de alguma maneira, não é?
- Rob...

E lá fui eu chorar de novo.

Eu já sabia que ela ia agir daquele jeito. A verdade é que quando eu parei para abastecer o carro e vi a loja de bebês do outro lado da rua, não me contive. Fui atraído até lá e comecei a imaginar meu filho dentro de roupas como aquelas.
Depois de ficar uns 5 minutos apenas chorando enquanto Rob me acariciava a cabeça, eu finalmente parei e enxuguei minhas lágrimas. Ele me entregou a caixinha tão pequena e eu a peguei com as mãos trêmulas. Era lindo.

- Comprei branco por não sabermos o sexo ainda. Mas eu tenho lá minhas teorias de que será menina.
- De onde você tirou isso?

Ele deu de ombros e passou uma mão pelos cabelos, sorrindo do seu jeito perfeito.

- Não sei, apenas... sinto que será. E vai ser parecida com a mãe.
- Hum, ou seja, feia e gorda.

Rob revirou os olhos e me beijou na bochecha, levantando da cama em seguida.

- Viu só? Você já nem sente mais atração por mim! Não me beijou na boca!
- Kiki, eu não te beijo o tempo todo na boca, amor...
- Não importa...

Ele começou a rir - não imagino do que - e foi tirando a blusa enquanto voltava na minha direção. Comecei a me lembrar do streap-tease que Rob tinha feito para mim alguns meses atrás, numa época tão gostosa de nosso namoro.

- Você acha mesmo que não me atrai, Kristen Stweart?
-> Jason Mraz -I'm Yours

Ele era incrivelmente fofo e lindo. Eu ia me casar com o melhor homem do mundo! E ainda ia ser mãe! Ok, meus hormônios estão me matando mesmo!

- Eu te amo, sabia?

Rob falou, apoiando um braço de cada lado do meu corpo e curvando-se para me beijar. Na boca dessa vez. Sua língua brincou carinhosamente com a minha enquanto nossos corpos iam deitando sobre o colchão. Em poucos segundos ele estava em cima de mim e eu acariciava seus cabelos perfeitos.

- Eu prometo te fazer sempre a mulher mais feliz desse mundo, Kristen Stweart. E se for preciso fazer um menininho ou uma garotinha, felizes também, assim será.
- Rob, eu quero transar e vou acabar chorando de novo assim.
- Amor, você já está chorando!

Ele riu e beijou meus olhos, segurando meu rosto entre as mãos e depois me olhando de um jeito apaixonado, que me fazia realmente me sentir não apenas a mulher mais feliz, como também a mais sortuda do mundo.

- Mesmo quando eu estiver com o barrigão, você vai continuar me amando?
- Há alguma dúvida, princesa?

Eu sorri e envolvi seu pescoço com meus braços e seu quadril com minhas pernas. Precisava aproveitar enquanto podia fazer essas acrobacias, né?

- Além disso, você vai ser a mãe mais linda que já existiu!
- Não força, Rob.
- Sou coruja, dá licença?

Era para eu ter beijado aquela boca gostosa depois de todas esses elogios, mas só o que consegui fazer foi empurrá-lo e correr para o banheiro. Eu ia morrer de tanto vomitar, só pode!
[...]
O dia seguinte foi mais tranquilo em relação aos enjôos. Mas também, eu passei praticamente o dia todo na cama, obrigada por Robert. Ele só me deixou fazer movimentos bruscos quando eu precisei me arrumar para ir fazer o exame de sangue que o ginecologista tinha passado. Na volta para casa, enquanto estávamos parados no sinal, eu vi o letreiro de um fast-food que eu costumava odiar e cutuquei Rob.

- O que você acha de pararmos ali?
- Onde?

Ele perguntou e eu apontei o local com o dedo, fazendo-o me olhar desconfiado.

- Que foi?
- Você quer comer ali? Tem certeza?
- Estou com vontade...
- O que fizeram com minha noiva? Não seria um alienígena aí dentro não, né?

O engraçadinho fechou a mão e deu uma batida de leve na minha cabeça. Haha. Muito engraçado.

- Sério, Rob.
- Mas você odeia aquilo lá!
- Eu sei! Só que estou com desejo! Acha que estou feliz por comer querer comer uma gororoba daquela?

Ele fez cara de nojo e dirigiu até o fast-food que eu odiava. Como era estranho sentir tanta vontade em comer algo que você sabe que não gosta!

- Ainda dá tempo de desistir, sabe?
- Rob, dirija!
- Ok.

Ele calou a droga da boca e obedeceu, entrando pelo drive-thru e parando próximo a cabine de pedido.

- Vai querer o que, Kiki?
- Um nº 2 completo com batatas extras e refrigerante duplo.
- Hein?

Rob fez uma cara de pavor total, me assustando também.

- Que foi?
- Você agüenta comer tudo isso?
- Rob, dá licença? Sei lá se eu agüento, eu quero!

Ele gargalhou – não sei o motivo - e fez o meu pedido, para a atendente que babava olhando para ele. Fiz questão de esclarecer quem dormia com ele ali e inclinei-me, levando minha mão propositalmente para o meio das pernas de Rob.
- Amor, faz logo esse pedido para voltarmos para o quarto...

Eu mais gemi do que falei, com a boca colada no rosto dele, mas com um tom de voz perfeitamente audível para a sirigaita se tocar que ele tinha dona. Rob riu, totalmente sem graça e me olhou.

- É isso que estou fazendo, querida.

Ele me beijou rápido na boca e voltou sua atenção para a atendente. Para a sorte dele – e azar dela – a mulher era uma tremenda baranga. Nós esperamos por nosso pedido, que até veio bem rápido e demos o fora dali, voltando para nossa casa.

- Nem demorou, né?
- Lógico que não! Eles nem devem ter clientes... Por isso veio rápido, somos VIPS.
- Rob, nunca te disseram que não se irrita uma grávida?

Pois era exatamente o que ele estava fazendo. Me irritando demais. O cheiro do lanche estava por todo o carro, só aumentando a minha fome e não via a hora de chegar em casa para comer. Não queria comer ali para não fazer sujeira. Assim que entramos no nosso apartamento, ouvi a voz de Bené

- Credo, que cheiro de fritura tenebrosa é esse?- Acho melhor você ficar quietinha, Bené. Kristen não está com um humor muito legal hoje.
- Tenho culpa? Comendo coisa estragada, ela quer o que?- Porra! Mas que merda! Não se pode mais ter desejo em paz nesse mundo?
Fiquei vendo os dois imbecis rirem de mim e parti direto para a cozinha, arrumando que nem uma criança feliz, meu lanche em cima do balcão. Deus! A cara da batata era horrorosa. Eu tinha mesmo que estar com muita vontade para comer aquilo.

- Bom apetite, amor.

Rob sentou do meu lado e beijou meu rosto carinhosamente. Provavelmente estava arrependido de ficar rindo de mim.

- Quer um pedaço?
- Eu? Não. Pode aproveitar tudo...

Ele respondeu com cara de nojo e levantou quando eu abri a caixa do sanduíche. OMG. Respira fundo e manda para dentro, Kristen. Você é mulher, você agüenta! Levei o sanduíche até a boca e fechei os olhos, mordendo um pedaço e mastigando com dificuldade.

- Rob!
- Oi.

O pobre coitado estava na sala já e veio correndo quando chamei. Isso que era amor!

- Tira isso da minha frente agora!
- Mas você não queria tanto?
- Isso é passado. OMG, vou vomitar!

Deixei ele lá com o sanduíche podre e corri para o banheiro. Eu odiava aquele fast-food com todas as minhas forças.
Por que ninguém me avisou antes que mulher grávida era pior que pesadelo? Sério, eu estava enlouquecendo já com essas mudanças tão repentinas de humor. E tinha medo de falar alguma coisa, já que nunca sabia o que ela ia entender.

- Sabia que isso ia acontecer. Quem consegue comer esse troço asqueroso? Nem Astrogicildo! E olha que ele traça qualquer coisa que vê pela frente!
Nem tinha notado que Bené estava na cozinha, subindo pela parede ao meu lado. Ela olhava com nojo para a comida que Kiki tinha espalhado ali no balcão e eu me perguntava o que levava uma aranha, que já é um bichinho meio nojento, – que ela não me ouça – sentir nojo de uma comida.

- Por favor Bené, não toque mais nesse assunto quando Kiki sair do banheiro.
- Minha boca é um túmulo!
Se meus desejos fossem ser todos assim, eu não iria agüentar nem 4 meses disso. Saí do banheiro morrendo de fome, já que tinha vomitado a comida que estava no estômago de horas atrás e me sentei na cama. Rob e Bené vieram para o quarto e notei que ela assobiava.

- O que foi agora?
- Não foi nada.
- Nadinha mesmo! Nem estou sentindo mais o cheiro de podre!
Robert deu um peteleco em Bené, que deu uma cambalhota no ar e gemeu. Eram duas crianças ali, para que eu precisava de mais uma?
- Vou sair fora porque sei quando não sou querida num local! Humpf! Estarei na varanda!
A aranha resmungou e saiu de cabeça erguida, rebolando bizarramente e alisando o único fio de cabelo que tinha. Rob se aproximou e ajoelhou na cama, alisando meu rosto e beijando meus cabelos.

- Estava pensando, que seria bom para você se distrair um pouco. O que acha de chamarmos nossos amigos aqui essa noite? Podemos pedir umas pizzas, comprar um filme na TV à cabo...
- Eu gosto da idéia.
- Mesmo?
- Aham! Queria comer uma pizza de gelatina.

Ele soltou meu rosto e se afastou, me olhando com a testa franzida. A cara de nojo tinha voltado.

- Pizza de que, Kiki?
- De gelatina.
- Isso existe?
- Não faço idéia. Mas não seria legal uma gelatina de framboesa em cima do queijo?

Daqui a pouco seria eu a correr para vomitar no banheiro. Aquele papo de comidas estranhas estava me causando vertigens. Pizza de gelatina? Ela estava de sacanagem com a minha cara, né?

- Rob, você sabe que dizem... Que se a grávida não saciar o desejo, o bebê pode nascer com a cara daquela comida, né?

E ainda por cima eu estava sendo aterrorizado. Como seria uma cara de gelatina?

[...]
Rob ficou tão apavorado com o lance do bebê com cara de gelatina, que ele saiu catando um monte de telefone de pizzaria na esperança de encontrar alguma que realmente tivesse pizza de gelatina. Para meu azar, ele não achou.

- Kris amor, vai ficar muito tempo aqui?

Ele me perguntou quando veio buscar umas almofadas no quarto. A galera estava toda lá na sala conversando, mas eu me retirei um pouco, pois não me sentia muito bem. Estava deitada, alisando minha barriga inexistente e pensando no sexo do bebê.

- Eu já vou lá... Só vou ficar mais alguns minutos.
- Está tudo bem?
- Sim, está.

E realmente estava. Eu tinha vindo vomitar, mas assim que cheguei no banheiro, a vontade passou e então resolvi deitar um pouco. Rob se aproximou e curvou-se para me beijar. Ele tocou em minha barriga, por cima da minha mão e sorriu.

- Acho que tem alguém aqui doida para sentir algum chute, não é?
- Talvez.

Eu dei de ombro, pois não queria dar o braço a torcer, mas a verdade é que eu estava com muita vontade mesmo de sentir meu bebê.

Fomos interrompidos por batidas leves na porta e então meu irmão colocou a cabeça para dentro do quarto, olhando curioso para nós dois.

- Ew! Não cheguei no meio do sexo, né?
- Não.
- O que estão fazendo aqui então?

Não tínhamos contado ainda para ninguém, portanto ficamos sem saber direito o que responder.

- Yoga.

Hein? Olhei para Rob e ele deu de ombros, sorrindo sem graça. De onde ele tirou essa desculpa péssima? Tom sabia muito bem que eu era sedentária e além disso eu estava deitada!

- Yoga? Sei... Enfim, só vim chamar vocês porque as pizzas chegaram.

Ele fechou a porta quando saiu e eu dei um tapa na mão do meu noivo.

- Yoga, Rob? Sério?
- Foi o que veio na hora... Deixa eu ir lá para sala. Não demore, ok?
- Não vou demorar. Rob?
- Hum?
- Quando contaremos a eles?

Ele ficou me olhando por um tempo, pensativo e depois sorriu, dando de ombros.

- Melhor contarmos logo, né? Eles vão acabar sabendo mesmo...
- Contamos hoje então?
- Pode ser.

Fechei meus olhos e continuei deitada enquanto ouvia as risadas lá na sala. Quando me senti mais leve e tranqüila, resolvi me juntar a eles novamente. As pizzas que chegaram estavam espalhadas sobre a mesa da cozinha e para ser sincera, nenhuma me agradou muito. Eu apenas cortei um pedaço da de champignon para matar a fome e fui sentar no sofá ao lado de Rob.

- Kiki, o que é isso no prato?
- Pizza.
- A sua está aqui, amor...

Rob esticou o braço e pegou um prato com uma coisa... estranha dentro dele.

- Sua pizza de gelatina.
- Hã?

A conversa ali na sala parou e todo mundo nos olhou com um pouco de nojo. Minto, com muito nojo. Ash foi a primeira a torcer a cara e arregalar os olhos.

- Pizza de gelatina? Ficou louca, Kris?

Ignorei totalmente qualquer outra pessoa ali presente e só olhei para ele, que sorria vitorioso.

- Como você conseguiu?
- Bem, eu pedi uma pizza só de queijo e fiz eu mesmo a gelatina... Foi só espalhar por cima quando a pizza chegou.
- OMG amor, você fez isso para mim?
Eu nem dei tempo para que ele respondesse, pois pulei no seu colo e o enchi de beijos. Senti que ele quase deixou o prato cair, mas bem... Robert era foda!

- Te amo! Obrigada!
- Espero que isso seja gostoso mesmo... Para você pelo menos.

Ele riu e beijou de leve minha boca, entregando-me o prato e mantendo-me no seu colo. Ok, nós agora teríamos que explicar aquela comida tão inusitada.

- Então gente... Aproveitando a minha pizza de gelatina que o meu noivo perfeito suou para preparar...
- Vou vomitar. Ew!
- Já entendi que você odiou, Ash.

O pessoal riu, mas não demorou muito para que ficassem sérios de novo e esperassem pela explicação. Eu estava com medo da rejeição deles, principalmente a de Tom, que costumava sempre estourar por qualquer motivo.

- Já que a Kiki travou, eu falo. Nós estamos grávidos.

Não disse? Tom cuspiu a cerveja.

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