Kiss Me II - Capitulo 2


Capítulo 2.


[...]

Depois que nós tomamos a decisão da data do casório, os dias pareciam ter voado. Eu estava super atarefada com a proximidade das gravações de Breaking Dawn e os preparativos para o casamento. Não tínhamos decidido ainda onde seria, nem questão de convidados. Na verdade, Robert era o mais empolgado mas em compensação, o mais enrolado. Tudo que eu pedia opinião a ele, demorava para sair, já que Robert sempre ficava mais em dúvida do que eu.

- Amor, vai demorar muito aí dentro?
Além de todos esses problemas na minha cabeça, tinha mais um. Eu estava sentada com a tampa do vaso abaixada e as mãos apoiando a cabeça. Tinha umas porrinhas de testes de gravidez na minha frente, me matando de ansiedade. Minha menstruação estava atrasada além da conta e eu não sabia o que dizer a Robert, portanto, resolvi antes de mais nada, confirmar a veracidade dos fatos. Espalhei pelo chão os 5 testes de marcas variadas e fiquei ali roendo as unhas enquanto o tempo não acabava.

- Kiki?- Eu já vou! Espera!

A droga do tempo não passava agora, só porque eu queria. Já estava quase desistindo e jogando os teste no lixo, quando o primeiro deles começou a mostrar uma cor no visor. Peguei-o do chão e quase grudei no rosto para ver melhor.

- Kiki...?- Eu juro que se você me chamar mais uma vez, vai ficar sem sexo por 1 mês, Rob!

E o silêncio imperou ali naquele ambiente! Homens! Mordi os lábios à espera da cor definitiva, até que o azul apareceu. Olhei novamente na bula e me certifiquei que azul significava gravidez NULA. Quase gritei tamanha felicidade com aquele resultado mas lógico, que a sorte não estava ao meu lado. O 2º teste ficou no tom mais forte de rosa, fazendo meu coração quase sair andando pela boca.

- Pelo amor...

Balancei ele algumas vezes para ver se não era algum tipo de defeito, tilte ou qualquer coisa que pudesse me ajudar. Encarei neurótica o 3º maldito teste que já estava azulado e comecei a xingar toda a árvore genealógica de todos os irresponsáveis donos de empresas que fabricam testes de gravidez! Era por causa deles que eu estava prestes a ter uma síncope!

- Er... amor...?
Ele era mesmo muito corajoso! Abri a porta e o encarei com minha cara mais furiosa, esticando apenas um dedo na frente do seu rosto.

- Cale-se!
- Kiki, mas eu...

E fechei a porta de novo!

Não preciso dizer que o 4º teste deu rosa, né? Aquele não era mesmo meu dia. A minha esperança foi totalmente depositada no último teste ali no chão, que completaria o tempo determinado em aproximadamente... 10... 8... 3... agora! Fiquei na expectativa, torcendo para o azul predominar. Nada. Nenhuma cor apareceu. Esperei mais alguns segundo. E nada. Algum ser superior estava brincando comigo, com certeza. Peguei o teste e fiquei sacudindo-o por mais um tempo. Era fato. Ele estava com defeito.

Por mais que eu quisesse entender, ela não deixava. Kristen estava trancada no banheiro desde que tinha ido tomar banho. Sendo que já tinham se passado mais de 40 minutos. Para uma pessoa que levava geralmente metade desse tempo no banho, aquilo já era um absurdo.

- Ei gostosão! Onde vocês vão?- Num evento. Iremos se sua dona sair da porra do banheiro, né?
- Posso ir com vocês? - O que você acha, Bené?

Ela sentou do meu lado, cruzando aquelas patas finas e piscou várias vezes.

- É que Astrogicildo está meio que ciscando em terreno inimigo, sabe? A vizinha de vocês não é muito fã de limpeza e aí apareceram umas aranhas muito "dadas" por lá. E eu estava pensando, se ele visse que eu também sou famosa como vocês... né? Elas não chegarão nunca aos meus pés!
Kristen realmente precisava sair logo do banheiro e vir me salvar.

Parece que Deus ouviu minhas preces, porque assim que eu pedi, Kiki abriu a porta e apareceu para mim. Ela estava enrolada na toalha e de cabelos ainda molhados. Nós definitivamente íamos perder a hora do evento. Seus olhos estavam vermelhos de choro e eu me desesperei com aquilo.

- Amor? O que houve?
Rob levantou da cama e correu na minha direção, me segurando pelos braços e levantando meu rosto. Eu não queria que ele ficasse sabendo de nada antes que eu tivesse alguma coisa confirmada, mas não aguentei e acabei chorando no banheiro.

- Rob... eu...
- Óh céus! Eu espero que não tenha sido nenhuma daquelas loucas invadindo minha casa! Tem aranha no banheiro, Kristen?- Não.

Nem sei como é que dei atenção a Bené, pois estava bem desorientada. Rob sentou novamente na cama e me puxou para seu colo, visivelmente transtornado.

- Vai me dizer o que houve ou não? Eu sabia que tinha alguma coisa acontecendo! Você demorar tanto desse jeito...
- Eu talvez esteja grávida.
- Ah meu pai! Eu vou ser tia!- Oi?

Ele travou naquela pergunta.

Tudo bem que eu não tinha a mínima intenção e muito menos capacidade de ser mãe no atual momento de minha vida. Isso porém, não era desculpa para Robert pirar e surtar com a notícia. De medo, não de felicidade.

- Rob?

Nada. Precisei dar um tapa no rosto dele, bem ardido, para que ele piscasse e seus olhos focassem em mim. Homem era mesmo um bichinho fraco, né?

- Oh God.
- Ah não, eu realmente não acho que seja Deus o culpado disso.

Ele abriu e fechou a boca, sem que as palavras saíssem e isso me deixava irritada. Ele era ou não era o homem da relação? Se alguém ali tinha direito de ficar daquele jeito, esse alguém era eu! Afinal, era o meu corpo que estava prestes a ficar deformado, os meus seios que virariam melões e minha barriga que seria cortada!

- Será que vai ser menina? Ou menino? Ui gêmeos seria o máximo!
Encarei Bené, que estava na beira da cama dando pulinhos e batendo palmas. Ela viraria adubo se não parasse com aquele show e felizmente, eu já nem precisava mais falar, ela conhecia meu olhar.

- Nossa, tudo bem... Não faço mais festa, ok? E depois também nem adianta vir me convidar para ser madrinha.- Certo, como quiser.
Eu respondi sem nem ouvir direito o que ela estava falando, pois minha mente estava muito conturbada no momento, mas vi Bené arregalar os olhos e passar as mãos pelas laterais do rosto, logo formando um bico e cara de choro.

- Não me diga que eu ia ser madrinha mesmo...- Bené, nos deixe a sós.

A voz de Robert ficou mais grossa do que o normal e ele me pegou de surpresa, já que eu achava que tinha entrado numa espécie de transe. Bené bateu continência – louca, eu sei – e foi direto para a varanda. Voltei meus olhos para ele, que estava agora olhando fixamente para minha barriga e passei a língua pelos meus lábios ressecados.

- Rob...
- Você tem certeza disso, Kiki?

Ele me perguntou, encostando a mão em meu ventre e subindo os olhos até os meus. Agora eu não via mais pavor ali e sim um tipo de confiança, algo que eu não sabia identificar direito. Balancei a cabeça, confusa, negando sua pergunta e tampei meu rosto com as mãos.

- Eu... Eu não sei!

Era vergonhoso depois de cinco malditos testes, eu ainda não saber a verdade. Senti seus dedos entrarem pelos meus cabelos e ele puxar minha cabeça, me fazendo descobrir meu rosto para olhá-lo. Robert agora exibia um sorriso tranqüilo e veio me beijar a testa, trazendo meu corpo para junto do seu e me envolvendo num abraço.
- Descobriremos juntos então, ok?
- Vo-você não está... com medo?

Sério, porque eu estava em pânico! Como ele podia estar tão calmo desse jeito? Era complicado acompanhar esse raciocínio, principalmente no estado em que eu me encontrava. Ele suspirou com a boca encostada nos meus cabelos e alisou meus braços.

- Sim, claro que estou, Kiki. Meu amor, mas se isso for mesmo verdade, o que iremos fazer? Só nos resta receber a criança, não é?

O.M.G. Ele cogitava mesmo a hipótese de ser pai? Era Robert que estava louco ou eu que não nasci para ser mãe? Aquelas suas palavras me fizeram soluçar e cair no choro, encostando meu rosto em seu peito e provavelmente ensopando sua camisa de fios de seda. Eu era fraca demais!

- Kiki, você fez algum teste?
- Fiz cinco!
- Cinco? E não tem certeza ainda?
- Longa história...

Que eu não queria contar agora, pois definitivamente o destino estava brincando comigo. Robert me fez desenterrar meu rosto de seu peito e me olhou sorrindo, super tranqüilo, passando os dedos pelas minhas sobrancelhas.

- Então o que podemos fazer, é amanhã, procurarmos um médico para termos certeza. Hoje não há mais nada a ser feito, Kiki.
- Uhum.
- Então, princesa... O que me diz de jogar uma água nesse rosto vermelho e se trocar para sairmos?
Ele ainda tinha cabeça para enfrentar a nuvem de flashes que nos esperava? Eu não sabia se poderia fingir sorrisos por hoje. Mordi meus lábios e pensei em dizer não e pedir-lhe para que ficássemos em casa, só nós dois, abraçados na cama enquanto víamos algum romance na televisão. Meu plano porém, foi desfeito com toda aquela confiança e tranqüilidade que emanava de Rob.

- Ok, vou voltar para o banheiro.

Ele beijou a ponta do meu nariz, sorrindo e segurou forte em minha mão quando eu me afastei dele, me fazendo virar para olhá-lo. Sua voz agora era baixa e suave, quase um sussurro, uma forma de me deixar confortável.

- Você sabe que eu te amo, né? Independente de qualquer coisa.
- Eu sei.

Voltei para o banheiro na tentativa de consertar minha cara inchada e vermelha de choro. Os testes que eu tinha deixado na bancada da pia, eu joguei direto na lixeira.
Porta do banheiro fechada... Agora eu posso pirar. OMG! OMFG! Eu ia ser pai? Eu corria o risco de ser pai? Tipo, Kiki estava grávida! Ou não, mas bem... podia estar! Shit! Estava encenando uma luta solitária ali no quarto, aproveitando meus segundos a sós, socando o próprio ar, quando parei de frente para a varanda e vi a cara da Bené grudada no vidro, me olhando. Corri até lá, passei para a varanda e fechei a porta de vidro, isolando qualquer barulho que eu fizesse, para que Kiki não ouvisse.

- Oi Rob, tudo bem?- Que você estava fazendo me espionando, sua X-9? (N/A: lembrei do papo ontem, Pri)
- Na-nada.- Bené, se você ousar abrir a boca para contar à Kristen o quão surtado eu estava...
- Minha boca é um túmulo!
Eu a segurava pelo seu único fio de cabelo e ela estava desesperada por causa disso. Tenho certeza que Bené seria capaz de vender sua alma pelo seu fio de cabelo.

- Oh Deus, por favor, não o arranque! Ele demorou tanto para crescer...
Coloquei-a no parapeito da varanda e encarei-a mais uma vez, para me certificar de que ela não estava mentindo para mim. Eu não podia demonstrar fraqueza para Kiki, já que ela é quem mais precisava de apoio nessa hora. Eu tinha que ser macho.

Eu só saí daquele banheiro por causa do apoio que Robert estava me dando e até porque ele estava muito perfeito dentro daquele terno.

- Agora sim, está como sempre esteve. Linda.

Ele sorriu e me beijou, passando um braço por trás de minhas costas e me fixando ao seu lado, enquanto pegava minha bolsa e saía do quarto comigo.

- Nem parece que estava chorando... Como você consegue essa proeza?
- Rob, quer parar de me tratar feito criança?

Eu pedi a ele, mordendo meus lábios e dando uma leve risada, sabendo que ele só queria me animar. Nós saímos de casa e fomos para a premiére de Remember Me, onde as fãs esperavam histericamente por Robert. Era engraçado em ver como elas passaram a gostar de mim – algumas – mas apenas quando eu estava sozinha. Quando Rob estava por perto, só tinham olhos para ele.

- Tem certeza que você está bem com tudo isso?

Eu lhe perguntei antes de sairmos do carro quando paramos e nos preparamos para saltar. Ele pegou minha mão e a beijou delicadamente, antes de piscar para mim.

- Eu ficarei bem desde que você fique também, ok? Nós lidaremos com isso juntos, se tiver que ser.
- Sério, como você pode ser tão perfeito?
- Bem, eu nasci assim.
- Ah.

Nós rimos e nos beijamos, sentindo os milhares de flashes nos perseguindo mesmo dentro do carro com a proteção do insul-film. Quando abri a porta e saltei, já podia ouvir os gritos desesperados das meninas, implorando por Robert. Desculpem, mas esse exemplar, já é meu.
Nós nos deixamos ser fotografados pela imprensa enquanto discutíamos o problema atual. Eu me senti um pouco neurótica quando imaginei que os paparazzis pudessem estar me achando mais gorda, roliça ou qualquer outra coisa que indique gravidez.

- Rob, notou alguma diferença em mim?
- Como assim?
- No meu corpo.
- Hum, você está gostosa!

Ele me respondeu depois de me olhar dos pés à cabeça e sorrir como um bom safado. Por mais que isso seja algo que toda mulher gostaria de ouvir dele, não era exatamente o que eu estava esperando.

- Sei, mas assim... Eu estou gorda?

Foi como um sinal de alerta. O homem congelou e arqueou uma das sobrancelhas, me olhando como quem estivesse sondando uma armadilha.

- Aham, sei. Eu não vou responder essa pergunta.
- Por que não?
- Porque mulheres são perigosas. Se eu disser que sim, você vai chorar e brigar comigo porque te acho gorda e não te quero mais. Se eu disser não, você vai chorar e brigar comigo por eu estar mentindo para te poupar da verdade.

Eu tive vontade de puxá-lo pela gravata até enforcar! Quem disse que nós mulheres pensávamos assim! Tenho certeza que ele fugiu da pergunta só para não ter que mentir para não me magoar!
Depois de toda a histeria que tivemos que aguentar e os milhares de flashes - eu ainda estava me acostumando com essa vida - nós finalmente pudemos ter um momento só nosso enquanto o filme era exibido no telão. Rob pegou em minha mão e a beijou delicadamente. Mesmo com as luzes apagadas, a claridade da tela do cinema me possibilitava enxergar seu rosto e eu via ele me olhar carinhosamente.

- Não está com nenhum desejo, está?

Aquilo era alguma brincadeira de mau gosto dele, né? Bufei e puxei minha mão, deixando bem claro que não gostei. Rob deu uma risada baixa e encostou o ombro no meu, aproximando o rosto e beijando-me no pescoço.

- Já ficou irritada, Kiki? Grávidas ficam mesmo com o temperamente estranho...
- Rob, quer parar? Eu não acho graça e você está brincando com uma coisa séria, sabia?
- Amor, vamos fazer o que? Sentar e chorar? Se você estiver mesmo, teremos que levar as coisas adiante, só isso.

Cruzei meus braços, tentando ignorar o carinho que ele me fazia na nuca. Eu não queria e nem podia estar grávida. Acabaria com a minha carreira que mal tinha começado. Eu não gostava nem de pronunciar a palavra que já me dava um arrepio na espinha.

- Obrigada por não estar surtando. Pelo menos um de nós parece que conseguirá manter a cabeça fresca.

E quem disse que eu não estava surtando? Eu só sabia que se saísse correndo e gritando pela rua, chamaria muita atenção. Eu sorri quando Kiki me olhou com uma ruga gigante no meio da testa e apertou meu pulso.

- Rob, temos que correr com os preparativos do casamento! Eu não quero me casar com barrigão!

Eu estava entrando em choque. Imaginei rapidamente o corpo lindo e delicado da minha noiva se transformando num palito com uma melancia no meio. Tão... deformado. Por quanto tempo fica-se de resguardo mesmo? Não surta, Pattinson, respira.

- Robert!

Ela estalou os dedos próximo ao meu rosto e deu um tapinha leve em minha bochecha, chamando um pouquinho de atenção para cima de nós. Limpei a garganta, lançando olhares incômodos para os curiosos de plantão e coloquei um sorriso amarelo no rosto. Será que eu estava suando?

- Oi amor.
- Rob, ficou surdo? Me deixou falando sozinha.
- Desculpe, estava tentando me concentrar no filme.

Apontei com minha cara-de-pau para a tela do cinema e Kiki me olhou torto.

- Jura? Parecia que você estava olhando para minha barriga, isso sim!
- Ah.

Sem mais o que dizer. Nem pensando rápido eu conseguiria consertar a situação. Suspirei e esfreguei meu rosto, tentando clarear minha mente.

O que ele estava fazendo? De um minuto ao outro o Rob seguro de si tinha se transformado num Rob fora do ar. Aquela expressão dele só estava contribuindo para que eu ficasse ainda mais tensa. Por fim, ele suspirou e passou o braço pelos meus ombros, me puxando para junto de seu corpo.

- Amor, vai ficar tudo bem. Olha, vou ser sincero contigo. Eu surtei tanto quanto você quando recebi a notícia.
- O que?

Eu perguntei sem medir o meu tom de voz e senti que ecoou pelo cinema, fazendo os rostos se virarem para nos assistirem. Rob levantou e me puxou pela mão. Estávamos nos retirando dali e só paramos quando chegamos na recepção, onde agora a paz habitava.

- Como assim você surtou? Só eu posso surtar, Rob!

Ele encostou no mezanino que havia ali e me puxou pela cintura, colocando meu corpo no meio de suas pernas, levemente abertas.

- Você acha que eu não posso sentir medo? Kiki, nós estamos começando a nossa vida, então é óbvio que tudo que é novo, nos causa medo, amor. Não que eu nunca tenha pensado em ser pai, não é isso. Mas é que...
- Não se sente preparado.
- Exatamente. Viu, sentimos a mesma coisa.

Sua mão alisou meu cabelo, correndo os dedos pela minha testa e jogando minha franja para trás. Eu deitei minha cabeça em seu ombro, sentindo-o envolver minha cintura e suspirei.

- O que nós iremos fazer se for verdade?
- Continuar com nossos planos de antes e cuidar dessa criança, certo? Afinal, é nosso filho. É seu filho, fruto da coisinha que eu mais amo no mundo.

Ele falou, agora segurando meu rosto entre suas mãos e me olhando com os olhos úmidos. A coisinha era eu? Eu sorri.
Envolvi o pescoço dele com as minhas mãos e o beijei devagar e apaixonadamente. Era nesses momentos que eu tinha plena consciência de ser a mulher mais sortuda e feliz do mundo. Como eu era capaz de reclamar de alguma coisa na vida, quando eu tinha um homem tão perfeito e maravilhoso desse ao meu lado?

- Do que está rindo?

Ele me perguntou quando percebeu que eu estava mais rindo do que beijando.

- De como eu sou otária.
- Você não é otária. Pode me explicar o motivo de achar isso?
- Posso, claro. Porque eu estava morrendo de medo e praguejando tudo e todos por causa desse... contratempo. Estava tão ocupada com isso, que acabei esquecendo como eu te amo!

Rob revirou os olhos e em seguida abriu um sorriso enquanto alisava meus cabelos, massageando minha nuca com os dedos.

- Que tal nós pararmos de pensar nessas bobagens e nos focarmos no que interessa?
- Como o que, por exemplo?
- Como... Bem, você diz não ter certeza da gravidez, certo? Por que a gente não vai embora de fininho para procurar uma farmácia e...
- Comprar testes de gravidez?
- Isso.
- Rob, meu amor, eu já fiz vários e continuei na dúvida.

E só de lembrar me dava uma raiva sinistra, uma vontade de pesquisar os endereços de cada um dos fabricantes malditos daqueles teste e ir pessoalmente matá-los enquanto dormem. Rob tocou em minha barriga e eu olhei rápido para os lados. Não precisávamos que antes mesmo de sabermos a verdade, a notícia já estivesse circulando pelos jornais e revistas.

- Então amanhã a primeira coisa que faremos, será procurarmos um médico, ok?
- Você vai querer ir junto?
- Lógico! Principalmente se for homem. Acha mesmo que vou te deixar arreganhada na frente de outro cara?
Nós decidimos ir embora mais cedo, pois não estávamos mesmo nesse clima de evento e tudo mais. Rob ligou para os seguranças que vieram nos buscar dentro do cinema e então saímos na multidão em direção ao carro. Quando chegamos em casa, eu fui direto até a cozinha enquanto Rob se dirigia ao banheiro para tomar banho. Levei o que queria para o quarto e fiquei esperando por ele, procurando algum canal interessante na grade de programação, mas parecia que nada ali prestava.

- Kiki? Ficou louca?

Levei um susto com o grito de Rob, que vinha na minha direção e pegava a garrafa que eu tinha colocado em cima da cama, numa bandeja.

- O que foi?
- Vinho? Isso é sério mesmo?
- Qual o problema?
- Se você estiver grávida, você não vai beber! Não com o meu filho aí dentro!

O que estava acontecendo comigo? Ver aquela possessividade toda de Robert, apenas com a intenção de proteger nosso "filho", mexeu demais com meus hormônios. Ele arregalou os olhos e jogou a garrafa de qualquer jeito na cama quando eu comecei a chorar.

- Kiki, amor... Me desculpe, eu não quis falar assim com você...

Meu rosto estava sendo todo beijado por ele e eu só conseguia chorar mais ainda. Mas eu não estava triste ou chateada com o que ele fez. Era justamente o contrário, eu tinha me emocionado com aquilo.

- Amor, pare de chorar, por favor.

Eu solucei mais uma vez e prendi meu choro para poder olhá-lo. Rob estava aflito, mexendo nos cabelos e sentava-se do meu lado agora.

- Você se preocupou com nosso filho!
- Mas claro que sim. Mesmo não tendo planejado isso, ele não deixa de ser nosso.

E eu voltei a chorar.

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