O Contrato - Capitulo 9

Bella pov’s
Batidas me despertaram de um sono bom. Cambaleante, peguei meu hobby e o vesti enquanto seguia para a porta. Dei uma topada no dedo mindinho enquanto caminhava debilmente pela sala. Abri um pouco a porta e então vi uma linda mulher de cabelos espetados, curtos.
-Alice? –Perguntei. Ele abriu um sorriso incrivelmente ofuscante.
-BOM DIAAAA! –Entrou em meu apartamento empurrando-me um pouco. Virou-se para mim. –Cheguei muito cedo? Eu acho que não até por que sei que você é uma excelente funcionaria que sempre chega antes do horário então eu não cheguei cedo. Por que ainda está de pijama? Vamos! Você tem que se arrumar! –Agora Alice parecia um pouco histérica. Era difícil acompanhar suas mudanças de humor.
-Hmmm Alice, eu acordei agora a pouco. Pode falar devagar? Estou um pouco desorientada pela sonolência. –Disse. Alice respirou fundo e foi se acomodar em meu sofá.
-Arrume-se cunhadinha, temos muito que fazer. Tenho apenas uma semana pra preparar o maior casamento de todos os tempos e vou precisar de sua ajuda.
-Alice, eu não sei se poderei ajudar. Não entendo nada disso. –Falei embasbacada. Alice sorriu.
-Não se preocupe Bella. Sou eu que cuidarei de tudo, mas você vai precisar estar ao meu lado para experimentar seu vestido. O resto deixa comigo. E Edward cuidará de sua mudança então você não precisa fazer nada. Ah, acho melhor passarmos na empresa para você convidar quem quer convidar. 
-Tudo bem. Vou tomar um banho. Quer alguma coisa antes de eu ir para o banheiro? 
-Não, eu estou bem. Vá logo se arrumar. Temos muito que fazer hoje. –Alice disse pegando uma revista do porta-revista e voltando a se sentar no sofá. Fui para o quarto, retirei meu pijama e peguei minha toalha. Meu banho foi rápido, mas completo. Não me dei ao trabalho de me emperiquitar, vesti uma calça, tênis e um moletom qualquer. Amarrei meus cabelos num rabo de cavalo e sai. Alice me olhou como quem me reprova, acho que não gostou de minhas vestes.
-Espero não ter demorado. Vou comer alguma coisa e aí podemos sair. –Mas não cheguei a entrar na cozinha. Fui retida pelo pulso por Alice.
-Nem pensar! Eu programei todo o seu dia, não dá tempo para isso! Venha, compramos algo no caminho e você come no carro. –E então, numa pressa assustadora, Alice e eu seguimos para a empresa para convidar aos meus poucos amigos. Ah, ela me deixou comer algo no caminho. Ela não era tão carrasca como me pareceu em primeira instância.
...
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
-Jess, não grita! –Pedi, ou melhor, supliquei. Jessica tapou a boca com as mãos. Angela, que estava sentada ao seu lado na minha cadeira, deu um tapinha nas costas dela. 
-Estamos muito felizes pro você, amiga. –Angela disse de forma gentil. –E obrigada por me deixar convidar o Ben. 
-E obrigada por escolher a MIM como sua madrinha! –Jessica levantou-se da cadeira em que estava sentada e me abraçou. –Então se você vai casar com o gostoso não precisa mais esconder o relacionamento de todos daqui da empresa, certo? –Jessica tinha os olhos brilhantes e me assustei com isso.
-Jess, mesmo que não haja mais problema em todos saberem de minha relação com Edward, eu prefiro manter as coisas no maior sigilo afinal eu ainda vou trabalhar aqui e não quero que pensem que terei privilégios por ser a esposa de Edward.
-Você é besta Bella! Se eu estivesse no seu lugar eu iria exibi-lo pra todo mundo vê! Até por que ele é muito cobiçado por todas, elas precisam saber que agora ele tem dono. –Jessica voltou a se sentar enquanto falava. Balancei a cabeça discordando. Eu não faria algo assim com Edward, tratá-lo como objeto, mesmo que a idéia de Jess fosse tentadora. 
-Não faço questão dessas coisas. –Digo.
-Então o casamento vai ser mesmo daqui a uma semana? Acha que a senhora Alice consegue organizar tudo? –Angela perguntou. 
-Não sei, mas se ela diz que consegue então não tenho por que duvidar dela. Vou sair com ela pra cuidar dos preparativos. Ficarei uma semana de folga. 
-Que sorte a sua! Em compensação eu terei que fazer seus trabalhos pro você. –Jess falou com cara de poucos amigos. Sorri desculpando-me com o olhar. 
-Prometo compensá-la. Agora eu preciso de um padrinho, mas não conheço ninguém pra ser. Acho que vou oferecer o cargo para o Edward escolher. –Argumentei pensativa. Era horrível eu não ter quase ninguém para convidar. O meu lado da noiva ficaria vazio. 
-Olha Bella se você precisar de alguém para ser seu padrinho eu conheço um cara perfeito! –Jessica disse risonha. Estranhei.
-E quem seria? O Mike, seu namorado? 
-Ah, não, claro que não Bella. Nem sei até quando ficarei com ele! Eu conheci noite passada um amigo do Mike, trabalha na mesma empresa que ele. Chama-se Jacob. É um cara muito legal, não é Angela?
-Nisso eu tenho que concordar. Agente bem que poderia sair antes do seu casamento, como uma despedida de solteiro. Ai você conhece o Jacob e...
-Angela, Jessica, eu agradeço, mas não há tempo pra isso. –Avistei Alice saindo da sala de Edward, acenou para mim. –Eu vou oferecer o cargo para que Edward escolha alguém. Agradeço o convite de qualquer forma. Eu pedirei a Alice para enviar os convites a vocês. Podem levar acompanhantes. 
Levantei-me e, após me despedir de minhas amigas, fui para o lado de Alice. 
-Então...
-Agora você é minha! Acho até que terá que dormir na minha casa. –Alice disse super risonha. –O Edward já está providenciando sua mudança. Já conheceu a casa dele? –Alice puxou-me pelo braço em direção aos elevadores.

-Sim. Edward me mostrou o lugar. É maravilhoso! Não sei como vou me adaptar a todo aquele luxo. –Disse constrangida.
-Você se acostuma, acredite. –Alice disse sorrindo. Ficamos diante do elevador quando me lembrei de algo.
-Espere! Eu quero ver o Edward antes de ir. Pode ser?
-Ah Bella não há tempo pra isso! Vamos logo! –Alice tentou me puxar para o elevador que já estava com a porta aberta, mas consegui me desvencilhar.
-Eu não vou demorar! –Disse enquanto andava apressadamente para a sala do meu amor querendo abraçá-lo, beijá-lo, matar aquela saudade que sentia mesmo quando estávamos a pouco tempo afastados.
Caminhei apressadamente e quando fiquei fora de vista dos demais funcionários passei a correr. Entrei em sua sala e logo o notei sentado em sua poltrona, pareceu assustado ao me ver.
-Oi amor. –Disse risonho. Parecia tenso, meio assustado. Não consegui decifrar sua expressão. –Não estava com Alice?
-Sim, nós vamos sair. Vim para dar um oi e um beijo. –Disse aproximando-me, Edward pareceu enrijecer a cada passada de meus pés.
-Não! Não venha! Fique ai! –Ele disse. Eu o olhei, confusa. –Estou meio gripado. Não quero que pegue! 
-Hmmm... Tudo bem então. Espero que melhore. –Disse saindo da sala. A cada passada de pés em que me afastava, Edward parecia mais aliviado. O que estava acontecendo com ele?
Eu realmente queria poder falar com Edward decentemente, mas bem como o próprio havia falado, eu não tive tempo para nada! Tanta coisa a ser feita e curiosamente Alice me rebocava com ela mesmo que minha presença não fosse necessária. Não era algo ruim, Alice era uma pessoa muito agradável. Seria muito bom tê-la como da família. 
É claro que havia momentos um tanto que desagradáveis entre nós duas, era quando Alice me perguntava se eu tinha certeza de que queria me casar. Eu não entendia o porquê dessa pergunta, o olhar que ela me lançava. Um olhar com pena, algo estranho para o contexto. Não procurei saber o motivo de seu comportamento. Apenas afirmava que amava Edward e que o queria pelo resto de minha vida. 
E os dias foram passando... Os preparativos ocorreram com rapidez e não vi Edward durante todo esse tempo, somente falava com ele ao telefone. Mas eu sabia que quando o dia chegasse, e ele estava muito próximo, Edward seria meu pra sempre.
O dia chegou
Eu estava nervosa, eu estava muito nervosa. Mesmo que estivesse certa da loucura que estava fazendo, me casar com apenas uma semana desde o pedido, ainda sim minhas mãos soavam, minha respiração estava falha e meu coração palpitava. 
-Pronto! Fiz uma obra de arte! –Alice disse satisfeita afastando-se de mim. Estávamos em seu fabuloso banheiro há horas. Por algum motivo ela quis fazer meu dia de noiva. Alice rodou minha cadeira e pude me ver no espelho. Mal reconheci meu próprio reflexo, ela tinha feito um trabalho extraordinário. 
-Meu deus! –Murmurei. 
-Eu sei. Você está divina! –Alice disse saltitando pelo banheiro. Quando eu me vi tive de arfar. A maquiagem que recebi em cada centímetro do meu corpo deixou minha pele impecável, quase sobrenatural. A pele era de uma cor creme fantástica. A maquiagem leve, mais sofisticada em cada traço, delineava bem meu rosto deixando-o sem imperfeição alguma. O vestido, um tomara que caia branco, era inspirado nas flores copo-de-leite, em um tecido suave. Uma coroa de diamantes em formato floral enfeitava meus cachos. 
Fiquei me encarando, toda aquela perfeição, da maquiagem ao vestido, pensando em como seria Edward me ver assim. Eu praticamente não o vi por uma semana enquanto cuidava dos preparativos junto a Alice, nem mesmo voltei ao meu apartamento e sei que meus pertences nem deveriam estar mais lá.
Passei o dia sendo incrementada e agora, tão linda como estava, poderia sonhar de que eu era compatível fisicamente com Edward, tão bela quando ele. Senti vontade de chorar. 
O nervosismo foi sendo substituído pouco a pouco por uma ansiedade angustiante. Procurei me acalmar enquanto, já preparada, era guiada por Alice para a igreja onde seria realizada a cerimônia. Jasper estava com Edward, eu não o vi desde manhã. 
-Então você sabe o que fazer, não é? Acho que consegui ensinar o cerimonial bem. –Ela dizia enquanto seguíamos de limusine para a igreja. Eu estava perdida em pensamentos e a muito custo voltei.
-Acho que entendi tudo. Só não entendi por que eu tive de fazer o cerimonial sem o Edward. –Disse emburrada. Passar tantos dias sem ver Edward estava mexendo comigo. Eu me conformei em saber que logo o veria, vestido de noivo, pronto para ser meu marido. 
Tentei a todo custo aquietar meu coração para não ter um treco. Eu viveria muitas emoções naquele momento. Mas foi impossível conter a ansiedade, a alegria e a taquicardia quando a limusine estacionou em frente à igreja. As portas estavam fechadas, não pude ver o seu interior. Jasper estava em frente à porta, Alice deve ter ligado para ele e avisado que estávamos a caminho. 
-Jasper vai levá-la ao altar. –Alice disse sendo ajudada pelo motorista. Jasper a recepcionou com um beijo carinhoso nos lábios enquanto o motorista me ajudava a sair do carro. Tive problemas para me locomover com o vestido e os saltos de cristal. Alice, como minha dama de honra, seguiu na minha frente. Usava um vestido azul celeste colado ao corpo, tinha nas mãos uma cesta prateada com pétalas de rosas. Jasper postou-se ao meu lado e tomou meu braço, trajava um smoke clássico. 
-Você está linda Bella. Alice fez um trabalho excepcional! –Jasper disse enquanto caminhávamos para a porta principal. Rubra pelo elogio, eu desviei meus olhos para o exterior da igreja, inúmeros carros estavam estacionados no meio-fio. 
-Obrigada. –Murmurei. Jasper soltou uma curta gargalhada.
-Como você é tímida, mas tudo bem. Vamos ter muito tempo para nos conhecermos e estreitarmos os nossos lados. Afinal sou seu cunhado. –Piscou para mim. Eu sorri. Além de ter alguém maravilhoso como Edward ao meu lado, como meu marido, eu teria uma família maravilhosa como Alice e Jasper. –Está pronta? –Ele perguntou. Eu assenti. E naquele momento as portas da opulenta igreja se abriram diante de mim e eu vi não um monte de convidados ou a decoração impecável com flores. Eu o vi no altar, de costas, esperando por mim. 
Virou-se lentamente, com graça. Nunca o vi tão bonito em toda a minha vida. Enquanto Jasper me carregava até o altar com Alice a minha frente, meus olhos eram só dele. Edward tinha um meio sorriso lindo nos lábios, trajava um fraque preto com camisa interna branca e gravata azul celeste, os cabelos em um desalinho lindo. Ofegante, fui conduzida ao altar, meio cega pela quantidade de flash das câmeras. Não olhei para os lados, para as pessoas que eu conhecia e não conhecia, para os arranjos florais gigantescos em cada canto da igreja. Eu só olhava Edward, olhava aquele que eu mais amava a apenas alguns metros de mim. Saber que iríamos, naquele momento, nos unir definitivamente encheu meus olhos de lágrimas. Graças a Deus Alice usou maquiagem a prova d’água! 
A marcha típica de casamentos soava pelo amplo espaço sendo tocava por algum pianista em algum lugar. Os murmúrios eram altos, murmúrios dos convidados e da imprensa. Eu deveria imaginar que meu casamento seria um acontecimento pela posição social de Edward. Mas nem mesmo a super exposição que eu estava sofrendo tiraria a magia do momento. Ficamos parados a um metro do altar. Edward veio até mim e pegou minha mão ofertada por Jasper, os dois trocaram um olhar sério, tenso, que não entendi. Ignorei. Nada importava mais do que estava acontecendo, meu casamento, e do que iria acontecer logo.
A mão de Edward estava quente. Ele segurou com força minha mão guiando-me para o altar ao seu lado onde um padre nos aguardava. Edward parecia seguro. Que ele não interpretasse minhas mãos trêmulas como medo pelo que estava acontecendo. Nunca estive mais segura!
...
Em meus ouvidos ainda soava o “sim” de Edward em sua voz musical. Minha visão estava turva pelas lágrimas de felicidade que insistiam em cair de meus olhos. Edward se manteve sereno, sorridente, durante toda a cerimônia. Agora a voz do padre soava, finalizando a cerimônia. 
-Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. –Disse com sua voz rouca. Eu fiquei parada, meus olhos naqueles olhos cor ocre abrasadores. Edward pôs suas mãos em meu rosto e inclinou-se para me beijar. Enquanto os flashes disparavam Edward beijava-me calmamente. Eu me senti plena enquanto era beijada por aquele homem que agora era meu marido. Eu me deixei ser abraçada por ele após o beijo, relaxando em seus braços quentes, fortes. Eu o amava mais do que tudo! Agora sim eu poderia dizer que minha vida era feliz. 
Perdi meus pais cedo, tive que me virar sozinha. Foi difícil. Pensei que nunca encontraria a felicidade, mesmo me apaixonando por Edward. E então uma revira volta ocorre em minha vida. O homem que amava, tão inacessível antes, agora era meu esposo. Iramo-nos para nossos convidados, boa parte deles de Edward e sorrimos. A salva de palmas foi geral. Caminhamos até o local onde deveríamos assinar nossos nomes acompanhados de nossos padrinhos. Mesmo diante da realidade, ainda custava acreditar em tudo. Como se estivesse sonhando e temesse acordar. Então tudo passou lento ou rápido demais. Não consegui registrar tudo na memória, aquele dia inesquecível, como deveria. Eu sabia que iria me arrepender por deixar as lembranças passarem assim. Eu precisava fixar tudo na memória, mas não conseguia. Quando a realidade cairia? Eu não sabia e não queria saber. Eu vi muitos rostos enquanto eu e Edward saíamos de mãos dadas da igreja. A maioria desconhecidos, amigos de Edward certamente. Eu os cumprimentei cordialmente e também cumprimentei aos meus poucos conhecidos (Jess, Angela e Mike). A limusine esperava por nós dois, iríamos para a casa de Alice onde ocorreria a festa. Ainda não tinha visto a decoração muito embora tenha me arrumado na casa de Alice, ela me fez sair pelos fundos da casa. 
Ao sairmos de mãos dadas da igreja, os convidados nos bombardearam com arroz. Vi Alice mirando um punhado de arroz em Edward e um sorriso perverso no rosto. Tive a impressão que ela queria feri-lo, mas deixei para lá. 
Sentei no banco de couro da limusine e Edward sentou ao meu lado. O motorista fechou a porta e seguiu para a direção. E então estávamos a sós, algo que há muito tempo não ocorria. Meu coração bateu descompassado e com muito esforço controlei minha respiração. E se Edward quisesse uma caricia mais quente agora, enquanto ninguém poderia nos ver? Eu o olhei, Edward estava próximo a sua janela, a cabeça encostada no vidro, olhando para fora. 
Ergui minha mão e procurei a dele que estava no banco, eu a segurei. Edward se sobressaltou com meu ato, mas não lhe dei espaço para que dissesse algo. Encurtei o espaço entre nós e o abracei relaxando de imediato. 
-Acho que estou sonhando. Ser sua mulher... –Murmurei de olhos fechados. Edward envolveu-me em seus braços e senti seus lábios em meu cabelo.
-Obrigado, pelo o que está fazendo. –Edward disse. Procurei seus olhos.
-Não precisa me agradecer por uma coisa dessas, Edward. –Disse em tom de reprimenda. Edward me olhava de forma enigmática. Ergui a mão e tocou a face de meu marido. 
-Você está estranho. O que foi? –Perguntei pela distância que via em seus olhos. Edward sorriu.
-Nada. A propósito, seus pertences estão em nossa casa, meu apartamento. Deixei os móveis em seu antigo apartamento. O que pensa fazer com ele? –Edward disse e senti que o novo assunto que colocou em pauta era para me distrair. Dei de ombros. 
-alugá-lo eu acho. Vou colocar um anúncio ou coisa parecida no jornal. –Eu me aproximei de Edward e relaxei. Estava cansada. Não tive paz desde que Edward me pediu em casamento. Não que eu esteja reclamando, longe de mim! Edward me abraçou mantendo-me próxima a ele. Era impressionante como eu me sentia segura nos seus braços, como se aquele fosse meu lugar. Devo ter cochilado por que repentinamente estávamos em nosso destino. Edward me sacudiu gentilmente. Abri os olhos e vi a limusine entrar na propriedade de Alice. 
Até então eu não havia visto a decoração, muito embora Alice tenha escolhido sua casa para que eu passasse meu dia de noiva. Alice fez questão de me vendar para que não visse o que ela havia visto. Tive que deixar meu queixo cair enquanto olhava a tudo. Havia tantos arranjos de flores! Provavelmente eu iria me asfixiar com o cheiro de flores. Também havia luminárias, algo desnecessário com toda aquela iluminação vespertina. Provavelmente seriam usadas ao entardecer. Seda branca em faixas que estavam entrelaçadas as flores. Haviam muito empregados, belamente vestidos para a recepção. Tudo aconteceria no jardim. 
-Nossa! Alice fez um ótimo trabalho! –Disse. Virei-me e olhei para Edward. Ele olhava para fora, parecia distante. Não gostei. Ele estava assim desde que saímos da igreja. O que estava acontecendo com ele? –Edward, você está bem? –Toquei sua testa. Edward apressou-se em pegar minha mão e a beijou.
-Estou cansado. Foi uma correria na empresa esses dias. –Fechou os olhos recostando-se melhor no banco.
-Por isso eu quis trabalhar. Eu não devia ter me afastado. –Murmurei. O motorista estaciona o carro e rapidamente veio até nós abrir a porta. Segurei a mão de Edward enquanto seguíamos para o salão de festas no jardim, uma enorme tenda branca com mesas, cadeiras e rodeada de uma decoração deslumbrante. 
...
Nunca imaginei que um casamento pudesse ser tão cansativo. Fiquei em pé boa parte do tempo, tirando fotos, posando para os camera-man que registravam a festa. Cumprimentei novamente a amigos e desconhecidos que vieram prestigiar a festa. Edward ficou o tempo todo ao meu lado, afastava-se rapidamente para cumprimentar a empresários, certamente convidados seus. Notei novamente aquele distanciamento. Quando ele sorria, quando falava comigo, seus olhos pareciam vazios. Ele devia mesmo estar cansado.
A festa transcorreu bem. Alice realmente era competente nesse negocio de organizar eventos. A comida parecia ótima, não comi por que não consegui ficar parada. A banda que tocou era animada. Fizemos tudo o que manda o figurino: cortar o bolo, beber champanhe, dança a primeira valsa. Eu devia estar radiante, mas ver Edward distante, aparecendo cansaço, não ajudava. Tentei não ligar muito para isso. Afinal ele estava se casando comigo, me amava, e estaria mais bem humorado quando estivesse descansado. Além disso, eu tinha certeza de que quando ficássemos a sós Edward seria extremamente carinhoso. 
Um rubor me tomou quando pensei na lua-de-mel. Eu era virgem, mas naquela noite não seria mais. Perderia minha pureza com o homem que amo. Eu não sabia nada sobre o que fazer na cama com um homem, mas não me importava em não saber. Tinha certeza que Edward iria me ensinar os prazeres que um home e uma mulher podem encontrar no sexo. Ao invés de nervosa eu me vi ansiosa. Durante todo o tempo de namoro eu quis isso e até cheguei a sugerir a Edward que fizéssemos amor. Agora isso iria ocorrer.
Olhei envolta quebrando o dialogo com Jess e Angela e vi Edward conversando com Alice, no bar, a alguns metros. Notei que Edward tinha um copo de uísque na mão, vazio. Pedia outra dose ao garçom. Parando para pensar eu o vi beber muito durante a festa. Entre uma foto e outra, enquanto conversava com os convidados, bebia algo alcoólico. 
-Meninas, eu volto já. –Disse afastando-me e seguindo para onde estava Edward e Alice. Alice retirou o copo das mãos de Edward bruscamente, parecia brigar com ele. Ela notou minha aproximação e sorriu forçadamente.
-Oi noiva! Já comeu alguma coisa? –Perguntou afastando-se de Edward. 
-Hmmm não. –Disse olhando para Edward. Ele virou-se e pediu outra dose de uísque. 
-Então vamos comer. Eu também não comi nada. –Alice pegou meu braço e me levou para a mesa onde estava a comida. Comi meio sem vontade, meus olhos fixos em Edward. Ele ainda bebia no bar.
-Alice, o Edward está bem? –Perguntei entre uma garfada e outra. Alice deu de ombros. 
-Ele tá de TPM. Ignora cunhada. –Falou sorvendo um pouco de vinho em uma taça. –Vocês vão passar a lua-de-mel aqui. Ele falou?
-Não. Ele não tocou no assunto. 
-O que você acha dessa lua-de-mel no AP de vocês? –Ela perguntou com a cara amuada. Seria esse o motivo da briga?
-Não ligo Alice. Se eu estiver com ele eu estarei feliz. –Sorri sonhadora. Alice não pareceu com o mesmo animo que eu. Parecia sombria com a minha felicidade. Eu a olhei interrogativamente, tentando entender o que eu estava perdendo ali. Ela sorriu de repente.
-Eu escolhi um vestido para você usar agora. Não quero que você saia com o vestido de noiva e o pise. –Alice levantou da cadeira em que estava sentada e me puxou pelo braço. Deixei o prato com um pouco de comida ao lado do prato dela em cima da mesa. Não me senti empolgada enquanto vestida o traje escolhido por Alice (ela parecia desnecessariamente feliz por eu estar vestindo o que ela escolheu). Quando eu estava fazendo o caminho para fora do seu quarto, Alice me deteve. 
-Hei, tenho algo pra te dar. –Ela disse seguindo para seu closet, a área maior da sua majestosa casa eu posso apostar. Ela veio com uma caixa preta de tamanho mediano com a inscrição “Victoria Secret” em relevo na tampa. 
-Comprei para a sua primeira noite. Essa é uma camisola muito especial. Abra apenas quando estiver se trocando no banheiro.
-Ok. –Disse estendendo meus braços para pegar a caixa, mas Alice não deu.
-Eu levo pra você. Vamos, está na hora dos pombinhos irem para o ninho de amor. –Alice disse e suas palavras me lembraram que minha noite só estava começando.
Eu iria me tornar mulher pelas mãos de Edward daqui a alguns minutos. A ansiedade foi crescendo, mas procurei sufocar isso. Muita ansiedade poderia levar a histeria. Eu encontrei com Edward na pista de dança, ele tentava dançar em meio aos convidados, parecia tremendamente bêbado. Nas mãos um copo de uísque que esvaziou rapidamente. Jasper foi para perto dele segurando-o pelo braço. Alice se antecipou e caminhou furiosa na direção de Edward. 
-Eu não acredito! Por que bebeu além da conta, seu idiota? –Disse em tom de reprimenda. Eu fiquei parada, em choque, vendo Edward daquele jeito lastimável. 
-Vou ter que ir com eles até o apartamento Alice. –Jasper dizia enquanto olhava para a esposa. –Ele não vai agüentar ficar em pé. 
-Me deixa! –Edward disse numa voz arrastada. 
-É, acho que terá que ir com eles. –Alice disse. –Não se importa né Bella?
-Não. Acho que não vou conseguir carregá-lo. 
E como pensei fomos para o apartamento de Edward nós três: Edward, Jasper e eu. 
...
Jasper jogou pesadamente Edward em nossa cama. Ele o olhou aborrecido. 
-Então eu preciso ir. Qualquer coisa ligue para Alice. –Ele disse. Eu assenti. 
-Eu vou acompanhá-lo a porta. 
-Não precisa. Eu fecho tudo. Divirta-se. –Falou e sei que ironizava. Edward estava todo amarrotado e dormia pesadamente completamente embriagado. Jasper fechou a porta e lá estava eu, com o amor da minha vida. Nunca imaginei que passaria com meu marido jogado de qualquer jeito na cama, bêbado. Em minhas mãos estava a caixa que Alice me deu. Eu não iria usar. Deixei a caixa em cima de uma mesa afastada da cama. Retirei os sapatos, acessórios ficando apenas com o vestido azul anil dado por Alice. Desfiz o penteado do meu cabelo e sentei na cama. Edward estava deitado com as costas na cama, os braços abertos. Aconcheguei-me nele todo. Serviu-me de consolo tê-lo ali bem pertinho, me esquentando, mesmo que inconsciente. Por que eu o amava e até aquela falta grave, ter me deixado de lado no dia da nossa lua-de-mel, não era nada.
-Eu te amo meu bem. –Murmurei em seu ouvido beijando-o nos lábios. Aspirei o perfume de seu pescoço e relaxei até adormecer. 
Edward pov’s
Chego a meu apartamento que agora divido com Bella. Ela já estava lá. 
-Cheguei. –Anuncio deixando minhas chaves na mesa de centro da espaçosa sala, assim com os pertences que tenho em mãos. Um cheiro vem da cozinha e rapidamente vou para lá. 
-Bella? –Eu a chamo e a encontro na beira do fogão. Não consigo vê-la direito. Bella vira-se.
-Oi amor. O jantar está quase pronto! –Ela diz numa voz feliz. Tenho a visão do inferno ao visualizá-la melhor. Bella está segurando uma panela de macarrão instantâneo cozido; pálida, sem maquiagem, roupas ao estilo “Bela, a feia” usando meias com chinelos e ela tem... Culote.
-AI MEU DEUS! –Grito e ao abrir os olhos eu estou em meu quarto. Tânia esta nua ao meu lado murmurando algo.
Um pesadelo. Pior do que sonhar com criaturas da noite atacando você e sonhar com uma realidade tipicamente da classe média. Sentia ânsia de vômito ao me lembrar da Bella em meu pesadelo. Por Deus, se a Bella se transformasse naquilo eu mandaria a merda a minha parte na herança do meu pai!
...
-Saco! Por que tenho tantos compromissos hoje? –Resmunguei enquanto Tânia mostrava minha agenda. 
-Por que está assim tão resmungão? Pensei que estaria melhor após a nossa noite. –Tânia murmurou com uma voz muito sensual, isso não foi o suficiente para me animar. 
-Não dormi bem. Tive um pesadelo perturbador. –Confessei assinando um relatório diante de mim. Tânia pegou minha agenda de cima da mesa. 
-E como foi o pesadelo? –Quis saber. Dei de ombros. Eu não ia ficar divulgando o que se passava comigo.
-Nada não. –Recostei-me melhor em minha poltrona. Fechei os olhos. Uma semana para meu casamento. Eu estava tenso, não sabia como executar meu plano, pois não sabia como Bella reagiria. Senti algo na calça e abri os olhos. Tânia estava agachada em frente a mim abrindo minha calça.
-Tânia! O que pensa que está fazendo? –Murmurei alarmado. Claro que eu sabia o que ela faria!
-Vou ajudá-lo a relaxar. –Murmurou e logo sua boca encontrou meu membro pulsante. Tentei relaxar, mas o prazer proporcionado deixou meu corpo mais tenso. 
-Isso! Ahhh! –Entreguei-me ao prazer sentindo que logo o orgasmo chegaria. Tânia era maravilhosa com a boca, claro que ela iria me fazer esquecer o pesadelo que tive assim como o casamento que logo aconteceria. E então...
Passos. A porta se abre. Bella. To fudido!
-Oi amor. –Disse risonha. Eu estava na merda! Se ela visse Tânia ali seria meu fim! Vamos Edward, controle-se!
–Não estava com Alice? –Perguntei usando um esforço hercúleo para não gemer. Tânia em momento algum parou o que estava fazendo. Bella não poderia vê-la, ela estava agachada com o corpo voltado para debaixo da mesa. E por que diabos ela estava aqui? Não deveria passar uma semana com Alice?
-Sim, nós vamos sair. Vim para dar um oi e um beijo. –Disse aproximando-se de mim. Olhei os passos que dava. Se ela se aproximasse mais...
-Não! Não venha! Fique ai! –Eu disse e notei sua expressão confusa. Tinha que inventar uma desculpa melhor. Pense Edward! Pense! –Estou meio gripado. Não quero que pegue! 
Desculpa ridícula, eu sei, mas ela iria cair. 
-Hmmm... Tudo bem então. Espero que melhore. –Disse e rapidamente saiu da sala. O alivio foi me tomando enquanto ela se afastava. Afastei minha poltrona da mesa e empurrei Tânia.
-Ficou maluca? Quase colocou tudo a perder! –Esbravejei ajeitando-me.
-Eu não fiz nada. Não vi nenhuma reclamação enquanto seu pinto estava n minha boca! –Tânia disse com descaso enquanto se ajeitava. –E então quando vai ser o casamento?
-Daqui a uma semana. 
-E a mosca morta virá trabalhar?
-Não. Alice ficará com ela. Provavelmente eu não a verei durante essa semana. 
-Então bem que poderíamos aproveitar bastante enquanto não está casado. –Falou com a voz sedutora sentando em meu colo. 
-Depois benzinho. Temos trabalho. –Eu a empurrei delicadamente. 
...
Eu não vi Bella durante esses dias, mal nos falamos por telefone. Em compensação eu falava com Alice com freqüência. Ela estava sempre me censurando, claro. Já havia sacado meu plano e temia por Bella. O que eu não entendia era por que ela não impedia tudo isso? Ela tinha esse poder, mas nada fez. Eu a questionei e Alice, ao invés de me responder, sorriu. Eu não entendia aquela baixinha, mas também estava ocupado demais para tentar entende-la. 
A semana passou rápido regada a trabalho e mulheres promiscuas. Além de Tânia me esquentar (no sentido sexual) eu solicitei prostitutas de luxo. Ora, se eu tenho condições financeiras para arrumar alguma coisa diferente eu irei fazê-lo! Alice visitou-me para coisas como escolher a decoração e a cor do fraque que iria usar. Deixei em suas mãos este assunto. Eu só iria me manifestar na hora e pagar. 
Claro que, durante esses dias, minha consciência veio incomodar. Bella era boa, simples, uma mulher digna. Ela não merecia o que eu estava prestes a fazer... Mas também eu não merecia ser colocado na parede pelo meu falecido pai. Então estávamos quites. Dois injustiçados querendo alcançar seus objetivos: o meu era pegar a parte que me cabia na empresa e a Bella... Bom... Não sei muito se aquela garota tem um objetivo.
Ah e não poderia deixar de falar sobre o fato de ter realizado sua mudança para o meu apartamento. Contratei um excelente decorador e equipei seu quarto com tudo o que alguém como ela precisa. Pelo menos poderia proporcionar luxo visto que nada mais iria lhe dar. Suas coisas foram organizadas pela minha nova dupla de empregadas: Magdalena e Eli. Uma mulher de idade e sua filha mais velha (e nada atraente) contratadas para evitar que Bella bancasse minha dona de casa. Confesso que seria hilário ver Bella lavando meu banheiro, mas para afastar o pesadelo que tinha dias atrás precisava fazer algo.
Logo eu estaria casado com Bella. Não iria mais voltar atrás. Eu iria pegar o que é meu e descartá-la quando sua função tivesse sido cumprida. 
...
Domingo.
O dia chegou.
Eu estava em um SPA preparando-me para meu casamento. Alice se recusou a cuidar de mim, iria se ocupar apenas de Bella. Agradeci o fato. Do jeito que Alice estava zangada comigo por sacanear Bella, seria capaz de me degolar com a navalha enquanto tira a minha barba. Além disso, meus cuidados estavam nas mãos habilidosas de excelentes massagistas. Tânia estava cuidando de meus compromissos. Recusou-se a ir ao casamento. Como se eu fosse convidá-la! 
-Agora iremos para os últimos preparativos, senhor Cullen. –Uma mulher disse, era a responsável por me acompanhar em tudo no SPA. Levantei da cama em que estava ajeitando a toalha que cobria minha nudez.
-Ok. –Disse seguindo para a sala onde estava meu fraque. 
Nunca sonhei com casamento. Casamento era uma puta de uma bobagem para mim. Dois jovens juntam-se e cometem o maior erro de suas vidas: casarem-se. Era assim com todos que eu vi, foi assim com meu pai e minha mãe, só não era assim com Alice. Meu pai traiu minha mãe com uma qualquer e por isso ela morreu. Minha mãe, Esme, morreu de tristeza. Eu a amava. Isso fez com que meu pai e eu nos distanciássemos. Talvez essa seja a explicarão para o fato de eu não me comprometer com ninguém e de não ter sentido tanto o falecimento do meu pai como o de minha mãe. Ele matou magoando-a, deixando-a de lado e a seus filhos pelo seu trabalho.
-Ah, está belo com este fraque! –A funcionaria do SPA disse maravilhada com o que eu vestia – fraque clássico com a gravata azul. Olhei-me no grande espelho. Senti que o caminho que estava traçando para mim poderia não ser simples, talvez as coisas saíssem do meu controle. Eu estava lidando com uma humana afinal; humanos são bem mais complicados. 
-Estou pronto. –Murmurei seguindo para os últimos detalhes de meu dia de noivo, de meus últimos detalhes como um solteiro convicto. 
...
Era estranho. Como estar diante de um filme. Era tão surreal o fato de que eu estava no altar de uma igreja esperando por uma desconhecida para desposar. Os roteiristas de Hollywood adorariam tal historia para um filme. Todos que eu conhecia estavam lá, a maioria pessoas ligadas financeiramente a minha empresa. Nunca fui de muitos amigos, mas nunca me importei. Pior ainda eram os convidados de Bella: duas funcionárias da empresa e três caras que não conhecia (e muito provavelmente que Bella não conhecia). Bella estava atrasada como toda a noiva, imaginei o sacrifício que estava sendo transformá-la em algo bonito. Estremeci ao pensar o tempo que levaria, eu acabaria sendo deixado no altar.
Enquanto estava perdido em pensamentos sombrios – como encontrar calcinhas penduradas no Box do banheiro – ouvi os barulhos que anunciavam a chegada de Bella. Virei-me e foquei meus olhos na grande porta. Elas se abriram com um ruído estrondoso, pouco abafado pela orquestra que começava a tocar, e eu a vi. Vinha com Jasper, Alice como sua dama de honra. Involuntariamente sorri. Ela fixou seu olhar em mim e por alguns instantes ambos ignoramos todos que nos cercavam. Ella estava deslumbrante com aquelas vestes bonitas, com a maquiagem, os sapatos e acessórios. Bella caminhou até mim. 
“O que está pensando? Não pode se deixar levar!” –Minha mente gritou, incoerente. Caminhei até ela, Jasper iria entregá-la a mim. Claro que notei o olhar gélido de Jasper, então ele estava ciente do que eu estava fazendo a Bella; Alice contou. Segurei aqueles dedos magros, de uma mão macia e frio, com que eu estava um pouco familiarizado: a mão de Bella. Segurei forte a sua pequenina mão e a guiei ao altar. “Que seja rápido” pensei. Era o sonho dela certamente, eu iria proporcionar a felicidade até aquele instante, para apunhalá-la covardemente no dia seguinte. 
Procurei desligar minha mente do corpo enquanto a cerimônia prosseguia. Bella parecia igualmente desatenta, envolta na magia do momento. Eu estava mais preocupado com o depois. Como iria evitá-la? Uma coisa é evitá-la com ela trajando vestes feias e outra é Bella nua na minha frente. Como eu poderia impedir de dar mais um passo para estreitar nosso relacionamento. Como eu iria começar meu plano? As duvidas me atingiram com o poder de um golpe. Eu mantinha um rosto sereno, mas por dentro eu estava estranho, vago. O que fazer? Era difícil tramar com aqueles olhos cor de chocolate em mim. A voz masculina do padre me trouxe a Terra. 
-Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. –Disse. E com toda a calma do mundo, a fim de emoldurar o único momento de felicidade que Bella teria, eu a beijei da forma mais romântica – para ela, não para mim – que pude. Eu ignorei as luzes causadas pelos flashes, estava acostumado a isso. Bella não. Ao termino do beijo eu a abracei, incapaz de olhá-la e de mostrar amor em meus olhos. Viramos para nossos convidados que batiam palmas, sorriam, assoviavam, me chamavam de gostoso, essas coisas. 
Seguimos para o local onde iríamos assinar nossos nomes. Será que fui o único a ouvir uma musiquinha de suspense, típica do filme psicose, na hora em que assinei meu nome? Bella parecia toda contente ao assinar seu nome oficializando o compromisso com seu marido rico e gostoso, ou seja, eu. Ao olhá-la toda sorridente procurei desviar os olhos. Enquanto Bella estivesse bonita era melhor evitar olhá-la. Saímos de mãos dadas da igreja em direção a limusine que nos levaria a casa de Alice onde ocorreria a festa. Recebi rajadas de arroz pelas mãos de Alice, a guria quase me secou. É, ela estava irritada com o que eu estava fazendo. Sentamos ao lado do outro e rapidamente partimos. Bella estava tensa, esperando que eu a agarrasse ali mesmo. Há, que piada! Eu me encostei-me à janela do carro vendo a paisagem fora da janela: lixo, prostitutas, bêbados, travestis, o tipo de paisagem que eu gosto. 
Eu estava tão avoado que demorei a sentir uma mão sobre a minha. A mão de Bella indicava algo: sexo. Ela queria ou agora, ou mais tarde. Eu tinha que ficar inconsciente para negar a ela tal coisa. Assim que me virei para vê-la, Bella jogou-se nos meus braços. Eu a abracei, claro. jogá-la do carro em movimento é que não ia fazer, afinal viúvo não está na clausula do contrato. 
-Acho que estou sonhando. Ser sua mulher... –Murmurou. Eu a mantive nos meus braços, beijei seu cabelo. Um pouco de carinho não ia matar ninguém. E novamente o remorso me atingia. Bella estava tão feliz com aquela farsa!
-Obrigado, pelo o que está fazendo. –Falei. Fiquei surpreso por dizer aquelas palavras. E eu estava grato mesmo pelos sacrifícios de Bella. 
-Não precisa me agradecer por uma coisa dessas, Edward. –Bella disse. Eu a olhei. Droga, eu estava me sentindo vulnerável com ela de novo! Bela tocou meu rosto, confusa pelo modo que eu agia. 
-Você está estranho. O que foi? –Perguntou preocupada. Sorri.
-Nada. A propósito, seus pertences estão em nossa casa, meu apartamento. Deixei os móveis em seu antigo apartamento. O que pensa fazer com ele? –Mudei de assunto. Se ela soubesse do motivo que me deixava estranho, dos planos, tentaria me matar. Lembrei do quarto, arrumado por um ótimo decorador, pronto para ela. E claro das empregadas que contratei. Acho que o quarto que preparei será um consolo e tanto. 
-alugá-lo eu acho. Vou colocar um anúncio ou coisa parecida no jornal. –Ela relaxou mais e mais nos meus braços, devia estar cansada. Eu a mantive próxima de mim e não demorou a ela ressonar. Isso era bom, ela não roncava. Tânia fazia um barulho estranho enquanto dormia, parecia possuída pelo Satanás. Não demorou chegarmos ao nosso destino. Acordei Bella da forma mais calma possível enquanto adentrávamos a casa de Alice. 
A decoração estava estupenda, nem gostaria de pensar no rombo nas minhas finanças para aquele casamento de mentira! Tudo estava perfeito, flores, puxa-sacos para todo lado. 
-Nossa! Alice fez um ótimo trabalho! –Bella murmurou. Eu estava distante demais para voltar a Terra e responder como um ser humano de verdade. Meu dinheirinho gasto com flores...
–Edward, você está bem? –Bella tocou na minha testa. Eu devia estar agindo como alguém com atraso mental. Peguei sua mão e a beijei. 
-Estou cansado. Foi uma correria na empresa esses dias. –Fechei os olhos tentando relaxar no banco de couro do carro. 
-Por isso eu quis trabalhar. Eu não devia ter me afastado. –Bella disse. Eu não respondi. O motorista estacionou e logo estávamos seguindo para a nossa festa. Eu teria que agir e rápido.
...
Eu parecia um boneco sendo manipulado por um desconhecido, sorrindo quando tinha que sorrir, conversando com pessoas quando a situação exigia. Bella deve ter notado que eu só estava no evento em corpo, minha alma nem poderia estar fora do corpo, eu não tenho alma. Posei para fotos, para filmagens. Realmente tudo estava sendo muito cansativo e eu até poderia usar a desculpa de que estava cansado para evitar uma relação amorosa, mas eu sabia que teria que ter uma desculpa perfeita. Bebi algumas taças de champanhe oferecidas pelos garçons, uma dose de vinho aqui e ali. Quando consegui fugir de toda aquela loucura fui para o bar beber. Eu iria encher a cara e evitar Bella. Bella estava ocupada demais com seus amigos favelados para notar o que eu estava fazendo. 
-O que está fazendo? –A voz em tom de reprimenda me censurou. 
-Bebendo Alice. –Murmurei tomando uma dose de Uísque. 
-O que pretende fazer? Encher a cara e não aproveitar sua lua-de-mel? –Virei a tempo de vê-la com uma expressão furiosa cômica, os braços cruzados em frente ao peito.
-Alice, eu acho que você prevê o futuro! –Fiz um grande “Ó” ao final da minha frase e terminei com a dose de uísque. Acenei para o garçom pedindo mais uma dose. Claro que Alice bancou a birrenta e arrancou o copo que o garçom me estendeu, cheio. 
-Oi noiva! Já comeu alguma coisa? –Alice disse subitamente. Ah, Bella estava na área. O efeito da bebida parecia estar me alcançando. Logo eu iria despencar. 
-Hmmm não. –Bella murmurou. Aproveitei a distração e pedi outra dose. 
-Então vamos comer. Eu também não comi nada. –Alice deve ter pegado Bella e levado para algum lugar para comer. Agradeci. Eu iria me esbaldar na bebida. Por que eu não poderia fraquejar. Eu não iria tocá-la, essa era a única coisa nobre que eu faria. Tomei dose atrás de dose, misturando bebidas em meu organismo. 
Primeiro foi à incoerência que me tomou, eu devo ter falado muita merda enquanto enchi meu corpo de álcool. Após isso foi à sonolência. 
Bella ficaria magoada comigo, Alice ficaria irritada. Eu não ligava. Meu patrimônio sim me interessava, era minha maior prioridade. O amanhã estava chegando, e podia sentir. Seria algo extremamente doloroso para Bella.

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