Odeio amar você - Capitulo 11


Capítulo 11 – O fim da estrada

Senti alguém me sacolejando lentamente e quando abri meus olhos, na esperança de acordar e me ver deitada na confortável cama que fora da minha mãe e perceber então que tudo havia sido um terrível pesadelo, percebi que ocupava a poltrona de um avião 1ª classe. Olhei para ver quem tentava me acordar e vi minha mãe me olhando preocupada.
- Olá, querida! Já estamos chegando a Nova York. Você dormiu a viajem inteira, fiquei preocupada.
- Se estivesse realmente preocupada, convenceria o papai de me deixar em Forks.
- Já discutimos isso, Ness.
- Então iremos discutir de novo… E de novo… Quantas vezes forem necessárias.
- Se você prefere assim… Só não se esqueça que persistir nisso só irá piorar e dificultar as coisas para você.
- Que seja! Já não me importam mais e nem vocês… Só se preocupam com vocês mesmos… Não estão nem ai para o que eu sinto…
- Quando você ficar mais velha, dará razão a mim e a seu pai. Já disse, não irei discutir.
- E onde ele está?
- Em uma poltrona mais á frente. Está muito atordoado com tudo… Você sempre foi à princesa dele e…
- Para por ai, mãe. Você não vai conseguir fazer com que eu me sinta pior.
Encostei minha cabeça na poltrona e senti um enorme vazio dentro de mim. Parecia que algo havia sido arrancado de mim da pior forma possível… Então me lembrei o que faltava: O meu coração. Que eu havia deixado em Forks.
[...]
Desci do Volvo do meu pai e encarei minha enorme casa, respirando fundo e caminhando em direção ao jardim. Inalei todo o ar que pude, querendo ou não, eu sentia falta de New York. Da minha casa. Dos meus antigos amigos…
Minha mãe passou o braço por volta dos meus ombros e me acompanhou até a grande porta de vidro que dava na enorme sala.
Assim que entramos na sala me apeguei ao perfeito silêncio no local… Voltar para casa era estranho. Parecia que ali já não era mais meu lugar. Acho que eu nunca entenderia o porquê de eu já ter voltado para casa, meu lar, e mesmo assim, querendo pertencer a alguém, mesmo que esse alguém esteja do outro lado do país.
A mulher em miniatura, gordinha, de seus 60 anos chegou na sala, trajando uma roupa de governanta e veio me abraçar.
- Menina Renesmee, que saudades de você. Está tão magrinha. Venha, fiz seu bolo de chocolate preferido.
- Obrigada, Morgana.
Morgana era a governanta da minha casa. Trabalha aqui desde que me entendo por gente e como minha avó mora na Flórida, sempre foi ela quem me paparicou e deu desculpas esfarrapadas aos meus pais pelas coisas erradas que fiz.
Depois de ter tentado agradar Morgana comendo o bolo de chocolate, segui para meu quarto. Precisa tomar uma pílula do dia seguinte, já que eu não havia me prevenido na noite passada. Com os sapatos nas mãos, abri a porta branca do meu quarto e o encontrei assim como o havia deixado.
Branco, arejado, com um edredom branco e estofados rosa. Do jeito que eu gostava. A diferença era que em cima da minha pequena mesa, havia um buquê de rosas com o cartão de minhas amigas. Sorri ao lê-lo e fui até meu banheiro, procurar a pílula e tomá-la de uma vez.

Quando voltei ao quarto, minha mãe estava sentada na cama, me aguardando. Não disse nada, apenas fechei a cortina para tirar a claridade do dia do meu quarto, coloquei meu pijama ali mesmo na frente dela e fui em direção a cama, retirando o edredom e me cobrindo com ele, sem me importar que ela estivesse sentada ali.
- Ótimo, agora vai me ignorar?
Não respondi. Apenas coloquei meus fones de ouvido de fechei os olhos, querendo apenas dormir.
- Eu sou sua mãe, não poderá ficar muito tempo sem falar comigo. Só vim te avisar que você começa com a escola na segunda. Estão todos ansiosos para te terem de volta.
Não respondi mais uma vez. Deixei que ela saísse do quarto para poder abrir meus olhos e sentir uma grossa lágrima escorrer pelo meu rosto.
[...]
Abri meus olhos e uma horrível sensação se passou dentro de mim. Eu havia acordado em uma casa diferente, em um quarto diferente, sem nenhuma maquiagem, onde meus amigos estavam ocupados fazendo compras e batendo perna por Manhattan e onde meus pais não podem sofrer por mim.
Havia acordado sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Acordei sem ter quem amar. Levantei-me e calcei minhas pantufas. Percebi que já havia anoitecido. Perdi completamente a noção do tempo.
Desci as escadas e encontrei meus pais assistindo TV. Passei por eles sem dizer uma palavra e fui até a cozinha pegar uma grande fatia de bolo de chocolate. Morgana estava lá observando a cozinheira preparar o jantar. Puxei um banco e me sentei, apoiando a cabeça na palma da mão, sentido o contato gélido do balcão de mármore com a minha pele.
- Quer alguma coisa, Renesmee querida?
- Quero uma fatia bem grande daquele bolo. Mas grande mesmo.
- Não vai jantar?
- Não.
Ela pegou a fatia para mim e ficou me encarando, como se avaliasse cada expressão que eu dava.
- Não vai me contar o que aconteceu?
Não respondi, apenas balancei a cabeça com um gesto de não e comecei a devorar meu bolo. Mas era impossível evitá-la, sempre desabafava meus medos, tristezas e agonias com Morgana. E mesmo que em muitas vezes eu falasse em códigos, ela me entendia. Decifrava o que eu estava sentindo.
- É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. Mas amor, você sabe, amor não se pede. E meus próprios pais, estão querendo substituir o insubstituível em mim. Tirar o que há de mais importante… Isso é se já não tiraram.
- Você sabe que eles só querem seu bem.
- Meu bem? Eu nunca vou saber o que ele poderia me dar depois do seu último sorriso. Nunca… Será que isso é querer o meu bem? Provocando-me essa dor? Ele podia ter mais defeitos do que alguém pode ter, mas mesmo assim, ele ainda era melhor do que todo o resto do mundo. Só quero que essa dor passe…
Morgana pegou minhas mãos e me olhou dentro dos olhos, dizendo:
- Essa dor nunca passa… Ela quase passa todos os dias, mas no final, na noite, ela volta mais forte e potente, fazendo você achar que não pode aguentar tanta dor. Volte para o quarto. Chore mais um pouco. O quanto puder, mesmo que ainda não haja lágrimas. Depois desabafe com suas amigas, chore mais com elas, se lamente. Isso te fará sentir melhor.
- Mas ele ainda não estará aqui. Ainda irá doer.
- Eu sei. E vai doer. Doer um tanto, mas fique tranquila, menina. Dói tanto que chega a não doer mais. Como toda dor que de tão insuportável, produz anestesia própria.
Limpei algumas lágrimas que marcavam meu rosto e me levantei.
- Acho que você vai ter que fazer mais desses bolos…
- Sei que vou.
Sorri e sai da cozinha. Agora meus pais já não estavam mais na sala. Ouvi então vozes elevadas que vinham do quarto deles. Subi as escadas correndo e colei meus ouvidos na porta.
- Não vê como ela está? Edward deixe-a voltar. Entre minha filha longe de mim e feliz, e ela perto de mim e triste, prefiro que ela fique longe.
- Já disse que não, Bella. Isso está decidido. Renesmee não voltará para Forks. Aposto que esse… Esse garoto que ela conheceu era só um qualquer. Garotos são o que não falta aqui, só mais um dia ou dois para ela voltar a ser o que era.

Levantei-me com uma raiva enorme do meu pai e tive que me controlar para não entrar naquele quarto e me defender. Dizer a ele que Jake não era um qualquer. Dizer a ele que eu nunca mais seria a mesma.
Na segunda-feira…

Coloquei meu uniforme e me dirigi à mesa onde meus pais tomavam café. Não sorri, apenas dei um Bom Dia seco e rápido, engolindo as torradas o mais rápido que pude. Terminei meu suco de laranja e peguei minha bolsa onde estavam meus livros, queria sair o mais rápido dali.
- Não quer ir de carro comigo, Nessie? – perguntou meu pai.
- Não. Prefiro ir a pé hoje.
- Tenha um bom dia, querida.
- Valeu!
Sem dizer mais nenhuma palavra, sai de casa e comecei a andar pela calçada indo em direção a minha antiga escola que não era longe dali. Imaginei em como todos estariam em Forks agora… Jake chegando à escola sem mim, com olhos curiosos grudados nas suas costas… Nas coisas que as pessoas deveriam estar perguntando a ele.
- NESSIE!
Olhei para frente com a intenção de ver quem me gritava e encontrei Nina, uma das minhas amigas, na escada da escola, acenando para mim. Não quis apressar o passo e sim atrasá-lo mais, eu não estava preparada para isso.
Quando cheguei perto dela, fui sufocada pelo seu abraço e pela primeira vez desde que havia chegado em NY, eu me senti confortável e bem.
- Senti sua falta. – eu disse.
- Ah, eu também. Vem, me conte tudo. Liguei para sua casa no dia em que chegou… Falei com Morgana, ela disse que você estava trancafiada no quarto desde que chegou… Ela me contou que você estava sofrendo… Quem é ele? Não quis ir te ver porque te conheço bem. Imaginei que você quisesse um tempo só para você…
- Imaginou certo.
- Bem, vamos para o pátio e antes de tudo, quero que me conte o que está acontecendo… Essa escola esteve tão sem vida sem você aqui. Ah, olha lá os garotos… Eles estão loucos para te ver… Mas deixa, não vou levar você lá agora, vamos conversar.
Eu não conseguia assimilar tudo que Nina dizia. Era estranho. Lembrei-me então no quanto ela falava, sem respirar e pensar. Falava por mim e por ela e nesse momento era de alguém assim que eu precisava, porque a autoestima dela, geralmente me contagiava também.
Sentamos-nos em uma mesa do refeitório que estava quase vazio e começamos a conversar. Contei para ela cada detalhe… De tudo… O primeiro sinal tocou, mas não nos importamos, perdemos a primeira aula e eu continuei com meu discurso.
- Isso é tão horrível. Como seus pais puderam fazer isso com você?
- Eu não sei… Só sei é que não me emociono mais. Não sonho mais. Não planejo nem desejo mais nada. Só me pergunto o que estou fazendo aqui. Eu achei que iria passar com o tempo… Mas como Morgana disse, a dor nunca passa…
- Eu tenho que fazer algo por você, só não sei o que.
- Não quero que façam nada por mim. Estou cansada.
- Hey, pelo menos você voltou a tempo para o Baile de Formatura…
- A Formatura… eu havia me esquecido.
- É claro que se esqueceu… Mas me conte, já pensou para qual universidade vai?
Balancei a cabeça negativamente e vi Nina morder o lábio inferior, se vendo em um beco sem saída comigo.
- Eu vou ficar bem. Eu sei que vou.
- Claro que vai – ela me disse por fim – Você sempre fica.

Em Forks…

>PDV Jake

Estava sentando em uma pedra, olhando o mar de La Push, me lembrando que foi ali que tudo começou entre nós… Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu rapidamente a sequei com a manga da minha jaqueta.
Ouvi um barulho de carro estacionando, mas não me movi, continuei a encarar o mar. A dor profunda que eu sentia dentro de mim era maior do que tudo que eu já havia sentido, era avassaladora. Alguém se sentou ao meu lado e senti uma mão dando palminhas nas minhas costas,
- Imaginei que estive aqui, cara. Quero dizer… Não apareceu na aula e bem, você tem visitado esse lugar todos os dias, então…
- E aí, Josh?! Veio atrás de mim?
- Fiquei com medo de você cometer um suicídio ou coisa parecida.
Rimos e acabei por não dizendo mais nada. Voltei minha atenção para o mar e me pus a pensar nela.
- A gente vai dar um jeito, Jake. Está todo mundo sofrendo com a ida dela.
- Não mais que eu, isso eu posso te garantir.
- Eu sei… Olha, a Claire chora 24h por dia e acho que choraria mais se o dia tivesse mais horas, mas nós temos que aceitar. Ela foi embora.
- Eu gosto muito dela. Eu a amo.
- Estamos perto da formatura, cara. Ai vem às férias e depois a faculdade. Vocês serão maiores de idade e darão um jeito nisso. Estava pensando… Você poderia se matricular na mesma universidade que ela… Então não teriam como não ficarem juntos, Jake.
- É uma boa idéia.
- Eu sei que é. Venho calculando isso desde  o dia que ela foi embora. Tenho certeza que a Claire consegue descobrir para qual universidade ela irá…
- A Claire tem falado com ela?
- Todos os dias… A mãe dela que liga para Claire desesperada. Fala que a filha não come nem bebe nada, não conversa com ninguém a não ser a Claire.
Fiquei com a idéia da universidade na minha cabeça. Seria possível ainda haver esperanças para ficarmos juntos?
>PDV Nessie

Quando cheguei em casa após a escola, meu pai disse que queria conversar comigo no escritório e com a presença da minha mãe. Sem pestanejar eu fui, afinal não existia mais nada que ele poderia tirar de mim agora. Sentei-me no sofá marrom do escritório e fiquei aguardando ele falar.
- Está vendo esses envelopes? – ele apontou para uma pilha de envelopes que estavam em cima da mesa.
- O que tem eles?
- São os formulários que tem que preencher para as universidades. Aqui tenho Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton e Yale. Ou seja, as melhores universidades do país. E tenho essa carta escrita a mão do Reitor de Dartmouth dizendo que faz questão que faça seu curso lá.
- Pois então, não irei para Dartmouth.
Meu pai ficou extremamente vermelho de raiva, mas não disse nada. Eu sabia que estava tocando em uma ferida dele. Como ele e minha mãe haviam se formado lá, era como um sonho que eu também cursasse aquela universidade, mas ele devia ter se esquecido de tudo que tinha feito a mim.
- Tudo bem, não vamos discutir. Só quero esses formulários preenchidos até o final da semana e uma decisão exata para qual universidade você irá.
- Beleza.
Levantei-me e peguei os formulários, deixando o escritório, meus pais e a carta do Reitor de Dartmouth para a trás.
Eu não fazia idéia de qual Universidade escolher. Não imaginava que meus pais haviam garantido meu futuro desse jeito, de forma que eu tivesse as melhores Universidades ali, na palma da minha mão.
[...]
Eu estava em meio à difícil tarefa de preencher os formulários quando minha mãe entrou no meu quarto, cheia de vestidos nas nos braços, trazendo Morgana com mais vestidos.
- O que significa isso? – perguntei sem olhar para ela.
- Como o quê? Sua formatura está chegando. Tem que escolher seu vestido.
- Não vou me formar.
- Não vai se formar? Como assim?
- Só pegarei meu diploma e pronto. Não participarei do baile.
Guardei a caneta e fui tomar um banho, deixando minha mãe e Morgana de queixos caídos no meu quarto.
Despi-me e deixei a água cair sobre meu corpo. Esfriando minha cabeça e aquecendo minha pele. Eu já havia tomado minha decisão, não havia nada que alguém pudesse fazer em relação a isso. Eu seguiria em frente, mas não da forma normal. Deixaria as douradas festividades de um formando para trás… Não que eu não quisesse ir a meu Baile de Inverno. E sim porque eu não pertencia mais aquele mundo.
Quando sai do banho, minha mãe já não estava no meu quarto. Ainda enrolada na toalha, fui até o telefone e disquei o número do celular do Jacob. Demorou até ele atender e quando atendeu, eu não tive coragem de falar no primeiro momento.
- Jake? – falei por fim.
Ele não me respondeu. Senti a respiração dele acelerada do outro lado, até ouvir sua voz.
- Céus! Como você está?
- Precisamos conversar.
- Eu sinto sua falta.
- Não mais que eu sinto a sua, mas eu tenho que te falar…
- Aconteceu alguma coisa?
- Está acontecendo… Não podemos Jake. Acabou. Nosso romance acaba por aqui.
- O quê? Por quê?
- Não há mais nada que possamos fazer. A formatura está chegando. A universidade também… Nossos caminhos serão separados, já estão separados… É o fim da linha pra gente.
- Você esta desistindo de mim… De nós?
- Não! Só não posso continuar com isso e permanecer sofrendo se não iremos ficar juntos. Eu sinto sua falta… Eu preciso de você comigo… E não vou mentir, porque é difícil imaginar minha vida sem você, mas…
- Mas?
- Suponho que eu vá sobreviver. Adeus, Jake…
- ESPERE?
- O que é?
- Para qual universidade você vai?
- Optei por Yale. É longe dos meus pais e isso é tudo o que eu quero… Ficar longe deles, mas ainda não disse a eles minha decisão.
- Eu não irei desistir de você.
- Você tem que desistir de mim… Adeus, Jake. Eu Te amo.
Joguei o telefone na parede cheia de fúria afundei meu rosto no travesseiro, temendo a dor que tomaria conta de mim agora.
E se eu soubesse que acabaria o ano eu estaria indo para uma universidade sem ele, talvez eu não tivesse desistido tão fácil assim.

Se eu soubesse que perderia todo o contato com ele eu não teria feito aquela ligação…

Se eu soubesse que a esperança havia acabado, mas o fogo do amor ainda existia, eu não teria dito Adeus…

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