USD - Capítulo Catorze. Parte V

10 MINUTOS DEPOIS...

- Murcha... a... barriga! - Arfei, ainda tentando puxar a bóia para cima.

- Eu... tou... murchando! - O coitado gemia, com o rosto coberto de lágrimas.

Impaciente, tentei rasgar a bóia, só que o plástico era muito grosso. Era uma bóia muito resistente.

- Aaahhhh! - Usei toda a minha força e a maldita nem se moveu.

Talvez o plástico tivesse grudado nas banhas do garoto. - Que raiva!

- Vamos untá-lo com manteiga. - Alice gargalhou. - Só que não temos manteiga.

- Já chega. Vou usar a faca. - Decidi.

- Não acho seguro. - Edward só assistia.

- Eu tenho quase 10 anos de idade... - Toby começou a chorar alto. - E nunca passei por uma humilhação tão grande. - Suas bochechas cheinhas ficaram ainda mais vermelhas.

- Taí uma coisa que eu duvido. - Retruquei.

- Meu Deus do céu... - Chorou ainda mais alto e os banhistas que passavam por nós riam a valer. - Se eu sair dessa bóia... - Fungou. - Nunca mais vou tirar fotos da minha bunda e mandar para estranhos pelo correio. Nunca mais vou roubar a dentadura do meu avô pra brincar de vampiro. - Estrebuchou aos prantos. - Nunca mais vou passar trote para minha professora e perguntar: é da casa do Miro? E ela diz: que Miro? - Fungou outra vez. - Aí eu respondo: miro o meu pin... - Tapei-lhe a boca. - No seu c... - Lutou para continuar. - E dou um tiro. - Desvencilhou-se.

- Muleque, tu vai arder no inferno. - Alice passava mal de rir.

- Não tem jeito, Toby. Vai ter que esperar chegarmos em casa. Se um dos caras for tentar arrancar a bóia, você pode se machucar. Acho que ela que está pregada na sua pele. -Dei o veredicto.

Ele caiu de joelhos, depois se atirou contra a areia, mas a bóia impediu que seu rosto tocasse o chão.

- Vamos empurrar só pra ver o que acontece. - Emmett saiu empurrando o gordinho pela praia, o qual chorava girando e girando dentro da bóia.

(...)

Ao cair da tarde, subimos até o farol, pois aquele era um ponto turístico que não podíamos deixar de visitar. Os hóspedes ficaram entretidos com a beleza do farol e a linda vista. Já meus amigos, brincavam, fingindo que iam pular do penhasco.

- Vamos ver se você sabe voar, Jasper. - Emmett esticou os braços como se fosse lhe empurrar, e antes mesmo de Emm tocá-lo, meu irmão berrou feito uma mulherzinha.

- Deixem de bobagem. - Cruzei os braços, com os olhos no majestoso horizonte.

- Ei. - Brad, junto com o Link 69, veio até nós. - Que tal uma aposta? - Sorriu, provocando.

- Depende. - Emmett se interessou.

- Quem pular daqui e chegar primeiro na praia vence. - Trocou olhares com sua banda.

- Tou fora. - Meu amigo amarelou.

- E o grande rei da floresta? - Fitou Edward, o qual estava há uns dois metros de nós, sentado no gramado, presente só de corpo.

- De quanto estamos falando? - Alice se meteu na conversa.

Brad pensou um pouco.

- Quinhentos.

- Não. Mil. - Jasper lembrou do dinheiro que devíamos ao agiota.

- Ele vai pular? - O baterista duvidou, apontando para Ed.

- Rola, T-zed? - Emm se animou.

- Não. - Edward disse como se não estivesse dando a mínima para a nossa conversa.

- Deixem ele em paz. - Pedi.

- Sendo assim, qual de vocês vai pular daqui de cima comigo? - Meu ex me desafiou com o olhar.

Me aproximei da beirada do precipício e analisei as águas turbulentas que engoliriam qualquer um que mergulhasse nelas.

- A maré está alta. Não dá para ver os rochedos, é suicídio. - O selvagem alertou.

- Ele tem razão. - Concordei, voltando para o meu lugar.

- Qualé, amigo? Você morava na selva. - Brad revirou os olhos, mostrando que não acreditava naquela história. - Isso aqui pra você é moleza. Nós confiamos na sua coragem. -Foi ridiculamente sarcástico.

- McFadden, pica a mula! - Ordenei.

- Mil e quinhentos. - Ele murmurou teatralmente, tentando-nos.

Eu precisava recuperar o dinheiro que roubei para comprar o terno de Edward, talvez aquela fosse a minha chance. Já tinha pulado daquele penhasco antes, podia fazer de novo.

- Não temos essa grana pra apostar. - Procurei tirar vantagem.

- Na verdade, temos sim. - Emmett se intrometeu e quase dei na cara dele.

- Eu pulo. - Edward avisou, surpreendendo-nos. - Mas, quero os mil e quinhentos e o seu carro.

Sorri, prevendo que meu ex ia dar pra trás. Não tive dúvidas de que Edward falara aquilo com a intenção de fazer Brad baixar a bola.

- Não vale a pena. - O baixista tentou convencer seu amigo.

Brad ficou encarando Edward, nitidamente o odiando por ter invertido a situação. O imbecil não queria sair como covarde. Esperamos o desfecho da ridícula disputa de testosterona, sentindo que os olhares que trocavam era a corda de um cabo de guerra.

- Tudo bem. - McFadden ergueu a cabeça.

O selvagem subestimou a coragem do meu ex e agora estava preso às suas próprias palavras.

- Vamos deixar de criancice. - Ri sem humor.

- Bella tem razão. Chega dessa bobagem. - Jully tentou me ajudar.

Edward respirou fundo, em seguida, ficou de pé.ttt

- Rock'n'Roll! - O baterista “colocou pilha”.

(...)

Fiquei em um canto, emburrada porque Edward não me deu ouvidos. Até mesmo Jully insistiu para ele não embarcar nas patetices de Brad, infelizmente o cara estava determinado a manter a aposta.

Enquanto os dois suicidas assumiam suas posições em uma linha de largada improvisada, me perguntei quais seriam os verdadeiros motivos que estavam levando Ed a peitar Brad daquela forma. Seria mesmo só por orgulho e dinheiro? Não me parecia típico dele, mas... eu não o conhecia tanto assim.

- Relaxa, a disputa vai ser para ver quem desiste primeiro. Garanto que nenhum dos dois vai pular. - Alice passou o braço envolva dos meus ombros.

- Huhum. - Me esforcei para acreditar.

- T-zed está tentando recuperar o dinheiro que gastamos com ele ontem. Acho que se sente mal por causa disso.

Edward e Brad ficaram há dez metros da beira do precipício. Ambos pareciam tensos, e nem mesmo o incentivo vindo dos rapazes e dos hóspedes foi capaz de levantar o astral deles.

- Prontos? - O baterista se preparou para sacudir sua camiseta a fim de anunciar a largada.

- Ainda dá tempo de agirem como adultos. - Gritei e fui ignorada.

- No três, hein? 1...

O baterista começou a contar e senti um espasmo no peito. Eu estava com mau pressentimento. Edward trocou um rápido olhar comigo e voltou a se concentrar.

- 2... 3!

Eles dispararam em igualdade. Todos gritaram incentivando, mas eu não consegui reagir. No entanto, ao chegarem perto da beirada do penhasco, Brad deteve-se e Edward pulou sozinho.

- Nããããããoooooo! - Lice e eu berramos correndo até lá.

Em um piscar de olhos, fiquei rodeada por meus amigos, a banda e mais alguns curiosos.

- Cadê ele? - Jully gritou.

Não conseguíamos ver nada além da espuma do mar.

- Que cara maluco. Eu estava só zoando, pular com a maré assim é morte certa. -McFadden estava mentindo. Ele havia se acovardado.

- Estou vendo ele. - Emmett apontou.

Olhamos na direção que indicava e enxergamos só a cabeça de Edward. Sorri, aliviada, mas isso durou pouco, pois uma onda enorme o arrastou para junto do penhasco e não conseguíamos mais vê-lo. Como já estive ali antes, sabia que aquela região era cheia de rochedos pontiagudos e mortais.

- Façam alguma coisa! - Berrei desesperada.

Todos sabiam que se Ed tivesse se chocado contra as rochas, os ferimentos poderiam ser fatais.

tttttttttttttttt

Os deixei discutindo e, na atitude mais impulsiva da minha vida, tomei distância, corri rumo ao precipício e simplesmente pulei, deixando para trás um coro de gritos alarmados.

(Continua...)


***

0 comentários :

Postar um comentário