USD - Capítulo Catorze. Parte IV

(...)

Sol, calor, vento, areia, gente bonita, diversão. Todos pareciam compreender bem o sentido de cada palavra, exceto eu.

Alguns dos hóspedes pegavam sol, outros bebiam e comiam. Brad e seus comparsas se mantiveram afastados entornando cervejas, tocando violão e paquerando geral. Emmett e Jasper trataram de fincar guarda-sóis na areia e eu fiquei sozinha, sentada em cima de uma toalha de banho tentando fazer a câmera digital funcionar.

A praia estava meio vazia mesmo sendo alta estação. Eu sabia que a maioria dos banhistas tinham escolhido outras praias da região, onde as águas não eram tão traiçoeiras.

Alice e Jully haviam ido dar um mergulho, mas logo voltaram ensopadas e risonhas.

- A água está ótima. - Minha prima estendeu a mão para que eu lhe passasse sua toalha.

- Legal. - Dei um meio sorriso lhe entregando a toalha.

- Olha aquilo. - Lice sentou-se ao meu lado. - T-zed está tão gostoso que merecia sair do mar em câmera lenta.

Imediatamente virei a cabeça na direção que ela indicava.

Edward estava só com uma bermuda preta, e a ausência da barba, junto com o corte de cabelo moderno, fez com que ele parecesse um modelo molhadinho e super sexy. O cara deu uma corridinha até onde os rapazes estavam e abriu um sorrisão. O problema é que não se deu conta de que o curto trajeto que fez da água até os guarda-sóis, foi suficiente para que algumas garotas reparassem nele. Pior, o reconhecessem.

- Verdade. - Comentou Jully e eu preferi não me manifestar.

(...)

Como o meu irmão é um retardado e o meu amigo um jumento, não perderam tempo e usaram Edward e sua nova aparência para pescar mulheres. Eu me recusei a chegar perto, mas dava para notar que muitas das moças que os cercavam, assistiram ao Me Azare! e demonstravam uma exagerada admiração pelo selvagem.

- Você conseguiu mesmo o que queria. - Lice abriu uma cerveja.

- Hein? - A fitei, percebendo que havia me distraído.

- O Edward. Você sabe... Não queria que ele conhecesse garotas? Não queria que ele tivesse experiências?

- Ah... - Assenti com a cabeça. - Verdade. Eu estou muito feliz com isso. - Alice me conhecia muito bem e não acreditou na minha expressão de felicidade. - Mas o meu trabalho de cafetina só vai estar completo quando ele conhecer a Melanie no Me Azare!. Depois disso, Ed ficará por conta própria. - Tentei lembrar das minhas outras prioridades.

- Vou buscar uma bebida pra te animar. - Deu um tapinha nas minhas costas e levantou-se.

Lice se dirigiu à pequena barraca que os rapazes armaram para guardar os isopores. Toby ficou de guarda na barraca, devorando sanduíches e se afogando em refrigerante.

- Bella... - Jully que estava deitada se bronzeando, sentou-se olhando para o horizonte. -Em alguns momentos achei que você e Edward estavam juntos.

- Mas estamos. - Minha língua foi mais rápida do que meu cérebro. - Espera. Juntos como? - A fitei.

- Tipo namorado e namorada.

Gargalhei.

- Não. Claro que não. Somos amigos... - Refleti por segundos. - Amigos tortos... eu acho. Nos desentendemos bastante. É como... como... - Fiz um esforço para me fazer entender. -Somos muito diferentes, mas juntos somos iguais, saca?

- Não muito. - Sorriu, desculpando-se. - Mas você... - Jully passou as mãos suadas nas coxas. Ela me parecia bastante nervosa. - Se importa se eu me aproximar um pouco dele? -Baixou a cabeça.

- Ué... Achei que preferia ficar longe. Não foi o que me disse?

- É... mas...

- Olha, não é comigo que você tem que se preocupar, e sim com a tal Melanie. - Dei um sorriso fraco. - Vi a foto dela no perfil do Eutouquerendo.com. É bonitona.

Jully suspirou e eu fiquei sem saber o que dizer.

- Toma a tua cerveja. - Lice voltou e me entregou a latinha.

Abri a cerveja, tomei quase metade de uma só vez e fiquei na minha.

- Qual o problema daquele Brandido? - Lice irritou-se. - Não olhe para ele.

Por um impulso, olhei. Não se pode dizer “não olhe”, pois é aí que olhamos mesmo.

McFadden estava do nosso lado direito, há uns 8 metros de distância. O cretino conversava com uma das hóspedes e pelo jeito que ria, dava para sacar que a paquerava.

- Ele deve ter alguma tara por garotas menores de idade. - Jully comentou, fazendo uma sutil referência ao fato de que quando o conheci também era menor de idade.

- Acredito que sim. - Desviei o olhar e tomei o resto da cerveja. Procurei não me abalar com nada que Brad fizesse, eu estava determinada a me preocupar só comigo e meus amigos.- Estamos aqui para nos divertir, certo? - Tentei animá-las. - Não vamos ficar aqui às moscas.

Fiquei de pé e me livrei do vestido de praia. Ajustei a parte de cima do biquíni vermelho e sacudi o cabelo com a mão, deixando-o ainda mais rebelde.

- Vamos dar um mergulho? - Sorri e as meninas fizeram careta, podres de preguiça. -Que seja. - Bufei chateada, mas não desisti de me divertir. - Fui!

Caminhei rumo ao mar sem olhar para trás. O vento em meu rosto e o cheiro da água salgada acenderam fagulhas de empolgação em mim. Logo apressei o passo querendo chegar ao mar. De repente, alguém passou por mim correndo e só quando se distanciou, chegando à água, foi que notei que se tratava de Edward.

Não o segui e mantive meu próprio curso. Ao entrar no mar, banquei a afoita e deixei que a água cobrisse bem além da minha cintura, mas só quando uma onda veio ao meu encontro, foi que realmente ignorei tudo e mergulhei nela sem hesitar. Foi muito divertido, porém logo tive que emergir. Não tive nem tempo de recuperar o fôlego, pois uma onda maior me pegou desprevenida e foi me arrastando para a margem. Cheguei até a engolir um pouco de água. Totalmente desajeitada, busquei me equilibrar, e com dificuldade, consegui fincar os pés no chão.

Com água já na altura dos quadris, passei as mãos no rosto e disse a mim mesma que o pequeno acidente não foi tão ruim. Então do nada, dois banhistas que estavam sentados na areia começaram a rir de mim. Franzi o cenho sem entender e, quando menos esperava, Edward apareceu, se colocando na minha frente. Tudo aconteceu muito rápido e meu cérebro processou as informações com dificuldade.

O selvagem me abraçou, mantendo seus braços em minhas costas e fazendo com que nossos corpos ficassem colados. Ofeguei aturdida e ele me obrigou a dar alguns passos atrás, até que a maior parte de nossos corpos ficasse submersa.

- Edward... - Confusa, retribui o abraço. Ele estava tão carente assim?

O cara soltou uma risadinha estranha, mas não me largou.

- É meio constrangedor dizer isso, mas...

Me afastei o suficiente para conseguir encará-lo.

- A parte de cima do seu biquíni sumiu.

Olhei para baixo e vi que tinha razão.

- AAAAAAAHHHHH! - Gritei alarmada.

- Não grita não. - Se conteve para não rir. - Podem pensar que estou te atacando.

- Que merda! O que vou fazer? - Exasperada, olhei para os lados e nem sinal da peça.

Nunca tinha passado por uma situação semelhante. Era mais do que constrangedor, era estupidamente embaraçoso.

- Calma. - Edward mantinha seu peitoral cobrindo meu busto. - Não adianta se desesperar.

Uma onda se chocou contra nós, mas Edward conseguiu manter o equilíbrio e não fomos arrastados por ela. Logo em seguida, girou nossos corpos para que pudesse enxergar a praia.

- Estou vendo seu biquíni. - Falou com um sorriso.

Forcei o pescoço pra olhar para trás e avistei a peça boiando na margem, perto de onde Toby brincava. Ele viu o biquíni e, com um sorriso matreiro, pegou a peça com a ponta dos dedos.

- Vou lá buscar. - Ed tentou se afastar e o impedi.

Outra onda nos atingiu e dessa vez quase fomos levados.

- Você não é nem doido de me deixar aqui sozinha. Uma onda vai me pegar e eu vou acabar rolando semi-nua até a areia. - Ameacei com o olhar.

- Considerando a sua sorte... - Refletiu, brincalhão. - Existe mesmo essa possibilidade.

Fiquei brava com seu sarcasmo.

- Toby! - Olhei para trás. - Joga essa droga pra cá! - Gritei.

- Que droga? Essa? - Gargalhando, chacoalhou a peça no ar.

- Toby. - Grunhi, irada. - Agora!

- Não! - Ele saiu correndo com o biquíni.

Arregalei os olhos e senti minha boca escancarar.

- Agora complicou. - Edward finalmente percebeu que a situação não era tão engraçada.

- Odeio crianças. - Rosnei.

- E elas odeiam você.

O fitei não crendo que teve coragem de fazer tal comentário.

- Foi só uma observação. - Defendeu-se. - Vamos pedir ajuda.

Edward acenou na esperança de sermos socorridos, infelizmente nossos amigos estavam distraídos e distantes demais para ouvirem qualquer coisa. Ainda mais com barulho das ondas batendo nos rochedos ali perto. De repente, Alice nos olhou, acenou de volta alegremente, e voltou-se para Emm, Jazz e Jully, os quais gesticulavam como se estivessem decidindo algo importante.

- Isso não está acontecendo comigo. - Choraminguei.

Keyshia Cole - This is us

Edward nos girou outra vez, procurando um maior equilíbrio. Buscamos por ajuda nas proximidades, infelizmente não havia quem pudesse nos dar “uma mão”. Os poucos banhistas estavam muito distantes. Cheguei até a pensar que nos isolaram de propósito acreditando que estávamos fazendo alguma safadeza.

- Cadê? Onde está a minha “coisa boa”, o meu momento de sorte que vem logo depois do desastre? Sua teoria é a maior furada, Sr. Celebridade Instantânea. - Emburrei.

- As coisas não acontecem na hora que você quer, Bella. O dia ainda nem terminou.

- Besteira. - Sem querer fiquei analisando o rosto dele. - Hum... - Estreitei os olhos.

- O que foi?

- Depois que encontrar sua garota não podemos ficar nesse tipo de intimidade aqui não, hein? Não pega bem.

- Eu sei disso. - Respondeu com certa indiferença, voltando seu olhar para a praia.

Me arrependendo de ter dito tamanha asneira, fitei o mar e cada um ficou olhando para uma direção diferente. Passaram-se quase três segundos, então suspiramos simultaneamente. Foi um suspiro mais puxado para o lamento do que para o alívio.

Para não ruborizar, mudei rapidamente de assunto.

- Clima bom, né?

Edward me encarou meio confuso.

- O quê?

- O quê? O quê? - Me perdi, porém logo me achei. - Eu falei... do clima. Sol, mar, etc... Não de nós colados aqui... semi-nus. - Fiz uma careta.

É, eu devia ter ficado no “O quê? O quê?”

- É assim só comigo?

- Seja mais claro.

- Você sabe... - Pareceu se arrepender de ter começado a pergunta. - Beijo e outras coisas. - Olhou rapidamente para o meu corpo.

- Claro que não. - Ri, desconcertada. - Isso acontece comigo e Emmett o tempo todo. -Menti e meu sorriso sumiu. - É bem coisa de amigos. - Desviei o olhar.

- Entendi e ao mesmo tempo não.

- Ed, vai buscar alguma coisa para eu vestir. - Preferia ser arrastada pela praia inteira nua a ter que continuar a conversa.

- Já volto. - Nadou para a praia e eu cobri o busto com as mãos, mesmo sabendo que a água escondia meu corpo.

Me concentrei nas ondas e pouco tempo depois senti uma presença.

- E aí? - Brad me lançou seu sorriso 171. Ele estava há um metro de mim. - Ajuda? -Mostrou a camiseta preta com o logotipo da banda.

- Joga. - Exigi emburrada.

Será que ele ficou nos observando o tempo todo?

- Não sei não. - Brincou. - Prefiro você de topless.

- Vai pro... - Fiquei indecisa, havia tantos lugares que queria mandá-lo. - Pro raio que o parta!

O idiota apenas riu.

- Toma, Bells. - Jogou a camiseta. - Não esqueça de me agradecer depois.

Nadei até alcançá-la e a vesti bem rápido. A barra da camisa ficou flutuando, mas conforme eu saia da água ela grudava ao meu corpo.

Caminhei em direção aos guarda-sóis e encontrei Ed no meio do caminho. Ele segurava a parte de cima do meu biquíni e não falou nada quando lhe tomei a peça. Continuei andando deixando-o para trás, só que após dar cinco passos, olhei para trás e notei que ele continuava no mesmo lugar. Edward respirou fundo, fitando o horizonte.

Imediatamente me perguntei se ele teria ficado chateado por eu ter aceitado a ajuda de Brad ao invés de esperar a dele. Oras, era questão de necessidade. Então refleti por cinco segundos e cheguei à conclusão de que Edward não ficaria ressentido por uma bobagem. Ainda mais uma bobagem que envolvia a mim.

Assim que abandonei os questionamentos inúteis fui até ele e cutuquei suas costas. Ed virou-se e disparei a falar.

- Obrigada por me salvar da humilhação. - Sorri querendo manter o clima amistoso. -Quer que eu te ajude com as fãs? Você sabe que eu, Bella-Bill, sou melhor com as garotas do que os rapazes. - Girei o biquíni no ar. - Vamos lá, vai ser divertido, princeso. - Fui sincera em cada palavra.

Edward ficou me encarando com os olhos semicerrados. Havia de fato um ressentimento, mas não conseguia compreender a origem disso. Então, sem falar nada, ele saiu deixando-me no vácuo.

- E lá vamos nós de novo. - Murmurei por entre dentes.

Girei o corpo e corri para alcançar o esquentadinho. Sem avisos, pulei em suas costas. O selvagem se desequilibrou, mas não foi ao chão. Com as pernas e braços em volta de seu corpo, sussurrei junto ao seu ouvido:

- Perdeu a noção do perigo, rapá? Agora vai chover dor! - É claro que eu estava brincando. - Só porque agora você é famoso vai ficar fazendo manha? - Ri.

- E eu estou em posição de fazer manha?

- Ôôô se tá!?

Edward não conseguiu ficar sério.

- Fiquem parados! - Alice veio correndo armada com a câmera digital. - Digam: eu vim de Kombi.

- Eu vim de Kombi. - Falamos juntos e ela tirou uma foto.

Eu fiz careta mostrando a língua e Ed saiu com cara de quem estava pensando: onde me meti?

(...)

- Você tem certeza que quer fazer isso? - Indaguei para Jasper.

- Fica na tua, Bella. Jasper sabe o que está fazendo. - Ele tirou a camiseta e Emm, Alice e eu gememos de desgosto.

- Se ele diz que sabe... - Ed cruzou os braços, louco para ver se meu irmão sabia mesmo subir em um coqueiro.

- Jasper já fez isso antes. - Amarrou uma corda na cintura, mentindo descaradamente. -Jasper vai tirar aquele cacho de cocos sem derrubar nenhum. - Apontou.

Olhei para cima e fiz uma careta, prevendo a merda que o PhD em escrotice ia fazer. Jazz, determinado a levar os cocos para casa, pôs a faca entre os dentes, se achando o Rambo. Então, se agarrou ao tronco e foi escalando a porcaria parecendo um macaco.

- Vai indo. - Emmett apoiou. - Vai indo que eu sei que tu adora se agarrar num pau.

Jasper grunhiu sem poder responder.

- Não existe uma música sobre isso? - Lice riu.

Com esforço e muito suor, o idiota chegou à metade do coqueiro. Então, quando vimos que ele estava pensando em desistir, resolvi dar um apoio moral.

- Vai tre... pan ...do! Vai tre... pan ...do! - Puxei o coro e Emmett me acompanhou.

Jazz grunhiu alto, totalmente vermelho de raiva. O incentivo deu certo e ele alcançou o cacho de cocos. O mongo envolveu o tronco com as pernas, ficando suficientemente seguro para soltar uma das mãos e com ela amarrou a outra ponta da corda no cacho.

- Não é que ele vai conseguir?! - Comentei espantada.

- Há! Há! - Debochou de nós se achando o sabichão.

O cacho possuía uns oito cocos grandes e eu fiquei louca de vontade de provar um deles.

- Corta logo o cacho. - Emm opinou.

Jazz deu uma última verificada no nó da corda em sua cintura e começou a cortar a parte do coqueiro que sustentava o cacho.

- Eu não quero nem ver. - Ed murmurou, balançando a cabeça.

- Por quê? - Perguntei.

- AAAAAAAAAAAHHHHHHHHH! - O cacho pesado despencou e meu irmão, agarrado ao tronco, veio deslizando com rapidez. - AAAAAAAAHHHHHHHH!

Não deu tempo de agirmos, o imbecil caiu na areia com o peito e os braços arranhados, na verdade, quase em carne viva. Fizemos um círculo em volta dele e Edward falou:

- Ele é mesmo seu irmão. - Fez um enorme esforço para não rir.

- Tá ardendo... - Jazz soltou uma série de palavrões.

- Rápido, vamos levá-lo para o mar. - Lice ficou aflita.

- E terminar de matar? - Ironizei.

- Ah, é. Água saldada. - Ela se entristeceu.

- Pelo menos os cocos estão intactos. - Emmett ergueu o cacho.

Preocupada, fitei o selvagem com um olhar suplicante esperando ele ter uma ideia.

- Tudo bem, Bella. Jasper é forte. - Colocou uma mão em meu ombro e Jasper começou a chorar alto. - Talvez não. - Suspirou.

(...)

Lavamos os ferimentos do meu irmão com água mineral e ele ficou em baixo de um guarda-sol, com a maior cara de choro.

Emmett abriu um dos cocos para mim. Coloquei dois canudinhos e o estendi para Jasper, dizendo:

- Vai uma aguinha de coco?

Ele me encarou por um segundo, então voltou a chorar.

- Socorro. - Toby chegou junto.

- O que foi?

- Entalei. - Seu lábio inferior tremeu por causa do choro contido.

Olhei para a bóia infantil em volta da sua barriga e gemi de desgosto, imaginando como ia livrá-lo daquilo.

(...)


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