USD - Capítulo Catorze. Parte III

(...)

O dia já começou agitado. Jasper tinha programado um passeio e eu nem me lembrava. Dei uma geral nas suítes com a ajuda da dona Bogdanov e assim que pude, fui auxiliar Alice.

Ao passar pela sala, vi que Edward estava falando ao telefone e imediatamente supus um milhão de coisas. Ele me olhou de relance, e para que não pensasse que eu estava bisbilhotando, segui meu caminho.

- Com quem o selvagem está falando? - Indaguei ao entrar na cozinha.

- Com o pai dele. - Lice respondeu, enchendo um grande isopor com vários tipos de bebidas. - Ouvi uma coisa ou outra quando estava arrumando a sala.

- Aconteceu alguma coisa? - Encostei-me no balcão, extremamente curiosa.

- Sabe que seu pai lê todos os dias o Gazeta da Flórida, certo?

- E...? O que uma coisa tem a ver com a outra?

Ela foi até a mesa da cozinha e voltou com o jornal.

- Vou ler só um trechinho... - Ela já havia separado a página em questão. -O jovem de 23 anos, Edward Cullen, que afirma ter passado toda a sua vida em uma ilha no Pacifico Sul, foi o principal destaque do novo programa da rede TVK, a qual vem sofrendo há meses com baixa audiência de seus programas. Pouco se sabe sobre Edward Cullen, mas sua simpatia beirando a timidez roubou a atenção dos telespectadores e fez com que o Me Azare!, apresentado por Zac Gilles, atingisse inesperados picos de audiência.”

- Tá de onda! - Arranquei o jornal de suas mãos. - Qualé! - Grunhi, me deparando com uma foto de Edward, tirada no programa, no topo da matéria.

- E essa matéria está também na versão on-line do Gazeta.

- Isso é uma tentativa de me consolar? - Fiquei chateada. - Será que agora meu pai vai descobrir sobre o resort? - Amassei o jornal.

- Só se Edward contar. - Voltou a empilhar as latinhas dentro do isopor. - Relaxa... O sucesso dele não tem nada a ver com nosso projeto. Charlie nunca vai saber.

- Sucesso? - Franzi o cenho, estranhando o soar da palavra.

Alice gargalhou e não entendi por quê.

(...)

Corria carregando uma cadeira de praia embaixo de cada braço. Ainda assim, gritei:

- Ei, Ed!

Ele já estava quase chegando à casa da árvore.

- O que foi, Bella? - Veio até mim e evitou que eu despencasse com as cadeiras.

- Seu pai... - Arfei. - Pode pôr a culpa em mim.

- Mas a culpa é sua. - Disse sério, porém logo sorriu, mostrando que estava brincando. -Meu pai se preocupa comigo, mas respeita minhas decisões e individualidade. Não sou nenhuma criança.

- Ah... - Baixei a cabeça desejando que meu pai agisse da mesma forma. Ele havia acabado de me encher de instruções ao telefone, e claro, soltou um tremendo interrogatório, que por sorte, driblei. - Eu te vi no jornal. - Mudei de assunto.

- Vai sair? Jasper me falou que vocês vão para a praia. - Edward parecia não querer falar sobre sua recente exposição.

- É. Os rapazes fizeram o mesmo passeio com os primeiros hóspedes e fiquei de fora, não posso deixar de ajudar dessa vez.

- Entendo.

- Mas tem uma coisa boa nisso.

- O quê?

- Você vai também.

Edward me encarou como se eu tivesse acabado de lhe dizer que íamos açoitá-lo.

(...)

Amontoamos uma série de parafernálias no porta-malas da Kombi e isso incluía as cadeiras de praia, guarda-sóis e isopores abarrotados de bebidas e... Bregueço, bregueço, e mais bregueço.

Alice me ajudou a escolher um biquíni “comportado” e por cima de tudo, coloquei um vestidinho de praia bem simples e feioso.

Não perdemos mais tempo e procuramos organizar o grupo de hóspedes que esperava na calçada. Éramos uma galera muito esquisita: duas adolescentes, um velhinho surdo que não largava a gaiola de seu papagaio; o gordinho que fez seu pai me pagar para tomar conta dele, pois o coroa tinha outros planos; dona Bogdanov, Jully, Edward e meus amigos.

- Se a gente apertar um pouquinho vai caber todo mundo. - Emmett foi praticamente fuzilado pelos nossos olhares.

- Quem sabe o Brad não pode dar uma caro... - Alice se calou assim que vimos o Link 69 partir sem se importar com o nosso sufoco.

- Deixa o Brandido e seu Mustang idiota pra lá. - A consolei. - Vamos dar um jeito. - Sorri para os hóspedes.

- Hora de irmos! - Jasper ordenou, batendo palmas.

(...)

Como acomodamos 11 pessoas em uma Kombi caindo aos pedaços? Simples... Na verdade, não tão simples: Emmtt no volante, Jully no banco do carona, logo atrás, as adolescentes e o velhinho surdo. E por último, no banco perto do porta-malas, acomodamos a Bogdanov, o gordinho e Alice sentada no colo de Jasper. Já eu, fiquei no fundão também. Sentada no colo de quem? É, Edward.

Foi difícil espremer 6 pessoas no último banco, mas como as adolescentes reclamaram da falta de conforto e organização, tivemos que fazer alguns sacrifícios para agradá-las.

- Tudo certinho aí atrás? - Emm perguntou.

- Vai na fé, véi. - Jazz falou alto.

- Tem certeza que Brad está indo para a mesma praia? - Cochichei no ouvido de Alice.

- Sim. - Ela sussurrou. - Ele quem apresentou o local aos meninos.

- Vamos lá, pessoal! - Emmett ligou a monstrenga e ela roncou alto. O cano de descarga soltou a costumeira fumaça tóxica e negra. A Kombi chacoalhou, só que infelizmente não saiu do lugar. - Muito bem... - Nosso motorista olhou para trás. - Quem vai descer pra empurrar?

Grunhi cobrindo o rosto com as mãos.

(...)

E lá estávamos nós, pipocando na rodovia estadual rumo à Titusville. A ironia é que pretendíamos ir para a mesma praia em que Edward e eu visitamos após uma louca noite no Bucaneiro.

Quase todos conversavam, mantendo o lugar barulhento e estressante, só que vira e mexe a velha monstrenga dava um solavanco, fazendo com que Alice gargalhasse de nossa ridícula situação. Após outro solavanco, olhei para trás e reparei que meu irmão mantinha os olhos vidrados em Edward, obviamente, tentando se certificar de que o cara não estava se aproveitando dos meus constrangedores pulinhos em seu colo.

- Pára de me encarar. - Edward reclamou ranzinza.

- Jasper está de olho em você. - Respondeu como um mafioso.

- Deixa de ser idiota, Jazz. - Para a minha sorte, Alice o repreendeu e eu a apoiei com um sorriso. - Deixa o T-zed aproveitar as coisas boas da vida.

Meu sorriso desapareceu.

- Que cheiro horrível é esse? - A jovem da frente se virou para nós.

- Quem soltou que se acuse. - O pancinha riu, se entregando.

- Pelo amor de Deus, escancarem essas janelas! - Lice começou a passar mal, e não era para menos, só duas janelas estavam abertas.

- Você disse que ia se comportar. - Estiquei o braço na frente de Alice, tentando alcançar o Toby.

Ele se espremeu contra a Bogdanov e gargalhou, dizendo:

- Foram os chocolates.

- Seu gordinho pilantra. - Rosnei por entre dentes.

- Gordinho pilantra. - O papagaio repetiu, chocando a todos.

Imediatamente voltei para o meu lugar pensando: isso não é bom.

(...)

15 MINUTOS DEPOIS...

- Gordinho pilantra. - O papagaio não parava mais de tagarelar aquilo.

- Já chega, vou empalhar esse bicho! - Toby atirou suas mãos gordinhas contra a gaiola.

- Nããooo! - Lice e eu gritamos juntas.

- Larga. - O velhinho se aborreceu, lutando para proteger sua ave.

- Pelo amor da minha santa paciência, deixa o papagaio em paz. - Pedi em voz alta, tentando desesperadamente puxar Toby pela camiseta.

- O quê? - O senhor me fitou, obviamente não entendendo.

- Olha, por que também não fica mudo?

- Topa tudo? - O velho me olhou estranho, entendendo só o que queria. - Minha filha, não diga uma coisas dessas... Você é tão nova.

- Eita, já puxaram pro buraco da maldade. - Emmett lá da frente, gargalhou.

- Não diga asneiras. - Repreendi o hóspede.

- Trabalha a noite inteira? - O velho inclinou seu ouvido em minha direção.

- O senhor me faz perder a paciência!

- Concordo... É uma indecência. - O maldito surdo fungou.

- Desista. - Edward sussurrou.

Com a cabeça começando a latejar, fitei Toby, dizendo:

- Cola o rabo nesse assento e fica quieto.

- Gente, vocês não estão sentindo falta de alguém? - Jasper perguntou.

- É. Estou... - Emmett coçou a nuca.

Por alguns segundos houve silêncio, até que...

- ROSALIE! - Emm freou abruptamente.

Minha cabeça se chocou contra o teto da Kombi, ativando minha imaginação e, sem querer, viajei na maionese...

...

Podia ver claramente a loira.

Depois de horas se arrumando, estava plantada na calçada com um biquíni provocativo, um grande e estiloso chapéu na cabeça, óculos escuros e salto alto.

Rosalie olhava para os dois lados da calçada, completamente confusa.

- Pessoal? Cadê vocês? - Tirou os óculos.

...

Assim que pude, balancei a cabeça, procurando não dar asas à imaginação... Ela podia ir longe.

- Por favor, não vamos voltar. Já estamos quase chegando em Titusville. Emm, quando chegarmos lá, você liga para a sua chave de cadeia. - Alice implorou.

- Quer saber? - Emmett se virou para nós. - Não vamos voltar! A libertina merece um castigo depois do que me fez passar ontem.

- Alguém quer trocar de lugar? Essa cozinheira está fazendo cafuné na cabeça de Jasper. - O idiota suava horrores.

A Bogdanov passara o braço por trás dos ombros de Toby e alcançara os cabelos de meu irmão. Havia um sorriso matreiro nos lábios da estranha mulher.

- Vai! Vai! Vai! - Gesticulei freneticamente, louca para sair da Kombi.

Emmett deu a partida e a lata-velha, mais uma vez, deu um solavanco. Subimos e descemos feito uma mola.

- Jasper. Viu. Isso. - Rosnou por entre dentes, chamando nossa atenção. - T-zed está se aproveitando da situação. - Acusou.

Imediatamente olhei para trás e encarei o selvagem.

- Não. - Balançou cabeça, sentindo-se acuado. - Ele está enganado.

- Jasper vê. Jasper sabe. - O imbecil insistia em bancar o irmão mais velho. - Bella vai trocar de lugar com o Toby.

- Como vocês dizem aqui, isso não vai rolar. - Ed falou e eu ri alto.

Essa era a primeira vez que ele usava uma gíria.

- Quem vai no colo de quem não importa. A Kombi não está andando. - Emmett se irritou.

- Se arrependimento matasse.... - A jovem hóspede jogou os braços para o alto.

(...)

- Foooorrrrçççaaaaaaa! - Jasper berrou totalmente vermelho.

Ele, eu, Lice e Edward empurrávamos arduamente a monstrenga pela pista. Ela estava pesada e isso exigia muitos de nossos músculos. Os malditos hóspedes estavam nitidamente nos punindo, não ajudando em absolutamente nada.

Tivemos que ficar próximo ao acostamento, pois do nosso lado esquerdo passavam vários carros, os quais, claro, não ofereceram nenhuma ajuda.

- Vai! Vai! - Emmett gritou, pondo o braço para fora.

- Cala a boca! - Berrei de volta, já ficando sem forças.

De repente, um carro passou por nós e um idiota colocou a cabeça para fora, gritando:

- OLHA A FEIRA!

- Já chega! - Alice choramingou, desistindo. - É muita humilhação, meu Deus do céu. -Caiu sentada no acostamento.

Todos nós paramos e Emm quase saiu da Kombi para nos matar.

- Por favor, não vai fazer caso agora. - Tentei erguê-la, mas Alice não ajudou.

- É muita vergonha, meu povo. - Soluçou.

- Ninguém disse que gerir uma imitação de resort ia ser fácil. - Retruquei.

tttttttttttttttt

- Ali na frente tem uma subida. Vamos fazer um último esforço. Empurramos a Kombi até lá, depois é só deixar ela descer com tudo e partir pro abraço. - Jasper obrigou Lice a levantar.

- Não é má ideia. - Ed foi otimista.

Com nossas mãos espalmadas na lataria, trocamos olhares e meu irmão gritou novamente:

- Foooorrrrçççaaaaaaa!

Empurramos.

A monstrenga andava devagar, mas pelo menos andava.

- Um dia vamos olhar para trás e rir disso tudo. - Falei.

- Para mim esse dia é hoje. - Edward gargalhou sozinho.

Quase morremos para fazer a lata-velha chegar ao topo da rampa, então quando o motor rugiu alto e a Kombi desceu a rodovia com tudo, paramos para comemorar.

- Viu, foi fácil. - Jazz riu.

Exaustos, ficamos assistindo a Kombi ir embora sem nós.

- EEEIIIIIIII! - Gritamos juntos, desembestando a correr atrás da monstrenga.

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