USD - Capítulo Catorze. Parte II

Alice e Emmett foram para suas casas, Jazz praticamente desmaiou no sofá da sala e eu tive que cuidar do enorme cesto de roupa suja. Joguei tudo na máquina e, antes de ir para o quarto dormir um pouquinho, resolvi procurar Edward e lhe oferecer algo para comer.

Antes mesmo de alcançar a casa da árvore, avistei o selvagem dentro da jaula do puma. A jaula era sempre mantida longe da casa, em um local onde a grama era mais alta e a copa das árvores proporcionavam uma boa sombra.

- O que está fazendo? - Indaguei ao me aproximar.

Edward estava sentado dentro da jaula acariciando as costas do felino, o qual deitado no chão, abria o bocão em um bocejo.

- Nada. - Respondeu despreocupado.

Me mantive há meio metro das grades e temi pela segurança do meu amigo.

- É melhor você sair daí.

- Como foi sua conversa com Brad? - Desdobrou as mangas da blusa branca, mas não fechou os botões da mesma.

Gemi alto.

- Difícil, mas acho que me saí bem. E você? Empolgado para conhecer Melanie?

Ele mordeu o lábio inferior e franziu o cenho.

- É complicado. Não sei o que esperar, porém tenho um bom pressentimento. Na verdade, um ótimo pressentimento. Algo me diz que... vai dar tudo certo.

- Está tão confiante assim?

- Estou. Não deveria estar? - Sorriu.

- Como consegue? Eu no seu lugar estaria apavorada. - Ri sem humor. - Quer dizer, estar lá, na frente das câmeras, com toda a pressão para escolher alguém que nunca viu pessoalmente.

- Preferia que não fosse assim, mas também não me incomodo. Eu sei que vai acontecer alguma coisa boa para compensar.

- O quê? - Não entendi. - Que coisa boa? - Parecia que não estávamos mais falando de Melanie.

- Eu sei que é loucura e não tenho fatos suficientes para sustentar minha teoria, mas... -Sorriu torto. - Venho notando que quando nos envolve em confusões, sempre acontece alguma coisa boa depois.

- É? - Arqueei a sobrancelha, muito surpresa.

- Pelo menos tem sido assim até agora. Talvez seu azar seja um tipo bizarro de sorte. -Brincou.

- Hum... - Retorci a boca, pensativa. - Depois vou analisar direitinho essa sua teoria. - Me aproximei da jaula até tocá-la.

Imediatamente o puma reagiu. Ficou de pé e rugiu baixo para mim. Sobressaltada, me afastei ao ver a ponta de suas presas.

- Edward, sai logo daí. - Quase gritei por socorro.

Ele estreitou os olhos, estudando-me.

- Vem cá. - Chamou-me com a mão.

- Ficou louco? - Esbravejei, aumentando a distância entre mim e a jaula.

O cara acalmou o animal o obrigando a sentar e saiu da jaula.

- Não se preocupe, Bella. Não irá se machucar. - Veio até mim.

- Esqueça. Posso ser pirada, mas não sou suicida.

- Confie em mim. - Arrastou-me pelo braço até as grades.

Lutei, pendendo o corpo para trás e grunhindo com o desespero quase à flor da pele.

- Pelo amor da minha pele, não faça isso comigo. - Choraminguei covardemente.

- Fica quieta. - Ordenou, prendendo-me contra a grade.

Tentei sair correndo, só que o idiota ficou atrás de mim, com as mãos firmes em minha cintura.

- Eu vou te matar. - O medo começou a se transformar em raiva.

- Fique. Bem. Quieta. - Falou junto ao meu ouvido em um tom baixo, mas extremamente dominante.

Receosa, decidi não contrariá-lo. Edward soltou minha cintura e afastou meus cabelos para por seu rosto perto do meu ombro. Imóvel, mantive meu olhar em um ponto fixo e meu estômago embrulhou.

- Escute. - Colocou apenas a palma direita de volta na minha cintura. - Sei que teme muitas coisas, e por vezes, cede a esses medos agindo impulsivamente. Precisa aprender a dominar seus medos, pois nunca vai conseguir eliminá-los completamente. Ao se controlar, vai poder raciocinar devidamente antes de tomar qualquer decisão.

Nada respondi, na dúvida se ele estava certo ou se estava apenas tentando mostrar-se melhor do que eu.

Edward assobiou e o puma veio até nós, parando há mais de um metro das barras de ferro. O animal agitado, ficou andando de um lado para o outro, enquanto Ed continuava a falar perto do meu ouvido.

- Domar esse tipo de animal é difícil. A natureza de felinos selvagens é única, eles ficam irados ou calmos à toa. Por isso, o segredo para domá-los é justamente compreendê-los. Quando se alimenta um puma, por exemplo, não se pode lhe dar um animal vivo. Ele se tornará uma fera por causa do instinto de perseguir e matar. É preciso saber a hora certa de alimentá-lo. O puma não pode estar com fome, nem saciado. - Edward fez uma pausa e senti seus olhos sobre meu rosto. - Não pode demonstrar medo. Tem que se impor, mas também precisa mostrar respeito.

Fitei o animal e ele não me parecia nada confiável. Seus grandes olhos amarelos me davam calafrios.

- Bella, se ele te encarar o encare de volta. Eu agrado meu puma, mas não faço todas as suas vontades. Não o obedeço. Algumas vezes tenho que ser firme. É preciso mantê-lo em equilíbrio, nem muito alegre, nem muito descontente. Quando estou com os pumas sou bom e mau ao mesmo tempo, isso faz com que eles sintam que sou exatamente como eles.

Edward fez mais uma pausa, esperando que eu digerisse todas as informações, e quando eu já estava começando a me acalmar, disse:

- Quero que toque na cabeça do puma.

Arregalei os olhos, voltando a me agitar.

- De jeito nenhum! Não quero ficar sem mão.

- Ao menos tente.

- Esqueça. Não pode me obrigar.

- Posso sim.

Virei a cabeça para encará-lo e notei que falava sério.

Imediatamente tentei me desvencilhar, porém o imbecil envolveu seus braços em minha cintura e me vi totalmente indefesa.

- Ed, isso não tem graça. - Vociferei.

- Tente apenas uma vez.

Revirei os olhos, bufando.

- Uma vez. - Concordei.

- Acalme-se primeiro.

Respirei fundo, sem saber onde foi parar meu juízo.

- Acalmada. - Avisei.

Edward me soltou e mesmo sem olhar para seu rosto, sentia no ar sua satisfação.

- Sou eu quem decide. Não está calma o suficiente.

Prepotente!

- Agora estou. - Não dei o braço a torcer.

- Shhh. - Pressionou toda a extensão de seu corpo contra o meu, mantendo o braço esquerdo colado à minha barriga. - Não está respirando. - Murmurou.

Estranho, nem notei.

Inspirei e expirei, em seguida, Edward deslizou a mão que estava livre em meu braço direito até alcançar a palma. Mordi o lábio quando minha pele se arrepiou... de medo... claro. Ou, não tão claro...

O selvagem ergueu minha mão e vagarosamente foi colocando-a entre as barras, até que minha palma e parte do antebraço ficassem dentro da jaula. Ele resvalou a mão por meu braço e foi descendo pela lateral do meu corpo até chegar a cintura.

A calda do puma se mexeu e a ponta das prezas ficaram a mostra, conforme rosnava baixo ao ver que eu estava invadindo seu território.

- Abaixe a mão. Tente alcançá-lo. - O sádico ordenou.

Hesitei, com a mão trêmula. Estava morrendo de medo de perder algum dedo. E se o puma saltasse e mordesse minha mão? Gemi, angustiada

- Não está se concentrando, Bella. Pare de pensar, seja forte. Mostre determinação e confiança em si mesma.

Engoli em seco. Que diabos Edward estava fazendo comigo?

Meu quase ex-amigo assobiou outra vez e o puma deu três passos, atento, na defensiva, articulando.

- Coloque o braço inteiro dentro da jaula. - Fez uma pressão na minha cintura.

- Não posso. - Murmurei.

- Te falta equilíbrio interior. O puma vê isso e tem dificuldade em confiar. Ele sente que está oscilando entre pavor e coragem, raiva e incerteza, conseqüentemente os instintos de autodefesa dele são acionados.

- Eu... -

Perdi o único fio de confiança que me restava. Nesse exato momento o felino soltou um rosnado alto, preparando-se para saltar sobre mim. Ed me puxou para trás tão rápido que mal consegui reagir. Uma das patas do puma atravessou a jaula, buscando por mim como se eu fosse uma presa, ou um inimigo.

Assim que Edward me largou, minhas pernas vacilaram. Caí sentada, bestificada com a ira do animal que rugia estridentemente.

- É muito raro atacarem pessoas. - Ed ficou olhando para o puma como se realmente não esperasse por aquilo. - Não era para ter acontecido. Achei que ele só ficaria na defensiva. Me desculpe. - Me ajudou a levantar. - Não sei como explicar isso. O puma não agiu dessa forma com nenhuma das pessoas que Emmett trouxe aqui. Sob minha supervisão, alguns chegaram perto suficiente para tirarem fotos com ele e o animal nunca ficou agitado.

- Ótimo! - Chateada, puxei meu braço com força. - Valeu por me obrigar a fazer essa besteira.

- Achei que era seguro o suficiente. Há uma hora atrás sua prima esteve aqui conversando comigo e ela tocou no puma. Não teve problema nenhum.

- Jully esteve aqui? - Estranhei e a raiva diminuiu. - Ela tocou nesse bicho?

- Sim. - Respondeu com naturalidade. - O puma nem rosnou para ela, então acho que o problema dele com você é pessoal. - Conteve o riso.

O que aquilo significava? Que Jully e os outros possuíam equilíbrio interior e eu não?

- Boa noite. - Saí, carregando comigo um misto de raiva e tristeza.

- Boa noite, Bella. - Suspirou.

Tive a impressão de que Edward murmurou alguma coisa, só que não fiquei curiosa o suficiente para me virar e lhe perguntar.

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