USD - Capítulo Catorze. Parte I

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Diário de Bordo - Edward Cullen

Orlando, EUA.

Quando Bella me contou que me inscreveu em um programa de Tv, achei que era algum tipo de piada de mal gosto. No entanto, ao perceber que a insensata garota falava sério, me irritei mais do que esperava. Cheguei a ser rude ao explicar para ela e Alice o quanto me sentia desrespeitado. Estou sempre tentando equilibrar minhas emoções a fim de ter total controle sobre elas, mas Bella consegue ultrapassar todos os limites imagináveis, alcança um lado de mim pouco explorado e, algumas vezes, vulnerável.

Vulnerável. Essa é uma boa palavra para definir como me sinto agora. Não compreendo o que tem nutrido o ressentimento que surgiu na noite passada quando ouvi Bella e Alice conversando sobre mim. É como se eu estivesse com o peito exposto e as equivocadas opiniões dela a meu respeito me atingissem. Isso não é comum para mim. Não me importo com julgamentos, principalmente vindos de alguém com tantos defeitos.

O que pensar? O que fazer? Mesmo ressentido e chateado, ainda desejo manter um elo de amizade com Bella. A questão é: por quê? Em circunstâncias normais eu já teria me afastado da garota. Será que é porque eu me diverti no Bucaneiro e, muito mais, quando saltamos do penhasco? Será que é porque ela se mostrou solidária quando falamos sobre minha mãe? Existe também uma possibilidade de ser por causa do orgulho que senti quando assumiu seus erros e se dispôs a aprender com eles. Bella tem lutado por si mesma e não consigo deixar de admirar isso.

De qualquer forma, algumas frases dela ficaram gravadas na minha memória. Ela me considera uma mistura de “homem das cavernas com nerd e adolescente deslocado”. Posso até entender que não se sinta atraída por mim, mas isso não significa que sou o desprezível, ou “inferior”, como ela mesma disse.

Venho trabalhando com Emmett e Jasper, tentando lhes motivar a serem disciplinados, astutos e destemidos. Talvez Bella também necessite de alguém que lhe mostre que julgar as pessoas antes mesmo de conhecê-las devidamente, é um erro que empobrece a alma. A garota tem me ajudado em muitas questões ligadas a esta terra, por isso, vou afastar o rancor e tentar lhe fazer enxergar o quanto o seu “mundinho fechado” pode estar sendo a causa de sua infelicidade.

Não será tão difícil me empenhar, pois vou tentar conciliar a idéia que acabei de ter, com minha busca por respostas e experiências. Se Bella acha que terei mais chances de conhecer uma moça indo a esse programa de televisão, assim o farei.

Não vou ser hipócrita e também me fechar no meu mundo. A partir de hoje, serei acessível e flexível. Não vou descartar possibilidades e arriscarei mais, exatamente como faria em qualquer tipo de expedição.

Hoje vou terminar essa página com uma frase que se encaixa perfeitamente nesse meu momento de vida.

"Não é o mais forte o que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças". Charles Darwin.

***

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! - Sacudi as mãos em frente à Tv, como louca. - O QUE ACONTECEU? - O berro foi tão alto que minha garganta doeu. - NÃO PODE SER VOCÊ! - Chacoalhei a televisão.

Tinha que ser algum efeito especial, porque o selvagem estava IMPOSSIVELMENTE LINDO! Ele estava sem aquela barba exagerada de mendigo, e a pouca que havia, deixou seu rosto másculo e até sexy. INACREDITÁVEL! E não era só, o cabelo grande e desgrenhado tinha sumido, dando lugar a um corte super moderno. E a roupa? Caramba! Ele estava com um terno preto muitíssimo alinhado, como nunca pensei que usaria. MEU DEUS! QUEM ERA AQUELE HOMEM MISTERIOSO? Aqueles olhos azuis que me salvaram do azar permanente PERTENCIAM A ESSE... ESSE... PEDAÇO DE TORMENTO o tempo intero? Eram esses mesmos olhos expressivos que agora atraíam fatalmente a atenção de todas as mulheres da platéia? NEM EU MESMA CONSEGUIA DESGRUDAR OS OLHOS DELE! COMO FICOU TÃO INSANAMENTE...? DROGA! INSANAMENTE...? Meu cérebro não conseguia processar tamanha percepção. Palavras não eram mais encontradas em minha mente. Eu estava em irreversível estado de choque e talvez demorasse horas para voltar à racionalidade.

***

Capítulo 14 - Um Selvagem Confiante

- Como é que pode? Esse é o T-zed? Por isso que dizem que a televisão muda as pessoas. - Meu irmão embasbacou.

- Graças a Deus que eu tou solteira. - Rosalie comemorou.

- Quê?! Libertina... - Emm rosnou.

- Gente do céu... - Jully tentou me fazer largar a Tv, mas minhas mãos ficaram congeladas no aparelho. - Acho que a Bella não está bem.

Edward caminhou até a fileira de cadeiras com um grande sorriso. A platéia o recebeu muitíssimo bem. Já eu, continuei paradona feito uma mongolóide.

De repente, meu celular vibrou no bolso e isso me fez despertar.

- AAAAAHHHHHH! - Alice gritou assim que atendi. - Você está vendo? Está vendo? -Ofegava como se estivesse pulando.

- Quem é esse homem na televisão?

- Seja lá o que você disse para o T-zed na casa da árvore, deu certo. A equipe de cabelo e maquiagem quis dar uma geral nele e o cara nem os questionou. Depois eu te ligo porque não posso falar no celular aqui no estúdio. Fui!

- Por que os gritos? Cadê o desastre? - Brad veio do jardim.

- Vou te dizer cadê o desastre... - Emmett estava mesmo aborrecido. - Eu vou ser o próximo corno. - Estreitou os olhos, refletindo. - Será que estou provando do meu próprio veneno? Amargo...

- T-zed está na Tv. - Jasper explicou.

- No noticiário policial? - Meu ex riu. - É por isso que a Bella está rezando?

Fiquei de pé, muito revoltada.

- Edward está em um programa de auditório. - Me afastei para que ele enxergasse a tela.

- Não brinca?! - Gargalhou tentando enxergá-lo em meio a tanta gente bonita. - Onde?

- Ele é o de terno preto. - Apontei com satisfação.

- É, já vi. - Para o Brandido, a piada acabou ali.

- Cala a boca todo mundo que agora o malandro vai entrevistar o T-zed. - Jasper aumentou o volume e eu me sentei no sofá.

“Edward, é mesmo verdade o que a produção me falou? Você veio de uma ilha no Pacifico Sul chamada...” Deu uma olhada na ficha em sua mão. “Malaita?”

Afundei do sofá, fechando os olhos.

Não responda! Não responda!

“Sim.” Logo que ouvi a resposta, gemi de dor.

Por fora eu parecia calma, mas por dentro começava a surtar. Edward não sabia ler nas entrelinhas? Será que não tinha ficado claro que ele devia se esquivar de certas perguntas? Nós fizemos isso no Bucaneiro, usamos meias verdades e deu certo. Acreditei que há essa altura do campeonato, a ficha dele já tinha caído.

“Edward, poderia nos falar mais sobre isso?” Deram um close no teimoso.

O alvoroço na sala chamou a atenção dos hóspedes Bruce Jones e de seu filho, o pancinha.

“Eu sou americano, mas fui morar em Malaita com 8 anos de idade. Meu pai é geólogo e...”

Tapei os ouvidos para não ouvir o resto. Nem eu que morava com ele conseguia acreditar direito naquela história de semi-Tarzan, quanto mais milhares de telespectadores exigentes. Por que ele não facilitava as coisas? Será que gostava de sofrer ou de ME fazer sofrer?

Para não explodir na frente dos hóspedes, saí de fininho, mas ao chegar à escadaria, subi os degraus feito um foguete. Disparei pelo corredor e me tranquei no quarto de Charlie, ligando o televisor às pressas.

- Que ele não diga nenhuma besteira. Que ele não diga nenhuma besteira. - Implorei à Deus, enquanto mudava de canal em busca da TVK.

“Não, eu nunca namorei.”

- Nããããoooooo! - Estrebuchei, não acreditando no que o lesado acabara de falar. O controle remoto caiu no chão e junto com ele, o meu queixo.

“Também, com quem você ia namorar em uma ilha tão longínqua? Com uma palmeira?” O imbecil do apresentador tentou fazer piada e temi que Ed abandonasse o show.Pior, batesse em todo mundo.

“Ao menos, palmeiras não falam bobagem.” Ele revidou em tom de brincadeira e despertou risos na platéia.

“Já saquei o seu lance. Solteiro sim, mas sozinho nunca, não é?” Edward não respondeu. “Mudando de assunto...” O apresentador se mancou. “Tem gostado dos EUA?”

“Não é bem como imaginei, mas me desperta uma adrenalina diferente. Parece que aqui tudo é possível. Outro dia tive que correr atrás de um assaltante e hoje estou na televisão, conversando com pessoas muito simpáticas.” Exibiu seu cintilante sorriso.

- Que filho da mãe... - Pasma, coloquei as mãos na cintura. - Não é que ele tem tudo sobre controle? Quem diria...

Quando Ed apareceu todo bonitão na Tv, reagi feito uma perturbada porque não estava preparada para enxergá-lo como um homem atraente. Já conheci muitos homens bonitos, incluindo Brad, a diferença é que Edward escondeu sua beleza de tal forma, que foi um choque vê-lo tão bem arrumado e barbeado.

Por alguns minutos, fiquei desnorteada e tive reações e pensamentos absurdos. Felizmente, minha mente começava a conectar a nova aparência dele com sua personalidade incomum. No final das contas, por trás de seu visual elegante e sensual ainda existia o cara estranho que acabou se tornando meu amigo. Ed podia estar lindão, mas não éramos compatíveis nem para uma boa “ficada”.

“Amigo, que tipo de garota te atrai? Aposto que nossas telespectadoras estão loucas para saber.”

“Hãm... Não tenho certeza.” Edward passou a mão nos cabelos, sorrindo timidamente.“Preciso escolher um tipo?”

Mostraram a reação da platéia, que acabou se divertindo e gostando da sinceridade dele.

“Não se preocupe, vamos começar pelo item mais fácil: loiras ou morenas?”

“Isso não é importante. Não para mim.”

“E o que é importante pra você?”

Edward retomou sua seriedade e respondeu:

“Lealdade, coragem, persistência, uma risada agradável... Acho que estou procurando uma moça que não tenha medo de ser ela mesma. Alguém original.”

“Com licença...” A garota que estava ao seu lado lhe estendeu a mão em um cumprimento. “Essa que está procurando sou eu. Muito prazer.” Brincou, tentando faturar o selvagem.

(...)

Iggy Pop - Real Wild Child

O programa seguiu-se razoavelmente bem. O apresentador até tentou interagir um pouco mais com os outros solteiros, mas eles ficaram apagados na presença de Edward. Antes o julguei totalmente anti-social, porém mostrou-se misterioso, carismático, sincero, um pouco tímido e aberto a todos. Edward fugia do convencional e isso inevitavelmente atraía a atenção das pessoas.

Não consegui sentar um só minuto. Fiquei andando de um lado para o outro enquanto várias malucas assediavam o selvagem através de e-mails e telefonemas. Aquilo de certa forma era uma coisa boa, só que não conseguia deixar de ficar ansiosa pelo desfecho do parangolê que armei.

“Outra ligação...” O apresentador fez um suspense. “Quem está na linha?”

“AAAAAAAAHHHHHHH!” Uma gasguita berrou, morrendo de rir com as amigas. “Eu sou Kelly de Jacksonville e minha cantada é para o Edward...”, Houve mais risadas. “Tú é mega gostoso! Edward, você não é um chão molhado, mas eu quero te passar o rodo!”

Gargalhei da cara do selvagem. O coitado nem entendeu direito o que ouviu, mas levou numa boa.

“Eu vou pensar. Obrigado.” Riu.

“Outra ligação...” O apresentador manteve o ritmo. “Por favor, fale seu nome e azare!”

“Sou Celeste do Alabama e quero fazer uma pergunta para o Edward.”

“Tudo bem.” Ele respondeu.

“Se eu falar que sou um pedaço de papel, você me dá uns amassos?”

Ele mordeu o lábio, levemente ruborizado.

“Quem sabe... Obrigado por ligar.”

“QUE MÁXIMO!” A doida comemorou. “Tchau! Beijo! Beijo! Beijo! Você é lindo!”

- É... - Retorci a boca. - Agora que ele vai ficar impossível. - Verifiquei as horas e quase fiquei feliz pelo programa estar chegando ao fim.

“Olá, quem está na linha?” O apresentador olhou para meu amigo, já prevendo que era outra ligação para ele.

“Oiêêê... Sou Rosalie Hale e quero dizer pro Edward...” A ligação caiu.

- PRONTO, SENTEI EM CIMA! NINGUÉM VAI MAIS USAR ESSA BOSTA DE TELEFONE! -Emmett berrou lá de baixo.

“Infelizmente a ligação caiu, então vou aproveitar para fazer mais algumas perguntas para os solteirões aqui.” Se dirigiu a todos. “Como seria um encontro ideal para vocês?”

As moças responderam praticamente a mesma coisa. Apesar de citarem locais diferentes, o encontro delas se resumia a um jantar romântico seguido por um passeio ao ar livre.

“Meu encontro ideal seria algo radical...” O piloto de motocroos se pronunciou.“Provavelmente levaria a garota para saltar de asa delta e depois beberíamos uns drinks em um bar bacana onde tocasse um som irado.”

“Edward, e você?” Deram outro close nele.

“Não estou acostumado com ambientes movimentados, me sentiria mais à vontade em um local calmo e silencioso onde possa me concentrar completamente na outra pessoa.” - Brincou com o microfone e completou erguendo o queixo. “O que faríamos não teria grande importância, já que deveríamos estar felizes por partilharmos um momento juntos. O que estou querendo dizer é que por mais que eu tente idealizar um encontro, no final das contas, não faz diferença em onde, ou como, desde que eu esteja com a pessoa certa.”

O mulheril aplaudiu e eu tive uma reação um pouco inusitada.

- Blá, blá, bláááárrrgg. - Passei a imitar, sem sucesso, o tom de voz dele. - Besteira, besteira, besteira! - Fiquei levemente nauseada. - De onde ele tira essas baboseiras melosas? Eu já falei que as coisas não funcionam assim. - Emburrei.

Depois que Edward terminou de falar suas patetices, mais garotas telefonaram e tentaram desesperadamente conquistá-lo. Por umas duas vezes, o vi balançado com certas investidas, então cansei de assistir e passei a apenas ouvir, completamente estatelada na cama.

“Temos outra ligação...” A voz do apresentador já me dava nos nervos. “Por favor, diga seu nome e idade.”

Olhando para o teto, fiquei brincando com o controle remoto.

“Oi, sou Melanie, tenho 20 anos e sou de Orlando...”

Abruptamente me sentei, tendo a impressão de que a conhecia.

“Olá, Melanie. Tudo bem?” Edward respondeu, ligeiramente desconfiado.

“Sim, tudo, Edward. C.”

- Espera aí. Essa não é a garota que se corresponde com o Ed? - Estreitei os olhos, clareando os pensamentos. - É sim! O cara sempre assina como “Edward.C”.

“Olha, Edward, eu não tenho nenhuma cantada engraçada ou muito inteligente, mas eu realmente adoraria te conhecer pessoalmente. A princípio...” Fez uma pausa e quando voltou a falar sua voz tremulou um bocado. “A princípio estava com medo de propor tal coisa, mas quando praticamente disse que uma garota não tem que ter medo de mostrar quem realmente é, tomei coragem e resolvi arriscar. Então o que te peço é: faça acontecer, que eu faço valer a pena.”

A platéia se agitou e eu apenas arqueei as sobrancelhas, totalmente boquiaberta.

“Vamos para os comerciais. Na volta, nosso solteiros finalmente vão revelar quem serão seus pares no próximo... ME AZARE!” O sujeito gritou para dar ênfase. A vinheta do programa foi jogada no ar e meu celular vibrou.

- Fala. - Já sabia que era Lice.

- Essa Melanie não é a garota que se corresponde com T-zed?

- Tenho quase certeza que sim.

- Uau! Não ia ser romântico se eles se conhecessem ao vivo em rede nacional? Acha que Edward a escolherá?

- O cara é imprevisível, é capaz de não escolher ninguém. Quem é que vai saber o que se passa na cabeça dele?

- Tou nervosa. - Alice começou a rir. - Se anima!

- Mas eu estou animada. - Fui ríspida.

- Tanto quanto um defunto. Qual o problema, Bel?

Gemi alto.

- Nada. Só estou me estressando antes da hora. Daqui a dois dias teremos que levar o Don Juan da selva para a TVK... - Suspirei. - De novo. Esqueceu?

- Relaxa, a gente desenrola.

- Acabou o comercial. - Avisei e ela desligou na minha cara.

Desisti de assistir sozinha e corri até a sala para pegar o finalzinho do show com a galera.

- Melanie! Melanie! - Emm e Jasper puxavam o coro.

Todos estavam amontoados no cômodo, inclusive o Link 69, as jovens hóspedes e o velhinho surdo.

- Qualé! Que ridículo, rapá. Não tem nem como ver as garotas, ele vai acabar escolhendo uma baranga. - O baterista da banda falou alto.

- Com licença. - O interrompi. - Esses solteiros estão procurando algo diferente... especial. Nem todo homem só se importa com cabelos oxigenados e peitos siliconados.

Os integrantes do Link trocaram olhares entre si, em seguida, explodiram em uma debochada gargalhada.

- Bells, fica caladinha, tá? Você não sabe de nada. - Brad não perdeu a chance de me inferiorizar.

Me segurei para não dar uma resposta á altura. Não queria discutir na frente dos hóspedes.

- Shhhhh! - Jasper levantou-se. - Silêncio, chegou o momento do T-zed escolher.

Cruzei os braços, e assim como os demais, fiquei na expectativa.

“Então Edward, você já falou um pouco de si e ouvimos muitas propostas. Chegou o momento decisivo. Assim como os outros solteiros, precisa selecionar alguém para um encontro aqui no programa. Quero lembrar que, se após esse encontro no palco, vocês se entenderem bem, poderão passar o final de semana em uma bela casa de praia em Miami para se conhecerem melhor. Fala aí, amigo.” Colocou a mão em seu ombro. “Quem vai ser A escolhida?”

Quando mostraram o rosto pensativo do meu amigo e a curiosidade da platéia, me dei conta de que milhares de pessoas se interessaram por sua busca. Talvez fosse isso que estivesse me deixando desconfortável, não era mais uma coisa só “nossa”, algo que nos aproximou ainda mais. Agora era uma preocupação coletiva e eu tinha receio de não ser mais levada a sério. Edward era o único que realmente ouvia meus conselhos e opiniões, e por uma ridícula ironia, eu me sentia uma pessoa melhor com isso, pois quase todos me consideravam só uma tola atrapalhada.

“Eu quero agradecer às pessoas que telefonaram e me enviaram mensagens. Devo confessar que não esperava tanta cordialidade, mas como preciso selecionar alguém, vou seguir minha intuição...” Sorriu torto e mostrou segurança ao falar. “Gostaria muito de conhecer Melanie, de Orlando.”

O pessoal que simpatizou com as palavras da garota, comemoraram, divertindo-se. Eu não saí pulando como tinha imaginado, mas dos meus lábios escapou um sincero e satisfeito sorriso. Estava feliz por Edward, pois ele se superou em muitos sentidos ao abrir-se para o mundo daquela forma.

(...)

Eram quase 21:00h quando Jasper, Emmett e eu sentamos em espreguiçadeiras no jardim. Alguns hóspedes saíram para curtir a noite e outros se recolheram em suas suítes.

Nós mal começamos a papear quando ouvimos a barulhenta mostrenga estacionando em frente à mansão. Os rapazes levantaram, loucos para zoar seu instrutor de Krav Magá, só que eu permaneci sentada, ainda esperando ver um sujeito barbudão adentrar minha casa.

- Vocês viram? Viram tudo? - Alice berrou, correndo em nossa direção e os rapazes encurtaram a distância, indo encontrá-la no meio do jardim. Ela começou a atropelar as palavras, tentando contar tudo que presenciou e as pessoas que conheceu.

Então eu o vi. Edward cruzou os portões com o nó da gravata frouxo e o blazer escuro na mão esquerda. Meus amigos acreditaram que ele pararia para falar com eles, só que Ed não parou, não até ficar frente a frente comigo.

Levantei da espreguiçadeira e o encarei, constatando que ficara mais lindo pessoalmente do que na Tv. Era estranho, quase surreal, mas tentei não demonstrar espanto.

- Você assistiu? - Perguntou sério.

- Sim.

- Bom. - Assentiu com a cabeça.

- Você está legal?

- Sim.

- Bom. - Sem querer repeti sua resposta.

- Legal.- Olhou para os lados, parecendo não ter mais nada a dizer. Então afastou-se, indo falar com os rapazes.

Enfiei as mãos nos bolsos do jeans, impaciente com o clima estranho que se formou entre nós. Eu estava passando por um processo de reconhecimento e tive que me esforçar para lembrar que o bonitão ali ainda era o selvagem.

- Ei, Ed. - O chamei e ele virou-se para mim. - Você se saiu bem.

- Então por que está... estranha? - Sua voz ajudou no reconhecimento.

- Não estou. Como esperava que eu agisse?

- Não sei. Como... como... “Bella”? - Franziu o cenho.

Involuntariamente ri e meus amigos ficaram nos assistindo. Mordi o lábio por um segundo, então abandonei a posição de criança enciumada e corri até ele, jogando-me em seus braços.

- Você foi demais. - Murmurei pendurada em seu pescoço. - Superou minhas expectativas. Parabéns. - O apertei contra mim com toda a minha força.

- Aceito seus parabéns. - Retribuiu o abraço com vontade.

Fiquei um pouco sem ar, mas não reclamei, pois foi bom me sentir novamente conectada ao velho Ed-rei-da-floresta.

- Fui eu que ensinei a se abraçarem assim. - Alice se gabou em voz alta.

(...)

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