Capitulo 18 - ALDE

Bella acordou péssima aquela manhã, sua cabeça martelava e se não fosse a prova que teria no primeiro horário, prostaria-se na cama até o dia seguinte.

Olhou-se no espelho e sorriu sem humor para sua face abatida pela noite mal dormida. Lavou o rosto torcendo para que o gesto espantasse a sonolência. Por fim resolveu que o banho seria a melhor alternativa para espantar a moleza e acalmar seu espírito. Ainda pensava no que fazer em relação a Edward, em como contar a verdade para o namorado que em alguns instantes poderia se tornar ex. De nada valia esconder-se atrás de farsas, se o sentimento dos dois era verdadeiro resistiria a tudo isso, com esse pensamento na cabeça resolveu contar mesmo contra a vontade.

Percebeu que a camisa verde xadrez dele ainda estava no mesmo lugar em que deixou e a segurou contra o corpo. Cheirou e depois vestiu por cima do top e olhou-se no espelho. Apesar ser dez vezes mais que ela, a camisa era bonita e caia bem. Vestiu uma calça jeans apertada, penteou os cabelos e foi tomar café com os irmãos.



Riu ao olhar para a camisa em seu corpo, Edward com certeza se chocaria ao vê-la com ela e era isso que pretendia fazer, chocá-lo. Por isso desceu um pouco mais animada do carro, vendo-o parado perto do estacionamento com a mochila nas costas e coçando a nuca compulsivamente.

- Bom dia Isabella. – Ele disse tentando controlar a raiva pelo bolo de ontem. – Creio que sua noite ontem foi satisfatória.

Bella sorriu sem humor e cruzou os braços sobre o peito, agradeceu por estar de óculos escuros, pois assim Edward não veria sua expressão desgostosa.

- Foi sim, dormi bem. E você?

- A minha noite foi... Decepcionante. – Respondeu sincero.

- Sinto muito por você. Não devia ter esperado tanto.

- Esperar, sim essa é a palavra certa. Você parece gostar de esperar, deixar pra depois. – Edward olhou para o traje da garota reconhecendo sua camisa deixada lá na noite em que dormiram juntos.

- Tenho que ir, o dever me chama. – Adiantou os passos atravessando o campus em direção ao seu prédio. E pela primeira vez odiou estudar no mesmo prédio que Edward, ele a alcançou sem esforço impedindo sua passagem.
- O que é?
- Devolva minha camisa. – Ordenou sério, respirou fundo contendo a raiva dentro de si que queria explodir a qualquer momento.
- Tudo bem. – Disse ela desabotoando botão por botão sem tirar os olhos dele. – Se você quer que o campus inteiro veja sua namorada apenas de top o problema será seu. – Murmurou se aproximando dele, Edward observava atordoado a garota se despir em sua frente.

- Por favor, pare!

- Pensei que quisesse sua camisa de volta. – Provocou Bella.

- Quero sim, só que não aqui, não agora. – Bella sorria por dentro, adorava provocá-lo e  não tinha restrições quanto a isso,nem tão pouco pudor. – Por favor, Isabella, podemos conversar sobre nós?

- Agora não, tenho prova. Hoje á noite às oito horas no terraço, esteja lá. – Respondeu abotoando a camisa discretamente.

- Estarei e esperou que você esteja.

Edward esperou Bella no terraço como combinado. Passou as aulas e o resto da tarde pensando nesse encontro, no modo que Bella se comportaria, espantando pelo tom arrogante com que ela o tratou. Esperou que nesse encontro tudo se resolvesse de uma vez por todas entre eles, não agüentava mais preencher sua mente com coisas que considerava fúteis. Enquanto o vento frio da noite esvoaçava seus cabelos, seus olhos se mantinham fixos na entrada de acesso. Sentando em modo indiano como se estivesse meditando, apoiou a cabeça nas mãos.

Sua cabeça rodava aflita pelas possibilidades. E se Bella não fosse ao encontro?Ele não tinha forças para agüentar a inconstância de Bella e era isso que mais temia nos relacionamentos interpessoais, as mudanças súbitas e espontâneas.

Seus orbes brilharam ao ver a garota com as mãos nos bolsos do casaco azul Adidas, andando em sua direção.
Não levantou, esperou que ele se adequasse a sua posição para assim poderem conversar melhor. Em pé de igualdade.

- Oi – Bella cumprimentou se sentando de frente para ele.

- Olá Isabella. Você não esqueceu. – Afirmou olhando para baixo.

- Como posso esquecer algo que me apavora tanto?

- Não entendo.

Bella fechou os olhos e meneou a cabeça, a verdade estava em suas mãos e cabia a ela manuseá-lo com cuidado, modelá-lo.

- Eu preciso te contar uma coisa sobre a noite de sexta.

- Contar o quê?

- Tudo. Como, quando e onde.
 Edward arregalou os olhos, abaixou a cabeça com medo de até onde aquilo poderia ir. Ela tinha muito para contar e cabia à ela ouvir, só que Edward não sabia se estaria disposta a ele ouvir, só que Edward não sabia se estaria disposto a verdade, seus instintos de defesa diziam que algo estava errado mas ele apenas assentiu e prosseguiu.

- Não sei se estou pronto para esse tudo.

- Vai me deixar contar ou não?

- Se você for paciente comigo. – Rebateu preocupado, engoliu seco e enrijeceu os ombros.

- Sou até demais. – Respondeu ela, respirou fundo e escondeu o rosto entre as mãos. Pronto, a verdade tão esperada iria ser contada, mas qual seria a reação de Edward?E por que ela se sentia tão mal por pensar naquela noite constantemente?

- Naquela noite no bar karaokê você bebeu o meu chá que por acaso tinha um alto teor de álcool. E depois você começou a dizer o quanto eu era linda, reparou nas minhas sardas e me beijou de um jeito tão surreal que eu fiquei sem saber se aquilo era ou não um sonho. Me beijou com paixão e eu me doei a você, porém acordei a tempo de impedir que nos entregássemos apenas por um prazer momentâneo. – As lembranças eram fortes demais para ser esquecido, o toque firme e afobado de Edward permanecia em sua pele como uma chama viva. Tão fortes que Bella não hesitou em deixar as lágrimas umedecerem seu rosto.

Edward perdido na explicação de Bella, não percebeu quando a garota desabou.

- Eu não entendo...

- Nós não transamos nem fizemos nada do gênero. Mas sabe de uma coisa?Eu devia ter me aproveitado de você, devia ter feito tudo que eu queria. Pois eu nunca vou te ter como eu desejo.

Bella mediu a reação dele com os olhos atentos, esperava a explosão por parte do garoto e tudo que via era passividade. Edward gesticulou algumas vezes com as sobrancelhas franzida e em seguida ensaiou um sorriso.

Um sorriso... Tudo que Bella menos esperava.

- Isso é ótimo. Pelo menos não fizemos nada de errado.

Bella levantou-se, incapaz de continuar ali ouvindo Edward esmagá-la com sua felicidade. Odiava-se por amá-lo tanto, essa era uma verdade inconveniente que a cercaria sempre, sufocando seus pensamentos.

- Então é assim?Você está feliz?Ah, é claro o medo de errar.

- Por que você está chorando? – Questionou percebendo as lágrimas no rosto da garota. Quis fazer algo, mas se sentiu incapaz, com medo que Bella reagisse agressivamente se pisasse em falso.

- Por que você não acaba logo com isso? – Perguntou transtornada. Edward apesar de preocupado permanecia sentado absorvendo o relato de Bella, feliz por não ter feito nenhum mal à garota, era seu modo de amá-la, sua reação por querê-la tanto só que num momento apropriado.

- Com o quê?

- Com toda essa farsa, não se sinta obrigado a ficar comigo pra sanar sua culpa. Estamos quites. -  Virou-se para sair partida em milhares,esse era o preço que pagava por amá-lo , um  preço alto demais para ser ignorado. Esqueceria os lucros e ficaria presa aos prejuízos da relação, era seu carma.
 I Wanna Hold Your Hand - TV Carpio(Across The Universe)

- Bella não chore... Não por mim. Estou feliz por não ter te feito nenhum mal. É difícil para mim encarar essa nova realidade. Eu... – Ao dizer isso Edward se levantou agoniado, Bella virou-se e olhou-o nos olhos, pela primeira vez o viu lutar por ela, pela primeira vez seus olhos atingiram os dela com sinceridade e apesar de estar escuro ela apreciou aquela visão esperando-o prosseguir em sua explicação. – Preciso de você. – Edward num gesto inusitado estendeu a mão para ela.

Bella piscou seguidas vezes para ter certeza do que via e se aproximou em passos lentos dele, as pontas dos dedos dos dois se tocaram desencadeando arrepios em ambas as partes. Edward assustou-se, pouco acostumado com a atração existente entre eles, mas permaneceu com sua mão ali superando seus limites. Era o momento de mostrar a Bella o quanto significava em sua vida, mesmo sem querer ela já fazia parte dela. Uma parte importante e chocante concomitantemente.

Bella atraída pela energia que emanava dele, se rendeu envolvendo sua mão na dele, o passo seguinte foi patrocinada por ela que o abraçou. Edward assustou-se um pouco com o ato, porém não queria fugir, sentir o abraço de Bella era seu maior desejo, sua melhor intenção. Por isso cheirou seu cabelo deixando-se envolver pelo aroma que emanava dele. Seus braços rodearam Bella e ela se sentiu satisfeita por estar ali, era como estar em casa, uma casa com o QI mais alto que já vira.

- E então, você vai terminar? – Questionou temerosa.

- O quê? – Chocado pelo carinho Edward perdeu a noção de tudo.

- Nosso namoro Edward!

- Por que eu faria isso?Estou ao seu dispor mais do que nunca agora,portanto aproveite.

- Eu gostei disso.Vou aproveitar bastante. – Afirmou espantando o choro e a angustia,toda sua certeza estava ali rodeada por seus braços.

- Posso saber como?Preciso me precaver.

Bella ergueu a cabeça em sua direção, era difícil se acostumar com a altura do mais novo namorado, mas se essa fosse a única dificuldade do namoro estava disposta a enfrentar. Sorriu com o pensamento e olhou para os olhos fugitivos de Edward.

- Prefiro manter meus planos em segredo. Mas se você se preocupa tanto digo para ter fôlego. – Edward  pensativo franziu a testa , sabia da disposição e animação quase constante da namorada e se perguntava se adequaria a esse ritmo,preferia acreditar que Bella se adequaria as suas manias antes de tudo.

- Fôlego?Isso me preocupa um pouco, mas se é assim o terei.

- Por que tudo isso? – Perguntou desconfiada da complacência de Edward. Desconfiada de que todo o momento perfeito entre eles fosse fruto de sua imaginação.

- Porque não tenho mais paciência para fugir de você. É muito chato escapar o tempo todo do que se quer.

Mais uma vez impressionada com o teor das palavras, não conteve a vontade de beijá-lo encostando seus lábios nos dele. Pouco se preocupou com a reação do garoto que aprovou satisfeito o beijo. Seus lábios se encaixaram com perfeição aos dela que não se atreveu a negar o desejo por tanto tempo reprimido, os lábios se pertencia assim como as batidas frenéticas dos corações apaixonados.

Correspondendo a velocidade dos corações Bella levou suas mãos até a nuca de Edward o puxando para perto, adentrou as mãos pequenas nos cabelos do garoto assumindo assim o papel até então atribuído ao vento. Edward deslizou as mãos pelos braços da garota e entrelaçou seus dedos nos dela.

- Você tem toda razão quanto ao fôlego. – Afirmou recuperando o ar sugado pelo beijo.

- Então, quais são suas regras? – Perguntou Bella depois de aproveita-se dos lábios do namorado.

- Nada de demonstrações de afeto em público, nada de surpresas e ligações no meio da tarde. Sem apelidos carinhosos e não conte a ninguém sobre nosso namoro.

- Por quê? – Perguntou e virou-se para ele que envolvia sua cintura com os braços, permanecia até então de costas para o garoto.Ela fingia admirar as estrelas mas sua mente voava nas possibilidades do relacionamento.

- Porque eu tenho uma rotina Isabella.Não posso simplesmente deixá-la.Mas também não quero deixar você.

- Eu espero por você o tempo que for. – Disse reconhecendo o esforço que Edward fazia para se adaptar à essa nova situação. – Eu te amo.

- Eu... – Os olhos dela se encheram de expectativa, ele fechou os olhos e pendeu a cabeça para o lado. Essas três palavras o maltratavam. Como podia ela amá-lo?Se achava tão pouco para Isabella. Se achava tão insensível. Ela sabia se expressar, enfrentar a vida e ele era apenas um transtornado que teria que conviver para sempre com suas dificuldades, era isso que pensava de si mesmo. – Obrigado por me amar Isabella.

Tentando disfarçar sua decepção,Bella abaixou o olhar e sorriu forçosamente.

- Obrigada por tentar Edward.Significa muito para mim. – Disse depositando um beijo rápido em seus lábios. – Já comeu hoje á noite?

- Não.Na verdade não como desde a tarde.

- Podemos pedir uma pizza e ver um filme ou então jogar.

- Posso jogar mesmo? – Perguntou animado.Bella riu contagiada pela súbita animação e entrelaçou seus dedos nos dele,guiando-o para o andar de baixo.

- Você está ao meu dispor,esqueceu?

- Eu só disse aquilo para te ver bem. – confessou enquanto desciam as escadas.

- Tarde demais,cowboy.

- Cowboy? – Parou de caminhar e puxou a mão dela.Bella o encostou na parede e envolveu agilmente seu pescoço.

- Está tudo bem.Confia em mim.Não tem ninguém lá em casa,só seremos eu e você esta noite.

Ele riu cabisbaixo.

- Isso sim é assustador.

- Edward Cullen! – Advertiu Bella dando um tapinha em seu ombro.

Jogaram-se no sofá e acabaram por pedir uma pizza grande metade calabresa metade quatro queijos. Esperaram a pizza chegar em meio a perguntas por parte de Bella e respostas confusas por parte de Edward.De certa forma agiam como um casal normal mas cada um sabia dentro de si que não eram e nunca seriam. Edward se sentia pouco a vontade em estar ali sozinho com a namorada, sabendo que a qualquer momento algum dos irmãos poderia chegar e flagrar os dois ali, desconfiando do envolvimento deles. Essa preocupação era recorrente em sua mente, tudo que menos queria era chamar a atenção.

- Me diz pelo amor de Deus no que você está pensando. – Perguntou Bella enquanto voltavam os olhos para a televisão mas Edward não a assistia realmente e ela percebeu o visível incomodo do garoto.

- A qualquer momento seus irmãos podem chegar aqui e....

- Nos ver juntos? – Ela completou rindo, Edward revirou os olhos ao ver que Bella não levava sua preocupação. – Eles já repararam a tensão sexual que existe entre nós.

- Tensão sexual?Como se define isso? – Questionou olhando para as mãos entrelaçadas no estofado do sofá.

- Esse é o problema querido. Não se define com palavras. – Bella sorriu maliciosa acompanhando o raciocínio do namorado. Era a chance que teria para libertar Edward dessa tensão que se encontravam.

- Então são provas empíricas. Exemplifique. – Sugeriu ele pensativo.

- Precisamos de todo um ambiente empírico para essas idéias se manifestarem.  – Afirmou levantando-se e indo em direção ao corredor, Edward a seguiu curioso, mal sabia ele o que se passava na mente maliciosa da garota e era melhor que não soubesse.

- Tudo bem. – Bella o encostou na parede do quarto fechando  a porta atrás de si,seu quarto era o esconderijo perfeito para mostrar Edward tudo que guardava dentro de si.Seu universo exclusivo e particular de sentimentos onde apenas eles eram permitidos.Começou sua demonstração empírica pelo pescoço,encostando seus lábios suavemente ali.Edward se permitiu sentir e ceder a toda aquela experiência. – Quando você vai me explicar o que é tensão sexual?

- Você não está sentindo? – Bella subiu o caminho de beijos a fim de deixar Edward mais a vontade mas a cada encostar de lábios ele parecia mais nervoso.

- Não muito. – Confessou pouco à vontade.

- Acho que você ainda não compreendeu. – cobriu sua boca com a dela roubando-lhe o ar e os sentidos. Edward puxou a garota para si pela cintura, incapaz de fugir dos lábios chamativos e furtivos de Bella. Aquilo sim podia ser denominado tensão sexual, uma tensão pulsante e viva que só se resolveria quando se entregassem sem culpa um ao outro. Vencido pelo desejo ele passeou sua língua pelos lábios de Bella a fim de degustá-los. As mãos da garota adentraram a camisa dele sentindo seu abdômen quente e macio. Edward arrepiou-se ao sentir as mãos frias de Bella em seu corpo e a afastou, incapaz de explicar o que se passava entre eles. Tudo que queria ao olhá-la era agir como selvagem arrancando suas roupas e a jogando na cama, se puniu pelas idéias luxuriantes.
- Caramba, isso é o que eu chamo de tensão sexual.

- Eu senti bem ela agora. – Disse incapaz de controlar suas reações corporais. – Acho melhor evitá-la para o bem de nós mesmos! – Afirmou assustado.

- Mas foi tão bom que...

- Bella – Disse sentando-se na poltrona de couro no canto do quarto. – Por favor, é melhor não. Você já me provou que ela existe.

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