USD - Capítulo Treze. Parte II

(...)

Sentadas embaixo da casa da árvore, suspiramos juntas.

- Não gostei do modo com que T-zed nos escorraçou. - Lice disse cabisbaixa.

- Eu sei! Fiquei ofendida quando ele falou: “Imperícia não é nem pretexto para o modo estulto com que agem comigo.”

- Pois é... Mas o que será que significa?

- E eu é que sei?! - Berrei. - Mas também, né? Precisava dar aquele gritinho de“Êêêêêê!”?

- Desculpa ter nascido. - Fungou olhando para o contrato. - O que vamos fazer com isso?

- Agora é questão de honra! - Levantei-me e a obriguei a fazer o mesmo.

- É! - Lice entrou no clima. - Hein? - Não entendeu direito.

- Temos horas para convencê-lo. Vamos mostrar àquele selvagem que nossa ideia não foi tão absurda assim. O metido a besta ainda vai beijar esse rostinho aqui... - Apontei para minha bochecha. - E dizer “obrigado”, ou eu não me chamo Isabella. Que horas são?

- 9:42h. - Verificou no relógio de pulso. - Mas e o contrato? - Olhou para a caneta de Edward que joguei para o alto e peguei no ar. - Sem chance, Bella. Isso é tão errado!

- Ele vai pagar por nos chamar de estulto.

- Mas pode dar tão certo! - Virou-se e eu coloquei o contrato sobre suas costas, assinando rapidamente as quatro páginas.

Corremos de volta para a “monstrenga” e, assim que dei a partida, o motor morreu. Forcei mais um pouco, só que a bicha estava zerada.

- Só outra agora. - Alice desanimou.

Estrebuchei inconformada.

- AAAAAAHHHHHH! EU TE ODEIO SUA KOMBI DOS INFERNOS! - Berrei batendo no volante. - PEGA, SUA RODADA, PEGA! - Fiquei dando a partida de forma desesperada. - FILHA DE UMA... - A kombi ressuscitou. Lice e eu rimos embasbacadas. - Filha de uma limusine. - Beijei o volante e pisei no acelerador.

(...)

O tempo corria... E eu também. Atravessei os corredores da TVK como uma bala. Quase atropelei um homem fantasiado de dinossauro, mas consegui chegar ao estúdio 7 às 9:53h. Entreguei o contrato a Lisa, daí foi a vez dela de lutar contra o tempo. Só que antes de disparar porta afora, falou-me algo que me deixou extremamente preocupada.

- Edward tem que se vestir formalmente. - Gritei por cima do ronco do motor. Inevitavelmente, barbeirava pelas avenidas, pois o barulho anormal da “monstrenga” estava acabando com o meu juízo.

- Formal? Formal? Tipo terno e gravata? - Lice também berrou.

- Não, Lice. De tanga e chinelo. - Bati no volante. - Preciso mesmo explicar as complicações? Não temos dinheiro, Ed é um rabugento e esse calor está cozinhando meu cérebro.

- RESPIRA! - Vociferou no meu ouvido e isso só me deixou mais nervosa. - Relaxa... Afinal, qual a pior coisa que pode acontecer? Ninguém vai morrer se T-zed não aparecer no show. - Me abanou com o papelão para dar a notícia fatal. - Você só vai presa.

- Hã?

- Já ouviu falar de falsidade ideológica?

Em um impulso, coloquei as mãos na cabeça e a kombi subiu a calçada. Só não batemos porque Alice assumiu o volante tirando-nos de lá. Pisei no freio e o solavanco nos fez bater a cabeça no teto.

- POR QUE ME DEIXA FAZER ESSAS COISAS? - Me debati. Como não tinha porta, despenquei na calçada.

- Alguém tem que fazer. - Veio me socorrer. - Não se preocupe. Alegue insanidade e ninguém vai duvidar.

Lívida, murmurei:

- Sai da frente, está fazendo sombra. - Estatelada no chão abri os braços. - Vou fritar aqui até morrer.

(...)

- Jasper vai ficar tão bravo. - Alice me importunou enquanto me seguia pelo corredor da mansão.

- Nós vamos devolver antes dele perceber. - Falei contando parte do dinheiro que roubamos, o qual tínhamos juntado para recuperar o carro de Charlie.

- E como vamos fazer isso? - Me deteve.

- Depois que eu livrar minha pele, a gente pode até vender os rins do Edward que eu não me importo. Nunca mais vou ser impulsiva.

- Mesmo? - Duvidou.

- Prometo. - Forcei um sorriso. - Vou até largar a vida de crime.

- Perguntinha? - Ergueu a mão. - Como vamos comprar uma roupa para o T-zed sem o T-zed?

- Babou... - Fiz cara de bunda mal lavada.

(...)

Alice e eu, armadas de coragem e ousadia, marchamos rumo à casa da árvore. Ela estava muito confiante ao dizer:

- Primeiro fazemos as pazes com ele...

- Certo! - Assenti.

- Depois fingimos que desistimos do programa...

- Certo!

- Medimos os ombros dele para saber o tamanho da camisa...

- Certo!

- E o fazemos baixar as calças.

- Certo! - Parei. - Espera! O quê?

- Como acha que vamos saber qual número ele usa?

- Perguntando? - Fiquei na dúvida.

- Ele ia matar a charada na hora, Bella. Pense! - Deu-me um peteleco na testa.

- Isso não vai dar certo. - Balancei a cabeça.

- Vai. Deixa que eu desenrolo. - Puxou-me.

Chamamos Edward e, depois de alguma insistência, ele desceu da casa e nos ouviu.

- Desculpa. - Fiz minha melhor cara de inocente.

- Oh... Que bonitinho... - Alice passou a mão na minha cabeça. - Dá pra não perdoar uma criaturinha dessas?

- Dá! - Suspirou. - Mas não estou mais bravo. - Seu humor parecia um pouco melhor.

Lice agarrou a chance e fez um sinal para eu me posicionar atrás do selvagem. Sem pensar duas vezes, obedeci.

- É por isso que eu gosto de você e do seu... - Segurou a cabeça dele com as duas mãos. - Cabeção. - Riu evitando que ele olhasse para trás. Aproveitei a chance e medi seus ombros por palmos. Só que no momento que ia puxar o cós de sua calça para espiar o número, ele deu um passo atrás e esmagou meu pé.

- CARÁ...colis! - Fechei os olhos segurando o pé. - Haarááiii. - Choraminguei.

- Desculpe. - Colocou uma mão em meu ombro. - Mas o que estava fazendo atrás de mim?

- Eu só queria... - Soltei o pé sem saber o que dizer. - Queria...

- Te dar um abraço. - Alice completou, atuando. - Ela queria fazer as pazes direito, mas ficou com vergonha. Não é, Bella?

Olhei para o vazio refletindo se tinha como matar um ser humano duas vezes.

- Bella? - Ed exigiu a verdade.

- Me abraça, colega! - Abri os braços fingindo empolgação. Como o cara não se moveu, me joguei em cima dele. O apertei com toda a força que eu tinha, prendendo-o para que minha comparsa espiasse o cós. Fiz caras e bocas sinalizando para ela agir, mas a idiota só ficou rindo. - Que abraço mais gostoso. - Murmurei por entre dentes, furiosa com a lerdeza da infeliz.

- Obrigado, mas... - Ficou confuso. - Pode me largar agora.

- Ah, claro. - Afastei-me. Aproveitei a distração de Edward e fiz com que Alice lesse em meus lábios a frase: te odeio!

- O que disse, Bel? - A desgraçada se fez de desentendida.

- Eu? - Balancei a cabeça.

- Ah... - Riu. - Você quer falar do sonho agora?

- Hã? - Juro que me pelei de medo.

- Edward... - O encarou com seriedade. - Preciso que baixe as calças.

- Como? - A expressão dele não foi das melhores.

- Eu sei que é estranho, mas Bella não está conseguindo ter paz, porque sonhou que suas... - Apontou para a virilha dele. - “Particularidades” sumiram.

Ele olhou pro seu “material”, depois me encarou perplexo. Eu devia estar mais vermelha que a bunda de um bebê assado.

Alice estava me punindo por acaso?

- Su... - Minha voz embargou. - Sumiu?

- Isso é humanamente impossível. - Nem acreditou na pergunta.

- Ela precisa checar. - Lice colocou um braço em volta dos meus ombros e tudo que pude fazer foi baixar a cabeça.

- É absurdo demais pra eu levar essa questão a sério. - Até que ele foi educado diante de uma situação tão sem noção.

- Concordo! - Fui empurrando Alice de volta para a casa.

- Por que fez aquilo? T-zed estava quase caindo. - ela se jogou no sofá.

- Jura? - Esbravejei jogando uma almofada nela. - Esqueça suas idéias. Vamos chutar o tamanho.

- Não dá, já vamos chutar o número da blusa, paletó, sapatos... O que não pode é T-zed aparecer na Tv com as calças apertadas esmagando suas “particularidades”.

- Você está proibida de falar essa palavra! - Enfiei o indicador na cara dela.

- Fica tranquila. - Me puxou pra sentar junto de si. - Eu tenho um plano B.

- Não quero ouvir. - Fiquei emburrada. Ela começou a fazer uma contagem progressiva de 1 a 5 com os dedos, sabendo que eu seria vencida pela curiosidade. - Fala! - Não aguentei quando chegou ao 1.

- Lembra quando participamos daquela peça sobre drogas e prostituição no segundo ano do colégio? Você arrasou na atuação.

- Tá... Lembro.

- Bella, você já foi a Charlene Créu Créu.

Gemi de dor.

- Nem me lembra! Aonde quer chegar?

(...)

Uma hora depois...

- Relaxa... - Alice massageou meus ombros. - Juro que eu mesma explico tudinho para o Edward no final do dia.

- Não vou conseguir seduzi-lo a ponto de ele tirar as calças. Ed não é desse tipo. - Virei o copo de vodca com soda.

- Com essa roupa de pistoleira, minha filha... Não tem cidadão que aguente.

Nós desenterramos o vestido vermelho ultra decotado, a meia arrastão e a sandália com o salto 12 centímetros. Isso sem falar nas bijuterias cintilantes e no cabelo propositalmente desarrumado.

- Eu não sou tão corajosa assim. - Enxuguei o suor da testa.

- Ou finge que é a Charlene Créu Créu ou vai presa. O que você escolhe? - Se chateou.

- Perguntinha difícil, hein? - Choraminguei.

- É só se jogar na interpretação. Não faz drama, você nem vai chegar às vias de fato. É moleza!

- É? Então por que não vai você? - Irritei-me.

- Bem... - Procurou uma desculpa. - É que você nasceu pra isso. - Afastou-se para não levar na cara.

- O que você quer dizer com isso? - Estreitei os olhos e ela prendeu o riso.

- Não temos tempo, Bel. Vai lá e faz a sua parte.

- Ai... - Suspirei. - Como eu te odeio.

A cachorra ainda me abraçou rindo. Caminhei até a porta, e antes de atravessá-la, Alice gritou:

- Vai de peito aberto pra o calçadão da vida, mulher!

Chegar à casa da árvore com aquele vestido apertado e o salto afundando no gramado foi um tremendo desafio. Subir os degraus então... Nem se fala! Infelizmente, o pior estava por vir.

- Edward... - Mordi o indicador lançando-lhe um olhar 49.

*Link seguro, abrirá no seu media player rapidinho*:

http://www.lindmidis.net/midis/entre/Madonna/Madonna_-_Open_Your_Heart.mid

***

*Link 4shared para quem não conseguir abrir no original*:

http://www.4shared.com/audio/aMVEz9Su/Madona_-_Open_Your_Heart.htm

***

Seus olhos estavam voltados para agenda em suas mãos, e logo que pousaram sobre meu corpo, a expressão de espanto surgiu acompanhada pelo som da agenda caindo no chão. Precisei me segurar na soleira para não sair correndo.

Charlene Créu Créu, eu sou Charlene Créu Créu! Tive que lembrar a mim mesma.

- E aí, princeso? - Mascando chiclete, coloquei as mãos na cintura. - Tudo numa boa? - O silêncio predominou e constatei que ficou sem voz. - Tipo assim... - Joguei o cabelo pro lado. - Tá fazendo o quê? - Minha argola ficou presa no cabelo. - Ai. Espera. - Consegui soltar, só que demorou um pouquinho. Mesmo assim, Ed continuou fitando-me totalmente aturdido. - Agora sim... - Respirei dando uma mexida no quadril. - Tá um calor cozinhante, né?

- Você... - Franziu o cenho. - Está bem?

- Tou ótima. - Dei aquela andada rebolando o máximo que podia.

Concentra! Concentra!

Resolvi tentar sentar no chão, mas o vestido era tão justo que mesmo puxando a barra para baixo, ela insistia em subir. Fiquei cansada de lutar e desisti.

- Não dá pra você ficar em pé? - Cruzei os braços emburrada.

Ele fez o que pedi, mas antes guardou a agenda na mochila. Ficamos nos encarando por um momento, totalmente sem assunto. Eu bem sabia que o selvagem era diferente e mostrar um pouco de pele não ia resolver, mas eu estava sem alternativas.

- Então, princeso... - Ajeitei o decote o exibindo. - Você sabe o que eu vim fazer aqui?

- Não faço a menor ideia. - Sua resposta foi quase um sussurrou. O coitado estava em choque.

- É que eu precisava dizer que o seu... - Procurei algo nele pra elogiar. - Pé! - Indiquei. - É tão sexy. - Fiz cara de perigosa. Ele olhou para o próprio pé sem entender. Então apelei. - Ah, meu Deus! Eu fico louca! - Cravei as unhas no peito dele e arranhei a ponto de ficar a marca.

Exagerei?

- Ok... - Afastou-se.

- Princeso... - Fiz uma voz manhosa. - Vamos esquentar a chapa! - Enrolei parte do chiclete no dedo, pois achei que seria sensual.

- Esquentar a chapa?

Revirei os olhos.

- Quanta pureza... - Me chateei. Decidida a salvar a minha pele, o empurrei contra a parede e cai matando. - Você sabe o que eu quero. - Olhei para a calça.

- Bella, acredite em mim. Não tem como sumir.

Quase ri.

Colei meu corpo com o de Edward e o percebi fraquejar um pouco. Suas mãos quase foram parar na minha cintura. Aproveitei a brecha e lambi sua orelha tentando abrir a calça.

- Bella... - Gemeu, quase caindo na minha. Infelizmente logo se retratou tirando minhas mãos do local. - Você pode ser um pouco mais pudibunda?

Me afastei horrorizada.

- ÊÊÊIIII! ECA! NÃO VAMOS BAIXAR O NÍVEL AQUI NÃO, MÊ IRMÃO! - Quase bati nele.

Bufou passando a mão no rosto.

- Pudibunda é uma pessoa pudica, entende? Com pudor.

- Ah... - Baixei a cabeça. Nessas horas não se tem onde enfiar a cara. - Quer saber? - Cheguei ao meu limite. - Vá com essas suas palavras estranhas pro quinto dos “infa”! - Cuspi meu chiclete na cara dele.

Na hora que o homem ia revidar, avancei sobre ele e lhe mordi o pescoço. Acho que não doeu muito, mas talvez deixasse marca. Em meio a tanto absurdo, Edward ainda me apalpou geral. Nós estávamos brigando ou no meio de um “amasso”? Fiquei confusa, provavelmente Edward também.

Determinada a cumprir minha missão tentei encaixar a coxa esquerda no quadril dele. Assim que consegui, ouvimos o rasgo vindo da parte de trás do vestido. A costura rompeu na hora errada e perdemos o clima. Absolutamente constrangida, baixei a perna.

- Er... Agora é uma boa hora pra eu ficar pudibunda. - Murmurei tentando tapar o estrago.

Edward me encarou por uns três segundos, então explodiu em uma gargalhada altíssima. Me afastei, sentindo-me a pessoa menos sexy do mundo.

- Eu... - Cambaleou passando mal. Ele nem conseguia respirar.

- Pois é... - Peguei uma regata feiosa dele e vesti por cima dos trapos.

- Desculpa. - Se recuperou lentamente. - Não deu para controlar.

- Qual o seu problema? - Eu não podia perder o foco. - Estou aqui me oferecendo e você mostrou quase nenhum interesse. - Fiquei ofendida. Aquilo era um soco no ego de qualquer uma... Não que eu realmente me importe.

- É que você não faz o meu tipo. - Ficou sério.

- Como é? - Nem acreditei.

- Não posso fazer nada. - Deu de ombros.

Soltando fumaça pelo nariz fui para a porta, mas, antes de atravessá-la, meu cérebro finalmente deu sinal de vida.

- Ah, meu Deus... - Olhei para trás. - Você ouviu minha conversa com Alice?

- Foi inevitável. - Murmurou.

Agora sim entendia porque ele estava me tratando tão mal.

- Olha, não foi minha intenção te menosprezar. Desculpe.

- Não foi o que pareceu. Você disse... - Conteve-se passando uma mão no cabelo.

- Sei o que eu disse. - Bateu um arrependimento, mas investi na sinceridade. - Eu devia ter escolhido melhor algumas palavras. Posso ter sido um pouquinho insensível, mas aquilo é basicamente o que sinto e penso, Edward.

- Eu sei. - Ficou cabisbaixo.

Tentei não me sentir uma cretina.

- Se serve de consolo... - Falei baixinho. - Paguei mó mico aqui.

Ele me encarou e voltou a rir. Sua risada tirou um pouco de peso do meu peito.

- Não era pra eu ter me importando tanto. Não sou assim. Não ligo para o que pensam de mim, nem faço joguinhos. - Pareceu aborrecido consigo mesmo. Ficou um tempinho calado, então fitou-me com uma dúvida no olhar de partir o coração. - Acha mesmo que sou inferior?

- Não! Quero dizer... - Tentei achar as palavras certas dessa vez. - Suas tentativas de lutar contra essa sociedade são como nadar contra a correnteza. Você é que está se auto-sabotando e se auto-excluindo. Se quer realmente fazer parte “desse mundo” e vivenciar as experiências que te levaram a vir para cá, precisa se adaptar. Ser inteligente não vai fazer com que as pessoas deixem de achar que é um fracassado. - Gesticulei de forma que ele entendesse que me referia a sua aparência.

- Mas eu não tenho que provar nada pra ninguém.

- Às vezes precisamos abrir mão do nosso orgulho para conseguir o que queremos. Olha só pra mim... - Abri os braços. - Sou a prova viva disso. Estou vestida como a Charlene Créu Créu.

- É tão estranho quando você tem razão. - Sorriu com admiração.

- Tenho meus momentos.

- Nossa, justo você me ensinando algo tão... certo. - Tocou minha bochecha. - Quanto mais acho que te conheço, mais longe estou disso.

- Você sabe, princeso... - Pisquei o olho. - Sou uma caixinha de surpresas.

- Agora me diz, por que me assediou?

Suspirei.

- Preciso saber o número que veste pra te comprar um terno. - Confessei no fim das contas.

- É para o programa?

- Sim. - Passei as mãos pelos cabelos. - Você precisa ir ou eu vou ser presa.

- Deixa eu adivinhar... - Olhou para o teto fingindo refletir. - Assinou o contrato?

- Você tem o dom! - Sorri.

- Ah, meu Deus, eu não acredito. - Riu puxando-me para si. Reconciliamo-nos com um abraço muito mais sincero que o primeiro.

- Estou movendo o mundo pra te ajudar e você está sendo cabeça dura e mal agradecido. Sabe disso, né? - Encostei minha cabeça em seu peito.

- É, eu sei. - Afagou meus cabelos. - Desculpe.

- Isso significa que você vai? - Me enchi de esperança.

- Não, significa que vou te mostrar minhas “particularidades”. - Finalmente entendeu porque falamos tantas asneiras e eu gargalhei.

(...)

Como os rapazes iam precisar da “monstrenga” para buscar os novos hóspedes no aeroporto, combinamos de ir comprar a roupa de Edward de buzão mesmo. Ele e Alice ficaram me esperando no jardim enquanto fui correndo trocar de roupa.

- Espere! Espere! Espere! - Jasper gritou me impedindo de subir as escadas.

Olhei para trás e fiz uma careta ao vê-lo vestido com uma roupa de Charlie.

- O que você fumou?

- Para o escritório, Isabella! Jasper precisa falar com você. - Foi autoritário.

- Vai te catar!

Com uma força que eu nem sabia que ele tinha, o hippie me forçou a entrar no escritório.

- O que deu em você? - Desvencilhei-me. - Preciso sair agora.

- Não vai a lugar algum. - Trancou a porta e guardou a chave no bolso.

- Jazz, vou arrancar seus cabelos igual eu fazia quando éramos crianças. - Ameacei irritada.

- Agora Jasper sabe Krav Magá. - Sorriu pretensioso.

- Saco! - Desanimei.

- O que Jasper está fazendo é para o seu bem, mocinha. Depois que você dormiu com o Brad resolvi ser um irmão mais velho de verdade. Ou fica pra ouvir o sermão ou Jasper vai ligar para o nosso pai.

- Qualé? Você sempre foi liberal! O que desencadeou essa neura justo agora? Sou uma garota responsável e que se dá ao respeito. - Bati o pé no chão e ele analisou minha roupa de bisca. - Talvez não tanto. - Ele devia ter me visto invadindo o território do selvagem.

- Precisamos ter essa conversa agora antes que tenham moleques com a cara do T-zed me chamando de tio, ou mini-brads correndo pela casa.

Juntos, batemos na madeira da mesa.

- Não podemos falar outra hora? Não posso ficar trancafiada.

- Tem que ser agora e logo vai descobrir por quê.

- Tá bom... - Dei-me por vencida. - Mas tenho direito a um advogado e a um telefonema. - O empurrei alcançando o telefone do escritório.

Liguei para Alice e no primeiro toque ela atendeu.

- Fala!

- Vocês vão ter que ir sem mim.

- Ah não!

- Jazz me prendeu no escritório tendo um surto de macheza. Estou meio encrencada nesse momento. Segue o plano: compra o terno, volta pra cá e nós vamos juntos para a TVK. Não esquece que precisamos estar lá uma hora e meia antes do programa começar. Lice, confio em você, manda vê!

- Deixa comigo!

(...)

Jasper torrou minha paciência por tempo que eu nem consegui contabilizar. Meu escape foi lembrá-lo de que ele precisava buscar os novos hóspedes no aeroporto.

Estava louca para encontrar-me com Alice e Edward, mas não podia largar a mansão nas mãos de Rosalie e da dona Bogdanov. Então, o jeito foi esperar e esperar...

Por volta das 16:00h, Emmett me ligou avisando que estavam chegando. Vesti meu uniforme e me posicionei no jardim para recepcionar o pessoal. Com a ausência de Lice, Jully teve que substituí-la.

- Nervosa? - Minha prima indagou.

- E tem como não ficar? Da última vez que o resort funcionou aconteceram muitos desastres.

- Vai dar tudo certo. - Colocou um braço em volta do meu ombro. - Mas para onde Alice foi afinal?

- Saiu com Edward.

- Entendo. - Disse em um fio de voz.

- Não. - Ri de sua conclusão precipitada. - Eles não são um casal.

- Não pensei isso. - Desviou o olhar, totalmente envergonhada.

- Tem certeza? Não é todo dia que te vejo tão ruborizada. - Brinquei.

- Não fala bobagem, Bella.

- Se quiser posso falar bem de você pra ele.

- NÃO! - Afastou-se. - Por favor, não! Sério, não fale nada sobre mim!

Sua reação exagerada me chamou a atenção.

- Qual o problema?

Cruzou os braços, encolhendo-se.

- Quando nos apresentou, fiquei tão admirada com o fato do pai dele ser Carlisle Cullen que tagarelei sem parar. Fiz inúmeras perguntas a ponto de ele não ter tempo de responder quase nenhuma. Fui demasiadamente estúpida e agora fico com vergonha até de ficar no mesmo cômodo que ele. Então, por favor, me deixa no meu cantinho. Quero muito evitar constrangimentos.

- Você é muito envergonhada, mulher. - Sorri repreendendo-a. - Mesmo assim, devia tentar ser amiga de Ed, o cérebro dele parece sentir falta de outro.

Jully riu de minha afirmação.

- Vamos deixar as coisas como estão, ok? Por que você não passa mais tempo comigo? Senti tanto a sua falta.

- Está certa. - Coloquei uma mão em seu ombro. - Vamos arranjar um tempo pra curtirmos nossas férias.

Ao trocamos um sorriso, ouvimos o que pareceu uma explosão. Sobressaltada, Jully perguntou:

- Meu Deus, o que foi isso?

- Relaxa... - Suspirei. - A monstrenga chegou.

Jasper conduziu os hóspedes para dentro do resort, em seguida veio nos apresentar a eles.

- Essas são as funcionárias Bella e Jully.

Apertamos as mãos do pessoal e eu fiz questão de falar com cada um. Primeiro, cumprimentei duas adolescentes que pareciam ter uns 16 anos, depois, falei com um homem maduro e bonitão que estava acompanhado de seu filho. O gordinho tinha cerca de 8 anos, suas bochechas eram bem rosadas e sua camisa do Mickey Mouse era simplesmente medonha.

- Olá, sou Bruce Jones e esse é o meu filho Toby.

- Muito prazer. - Assenti, e em seguida me inclinei para a criança. - Tudo bom, rapazinho?

- Gente, eu gostei muito desse lugar. - Apertou minha mão chacoalhando para cima e para baixo freneticamente. - É muito legal! Tem Tv a cabo? Onde fica a dispensa?

- Tody, você está de dieta. - Seu pai o repreendeu.

- Droooga! - Ele soltou minha mão.

- Fica aí com a moça. Vou buscar nossa bagagem.

Assim que o côroa gato saiu, o gordinho tirou do bolso vinte pratas e enfiou na minha mão.

- Me arranje comida de verdade. Doces, salgadinhos, refrigerante... - Sorriu matreiro. - E tem muito mais de onde isso veio. - Mexeu as sobrancelhas.

Olhei para a cédula amassada, refleti por uns dois segundo, então respondi:

- Ei, “pancinha”, se me pagar bem, vou ser a maior traficante de doces que você já conheceu na vida. Vou fornecer o bagulho geral.

O doidinho nem precisou pensar.

- Tá armado!

- Bate aqui!

Ele chocou sua palma rechonchuda contra a minha selando o acordo e saiu correndo.

Olhei para o lado e vi que Jully estava tendo problemas com um dos hóspedes.

- Olá. - Cheguei junto analisando o velhote baixinho.

Ele vestia um terno xadrez, só que nem era a sua aparência que chamava a atenção, e sim o fato de estar segurando uma gaiola com um papagaio dentro.

- O quê? - Gritou com a voz trêmula.

- Tudo bom?

- O quê? - Gritou ainda mais alto.

- Pessoal... - Emmett chegou arrastando algumas malas. - Gritem no ouvido direito que o velho é surdo.

Jully e eu sorrimos finalmente compreendendo.

- Meu senhor... - Berrei. - Seja bem vindo!

- Não quero vinho. Eu não bebo. - Respondeu chateado.

- Não é vinho, é vindo! - Gritei bem em seu ouvido.

- Rindo? Quem está rindo? - Olhou para os lados, como se fosse bater em alguém.

Nós não sabíamos o que fazer, então, sem mais nem menos, o papagaio falou alto...

- COISE NO RETO!

Hã?

Confusa, estreitei os olhos ao constatar:

- A chegada desse povo vai nos fazer a meter o pé na merda. Eu sinto!

(...)

Meu relógio já marcava 16:32h e nem sinal de Alice e Edward. Aflita, fiquei andando de um lado para o outro no jardim. Não queria que mais nada desse errado.

Então, para o bem da minha saúde mental, eles cruzaram o portão da mansão. Fui correndo ao encontro deles.

- Por que demoraram tanto? - Questionei, ofegando.

- Foi uma luta encontrar o terno certo e ainda precisou de muitos ajustes. - Alice estava com um sorriso de orelha a orelha. - Quer ver?

- Não temos tempo. Eu vejo quando ele vestir na TVK. - Fitei o selvagem. - Como se sente? Está nervoso?

- Talvez um pouquinho ansioso. - Deu de ombros. - Quero logo acabar com isso.

- Entendo. Esperem-me na Kombi que está lá fora que vou buscar as chaves.

Fizeram o que pedi e eu corri para o escritório. Peguei as chaves com Emmett, dei uma rápida ajeitada no cabelo e saí de casa. E foi nesse exato momento que o vi... Brad McFadden e todo o Link 69 adentravam a mansão.

Senti como se tivessem golpeado o meu estômago. As conseqüências deste golpe foram palidez, falta de ar e leves tremores. Todo o meu ser estava tomado pelo medo, não medo de Brad, mas medo de não tomar a postura que idealizei durante os últimos dias. Todas as promessas que fiz a mim mesma estavam prestes a serem colocadas a prova.

- Ei, Bells! - Brad já chegou me abraçando. Cambaleei para trás me desvencilhando em uma reação quase que automática. - O que foi? Está brava porque sumi? Te liguei várias vezes para avisar que estava fora da cidade tocando em um festival. Por que não atendeu, amor?

- Amor? - Pisquei duas vezes, não crendo. - Do que está falando? Não somos namorados. - Falei com mais convicção do que esperava.

Ele me jogou seu sorriso torto sensual enquanto a banda invadia a casa.

- Tem certeza? - Mordeu o lábio inferior.

- O que estão fazendo? Não! Não é para estarem aqui. - Fui grossa. - Vão embora!

- Ainda temos um acordo com Jasper. Vamos tocar até o final das férias. Está reclamando por quê? Ele nos pagou no início do mês, lembra?

Precisei de um minuto para reorganizar as idéias. Era por isso que Jazz me passou um sermão sobre pudor? Covarde! Por que não me alertou?

Minha amiga ficou impaciente e veio ao meu encontro. Ela também estava visivelmente intrigada com a presença do meu ex.

- Bel, vamos!

Puxei Alice para um canto e falei:

- Não posso. Brad quer ficar aqui e tenho que impedir. Preciso confrontá-lo agora, não dá pra adiar.

- Não faça isso comigo. Se T-zed pirar lá no programa ou desistir não vou saber como resolver.

Dividida, coloquei a mão na testa e respirei fundo.

- Vou falar com ele.

- Ótimo.

- Você! - Apontei para o Brad. - Não sai daí!

Corremos até a Kombi. Edward estava encostado no veículo, cabisbaixo.

- Não posso ir. Preciso muito resolver uma questão. - Fiquei de frente para ele.

- Eu sei. - Não tive dúvidas de que viu McFadden chegando.

O encarei e me deu um aperto no peito por deixá-lo enfrentar algo tão difícil sozinho. Principalmente porque fui eu que o meti em tal situação.

- Quer saber? Que se dane! Vou com você, vamos todos! - Me decidi.

- Bella... - Segurou minha mão. - Acompanhei toda a sua luta nesses últimos dias. Você está devendo a si mesma essa conversa com Brad. Não vou deixar que jogue a oportunidade fora.

Arfei sentido o poder de seu pedido.

- Mas...

- Sem mas... - Deu um meio sorriso. - Alice me contou todas as loucuras que você fez hoje, então já é mais do que tenho merecido. Eu ficarei bem, não se preocupe. O certo é você ficar.

- Então por que me sinto tão mal?

- Porque quer controlar tudo. Sua parte acabou aqui, agora deixa comigo.

- Tem certeza que ficará bem sem mim?

- Eu me viro. - Riu baixinho.

Sua compreensão toucou-me profundamente.

- Edward... - Passei uma mão em seu braço. - Não deixe ninguém lá fazer você se sentir inferior, porque você não é. - Aquilo foi uma das coisas mais verdadeiras que já falei na vida.

- Seja tão corajosa quanto foi no penhasco.

- Serei. - Ainda movida pela estranha ternura, fiquei na ponta dos pés e colei minha testa na dele - Boa sorte. - Sussurrei.

- Boa sorte.

Ambos fechamos os olhos.

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http://www.lindmidis.net/midis/inter/J/Jojo_-_Too_little_too_late.mid

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*Link 4shared para quem não conseguir abrir no original*:

http://www.4shared.com/audio/sTwn1lP8/JoJo_-_Too_Little_Too_Late.htm

***

Ao voltar para peitar Brad, o encontrei exatamente onde o mandei ficar.

- O que está havendo conosco? - Indagou com uma expressão séria que dificilmente via nele.

Já tendo a consciência de que não tinha motivos para odiar Brad, o respondi com tranqüilidade.

- Não está havendo nada. Tudo que aconteceu até agora foi um grande mal entendido. Nós tivemos algo intenso no passado, mas não é o tipo de coisas que devemos trazer para o presente. - Meu coração traidor ainda batia por ele, mas a minha vontade de mudar falava mais alto. Eu sempre soube que não iria superá-lo da noite para o dia, e por isso estar ali de cabeça erguida já era uma grande vitória.

- Por que não podemos ficar juntos? Sei que guarda um grande rancor por eu ter rompido com você, mas era diferente naquela época. Eu não podia... - Fechou os olhos se calando.

- Não podia? - Havia algo que não estava me contando.

- Bells, ainda temos chances.

Confesso que sua proposta mexeu com o amor passional impregnado em minhas entranhas.

- Não. - Queria encerar a ali.

Ele ficou em silêncio por um tempo. Então, seu orgulho emergiu.

- Ok! Que seja!

- Não pode ficar aqui.

- Quanto a isso não posso fazer nada.

O pior é que eu sabia que ele tinha razão. Estávamos falidos e promover shows do Link 69 era a nossa única chance de sair do vermelho. Eu preferia passar fome a ter que conviver com Brad, mas não podia impor o mesmo a meus amigos, pois eles não tinham culpa das minhas burrices.

- Tudo bem, mas vamos tentar ser civilizados, ok?

- Por mim... - Deu de ombros.

- Sem mais provocações mútuas.

- Bells, pode não parecer, mas sou profissional. - Brad também tinha seus mecanismos de auto-defesa.

Trocamos um olhar antes de eu entrar na casa e me trancar no escritório. Longe dos olhares, permiti que minha alma se libertasse do peso que foi aquela conversa. Por fora eu fui firme e centrada, mas por dentro a velha Bella degladiava com a antiga, mas, para a minha surpresa, a nova Bella venceu.

A guerra ainda não estava ganha, só que aquele confronto significou muito para mim. Percebi que estava pronta para ser minha própria heroína. Estava disposta a dar um passo de cada vez e me libertar totalmente de todos os traumas.

Não ficaria me lamentando por ter que conviver com Brad, muito pelo contrário, encararia aquilo como uma oportunidade de me imunizar. Sabia que todos os dias seriam difíceis, mas no final desse período nada mais temeria, pois já terei passado pelo pior.

Sentir-me confiante e otimista consolidou minhas metas e me ajudou a ver que até Brad agiu de forma um pouco mais madura. Talvez cada um cuidasse de sua própria vida.

Sem querer, todos os pensamentos relacionados ao meu ex evaporaram quando voltei a me preocupar com Ed.

Será que ele conseguiria mesmo se sair bem na Tv?

(...)

Me preocupei com o horário enquanto ajudava a dona Bogdanov a preparar o jantar. Eram quase 18:00h e a Tv da sala estava ligada para sabermos quando começaria o programa. A cada dois minutos eu ia lá e dava uma verificada. Não entendia por que estava quase explodindo de ansiedade.

Os rapazes e minha prima já estavam por dentro dos babados e queriam muito ver seu amigo arrasando corações em rede nacional. Não pude deixar de rir das expectativas exageradas deles.

Então, no exato momento em que peguei a travessa de salada, ouvi uma música e deduzi que era a música de abertura do programa.

- COMEÇOU! COMEÇOU! - Saí da cozinha gritando. Jasper veio em minha direção e joguei a travessa em cima dele. O infeliz tentou pegar, mas foi alface para todo lado. - TÁ NA HORA! - Pulei por cima do sofá, tropecei na mesinha de centro, mas consegui alcançar o televisor e o coloquei quase no volume máximo. - Começou. - Murmurei ofegante.

- Nós já sabemos disso, Bella. - Emmett reclamou sentando no sofá.

- Nossa, que tenso. Como será que vai ser? - Jully sentou em uma poltrona perto de mim.

- Pô, sai da frente, Bel! - Jazz esbravejou.

- SHHHHH! - Balancei a mão sem tirar os olhos da tela. Para largarem do meu pé, sentei no chão, o mais próximo possível da televisão.

O apresentador bonitão cumprimentou a platéia e os telespectadores, depois explicou os objetivos do show. Os participantes seriam entrevistados e nesse meio tempo a produção selecionaria alguns e-mails e ligações telefônicas para serem colocadas no ar. O cara deixou bem claro que as pessoas deviam “cantar” os participantes e convencê-los a os escolher para um encontro romântico ao vivo no show. O encontro seria dois dias depois da escolha, ou seja, Edward teria que retornar ao Me Azare! mais uma vez.

- Quem vai querer ser o primeiro a ligar para sacanear o T-zed? - Indagou Jasper. Olhei para trás e quase voei até o pescoço dele. - Nossa, eu estava só brincando. - Se encolheu no acento com medo de mim.

- Por que estão enrolando tanto? - Resmunguei.

- Calma, Bella. Acho que já vão chamar os participantes. - Jully me acalmou e eu fiquei agradecida.

“Dentre milhões de candidatos, selecionamos as pessoas mais interessantes para a primeira edição do Me Azare! Conheçam agora os homens e mulheres que podem mudar a sua vida sentimental.”

- É agora. - Involuntariamente prendi a respiração.

Que entrem os participantes...” Apontou para uma porta cheia de corações localizada no fundo do palco e de lá saiu uma moça. “MAS SÓ DEPOIS DO INTERVALO!” A coitada voltou correndo pra porta.

- QUE ÓDIOOOOOO! - Berrei.

- É, eu também odeio quando isso acontece. - Emmett jogou uma rodela de tomate na tv e pegou justo no meu cabelo.

- Vamos colaborar? - Me irritei. Será que ninguém entendia o quanto ralei para aquele momento acontecer?

O comercial passou rápido e, quando o show voltou, o apresentador resolveu acabar com a nossa ansiedade.

“É com muito prazer que vos apresento...” Apontou novamente para a porta. “A linda surfista da Califórnia, Brigitte Walker!” A loira andou pelo palco praticamente desfilando. Como a platéia era quase toda feminina, não houve muito entusiasmo. Mas, para compensar, os rapazes na sala assobiaram muito.

A moça sorridente sentou em uma das 4 cadeiras colocadas no centro do palco.

“Conheçam a mulher que tem salvado vidas em Daytona, a jovem enfermeira Laura Hernandez!” A garota de pele morena e cabelos bem longos foi um pouco mais aplaudida por aparentar mais simpatia. Assim como a outra, sentou-se em uma das cadeiras.

- Jasper se tremeu todinho agora, rapá! - É, meu irmão tinha que falar merda.

“Ah, eu sei que vocês estão loucas para conhecer nossos rapazes!” O apresentador fez uma media com a platéia. “E aí vêm eles, hein? Conheçam o piloto de motocross que vai acelerar seus corações, Evan Miller!” As garotas da platéia gritaram quando o moreno de olhos claros apareceu. Até eu assobiei alto.

- Que cara gato! - Falei alto.

- Ele é lindo! - Rosalie quase gritou e Emmett emburrou.

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http://www.ruiva-midis.com/internacionais/Bryan_Adams_-_Were_Gonna_Win.mid

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http://www.4shared.com/audio/PWW059TA/Were_Gonna_Win.htm

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Imediatamente me preocupei com Edward. O programa estava cheia de pessoas bonitas e ele era tão... Diferente. O remorso por tê-lo colocado naquela situação me atingiu em cheio.

- Ah, meu Deus! Eu não quero nem ver. - Murmurei sem conseguir tirar os olhos da tela.

“O nosso último participante veio de muito longe...” O apresentador leu algo na ficha em sua mão que o deixou ligeiramente confuso e o silêncio na sala foi total. “Eis o homem que saiu de uma ilha no outro lado do mundo para mexer com seus sentimentos, vos apresento Edward Cullen!”

Quando ele apareceu, todos na sala gritaram, mas eu fiquei em um estranho estado de choque. Só quando eles se calaram foi que consegui reagir.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! - Sacudi as mãos em frente à Tv como louca. - O QUE ACONTECEU? - O berro foi tão alto que minha garganta doeu. - NÃO PODE SER VOCÊ! - Chacoalhei televisão.

Tinha que ser algum efeito especial, porque o selvagem estava IMPOSSIVELMENTE LINDO! Ele estava sem aquela barba exagerada de mendigo, e a pouca que havia deixou seu rosto másculo e até sexy. INACREDITÁVEL! E não era só, o cabelo grande e desgrenhado tinha sumido, dando lugar a um corte super moderno. E a roupa? Caramba! Ele estava com um terno preto muitíssimo alinhado, como nunca pensei que usaria. MEU DEUS! QUEM ERA AQUELE HOMEM MISTERIOSO? Aqueles olhos azuis que me salvaram do azar permanente PERTENCIAM A ESSE... ESSE... PEDAÇO DE TORMENTO o tempo intero? Eram esses mesmos olhos expressivos que agora atraíam fatalmente a atenção de todas as mulheres da platéia? NEM EU MESMA CONSEGUIA DESGRUDAR OS OLHOS DELE! COMO FICOU TÃO INSANAMENTE...? DROGA! INSANAMENTE...? Meu cérebro não conseguia processar tamanha percepção. Palavras não eram mais encontradas em minha mente. Eu estava em irreversível estado de choque e talvez demorasse horas para voltar a racionalidade.

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