USD - Capítulo Onze. Parte I

Capítulo 11 - A Parceria de Edward e Bill

Narração – Bella:

Em uma lanchonete, Edward e eu dividimos uma pizza média de mussarela. Enquanto comia, me perguntava como poderia fazer uma garota se interessar pelo selvagem. Era provável que todas as mulheres tivessem a mesma impressão que tive no início: mendigo.

- Ed, você ficaria mais atraente se tirasse essa barba de homem das cavernas.

- Não estou com muita vontade. Além disso, quero que alguém se interesse por minha personalidade e não pela minha aparência.

- Ok. - Tive que prender o riso. Ele devia se achar um lindão. - Gostou dos seus óculos? - Não o tirou do rosto nem para comer.

- Sim.

- Que bom. - Fiquei satisfeita em poder presenteá-lo. - Então... - Mordi um pedaço da pizza. - Me fala mais sobre sua mãe. Não vê ela desde quando?

- Desde que me levou para a ilha. - Respondeu com uma estranha indiferença.

- Espera. - Fiz os cálculos rapidamente. - Está me dizendo que não tem notícias da sua mãe há quinze anos?

- Sim.

- Uau! Como se sente em relação a isso?

Edward deu de ombros, bebeu um pouco de chope e olhou para o movimento da lanchonete, mostrando que não estenderia o assunto.

- Não gostei dessa Sarah Cullen. - Comentei, solidária com a provável dor dele.

- Ela nunca possuiu Cullen em seu nome. Sempre foi só Sarah Ryan.

- Ah... - Assenti absorvendo a informação. Então, me lembrei que aquele nome era muito conhecido. - Espera. Está falando da grande estrela Sarah Ryan? - Embasbaquei.

- Como? - Ficou confuso.

- Oh, meu Deus! - Não podia ser verdade. - Como ela era fisicamente?

- Loira, olhos azuis, bonito sorriso... engraçada.

- Ai, caramba! - Uma súbita histeria de tiete me atingiu em cheio. - Você é filho da Sarah Ryan! Eu não acredito! - Me virei para a mesa ao lado. - Ele é filho da Sarah Ryan! Da Sarah! - Apontei para Edward, praticamente quicando na cadeira. - Eu sou tão, tão fã dela! Sarah Ryan! - Não consegui mais parar de falar o nome da mulher. - Ed baixou a cabeça porque meus gritos de empolgação estavam incomodando os clientes da lanchonete. - Sarah Ryan. - Falei mais uma vez, ofegante.

- Vamos mudar de assunto? - Pediu baixinho.

- Seu bobo! - Quase bati nele. - Não está percebendo que sua mãe deixou de ser uma simples atriz de teatro e virou uma mega estrela do cinema? Ela estrelou as melhores comédias românticas do mundo. Eu trabalhei em uma locadora de DVD, via os filmes da Sarah o tempo todo.

- Não estamos falando da mesma pessoa. - Balançou a cabeça com desdém.

(...)

- Então, o que me diz agora?

Precisei levar Edward na locadora onde trabalhei para ele ver com os próprios olhos a capa de um dos filmes de sua mãe.

- É ela. - Confirmou em um murmúrio.

Pulei de alegria no meio do corredor da sessão de romance.

- Eu sabia! Eu sabia! O que vai fazer?

- Nada. - Colocou o DVD de volta na prateleira.

- Como nada? - Me revoltei. - Não vai procurar sua mãe?

- Não. - Respondeu com firmeza.

- Edward, o que foi? - Séria, toquei-lhe o braço.

- Ela sabia onde eu estava todo esse tempo. Se quisesse falar comigo teria me procurado.

O pior é que ele tinha razão.

- Desculpe, eu me empolguei. - Olhei para a prateleira.

- Vamos? - Senti que ele estava pouco confortável ali.

- Não quero ser chata, mas preciso perguntar. Não quer ver nenhum filme da sua mãe? - Franzi o cenho, na dúvida se estava agindo corretamente. Edward ficou olhando para os filmes em silêncio. Quis saber que tipo de conflito existia na mente dele, mas minha curiosidade foi aplacada pelo olhar que lançou para mim. Com um simples gesto, pediu minha opinião e eu apreciei sua atitude. Foi bom me sentir útil. - Vamos levar este aqui. - Peguei o DVD. - É o meu favorito.

(...)

Levei Edward para casa. Durante o trajeto, falamos pouco, pois não quis perturbá-lo. Tinha certeza que ele absorvia lentamente o fato de que sua mãe era famosa.

Coloquei o filme no DVD player e corri para sentar-me ao lado do selvagem, no sofá grande da sala. Avancei rapidinho os trailers e os créditos inicias, mas deixei o filme rodar normalmente quando o título apareceu grande na tela.

- Amor à meia noite? - Edward fez careta para o título aparentemente meloso.

- É muito bom, eu garanto. Quando Alice e eu éramos adolescentes, assistimos umas mil vezes.

O cara cruzou os braços e voltou sua atenção para o filme.

A história era sobre um jovem idealista e de espírito livre que gostava de vagar à noite pelas ruas de uma cidade fictícia chamada Aurora. Uma noite, ele encontrou Hilíria, interpretada por Sarah. A mulher passava todas as madrugadas em uma ponte, esperando por um antigo amor que prometeu voltar para ela. Os protagonistas tornam-se amigos e passam a se encontrar apenas durante a madrugada. O jovem se apaixona por Hilíria, a qual não consegue retribuir seu afeto por estar irremediavelmente apaixonada por um andarilho.

Apesar dos trechos cômicos, a história tinha um grande apelo dramático que fazia qualquer um se emocionar.

- O que está achando? - Indaguei.

- Me lembra uma das obras de Dostoievski.

- Nem sei do que está falando, mas também não precisa explicar. - Ri sozinha. - Sabe o que me incomoda? São essas personagens que ficam sofrendo por homens que nunca vão amá-las devidamente. Parecem sempre tão cegas. - Edward me encarou de uma forma estranha. - O quê? - Não entendi sua reação.

- Por que triângulos amorosos? - Ele revirou os olhos. - Porque não pode ser simples? Só duas pessoas que se encontram e se apaixonam?

Ri de sua expressão.

- Eu não sei. Talvez o mundo seja assim mesmo. Alguém sempre termina com o coração partido.

- Talvez. - Concordou.

- Mas convenhamos, a interpretação de Sarah está impecável.

Edward não respondeu.

Depois de nossa rápida conversa, não consegui mais dar a devida atenção ao filme. Fiquei estudando Edward e suas sutis reações às cenas românticas. Por mais forte e independente que ele parecesse, era nítido que Ed secretamente buscava o que todos buscam: amor.

De forma covarde, não tive coragem de lhe dizer que o “amor” é mais mito do que verdade. O sentimento que ligam as pessoas é inconstante e traiçoeiro. Esse sentimento se chama paixão. Ninguém passa décadas e décadas apaixonado. Os sentimentos mudam, porque as pessoas mudam. Será que Edward compreenderia isso em tão pouco tempo?

Durante o final do filme, minha mente mergulhou nas expressões faciais de Edward, procurando desvendar os seus pensamentos. Ele assistia atentamente a personagem de sua mãe se despedir do amigo para ir embora com o andarilho que a fez esperar por um ano. Era uma cena de apelo emocional forte, com uma atuação gloriosa de Sarah. A história dos mocinhos foi linda, mas o jovem nunca conseguiu vencer o amor que Hilíria sentia pelo andarilho. Era triste, porém, lindo.

Eu já sabia como o filme terminava, só que Edward, não. O jovem apaixonado terminava sozinho e com um futuro incerto. Eu tinha certeza que era a primeira vez que meu amigo via algo do tipo e... era a primeira vez que via sua mãe em quinze anos.

O selvagem ficou um pouco tenso e seus olhos pareciam levemente marejados. Tinha certeza que eu teria chorado pela milésima vez se estivesse prestando a devida atenção ao filme. No entanto, as reações de Edward eram bem mais interessantes. Tudo aos olhos deles parecia... novo.

Ele estava sentado há alguns centímetros de mim, por isso pude ouvi-lo engolir a saliva com dificuldade. Notei que aquela experiência estava mexendo com seu interior. Olhei para sua mão pousada no assento e, sem ter certeza do que estava fazendo, fui aproximando lentamente minha palma da sua. Confesso que fiquei nervosa. Não sabia como ele reagiria a tal contato.

Com delicadeza, coloquei minha mão em cima da dele. Inicialmente, não reagiu. Pensei em retirar a mão, mas ele girou sua palma para cima, entrelaçando nossos dedos. Queria consolá-lo de alguma forma, mostrar-lhe que ele tinha uma amiga ali. Não me preocupei mais. O que fiz pareceu a coisa certa.

Permanecemos de mãos dadas até os créditos finais começarem a subir na tela. Não havia nada que eu pudesse falar quanto à Sarah Ryan. Eu continuava sendo fã dela, mas também me sentia triste por Ed. Então, impulsionada pela compaixão, falei algo totalmente impulsivo e surpreendentemente altruísta.

- Edward, não se preocupe. Eu vou te arranjar a melhor garota do mundo.

Eu não era assim...

Estava começando a enxergar que a guinada que dei na minha vida durante a madrugada, estava desencadeando uma série de acontecimentos e decisões inesperadas.

O selvagem me encarou e, no mesmo momento, tive um baita idéia.

- JÁ SEI! - Levantei-me empolgada.

- O que foi? - Ficou aturdido.

- Eutoquerendo.com. - Sorri.

- Repete. - Franziu o cenho.

(...)

No escritório do meu pai, acessei o site, me sentindo um gênio.

- Eutoquerendo.com. - Virei o monitor na direção de Edward, o qual estava sentado na ponta da mesa.

- O que é isso?

- É um site de relacionamentos. Aqui você pode conhecer garotas do mundo inteiro, mas não se preocupe. Vamos selecionar apenas as de Orlando.

- Conhecer? - Balançou a cabeça sem entender.

- É muito maneiro. Vamos criar o seu perfil rapidinho e depois as interessadas vão te escrever. - Tentei simplificar. - É como auto-propaganda. É um jeito rápido e simples de conhecer mulheres com os mesmos interesses que você.

- É estranho. - Respondeu com o pé atrás.

- Ed, nós não temos muito tempo. Achar a garota certa é como procurar uma agulha no palheiro. Precisamos procurar por todos os lados.

- Tudo bem. - Suspirou. - O que tenho que fazer?

- Vou preencher o seu perfil. Vou ler as perguntas e você responde para que eu possa digitar. - Me enchi de esperanças.

Coloquei o monitor virado para mim e, rapidinho, cadastrei Ed. Preenchi as informações básicas como nome, idade, sexo, cidade... Então, o questionário ficou mais difícil. - Tem uma seção onde precisa falar de sua aparência. Responde de forma direta, ok?

- Ok.

- Estatura?

- 1. 85m

- Tipo físico?

- Er... - Não soube o que responder.

Dei uma rápida olhada nele e digitei: malhado.

- Estilo?

- Como assim?

- Vou colocar descontraído. - Elegante é que não podia ser. - Olhos?

- Dois. - Brincou.

- Azuis. - Mais uma vez respondi por ele.

- Cabelos?

- Não tenho certeza. O que você acha?

- Baixa a cabeça. - Ele me obedeceu e passei a mão por seus cabelos. - Não sei... - Analisei com mais cuidado. - Estou entre castanho claro e loiro escuro. Bem, isso é o de menos. Vou colocar loiro escuro.

- Por mim tudo bem.

Na parte que perguntava se ele possuía barba ou bigode, ri alto, mas Ed não entendeu o porquê.

- Agora vamos falar sobre seu estilo de vida. Orientação sexual?

- Tem certeza que precisa perguntar?

- Ué, se você for bissexual, não vou adivinhar. - Justifiquei-me.

- Próxima pergunta. - Exigiu.

- Fumante?

- Não.

- Bebe?

- Parece que agora sim. - Riu baixinho.

- Tem filhos?

- Não.

- Quer ter?

- Isso é um convite? - Debochou.

- Sim. - Para descontrair, entrei na brincadeira. - Eu faria qualquer coisa por uma pensão alimentícia ou alguns diamantes da selva. Topa?

- Vou pensar.

Ri, depois voltei ao questionário.

- Animais de estimação?

- Você sabe que tenho.

- Um puma não é animal de estimação. É um atestado de loucura. - Fiz uma careta cômica. - Tudo bem. Vamos fingir que você tem um cachorro. Pronto para perguntas mais difíceis?

- Sim.

- Falar sobre seus gostos é importante. É essa parte que vai fazer você parecer um cara legal.

- Entendi.

- O que gosta de fazer nas horas vagas?

- Rapel, canoagem, nadar em mar aberto, ler, desenhar, acampar...

- Shhh!- Interrompi. - Não parece real. Qualquer pessoa que ler isso, vai achar que você está inventando esses lances.

- Mas é verdade.

- Vamos colocar apenas ler, desenhar e acampar, ok? É bom manter um mistério. - Edward teria mais chances se parecesse um cara comum.

- Livro favorito?

- Viagem ao Centro da Terra.

- Fala sério! - Soltei sem querer.

- Qual o problema? - Ficou curioso.

- Os geólogos adoram esse livro. Meu pai tentou me fazer ler, mas eu dormi no primeiro parágrafo. Não gosto muito de ler.

- É uma grande história.

- Não é o tipo que agrada as mulheres. Se você achar uma doida que goste de Viagem ao Centro da Terra, amigo, case-se com ela.

Edward riu.

- Tem mais perguntas, Bella?

- Sim. Filme?

- Não sei. - Deu de ombros.

- Vou colocar Amor à Meia Noite. - Sorri provocando. - Eu sei que você gostou.

- Próxima pergunta. - Mudou de assunto.

- Música favorita?

- Não tenho.

- Como não tem? - Bestifiquei. - Todos têm uma música favorita.

- Não tenho. - Repetiu com simplicidade.

- Isso é inconcebível! Não posso ficar perto de alguém que não gosta de música. Alôô... Música é tudo!

Ele suspirou como se eu estivesse criando caso. Eu amava música e o fato de Edward não ter uma canção favorita me deixou revoltada.

- Podemos avançar?

- Não. Você precisa de uma música favorita. Qualquer uma. - Insisti.

Ele refletiu um pouco, então falou, olhando para as próprias mãos:

- Existe uma, mas eu não sei o nome. Sarah cantarolava para mim.

Percebi que por detrás das brincadeiras e sorrisos, Edward ainda pensava em sua mãe e nos possíveis motivos que a levaram a se afastar dele. Vê-la no filme provavelmente lhe trouxe mil lembranças.

- Canta para mim, talvez eu saiba que música é.

- Não. - Riu sem humor. - Eu não canto. Eu... nunca canto.

- Só um pouquinho. Não precisa ter vergonha.

- Esqueça.

- Nem precisa ser alto. - Insisti, levantando-me. - Prometo que será só uma vez. - Fiquei de frente para ele.

- Só uma vez? - Ele estava quase cedendo.

- Só uma vez. - Confirmei.

Edward passou a mão no cabelo, constrangido. Em seguida, puxou-me para perto de si colocando os lábios próximos ao meu ouvido. Ele pigarreou antes de começar e eu fiquei bem quieta.

- Once upon a time, I was falling in love. But now, I'm only falling apart. Nothing I can do. A total eclipse of the heart. Once upon a time, there was light in my life. But now, there's only love in the dark. Nothing I can say. A total eclipse of the heart. (Era uma vez... eu me apaixonei. E agora eu estou simplesmente desabando. Não há nada que eu possa fazer. Um eclipse total do coração. Durante algum tempo houve luz na minha vida. E agora só há amor na escuridão. Nada que eu possa dizer. Um eclipse total do coração.) - Cantou muito baixinho. Sua voz rouca até que era bonitinha.

Logo reconheci a música, mas não falei nada. Meu amigo estava tendo um dia difícil e o mínimo que eu podia fazer era deixar que ele partilhasse a saudade que sentia de Sarah comigo. Tentei enxergar os sentimentos que existiam por trás de sua voz, só que não consegui.

Edward suspirou e, ao fazer isso, seu hálito tocou meu pescoço fazendo minha pele arrepiar-se. Estremeci o suficiente para que ele notasse. Ed, gentilmente, passou a mão no meu braço esquerdo, ajudando minha pele a voltar ao normal.

- Desculpe. - Sussurrou.

- A total eclipse of the heart. - Falei buscando seus olhos. - É o nome da música.

- Obrigado.

- Quê tá pegando? - Jasper, acompanhado por Emm, adentrou o escritório sem bater e imediatamente sentei-me na cadeira. - Pô, T-zed! Você não vai nos ensinar nada hoje? Nós até nos exercitamos.

- Dá uma folga para o cara. - Falei salvando o perfil de Ed no site.

- O que vocês estão fazendo? - Emmett se aproximou.

- Ed precisa de uma namorada. Estou procurando uma Rainha da Floresta.

Jazz e Emm trocaram olhares chocados e em seguida, explodiram em uma gargalhada.

- Precisava ter falado desse jeito? - O selvagem murmurou.

Eu sei que às vezes o mato de vergonha, mas não consigo evitar.

- Essa Jasper não pode perder. Jasper precisa acompanhar essa saga. - O idiota ria muito.

- Véi... - Emmett passou o braço em volta dos ombros de Edward. - Se tu tava querendo descabelar o palhaço, devia ter nos procurado. Somos teus manos, pô!

- Cala a boca! - Me revoltei. - Ele não precisa de uma vadia com cara de pamonha.

- Bella, você não entende. Fica na tua. É assunto de homem.

- Rá! Até parece que o Idi e o Ota sabem alguma coisa sobre mulher. Jazz literalmente só fica na mão e você só pegou a loira-chave-de-cadeia.

- Jasper só é humilhado. - Meu irmão, chateado, sentou-se em um canto. - Não precisa ficar dizendo por aí que Jasper amassa o alho.

- Eu fiz um perfil de Edward no site eutouquerendo.com. Vai bombar, acreditem.

- Descabelar o palhaço? Amassar o alho? Bombar? Espero que sejam coisas boas. - O selvagem estava meio perdido.

- Não se preocupe. Sei o que estou fazendo. - Menti. - Você só precisa de uma boa foto para o perfil.

- Beleza. Nós vamos ajudar. - Emm interferiu.

- Não vão, não. - Fechei a cara.

- Relaxa, Bella. A gente manja muito das coisas. Nós vamos preparar T-zed para as fotos. Vamos dar um tapa no visu dele. Vai ficar irado!

Bufei. Eu realmente precisava de uma mãozinha. Talvez os rapazes convencessem o selvagem a ficar mais apresentável.

- Tudo bem, vou pegar a câmera digital. Façam Edward parecer “o cara”.

- Por que tenho a forte impressão de que não vou gostar disso? - Edward franziu o cenho.

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