M - Capitulo 18

Bella PDV

Cada vez que eu olhava para Edward não conseguia acreditar como uma pessoa como ele entrou em minha vida. Um garoto bonito, divertido, amoroso, cuidadoso, simpático... aquele que não iria ligar para a garota muda e isolada da escola. Eu não tinha amigos, eles não tinham a paciência de conversar comigo, esperando que eu escrevesse.

Antes de Edward chegar a Forks, eu sempre ficava sozinha, em uma pequena mesa isolada no grande refeitório, sempre com um livro e meu almoço, eu passava os 30 minutos do almoço sozinha e não me importava. Mas agora era completamente diferente. Desde que eu conheci Edward, ele sempre estava comigo no almoço.

Sua irmã Alice estudava aqui, mas era em outra parte da escola, então ele não tinha alguém para almoçar. Apesar de que as garotas dessa escola estavam bem dispostas a ceder um espaço em suas mesas, principalmente os populares. Eu estranhei quando no dia seguinte ao nosso encontro na aula de artes ele veio sentar comigo, com aquele sorriso lindo que mexia com algo dentro de mim.

Eu sempre fui tímida, mas perto do Edward eu conseguia ficar mais tímida ainda, mas ele era tão diferente de todos. Sempre cuidadoso comigo, sempre evitando que pessoas fizessem comentários maldosos sobre mim. Já estava a quatro meses nessa rotina, e era a melhor de todas.


Depois da minha aula de literatura, guardei algumas coisas no meu armário, e peguei meu exemplar de Romeu e Julieta, iria ler pela milésima vez, mas para fazer uma teoria de como seria a vida deles sem a morte. Peguei um suco de abacaxi e fui para a minha mesa, Edward disse que não era para eu comprar nada para o almoço hoje que ele ia me trazer uma surpresa.

Sorri para mim mesma enquanto abria meu livro na pagina que eu tinha parado, retomando a leitura rapidamente. Se havia uma coisa que eu amava era ler. Não importava se eu era muda ou não. A leitura era feita com os olhos, e jorrada para o coração, o que me deixava feliz que nesse aspecto eu não era diferente de ninguém.

Ser muda não é fácil em um mundo preconceituoso, onde você é excluído por ter nascido diferente. Não é porque eu não podia falar que eu não tinha sentimentos, mas as pessoas pensam que somos assim, vazios, sem um por que de estar na Terra, se não temos algo que a maioria das pessoas tem. Eu ainda sou uma garota de 11 anos e sei que vou enfrentar muito pela frente. Suspirei virando a página.

— Sempre concentrada em sua leitura – sim eu estava tão concentrada que não percebi a presença de Edward que tinha uma caixa nas mãos.

Edward ainda não sabia língua de sinais, então eu sempre escrevia para ele, o que não era incomodo... não com ele. Puxou a cadeira ao meu lado, sentou-se colocando a caixa na minha frente.

— Abra – ele disse dando uma piscada pra mim.  Mordi os lábios puxando a tampa. O aroma chegou primeiro, e depois eu vi o que era. Pequenos cheesecake com chantilly e amora preta. Peguei o meu famoso bloco e escrevi...

Obrigada Edward.

— Por nada. Eu pedi para minha mãe fazer já que você disse que gostava de cheesecake com amora – vi um pequeno tom de rosa colorir suas bochechas. Sorri e peguei um dos guardanapos no canto da caixa, e segurei um cheesecake.

O sabor era divino, e era o melhor cheseecake que eu comi em minha vida. Eu amava ir a um pequeno café (um dos únicos dois que tinha em Forks) e sentar, apenas apreciando a paisagem verde, degustando de algo, principalmente cheseecake, e ler algum livro, novo ou velho.

Edward me olhava com os lábios levemente levantados em um sorriso e a expressão curiosa. Agora eu corei colocando o cheseecake no pequeno recipiente que ele estava apoiado.

Edward, está perfeito, pegue um e vamos apreciar o nosso almoço. – ele o fez e assim passamos nosso horário de almoço.

Os 30 minutos nunca foram tão curtos, como quando eu estava com ele. Por mim eu passava o dia todo com ele se pudesse. Suspirei pegando as minhas coisas quando o sinal tocou, nos avisando que tínhamos 5 minutos para estar na sala. Levantamos, e fomos para a saída do refeitório.  Antes que eu fizesse meu caminho para a aula de álgebra Edward me chamou.

— Bella, eu gostaria de saber se depois da aula você quer andar um pouco? Hoje é um daqueles raros dias de sol em Forks e podíamos caminhar um pouco – ele estava tímido, e era tão adorável. Eu assenti em resposta e ele sorriu brilhantemente. – Passo na sua casa uma hora depois que sairmos pode ser? – assenti novamente e nos despedimos com um aceno de mão, cada um seguiu o seu caminho.

~:~


Depois da aula, fui para casa apenas deixar minha mochila, tomar um banho e trocar de roupa. Eu coloquei uma blusa preta comprida, um short com meia calça preta por baixo, um all star, peguei meu bloco e meu celular. Quando sai Edward estava me esperando na calçada e logo começamos a caminhar. O silêncio entre nós nunca era incomodo, era confortável, e apenas a companhia um do outro era suficiente.

Sentamos em um banco que ficava entre algumas muitas árvores de Forks. Os raios do sol estava iluminando tudo, mas não era tão quente como esperado, pois tinha um leve vento frio. Eu realmente não me importava.

— Bella. Eu queria dizer que esses quatro meses que estou em Forks e que tenho você como minha amiga foram os melhores que eu já tive – Edward falou de repente e virei meu rosto para olhá-lo. Ele sorria e tinhas suas bochechas coradas como na hora do almoço. Peguei minha caneta e escrevi minha resposta.

Edward... eu nunca fui incluída em um grupo, não sou muito sociável, e ninguém se da ao trabalho de conversar comigo. Desde que você chegou eu sei o que é ter um amigo, alguém para passear, conversar, dividir uma mesa na hora do almoço... Você é o meu melhor amigo Edward. – ele sorriu enquanto lia, e segurou minha mão que estava um pouco gelada pelo vento, seu toque era quente e enviou ondas calmantes e ótimas pelo meu corpo.

— Você é a minha melhor amiga Bella. A melhor que eu poderia ter. Venha – ele levantou me levando junto. Guardei minha caneta e bloco no bolso do meu short e ele me levou a uma árvore grossa que estava perto de nós, onde os raios de sol estavam mais fortes. – Fique de costas e estique os braços para atrás como se estivesse abraçando a árvore ao contrário.

Fiz o que ele disse, e ele foi para o outro lado, segundos depois senti suas mãos nas minhas.

— Vamos aqui prometer de olhos fechados sempre sermos amigos, não importando as circunstancias da vida. – apertei sua mãos levemente em acordo e ficamos ali em silêncio olhando as árvores e o pouco que podíamos ver do céu azul, com nuvens ainda em abundância. (foto exemplo)

Nunca havia me sentido tão feliz. Nunca meu coração bateu tão forte. Nunca um meu sorriso foi mais sincero. Nunca quis tanto parar o tempo como agora. Nunca desejei tanto poder ter voz e dizer a ele o quão era importante na minha vida. Apertei mais meus dedos nos dele, e o senti fazer o mesmo.

Minutos depois ele soltou uma das minhas mãos me fazendo abrir os olhos e o ver me puxando para um abraço. Edward enterrou seu rosto em meu pescoço e meus braços estavam envolvidos em seu pescoço, e segurei nos seu cabelo macio e levemente perfumado com uma das mãos. Apenas sentindo. Apenas com o silêncio. Apenas com as batidas do coração.

Prometendo.

Sempre amigos.

Sempre os melhores.

Sempre juntos.

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