M - Capitulo 17

Edward PDV
Quando se tem 12 anos, não da para saber muito sobre sentimentos. Eu ainda era uma criança, que gostava de brincar com carros, de subir em árvores, correr pela rua, ao mesmo tempo era popular na escola, tinha muitos amigos e várias garotinhas risonhas atrás de mim. Mas algo em mim borbulhava cada vez que aqueles cabelos castanhos avermelhados brilhavam com o fraco sol de Forks, junto com os olhos de chocolate, os lábios cor de cereja e as bochechas como maçãs maduras, cruzavam o meu caminho.

Sempre suspirava.

Eu parecia um maricas.

Mas de verdade, não me importava. Apenas para ter aquele sorriso para mim, aqueles olhos brilhantes e aquelas pequenas covinhas que ela tem... a Bella. Mi preciosa.

A conheci a uma semana na aula de artes, e desde então não saiu dos meus pensamentos. Minha irmã ficava rindo da minha cara de bobão sempre que minha mãe perguntava de Bella, e eu sorria amplamente antes de começar a falar sobre ela. Não era algo que eu podia evitar, o sorriso vinha automático.

Eu estava agora na aula de artes, olhando para os seus cabelos, hoje com grossos cachos, que balançavam livre em suas costas sempre que ela se mexia para pegar alguma nova tinta. Estava terminando seu quadro da semana passada, dando pequenos retoques, e eu estava tentando fazer algo naquela tela branca, mas pintar definitivamente não era a minha vocação.

- Edward – a professora Crawley chamou minha atenção ao me ver tão distraído.


- Sim senhora Crawley – respondi sentindo meu rosto esquentar. Sim, eu estava corando. Maricas.

- Você ainda não fez nada no seu quadro. Chegou na nossa aula três semanas depois de todos querido, deveria ter algo.

- Senhora Crawley, pintar não é a minha maior especialidade. Eu não tenho idéia do que fazer – encolhi os ombros.

- Por que você não pede ajuda a algum aluno?

- Eu posso te ajudar Edward – Jéssica bateu seus cílios e se ofereceu com sua voz nasal.

- Na verdade eu estava pensando na Bella Swan – senhora Crawley disse e Bella virou o rosto para trás com a menção do seu nome, e as bochechas vermelhas – Mas obrigada Jéssica, você já tem seu próprio trabalho para fazer. Bella você pode ajudar o Edward quando terminar o seu quadro? – Bella assentiu e sorriu levemente antes de virar o rosto novamente para o quadro. – Vou deixar você levar a tela para casa Edward, a aula está quase acabando e na velocidade que você está, ou melhor, com a tela branca, não vai terminar a tempo da nossa exposição.

- Tudo bem – respondi, ainda encantado com o fato de que teria a ajuda de Bella.

- Guardem suas tintas, terminamos o quadro na semana que vem – Senhora Crawley anunciou a todos. – Leve as tintas Edward, eu sei que você vai cuidar bem delas. – apenas assenti.

Observei Bella guardar as tintas e seus ombros se mexeram como se ela estivesse suspirando. Ela levantou de seu banquinho, com o famoso bloco em mãos. Meus olhos não se desviaram de sua figura magra e bonita, caminhando até a mim. Sorri para ela, que corou mais e sorriu abaixando rapidamente o olhar. Começou a escrever e em seguida me mostrou o bloco.

- Faltam dois minutos para a aula acabar, podemos fazer algo para o seu trabalho hoje à tarde na sua casa?

- Sim, pode ser. Obrigado por me ajudar Bella – eu segurava minhas mãos para não tocar em seus cabelos e sua pele de marfim.

- Por nada Edward, me passe seu endereço e coloque um horário bom para você.

- Certo – assenti, pegando seu bloco e escrevendo. Quando terminei ela sorriu abanando um ‘tchau’ com a mão e voltando para o seu lugar.

Aposto que a minha cara era de um bobo total.

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Quando cheguei em casa a primeira coisa que eu fiz foi contar para minha mãe que Bella iria vir aqui em casa. Bella tinha me mandado uma mensagem no celular perguntando se eu tinha cavalete, respondi que não, e ela falou que ia trazer um. Minha mãe abriu as janelas da biblioteca para que pudéssemos pintar lá, colocou alguns jornais no chão e deixou tudo pronto para quando Bella chegasse.

- O que esta acontecendo nessa casa? – Alice perguntou quando viu toda a movimentação minha e de mamãe.

- Bella virá aqui para ajudar Edward com um trabalho de artes.

- Hum... vamos conhecer sua namoradinha – ela zombou e eu revirei os olhos.

- Ela não é minha namoradinha – respondi quase com murmúrio.

- Mas bem que você queria que fosse – Alice continuou com suas brincadeiras.

- Por favor, não fale nada assim para ela Alice. Ela não é como as risonhas, ela é diferente.

- Eu não vou falar nada. Só adoro implicar com você irmão.

- Alice, venha me ajudar na cozinha. Vou fazer uma torta de pêssego para a Bella, e você vai me ajudar para parar de perturbar o seu irmão. Além disso, o pai de vocês vai chegar mais cedo hoje, e o jantar vai sair mais cedo.

Alice e mamãe saíram da biblioteca e eu fui para o meu quarto. Olhei no relógio e faltavam duas horas para Bella chegar. E o tempo poderia passar mais rápido.

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Duas horas depois eu estava uma pilha de nervosismo e ansiedade. Olhava pela janela a cada dois segundos na esperança de ver o carro do irmão de Bella aparecer.

- Meu Deus Edward, quando ela chegar nós vamos ouvir – meu pai disse já um pouco impaciente pela minha atitude.

- Desculpe pai – murmurei indo até o sofá.

- Filho… você nunca agiu assim com nenhuma garota que veio aqui fazer trabalho com você.

- Elas não eram como Bella pai. Não é somente porque ela é muda que seja diferente, mas o jeito dela, os olhos, o sorriso, tudo mexe comigo. Eu ainda sou um garoto de 12 anos, não é como se eu estivesse apaixonado por ela – encolhi os ombros.

- Edward, desculpe informar, mas você está sim apaixonado – ele riu e eu corei. De novo. – Não tem porque ficar envergonhado, o amor na sua idade é puro e bonito.

- Mas pai, eu só a conheço uma semana, e só tenho 12 anos – tentei argumentar.

- Não tem idade para amar uma pessoa, certo que você não tem alguns pensamentos adultos sobre isso, mas me diga, você não tem vontade de estar sempre com ela?

- Sim.

- Fica feito um bobo cada vez que ela sorri?

- Sim – sorri um pouco lembrando do seu sorriso.

- Quer tocar os seus cabelos e sua pele, apenas por tocar?

- Sim – murmurei um pouco envergonhado por isso. Antes que ele pudesse continuar, o barulho de um carro se fez avisar, ela tinha chegado.

Saltei do sofá correndo até a porta, chegava a ser um pouco patético, mas não me importei. Abri a porta e a vi pegando o cavalete das mãos do irmão, e ele falando algo para ela. Antes de entrar no carro novamente, Emmett em olhou com os olhos estreitos, e eu entendi como o sinal de ‘estou-de-olho-em-você-rapaz’, apenas encolhi os ombros desviando meu olhar para ela.

~# Roupa Bella #~

Ela estava linda, com um jeans rosa, uma sapatilha e casaco da mesma cor, uma touca branca na cabeça e dava para ver o seu bloquinho no bolso da frente de sua calça, com sua pequena caneta junto. Suas bochechas pareciam espelhar a cor de sua roupa, estavam rosadas e seus lábios puxados em um pequeno sorriso.

- Oi Bella, deixe que eu levo isso – eu disse pegando o cavalete de suas mãos. Ela acenou em agradecimento. – Venha, entre por favor – dei passagem para ela na porta que entrou um pouco envergonhada.

Como era de se esperar, minha mãe estava na sala, junto com meu pai e Alice. Todos a cumprimentaram, e fizeram leitura labial. Para mim era um tanto arriscado fazer essa leitura... eu tinha vontade de tocar seus lábios... com os meus.

Ai caramba...

Levei Bella até a biblioteca, colocando o cavalete no espaço que minha mãe tinha arrumado, e colocando a tela nela. Pelas próximas duas horas ela me ajudou a pensar em algo para pintar, e a desenhar. Escolhemos as cores e me mostrou a forma correta de passar a tinta na tela, sem esfregar com força.

Eu optei por uma paisagem de pôr do sol no mar, era simples e fácil de fazer. Não estava totalmente pronto, mas pelo menos com o desenho feito, e algumas cores eu poderia trabalhar em cima disso. Tive que controlar meu coração que parecia que ia sair pela minha boca, cada vez que ela sorria, ou nossas mãos se tocavam quando tentávamos pegar à mesma coisa. Com o perfume de morangos dos seus cabelos ou o sorriso tímido. E mais ainda quando ela ruborizava, era simplesmente a visão mais linda de todas, passaria toda a minha vida olhando para o seu rosto.

Quando terminamos, minha mãe nos chamou para comer a torta, Bella mandou uma mensagem para Emmett ir buscá-la em 30 minutos. Eu já começava a sentir o vazio de sua ausência, antes dela sair. Comemos a torta divina da minha mãe, sentados na bancada da cozinha. Alice estava em seu quarto conversando com uma amiga sobre coisas da sua escola, e eu estava sendo minuciosamente analisado pelo meu pai.

Minha mãe estava encantada com Bella, era visível como a garota ao meu lado tinha conquistado a todos nesse casa. Da mesma maneira que fez comigo... ai droga acho que meu pai tem razão...

A buzina infelizmente acabou com a nossa tarde, já me fazendo sentir saudade dela.

- Tenha uma boa noite Bella – eu disse segurando sua mão e dando um beijo leve no dorso. Ela corou e se aproximou de mim rapidamente dando um beijo em minha bochecha.

- Boa noite Edward – consegui ler em seus lábios vermelhinhos. Fiquei ali parado observando ela caminhar até o carro do irmão, e sumir dentro dele. Suspirei quando o carro virou na esquina e entrei em casa.

Meu pai estava no sofá assistindo jornal, e sentei ao lado dele. Meu coração estava batendo tão forte e tão rápido que eu pensei que dessa vez ele iria sair pela minha garganta. Minha bochecha estava formigando e quente onde seus lábios macios tinham tocado, coloquei meus dedos levemente no local, sorrindo em seguida. Escutei meu pai rir baixinho e olhei para ele, que balançava a cabeça negativamente.

- Sua bochecha está formigando não é?

- Sim – abaixei o olhar sentindo o local queimar ainda mais, como se ela ainda estivesse ali.

- E seu coração... bem, eu não preciso nem perguntar. – ele deu leves palmadas nos meus ombros – É Edward, você está definitivamente caído por essa garota.

Sim. Eu estava apaixonado por Bella Swan.

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