ED - Capitulo 12

Capítulo 12.



Era possível não se apaixonar por essa garota? Ela fazia todo mundo calar a boca e engolir em seco no momento em que soltava a voz. Sorri satisfeito e orgulhoso quando os otários pararam para nos olhar.

- Olá vocês! Edward, não achei que fosse vir... Fico feliz que tenha mudado de idéia, mas precisava mesmo trazer visitas?
- Eu não mudei de idéia, Jake. Só vim mostrar o caminho para Bella.

Enquanto Edward e o idiota do Jacob trocavam palavras que não me importavam, fui tirar Kiara do meio do covil. Não precisei nem chegar muito perto para sentir o bafo de álcool que saía de sua boca.

- Prima! Quanto tempo! Quer uma bebida?

Puxei-a pelo braço e saí puxando enquanto ignorava a reclamação das outras pessoas presentes. Jake parou na minha frente para me impedir de levar Kiara embora e eu por um momento desejei atirá-lo contra a parede, mas sabia que não podia demonstrar ser tão mais forte assim do que um atleta grande por natureza.

- Swan, você não está tentando estragar nossa noite, está?
- Jake, eu não faria isso...
- O que? Enfrentar uma garota? Uma garota como a Bella? Sério Edward, não sabia que era tão covarde.

Juro que não conseguia entender o que Kiara via naquele estúpido e imbecil que pensava aparentemente, apenas com a cabeça de baixo. Ela o olhava e suspirava como se fosse algum herói montado no cavalo branco que tentava salvá-la das garras da bruxa má.

- Prima, fique e divirta-se conosco! Está tão legal aqui!
- Em nossa casa é mais legal.
- Posso chamar o pessoal para lá então?

Kiara era super corajosa em falar assim com Bella! Incrível! Notei que o maxilar da minha namorada estava meio tenso, travado e tive medo que ela matasse sua própria prima ali na frente de todo mundo.

- Vê só, Swan? Nem sua prima te atura...

Bella não deu mais atenção para Jake e continuou a puxar Kiara, que ia falando coisas totalmente sem nexo, como “céu colorido” e“bebida mágica”. Vai entender...

- Cala a boca e entra no carro, Kiara. Já basta o sermão que terei que ouvir do meu pai, por você chegar bêbada em casa!
- Seu pai? Prima, ele provavelmente é meu tio!

Bella rosnou e enfiou a doida no banco traseiro, batendo a porta com tanta força que chegou a fazer um barulho estranho, como se fosse cair.

- Veja se consegue mantê-la calada, Edward. Não estou com paciência para isso.
- Mantê-la calada com o que? Uma maçã na boca?

Eu estava cercada de pessoas incompetentes mesmo. Edward pelo visto só servia para beijar bem. E fazer outras coisas melhor ainda. E esse definitivamente não era o melhor momento para ficar excitada...

- Merda!
- Ela está calada!
- Não falei contigo.
- Ah não? Ok... É só o costume de ser xingado...

Ri internamente para não deixá-lo ter o gostinho de saber que me fez rir. Por mais que às vezes – e eu quero dizer bem às vezes mesmo – Edward conseguisse não ser o irritante de sempre, eu não me sentia confortável em ceder.

- Onde pensa que vai, saindo desse jeito, Swan?

Já estava prestes a entrar no carro quando Jake veio tirar satisfações comigo, parando de braços cruzados no meio da rua, de frente para meu carro. O que os homens possuem no lugar do cérebro afinal?

- Jake, esquece isso e volte para sua festa.
- Fique fora disso, Cullen!

Eu admito que gostaria muito de ver aquele imbecil prepotente levar uma boa surra de Bella, mas por outro lado, eu temia que depois isso colocasse o segredo dela em perigo, então achei melhor intervir na situação antes que ela tomasse outras medidas.

- Chega, Jake! Dá o fora antes que eu me canse de você, ok?

Parti para cima dele, encarando-o e tentando esquecer o fato dele ser alguns bons centímetros mais alto do que eu. E mais musculoso também. E melhor com os socos. Sim, porque eu senti um deles bem no meio do rosto.

- Veja se cansa disso, Cullen!

Ou eu estava sonhando, ou Jake e Edward haviam começado uma briga no meio da rua. Kiara dentro do carro e bêbada, só fazia bater palmas e gritar para Jake ser o campeão. Pensei em ir embora e deixar os dois ali tentando se matar, mas não consegui ignorar aquilo. Principalmente porque Edward estava levando a pior. Muito pior.

- Homens...

Bella tirou Jake de cima de mim com um simples puxão pelo pescoço dele e o arremessou na calçada. Já que eu estava mesmo com o orgulho de macho ferido por ter apanhado na frente da minha namorada à La Rocky Balboa, eu pelo menos iria tentar tirar algum proveito disso.

- Anda, levanta e vamos embora antes que eu tenha que matar alguém para te salvar das porradas.

Edward gemeu, ainda deitado no asfalto e abriu um olho só. O que não estava vermelho e inchado.

- Estou... morto?

Ela estava me olhando, como quem conferia o estrago num determinado material. Não me ajudou a levantar – eu ainda sentia o asfalto nas minhas pobres costas – e nem ao menos perguntou se eu estava bem.

- Você não sabe mesmo brigar, né?
- Isso foi um elogio?
- Não.

Uau! Cada vez eu me apaixonava mais! Seus olhos lindos estreitaram e em seguida ela bufou, esticando uma mão para mim. Eu estiquei a minha para atendê-la, mas então percebi que não era essa a intenção dela. Bella não me puxou pela mão. Ela me puxou pelo pescoço.

- Cuidado que está meio sensível aí...
- E eu com isso?
- Tudo bem, pegue onde quiser.

Fui arrastado de volta para o carro e jogado lá dentro como um entulho que pudesse atrapalhar o caminho dela.

- Meu anjo, não seria mais seguro você não usar de muita força assim em público?

Olhei para o imbecil de olho roxo ali ao meu lado. Ele não sabia qual parte do corpo esfregava mais: os braços, o rosto, a cabeça ou as costelas. Edward só não era mais patético por falta de espaço. Mas, era melhor eu não reclamar, porque as coisas sempre podiam piorar, certo?

- Que público, Edward? Só tem você e Kiara... que já está babando no meu estofado.
- Que estofado? Você se refere a isso?
- Quer outro olho roxo?

Ele calou a boca e fez bico como se fosse um bebê. Bem, ele era quase isso na verdade, considerando sua resistência a dor.

- Além do mais, não estou usando nenhuma força sobrenatural. Você é que é fraco demais.
- Eu não sou!

Ela me deu um peteleco na orelha e eu mordi a língua para não gritar. A sorte da vampira era ser gostosa demais e só me dar mais vontade ainda de me atracar com ela. Uma cama de aço seria necessário quando eu a pegasse de jeito.

- Deixe para chorar quando chegar em casa, ok?
- A sua casa?
- Nos seus sonhos talvez sim. Na vida real, é a sua.

Tudo bem, no fundo eu até posso dar o braço a torcer e admitir que gosto da companhia dele. Quando ele não fala ou comete nenhuma idiotice, lógico. O problema é que se eu ousasse deixá-lo saber disso, Edward ficaria ainda pior do que já é. Porque mesmo sendo esse total otário que está desenhando corações na janela do meu carro, ele ainda assim se acha o máximo.

- Sabe, eu te ajudei a achar Kiara. Se não fosse por mim, você ainda estaria procurando por ela sabe lá Deus aonde...
- O que você está querendo dizer?
- Que eu mereço uma recompensa, não acha?
- O fato de eu te deixar andar no meu carro, ensebar o vidro com seu dedo e ainda te levar em casa, já é um belo de um agradecimento.

Era a forma meiga como ela falava que me fazia crer que a menina estava completamente apaixonada por mim. Eu era um arrasador de corações.

- Vou facilitar sua vida e te dizer que ficarei agradecido com apenas um beijo.

Fui ignorado enquanto entrávamos na minha rua. Ela parou o carro na porta de casa e me olhou com seus belos olhos de felina e sua boca apetitosa. Bella saiu do carro e eu fiquei esperando para saber do que se tratava, quando ela abriu minha porta. Não eram os homens que faziam isso? Não entendi.

Puxei-o pelo braço para forçar a pessoa a sair do meu carro e o acompanhei até a porta da casa.

- Obrigada pela ajuda, Edward. De verdade.
- Conte sempre comigo! Sabe que pode me ligar a...
- Edward! Cale-se!

Até para beijar era difícil, já que ele falava demais. Segurei seu rosto e toquei sua boca com meus lábios, sentindo suas mãos pegajosas grudarem em minha cintura e me puxarem para mais perto de seu corpo. Era tudo muito bom e eu queria repetir, mas aquele não era o momento.

- Nos vemos amanhã.

Me afastei dele e voltei para o carro, encontrando uma Kiara acordada de cara colada no vidro. Entrei e comecei a dirigir para casa, olhando-a de vez em quando pelo retrovisor. Não demorou muito para que ela se esgueirasse por cima dos bancos e viesse sentar no carona.

- Onde está o Jake?
- Com outra.
- Outra? Que outra?
- Eu não sei, ele apenas me ligou pedindo para ir te buscar. Acho que cansou de você...


Já em casa, encontrei com Emmet na cozinha, preparando um sanduíche enquanto enchia a boca de chantilly. Nojento.

- Se humilhando novamente para a Bella?
- Não me humilho.
- Claro que não. Você apenas joga no ralo todo o orgulho de macho que um dia deve ter existido aí dentro.
- Oh desculpe! Eu esqueci que estou falando com aquele que deixa sempre Rosalie dar a última palavra.

Levei um peteleco – dois numa noite só é demais – na orelha e encarei meu irmão com fúria. Não batia em mulher, mas nele eu poderia tentar.

- Idiota, pelo menos eu como Rosalie, no final das contas.

Fiquei calado, deixando que Emmet saísse da cozinha enquanto eu saboreava a lembrança do gosto de Bella. Eu ainda não comi, mas já dei umas lambidas.

- Meu mundo desabou.
-O fato de que Jake te trocou por outra não é exatamente o fim do mundo, Kiara.

- Fale por você, prima. Por acaso já mediu o tamanho dos pés dele?
- O que tem os pés?

Ela revirou os olhos como se falasse com alguma criança do jardim de infância. Kiara deveria agradecer o fato de o meu pai gostar tanto assim dela, pois senão já teria virado churrasco.

- Prima, você nunca ouviu dizer que o “documento” de um cara pode ser comparado ao tamanho dos pés dele?

[...]

Se dependesse de mim, eu teria ido buscar Bella em casa e a traria para o colégio, mas ela desligou o telefone na minha cara quando liguei sugerindo a idéia. Mulheres... Depois que estacionei, vi uma figura conhecida do outro lado da rua, como se estivesse de tocaia esperando por alguém. E eu bem sabia exatamente quem era esse “alguém”.

Bati a porta com força suficiente para chamar a atenção do carinha e fazê-lo me olhar. Um sorriso cínico brotou em seu rosto e meu sangue ferveu. Se ele quer briga, nós teremos briga. Andei em sua direção e parei bem perto do vampiro, que me encarava de nariz empinado.

Por causa da lerdeza e ressaca de Kiara, eu estava super atrasada e isso significava ter que entrar em sala de aula depois do sinal ter tocado. O que também significava ter que aturar os olhares para mim enquanto eu me esgueirasse à procura de uma mesa vazia.

- Desculpe prima, mas precisei dar um trato nos cabelos. Você sabe que não é bom dormir com eles molhados, né? Então achei melhor deixar para lavá-los quando acordasse.
- Acordasse duas horas antes então.
- Mas aí eu ficaria com sono o resto do dia.

Um. Dois. Três... Enfim, nem o infinito era suficiente para minha paciência manter-se controlada com Kiara por perto. Fiz uma curva bem fechada ao entrar no estacionamento do colégio para que ela batesse com a cabeça no vidro.

- Ops. Desculpa.
- Você fez de propósito, prima!
- Eu? Nunca! Não trato mal pessoas de ressaca.

Kiara estava prestes a dialogar sobre aquela questão, o que nos tomaria longos minutos, mas quando olhei pelo retrovisor a calçada do outro lado da rua e vi uma cena pavorosa, saí do carro com ele ainda ligado. Edward estava cutucando o peito de Alec com um dedo. Um dedo que ele perderia.

- Quem você pensa que é para ficar ameaçando minha namorada? Te digo mais, se você ousar chegar perto dela novamente, vai ter que se entender comigo.
- Mesmo?
- Edward!

O canto da sereia era como música divina para meus ouvidos. Virei-me para ver Bella se aproximar de nós dois, com uma expressão nada amigável.

- Bella! Que bom vê-la aqui. Seu namorado e eu estávamos conversando...
- Agora não, Alec.

Tive vontade de dar uns socos na cara daquele humano imbecil que estava sorrindo para mim, mas aí sim é que Edward perderia completamente a moral diante de Alec. Eu não queria realmente que ele fosse desmembrado.

- Edward, preciso que você dê uma olhada no meu carro. Pode ser? Tipo, agora?
- Já vou, princesa. Deixa só eu terminar aqui, ok?
- Edward! Agora.

Alec estava de óculos escuros, mas não era preciso muito esforço para ver que ele estava por um triz de atacar Edward ali mesmo em público. Suas narinas movimentavam-se rapidamente com a respiração pesada que ele emitia na direção do pescoço do meu... idiota.

- Certo. Acho que podemos continuar o papo depois. Mas espero realmente que não seja necessário.

Eu não vi ele apontar o dedo na cara de Alec. Eu não vi. Oh Deus! Ele era mais estúpido do que eu pude imaginar!

- Vamos, princesa?

Ele passou um braço pela minha cintura e beijou minha boca depravadamente.

- Vai indo na frente. Preciso falar com Alec.
- Não a quero sozinha perto dele, Bella.
- Edward.

Bem, eu acho que ela precisava marcar território ali na presença dele, então resolvi não insistir. Além do mais, eu já tinha dado o meu recado e nada mais tinha para fazer perto daquele ser que nem sequer dialogou comigo. Beijei-a na testa e atravessei a rua para ir ver o problema do carro.

- Bella, devo dizer que subestimei essa cidade quando fui forçado a visitá-la... Mas conhecendo melhor o seu namorado, eu agora vejo como isso vai ser divertido!
- Se você tocar num fio de cabelo dele, vai conhecer minha fúria.
- Estou louco para conhecê-la!

Alec aproximou-se de mim para sussurrar em meu ouvido enquanto deslizava os dedos pela minha bochecha. Sua voz ácida me enojava.

- É uma pena pensar em como os humanos são... quebráveis, não é? Seria horrível algo acontecer a Edward...

Ele sumiu da minha frente antes mesmo que eu pudesse revidar a ameaça. Senti medo de verdade ao ver o quão ingênuo Edward parecia ser, lá do outro lado da rua, abrindo o capô do meu carro. Que ainda estava ligado.

1 comentários :

Será que a Bella vai comecar a ser boazinha com o Ed?????

14 de abril de 2011 19:34 comment-delete

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