ALDE - Capitulo 15

- Edward. – Alice gritou o irmão que assistia um episódio de Batlestic Galactica concentrado, repetindo todas as falas.

- Que decadência maninho. – Reclamou ela se colocando frente á televisão. – Preciso que vá até a lavanderia.

- Não quero sair. – Respondeu cruzando os braços sobre o peito.

Desde o beijo entre ele e Bella, Edward anda a evitando. Passava rapidamente por ela no estacionamento, subia as escadas feito um furacão e corria para o quarto sempre que a campainha tocava. Era conveniente para ele se manter na sua zona de conforto já que Bella havia lhe tirado todo o ar e a sanidade. Razão era seu nome do meio e esperava que continuasse a sê-lo.

Bella ficou tão mal com o desprezo dele que resolveu deixá-lo em paz, pelo menos provisoriamente. Podia estar sofrendo em doses homeopáticas com isso, mas era melhor a se fazer sabendo das suas limitações. Se pudesse iria até o inferno para encontrar a cura da doença dele, mas sabia que não existia cura. Edward teria que conviver com isso a vida toda, já se acostumara com seu estado e Bella bagunçava tudo.

Resolveu limpar o quarto, jogando fora todas as caixas de chocolate e organizando os papéis velhos. Depois foi até a lavanderia aproveitando a tarde tediosa e nublada.

Assistiu as roupas rodarem na máquina de lavar e aproveitou para ler  “Tramas da sorte” um livro que Alice havia lhe emprestado  enquanto esperava. Por mais que odiasse romances tinha que admitir que o livro era bom, possuía um toque de suspense que a prendeu.

- Eu odeio Alice Cullen! – Ouviu uma voz conhecida e arrepiante silvar e não pôde conter o riso. Seu coração martelou sabendo que era ele. O velho e bom Edward com seus cabelos devidamente bagunçados, olheiras debaixo dos olhos, uma camiseta branca puída e calça jeans surrada.

Bella pigarreou e sorriu ao observá-lo irritado. Voltou ao livro e tentou ignorá-lo,  por várias vezes seu olhar o traiu e permaneceu observando-o.

- Isabella. Como vai? – Perguntou ele se sentando ao seu lado.


- Bem – Se limitou a responder.

- Que bom. – Disse suspirando.

Um silêncio perturbador se formou, só era possível ouvir o som das maquinas de lavar antigas demais.

Bella se conteve para não perguntar ou dizer algo que pudesse perturbá-lo. Tira-lo de seu estado tranqüilo, o que ela não sabia é que Edward há muito tempo foi perturbado com sua presença.

Ela rangeu os dentes e não se contendo começou a cantar.

Can anybody find me somebody to love?
Each morning I get up I die a little Can barely stand on my feet (Take a look at yourself)Take a look in the mirror and cry Lord what you're doing to me I have spent all my years in believing you But I just can't get no relief Lord Somebody (somebody) ooh somebody (somebody) Can anybody find me somebody to love?


Edward foi tomado pela beleza da voz de Bella, olhou para o lado e sorriu aspirando o doce aroma vindo de seus cabelos e ouvindo a canção velha conhecida sua.

Não se contendo acompanhou Bella, sua voz saindo baixo,quase um sussurro tímido.


Bella olhou para ele espantada, entre mil qualidades Edward não mencionou que cantava tão bem com sua voz baixa e rouca. Sorrindo ele prosseguiu com a canção.

-Você canta – Bella afirmou comemorando a nova descoberta.

- Todos conhecem essa música do Queen. – Respondeu envergonhado dando de ombros.

-Você cantou com perfeição. – Edward limitou-se a erguer a sobrancelha e franzir os lábios, pensativo. Lembrou-se do que Jasper havia dito e já que aquela era um dos poucos momentos em que estavam a sós resolveu aproveitar.

- Isabella...eu...queria... – Revirou os olhos percebendo que as palavras não saiam como ele havia planejado.

Bella acompanhou sua irritação e tentou acalmá-lo.

- Calma, Edward. Pode dizer. – Disse lutando para não tocá-lo.

- Você aceitaria... – ele grunhiu incomodado consigo mesmo, as palavras simplesmente não saiam.

Respirou fundo e esperou a calma invadir seu corpo.

Bella esperou paciente ignorando o celular vibrando no seu bolso.

- Não vai atender?

- Você é mais importante. – Respondeu docemente.

- Atenda, por favor,esse barulho é irritante. – Pediu ele impaciente.

- Ok. – Ela disse tirando o celular do bolso e atendendo.

Revirou os olhos quando percebeu quem era, Nick, seu novo admirador.

Ele era legal, engraçado, extrovertido mas não era Edward. Esse era exatamente o problema, ele era o oposto de Edward.

- Ah Nick. Sair hoje? – Pensou um pouco, sua mente ainda estava em Edward, no que ele queria tanto falar e não conseguia.

- Pode ser. Te vejo mais tarde.Beijos. – Desligou e olhou para frente, Edward agora estava em frente à uma das máquinas de lavar observando atento a roupa girar. Riu da cena. Era com ele que queria sair e não com qualquer outro. Edward era sincero, original, tinha sua própria forma de ver o mundo e as pessoas e não se escondia por trás do dinheiro e de roupas de marca por mais ricos que os Cullens fossem.

Aceitou o convite para sair apenas para se livrar das criticas de Rosalie e das insinuações de Jasper. Seria uma longa noite.

- Algum problema? – ele perguntou parecendo preocupado surpreendo-a mais uma vez.

- Terei de me contentar com pouco essa noite. – Murmurou desanimada.

- Às vezes se pode fazer muito do pouco.

- Não quando o muito é insubstituível.

- Então não se contente com pouco.

- Não é tão simples assim.

- Se você se contentar com pouco nunca vai saber como seria experimentar o muito.

- O pior é que eu já experimentei o muito e gostei. – Admitiu mordendo o lábio inferior.

- Isabella,  estou sentindo uma leve discordância neste discurso.

Bella riu Edward não compreendia suas indiretas por mais diretas que fossem. O muito era ele, e ela queria contentar-se com o muito e usufruir dele.

Com as roupas lavadas e devidamente secas eles saíram em direção a casa. Seguiram o caminho todo em silêncio. Até que na entrada Edward criou coragem para falar.

- Eu quero fazer melhor. – Ele afirmou finalmente convicto.

- O quê? – Bella perguntou sem entender.

- Eu quero fazer o melhor. Quando nos... – Ele engoliu seco ao lembrar-se da cena. – beijamos você disse aquela frase de Star Trek e refletindo eu quero fazer o melhor, quem sabe assim um dia posso salvar o mundo. Apesar de ser uma audácia ser chamado de John Kirk, não sou tão corajoso e expansivo como ele, no máximo seria o Spock.

Bella abriu um sorriso e se aproximou dele sem a mínima cautela, encostou seus lábios na testa de Edward que suspirou respirando o doce cheiro vindo de seus cabelos. Fogo e água se misturavam numa combinação perigosa e instantânea.

- Estou disposta a te desafiar. – Disse sentindo seus olhos lacrimejarem. Ele precisava dela, era a única coisa que pensava naquele momento. O garoto tímido e fechado, que não via nada além do seu mundo se expandiu para alcançá-la. A partir daquele momento não era mais uma invasão de território e sim uma troca. – Obrigada por me deixar tentar.

Edward sorriu tímido e desviou dos poderosos olhos de Bella. Ainda era o mesmo, mas estava disposto á tentar contanto que ela estivesse ao seu lado.

- Edward. – Chamou-o antes de entrar no seu apartamento. – Eu prefiro o Spock. – Concluiu sorrindo maliciosamente para ele.

- Bom saber. – Murmurou rindo.

Edward entendeu o significado do contentar-se com pouco de Bella quando observava o céu através do seu telescópio, um pequeno desajuste na lente causou um desajuste em sua mente. A imagem que se projetou frente aos seus olhos não foi nada agradável, Bella aos beijos com um cara loiro encostados no Cadillac Escalade prata. Desviou o telescópio rapidamente da imagem e fechou a janela. Trincou os dentes e grunhiu, sua mente se recusava a aceitar que o quê havia visto era real. Sua garota de cabelos castanhos e olhos chamativos nas mãos de outro, os lábios macios e pequenos beijando a boca de outro, um estranho. Ela o enganou com aquelas falsas palavras apaixonadas, aquele olhar angelical e ao mesmo tempo diabólico o levava ao inferno, atraia seus pensamentos mais insanos e descontrolados.

Esmurrou a mesa, irritado e em seguida esmurrou a própria cabeça como se assim pudesse expulsar Bella da sua mente. Precisava esquecê-la, ela era a causa do seu desequilíbrio, ela era a culpada por virar sua vida do avesso. Uma garota com ar frágil e inocente atingira-lhe em cheio deixando vestígios por todos os cantos.

Deparou-se com o CD que ela havia feito para ele, sua raiva o cegara de tal forma que quando viu o CD na sua frente quis destruí-lo, destruir as marcas de Bella da sua vida.

Partiu o CD ao meio enquanto as lágrimas brotavam em seus olhos. Enquanto a dor ruía seu coração. Estragou o presente assim como Bella estragou tudo que viveram.

Estreitou o pedaço de plástico na mão, apertando-o com força, tão forte que um corte se abriu em sua mão, não tão profundo quanto o corte em seu coração, em seus sentimentos. Provara do veneno mais voraz e salobro que poderia existir e teria que aprender a controlá-lo.

Acabou por dormir no chão em posição fetal, nem mesmo os pesadelos quiseram atrapalhar seu sono aquela noite. Seu inconsciente foi gentil, permitindo-o dormir até demais. Descansando sua mente do peso da dor.

- Maninho? – A visão dos olhos preocupados da irmã o despertou rapidamente.

- Odeio quando você me chama de maninho.

- Você é e sempre será meu maninho. – Alice retrucou acariciando os cabelos bagunçados do irmão. – Que corte é esse em sua mão? – Perguntou abrindo a palma ensangüentada de Edward.

Ele não respondeu, queria esquecer as imagens que sua mente insistia em buscar.

- Vou fazer um curativo.

Edward abaixou a cabeça entre os joelhos e esperou a irmã limpar sua palma e fazer um curativo.

- Obrigado Alice.

- De nada. Agora me explique como conseguiu essa proeza.

- Não foi proeza foi só um corte. Culpa dela. Não quero vê-la mais.

Alice observou a expressão fria e passiva de Edward se transformar em segundos para séria e raivosa, sabia a causadora de toda essa dor, e procurava saber o porque. Pensara ele que os dois já haviam se acertado a ponto de ficarem juntos, só que se tratando de Edward tudo era possível.

- Até parece que você consegue na primeira oportunidade vocês se esbarram e o amor acontece... – Alice suspirou sonhadora. Edward bufou incomodado com as alegações da irmã.

- Amor?Eu não a amo!

- E teve uma crise por conta dela, pare de se enganar. Depois de tudo que vocês passaram.

- Acabou o sermão?


- Sermão seria se eu ligasse para a mamãe. Você quer ouvir os sermões dela? – Ameaçou preocupada com o estado de Edward, se machucar para se punir era algo grave demais para ser ignorado. - Ele grunhiu e retirou a mão com o curativo da mão da irmã.

Se arrumou e decidiu por ir a faculdade mesmo com Alice insistindo para ele ficar alegando que o irmão não tinha condições emocionais para assistir as aulas e principalmente enfrentar os monstros internos que matava a cada dia.

As aulas passaram devagar para Edward cujo olhar se encontrava perdido no curativo em sua palma esquerda. Tentava apagar pensamentos inconvenientes que insistiam em ir e vir em sua mente perturbada.

- Como isso aconteceu? – Perguntou Mike no final das aulas, enquanto caminhavam pelo corredor que aos poucos se enchia de alunos.

- Às vezes acidentes acontecem. – Respondeu voltando a caminhar.

- Foi um acidente de que tipo?

- Do tipo que você gostaria de esquecer mas não consegue. – Mike riu da resposta confusa do amigo e não mais tocou no assunto,com o tempo aprendeu o quanto Edward era um homem de poucas mas significativas palavras.

- Você vai até a biblioteca pegar aquele livro que o professor indicou? – Perguntou ele.

- Pra onde você acha que estou indo? – Indagou Edward apontando para a porta da biblioteca.

Caminharam até a sessão de astronomia buscando o livro que tanto procuravam, Edward pretendia distrair sua mente mesmo que soubesse mais do que muitos livros de astronomia,qualquer coisa que desviasse sua mente de Bella seria válida.

- Você vai à festa de sexta? Dizem que vai ser a melhor. – Mike perguntou, mas Edward estava compenetrado demais para ouvir.

- O quê?

- Festa na sexta. Você vai?

- Não gosto de festas. – Abaixou-se para procurar o livro na estante passando o dedo indicador por todos os volumes até que encontrou o que tanto procurava. – Encontrei.

- E eu encontrei você. – Ouviu uma voz conhecida e indesejada dizer bem atrás dele.

Um arrepio perpassou por sua espinha ao ouvir aquela voz tão conhecida e assustadora ao mesmo tempo. Só que não era um arrepio comum, juntava ódio e frustração pelo pequeno incidente que presenciou ontem.

Levantou-se, mas não a olhou sabendo que poderia se perder instantaneamente e percebesse o quanto ela era linda apesar de tudo.

- Vamos Mike. – Disse olhando para o amigo, começou a caminhar, mas Bella foi rápida e o imprensou na estante, tornando a proximidade insuportável, chegava a ser doloroso ser obrigado a encarar aqueles olhos, aquela boca perfeitamente enfeitada pelo batom carmim que muitas vezes manchou sua boca.

Grunhiu e forçou-se a olhar para o lado.

- Edward, eu já estou indo. Até amanhã, cara. – Disse Mike saindo rapidamente sem dar chances de resposta a Edward.

- Ótimo, perdi um aliado.

- Desde quando estamos em guerra? – Perguntou ela sentindo toda a tensão da proximidade emanar de Edward.

- Desde que você me atacou.

- Você bem que gostou... – Murmurou cruzando os braços sobre o peito.
Cada um usaria as armas necessárias para se sair bem daquela situação, enquanto Edward decidia-se por sair ileso, Bella o atacava com todo seu exercito pronto para bombardeá-lo de perguntas.

- Não gostei...

- Realmente você não só gostou como amou. Vai negar que está louco por mim?

Edward rosnou bravo com as intimidações de Bella,ela conseguia atacar seu território com êxito pois ele sabia que no fundo tudo que a garota dizia era verdade.

- Pare de ficar na defensiva.

- Odeio metáforas. – Murmurou impaciente.

- Você que começou com elas.

Edward aproveitou a deixa para sair, mas não conseguiu, Bella o cercou por todos os lados, como sempre fazia.

- Alice me contou que...

- Alice não sabe de nada e tem que aprender a se calar. – Respondeu exaltado esquecendo-se que estava em um ambiente que exigia silêncio de seus freqüentadores.

- Você nem sabe o que ela me contou.

- Suspeito. – Replicou sério, suas mãos formando punhos.

- Suspeita?Então não se importaria de contar como cortou a mão e por que. – Pressionou Bella na expectativa de obter respostas.

As narinas de Edward se inflaram e o corpo todo se retesou. Não se sentia a vontade discutindo com a garota pela qual sofria no meio da biblioteca cercada de pessoas.

- Podemos sair daqui?Discutir em outro lugar?

Bella descruzou os braços e largou os ombros tensos. Se via curiosa e furiosa com desprezo dele. Edward não estava nada bem e saber que era a protagonista do seu sofrimento a afligia mais ainda. A culpa lhe caiu sobre os ombros ao beijar Dick ontem, seu pensamento estava longe demais, tudo com ele era normal demais. Já com Edward era tudo tão diferente e estranho que chegava a doer ficar longe dele, como se estivesse traindo sua paixão por ele.

O tempo parecia prever aquela discussão tensa que estava apenas se iniciando entre o casal que mal podia se denominar realmente um casal. A chuva caia forte e o vento soprava pesadamente obrigando os dois a correrem em direção ao carro.

- Isabella eu quero terminar o que comecei. – Bella trancou a porta para prevenir uma possível fuga por parte de Edward.

- Quem te mandou falar Edward? – Perguntou nervosa. – Você me deve explicações. Estou preocupada com você. Por favor me conte o que houve. – Murmurou mudando o tom de voz para não assustá-lo.

Edward ponderou e segurou-se no acento do carro como se Bella estivesse fazendo uma manobra perigosa demais.

- Eu te vi ontem. – Murmurou abaixando a cabeça, as imagens de Bella enlaçando o pescoço do cara loiro enquanto o beijava voltaram como facas  afiadas.

- Prossiga.

- Ontem à noite, encostada nesse carro. – As sobrancelhas de Bella se ergueram, levou a mão esquerda até a boca pasmada. Era isso, ele a viu, mas o que será que ele viu afinal?Até onde?As possibilidades torturavam sua mente. Olhou para Edward, mas ele se atinha à sua dor, estava fadado a sofrer por Bella, a sofrer por suas limitações.

Sentimentos os quais ele nunca experimentara vinham com força total, era duro para um adolescente como ele acostumado apenas consigo mesmo, cuidando das suas feridas internas.

Bella sofreu ao ver a expressão dolorosa de Edward, refletindo toda a fúria da noite anterior.

- Desculpa. Eu não sei o que dizer, simplesmente não sei.

- Não precisa dizer apenas me deixe sair. - Respirou fundo engolindo toda a dor existente em si. Toda a vontade de ficar com Bella foi junto com as esperanças de se sintonizarem no mesmo ritmo.

- Mas está chovendo... – Ela murmurou cabisbaixa.

- Eu quero sair... – Rosnou impaciente.

Bella sabia que não podia contrariá-lo, teria de ser devagar com Edward e simplesmente meteu os pés pelas mãos ao beijar Dick. Mas também não tinha culpa se Edward a flagrou, não havia nenhum contato de exclusividade que a prendesse a ele. Se acostumara a essa vida, se entregando a luxúria e aos prazeres banais se deparando com o vazio, o mesmo vazio de sempre. Preenchia-se tanto que em algum momento esperava explodir. E esse era o momento, por um fato irrevogável, um carma que iria carregar o tempo inteiro: desperdiçou todas suas chances com ele.

Num movimento único e carregado de rancor destrancou a porta, permitindo  Edward sair batendo a porta.Observou ele desajeitado fechar o casaco se protegendo do vento frio e forte,seu maxilar tenso e olhos estreitados maltratados pelos pingos furiosos que insistiam em cair.

A água molhava seus cabelos e ele os bagunçou, tirando os fios encharcados do rosto desolado.

Num átimo Bella ligou o carro e manobrou imprudente pelo estacionamento, não podia nem queria deixá-lo ali, a expressão preocupada de Alice naquela manhã a desmanchou. Não podia se culpar por querer se divertir, mas a culpa era o sentimento que a atingira como uma bomba atômica com efeitos cruéis e venenosos.

Freou o carro ao lado de Edward que adiantou os passos pela estrada pequena de terra.

- Será que terei que te buscar?

- Não se dê ao trabalho Isabella.

- Por favor, entra. – Implorou tristonha. Ele nem ao menos a olhou. – Edward Cullen o que terei que fazer para você me perdoar?

- Nada!Não preciso do seu perdão. – Respondeu ríspido.

Bella percebeu a dificuldade em convencê-lo a entrar, as conseqüências estavam esboçadas em sua cabeça. Alice iria questioná-la, Edward iria ficar doente e ela seria a principal responsável por todos os desastres.

- É isso, não precisa me perdoar, afinal, você não quer assumir o que existe entre nós. Então não venha me cobrar fidelidade.

- Não estou cobrando fidelidade. Você só provou o quão é promiscua e nada confiável.

Bella freou o carro, desligou o motor e desceu irritada. Não esperava esse tipo de ofensa logo da parte dele.

Não se importou com a chuva encharcando suas roupas nem com o vento frio amolecendo-a.

- Repete garoto! – Vociferou obstruindo a passagem de Edward. Ele não á encarou, mas sua voz alterada avisava que havia ofendido ela.

- O quê?

- Não se faça de vítima, diz. – Desafiou erguendo as mãos. – O que sou pra você?

Edward bufou e prosseguiu a caminhada, pretendia ir ignorando-a até chegar em casa se fosse preciso. Bella o acompanhou, perdeu a noção e a compostura ao ser ofendida por ele.

- Eu ouvi muito bem. – Insistiu ficando de frente, pondo a mão no seu peito.

– Então por que perguntou?

- Porque ainda tenho esperanças de que podemos vencer isto. Porque eu ao admito ser ofendida logo por você. Porque você é o único pelo qual me arriscaria no meio da chuva só pra pedir perdão. Porque te amo e quando estou com você o mundo me parece suportável.

Edward se surpreendeu com o teor e a violência com que as palavras saiam da boca de Bella. Esperança, admitir, arriscar, perdão, amor; meras palavras no dicionário, pesadas palavras as quais ele não conhecia na prática, mas queria muito explorar.

Bella acompanhou o olhar assustado de Edward, o pegou de surpresa de um modo totalmente inesperado, ela disse a frase inesperada.

- É eu te amo. E devo avisar que sou vulnerável a você assim como à gripe, portanto entre naquele carro agora.

Seria mais fácil se ela dissesse o quanto o adiava por ser um insensível, um anti-social que só se importava com próprio ego. Mas não, ao invés disso Bella disse “eu te amo”.

- Agora sou eu que não sei o que dizer. – Ele murmurou.

Viu-se transtornado com tudo aquilo. Ela não podia amá-lo, não se julgava digno de um sentimento tão intenso e cheios de significados, amor era um sentimento forte demais para ser entendido, palpável.

Levou as mãos a cabeça preenchendo-as com o fios molhados.

- Não diga nada, sei que você não sente o mesmo, mas eu precisava dizer. Só descobri o que realmente sentia por você ontem quando... – Quando beijou Nick sua mente castigou-lhe com as imagens e lembranças de Edward, sua memória, seu tato, sua vida pertencia inteiramente a ele e ela não teve mais dúvidas nem se arriscou a invocá-las.

O amava convicta e loucamente. E mesmo que o mundo de Edward não estivesse aberto para visitações, ela o amaria. Amava o modo como ele erguia as sobrancelhas quando descobria algo, a expressão assustada quando o beijava, o modo como franzia o cenho simbolizando dúvida, como o toque quente dele desencadeava seus desejos mais profundos, a risada sábia, o jeito presunçoso e estabanado, enfim. Tudo nele a convidava.

- Desculpe, não queria tocar nesse assunto. E se você realmente quiser ficar comigo é só dizer por que estarei sempre disponível, só para você mais ninguém.

- Isabella, acho melhor irmos para casa. – Disse disfarçando todo o desespero que sentia perante aquela situação, era diferente de tudo que ele já viu.

Bella derrotada caminhou até o carro, lágrimas insistiam em denunciar o quanto sofria com aquilo. E se ele não tivesse visto?Sua consciência continuaria tranqüila?E se ele não beijasse outro?

Apertou o volante enquanto dirigia, como se assim anestesiasse todo o arrependimento.

O destino pode nos guiar para um caminho, mas nós o desenhamos e damos sentido a ele. As escolhas de Bella faziam parte dela e a própria amaldiçoava essas escolhas.

- Você não vai falar comigo não é? – Edward olhava para as árvores obrigando seu rosto à se manter num ponto fixo,obrigando seu corpo à ignorá-la.

- Isso é meio infantil não acha? – Insistiu Bella limpando as lágrimas com a mão livre. Ela percebeu que o único modo de fazê-lo olhar para ela seria chamar sua atenção, e assim o fez.

Acelerou o carro, indo à 180 km por hora,seu coração martelou e ela se obrigou a se inclinar para trás,olhou para o lado e viu Edward se segurar afobado no acento tentando manter a calma.

- Está tentando nos matar? – Ele perguntou esbaforido.

- Consegui o que eu queria. Fiz você falar comigo, querido. – Replicou diminuindo o volume.

- Não me chame de querido.

- Tem razão. Acho que confessar que te amo não foi o bastante.

- Palavras são apenas palavras.

- Apenas palavras. – Resmungou apertando ainda mais o volante. – Vou te provar que não são meras palavras.

- Amor é um sentimento, sentimentos não podem ser provados cientificamente.

- Eu vou provar que você pode confiar em mim! – Ele deu de ombros e recostou a cabeça na janela.

- Prove. Será hilário te ver tentar.

Edward desceu do carro e ela o seguiu batendo furiosamente a porta – geralmente Bella se importaria com fato do carro estar com o estofado encharcado, mas ele tinha outras preocupações mais torturantes. – correu atrás dele e subiu no primeiro degrau da escada o impedindo de passar. A chuva deu uma trégua aos dois que prosseguiram com a calorosa discussão mesmo que seus corpos reclamassem do frio.

- Com licença.

- Tente passar – Desafiou Bella.

- Não quero ser indelicado com uma dama. Portanto deixei-me.

- Não será tão fácil escapar de mim.

- Não esperava que fosse.

Ficaram em silêncio, um desafiando o orgulho do outro. Até que Edward começou a tirar o casaco e o suéter cinza revelando apenas uma camiseta branca por baixo. Torceu o suéter ao olhar atento de Bella que nem ao menos piscou, acompanhou os músculos não tão definidos, mas nem por isso deixando de ser sexy. Edward não se importou em ficar só de camiseta em frente à garota e nem reparou o quanto ela observava sem perder nenhum detalhe. Mordeu o lábio inferior nervosa e deixou seu orgulho de lado enquanto ele bagunçava os cabelos acobreados a fim de secá-los.

- Dá pra parar?

- Por quê? – Questionou confuso.

- Veste esse suéter, por favor. E não faça perguntas.

- Ele está pinicando. – Edward revirou os olhos impaciente e jogou as roupas no ombro direito. – Assim como essa calça...

- A calça é jogo sujo!

- O quê?

- você está me desconcentrado. – Assumiu cruzando os braços.

- Perdão? – Perguntou coçando a cabeça.

- Não peça perdão por eu querer te agarrar agora. Nem por ser tão sexy que...

- Acho melhor eu subir. – Disse sem dar direito de resposta à Bella que o observou passar por ela como um furacão.

- Ótimo. Suba. Não preciso de você. – Afirmou sem ter certeza do que dizia. Ele partiu e o pior era assumir para si mesma que havia o deixado partir.

- Edward, eu preciso de você. – Bella choramingava se contorcendo na cama. Porém não era um sonho erótico, ao contrário do que ela desejaria a febre e a dor de garganta não davam espaço para o prazer. Sua cabeça martelava, sensível a qualquer ruído. Era de manhã, mas ela não tinha a mínima condição de ir até a universidade. Tentou levantar, contudo a moleza á venceu,derrubando-a cruelmente na cama. Ela sabia ou tinha a leve impressão de que ficaria assim, prostada e gripada. Era sensível a qualquer doença e não deveria ter se exposto tanto e deixado as roupas secarem em seu corpo.

- Edward não vá. – Murmurou se enfurnando embaixo das cobertas.

A porta se abriu e ela não se mexeu.

- Bella? – Jasper preocupado se sentou na beirada da cama.

- Edward?

- Não querida é o seu meio irmão gostosão.

- Hahaha!Muito engraçado Jasper. – Resmungou fungando procurando o ar obstruído.

- Entupida, alucinando e mal humorada. Certamente gripe. – Jasper pontuou. – Quem mandou tomar chuva ontem?

- Não podia deixá-lo partir. Eu tinha que tentar.

- Dizer o que Bella?A quem?Você chegou toda assustada ontem e trancou no quarto e não me deu oportunidade de perguntar o que houve.

- Vá embora. – Gritou, mas se arrependeu logo em seguida ao sentir sua garganta reclamar. Não queria que o irmão soubesse de suas fraquezas, mas ele parecia saber mais do que deveria.

- Porra Bella esquece esse cara. É mais fácil o John Lennon ressuscitar do que você conquistá-lo.

- Não mete os Beatles no meio.Ele ainda vai rastejar aos meus pés.

- Vai sonhando. – Provocou Jasper deitando ao lado de Bella e se enfiando debaixo das cobertas para alcançar a irmã.

- Vai à merda Jasper Hale Swan.

- É sério Bella, quanto você já sofreu por ele?O amor nos faz bem e esse amor só te faz mal.

- Quem escolheu fui eu e sem caos como vai existir esperança?

- Mas não gosto de te ver assim. Apoiaria o relacionamento de vocês, mas não daria certo. Certamente iriam terminar depois de uma semana. – Disse acariciando o rosto febril da irmã. – Bella você está queimando.

- Já te mandei à merda hoje? - Jasper riu e levantou-se indo em direção ao banheiro.

- Vou pegar um termômetro. E eu posso até ir à merda, mas é você que vai ficar na merda se insistir no Edward.

Jasper cuidou de Bella a manhã toda, Rosálie tinha uma prova e não pôde ficar,mas depois do exame correu para casa checar o estado de saúde de Bella.Não era  primeira vez e certamente não seria a última que Bella ficava doente por besteiras,era vulnerável a qualquer tipo de vírus o que preocupava ainda mais os irmãos mais velhos.Não comeu nada o dia inteiro,simplesmente não conseguia o que só piorava seu estado.

- É psicossomático. – Assegurou Bella. – Quando a nossa alma está doente o corpo perece.

A notícia da doença de Bella chegou á Edward no jantar após Alice ter ido visitar a amiga. Ela pareceu não se abalar com a notícia afinal, sentia uma dor  igual ou pior que a de Bella.

- Ela está sofrendo. – Alice disse enquanto lavava os pratos do jantar e Edward enxugava.

- Eu sei. O que você quer que eu faça?

- Sei lá... Converse com ela e se acertem logo. Quem sabe assim a Bela melhora?

- Não sou remédio. – Respondeu irritado.

Alice não o importunou ontem, mesmo ao ouvir música alta vinda do quarto do irmão não quis se intrometer, ele teria de se encontrar sozinho e aprender a perdoar.

- Não vou me intrometer, mas você precisa fazer algo senão a perderá para sempre.

Edward largou o pano de prato e deixou Alice falando sozinha no meio da cozinha, foi para o quarto e encostou a cabeça na parede batendo-a seguidas vezes como se assim passasse sua angústia.

- Maldição Isabella! – A lembrança dela o torturava e ele sabia que precisava tomar alguma atitude para sair do caos instalado em sua vida.

A única saída  era se entregar ao que sentia por ela e deixar a natureza seguir seu curso.Só que não era nada fácil confiar em Isabella novamente,teria de ser cauteloso afinal,ela estava doente por sua causa,foi por ele que a garota se arriscou na chuva.

Sentiu uma agonia profunda e perturbadora, de repente o quarto ficou pequeno demais, precisava respirar o ar da cidade e sabia muito bem aonde ir. Pegou o binóculo, pendurou-o no pescoço e passou rapidamente pela irmã.

- Vou até o terraço. – Disse antes de sair.

Alice sorriu e acenou para o irmão.

Bella recuperava suas forças já que a gripe havia sugado-lhe todas as energias. Dormiu praticamente o dia inteiro e tudo o que conseguia pensar era o fato de ter magoado o homem que amava. Culpava seu ego por todo mal que havia causado a Edward, de um modo inesperado seu próprio orgulho lhe preparou uma surpresa. Surpresa a qual fez Bella perceber o quão egoísta e irresponsável foi. Sua larga experiência com o sexo oposto proporcionava o entendimento imediato das reações masculinas e suas mentiras. Edward superava todas essas característica ia além da sua sabedoria. Viu-se por muito tempo independente e autoconfiante e agora caia nas armadilhas do amor, Edward dava significado a sua vida, ela sabia o quanto essa dependência podia fazer mal. E o que sobrou de toda essa história foi uma maldita gripe e uma dor cruel demais para ser perdoada por uma simples palavra e nesse caso ela concordava sim com Edward.

Esperava que a sensação de vazio passasse, mas sabia que sua vida não se acertaria do nada. Pedir perdão a Edward insistentemente e recuperar a confiança do rapaz seria prioridade quando se curasse, ou talvez não esperasse tanto. Foi aí que seu celular tocou como se adivinhasse seus pensamentos mais profundos, se esticou para atender e viu o nome da Alice no visor.

- Bella meu maninho acabou de sair daqui.

- E daí?  - Perguntou grogue, o mau humor fazia parte do mau estar.

- E daí que vocês dois precisam se acertar. Não vou me meter na sua vida, mas foi meio idiota o que você fez. Você vacilou mesmo. – Bella bufou incomodada com o assunto, sua consciência lembrando toda hora o quanto magoara Edward a machucava o bastante.

- Onde ele está?

- Terraço.

- Vou tentar ir lá.

- Sério?Não precisa se desgastar. Só estou avisando porque vocês se encontraram lá uma vez e...

- Já disse que vou lá. – Interrompeu antes que Alice começasse a tagarelar via telefone, não tinha a mínima paciência e tempo para isso, precisava era falar com Edward e eliminar sua angústia de uma vez por todas.

Always on my mind - Phatom Planet

Edward deitou-se no chão sujo tentando pôr a cabeça no lugar,os acontecimentos giravam em sua mente e atordoavam seu coração.Já era impossível negar a intensidade com a qual Bella entrou em sua vida,era impossível negar que se apaixonou por todos os erros dessa relação.Era como amar o perigo,botar a mão no fogo e se queimar totalmente,o calor que dilacerava seus dedos era a vontade de se perder naqueles cabelos castanhos.

Com os binóculos avistou as constelações visíveis e analisou a beleza dos astros, cada um tinha uma beleza, uma identidade específica que Edward conhecia muito bem. Eram tão diferentes que utilizavam sua individualidade para decorar o céu com seus brilhos.

Só que o seu encantamento e satisfação duraram pouco, a imagem que surgiu distorcida frente aos seus olhos fez seu humor mudar drasticamente. O rosto de Bella de cabeça para baixo, a palidez da pele aumentara, o contorno dos olhos eram escurecidos, os lábios ressecados e ela tremia de frio. Bella perdeu o brilho, mas não os efeitos do encantamento que causara sobre ele.

Edward levantou-se e tentou não encarar Bella com medo de expressar a preocupação latente em seus olhos verdes.

- Você está viva. – Afirmou rindo.

- Por quê?Esperava que eu morresse? – Perguntou num tom acusador.

- Não claro que não. Você está viva, mas não parece viva.

- Alguns problemas me desequilibraram. - Respondeu Bella se afastando dele.

- Que tipos de problemas? – Perguntou ele inocentemente.

- Do tipo você.

- Já sei a chuva. Perdão, não devia me meter na sua vida, afinal ela é sua. Não serei mais fonte de preocupações.

Bella mal ouvia o que o Edward dizia, suas pálpebras pesadas e seu corpo amolecido pereciam devido ao vento frio.

- Merda. – Murmurou Bella buscando por equilíbrio.

Edward percebeu a tontura dela e avançou atordoado para segurar seu corpo frágil. Não pôde conter o arrepio que agrediu sua espinha.

- Vou te levar para casa. – Afirmou carregando Bella aninhou-a nos seus braços e olhou o corpo à sua frente. Se não soubesse o que ela tinha juraria que algo mais sério atormentava a mente da garota. Sua mãe sempre dizia que a doença acometia o estado físico e psicológico da pessoa, e cabia a própria controlar seu psicológico a fim de melhorar. Ele nunca acreditou, mas as teorias de sua mãe nunca pareceram tão corretas.

Bella afundou a cabeça no ombro dele, deixando seu perfume penetrar-lhe as narinas e acalmá-lo.

- Edward me deixa!

- Está tudo bem Bella.

Bella esmurrou o peito dele mesmo sabendo que em Edward seriam apenas cócegas. Não queria permanecer dependente dele sendo que seu coração recusava a obedecer a sua mente.

- Só vou te soltar quando largá-la na cama. – Respondeu firme.

- Hum, você vai me colocar na cama? – Bella perguntou grogue, mas ainda assim lúcida.

- Vou sim. – Respondeu ele sem compreender o teor malicioso na voz dela.

Bella rendida apreciou ainda mais o perfume dele aproveitando a proximidade.

- Você cheira bem. – Murmurou enquanto desciam as escadas.

- E você está falando demais. Poupe energia.

Ela sorriu. Sim Edward se preocupava com ela a ponto de carregá-la até sua cama, por esse lado ficar doente valeria à pena.

Com o máximo de cautela ele a pôs no chão. Bella se equilibrou em pé e levou uma mão a cabeça, com a outra mão segurava no ombro do amigo.

Edward tocou a campainha do 202 e um Jasper desesperado abriu a porta,seu olhar afobado alternava entre Edward e Bella.

- Bella! Eu te disse para repousar.

- Agora não Jasper. – Retrucou Bella, a voz irritada do irmão a atingiu deixando sua cabeça ainda mais pesada.

- Irresponsável. Se não fosse Alice, não saberia onde você estava.

- Agora não Jasper. – Repetiu Edward impaciente.

- Vocês estavam juntos?

- Sim, estávamos juntos a meu ver. – Respondeu ele cauteloso.

- Relaxa Edward. Eu entendi. – Jasper deu-lhe um tapinha no ombro e sorriu.

- Que bom.

- A proposta de me colocar na cama ainda está de pé? – Bella perguntou zonza. Edward preocupado segurou a garota pela cintura e a guiou até o quarto.

Bella se jogou na cama e suspirou profundamente, em seguida olhou para Edward. O garoto se encontrava pensativo com uma mão bolso da calça e outra esfregando o pescoço compulsivamente.

- Você está melhor?

- Preocupado?

- Só podia ser você e a minha irmã tramando.

- Somos perigosas. – Brincou se cobrindo com o edredom.

- Sim vocês são. Mas o que importa agora é sua melhora.

- Você se importa? – Perguntou erguendo as sobrancelhas.

Edward silenciou e suspirou olhando para o teto.

- Se importa ou não? – Pressionou Bella.

- Sim, você não queria ouvir isso?

Bella riu, contrariando as palpitações em sua cabeça.

- Eu só quero te ouvir Edward mais nada.

Edward sorriu contrariado, sabia que sua indiferença magoava Bella e magoaria ainda mais se permitisse seu coração à buscá-la.Porém não podia mais voltar,já estava envolvido dos pés à cabeça,não só envolvida como também atormentada.

- Você queria ter dito isso?

- Sim.

- E se eu te pedisse para sentar aqui na minha cama?

Ele arregalou os olhos e pigarreou,não trocavam olhares,talvez assim fosse mais fácil para ele.

- Não sei...

- Estou doente. – Apelou para o remorso dele, qualquer tentativa de persuasão seria válida.

Edward deu pequenos passos até a cama e parou próximo à ela,admirando a garota prostada sobre a cama.Sentiu algo que remetia a pena ou culpa,algo que o mesmo não conseguia explicar.

Então se jogou sobre o colchão mole demais. Bella surpresa se endireitou na cama e olhou para o lado, podia ver os fios crescentes de sua barba e os olhos verdes encarando o teto. Podia sentir toda a tensão emanar de Edward.

- Manobra perigosa. – Brincou ela tentando relaxá-lo.

- Com certeza. Não foi tão difícil como pensei.

- Então, ficar perto de mim é fácil?

- Não exatamente. Só quando você está assim, doente. – Justificou Edward tranqüilizando-se, não sabia exatamente qual seria a atitude da garota, mas qual fosse certamente seria fácil se escapar devido a sua fraqueza. Bella ficou observando-o ali ao seu lado como se fossem amigos há anos,como se a intimidade fosse algo comum entre eles,como se desvendassem um ao outro.Edward não se importou quando Bella pegou sua mão  e contornou sua palma com os dedos como fazia em outros tempos,quando confiava nela,quando tinha a esperança de que podiam dar certo.A esperança era a palavra de ordem entre os dois ,que guiaria o destino deles, o tempo revelaria a cada um as respostas.

Edward observou o corpo cansado e derrotado pela gripe adormecer e pensou ter visto inocência em Bella, inocência a qual se revelava apenas para ele. Depois tentou sair de fininho da casa, mas alguém o impediu a temida Rosálie Hale Swan.

- Edward. – Ele se virou assustado e acenou para Rosálie, ela não sorrira, sua boca era uma linha reta, o que causava sobretudo o medo nele – O que faz aqui?Não basta magoar a Bella, quer dar esperanças à pobrezinha.

- Rosálie...eu... – Gesticulou nervoso, aquela garota o intimidava mais do que a irmã.

- Edward, não vou permitir que a magoe. Ou vá ou fiquei com ela. Você é um imbecil, mas ela gosta de você como nunca gostou de ninguém. Não sei o que ela tanto enxerga em você, sinceramente não sei.

- Eu não quero magoá-la. Não precisa se preocupar. Você não precisa me tolerar nem eu preciso tolerar seu jeito intimidador. – Rose sorriu sarcasticamente. – Portanto saiba que não tenho medo algum de suas ameaças. E saiba também que sua irmã não será canonizada. Boa noite.

Saiu sem mais nada dizer, por mais que Rosálie o amedrontasse não poderia deixar de expor sua opinião sobre o assunto. Era sua natureza e Bella teria que lidar com isso se o quisesse. Era tão sincero as vezes que chegava à ser hostil,transbordando sua sinceridade.

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