AI - Capitulo 17

Capítulo 17 – Como consertar um chuveiro.


Itália

Roza agora estava apta a ignorá-lo. A comida praticamente arrastava pelo chão, nem abrindo o suficiente para ele ver sua cara.
O lado bom pensou Marcus, era que ela não estava com tanta raiva a ponto de deixar João fazer aquilo. Embora “teoricamente” Dimitri/João não se lembrava de nada de Dimitri/Maria e vice e versa. Mas era sempre bom prevenir do que remediar.
 E Marcus sabia que mulher com raiva de homem, era quase a mesma coisa que desejo reprimido. E quando aquilo estourasse seria enlouquecedor. Ele até suspirava com o pensamento da ragazza russa sendo dominada por seus braços e simplesmente fazendo uma boa “relação” multinacional.
 Porém, toda a recente auto-estima ganha de Marcus se esvaiu, quando a russa entrou no quarto sem sequer avisar, e o encontrou em um momento... Constrangedor.
 Ok. Constrangedor para qualquer outra pessoa, mas não para Marcus.
 “Tesoro... Ah...” Gemeu tocando a base de seu pênis enquanto olhava para ela. “Olha o que faz comigo...”
 Ela olhou-o nos olhos, parecendo desinteressada.
 “Sabe, você não é sabe tudo como acha.” Ela começou falando séria e quase provocante.
 “E por que não?” Seu olhar voltou-se para os seios grandes dela hoje encobertos por uma fina blusa.
 Ela então se aproximou dele, até seus lábios tocaram em seu ouvido.
 Marcus agora tinha direito a banhos diários e até ganhara algumas mudas de roupas para trocar. Roupas essa que ficavam largas nele, já que pertenciam ao homem de dois metros. E quando as recebeu não pode conter o pensamento de agradecimento ao ver que eram roupas de “dia” de Dimitri, e não as roupas de “noite.”
 Mas, para ele, estava perfeito. Marcus era perfeito com tudo!
 Marcus a tinha ganho. Sabia...
 “Todas querem Marcus...” Sussurrou. Ele assentiu fechando os olhos e aumentando o movimento de vai e vem em seu membro. “Menos eu.”
 Ele abriu os olhos surpreso.
 “Como?”
 Ela então já estava perto da porta sorrindo ironicamente.
 “Você não conhece as russas meu caro. Existem mulheres, e existem as russas. Você ainda tem muito que aprender.” Piscou para ele e fechou a porta.
 Marcus grunhiu, pegou qualquer coisa que viu e jogou na porta, morrendo de raiva.



Maryland. EUA.

Havia alguns homens reunidos na sala de reuniões do lado oeste da NSA.
 Alguns com farda outros de terno.
 Mas apenas um com as três estrelas.
 Edward estava sentado olhando para o relógio a cada minuto, ele estava impaciente com aquela reunião que parecia durar horas e levar a lugar algum.
 Em sua frente estava McCarthy que ainda se lembrava e se divertia com a cena de alguns dias na TV. Sempre que podia ele tirava sarro com a cara do Cullen.
 Ao lado do generalíssimo estava Jacob Black, o chefe do controle marítimo que não parava de olhar para o seu celular que estava estrategicamente postado embaixo da mesa.
 Ele fingia estar com dor de cabeça, colocava uma mão na testa e baixava a cabeça, enquanto com a outra mão manipulava o aparelho.
 O general ignorou Black e esperou o diretor geral da NSA terminar de falar.
 “Bem... Esses são os dados desse mês no quartel.” Ele levantou os olhos do papel que estava lendo e se dirigiu para os componentes da sala. “Informações?”
 “Sim.” McCarthy pediu licença para falar enquanto explicava das necessidades de uma abrangência nos treinamentos dos novatos e que para o próximo ano poderia ter um processo de seleção melhor.
 “Processo melhor?” O diretor perguntou com a testa franzida. “Não já é bastante eficiente o que temos?”
 “Sim...” McCarthy não tiroteou um segundo sequer enquanto tentava não dar sinais de estar mentindo. “Mas acho que é sempre bom termos mais informações dos jovens que estamos lidando.”
 “Certo...” O diretor abanou as mãos em descaso. “Providenciaremos isso para o ano que vem.”
 Cullen firmou o olhar que Emmet lhe dava e logo desviou. McCarthy ainda estava com aquela história de tomar providências sobre o infiltrado.
 “Black, há ainda aquele problema na sala marítima?” O diretor perguntou, com mais duas tentativas até que o homem finalmente desviou a atenção de seu celular e olhou surpreso para o diretor, como se perguntasse a si mesmo como fora parar ali.
 “Ah claro... É...” Ele procurou por entre os papéis em sua frente e franziu a testa enquanto via suas anotações. “Ainda temos o problema com o controle de submarinos.”
 O diretor negou com a cabeça em incredulidade. “Alguns dos nossos cientistas descobriram o motivo disso?”
 “Bem...” Jacob espiou mais uma vez seu relatório. “Eles analisaram e não encontraram uma explicação para como está acontecendo, mas acham que está sofrendo influência de alguém.”
 O diretor bufou e bateu o punho na mesa com raiva. “Mas alguém tem que descobrir algo!”
 Depois dos homens discutirem mais sobre o que poderia estar acontecendo com a sala de controle marítimo, o diretor enfim se dirigiu á Edward:
 “E como andam as coisas com o campeonato?”
 “Tudo em ordem.” O general respondeu com uma expressão entediada. Ele odiava reuniões. Mas ele sabia que toda profissão tinha seus espinhos. “Os outros órgãos já deram resposta para esse ano, os dormitórios já foram selecionados para abrigar os competidores que chegarão cerca de dez dias antes do campeonato, para não dizerem que houve privilégios para a NSA por causa do treinamento no ringue oficial.”
 “Bem pensado, Cullen.” O diretor aplaudiu. O general ignorou e lançou mais um olhar de desprezo para Black, que notando que o assunto não era mais com ele, voltara a sua posição anterior e continuava olhando insistentemente para o visor de seu aparelho.
 “Bem... Mais alguma coisa rapazes?” O diretor enfim perguntou. McCarthy lançou outro olhar para Cullen, que o desviou mostrando que não era para tocar no assunto.
 Então a reunião cessou e os homens se levantaram voltando aos seus afazeres.
 Antes de ir, McCarthy pegou no braço de Edward e o afastou para um canto.
 “Cullen, você está louco em não informar a NSA do infiltrado!”
 “Que falar baixo, Emmet?” O general grunhiu. “Eu sei o que eu estou fazendo. Quero pegar esse infeliz com os meus métodos, há muita mais coisa em jogo.”
 “Coisas que eu não entendo e com certeza pode prejudicar a NSA. Já parou para pensar se há uma ligação entre o problema da sala marítima e o infiltrado?”
 “Já.” O general concordou descontente. “Só te peço mais um tempo, Emmet. Eu sei o que eu faço.”
 “Será?” Ele disse, mas o general já estava longe caminhando em direção ao Black.
 “Hey, BLACK!” Chamou, o homem se voltou confuso ainda com o celular nas mãos.
 “General.” Prostrou continência com a mão que segurava o celular tentando demonstrar respeito por Edward. Edward botava medo em todos naquele quartel.
 O general então sem avisar arrancou o celular das mãos do homem.
 “Ei! É meu!” Ele praguejou.
 “Mas isso aqui não é!” O general grunhiu apontando para o visor do celular onde mostrava o vestiário feminino da NSA.
 Então Black deu um risinho malicioso enquanto batia no ombro de Edward em confidência. “Vai dizer que você nunca quis saber o que elas faziam no banheiro, huh? E ainda é super fácil, ninguém nota a câmera no painel da parede e é só conectar em rede depois!”
 O general olhou para ele e seu sorriso idiota e para a mão em seu ombro. Quem ele pensava que era mesmo?
 Black pareceu perceber toda uma ameaça com aquele olhar e super sem graça tirou a mão de lá esfregando ao lado do corpo como se ela tivesse o tempo todo lá.
 Black então suspirou. “Com todo respeito general, mas aposto que quando você ver a garota que eu estava espiando, você vai querer as imagens também.”
 “Não seja idiota, Black.”
 “Não? Conhece Claire Evans? Poxa, eu vi ela outro dia, e já puxei a ficha inteira do cadastro! Qualquer dia eu vou lá “na maior inocência” conhecê-la pessoalmente.”
 O general fechou a cara. “Vai ter que arranjar outro celular, Black.” E saiu andando com o celular do homem em suas mãos.
 “Hey, general. Não pode fazer isso.”
 O general continuou andando ignorando o outro.
 “Posso sim. E também pode ir esquecendo a câmera no banheiro. Da próxima vez que eu descobrir, não serei bonzinho como agora.”
 Black fez um sinal obsceno para as costas do general.
 "Eu vi isso, Black.”
 Jacob revirou os olhos e se retirou amargurado  se perguntando qual era o problema daquele general.
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A NSA é uma pobre!
 Por que eles não colocavam chuveiros melhores? E agora ela não fazia a mínima idéia de como fazer a água voltar a funcionar e tirar o xampu do seu cabelo e o sabão de seu corpo inteiro.
 O banheiro feminino estava vazio naquele horário e Bella se praguejou por escolher um horário vazio. Pelo menos alguma alma poderia saber o que fazer com o chuveiro. E o pior era que aquele era o único em funcionamento, pois os outros estavam em manutenção.
 Já tinha dito que a NSA era pobre?
 E quem liga que é um dos lugares mais tecnológicos do planeta? Quem liga que é um dos maiores centros de inteligência do universo?
 Assim que Bella saísse dali iria dar uma entrevista dedurando os podres da NSA. Começando pelo general Cullen.
 Ela ainda sentia raiva por ele ter a feito passar vergonha na frente de uma câmera! Depois que ela quase enfiou o bastão – do general – na garganta da mulher para ela mostrar pela enésima vez que ela realmente havia apagado a fita, ela saíra raivosa do local.
 Quem ele pensava que era para fazê-la descer tão baixo?
 Não queria ver mais cara dele, mas era inevitável. Nem que parasse com os treinamentos evitaria esse infortúnio. E ela precisava dos treinamentos.
 Havia alguns motivos para isso:
 O primeiro era que o general realmente tinha algo a ensinar e ela poderia melhorar com as dicas dele.
 Segundo ainda tinha aquela história de se aproximar dele, mas Bella estava cada vez mais estava se vendo mais longe do objetivo.
 Ela já desistira a muito tempo de tentar arrancar algo – bom – do general. Era impossível.
Uma missão impossível.
 E terceiro era bom mesmo que ela ganhasse o campeonato e provasse para quem quisesse ver – principalmente aquele general machista e irritante – que ela era boa, obrigada.
O general parecia exigir mais ainda de Bella do que antes e Bella sabia que isso era diretamente ligado aos acontecimentos do dia da TV.
 Ela tentava tirar de sua mente a noite no quarto do general, afinal ele não lembrava nada e a expressão sempre dura e rígida continuava nele como sempre. Sabendo ou não o quanto ele sofria, não mudava o fato de quem ele era.
 “E agora eu aqui... Ensaboada no meio do vestiário!” Grunhiu querendo bater a cabeça na porta de um compartimento.

Na corrida daquela manhã eles não trocaram uma palavra, nem chegaram perto e nem assistiram o nascer do sol. Tirando alguns olhares raivosos, parecia que eles tentavam ignorar ao máximo a pessoa ao seu lado.

Bella suspirou e procurou por alguma coisa que pudesse usar de apoio para subir e alcançar o maquinário do chuveiro que ficava muito alto para o alcance de sua mão. Achou uma dobrinha do azulejo e colocou o pé ensaboado lá, escorregando várias vezes. Até que finalmente ela conseguiu subir se apoiando com as mãos na porta do compartimento e na parede do outro lado.
 “Vamos lá, Bella... Vamos...” Sussurrou, soltando uma das mãos e tentando apertar algum botão que resolvesse a situação.



O general passou em seu quarto para trocar a farda por uma roupa esportiva e analisou o celular de Black por alguns segundos até guardá-lo em uma gaveta bem protegida.
Teria que ir ao banheiro retirar a câmera para que aquilo não mais acontecesse. Era violação da privacidade dos novatos e Black era um insolente por fazer aquilo.
Não sabia por que estava tão sentimental ultimamente para deixar tão barato e distribuir segundas chances quanto se distribui doces para crianças gordinhas. Qualquer dia teria que ir a um psicólogo, talvez o mesmo que atendia os novatos, para achar uma cura ou um maldito remédio que revertesse a situação.

Foi em direção ao vestiário feminino e como não havia barulho de água no chuveiro no local o que era bem perceptível do lado de fora, ele pausou que já estava vazio.
 Quando entrou, parou de supetão ao ver uma cena que realmente não esperava.
 Uma novata ensopada aparecendo tudo da cintura para cima tentava mexer no maquinário do chuveiro no alto.  Seus seios estavam cobertos por espuma de sabão, mas a forma deles ainda era bem perceptível. Seu cabelo estava todo puxado para trás e com espumas completando o visual.
 O general olhou por alguns segundos até pigarrear.

Bella tentou ler em sua posição alguma coisa que indicasse uma tarefa e estava quase conseguindo quando ouviu um pigarro.
Tomou um susto e olhou para trás a tempo de ver o general.
Ela soltou um grito e quando viu já tinha desabado no chão. Seu corpo todo se chocou contra o piso do compartimento.
 “Ai...” Gemeu.
 Se o general risse, ele teria rido. Internamente ele se divertiu com a situação.
“Não precisa morrer também por causa disso, novato.”
“O que você está fazendo aqui pelo amor de Deus?” Ela grunhiu tentando se levantar, e conseguindo depois de certo esforço. Ainda bem que apesar da queda ela não tinha sofrido danos maiores. “Onde estão os meus direitos de privacidade? Esse é o banheiro feminino!”
O general rolou os olhos. “Pensei que ninguém estava aqui.”
“Seria uma boa idéia bater na porta ou bater palmas ou qualquer coisa assim, não?”
“Novato, posso enfim saber – porque realmente estou curioso – qual é o motivo de estar todo ensaboado?”
Ela bufou. “Essa NSA é uma pobre!” E bateu na porta do compartimento com raiva. “O chuveiro não pega e ele é o único daqui!”
“Está mesmo chamando a NSA de pobre?” Ele disse em tom de ironia.
“Você bem que poderia consertar isso não?” Ela pediu quase implorando.
Ele rolou os olhos. “Dê-me bons motivos para isso.”
Ela bufou. “Certo... Vou sair pelada e cheia de sabão pelos corredores, quem sabe eu não corra por aí assim.”
Ele rolou os olhos. Pegou uma toalha em algum lugar e jogou para dentro do compartimento onde Bella se cobriu rapidamente, abrindo então a porta deste e notando o general ali que parecia se divertir com a situação embora não risse.
Ela fechou a cara e o general caminhou em sua direção no boxe.
“O problema é aí em cima.” Ela disse olhando e vendo o general com sua altura elevada alcançar o maquinário com as mãos e procurar por algum botão que melhorasse o chuveiro.
Bella permaneceu ao lado dele no boxe olhando para cima e dando palpites, o que ele prontamente ignorou.

Do lado de fora Whitlock estava vagueando perdido pelos corredores quando ouviu vozes do vestiário feminino. Mas não eram vozes totalmente femininas... Havia um homem!
Ele abriu a boca em choque, mas resistiu a tentação e continuou andando, mas logo rolou os olhos para si mesmo e voltou na ponta dos pés até a porta, encostando seu ouvido nela e escutando tudo de lá dentro.
“Vamos general... Você é fraco... Não consegue nem fazer isso? Coloca mais força!”
Ouviu o general grunhir, mas para Whitlock foi uma espécie de “gemido-urro sexual”.
“Você não consegue nada melhor aqui em cima, novato... Então fica quietinha enquanto faço meu trabalho ou se não te deixo pingando por aí.”
Jasper abriu a boca mais ainda. “O general e Claire?” Sussurrou para si mesmo, e se possível encostou mais ainda a orelha na porta do banheiro.
“Que filhos de um pai...”

Do lado de dentro Edward não estava tendo muito sucesso com o chuveiro e Bella achou uma boa hora para provocá-lo.
“Se você não tivesse entrado daquele jeito, tenho certeza que poderia ter feito.”
“Eu te ajudo, e ainda reclama? Homens!” O general disse como se dizia “mulheres” e Bella bufou. Já não estava mais agüentando aquela maldita mania do general de chamá-la de homem.

Jasper do outro lado estava quase girando nas órbitas ouvindo o que os dois estavam fazendo lá dentro. Claire se... Auto-satisfazendo? E o general aparecera para ajudá-la?
Alguém precisava saber disso!
Mas por enquanto... Ele ficaria por lá “tomando conta” dos dois.

Bella ficou olhando para o general com uma expressão vazia. Ele ainda tentava mexer no chuveiro, mas ela já nem estava mais aí para ele.
As mãos que seguravam a toalha foram se firmando ao seu redor com a raiva e a frustração que crescia dentro dela.
Se não bastasse a paranóia que ela tinha com idades, o general ainda tinha que fazer sua auto-estima ir para o esgoto?
Aquela situação já estava ficando intolerável e ela tinha que provar de uma vez por todas que ela era muito mais do que ele achava.
Ela era uma mulher. E não qualquer mulher.
“Você está vendo algum homem aqui general?” Ela perguntou com a voz seca ainda encarando seu rosto como se pudesse furá-lo com aquele olhar.
Ele desviou um rápido olhar para ela. “Sim.”
Ela bufou e respirou fundo. Então livrou a toalha do aperto de suas mãos e esta lentamente foi descendo pelo seu corpo. Ela deu um sorriso malicioso e murmurou com a voz rouca. “E agora?”
O general olhou para ela confuso e quando seu olhar encontrou o corpo nu de Bella, sua mão em um ato reflexo socou o maquinário do chuveiro e de algum modo ele voltou a pegar molhando os dois.
Bella nem por um momento deixara de encará-lo. Seus olhos.
Aqueles olhos que falavam mais de qualquer expressão fechada que ele poderia construir.
O general poderia ser o maior escroto da terra, mas ele era homem.
E Bella tinha plena consciência de seus sessenta quilos muito bem distribuídos em seu um metro e setenta e três.
Seu corpo era perfeito, cheio de curvas... Corpo de mulher.
Tanto sua alimentação e exercícios físicos na Itália, quanto o treinamento militar na NSA só acentuaram os efeitos corporais.
Bella viu o pomo de adão de o homem saltar em seu queixo, viu seu olhar percorrer seu corpo como se o queimasse e sentiu o seu próprio olhar duro dizendo “BASTA!” para todas as maquinações e humilhações do general.

Jasper do lado de fora ouviu o silêncio e começou a sentir fumigações no pé tamanha era sua vontade de entrar e conferir a cena.
Andando pelos corredores ele distinguiu seu raio de sol.
Alice!
Ele sorriu ao vê-la e acenou freneticamente. A moça saltitou em sua direção.
“Que foi Jasper?”
“Eu tenho a melhor fofoca filha de um pai da NSA em minhas mãos.” Ele disse excitado como uma menininha pronta para dizer a fofoca do ano.
“Fofoca? Jasper, você?” Ela abanou a cabeça descrente.
“Não.” Ele logo disse. “É fofoca.”
“O que pode acontecer na NSA de tão interessante?” Ela rolou os olhos.
Ele então sorriu. “Ouça.”
Alice olhou para ele descrente até que percebendo que não tinha nada para fazer mesmo resolveu ouvir atrás da porta ao lado de Jasper.

Lá dentro o general engoliu em seco enquanto seu cabelo se molhava e algumas mechas cobriam sua testa.
“Vamos general... Você ainda não me respondeu.” Ela disse provocando-o com a voz rouca e sexy.
Ele nada disse somente olhou para ela como se fosse a primeira vez em que a visse.
“Eu sei que você quer tocar... Não quer?” Provocou se aproximando dele. Sentiu a postura rígida do general como se cada músculo de seu corpo estivesse preso.
Então os olhos de Edward se tornaram um tom escuro de verde quando uma mão lentamente foi em direção a cintura nua de Bella que recebia os pingos da água do chuveiro.
Bella sentiu a corrente elétrica e a mão firme, grande e máscula do general tocando sua cintura delicada foi uma sensação melhor do que poderia esperar.
O general se odiava por dentro por ainda continuar naquele boxe cedendo as provocações daquela novata insolente.
Mas algo o impulsionava ali. Era como se o corpo dela fosse um imã para o dele.
O general engoliu em seco mais uma vez e Bella sorriu desdenhosa em direção a ele.
“Você nunca pode chamar uma mulher de homem, general.” Ela sorriu maliciosa. “Você sempre me ensina lições de boxe, está na hora de EU ensinar sobre mulheres.”

Do outro lado Alice assim como Jasper estava com a boca aberta e McCarthy foi chegando e notou os dois ali. Curioso, se aproximou.
“É alguma reunião e não me chamaram?”
“Shi...” Os dois disseram juntos levando o dedo indicador a boca.
McCarthy se aproximou então e começou a ouvir atrás da porta também. Depois de alguns minutos, Alice e Emmet trocaram um olhar significativo.
“Vou entrar!” Ele disse de supetão.
“Não, Emmet, não!” Alice começou, mas Emmet sorriu.
“E você acha mesmo que eu vou perder a oportunidade de ter mais alguma coisa para usar contra Edward depois?”
“Emmet...” Alice interferiu, mas Jasper dava pulinhos de excitação querendo ver as coisas com seus próprios olhos.
McCarthy rolou os olhos com um sorriso na boca e impulsionou sua cadeira para dentro do banheiro.
“Volta!” Alice pediu, mas ele já tinha entrado e acabou que entrou também e Jasper, que era Jasper, seguiu o seu raio de sol.
No interior de sua mente, diversos ‘filhos de um pai’ eram confeccionados junto com expressões surpresas quando visse a suruba que acontecia entre aqueles dois que pareciam se odiar tanto.
Se odiar... Aham. Ele bem sabia a história desse sentimento.

Edward olhou de sua mão para o rosto de Bella e sua boca que estava seca se abriu para dizer algo quando ouviu um pigarro seguido de uma frase desdenhosa.
“Olha o que temos aqui...”
Com a voz de McCarthy ambos saíram do frenesi em que estavam, tomaram um susto tremendo e Bella se encolheu para proteger seu corpo, logo se abaixando para pegar a toalha no chão e se cobrindo enquanto suas bochechas coravam horrivelmente.
Já o general saiu o mais longe que pôde de Bella e disse que o chuveiro estava dando choques e que ele providenciaria um técnico imediatamente.
Bella percebendo a deixa começou a reclamar que a NSA poderia investir mais nos banheiros para promover maiores confortos e estabilidade aos novatos que no meio da crise financeira ficavam muito sensíveis a percepções de mundo globalizado, com a violência e terremotos que assomavam o mundo feito H1N1 e...
“Chega Evans.” McCarthy riu abanando a mão.
Bella se calou e corou olhando para um Jasper com uma expressão assustada no rosto que estava lá desde que ele entrara. Parecia que ele congelara aquela expressão no rosto e só depois de um bom tempo a tiraria dali.
Do lado dele estava Alice que olhava do general para Bella. Da Bella para o general, e depois acenava positivamente com a cabeça como se respondesse algo a si mesma.
“Ei... Ei... Não é nada disso que vocês estão pensando...” Bella começou esticando a mão em um sinal de ‘pare’ e se embolando com as próprias palavras.
“McCarthy nos esquecemos de dizer hoje na reunião o problema dos chuveiros...” Cullen disse tentando soar como sempre e passando a mão pelos cabelos em um modo quase nervoso.
McCarthy sorriu para Alice, que sorriu para Jasper e que finalmente tirou a expressão congelada do rosto antes de murmurar enfim sua frase mais famosa:
Mas que situação filho de um pai...”
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“Quer dizer que o general estava passando pelo corredor quando ouviu os seus gritos implorando por ajuda?”
“É, Jasper.” Bella disse já cansada de responder a várias perguntas várias vezes ao dia.
“Poxa...” Ele disse com os olhos brilhando e olhando para o horizonte. Então deu um sorriso de ‘eu sei mais do que você’ e voltou seu olhar para ela. “Mas dessa vez você não me engana, Evans. Você estava nua na frente do general mais filho de...”
“PÁRA JASPER!”
“... um pai que já existiu.”
Bella fechou os olhos e cerrou os punhos com raiva. “Whitlock, se você não parar de dizer isso agora...”
“Mas como que você quer que...”
Então Bella socou o infeliz no nariz e ele caiu no chão segurando o nariz que sangrava enquanto olhava incrédulo para Bella.
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“Edward, você pensa que engana quem?” McCarthy já estava tomando as paciências de Edward naquele dia.
Cullen estava colocando seu calção de boxe e sua regata branca, enquanto pegava sua luva de boxe embaixo na cama.
“Emmet se você abrir a boca mais uma vez para tocar nesse assunto...” O general ameaçou com os olhos faiscando de raiva.
“Ok.” McCarthy sorriu levando as mãos para o alto em rendição.  “Mas eu acho que...”
Foi quando ouviram uma balbúrdia pelos corredores. Pareciam gritos dos novatos, e um “FIGHT! FIGHT!” intensificado.
Cullen rosnou terminando de colocar sua camiseta e saiu em disparada pelos corredores, indo em direção ao pátio e encontrando sob a luz do Crepúsculo a figura da novata distribuindo socos para quem quisesse.
Ele rolou os olhos e foi em sua direção, pegando seus braços e os levando para trás.
“ME SOLTA!” Foi quando ela viu quem a segurava, se bem que o cheiro e a corrente elétrica a avisaram antes.
“Ei, rapazes, brigas não!” McCarthy veio logo atrás acalmando os ânimos e notando os olhares descompassados das pessoas que assistiam a briga.
“Vamos novato.” Cullen disse levando Bella consigo. Ela não queria ir, mas o general a empurrava em direção aos corredores.
Eles não tinham se falado depois do caso da tarde, mas Bella estava lívida nesse momento.
“Estou de saco cheio de Whitlock, e ainda aqueles outros vieram se meter, principalmente aquele Derek e...”
“Novato, pare.”
Ela então desembocou toda sua ira no general.
“Eu já não lhe disse para não me chamar de homem?”
“Antigos hábitos não se mudam.” Ele disse dando de ombros.
Bella bufou e saiu andando pelos corredores querendo se trancar em seu quarto. Já estava de saco cheio daquele dia.
Mas o general foi atrás dela e segurou em seu antebraço fazendo ela se voltar para ele.
“O que é?” Ela quase soluçou. Será que o general nunca iria deixá-la em paz?
O general revirou os olhos. “Você sofre de algum problema de amnésia, novato? Esqueceu que temos treino?”
Quando a compreensão tomou o rosto de Bella, ela suspirou e olhou para o lado.
“É, mas...”
“Mas eu ainda sou seu treinador e eu exijo que vá colocar a roupa adequada e esteja na sala de treinamentos em dez minutos.”
Bella suspirou.
A verdade era que ela nem sabia mais como andavam as coisas com o treinamento do general. Era incrível que cada dia mais que passava, ela entrava em dúvidas se ainda continuava ou não, tudo pelas situações irritantes que eles se metiam.
O general firmou seu olhar por mais alguns segundos até soltá-la e sair caminhando pelo corredor em direção a sala de treinamentos.
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Bella chegou lá em dez minutos e o general a esperava. Eles começaram o treinamento daquela noite e o general como já desconfiava os motivos para que Bella desferisse um soco no nariz do Whitlock, ensinou-a a dar um belo de um soco no nariz.
“Você sempre tem que mirar na lateral do rosto. Evite a frente.” O general Cullen explicava para Bella e ela prestava bastante atenção.
“Posso perguntar o por quê?”
 “Se você soca na frente, você encontrará o nariz... E se você socar o nariz reto vai doer mais em você do que se você socar o nariz pelo lado.”
Bella franziu a testa.
“Está acompanhando, novato?”
“Sim.” Ela respondeu rapidamente.
Então o general rolou os olhos. “Você quer ganhar esse campeonato ou não?”
“Claro que eu quero.”
Ele estreitou os olhos em sua direção.
“Então seja sincero quando você não entende.”
Ela rolou os olhos.
Ele a analisou por alguns segundos, depois continuou a explicação. Até que ela começou a treinar no “bob”.
“Não, novato!” Gritou segurando em seu braço. Bella sentiu a mesma estranha sensação, mas logo seu olhar voltou-se para o general. “O punho...” Ele segurou em seu punho e começou a mover seus dedos. “Tem que ficar totalmente fechado... O polegar dentro, e os ossos do meio, inclinados para baixo...” À medida que ia falando ia mexendo em sua mão. “Assim.” Terminou, e soltou seu braço.
“Certo.” Suspirou quando o general soltou sua mão. Admitindo ou não ele era um bom treinador – tirando algumas palavras, frases e comportamentos tipicamente da personalidade dele – ele ensinava coisas importantes para Bella. Técnicas que ela não fazia idéia que existiam e que melhoravam o seu desempenho.
Bella queria lutar, era o que mais queria, mas o general ainda não estava a treinando assim. E era frustrante.
“Agora tente.”
Ela tentou. Ela não conseguiu o que o general queria, ainda estava atordoada com todos os últimos acontecimentos. O general rolou os olhos e Bella mordeu os lábios.
 “Desculpe general, eu...”
“Novato, os detalhes de sua incompetência não me interessam.” Ele cortou rude.
Bruto!
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“Sabe... Você é muito bom no boxe, general... Por que não se torna profissional?”
Bella mordeu os lábios perguntando para o homem em sua frente.
Ele a encarou. Daquele maldito jeito que ela odiava!
“Não quero viver só de cartilagem no nariz.“ Ele falou sério, rude, bruto, impassível como sempre, mas Bella riu, pois de algum modo para ela era engraçado.
O general Cullen ligando para a aparência? Privando seu nariz de só viver na cartilagem?
Ele a encarou cético e seu sorriso logo se apagou, enquanto ele a perfurava com o olhar.
“Sabe Evans... Eu esqueci o que aconteceu hoje mais cedo e espero que você também.”
Ela assentiu e sorriu com o canto da boca. “Do que está falando general?”
Ele rolou os olhos e continuou a dar ordens a ela.
-
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Os dias forem se passando e os treinamentos de Bella com o general continuavam, junto com a proximidade da data do campeonato.
Só que ainda eles não lutavam. Bella corria todas as madrugadas com o general, treinava todas as noites, mas sempre exercícios, exercícios, nunca a luta em si.
Jasper estava meio estranho com ela desde do soco, mas o coração mole dele logo cederia. Ele dissera uma vez contente que também se arriscaria a participar do campeonato.
O general Cullen também judiava dela, já que outro dia a obrigara a fazer flexões no pátio central na hora do almoço e com uma baita de uma chuva a tira colo.
Ele dizia que era para adquirir mais força e ela simplesmente só conseguia olhá-lo com mais raiva ainda.

Outro dia Bella estava lendo um livro no jardim quando viu Whitlock e Derek tropeçando um no outro enquanto o general Cullen andava imponente como sempre atrás deles.
Bella notou curiosa enquanto o general colocava os óculos escuros, armava um guarda-sol e colocava um banquinho embaixo deste, enquanto se sentava.
Quem quer que fosse para aquela área da NSA aquele dia veria dois novatos fazendo flexões no sol forte enquanto o general Cullen estava com as pernas esticadas nas costas deles e lia um livro como se nada tivesse acontecido e aquela fosse algo terrivelmente normal e visto todos os dias.

As coisas caminhavam para Bella, mas existiam coisas que não saíam de sua cabeça nem se ela quisesse.
A primeira era o baú no quarto do general. Via-se pensando muitas vezes nele e sabia que algo estava faltando, algo que ela já deveria saber.
A outra era o pesadelo do general. Poderia alguém sofrer tanto com algo a ponto de construir muros de concreto ao seu redor? Saberia o general o que tinha acontecido aquela noite?
Também se preocupava com os treinamentos severos, o campeonato e sua missão.
Mas sempre que Bella pensava neles, bufava e jogava alguma coisa de encontro à parede, pois percebia que todas elas estavam ligadas ao general Edward Cullen.
E aquele era, definitivamente, o último homem na face da terra que ela gostaria que fizesse parte de sua vida.

4 comentários :

adorei !! continue a prostar capitulos .
POR FAVOR .
:D

Anônimo
11 de julho de 2011 06:49 comment-delete

CONTINUE E PONHA MAIS HISTÓRIA .
:)

Anônimo
11 de julho de 2011 06:50 comment-delete

pelo amor de tudo quanto é mais sagrado não para de postar ...pelo amor de deus!!!!

Anônimo
24 de agosto de 2011 20:42 comment-delete

Se alguém aí gosta de Hunger Games acessem a minha fanfic : http://fanfichungergames.blogspot.com/
:)

27 de agosto de 2014 16:38 comment-delete

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