AI - Capitulo 15

Capítulo 15 – Inspecionando o quarto do general.



Maryland. EUA.

O general Cullen caminhava pensativo pela floresta dos esquilos naquela tarde. Procurou o lugar e lá o encontrou. A mesma pedra onde assistira o nascer do sol há vários dias com o novato e onde havia um lago por perto.
Ele estava curioso por aquele lugar... Afinal, quando ali esteve um sentimento estranho possuiu seu corpo fazendo com que ele simplesmente parasse... E admirasse o sol.
Parecia até esquecer-se da presença do novato, ou de problemas. Era como se o lugar fosse mágico e proporcionasse as pessoas que ali comparecia um momento de ausência do resto do mundo.
Sabia que a garota era esperta, mas preferiria morrer a revelar aquilo a ela. Ela saberia que ele não a mandara para simplesmente... Infernizá-la, mas havia um motivo por cima de tudo.
Ele não poderia dizer a ela, mas poderia dar pistas e quem sabe ela descobrisse?
Ele passou a mão pelos cabelos e lentamente voltou para a NSA.
Não sabia por que estava fazendo aquilo, mas pelo menos sabia que se alguém possuísse uma informação que seria capaz de mudar sua vida, ele gostaria de saber.
Edward nunca pausou se “unir” a uma máfia. Mas as circunstâncias o levaram aquilo e ele sabia que era uma chance única.
Durante vinte e quatro anos esperara por uma única oportunidade. Colhera informações, pagara informantes, mas tudo acabou vindo em sua direção com um telefonema interceptado.
A máfia russa coordenada por Lênin seqüestrara Marcus como forma de chantagear os Volturi, e foi aí que Edward percebeu o que poderia fazer.
Entrara em contato com a máfia e depois de muita relutância conseguiu que alguém viesse falar com ele. E foi Roza.
Ele precisava convencê-la, para ela convencer ao chefe de que não era um ardil para a máfia russa, mas sim para Marcus Volturi.

Chegou até a tratá-la gentilmente, o que não era seu feitio, mas ele queria gerar boas impressões com a russa.
Ele tinha uma casa cerca de uma hora e meia de Fort G. Meade, mas preferiu arriscar tudo encontrando a russa na NSA, em um horário que o prédio se encontrava vazio. E também ninguém conhecia a mulher e se perguntassem sempre poderia usar a desculpa de “visita íntima.”
Eles conversaram em uma sala trancada.
“E por que tanto interesse nele?”
“Questões pessoais.” Ele respondeu simplesmente olhando fundo nos olhos dela para mostrar que não revelaria mais nada.
A moça brincou com a bolsa e depois voltou seu olhar para o general.
“Tenho que conversar com meu chefe. Entro em contato com você.”
Ela se levantou e assim o fez Edward.
“Agora...” Ela começou no inglês com seu sotaque russo. “Por que se arriscar tanto general? Você sabe que isso é... Ilegal?”
Ele bufou. “Eu sei o que eu estou fazendo, Roza. Ninguém tem o direito de julgar nada.”
“Certo...” Ela percebeu que o general não falaria nada, mas ela sabia que tinha um motivo maior por trás de tudo e que talvez ele nem enxergasse direito as proporções do que estava fazendo.
Mas Edward sabia. Ele sabia que se fosse pego, que se alguém descobrisse e o denunciasse para o governo, perderia seu posto e poderia ser preso.
Mas havia coisas maiores na vida do que simplesmente ordens e respeito pela pátria. Existiam coisas que deviam ser feitas.
Coisas que por mais tempo que demorasse, um dia tinham que acontecer.
Então se lembrou da mulher. A que se autodenominava Claire Evans.
Aquela garota parecia ter perdido a noção do perigo. Era como se ela simplesmente mandasse tudo para o quinto dos infernos e falasse o que vinha na telha sem nem ao menos pensar nas conseqüências.
Edward estava se controlando ao máximo para não perder o controle com ela, afinal a NSA ainda precisava dela.
Antes ele achava que ela seria necessária para seus planos, mas com tudo o que vinha acontecendo a cerca da Roza, talvez não o fosse.
Então ele a viu nos corredores apontando o dedo para um novato bem maior e mais forte que ela. O menino apesar do tamanho parecia se encolher frente a ela.
Jasper a olhava admirado e Edward pausou se um romance não estava nascendo entre os dois. Se bem que a garota não parecia gostar do estilo de Whitlock.
Ele ficou atrás dela ouvindo-a berrar com o garoto, até que ela chamou-o de arrogante.
Edward controlou a ira, afinal ela estava falando abertamente sobre ele na frente dos novatos. Que imagem ela passava? A garota que peitava o general Cullen?
Então ela tirou o chapéu e seus cabelos encostaram-se a cara do general. Ele entortou o nariz com aquilo enquanto via as ondulações castanhas.
Por isso ele falou severo com ela e a levou dali. Tinha certeza que os novatos acreditavam que se existia mesmo uma solitária, Evans estaria sendo levada para lá.
Ele estava se controlando para não expulsá-la da NSA ou um castigo alguma coisa. Mas sabia que ele não precisaria disso, ele poderia tomar suas providências no treinamento.
Ela toda hora da conversa colocava a mecha do cabelo para trás que insistia de voltar para frente do rosto. Edward já estava ficando estressado.
Ele foi até “bonzinho” com a garota, sabia que tinha muito mais coisa em jogo e ele não poderia se deixar levar pelo momento.
Chegou até a erguer a mão para tirar aquela maldita mecha da frente do rosto, mas Edward sabia que ao tocá-la um choque aconteceria e ele também sabia que ficaria pausando o que raios fazia aquilo acontecer.
Desistiu, e saiu dali a passos largos indo em direção ao armário onde vassouras estavam guardadas.
A mulher de algum modo foi esperta o suficiente para não cair no ardil, mas Edward não deixaria barato.
A novata já estava fugindo dos limites e ele não poderia deixá-la solta por aí.
Se tinha algo que o general gostava de fazer, era ver a raiva da garota.
E viu a raiva em seus olhos quando pegou a vassoura e caminhou a passos largos para os dormitórios.
Ele a acompanhou com os olhos e depois se retirou para a floresta onde agora se encontrava recordando aquele dia.
Logo teria que ver como a novata estava se saindo com a limpeza.
E dentro de algumas semanas o que ele tanto esperava se realizaria. E nem a novata, nem infiltrado algum, nem McCarthy, Alice, os EUA e o mundo o faria perder aquela oportunidade.
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Itália


 “E então Alec?” Jane perguntou para o irmão.
“Se você queria cair nas graças dos chefes, pode ter certeza que irá.”
“Sério?” Ela sorriu. Ela queria ir à faculdade e para isso, queria ganhar certa confiança dos Volturi e pedir para entrar em uma, com alguma desculpa de para o bem da máfia.
“Sim. Dessa vez nem terá que sabotar nada.”
“Alec!” Grunhiu tampando a boca do irmão. “Você quer que alguém ouça?”
O irmão revirou os olhos. “E você acha mesmo que eles não sabem que foi você que ferrou com o carregamento e deixou a culpa cair em Bella?”
Ela arregalou os olhos.
“Acho que eles sabem juntar dois mais dois, Jane. E acho que você deveria ficar esperta com eles, irmã.”
“Mas...”
“Mas eles não se importam com ninguém na verdade. Se você ferrou com Bella ou não, não importa. Mas o carregamento atingiu-os e me surpreende que eles ainda não façam nada.”
“Mas dessa vez...” Ela concluiu tecendo um meio sorriso na boca. “Bella não precisará de mim para falhar.”
“Não mesmo, irmã.” Alec riu tomando-a pelo braço. “Não mesmo.”
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Maryland. EUA.


“EU ODEIO EDWARD CULLEN!” Bella grunhiu jogando a vassoura longe, mas logo se arrependendo de tê-lo feito.
Rosnou e ficou de cócoras no chão do quarto do general, enquanto acariciava sua própria nuca em uma tentativa de obter calma.
Por que SEMPRE o general tinha que estragar a vida dela.
Por que ele SEMPRE, desde o primeiro dia, tinha que ter aquela porra de olhar que quase gritava “Eu sei quem você é.”
Bella achava que era perseguida pelo general, afinal não via mais ninguém sendo humilhada constantemente pelo homem, embora fosse normal ver as pessoas sendo humilhadas por ele. Mas não na freqüência de Bella.
Qual era o problema dele afinal?
Ela já estava toda quebrada limpando o quarto dos funcionários. Ela definitivamente não tinha vocação para faxineira e desejou a todo o momento enfiar o esfregão na cara do general.
O quarto dele era até organizado e limpo perto dos outros, ganhando o concurso “de maior lixo” o quarto do general McCarthy. Como alguém poderia viver naquela desordem?
Mas claro. Ele ficaria eternamente agradecido por aquela “gentileza” e quem sabe não contraria seus serviços?
Naquele quarto havia fardas. Fardas. Fardas. Todas com aquelas malditas três estrelas.
Seu olhar vagou mais um pouco até que sua boca se abriu em surpresa e admiração.
Ela viu uma luva de boxe Everest novinha em folha, linda, vermelha brilhante. Ela praticamente via seu reflexo nela.
Só que ela estava dentro de um armário e parecia nunca ter sido usada.
Por que aquele desperdício? Ela quase chorou, lembrando da luva que usava emprestada do armário da sala de treinamentos e que era maior que sua mão.
Teve vontade de tocá-la e ver como era... Mas se controlou.
O general não poderia nem sonhar que ela estava babando por algo dele.
Se bem que... Estando naquele quarto ela poderia abusar um pouquinho.
Supondo que o general tivesse algo... Comprometedor?
Se ela tivesse a boa sorte de achar alguma coisa, então ela poderia zoar com ele pelo resto dos tempos. Isso seria algo interessante.
Mas parecia que lá tinha tudo estritamente necessário com a exceção de pequenas coisas. E sem fotos.
Nem da mulher loira do outro dia.
Bella continuou limpando o quarto. Até que uma luz se fez em sua cabeça.
Ela era TÃO, mais TÃO burra.
Poderia haver ALGUMA coisa naquele quarto que pudesse ajudá-la na missão. Claro que podia!
Afinal, ele morava ali... Aonde mais ele guardaria suas coisas?
Bella não sabia se ele tinha um escritório, uma sala, ou uma merda dessas... Mas definitivamente seu quarto era um começo.
Olhando por cima do ombro e mordendo os lábios com o medo que ele pudesse irromper no quarto e a ver remexendo em suas coisas, ela caminhou vagarosamente até o armário de roupas.
A maioria das roupas era o uniforme da NSA. A camiseta preta da NSA. Os chapéus de farda. Roupas esportivas.
Um cheiro impregnou nas narinas de Bella e ela suspirou.
Querendo ou não... Admitindo ou não... O cheiro do general era bom.
Era másculo.
Ela trancou a respiração e fechou a porta do armário com força com aquele pensamento.
O que diabos ela estava pensando?
Ela olhou mais uma vez em direção a porta e ela continuava lá... Fechada.
Sem generais.
Foi em direção a mesinha de cabeceira e mexeu-nos vários papéis ali. Nada de importante.
Achou o RG do general.
O nome dele era Edward Anthony Masen Cullen, tinha 29 anos.
“Depois fala que eu sou velha...” Ela resmungou, guardando o RG não sei antes ver a cidade Natal dele.
Washington. D. C.
Antes de guardar ela olhou de relance o nome dos pais dele e percebeu o informante vermelho:
“FALECIDOS.”
Bella sabia que Edward era órfão desde cinco anos. Suspirou e deixou o RG de lado, quando chutou algo embaixo da cama e era um baú, velho.
Ela mordeu os lábios, olhando para a porta novamente quando ouviu passos no corredor.
Escondeu o baú e fingiu estar tirando a poeira da cabeceira da cama. Mas logo os passos se distanciaram e ela soltou o ar que nem soubera que estava prendendo.
Voltando sua atenção para o baú notou que era um tipo que fabricavam na Itália. Toda adornado de madeira, com cortes assimétricos cruzando o comprimento. E um pequeno It, gravado em prata.
Ela franziu o cenho, pois ele se encontrava muito chamuscado como se tivesse passado por algum incêndio, mas mesmo assim ela conseguia reconhecê-lo.
A máfia guardava muitos papéis em baús como aqueles.
Era curioso o fato de Edward ter um baú legitimamente italiano em suas coisas.
Mas ele estava trancado, e nenhum sinal da chave por perto.
Ela procurou por todo lugar, propositalmente evitando o armário apinhado de roupas.
Ela suspirou, vencida. A chave poderia estar em qualquer lugar. Menos ali.
Então ela voltou sua atenção ao RG e dessa vez um fato REALMENTE lhe chamou a atenção.
Pai: Carlisle Cullen.
Mãe: Esme Masen Cullen.
“MAS É CLARO!” Ela tampou a boca com as mãos enquanto seus olhos arregalavam em choque e compreensão.
Ela estava tão atordoada que nem notara os passos fortes no corredor.
O general Cullen estava voltando da floresta já cansado daquele dia. Tudo o que ele queria era descansar e limpar a mente. Já estava cansado dos novatos tentando puxar o saco dele e dar ordens e botar medo em todo mundo o tempo todo.
Ele precisava de férias e até ele reconhecia isso.
Coçou a nuca com a palma da mão enquanto se encaminhava para seu quarto, torcendo para que a novata já tivesse terminado as tarefas.
Ele realmente não queria ver mais a cara dela aquele dia.
Tarde demais Bella notou que alguém se aproximava novamente. Nem deu tempo para disfarçar que estava arrumando o quarto. Enfiou o baú com tudo embaixo da cama, junto com ela e a vassoura. Encolheu-se toda, mas pelo menos não estava visível quando o general abriu a porta do quarto.
O general não viu Bella e reparou no quarto. Parecia à mesma coisa de sempre.
“Novato incompetente.” Bufou. Bella debaixo da cama rolou os olhos.
Não seria uma boa hora sair debaixo da cama agora.
Imaginava até a cena.
‘O que estava fazendo aí novato?’
‘Então né ‘gege’ estava eu aqui no quarto quando PAFUF, encontrei um baú que parece ter coisas que revelariam o porquê dessa sua cara sempre tão irada...’
É. Melhor não.
O general então olhou para a luva de boxe e viu que no vidro tinha uma marca de dedo.
Ele rolou os olhos. Nem precisava ver de quem era às impressões digitais para descobrir que se tratava da novata.
Praticamente deveria ter babado na luva.
O general Cullen então suspirou com cansaço e tirou o sapato com a ajuda dos pés. Jogou embaixo da cama e retirou as meias rapidamente.
Bella controlou a vontade de grunhir ao quase ser acertada pelos sapatos do general.
O que ele estava fazendo? Ela tinha que sair dali!
O general procurou pelo rádio que ele tinha por ali. Colocou qualquer CD. Ele precisava de música para relaxar.
Ele, no momento, só queria deitar, esquecer da vida, relaxar, como uma pessoa normal.
Quando Bella ouviu a música clássica no quarto ficou surpresa. O general ouvindo aquele tipo de música? Para Bella ele nem sequer ouvia música!
Havia um lavabo no quarto então se dirigiu até lá e passou água pela nuca, no rosto e nos cabelos.
Fechou os olhos e os abriu encarando sua imagem no espelho. Suspirou, e voltou para o quarto.
Bella ouviu o barulho de água e arranjou uma fresta para ver o que o general estava fazendo. Ele estava com as duas mãos apoiadas na pia e se olhava firmemente no espelho, como se analisasse a si mesmo.
Parecia cansado.
Bella logo se escondeu quando ele voltou.
O general abriu os botões da calça e a tirou chutando a calça para baixo da cama. Bella arregalou os olhos ao ver aquilo.
Silenciosamente ela empurrou a calça para fora de sua cara.
O general retirou então o casaco de farda, e logo a blusa branca por baixo. O casaco colocou na cadeira para não amassar, mas a blusa jogou embaixo da cama também.
Retirou a corrente com a chave e colocou no criado-mudo.
Bella a mais silenciosa o possível se desviava das roupas, mas era quase impossível fazer isso sem que o general notasse.
Só falta ele jogar a cueca aqui agora, ai Jesus! Bella grunhiu na cama.
Onde ela havia ido se meter?
O general então deitou na cama sem retirar a cueca ouvindo a música e tentando relaxar.
Esquecer dos Volturi pelo menos por uma noite. Uma noite.
Bella tentava controlar o barulho de sua respiração. Agradeceu internamente pela música que pelo menos camuflava sua respiração.
Logo depois de alguns longos minutos ela ouviu a respiração serena e ritmada do general. Parecia que ele estava dormindo.
Ela mordeu os lábios ficando mais algum tempo ali.
Se o general a visse ali ela nem se daria ao trabalho de viver no próximo dia.
Quando enfim estava convencida que ele estava dormindo tentou se mexer, mas a blusa do general se enroscou em seu braço.
“Merda.” Murmurou, e finalmente conseguiu tirá-la do braço.
“Vou ficar cheirando o general.” Ela rolou os olhos tentando se arrastar para fora da cama. Finalmente ela o conseguiu.
Espiou com o topo da cabeça a cama e o general estava deitado de barriga, com a cabeça de lado no travesseiro. Só estava com uma cueca boxer preta e Bella se surpreendeu por não ter o símbolo da NSA. Parecia que até as meias dali tinham o símbolo da NSA.
Mas por que ela estava reparando mesmo na cueca dele?
Seu tronco subia e descia no ritmo de sua respiração calma, e Bella finalmente se convenceu que ele estava realmente dormindo.
Os músculos de suas costas pareciam tensos. Qualquer dia ela avisaria a ele que levar a vida tão a sério prejudicava a saúde.
Levantou-se e praguejou quando se esqueceu da vassoura.
Pegou-a debaixo na cama e viu que poderia bater na cabeça do general caso ele acordasse. Aí ele ficaria inconsciente e não se lembraria de nada.
Bom plano, ela concluiu.
Na ponta dos pés ela se dirigiu até a porta, mas parou no meio do caminho ao ouvir um resmungo do general.
O general estava dormindo há vários minutos era verdade. Mas diziam que quando você pensa demais em uma coisa, acaba que nem nos sonhos você escapa dela.
Ele estava sonhando.
Havia um menininho loirinho andando de mãos dadas com a professora que estava o levando para casa. Nenhum de seus pais foi buscá-lo e nem avisaram, então a professora que adorava Edward, o estava levando.
O menino pulava com um sorriso cheio de janelinhas desmanchando em sua boca enquanto na outra mão uma bolsa com lanches vazia era carregada. A mãe sempre fazia sanduíches deliciosos para o garotinho desde que ele entrara na escolinha. Ele não queria ir, chegara a chorar quando o grande dia chegara, mas a mãe prometeu os sanduíches e ele foi... Apesar de tudo.
Era um garoto adorável. Amava os pais mais do que tudo, e a mãe – apesar da pouca idade o menino já percebia – estava ficando mais tempo com ele do que antes.
Seus pais estavam felizes e ele compartilhava dessa felicidade.
“Hoje eu fiz um desenho!” Ele dizia, sorrindo.
A professora afagou o rosto dele e sorriu.
“E o que é?”
“Minha família.” Ele riu pegando algo de dentro da mochila escolar. Fuxicou por entre os cadernos e papeis de bala, até enfim entregar orgulhoso o desenho para a professora que olhou os palitinhos coloridos com os dizeres.
Mãe. Pai. Eu!
“Sua família é muito bonita, querido.” Ela lhe sorriu. Ele assentiu animado.
Então eles começaram a ouvir barulhos estranhos. Pareciam sirenes de bombeiros e pessoas gritando.
A professora parou, mas o menino estava curioso.
“O que aconteceu?” Ele largou da mão da professora e seguiu o barulho notando que o levava pelo mesmo caminho de sua casa.
Ao virar uma rua – a sua rua – a primeira coisa que viu foi a fumaça. Fumaça preta para todos os lados... E fogo.
Bombeiros surgiam de todos os lados tentando apagar o fogo que vinha de SUA casa.
“NÃÃÃO!” Gritou quando notou o que estava acontecendo. Correu em direção a casa, mas as pessoas pegaram o menino antes que ele fosse longe demais.
“Me solta!” Ele esperneava nos braços de um homem. Este segurava o menino com força, mas olhava a casa com choque.
“Foi tão de repente...” Uma senhora dizia em choque.
Um bombeiro correu na direção deles. “Não há sobreviventes, infelizmente.”
“PAI! MÃE! NÃÃÃÃÃÃO!”
Edward reviveu no pesadelo vividamente os corpos carburados sendo carregados. Seu pai e sua mãe, que ele tanto amava e idolatrava, sendo carregados como se não fossem nada.
Mas eram tudo para Edward.
No orfanato depois não queria se enturmar com ninguém. Na cama, sempre analisava uma foto dos pais e ainda esta era de caráter profissional, pois nenhuma pessoal deles sobrevivera.
Somente um baú. O baú italiano estava no porão da casa e fora uma das poucas coisas que restara.
Bella olhava para Edward sem saber o que fazer. Ele tremia e suava enquanto gritava “Não” repetidas vezes.
Ele estava tendo um pesadelo e pelas palavras que proferia tinha conexão com a morte dos pais.
O que ela poderia fazer?
Bella chegou a tocar na maçaneta para sair, mas ela logo a largou, bufando e indo cautelosamente em direção a cama.
Não importava quem o general era e o que fazia com ela... Ele parecia sofrer.
Ela torceu as mãos e olhou indecisa para o homem enorme estirado ali.

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Todo Cambió – Camila.
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Chegou a esticar a mão em sua direção, mas logo desistiu disso. Ajoelhou-se ao lado da cama e ficou a observá-lo, então sua mão se encaminhou para seu cabelo. A única coisa que suas mãos acharam alguma utilidade.
Primeiro cautelosamente depois com mais firmeza. Surpreendeu-se ao ver que era bem sedosos e macios.
Sabia que o homem poderia acordar a qualquer momento, mas ele parecia tão perturbado com o pesadelo.
Então para sua surpresa ele parou de tremer. Ela quase sorriu e continuou acariciando seus cabelos.
Ele já não proferia mais nenhuma palavra.
Bella não tinha a mínima idéia do porque AINDA continuava ali. Talvez fosse a menopausa! Oh Jesus!
Suspirou e inclinou a cabeça lentamente para o lado ao observar o general.
Até que dormindo ele era boa pessoa. Ela riu internamente com esse pensamento idiota.
Então seu sorriso foi diminuindo, o que ela nem percebera que se alargara por sua boca, e seus olhos escureceram ao lentamente com a ponta dos dedos ir tocando o lado da testa, descendo pela bochecha.
A pele dele era tão macia... Não fazia jus à expressão sempre tão áspera dele.
Ele até seria aproveitável dormindo, ela se viu pensamento novamente.
O homem então murmurou algo durante o sono e suspirou depois. Bella fez o mesmo e abanou a cabeça perguntando onde estava sua consciência e se esforçando para sair daquele quarto.
Mas assim que retirou relutantemente a mão algo a surpreendeu. Um braço de Edward precipitou-se em sua direção e a puxou para si.
Bella arregalou os olhos olhando para a face do general, mas ele continuava dormindo com uma expressão serena no rosto. Quase em paz.
Bella ainda estava confusa enquanto o braço a circundava e ela se via com a cabeça perto da do general.
Ela ficou rígida. O que estava acontecendo?
Ela tinha que sair dali.
O general suspirou no sono e ela olhou sua face a centímetros da sua.
Ele poderia ficar assim para sempre... Tudo seria mais fácil para ela.
Se o general fosse uma pessoa sensível... Quase como um Jasper da vida, tudo seria TÃO mais fácil para ela.
Mas ele não era assim. Ele tinha o jeito dele. A personalidade forte dele.
Assim como Bella.
Ela foi relaxando aos poucos e sua mão acariciou as costas do general. Os músculos foram relaxando ao seu toque, e ela sentia a corrente elétrica pulsando quase nulamente de sua pele para a dele.
Havia uma tatuagem ali, pequena, uma frase, mas Bella não notara.
Bella ainda se perguntava como o general não acordara ainda.
E esse pensamento fez com que ela enrijecesse novamente.
E se ele acordasse? Que cara ela ficaria?
Ela com certeza iria dar uma vassourada na própria cabeça na primeira oportunidade.
Então ela lentamente afastou o braço dele de si e escapou da cama.
Abanou a cabeça no processo e olhou mais uma vez para ele. Continuava em paz. Sem testas franzidas, sem músculos tensos, definitivamente o melhor lado do general que conhecera até agora.
Ela riu mais uma vez enquanto rolava os olhos que essa melhor face tinha que ser justamente quando ele estava dormindo.
Ela pegou a vassoura e fechou a porta lentamente atrás de si, com cuidado para que não o acordasse.
Mas logo tomou um susto ao ver McCarthy dobrando o corredor naquele exato momento. Ela tentou correr, mas ele já tinha a visto.
Ela tentou ao máximo disfarçar.
O general olhou para ela... Para a vassoura... E realmente existia um Deus!, ele não perguntou nada demais.
“Então você limpou meu quarto, huh? Todos estavam se perguntando quem fora a alma boa que fez isso!”
Bella revirou os olhos. “Mereço vários dias de folga assim não general?”
Ele riu. “Também não abusa, Evans.”
Bella sorriu aliviada e foi embora.
No caminho entre os corredores passou pela enfermaria e finalmente se lembrou do baú e da conexão que fizera.
Logo sua mente foi invadida pela confusão e choque de antes.
Ela não conseguia parar de se achar uma idiota, estúpida, burra por NUNCA ter feito a conexão antes.
Era tão óbvio... Tão claro.
Edward era filho de Esme e Carlisle Cullen. Assassinados na casa deles. Em um ataque terrorista. Há vinte e cinco anos.
Era tão óbvio que ela queria se atirar em algum lugar e tentar fazer com que seu cérebro pegasse novamente.
Chegava a ser ridículo.
E totalmente frustrante.
Ela foi até a enfermaria onde sabia ter um computador. Alice estava cuidando de um paciente, então ela rapidamente entrou na internet.
Então ela avivou sua memória.
Carlisle e Esme Cullen se casaram muito cedo. Esme quando jovem fazia muitas viagens a negócio, até que ela decidiu ficar mais tempo em casa por causa do filho bem novo. Em 1985, a casa sofreu um ataque supostamente terrorista, matando os dois. O único sobrevivente foi o filho, Edward, pois ele estava na escolinha no momento do crime. Nunca se soube quem foram os mandantes.
Bella tinha um pressentimento e sabia que os Volturi tinham algo a ver com aquilo. O baú italiano poderia significar muitas coisas, mas sua mente piscava em direção a máfia.
Mas ela não sabia o porquê.
Teriam os Volturi mandado no crime? Mas qual seria o motivo?
“E você também acertará as contas com um general de lá.”
Foram as palavras de Caius quando lhe informara sobre a missão.
Aquilo tinha que ter uma ligação.
O ódio inexplicável de Edward pelos Volturi poderia enfim ter uma explicação.
Relembrando do homem tendo pesadelos na cama e parecendo tão cansado... Esgotado, suspirou.
Ela gostava de histórias de heróis e vilões.
Existiam sempre os totalmente vilões com toda sua maldade, os totalmente heróis com tudo sua bondade, e os moçinhos mal compreendidos.
Talvez o general não fosse o vilão como ela imaginava... Quem sabe ele não fosse o cara mal compreendido?

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