USD - Capítulo Oito. Parte I

***

- Vire para a esquerda. - Ele obedeceu e ficamos frente a frente. Nervosa, me cobri como pude. - Dê dois passos. - Tateando, Edward deu os passos e eu estiquei o braço buscando a toalha. - Dê um passo largo. - Pedi, me inclinando na direção dele. - Mais um. - O cara se aproximou demais e tateou o que não devia. Sua mão roçou no meu seio direito. - NÃO RÁLA A MÃO EM MIM!- Gritei brava.

- Desculpe. - Abriu os olhos.

- NÃÃOOOO! - Tapei os olhos dele.

Edward deu um passo atrás, pisou no sabonete e foi ao chão. Pude até ouvir sua cabeça batendo no piso.

- Ai. - Gemeu.

***

Capítulo 8 - Salada de Frutas

Narração - Bella:

- Você está bem? - Me preocupei.

- Hmmmm. - Gemeu no mesmo tom que eu quando caí da árvore.

- Vou te ajudar. - Segurando nos azulejos, dei dois pulinhos. - Ainda bem que você é cabeça dura. - Sorri estendendo-lhe a mão. - Edward? - Ele estava um tanto distraído, seria uma conseqüência da pancada? - Edward? Você está legal mesmo? - Estalei os dedos tentando mantê-lo acordado. - Ei, e então? Fala! Me conta!

- Bem... - Sentou-se. - Foi... - Massageou a cabeça falando tão baixo que mal consegui ouvir. - Quero dizer... é tão... macio.

- O quê? - Fiquei confusa.

- O quê? - Voltou a si.

Tapei os lugares que pude e exigi a toalha. Ambos ficamos extremamente constrangidos. Foi um daqueles momentos em que você reza para ter sido só um pesadelo.

(...)

Ficamos sentados na cama, eu com uma compressa de gelo no tornozelo e Edward com uma na cabeça. Nenhum de nós ousou se pronunciar desde o incidente no banheiro.

A minha vergonha era tão grande que evitei até encará-lo, pois só conseguia pensar: caraca, ele pegou no meu seio.

Será que Ed também estava pensando no meu seio?

- Quer falar sobre o assunto? - Indaguei.

- Não. - Respondeu automaticamente. É, ele estava pensando.

Minha iniciativa de tratar o assunto com naturalidade foi por água abaixo. Aquilo não era nada bom para os meus planos e para nossa amizade.

De repente, Alice entrou no quarto feliz da vida. Ao olhar para nós, perguntou:

- O que as crianças aprontaram dessa vez?

Ed e eu trocamos um rápido olhar. O constrangimento dobrou.

- Nada. - Baixei a cabeça. Não era um bom momento pra falar que o selvagem me viu nua.

- EMMETT! - Ela gritou e meu amigo entrou no cômodo usando muletas.

- Meu Deus, o que aconteceu? - Fiquei apavorado.

- Aaahhh... - Ele gemeu como se estivesse morrendo. - Fiquei sexy? - Riu. - As muletas são pra você bananinha louca.

- Bananinha louca? - Ed questionou olhando para mim.

- Chamavam a Bella assim no colégio. - Emmett esclareceu.

- O incrível é que combina. - Riu disfarçadamente.

- Vocês conseguem me tirar a alegria de viver. - Murmurei cobrindo o rosto com as mãos.

- E aí, T-zed, pronto pra arrebentar a coluna da mulherada na festa de amanhã?

- Oh meu Deus, a festa já é amanhã! - Por que eu não estava contando os dias? - Como vamos agir? Eu... Não estamos preparados. - Seria um fiasco passar a festa intera usando muletas, sem falar nas garfes do selvagem. Se ele pegasse nas partes íntimas de alguém, eu morreria.

- Minha amiga, vamos ter que improvisar legal. - Lice estava certa. - Hoje vocês vão ter que estudar sem mim. Preciso ajudar os rapazes com a decoração da festa.

- Véi, será irado! Vai ser uma mega festa temática. - Meu amigo estava empolgado.

- Por que eu não estou sabendo desse lance “temático”? - Questionei.

- Não queremos que seu azar estrague tudo. - Emmett fez uma cruz com os dedos como seu eu fosse, sei lá... uma vampira.

- Tanto faz. - Bufei. - Aleijada do jeito que estou não vou conseguir ajudar muito. Poxa, que férias... frustradas.

- Adoro esse filme. - Minha amiga sorriu.

- Cala a boca. - Implorei.

- T-zed, daqui a pouco chega um grupo de turistas pra ver você. - Emmett avisou.

- Vai lá, Rei-da-floresta. - Incentivei. - Quando você terminar, leremos o livro da Alice juntos.

- Ok. - Suspirou nada empolgado.

(...)

Cansada de ficar no quarto, resolvi descer e pôr mais uma compressa no meu tornozelo. Diante da escada, hesitei. Nunca tive tanto medo daquela escada. Pensei em formas de descê-la sem cair, mas a porcaria das muletas dificultava tudo.

- Ei! - Brad gritou do corredor. - Ficou doida? - Correu até mim. - Não pode descer a escada assim, vai cair.

- Eu me viro. - Evitei encará-lo.

- Quer que eu te ajude?

- Não. - Fui ríspida.

- Não seja tola. - Sorriu.

- Não preciso de ajuda. - Fiquei brava.

- Deixa de ser chatinha, Bells. Não vai doer, prometo. - Usou sem tom de voz persuasivo e sexy.

Eu não tinha muita escolha, não podia ficar no topo da escada o dia todo.

- Ok. - Revirei os olhos.

Juntei as muletas e as segurei contra o peito. Brad me colocou nos braços e desceu os degraus com cautela, demorando até mais do que o necessário. Novamente fui torturada pelo o cheiro da colônia dele. O perfume pairava sobre minhas feridas internas que estavam longe de cicatrizar.

No último degrau, McFadden deteve-se.

- Onde que ir?

- Me coloca no chão. - Exigi.

- Já? - Franziu o cenho. - É tão bom te ter nos braços novamente.

- Agora!

- Tudo bem. - Bufou.

Ele me ajudou a recolocar as muletas embaixo dos meus braços. Com certa dificuldade, fui para a cozinha e na geladeira peguei um pouco de gelo. Coloquei em um pano de prato e sentei na cadeira mais próxima.

- Quer que eu te ajude? - Fiquei intrigada, era a segunda vez que Brad falava aquilo em menos de 5 minutos. Não era típico dele.

- Não, obrigada.

Ele me ignorou e sentou-se no chão perto do meu pé. Não consegui reagir, apenas o observei pegar meu pé e tirar lentamente a bandagem. Será que o cara também se sentia culpado?

- O gelo. - Estendeu a mão.

- Não preci... - Não consegui completar a frase, pois meu ex esticou o braço e tomou a compressa de minha mão. - Ai. - Gemi baixinho quando o gelo tocou o local inchado. Por um tempo só me preocupei em suportar a dor e o incômodo, depois voltei a encarar Brad, que permaneceu quieto.

- Que diabos estava fazendo na árvore? - Questinou.

- Eu estava... - Pensa rápido! - Observando... - Funciona, cérebro! Solucei. - Pássaros. - Murmurei colocando disfarçadamente a mão na boca. Tinha esperança de que ele não tivesse entendido.

- Pássaros? - Ergueu uma sobrancelha.

- Ai que dor. - Me contorci mudando estrategicamente de assunto. - Ai que dor. - Repeti esperando Brad tirar os olhos do meu joelho. - O que foi?

- Eu lembro disso. - Passou um dedo na minha cicatriz.

- Caí da bicicleta quando criança. - Mantive a cabeça erguida.

- Hum. - Cabisbaixo, enfiou a mão na gola de sua camiseta e puxou os pingentes de seu cordão deixando-os visíveis.

Fiquei muda, e provavelmente, surda quando reconheci no cordão o anel azul de uma lata de cerveja barata que ele usava como pingente. Os olhos de Brad encontraram os meus e foi inevitável não recordar.

...

Segundo ano do ensino médio. Eu não pensava no futuro, tudo que eu queria era me divertir e amar.

Alice e eu fomos parar na detenção por vender em sala de aula canetas com respostas de um teste. Eu estava desesperada, pois tinha marcado de me encontrar com Brad em frente ao colégio logo após minha aula de química. Era nosso aniversário de 6 meses de namoro e eu queria muito comemorar. Por sorte, Lice e eu tínhamos um plano.

Olhei para o relógio de parede e vi que faltavam dois minutos para as 15:00h. Lice, sentada na carteira à minha frente, notou o mesmo e espreguiçou dando o sinal de que ia agir.

- Prof querido do meu core. - Ergueu a mão. - Posso ir à enfermaria?

- E qual o motivo, senhorita Brandon? - O velho rabugento questionou.

- O senhor não entende. - Levantou-se. - É assunto de mulher... eu estou naqueles dias e me sinto... tonta. - Passou a mão na testa.

- Sei. - Ele duvidou.

- Oh, por favor,... eu... eu... - Ofegou, depois caiu durinha no chão. Ao fazer isso, derrubou todo o lucro das canetas no chão. Os alunos caíram em cima querendo faturar a grana. O professor, atordoado, brigava com a galera e ao mesmo tempo tentava socorrer Alice.

Aproveitei o tumulto e corri para a janela. Eu a ergui com cuidado, morrendo de medo de ser flagrada.

- TODOS EM SEUS LUGARES!

O berro do professor me assustou e no meio da afobação saltei rápido para fora. Quase gritei de dor ao cair em cima de uns arbustos. Engatinhei para longe da janela, depois me levantei e saí correndo pelo gramado. Corri o mais rápido que pude para não ser barrada por algum professor mala. Na portaria, “molhei” a mão do porteiro malandro e finalmente escapei.

Assim que coloquei os pés na calçada, notei que meu joelho sangrava bastante. Foi então, que ouvi:

- Isabella Swan!

Olhei para trás e vi a diretora vindo ao meu encontro. Ela estava com cara de que ia me condenar à prisão perpétua. Eu não estava a fim de discutir com a megera, mas parecia inevitável, já que ela se aproximava com rapidez.

De repente, surgiu no início da rua, em alta velocidade, um Mustang conversível preto. Eu até podia ouvir “Pour some sugar on me” do Def Leppard tocando no carro. Brad estacionou bem à minha frente e tratei de pular para o banco do passageiro.

- Vai! Vai! Vai! - Gritei e ele acelerou deixando minha diretora só com o cheiro do pneu queimado.

- Um dia desses ainda vou ser preso por sua causa. - Gargalhou.

- Vale a pena. - Fiquei de joelhos no banco.

McFadden me fitou com seu típico olhar malicioso. Aquele olhar era muito mais sugestivo que as investidas dos garotos da minha idade. Ao parar ao sinal vermelho, falou:

- Vem cá, minha fugitiva.

Inclinei-me na direção dele e beijei-lhe com vontade. Sua boca sempre adocicada por conta de seu chiclete favorito me deixava louca. Podia sentir as mãos possessivas e ousadas dele em minha cintura e eu soube que nossa tarde ia ser agitada. Ficamos nos beijando até os motoristas atrás de nós começarem a buzinar impacientes.

- Pra onde vamos? - Eu estava muito feliz...

- Melbourne. Vou tocar lá essa noite e você sabe que preciso da minha fã mais carinhosa pra me dar apoio. - Afagou minha bochecha.

- Ótimo. - Sentei-me aumentando o volume do som.

Pegar a estrada até Melbourne ia ser muito divertido. Curti a música enquanto meus cabelos esvoaçavam ao vento.

- O que aconteceu com seu joelho? - Perguntou olhando para o local.

- Caí. Não se preocupe.

- Vamos parar logo ali na frente. Precisa cuidar disso.

(...)

O show do Link 69 foi fantástico. A noite foi perfeita, mas na volta para casa o Mustang deu prego na estrada.

- O reboque vai demorar um pouquinho pra chegar. - Ele pulou para o banco traseiro.

- Tudo bem. - Fui para junto dele.

Brad pegou uma das latinhas de cerveja que estavam largadas no banco de trás e abriu. A espuma escorreu por sua mão, então ele chacoalhou os dedos para que a espuma me atingisse.

- Pára. - Ri beliscando seu braço.

McFadden encostou-se ao banco e me puxou para junto de seu peito.

- Você é tão cheirosa. - Murmurou afundando o rosto em meus cabelos.

- Eu sou muitas coisas. - Fitei-o sorridente.

- Então me conta.

- Vai ter que descobrir.

- Sabe o que mais gosto em você?

- Tudo? - Ri. Eu era uma garota confiante e bem resolvida.

- O seu jeito impulsivo. Cara, eu gosto muito disso. - Beijou minha bochecha. - Você não pensa nas conseqüências.

- Pensar pra quê? - Sorri.

- Porém...

- Sempre tem um “porém”. - Sentei em seu colo.

- Você sabe... - Beijou meu pescoço. - Não entendo porque não pode ser minha.

- Mas eu sou. - Beijei suavemente seus lábios.

- Sabe do que estou falando. Qual o problema? - Acariciou minhas costas. - Por que não podemos se eu quero e você quer?

Passei minhas mãos por seus cabelos dizendo:

- Bradley, Bradley... - Suspirei. - Eu sou sua, mas você ainda não é meu. Só quando for meu faremos amor.

Ele me encarou de uma forma diferente. Sua arrogância sensual não estava presente e isso me deixou confusa. Existia algo em seus olhos que eu não consegui decifrar, uma melancolia que não era típica dele. Para disfarçar, bebeu um pouco da cerveja e desviou o olhar.

- Nunca vai entender o que sinto por você.

- Me ama? - Brinquei. Tomei a cerveja de sua mão dei um grande gole.

McFadden passou a beijar meu pescoço e orelha enquanto eu refletia sobre minha própria pergunta. Ele me amava?

- Estou feliz que tenha fugido para ficar comigo. - Murmurou contra minha pele.

- Isso que você diz sentir por mim é forte?

- É tão forte quanto isso. - Beijou-me com intensidade. Ele devorou meus lábios ignorando o fato de que podia estar me machucando. Retribuí com a mesma vontade, me entregando àquela tortuosa declaração que fez meu coração ter certeza de que de algum jeito ele me amava.

- Espera. - Interrompi o momento necessitando de mais certezas. - Faz uma coisa por mim?

- O que quiser. - Respondeu com a voz rouca.

- Enquanto sentir isso que não conseguimos nomear, por favor, deixe visível. Eu preciso saber que está ligado a mim.

- E como faço isso?

Olhei para os lados em busca de algo que simbolizasse nosso vínculo. Então olhei para o anel da latinha e o arranquei, depois tirei o colar de Brad e coloquei o anel junto com seus outros pingentes.

- Enquanto usar isso eu saberei...

- Saberá o quanto eu te quero, Bells. - Interrompeu me deitando no banco. - E eu quero de muitas formas, todos os dias. - Deitou-se sobre mim sugando meus lábios.

...

Não foi naquela noite que me entreguei para Brad, mas cheguei bem perto. Nós nos acariciamos como nunca antes, e vivemos um momento que para mim se tornou inesquecível.

Ver o anel da lata no pescoço dele me deixou extremamente perturbada.

- Chega! - Levantei incapaz de continuar com a tortura.

- Algo de errado? - Acariciou meu tornozelo.

- Por favor, não me toque. - Murmurei com medo de encará-lo.

Meu ex ficou de pé e sussurrou em meu ouvido.

- Até quando vamos fugir?

Reuni todas as minhas forças e respondi:

- Se afaste agora. - Temia que meus sentimentos se voltassem contra mim.

- Não.

- Se afaste. - Pedi mais alto.

- Se afaste. - A voz firme de Edward ecoou no cômodo.

Brad o encarou, mas não saiu de perto de mim.

- Só estou conversando, amigo. - McFadden sorriu.

- Se ela falar para você se afastar, deve se afastar. - Ed se aproximou muito sério.

- Ou? - Brad provocou.

- Cala a boca. - Nervosa, dei dois passos mancando.

- Eu te ajudo. - Ed me colocou nos braços.

- Não é necessário, posso andar. - Falei baixinho.

- Tudo bem. - Me carregou até a soleira, mas antes de atravessá-la disse a Brad - Espero que tenha entendido bem o que eu falei, ...amigo.

O que deu no selvagem? Ele arrasou na interpretação. Brad deve estar puto.

Prendi o riso.

(...)

Como Alice nos abandonou, eu fui obrigada a ler o “Aprendendo a Namorar”. Eu não estava muito no clima depois do incidente na cozinha.

- Posso começar? - Questionei sentada de frente para ele. O cara da selva nem abriu a boca. - Muito bem. - Suspirei. - Capítulo 3, Carinho. - Oh Deus, carinho não. Carinho não. Edward me encarou certamente pensando o mesmo. Não era dia para carinho. Nós estávamos a poucas horas da festa e precisávamos aprender algo como... como... ok, carinho. Realmente seria bom parecemos íntimos a esse ponto. Respirei fundo e continuei. - Carinhos são demonstrações de afeto, bondade, consideração. São afagos, carícias, gestos suaves geralmente feitos com as mãos. Mas o carinho é mais uma atitude do que um gesto. Carinho pode estar presente no modo de olhar ou mesmo no tom de voz. A maneira mais comum e óbvia de manifestar carinho está no aspecto físico, quando as mãos são usadas com suavidade para afagar a outra pessoa. O comumente esperado é que isso aconteça quando há maior liberdade entre o casal. O corpo inteiro é sensível para dar e receber prazer, mas cada pessoa tem uma área mais sensível. Para descobrir isso, só resta a prática. - Engoli a saliva com dificuldade. O assunto estava ficando muito íntimo. - As carícias mais frequentemente usadas são aquelas nas quais as mãos roçam com delicadeza no rosto, braços, costas ou pernas. O grande segredo está na docilidade com que é realizado o movimento. Outra boa forma de carícia é o famoso cafuné. Esse é simples e eficiente. Quase todos relaxam e sentem prazer ao receber um cafuné. Os dedos devem estar leves ao se entrelaçarem aos cabelos do(a) parceiro(a). É um movimento como de vai-e-vem, um abrir e fechar dos dedos simples o suficiente para que qualquer um pratique. Carícias assim são muitíssimo usadas porque podem ser realizadas na intimidade do casal ou na presença de outros. - Parei a leitura e coloquei o livro sobre a cama. - Acho melhor tentarmos absorver essa primeira parte. O que acha?

- Hã... - Refletiu. - Você vai me acariciar? - Ficou ligeiramente mente tenso.

Mendigo, mendigo, mendigo! Ai, droga. Tenho que parar de pensar isso, não é certo. Bella, por favor, olhe além da aparência.

- Vou. - Respondi sem ter certeza se era capaz. - Podemos começar tocando apenas as mãos?

Ed deu de ombros e esticou as palmas em minha direção. Assim que as toquei, notei o quanto eram ásperas. Meus dedos roçaram em suas palmas, mas aquilo não chegou a ser uma carícia. Eu sempre fui carinhosa, porém não era algo que se pudesse ligar e desligar como uma lâmpada. Com Edward era difícil ser carinhosa, pois não tínhamos nenhum vínculo sentimental.

- Então? - Perguntou baixinho.

- Precisamos tentar outra coisa. Posso tocar seu rosto?

- Sim.

Fiquei de joelhos e encostei a ponta de meus dedos em suas bochechas. O gesto foi impessoal demais.

- Vou melhorar. - Respirei fundo e afaguei seu rosto com mais intimidade. Fiquei surpresa ao notar o quanto a barba dele era macia. Minhas mãos subiram por sua testa e chegaram aos cabelos. Eles tinham um cheiro interessante, não sei explicar, mas me lembrava algo tropical, natureza, mar... - Como estou me saindo?

- Não tenho certeza.

- Talvez você se saia melhor. - Sentei-me. - Me toca. - Pedi com naturalidade.

- Onde?

- Qualquer lugar. Espera, não em qualquer lugar. - Ruborizei ao lembrar da apalpada.

- Creio que entendi.

Respirei aliviada.

Hesitante, Edward aproximou a mão de meu pescoço. Seu toque foi delicado como se eu fosse quebrável. Aos pouco seus dedos se aproximaram de minha nuca e entrelaçaram-se em meus cabelos. Quando movimentou os dedos em um cafuné, involuntariamente gemi. Eu era muito sensível naquela região.

Ed se afastou imediatamente.

- Talvez devêssemos pular esse capítulo. - Procurei evitar maiores constrangimentos.

- Você desiste muito fácil.

- Não. Eu sou bem persistente.

- Percebe-se. - Esnobou.

- Tudo bem. Precisamos de um local que nos inspire, aqui não está dando certo.

- Onde quer ir?

- Vamos para o jardim.

(...)

Edward me carregou até a parte de jardim onde o puma estava preso. Era um local com sombra, afastado o suficiente da casa para que os hóspedes se mantivessem longe. De relance, vi os preparativos para a festa de amanhã. Confesso que estava mais preocupada com a frase “você desiste fácil”. Eu sabia que era um dos meus defeitos, mas o cara da selva o expor daquele jeito me fez sentir... fraca.

O dia estava ensolarado e ventava bastante. Sentamos no gramado, um de frente para o outro. O puma estava inquieto com minha presença, um rosnado baixo brotou de seu peito.

- Qual o problema dele? - Questionei.

- Ele não gosta de você. - Respondeu simplesmente.

- Acho que ele não é o único. - Ironizei. Eu bem sabia que Edward também não apreciava a minha pessoa e era exatamente isso que me deixava intrigada. Por que motivo estava me ajudando? Sentia cada vez mais a necessidade de saber.

- Por que está fazendo isso? - Fiquei surpresa quando ele usou exatamente as palavras que eu planejava usar.

- Achei que soubesse. - Ainda não tinha ficado claro?

- Entendo que é por causa do Brad, entendo que quer se vingar, mas não seria mais simples dizer a ele que o ama?

- O quê? Não! Não o amo! Isso é inaceitável. - Me ofendi. - Não sabe o que fala. - Solucei.

- É incrível sua habilidade de mentir até para si mesma. - Aquelas palavras soaram como uma afronta.

- Eu não estou mentindo. - Respondi aborrecida.

Edward me encarou com o uma expressão serena. Ele não se importava com minhas declarações, já tinha sua idéia bem formulada sobre mim e sobre meus sentimentos.

- Não estou te acusando de nenhum crime.

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***

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***

Com esforço, fiquei de joelhos, o encarei e disse o mais severamente possível:

- Você... não... me conhece.

- Acho que nem você mesma se conhece. - Retrucou.

- Qual o seu problema? Até pouco tempo atrás estávamos numa boa, por que agora está me atacando com palavras como se fosse o senhor absoluto da razão? - Ele permaneceu em silêncio. - Diz! Por quê? - Coloquei-o contra a parede. - Você me fala para não julgar, masquerido, você me julga o tempo todo.

Tentei me levantar, só que com a perna machucada foi muito difícil.

- Espera. - Colocou uma mão no meu braço. - Desculpe. É que...

- Que?

- É tão claro como isso vai terminar. Não vê?

- Não vê o quê, Edward? - Fiquei mal humorada.

- Nada vai mudar. Nós podemos fingir de todas as formas possíveis, seu ex-namorado até pode sentir ciúmes, mas no final desse mês ele vai embora e você vai continuar sentido essa mágoa. Nada vai mudar. - Repetiu. - Bella, no fundo você sabe que esse não é o caminho certo.

Voltei a sentar-me, inconsolada por não ter como revidar. Até quis xingá-lo, porém, a forma crua com que Edward expôs minha vida e meus sentimentos me deixaram indefesa.

Nada vai mudar.

Essa era a pior coisa que eu podia ouvir. Era o que eu tinha mais medo.

- Humilhá-lo não vai me fazer esquecê-lo? - Quase não consegui falar.

- Não.

- Eu não vou... aceitar... Não... acredito nisso. - Tropecei um pouco nas palavras. - Desviei o olhar prendendo o choro.

- Bella? - Me pressionou.

- É a minha única esperança, ok? Não tenho um plano melhor e talvez nem exista. - Um misto de raiva e tristeza fez uma lágrima escorrer por minha face. - Você não tem idéia de como é desejar esquecer alguém e não conseguir. Provavelmente não sabe como é passar a noite inteira acordo imaginando como seria sua vida se não o tivesse conhecido. Ou se perguntando o quão feliz poderia ser se não vivesse se punindo. Não é que eu não tenha amor próprio, eu já tentei seguir em frente várias vezes, mas... está aqui. - Coloquei a mão no peito desabando emocionalmente. - Não sai. - Fechei a palma como se pudesse arrancar meu coração. - Você não tem noção do quanto me odeio e me culpo todos os dias por amá-lo. - Era a primeira vez que conseguia falar exatamente o que pensava. - Eu sei como o Brad é, sei que não serve para mim, só que estou presa de uma forma que nem consigo explicar. Até a presença dele me faz sentir doente e dependente. Esse sentimento me consome e me oprime. Algumas vezes não consigo acreditar que é real. - Trêmula, enxuguei as lágrimas. - As pessoas me julgam, mas poucos sabem como é conviver com esse tormento sem sentido. Estou nesse estado porque deixei que meu amor virasse uma doença obsessiva. O real motivo de ter implorado pra que você participasse da farsa é que eu não quero que Brad saiba o que sinto. Não posso culpá-lo por todas as calamidades da minha vida. Ele só não me amou, muitas pessoas passam por isso e superam. Mas eu... fiquei presa em um estado emocional permanente e destrutivo. Preciso que Brad me veja feliz, talvez assim consiga convencer a mim mesma de que em algum momento eu possa ser. - Baixei a cabeça. - Por que não posso alimentar o restinho de orgulho que me resta? Por que não posso ser a que humilha? Estou cansada de ser a humilhada. - Sussurrei.

O silêncio que se seguiu foi tão frustrante que precisei esconder o rosto atrás das mãos. Logo me arrependi de ter desabado justamente com um homem que nunca me entenderia. O que ele podia saber sobre amor e suas conseqüências?

- Por que ele te deixou? - Perguntou baixinho.

- Talvez só tenha se cansado, ou dormir comigo não tenha sido tão bom. Provavelmente nunca me amou. Quem sabe? Só não gosto de pensar que foi por causa de meus defeitos. É difícil saber que eles superam minhas qualidades.

Edward desviou o olhar e refletiu por alguns segundos, depois disse:

- Quero que faça uma coisa.

- O quê?

- Feche os olhos e pense em cinco qualidades que gostaria que seu próximo namorado tivesse.

- Isso é serio? - Achei estranho.

- Sim, por favor, faça o que pedi.

Fechei os olhos e pensei em fiel, carinhoso, inteligente, divertido e corajoso.

- Pronto. - Abri os olhos.

- Agora pergunte a si mesma se você tem essas mesmas qualidades.

Baixei a cabeça sabendo que não tinha nem metade.

- Não... eu não tenho.

- Então, Bella, seus relacionamentos nunca vão dar certo porque quer mais dos outros do que você mesma pode dar. Você se encheu de expectativas e a frustração de não alcançá-las te deixou desnorteada e abalada.

O veredicto de Edward me deixou meio chocada. Ele estava completamente certo.

- Como pode ser tão... sábio? - Estava perplexa.

- Tenho um ótimo pai e eu tive bastante tempo para refletir sobre essas questões.

- Nossa, o meu pai não me ensinou nada disso. - Confessei tristonha.

- Bella, eu não achei que diria isso, mas quero ser seu amigo. Quero te ajudar.

- Sério? - Sorri. Por algum motivo aquilo pareceu extraordinário. - Também quero ser sua amiga. - Meu humor melhorou um pouco.

- Desculpe se minha sinceridade te magoou.

- Depois que eu caí de duas árvores, corri atrás de uma tappa kana, desabei de uma mesa, engoli uma abelha, espirraram no meu rosto, quase fui atacada por um puma e tive que ficar trancada em um armário com Emmett e Jazz... Bem, acho posso me dar ao luxo de dizer que vou sobreviver à sua sinceridade.

Edward gargalhou.


Vá para outra pagina não deu tudo aqui, desculpe.



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