OC - Capitulo 7


Bella pov’s

Ele havia me pedido em namoro e eu disse sim, sem hesitar. Bastaram dois passos largos e Edward estava me envolvendo em seus braços, um abraço apertado. Ficamos assim por alguns minutos até que Edward me libertou daquele abraço.

-Obrigado. –Disse simplesmente. Achei uma tolice, quase ri. Ele me agradecendo? Era eu que deveria agradecê-lo. Ele estava realizando um sonho. Eu queria dizer algo descente, mas Edward não me deu muito espaço para isso. Puxou-me e me beijou com ânsia o que me agradou profundamente. Eu ainda me sentia envergonhada pelos nossos beijos. Eu era inexperiente com relação ao relacionamento entre homem e mulher e por tudo ser novo era um pouco assustador, mas isso, essa timidez, não iria me impedir de aproveitar. 


Coloquei meus braços em seu pescoço puxando-o para mim enquanto me aproveitava dos seus magníficos lábios. As mãos de Edward estavam em minha cintura e ousadamente desceu até minhas nádegas. Eu arquejei e o afastei minimamente, mas foi o suficiente para dar o alerta a Edward.


-Me desculpe eu... –Comecei a me desculpar.
-Não, sou eu que devo me desculpar, foi indelicadeza o que eu fiz.
-Tudo bem eu só... É que tudo é muito novo para mim. –Falei constrangida. Eu praticamente me rotulei como virgem.
-Ok. Vamos então? –Edward disse com um lindo sorriso no rosto pegando minha mão. Aceitei o contato de bom grado enquanto seguíamos para o estacionamento.
Eu fiquei preocupada, temerosa de que minha confissão tivesse esfriado as coisas. Eu não era ignorante, eu sabia que Edward devia estar acostumado a mulheres mais fáceis, mas o que eu poderia fazer? Não era por que Edward tinha tais mulheres que eu iria me oferecer! Edward parecia incrivelmente feliz, eu ainda estava digerindo os acontecimentos e o fato de que eu era a causa de sua felicidade.
-Quer ir para casa ou poderíamos desviar o caminho? –Edward perguntou enquanto abria a porta do carro pra mim. Eu estaquei. Desviar caminho? Edward estaria pensando em... –Não se preocupe, eu não vou levá-la a um motel ou algo assim, nunca! –Ele disse sorrindo. Eu sorri.
-Me desculpe, não é nada disso eu... Deixe pra lá. Bem, já que nós somos namorados eu acho que teremos outras noites para sair. Eu estou um pouco cansada.  Tanta coisa aconteceu! –Eu falei com sinceridade, eu estava muito desnorteada ainda. Eu precisava respirar, pensar, mas eu ainda queria estar próxima dele. Pensei em convidá-lo para subir, mas ele poderia interpretar isso de forma errada e eu não estava muito preparada para fazer algo mais, era cedo ainda. Seguimos silenciosos pela noite. Edward segurava minha mão no banco do carro. Chegamos a pouco tempo em casa.
-Posso vir aqui buscar você? –Ele perguntou subitamente.
-Me pegar? –Perguntei confusa.
-Amanhã pela manhã. Poderíamos tomar café juntos antes de irmos para o trabalho.
-Claro. –Eu disse tão feliz pelo convite, por tudo, que senti a umidade nos olhos que reprimi com afinco.
-Vem cá. –Edward murmurou. Puxou-me para mais perto. Eu me deixei levar aninhando-me nos seus braços que agora eram meus, de certa forma. Procurei pelos seus lábios o que Edward me ofereceu sem hesitar. Beijar era muito bom, mas eu bem sabia que era por que eu beijava os lábios dele. Cedo demais, ele me soltou.
-Boa noite. –Ele disse e colou seus lábios aos meus novamente. Eu saí trêmula. Fiquei parada vendo-o partir e entrei calmamente em casa.
Eu pensei que, ao passar pela porta, eu iria me desatar a gritar como havia feito anteriormente, mas não foi isso o que aconteceu. Eu caí de joelhos cobrindo o rosto com as mãos e chorei enquanto silenciosamente agradecia a Deus por Edward me notar. Agora sim eu poderia ignorar os anos de solidão e desesperança, eles estavam enterrados. Eu não consegui dormir bem naquela noite pela alegria que sentia. Eu estava ansiosa demais para o próximo dia. Mesmo não sabendo para onde nós iríamos assim, eu já estava feliz com o que eu estava ganhando. Agora que eu parecia acreditar na concretização dos meus sonhos era só aproveitar.
...
Cabelos arrumados, dentes escovados, roupas limpas e bem engomadas... Eu esperava por Edward em frente ao meu prédio. A insegurança me tomava pensando que talvez Edward se esquecesse de mim. Minha preocupação se exauriu ao ver o seu carro estacionando no meio fio. Edward saiu elegante em trajes formais típicos do escritório, paletó preto com camisa interna vermelha e gravata cor vinho, segurando uma rosa vermelha. Eu fiquei paralisada com o ato e Edward, deixando de lado o acanhamento, veio e me beijou. Um simples selinho, mas algo tão cheio de significado, que precisei me conter para não chorar, de novo.
-Bom dia. –Ele murmurou no meu ouvido assim que se afastou dos meus lábios. Entregou-me a rosa.
-Obrigada. Bom dia.
-Então... Vamos? –Assim sendo abriu a porta para mim. Logo estávamos seguindo para algum lugar escolhido por Edward. Eu já imaginava que iríamos para um lugar sofisticado, por esse motivo vesti algo mais bonito do que costumo usar. O local tinha nome Francês. Senti-me um pouco mal, todos os funcionários pareciam me avaliar. Edward segurou minha mão de forma despreocupada, um sorriso nos lábios. Fiquei tensa apenas enquanto seguíamos para uma mesa, quando me sentei e fiquei diante de Edward, sendo olhada por aqueles olhos cor de ocre, eu me esqueci de todo o resto.
-Parece tensa. Não gostou de vir tomar café comigo? –Edward perguntou parecendo preocupado.
-Não, claro que não! Eu estou preocupada em chegar atrasada na verdade. –Minha mão que descansava em cima da mesa foi segurada por uma das mãos de Edward.
-Não fique. Não será prejudicada. Sabe disso. É minha namorada agora Bella.
-Eu não quero ter privilégios só por que sou sua namorada Edward. –Falei com dificuldade travando na palavra “namorada”. Edward parecia reprimir uma risada.
-Não se preocupe. Você não terá privilégios. Mas também não deixarei que a prejudiquem por algo tão banal.
Quando eu ia protestar nossos pedidos chegaram. Deixei o assunto para lá. Eu não me importava com nada, desde que tivesse meu tempo com ele.
Para mim o ato mais simples de Edward era executado com graça. Enquanto eu o via, desejava secretamente coisas banais como vê-lo fazer algo tão simples como se alimentar, trabalhar, qualquer coisa. E agora eu estava tendo essa chance em primeira mão por isso nem dei importância ao que degustava, estava mais interessada em captar cada movimento feito por Edward e registrar na memória.
-O que foi? Parece distraída. –Ele murmurou, suas mãos cruzadas sob o queixo. –Ainda não acredita que é minha namorada?
-É meio difícil de acreditar. Foi tudo rápido demais.
-Desculpe-me por tudo isso Bella. Sei que deve estar um pouco assustada. Ainda sim eu fiquei feliz por isso não ter interferido em sua aceitação da minha proposta de namoro. –Ele dizia calmo, risonho.
-Eu nunca riria recusar tal pedido, não vindo de você por que eu...
O celular de Edward toca. Ele atende com um ar de desagrado.
-Oi Alice. –Ele diz, era a sua irmã. Tratei de me ocupar com o meu café da manhã enquanto ele falava sobre coisas da empresa com ela, logo eu tinha comido tudo. Edward, ainda ao celular, chamou o garçom e pediu a conta. Encerrou a ligação enquanto pagava a conta.
-Desculpe por isso. Minha irmã está na empresa e teremos uma reunião. Vamos ter que ir agora. Uma pena, queria um pouco mais de tempo com você.
-Tudo bem Edward. Eu também tenho trabalho. –Levantei-me e retirei a carteira da minha bolsa separando os gastos com meu café. Estendi a Edward, mas ele recusou com um simples movimento de mãos.
-Pare com isso Bella. Você até me ofende desse jeito. Eu a convidei, não deve pagar por nada.
-Eu não pagarei, se você me prometer que me deixará compensar isso.
-Pode deixar. –Edward pegou minha mão e seguimos para a empresa, enquanto íamos para lá ele iniciou uma conversa.
-Bella, tenho um favor a pedir.
-Pode pedir então.
-Não quero que comente com ninguém sobre nós. –Ele falou dando atenção a estrada. Desviei meus olhos e fitei a estrada diante de nós. O que significava esse pedido? Por que Edward não queria que ninguém soubesse de nós dois? Será que eu era só um passatempo ou...
-Você parece estar aborrecida com o que eu disse. Não me interprete mau, amor, é que teremos problemas se descobrirem, muita especulação. Eu não quero interferências externas. Entende?
E eu o entendia. Eu até poderia imaginar as especulações que fariam. Que eu estava dormindo com ele não somente por ele ser belo, mas também para me assegurar na empresa. Eu não me importaria com nada, mas se isso iria incomodar Edward então eu seria o mais discreta possível. Não estava pensando muito na problemática apontada por Edward, não depois de ouvir a palavra AMOR dos seus lábios sendo referida a mim.
-Tudo bem. Acho melhor assim. –Murmurei. Com a velocidade com que Edward dirigia chegamos mais cedo do que eu esperava.
...
Quando cheguei ao meu espaço de trabalho, Jess saltou sobre mim.
-HEI POR QUE VOCÊ DEMOROU HEIN? TA ESCONDENDO ALGO DE MIM? O CHEFE VAI QUERER SUA CABEÇA! –Ela falou frenética. Eu a afastei com a mão e sentei em minha mesa ligando o computador.
-Não estava me sentindo bem.
-Se é assim por que veio Bella? Se eu sentisse uma simples cólica eu faltava. –Disse Jess divertida enquanto voltava sua atenção para o seu computador. –O chefe veio aqui, eu disse que você estava muito doente e que iria se atrasar. Claro que ele engoliu, ele sabe que você é uma funcionaria extraordinária. Se fosse eu com essa desculpa ainda que estivesse com um membro amputado ele não acreditaria. –E Jess voltou a ficar imersa em seu trabalho e em seu MSN aberto. Fiquei feliz por ela não me encher de perguntas como normalmente fazia. Acho que ela só não me interrogou por que não viu que cheguei ao mesmo tempo em que Edward.
Durante o tempo em que estive trabalhando me peguei sorrindo como uma idiota. Era inevitável. Se antes eu já pensava em Edward imagine agora? Era algo compulsivo, meus pensamentos apenas nele. Felizmente eu consegui trabalhar sem problemas revisando minhas planilhas para verificar se havia escrito o nome “Edward” entre os dados da empresa. Eu só parei com o trabalho quando era a hora do almoço. Fiquei ansiosa pelo aparecimento de Edward, talvez ele me convidasse para almoçar com ele ou coisa assim. Ele não apareceu. Isso me frustrou, mas eu tinha que ser compreensiva, Edward era um homem ocupado afinal. Fui amuada com Jess e Angela para o refeitório. Elas conversavam sobre qualquer coisa, não me dei ao trabalho de dar atenção. Eu estava terrivelmente carente precisando da companhia de Edward. Sei que é meio doentio da minha parte, mas passei dois anos apenas admirando-o e sonhando em ser sua, agora que o tinha eu queria compensar o tempo perdido. Angela me examinada, ela deve ter notado que eu estava um pouco diferente, impaciente, coisa que nunca antes demonstrei para elas. Jess estava imersa em seus próprios conflitos para notar algo além dela, a não ser que algum cara gostoso passasse por aqui pela nossa mesa.
E passei mais horas sem sequer olhar para Edward.
...
-Ai Bella você nunca aceita nenhum convite nosso para sair. Desse jeito vai ficar encalhada! –Jess esbravejou enquanto preparava-se para ir, ao que tudo indicava Angela e ela iria sair com seus respectivos pares.
-Obrigada. Outro dia talvez. Quero ir pra casa e dormir. –Disse fingindo cansaço. Verdadeiramente eu não estava cansada. Eu estava ansiosa para ver Edward. Esperei Jess ir, acenei para ela e para Angela enquanto as duas seguiam para o elevador. Demorei-me mais no meu espaço de trabalho por não saber o que faria. Deveria ir até o estacionamento esperar por Edward? Não, isso seria muita inconveniência minha. Mas o que eu faria? Tomada pela indecisão fiquei mais alguns minutos sentada em minha cadeira em frente ao meu computador. Por fim decidi ir para casa. Edward estava cansado, eu não iria aborrecê-lo obrigando-o a dirigir até minha casa, desviando de seu costumeiro caminho. Sai pelo elevador de funcionários em direção ao térreo para pegar minha condução.
Eu não sabia se estava agindo certo, Edward poderia ficar aborrecido. Bom, Deus sabe que eu tinha a melhor das intenções. Só fiquei uns cinco segundos na parada quando ouço uma buzina ao meu lado. Vejo Edward em seu carro olhando para mim com confusão evidente nos olhos. Olhei para todos os lados para me certificar que ninguém da empresa tinha nos notado e entrei no lado do carona.    
-Bella por que não esperou por mim?
-Eu não sabia se você estava livre para me levar para casa. Você esteve tão ocupado hoje. Eu não quis incomodar. –Murmurei. Edward sorriu, afagou minha bochecha.
-Não seja boba. Eu sempre terei tempo para você. Desculpe-me por não ter feito companhia na hora do almoço, estive ocupado.
-Está tudo bem Edward. Não precisa fazer esforço por mim. Sentiria-me muito mal se você fizesse algo assim. –Confessei subitamente preocupada com Edward. Só para estar aqui comigo, quanto esforço ele não estava fazendo? Apostaria meu salário que ele devia estar cansado, mas ainda sim se disponibilizava para me ver e me levar até em casa.
-Não importa quando esforço eu faça para estar ao seu lado, Bella, eu me sinto muito bem com isso por isso não se preocupe. –Edward inclinou-se beijando minha testa, fechei os olhos para melhor apreciar o contato. Edward afastou-se dando partida no carro, mau era perceptível o barulho do motor de tão silencioso que era. Afivelei o cinto de segurança e me permiti relaxar no banco de couro.
-Que tal jantarmos agora? Quero compensar elo tempo que não ficamos juntos. Conheço um restaurante ótimo com uma bela vista.
Pensei em sua proposta e em como Edward sempre me levava para lugares de sua preferência e acabava por pagar a conta. Tive uma súbita idéia que logo pus em pratica.
-Você não gostaria de jantar lá em casa Edward? Não se preocupe, eu cozinho bem o suficiente para tornar minha comida comestível. –Eu disse levemente divertida. Edward acompanhou meu sorriso com um dos seus.
-Você cozinhará para mim? Que honra! Claro que aceito Bella, mas... Não será um incomodo? Você deve ter tido um dia igualmente cansativo. Eu não quero dar-lhe este trabalho.
-Imagina! Eu quero compensá-lo.
-Tudo bem então.
Seguimos rapidamente para casa dando uma passadinha em um supermercado, Edward queria comprar uma garrafa de vinho e eu alguns ingredientes para o prato que eu estava pensando em preparar.
...
-Nossa, isso está muito bom! Melhor do que muitos pratos preparados pelos chefes mais habilidosos! –Edward disse com entusiasmo enquanto eu o servia novamente da lasanha que havia preparado. Edward degustou o prato com a garrafa de vinho que havia comprado e eu, que não sou acostumada com bebida alcoólica de nenhum tipo, comi com refrigerante.
-Fico feliz que tenha gostado. Eu pretendia fazer algo mais elaborado, mas...
-Imagina Bella está ótimo. –Edward comia sua segunda porção com gosto, mas ainda conservando as habilidades de alguém que aprendeu a degustar de uma refeição com requinte. Fiquei um pouco acanhada para comer em frente a ele.
-Este é um bom lugar para morar. Bem arejado, limpo... Com um toque seu fica perfeito. –Edward comentou enquanto olhava com olhos quase clínicos meu apartamento. Eu corei.
-Obrigada.
-Mora aqui há muito tempo?
-Não. Logo que me formei em contabilidade e vim para cá eu adquiri esse apartamento então tem só uns dois anos. –Disse pegando a louça suja que não estava sendo usada de cima da mesa. Edward me ajudou a levar a louça até a pia.
-Deixa que eu faço isso Edward. Definitivamente não vou querer sua ajuda a lavar a louça. –Falei zombeteira. Ele deixou os pratos na pia e afastou-se.
-Tudo bem, hoje passa, mas da próxima eu ajudo. –Falou enquanto sentava-se em uma das cadeiras da mesa da cozinha.
-Seus pais moram em outra cidade? –Ele perguntou tentando, supus, me conhecer melhor. Respondi naturalmente.
-Eles morreram há algum tempo. –Disse tentando dar atenção a louça.
-Sinto muito. –Edward murmurou, parecia pouco a vontade, pelo menos era isso que o tom de sua voz sugeria.
-Tudo bem. Faz algum tempo, eu já superei.
-Mas ainda deve ser um tema difícil de conversar. Pelo menos comigo é assim.
E naquele instante eu entendi o que Edward disse. Eu sabia através de funcionários da empresa que a mãe de Edward morrera cedo e seu pai algum tempo depois deixando a empresa aos filhos Edward e Alice Cullen.
-Eu soube, por funcionários da empresa, que você perdeu os pais. Eu sinto muito. Sei bem como é isso Edward. Pelo menos você tem Alice, sua irmã. Eu era filha única e meus pais não tinham parentes próximos então eu meio que fiquei são após a morte deles. –Falei sentindo a garganta apertar. Não, não era hora disso, de pensar em coisas tristes. Edward estava ali comigo e era meu namorado, a felicidade estava completa agora.
-Mas você tem a mim agora. –Ele murmurou em meu ouvido, nem notei sua aproximação. Fiquei imóvel encostada na pia enquanto os braços de Edward circundavam minha cintura puxando-me para mais perto do seu corpo. O calor que emanava de sua estrutura máscula era intoxicante. Virei-me ignorando os poucos talheres que ainda não tinha lavado e fitei seus olhos cor de ocre, abrasadores. Sensações que nunca experimentei antes me assaltaram, vontades desconhecidas. Vontade de me entregar aquele homem sem me importar com as conseqüências. Isso era errado, muito errado, mas minha racionalidade foi algo que meio que desapareceu quando eu o vi pela primeira vez transitando pelos corredores. Edward beijou-me na testa, em uma das pálpebras, na bochecha, beijou-me no pescoço e eu, arfante, acabei dizendo algo que não pretendia dizer, não naquele momento.
-Eu sempre te amei, desde a primeira vez que o vi na empresa. –Sussurrei não sabendo se ele me ouviria, mas ele ouviu. Parou. Afastou-se um pouco e me fitou intensamente. Havia algo em seus olhos, um sentimento, desconhecido pra mim.
-Eu preciso ir. –Disse subitamente afastando-se. Eu fiquei confusa. O que eu tinha dito?
-Espera. O que foi que eu fiz? –Perguntei enquanto o via pegar seu casaco em cima de um dos sofás e vesti-lo. Oh droga que boca grande a minha! Por que tive de falar em amor?
-Não fez nada Bella, claro que não! –Falou parecendo apavorado. Veio e beijou-me para logo após partir. Eu não entendi o seu ato, senti que ficou embasbacado por minha confissão. Ou talvez estivesse com pressa, tendo algum compromisso importante. Eu não devia levar tudo aquilo seriamente. Se eu tive alguma duvida com relação ao acontecido do jantar, essa duvida se dissolveu, pois, após tomar meu banho e me recolher para dormir, notei que havia uma mensagem no meu celular. Era Edward e ele dizia de forma simples, porém significativa a frase:
“Eu amo você. Edward.”.
 Isso foi o suficiente para as duvidas se evaporarem e eu voltar a mergulhar em sonhos sabendo que logo mais uma manhã ao seu lado eu teria.
Edward pov’s
Ela disse sim ao me pedido de namoro, eu sabia que isso iria acontecer. Feliz por meus planos estarem rumando de acordo com meu planejamento, eu dei duas passadas e a abracei. A satisfação de ter meus planos praticamente concluídos era enorme.   
-Obrigado. –Eu disse a ela. Claro que Bella, ignorante como é, não saberia o porquê eu estaria agradecendo. Nem devia saber. E para fechar o momento com chave de ouro (para ela, claro), eu a puxei e a beijei. Não era o melhor beijo do mundo, eu devo ter sido seu primeiro, mas também não era o pior. Bella, apesar da inexperiência, se deixava conduzir facilmente durante o beijo, isso facilitava demais as coisas para mim. Como o beijo estava melhor do que o previsto, eu acabei por me empolgar e desci minhas mãos da cintura até suas nádegas. Bella arquejou com meu ato e me afastei dela. Oh droga eu havia passado dos limites! Virgem como ela é, certamente não estava acostumada a contatos mais íntimos. Eu teria que me policiar afinal eu prometi a mim mesmo que apesar de ter como objetivo desposá-la eu não iria tocá-la mais intimamente.
-Me desculpe eu... –Bella começou a dizer parecendo apavorada. Eu que abuso dela e é ela que me pede desculpas? Que garota estranha.
-Não, sou eu que devo me desculpar, foi indelicadeza o que eu fiz. –Eu disse tentando parecer arrependido. Claro que era tudo um ardil. Edward Cullen nunca se arrependeria de tentar se aproveitar de uma mulher. Foi por me aproveitar que garanti minhas melhores noitadas com mulheres.
-Tudo bem eu só... É que tudo é muito novo para mim. –Falou constrangida. Tão tipicamente virgem! Isso me deixava um pouco aborrecido, mas nunca eu deixaria tal aborrecimento transparecer.
-Ok. Vamos então? –Peguei sua mão a fim de encerrar o assunto. Eu a conduzi em silencio até meu carro. Essa era a principal vantagem de ter Bella como alguma coisa, ela não ficava tagarelando. Assim que chegamos ao carro eu disse:
-Quer ir para casa ou poderíamos desviar o caminho? – Perguntei querendo fortificar ainda mais meus laços com ela. Quanto maior os laços, mais rapidamente eu a desposaria. Bella pareceu temerosa com algo, não foi difícil adivinhar com o que estava temerosa. –Não se preocupe, eu não vou levá-la a um motel ou algo assim, nunca! –Eu disse sorrindo. Que idéia ela pensar que eu faria tal coisa, ainda mais com ela! Cruzes! Ela sorriu.
-Me desculpe, não é nada disso eu... Deixe pra lá. Bem, já que nós somos namorados eu acho que teremos outras noites para sair. Eu estou um pouco cansada.  Tanta coisa aconteceu! –Ela disse. Claro que estava desnorteada, como um cara como eu iria se interessar por ela? Ainda era difícil para eu engolir que eu estava apelando para tal coisa. Segurei sua mão e seguimos dessa forma, calados e de mãos dadas, até seu apartamento.
-Posso vir aqui buscar você? –Perguntei ao estacionar em frente ao local onde morava. Queria sair logo daquele gueto, todo mundo olhava meu carro, boa parte deviam ser marginais.
-Me pegar? –Perguntou confusa. Que garota de raciocínio lento!
-Amanhã pela manhã. Poderíamos tomar café juntos antes de irmos para o trabalho.
-Claro. –Bella concordou. Meu plano indo muito bem. Perguntei-me se ela estranharia se na manhã seguinte aparecesse com uma aliança. Naquele momento eu pude contemplá-la um pouco mais de perto. Ela era bonita, uma beleza clássica, algo difícil de encontrar. Se ela se arrumasse certamente chamaria a atenção de qualquer um, até de mim.  
-Vem cá. –Chamei puxando-a para mais perto. Bella se deixou levar. A beijei com calma, bem diferente dos beijos que costumo dar em minhas amantes. Antes que eu me deixasse levar, eu a soltei. 
-Boa noite. –Disse dando um leve beijo em seus lábios. Bella saiu meio cambaleante e então eu parti.
Eu sabia que não teria muita paz. Meu celular tocou antes de entrar na garagem do meu apartamento, era Tânia. Eu atendi sabendo que ela devia estar puta comigo.
-Edward, cadê você?
-Em casa.
-O que esteve fazendo hein?
-Cuidando de meus assuntos Tânia. –Sim, eu estava sendo quase monossilábico. Tanto ainda com o que me preocupar, eu não tinha tempo para explosões femininas quando havia muito a planejar.
É claro que Tânia me esperava em meu apartamento. Ela me esperava em frente à porta com os braços cruzados no peito, uma expressão demoníaca capaz de transformar seu lindo rosto em uma carranca horrenda. Com a careta que fazia era preferível até ficar com Bella a ela.   
-POR QUE É QUE VOCÊ... –Eu não dei espaço para mais nenhuma palavra. A beijei vigorosamente prensando-a na parede. Tânia não disse mais nada aquela noite. Sexo era mesmo uma forma infalível de calar uma mulher.  
 ...
-Então eu vou ser posta de lado enquanto você segue com os planos para conquistar aquela caipira? –Tânia resmungou enquanto se refazia de nossa noite intensa. Eu já estava pronto para ir para a casa de Bella a fim de ter um pouco mais de tempo com ela.
-Sim. É pegar ou largar Tânia. –Disse. Ela fez um beicinho teimoso.
-Não tem jeito. Que seja. Pelo menos eu sei que aquela ali não é desejável pra você. Isso me enche de satisfação. –Falou vitoriosa. Ela que não soubesse que quando a via aborrecida preferia Bella.
-Eu vou ir até a casa dela, eu a convidei para tomarmos café juntos. Tenho que me apressar ou o prazo para reaver minha parte na herança vai se perder. Em pouco tempo eu estava seguindo para a casa de Bella enquanto Tânia ia de taxi para a empresa.
Lembrei-me de que seria delicado levar algo para ela, presenteá-la. Felizmente Bella era simples então qualquer porcaria que eu desse a ela, até uma conserva em lata, iria satisfazê-la. Sorri pensando em Bella colocando a lata de conserva entre as folhas de seu diário e escrevendo ao lado: primeiro presente do meu amorzinho. Parecia algo bem típico dela. Não estava a fim de ir a uma loja de bugigangas, eu tinha meus compromissos da empresa, não poderia me atrasar muito. Estacionei em frente a uma casa promissora com um belo jardim em frente. Cautelosamente sai do carro seguindo para lá. Peguei um botão de rosa que pendia para fora da cerca viva que contornava a casa e sai antes que alguém me visse. Pronto, presente providenciado e nem precisei gastar nada.
Claro que ela me esperava na porta, ansiosa. Estava até apresentável hoje, mas ainda sim as vestes lhe caiam muito mal. Quanto mau gosto em uma só pessoa! Talvez ela devesse se inscrever naqueles programas para mudar a aparência. Estacionei e sai do carro com a rosa na mão. Fui em sua direção e a beijei, um mero selinho. Eu não queria assustar a garota com um beijo desentupidor de pia em plena manhã. Visto o quão inexperiente ela parece, eu poderia asfixiá-la com minha língua ou algo assim.
 -Bom dia. –Murmurei em seu ouvido e me afastei entregando a rosa. Bella estava pasma, provavelmente ainda não acreditava que eu pudesse estar interessado nela. 
-Obrigada. Bom dia. –Murmurou.
-Então... Vamos? –Caminhei até o carro e abri a porta do carona para ela. Bella entrou sem hesitar. Segui para um café que eu ia às vezes, muito bom por sinal. Mantive minhas mãos unidas a dela enquanto seguia para o local onde costumava sentar. Bella olhava para todos os lados parecendo pouco à vontade naquele lugar requintado. Certamente ela se sentiria melhor se eu a levasse naquelas lanchonetes de esquina com gordura de fritura até na porta de entrada. Sentamos. Fizemos os pedidos de imediato e quis rir quando vi que Bella tinha dificuldades para ler o cardápio com seus pratos tipicamente franceses. Visto que ela parecia verde, nervosa, eu resolvi quebrar o gelo.
 -Parece tensa. Não gostou de vir tomar café comigo? –Fingi preocupação. Como se eu ligasse se ela não gostava daquele lugar!
-Não, claro que não! Eu estou preocupada em chegar atrasada na verdade. –Porra, de novo o trabalho! Qualquer funcionaria estaria dando graças aos céus por se atrasar para estar comigo. Ela era muito estranha. Segurei sua mão a fim de acalmá-la. 
-Não fique. Não será prejudicada. Sabe disso. É minha namorada agora Bella. –Eu disse e senti algo estranho quando disse a palavra namorada. Seriam náuseas? Não, era algo diferente. Talvez fosse aquela sensação de prazer pelo sentimento de posse. Fosse ela quem fosse, ela era minha agora, como minha diversão particular.
-Eu não quero ter privilégios só por que sou sua namorada Edward. –Bella disse. Isso me surpreendeu? Não queria privilégios? De que planeta surgiu essa mulher? Qualquer uma montaria em cima de mim!
-Não se preocupe. Você não terá privilégios. Mas também não deixarei que a prejudiquem por algo tão banal. –Bella ia dizer algo, protestar talvez, mas nossos pedidos chegaram em boa hora. Comecei a comer e notei que Bella me olhava disfarçadamente, cada mínimo movimento que eu fazia. Era meio constrangedor. Nem Tânia me via comer com freqüência. Senti-me novamente vulnerável com Bella olhando coisas que eu não gostava que as pessoas vissem. Após o termino do café decidi verbalizar as incógnitas que se formavam em minha cabeça.
 -O que foi? Parece distraída. Ainda não acredita que é minha namorada?
-É meio difícil de acreditar. Foi tudo rápido demais. –Bella disse e senti nervosismo. De fato eu estava apressando as coisas e Bella, ao invés de aproveitar, parecia mais e mais desconfiada. Eu tinha que dar o credito a garota, ela era perceptiva demais.
-Desculpe-me por tudo isso Bella. Sei que deve estar um pouco assustada. Ainda sim eu fiquei feliz por isso não ter interferido em sua aceitação da minha proposta de namoro.  
-Eu nunca riria recusar tal pedido, não vindo de você por que eu...
Meu celular toca. Vejo no visor, era Alice.
-Oi Alice. –Atendi enquanto Bella parecia avoada.
-Hei Edward devia estar na empresa. Temos uma reunião hoje. Onde você está? –Eu nem precisava estar diante de Alice para sentir sua desconfiança.
-Estou tomando café. Já estou indo para a empresa.
-Ah, ok. E então já achou a sua esposa Edward? Estou querendo conhecer as candidatas. –Alice comentou entre risos. Eu bem sabia que, se ela descobrisse que era Bella, Alice não iria se opor a eu tomar Bella como esposa, pelo menos não na frente de Bella, mas procuraria uma forma de dizer a ela o que se passava. Eu ia ter que ser muito astuto e não revelar até o último instante, mas seria difícil. Bella provavelmente ia contar para as amigas da empresa, qualquer uma tiraria vantagem disso. E então Alice saberia e fim da historia.
-Alice, até mais. –Desliguei o celular. Bella ainda parecia avoada.  
-Desculpe por isso. Minha irmã está na empresa e teremos uma reunião. Vamos ter que ir agora. Uma pena, queria um pouco mais de tempo com você. –Menti casualmente.
-Tudo bem Edward. Eu também tenho trabalho. –Disse levantando-se e pegando sua carteira dentro da bolsa. O que ela estava fazendo? Fiz menção para a aproximação do garçom e ele prontamente o fez já com a conta em mãos.
-Pare com isso Bella. Você até me ofende desse jeito. Eu a convidei, não deve pagar por nada. –Falei já sacando meu cartão de credito. Se ela visse os nossos gastos teria que sacrificar dois salários seus.
-Eu não pagarei, se você me prometer que me deixará compensar isso. –Ela propôs. Perguntei-me como ela iria querer compensar. Bem, se fosse sexo eu teria que ser bem persuasivo para desencorajá-la. Eu já havia decidido que nunca iria tocá-la, eu não iria querer destroçá-la por completo.
-Pode deixar. –Peguei sua mão e fomos para o carro após o pagamento da conta. Fiquei distraído pensando em como iria ocultar toda a historia a tempo de Alice não fazer nenhuma besteira. O jeito seria pedir a Bella e inventar uma boa desculpa para aplacar sua desconfiança. Foi no carro, enquanto íamos para a empresa, que decidi tocar no assunto.
-Bella, tenho um favor a pedir.
-Pode pedir então.
-Não quero que comente com ninguém sobre nós. –Falei sem mais delongas. Eu a olhei e vi que Bella olhava fixamente para frente com uma expressão estranha. Tratei de complementar o que havia dito.
-Você parece estar aborrecida com o que eu disse. Não me interprete mau, amor, é que teremos problemas se descobrirem, muita especulação. Eu não quero interferências externas. Entende? –Fiquei pasmo. Eu a chamei de “amor”? Juro que escapou inconsciente, mas ela pareceu se iluminar com isso.
-Tudo bem. Acho melhor assim. –Murmurou. Eu sabia que ela era diferente e fiquei satisfeito que isso só facilitaria meu lado.
...
-Oi mano! –Alice pulou em meu pescoço abraçando-me assim que passei para a sala de conferencia. Todos ali presentes, chefes de outros setores da empresa, olhavam abismados para ela. Tânia estava em um canto fazendo anotações e olhando disfarçadamente para mim.
-Pare com isso Alice. –Eu disse afastando-a, embasbacado pelo seu ato.
-Não seja chato, sou sua irmã fazia tempo que não o via. –Ela falou com um rosto triste, falsamente triste. Fiz um cafuné nela.
-Vamos à reunião bonequinha. –Falei enquanto seguia para minha cadeira. Quando Alice sentou em seu lugar assumiu uma mascara de seriedade e responsabilidade. A garota parecia ter transtorno bipolar ou dupla personalidade às vezes.
-Bom dia a todos. Perdoem-me pelo atraso. Comecemos a reunião. –Anunciei e todos se endireitaram mais formalmente em suas cadeiras. Eu ainda não era o presidente da empresa, não enquanto não pegasse o que era meu da herança, mas o fato de ser filho do dono era suficiente para que eu exercesse tal autoridade. Eu sorri sabendo que, como meus planos iam bem, logo eu ocuparia em definitivo a cadeira da presidência.
 ...
-Nossa, essas reuniões são tão chatas! –Alice bufou enquanto sentava em minha cadeira. Estávamos sozinhos em minha sala.
-É bom se acostumar. Você terá sua parcela de responsabilidade aqui na empresa.
-Deixemos esse papo chato pra lá Edward. Me diz? Já achou sua pretendente? –Alice perguntou, a curiosidade em seus olhos era assustadora.
-Estou a procura ainda, mas sinto que logo encontrarei. –Falei com descaso sentado em uma poltrona em frente a minha mesa.
-É melhor não demorar Edward. Seu tempo está acabando. Lembre-se que eu irei avaliá-la então tenha muito cuidado com sua escolha.
-Eu sei Alice, eu sei. Você será a primeira a saber quando eu achar alguém que se encaixe no seu perfil. –Eu disse tentando não ironizar minhas palavras. Alice poderia acabar descobrindo e eu não queria sua intervenção, não agora.
-Que seja. Estarei esperando. –Ela levantou-se num átimo. –Eu tenho que ir, muitas coisas a fazer e prometi almoçar com Jasper.
-Manda um abraço para o Jasper e diz pra ele que agradeço imensamente por ter casado com você, assim não tenho que aturá-la. –Disse com zombaria. Alice me deu língua antes de sair pela porta. Levantei-me e sentei em minha poltrona tentando relaxar, estava me sentindo cansado. Tânia entrou pouco depois com sua inseparável agenda nas mãos. Eu suspirei. Meu dia seria agitado.
...
-Acabou por hoje? –Perguntei enquanto vestia meu casaco. Eu estava atrasado, queria levar Bella para jantar, mas certamente ela me esperava em algum lugar.
-Sim. –Tânia veio em minha direção abraçando-me. –Deixe-me adivinhar... Vai fazer companhia pra morta de fome?
-Se você se refere à Bella... Sim, eu vou. Não está nada certo ainda. Preciso fortificar o vinculo que possuo com ela.
-Até parece que aquela ali recusaria um pedido de matrimonio seu se você o fizesse agora, Edward. Não precisa se empenhar para agradá-la.
-Eu não sei não. Ela é estranha e desconfia de mim, eu posso sentir. Terei que ser cauteloso. –Deu um meio sorriso e puxei Tânia para meus braços. –Adoro ver você com ciúmes, é bem excitante. Mas sabe, você não precisa se preocupar com a Bella. Como se eu fosse trocar você por ela! –Eu disse com a voz divertida puxando o rosto de Tânia para mim beijando-a.
Naquele momento, sem querer, eu comparei o beijo de Tânia com o beijo de Bella. Tânia era impulsiva, experiente, beijava com luxuria, mas Bella... Seu beijo era tímido, eu tinha de fazer tudo durante o beijo, mas apesar de tudo era bom e... Eu disse “bom”? Ok, minha taxa de glicose devia estar elevada fazendo com que eu tivesse pensamentos incoerentes.
Deixei Tânia em minha sala dizendo a ela para sair depois de mim. Fui até a divisória de Bella. Ela não estava lá. Estranhei. Pensei que ela esperaria na porta do meu escritório como toda a garota afobada, mas não foi isso o que eu encontrei. Fiquei surpreso ao constatar que nem mesmo na garagem ela estava. Peguei meu carro e andei vagarosamente. Eu a encontrei na parada de ônibus. Isso me enervou. Por que ela não me esperou? Para onde ela estava indo? Tudo bem que não deixei explicito que iria levá-la para casa, mas ainda sim ela não deveria ter saído sem falar comigo. Desfiz minha carranca quando estacionei ao lado dela. A olhei confuso.
-Bella por que não esperou por mim? –Perguntei amuado.
-Eu não sabia se você estava livre para me levar para casa. Você esteve tão ocupado hoje. Eu não quis incomodar. –Ela disse constrangida. Tão altruísta! Afaguei sua bochecha sem perceber.
-Não seja boba. Eu sempre terei tempo para você. Desculpe-me por não ter feito companhia na hora do almoço, estive ocupado. –E era verdade, estive muito ocupado planejando, por exemplo, como dobrá-la para ganhar minha herança.
-Está tudo bem Edward. Não precisa fazer esforço por mim. Eu me sentiria muito mal se você fizesse algo assim.  
-Não importa quando esforço eu faça para estar ao seu lado, Bella, eu me sinto muito bem com isso por isso não se preocupe. –Eu me inclinei beijando sua testa e afastei-me dando partida no carro.
-Que tal jantarmos agora? Quero compensar elo tempo que não ficamos juntos. Conheço um restaurante ótimo com uma bela vista. –E eu queria ir por dois motivos: estava faminto e Bella era hilária quando estava em um local pouco a vontade.

-Você não gostaria de jantar lá em casa Edward? Não se preocupe, eu cozinho bem o suficiente para tornar minha comida comestível. –Bella sugeriu. Eu fiquei surpreso, mas decidi aceitar. Ida a sua casa? Estávamos ficando íntimos mesmo! 
-Você cozinhará para mim? Que honra! Claro que aceito Bella, mas... Não será um incomodo? Você deve ter tido um dia igualmente cansativo. Eu não quero dar-lhe este trabalho.
-Imagina! Eu quero compensá-lo. –Ela disse alegre. Bem, se era para criar laços mais fortes com ela, eu iria comer a gororoba.  
-Tudo bem então.
Paramos e comprei uma garrafa de vinho em um supermercado, era para tirar o gosto do grude que ela iria preparar.
...
-Nossa, isso está muito bom! Melhor do que muitos pratos preparados pelos chefes mais habilidosos! –Eu elogiei realmente surpreso. A comida era boa e o vinho ajudou a descer bem.   
-Fico feliz que tenha gostado. Eu pretendia fazer algo mais elaborado, mas...
-Imagina Bella está ótimo. –Disse repetindo o prato deixando de lado a boa etiqueta, ou pelo menos parte dela. 
-Este é um bom lugar para morar. Bem arejado, limpo... Com um toque seu fica perfeito. –Comentei casualmente enquanto analisava o pequeno apartamento de Bella. Ainda sim não era o tipo de lugar que eu moraria.
-Obrigada.
-Mora aqui há muito tempo? –Perguntei curioso.
-Não. Logo que me formei em contabilidade e vim para cá eu adquiri esse apartamento então tem só uns dois anos. –Disse enquanto pegava a louça suja. Eu a ajudei.
-Deixa que eu faço isso Edward. Definitivamente não vou querer sua ajuda a lavar a louça. –Bella disse. Apenas deixei os pratos na pia e fui me sentar. Ainda bem que ela dispensou minha ajuda, eu não sabia nem colocar o sabão na esponja, literalmente.
-Tudo bem, hoje passa, mas da próxima eu ajudo. –Falei para parecer educado.
-Seus pais moram em outra cidade? –Perguntei querendo conhecê-la, descobrir seus pontos fracos e investir pesadamente.
-Eles morreram há algum tempo. –Disse. Eu estaquei. Ela não tinha os pais também?
-Sinto muito. –Disse, pouco a vontade. Eu estava me sentindo vulnerável e odiava isso.  
-Tudo bem. Faz algum tempo, eu já superei. –Ela falou parecendo não se abalar.
-Mas ainda deve ser um tema difícil de conversar. Pelo menos comigo é assim. –E lá estava eu dizendo coisas minhas que não deveria. Eu devia conhecer Bella e não Bella me conhecer. Decidi encerrar o assunto.
-Eu soube, por funcionários da empresa, que você perdeu os pais. Eu sinto muito. Sei bem como é isso Edward. Pelo menos você tem Alice, sua irmã. Eu era filha única e meus pais não tinham parentes próximos então eu meio que fiquei são após a morte deles. –Bella continuou o assunto pegando-me de surpresa. Eu podia sentir a dor em sua voz. Bella ainda sentia a dor da perda como eu sentia. Minha garganta apertou. Eu me levantei e me encostei a ela, murmurei em eu ouvido:
-Mas você tem a mim agora.
Eu a abracei puxando-me para mais perto. Eu a beijei na testa, nas pálpebras, sem saber o que eu fazia, se era fingimento meu ato ou era algo real. Não parei para pensar, apenas agi. Meus lábios foram percorrendo seu rosto e Bella não protestou com nada. Seria fácil, muito fácil, conduzi-la até cama e possuí-la. E pensei: por que não? Eu não havia feito nada com Tânia e Bella estava até comestível.
-Eu sempre te amei, desde a primeira vez que o vi na empresa. –Ela disse e eu estaquei. O que ela havia dito? Que me amava? Eu estaquei.  
-Eu preciso ir. –Disse sem mais delongas.
-Espera. O que foi que eu fiz? –Bella perguntou enquanto eu pegava seu casaco em cima de um dos sofás e o vestia. Eu precisava sair dali o quanto antes, eu não queria olhá-la e sentir o que eu sabia que sentiria.
-Não fez nada Bella, claro que não! –Eu disse preocupado. Eu a beijei e logo mais saí. Eu sei, eu estava queimando meu filme agindo assim, mas o que eu poderia fazer? Quanto mais eu me aproximava de Bella, mais vulnerável eu ficava, mais meu lado emocional aflorava e eu odiava isso.
“Eu amo você. Edward.”.
 A frase vinha potente enquanto eu seguia de carro pelas ruas. Eu iria destruir a garota, era isso que iria acontecer. Ela era muito pura, se eu continuasse não iria sobrar nada. Mas ainda sim...
Era um caminho sem volta.
Eu estacionei em frente a uma joalheria e fui diretamente ao balcão. Eu já era cliente VIP de lá, sempre comprava algo para Alice ou para Tânia.
-Bem vindo senhor Cullen! É um prazer vê-lo novamente! –O atendente de sempre me cumprimentou esfuziante.
-Olá, eu quero que me mostre os modelos de aliança que possui. –Falei com um meio sorriso nos lábios.

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