BMO - Capitulo 6

Bella POV
Destino. Não havia outra explicação. Que mais poderia explicar o fato de ter encontrado justamente o Jasper para me ajudar? E ainda por cima, com seu coração enorme, trouxe-me para sua casa para trabalhar com sua esposa... irmã do meu Edward. Coisa do destino mesmo. Estávamos destinados um ao outro.
Talvez um dia, eu conseguisse traduzir em palavras tudo o que senti ao vê-lo parado à minha frente, tão emocionado quanto eu. Seus olhos felizes ao pegar a filha no colo. Mas nada superava a felicidade em ouvir de sua boca que ele me amava. Eu que jamais imaginei que o veria novamente, estava agora em seus braços.
Não queria pensar no passado, mas também não queria esquecer. Foi lá que começou nossa história. Tive momentos felizes, não irei negar. Mas agora era muito diferente. Começaríamos nossa vida juntos, com nossa filha ao lado.
Ainda não tivemos tempo de perguntar o que faríamos, é claro. E nem me importava. Estar ao lado de Edward é o que importa. Saber que nossa filha irá crescer ao lado do pai sendo muito amada por nós dois.
Penso como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu não tivesse sido tão imatura. Quem sabe Edward não perceberia, ainda naquela época, que ele me amava? Mas eu não podia reclamar... não mesmo. Qua
ndo eu poderia imaginar aquele lado pai que ele mostrava agora?
Edward dormiu ao meu lado, seus braços em volta do meu corpo durante toda a noite. Há meses eu não dormia tão bem. Parecia que até nossa filha percebia sua presença e dormiu praticamente a noite toda.
Remexi-me na cama para poder olhar o berço.
- Quer que eu a pegue?
- Pensei que estivesse dormindo, Edward. Que horas são?
-Nem cinco da manhã.
- Ela dormiu a noite toda. Fiquei preocupada.
- Ela está ótima. Levantei-me várias vezes para olhá-la. Você que não viu.
-Sério? Nossa... dormi demais então.
Então passou a mão em meu cabelo, descendo até meu rosto.
- Está cansada. Acha que qualquer mulher passaria por tudo o que passou sem dar uma baqueada?
- Talvez nem seja por isso. Acho que é a sua presença. Saber que finalmente estamos juntos me da uma paz que você não imagina.
- Bella... Bella... foi difícil ficar sem você. Mas depois de saber tudo o que você passou, vejo como isso foi pouco pra mim.
- Não diga isso. Sei que sofreu também.
- Temos muita coisa a resolver, Bella.
- Eu sei.
Beijou meus lábios levemente antes de continuar a falar.
- A primeira delas é ir registrar a Melaine. Ela tem que ter o meu nome.
Meu coração pulou feliz. Confesso que nem estava me lembrando disso.
- E depois irei procurar um lugar para nós dois. Aliás... você gostaria de continuar aqui? Ou quer voltar e viver comigo em minha casa?
-Não pensei nisso, Edward. O lugar não me importa muito. O que me interessa é a companhia.
Mais uma vez nossos lábios se encontraram. Dessa vez mais apaixonados. Não havia no mundo, pelo menos eu não me lembro, coisa melhor que beijar Edward. Seus braços fortes me envolviam firmemente junto ao seu corpo. Minhas mãos acariciavam sua nuca e em seguida subiram até seus cabelos, apertando seus fios entre meus dedos. Senti seu corpo estremecer e ele aprofundou o beijo, sua língua entrelaçando-se na minha. Eu também tremia levemente, o calor se espalhando por todo o meu corpo. Suas mãos subiram pelo meu corpo e fecharam-se sobre meus seios. Eu gemi, sem conseguir me conter. A boca macia deslizou ate meu pescoço, beijando e mordendo levemente.
-Eu te amo tanto, minha pequena.
- Eu também... louca por você.
Infelizmente ele se afastou. Eu entendia muito bem o seu lado. Ainda que estivesse muito claro que ele me ama, Edward tinha medo de parecer que o que me unia a ele era apenas sexo. Era até melhor assim. Embora eu queimasse de desejo por ele, ainda não era o momento de nos entregarmos novamente.
Edward riu quando ouvi os barulhos que vinham do berço. Levantou-se imediatamente e pegou a filha que chupava a mãozinha fechada.
- Acho que estamos com fome.
Sentei-me na cama e peguei-a, ajeitando-a para dar de mamar.
- Viu como sua presença nos fez bem? Ela não acorda tão boazinha quando está com fome. Acorda aos berros, não importa a hora.
- Mesmo? Pareceu-me tão mansinha.
- Em certos aspectos sim. Mas na hora da fome...
Minhas bochechas ainda queimavam de vergonha ao ver Edward me olhar amamentando. Não sei bem por que. Afinal seu olhar nada tinha de apelo sexual. Ele, na verdade, parecia deslumbrado com a cena.
- Você tem tanto leite.
E tinha mesmo. Melaine mal conseguia sugar tudo. A boca pequena sempre deixava escorrer o leite. Estava com os olhos bem abertos, me encarando. Edward deitou-se ao meu lado apoiado no cotovelo. Com a outra mão, brincava com a mão da filha. Era uma cena tão gostosa que ficamos em silêncio, apenas curtindo o momento. O nosso momento família.
*************
Terminei meu banho enquanto Edward brincava com Melaine. Ao voltar para o quarto, parei à porta apreciando os dois juntos. Melaine batia as pernas enquanto Edward conversava palhaçadas com ela. De vez em quando resmungava um pouco como se respondesse. Eram lindos juntos.
Edward desviou o olhar e encontrou o meu. Primeiro percorreu meu corpo coberto apenas com a toalha e depois sorriu.
- Não vai tomar seu banho, Edward?
- Vou.
- Então vá. Depois irei dar banho nela. Quer me ajudar?
Seus olhos brilharam.
- Claro que sim.
Ele se levantou, me deu um beijo e foi até o quarto dele. Sentei-me ao lado de MElaine.
-Oi, meu anjo. Está feliz não é? Conheceu o papai maravilhoso que você tem.
Ela bateu as perninhas freneticamente, os braços acompanhando o ritmo.
- Assanhada... deixe um pouquinho do papai pra mim também.
- O papai é todo seu, meu amor.
Levei um susto e quase morri de vergonha ao ver Edward parado à porta, sorrindo. Trazia as roupas nas mãos.
-Coisa feia ficar ouvindo conversa dos outros, Edward.
Ele caminhou até mim e me fez ficar de pé, abraçando-me
- Qual o problema em admitir que me deseja?
- Problema nenhum, só que...
-Esquece, linda. Estou brincando. Importa-se se eu tomar meu banho aqui?
- Claro que não. Vá lá, estamos esperando você.
Graças a Deus, quando ele voltou ao quarto, estava vestido com a calça. Entretanto apenas o peito másculo, mostrado pela ausência da camisa era suficiente para me fazer ter pensamentos nada decentes. Ocupei-me em arrumar as roupas da Melaine para não precisar apreciar aquela visão.
-Vamos dar o banho nela?
-A banheira está logo ali. Leve-a para o banheiro, por favor.
Edward observava atentamente enquanto eu enchia a banheira e em seguida levava Melaine. Novamente começou as bater pernas e mãos.
- Ela é muito esperta , não é? Não está meio precoce, não?
- Sabe que às vezes também acho isso?
- Talvez tenha puxado a mãe.
- Está insinuando o que?
- Nada.
- Quer segurá-la?
-Acho que para o banho ainda não estou preparado.
- Eu sei. Vocês, homens, geralmente tem um pouco de medo mesmo.
- Sei lá...apesar de espertinha, ela é tão frágil.
- Quando ela estiver mais firme você tenta.
Depois do banho tomado e alimentada, Melaine voltou a dormir. Edward e eu descemos para o café. Alice e Jasper também já estavam acordados.
- Bom dia, Alice. Bom dia, Jasper.
- Bom dia pra vocês. Dormiram bem?
Alice perguntou sorridente ao nos ver de mãos dadas.
- Muito bem, Alice.
-Imagino...tanta coisa para reviver...
- Nem vem pensando coisinhas, sua maluca.
Edward falou e beijou sua cabeça.
- Estamos todos bem e felizes?
Surpreendendo-me, Edward me beijou. Não foi exatamente um selinho, foi ardente o suficiente para me deixar com as bochechas coradas.
- Eu duvido que você conheça alguém mais feliz que eu, Alice.
- E pensar que eu não reconheci o nome e nem o rostinho da Mel.
Jasper balançou a cabeça, inconformado.
- Já ouviu falar que Deus escreve certos por linhas tortas, Jasper? Não reconheceu, mas trouxe as duas com você.
Ele suspirou.
- Pelo menos isso.
- Edward, o que pretendem fazer hoje?
- Primeiramente quero dar um jeito de registrar minha filha. Irei até o cartório para declarar que sou o pai. Mas creio que o registro só poderá ser alterado na Espanha onde ela foi registrada.
- Exatamente. Terão um bom trabalho pela frente. Mas o caso é o seguinte: nossos pais estão vindo pra cá.
Edward encarou Alice e eu congelei. Os pais de Edward estavam vindo pra cá? Para conhecer a neta?
- Você falou pra eles, é claro.
- Eles merecem saber, Edward. Não sabe a preocupação deles todo esse tempo. Agora precisam ver como você está bem. A mudança é visível. Sem contar que têm que conhecer a neta e a nora.
Meu rosto ficou ainda mais vermelho. Não sei se estava preparada para conhecer os pais dele. O que iriam pensar de mim? E se não aprovassem a escolha do filho?
Os olhos de Alice estavam fixos em mim.
- Pare de pensar besteira, Bella. Meus pais não costumam julgar as pessoas pela aparência, nem mesmo pelos atos. Todos nós sabemos da sua história com Edward. Eles vão amar vocês duas.
-Desculpe-me, Alice. Mas é que...
Engoli em seco e inevitavelmente lágrimas vieram aos meus olhos.
- Não fui amada nem por meus pais, então...
Imediatamente Edward segurou meu rosto entre suas mãos.
- Não basta ser amada por mim, meu amor?
- Basta, Edward.
*************
Nunca imaginei que seria tão difícil fazer os procedimentos para Edward reconhecer a filha. Aliás, difícil não seria a palavra certa. Trabalhoso, talvez.
Mas a alegria dele era tão contagiante que deixei esses pensamentos tolos de lado. Percebi o orgulho dele em carregar a filha pelas ruas de Paris. Eu ainda não tinha saído de casa para ver a cidade e conhecer toda aquela maravilha ao lado do homem que amo era quase surreal.
Edward resolveu almoçar fora, e isso contribuiu ainda mais para que eu ficasse literalmente nas nuvens. Ele era só carinho e atenção. A cada toque ,a cada gesto, eu sentia uma sensação deliciosa dentro do peito. A sensação de que tudo estava definitivamente em seu lugar.
Voltamos para a casa de Alice pouco depois das duas da tarde. Minhas pernas tremeram ao perceber um luxuoso carro preto estacionado à frente da casa.
- Meus pais já chegaram.
-Edward... não acha melhor...
- Bella, não tenha medo. Mesmo que meus pais não a aprovem, e tenho certeza que isso é impossível, nós iremos ficar juntos. Eu amo você, amo nossa filha. Ninguém e nada irá mudar isso.
Segurei firmemente na mão dele e sorri.
- Obrigada.
Entramos de mãos dadas, Edward com Melaine nos braços. Na sala, ao lado de Alice estavam um homem alto, loiro e muito bonito e uma mulher de cabelos cor de mel e um sorriso sincero nos lábios.
- Edward... meu filho.
A mulher correu até ele e o abraçou, dificultada pela presença de Melaine no colo de Edward.
- Oi, mãe.
- Desculpe a Alice, filho. Mas...precisávamos ver como você estava.
O homem loiro também se aproximou e abraçou Edward.
- Como vai, pai?
- Feliz por vê-lo bem novamente.
- Deixe-me apresentar. Minha filha: Melaine.
- Meu Deus, filho...que princesinha. E é a sua cara. Posso pega-la?
Edward olhou para mim como se me pedisse permissão. Que absurdo. Eles são os avós, tem todo o direito.
- Mas antes apresente-nos sua...hã...
- A mulher da sua vida, Edward.
O pai dele completou a frase, olhando –me intensamente e me deixando completamente sem graça.
- Venha aqui, por favor, Bella.
Aproximei-me meio temerosa e Edward passou o braço em meu ombro.
- Pai, mãe...essa é Bella. E a nossa história vocês já sabem muito bem.
Depois Edward me olhou e sorriu.
-Bella, esses são meus pais: Carlisle e Esme.
Esme tinha os olhos cheios d’água quando me abraçou.
-Oi, querida. Que bom finalmente poder conhecê-la. Não imaginei a felicidade que foi quando Alice nos ligou e contou tudo.
- Obrigada, hã...
-Apenas Esme, meu amor. Como você está?
Olhei para Edward e não pude reprimir um sorriso.
- Maravilhosamente bem.
- Bella?
O pai dele se aproximou e me deu um forte abraço também. O que é isso? A família inteira era perfeita?
- Seja muito bem vinda à nossa família. Você e nossa neta.
- Obrigada, Carlisle.
Ele sorriu ao me ouvir tratá-lo com intimidade. Em seguida ele, Alice e Esme disputaram a Melaine. Esme sentou-se com ela no colo e os outros dois sentaram-se ao lado dela.
Edward segurou em meus ombros, girando meu corpo de frente para o dele.
- Bella, eu estava pensando uma coisa.
- O que?
- Precisamos encontrar seus pais.
Eu fiquei pálida e minha cabeça girou. Por que essa loucura agora?
- Por quê? Pra que ?
- Você ainda é menor de idade, Bella. E eu quero me casar com você. Somente viver junto não será suficiente pra mim.
- Mas podemos...
- Nem ouse dizer que podemos esperar até completar dezoito anos. Já esperei tempo demais.
- E como iremos descobrir? Nunca mais ouvi falar neles.
- Mais tarde, quando estivermos em nossa cama, conversaremos sobre isso.
Eu sorri com o simples fato de ele ter dito nossa cama. Agora, ao lado dele tudo era motivo para sorrir. Mas essa conversa que teríamos talvez não me agradasse muito. Eu não queria ver meus pais. Eles nunca me amaram.
Minha nova família, sim. Fui bem acolhida, bem aceita. Estavam encantados com minha filha. Passar por esse sofrimento de rever meus pais somente por essa causa nobre. Casar-me com o homem da minha vida. Aquele por quem fiz loucuras. Mas hoje eu posso dizer: Valeu a pena.
"Não és sequer a razão de meu viver, pois que tu és já toda a minha vida".(Florbela Espanca)

2 comentários :

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Anônimo
17 de maio de 2014 10:06 comment-delete

Legal

Anônimo
17 de maio de 2014 10:19 comment-delete

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