ALDE - Capitulo 13

Bella tentou passar o resto da semana sem se aproximar de Edward, falava apenas o necessário. Edward ignorou o fato dela não se dirigir a ele, não que não houvesse notado, mas tentava se manter equilibrado e longe dela, estava sendo mais fácil.
Bella convencia a si mesma que não havia feito nenhum mal a ele. Seus amigos diziam para desistir, insistiam em aconselhá-la, em dizer o que fazer quando ela só queria se livrar daquilo tudo e seguir seu coração que queimava pedindo a presença de Edward. Suas provas ocuparam um pouco sua mente e ela se sentiu aliviada por ter com o que se preocupar.
- Você deveria desistir de tentar conquistá-lo. É meio doentio insistir numa paixão que não virará nada além de... Paixão. – Explicou Jacob quando passavam pelas salas de astronomia.
- Você me conhece Jacob, sabe que não desisto fácil.
- Ele nem ao menos te procurou depois do incidente.
Bella não contou a Jacob sobre os sintomas de Edward, era algo dele e não poderia contar para ninguém com medo de magoá-lo.
- Ele não está tão a fim de você. – Disse Jacob abraçando a amiga pela cintura.
- Bom filme. – Brincou Bella. – Você não o conhece como eu conheço.
Jacob ficou de frente para a amiga e encarou seus olhos castanhos.
- Existe algo que eu deveria saber e não sei?
Bella coçou a cabeça e sorriu sem graça.
- Não.
- Mentira!Você coça a cabeça quando mente.
Bella franziu a testa e encarou o amigo.
- Você também esconde quem é sua namorada e eu não fico questionando.
Jacob passou a mão nos cabelos pretos curtos, desconcertado.
- Eu... – Bella apoiou o peso do corpo na perna direita e franziu o cenho. Jacob desviou o olhar receoso. – Olha, seu príncipe nada encantado.
Bella olhou para trás e viu Edward parado à porta da sala conversando com um professor, sorriu ao ver o seu Edward de sempre. O olhar perdido, o jeito nervoso de coçar a nuca, as mãos no bolso do casaco preto, as sobrancelhas juntas, tudo que admirava e amava nele.
Observou Edward debater algum assunto com o professor gesticulando demais e inquieto. Por fim o professor deu um tapinha no ombro dele e Edward sorriu como se houvesse ganhado o Oscar ou no caso dele o prêmio Nobel de astronomia.
De repente seus olhares se encontraram. Edward desviou o olhar e o imprevisível aconteceu, ele foi em direção a ela.
Não se aproximou muito com medo do magnetismo entre eles interferir no seu raciocínio.
- Você tem agindo de modo estranho ultimamente. – Afirmou desconfiado.
Bella sorriu, pelo menos ele havia percebido a sua mudança repentina.
- Você também.
- Pra mim é comum agir de modo estranho. Você é no mínimo questionável.
- Bella é aberta demais, sempre digo isso a ela. – Comentou Jacob, Bella lançou-lhe um olhar furioso e ele entendeu o recado. – Tchau amiguinha, tchau Edward.
- Aberta demais. – Repetiu Edward sorrindo para o nada.
- O que foi? – Perguntou irritada.
- Ele não contou nenhuma mentira. – Afirmou inocentemente.
- Continua o mesmo Edward irônico. – Edward permaneceu calado olhando para os pés,ela imaginou que havia se distraído com algo. – E então vai me dizer o que aconteceu naquele dia ou não?
Ele continuou distraído então Bella tocou no seu braço o assustando.
- Não foi minha intenção. – Desculpou-se cautelosa.
- Me assustar ou despertar esse assunto constrangedor? – Indagou intrigado. Por um momento olhou diretamente para Bella.
Edward evitava pensar no beijo, evitava pensar que poderia magoar Bella com a verdade. Era constrangedor ter que conversar sobre isso, mas tinha que admitir que era necessário esclarecer as coisas.
- Até quando você vai fugir do que existe entre nós?
- Eu não estou fugindo, quero esclarecer. Já admiti que quero você. Mas se você procura em mim algo mais do que amizade sinto dizer que se enganou.
Bella acompanhou tudo que Edward dizia sem piscar os olhos. Teve que admitir que ele estava certo, esperava demais dele. Talvez todos estivessem certos e ela que se enganava ao pensar que Edward seria dela. Edward era um homem de si mesmo, amava a solidão e tinha interesses específicos. Já ela amava a liberdade, se interava facilmente com as pessoas, adorava agitação e se estressava espontaneamente. Tinha que se conformar, ele não seria dela.
- Tudo bem Edward, deixarei você em paz.
Edward olhou-a incrédulo, não esperava que Bella desistisse tão fácil, não queria que ela desistisse dele. Tinha de admitir que amava o jeito expansivo e perturbador dela.Não queria perde-la, se afastar completamente dela,seria um espaço vazio na sua vida.
- Não!Não vá Isabella... – Ele gritou ao vê-la se afastar. – Por favor. Vamos manter a amizade porem sem beijos.
- Sem beijos? – Bella murmurou um inaudível “merda” – Tudo bem Edward, amigos. Sem beijos, só eu e você. – Sorriu docemente para ele.
Sentia necessidade de fugir dali e se refugiar em algum lugar longe de sua frieza. Nunca teria Edward como imaginava, suas esperanças se reduziram a zero em um passe de mágica.
Virou-se para ir embora, apara que Edward não visse a mascara que cobria seu rosto, afinal era apenas uma máscara, por dentro se sentia ferida, enganando a si própria.
- Isabella. – Ele chamou, Bella deixou escapar uma lágrima, mas a limpou com as costas das mãos antes de se virar.
- Sim?
Edward ergueu a mão trêmula para selarem o acordo, tornando a situação ainda pior para Bella.
- Amigos. – Ele afirmou. Ela apertou de leve sua mão, era frustrante tocá-lo daquela forma, tendo plena consciência do que sentia.
Os dois soltaram as mãos disfarçando o choque que atingia-lhes. Edward levou a mão até a nuca coçando-a e Bella colocou-a no bolso da calça jeans.
Cada um seguiu seu caminho, opostos como sempre. Podiam seguir caminhos diferentes, podiam continuar com suas vidas, mas não conseguiam apagar o que sentiam um pelo outro.
Edward escrevia um artigo cientifico sobre a natureza dos efeitos solares na atmosfera. Mal consegui se concentrar, a conversa com Bella perturbava sua mente o deixando furioso consigo mesmo. Lembrava de ter visto aqueles olhos tão alegres e brilhantes, tristes confundido ainda mais seus pensamentos. A última coisa que queria era magoá-la. Ele a queria por perto, mas seus desejos todos se embaraçavam quando se via diante de tanta vivacidade.
- O que você faz em casa? – Perguntou Alice se colocando atrás dele na cadeira.
- Eu moro aqui, esqueceu? – Replicou sem a mínima vontade de conversar com a irmã.
- Pra esquecer ela você ocupa sua cabeça com esses assuntos chatos. – Alice suspirou incomodada com a atitude dele. Tudo que Edward menos queria no momento eram conselhos de sua querida irmã, ainda mais sobre Bella. Já bastava sua confusão interna, os conselhos de Alice só o atormentavam mais.
- Alice – Grunhiu irritado sem tirar os olhos do artigo.
- Fala a verdade irmão. Pare de fugir. Não vai adiantar nada ocupar seu intelecto se seu coração a quer.
- A verdade é saia daqui porque quero terminar meu artigo. Edward escrevia artigos científicos desde os quinze anos, tinha cinco publicados em revistas especificas e isso o ajudou a ser aceito em todas as universidades que se candidatou.
- Eu vou encontrar meus amigos. É uma festa, sei que você não vai trocar seu artigo por uma festa.
- Enfim você disse algo coerente. – Respondeu vendo Alice sair não antes de aplicar-lhe um beijo estalado na testa, sem ao menos se preocupar com a marca de batom que ali ficara.
- Só pense no que eu te falei. – ele rosnou aborrecido e voltou a olhar para o monitor.
Ao invés de letras só via borrões e isso era um clássico sinal de que nada estava bem, precisava se concentrar contudo seu cérebro desobedecia o resto de seu corpo. Ela venceu, estabeleceu suas raízes e fixou-se em seu coração mas ele não queria se render, talvez fosse apenas uma questão de tempo, talvez o tempo fosse a questão.
- Esse é o problema, pensar demais.
Esse era o problema que o aturdia, era racional ao extremo. Uma saída de emergência, uma estratégia de defesa. As emoções eram deixadas de lado, ele queria sentir, mas todo o resto resistia. Travava-se uma batalha interna e ninguém sabia quem sairia vencedor. Acabou por dormir sentado, os braços envolviam a cabeça apoiada na mesa. Acordou com pescoço dolorido e espreguiçou-se várias vezes. Foi até o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes e depois foi tomar café manhã. Fez seu próprio café instantâneo e um sanduíche de queijo. Estranhou por não ver a irmã zanzando pela casa. Com caneca de café na mão se sentou no sofá da sala aproveitando o pouco tempo de paz que lhe restava, pegou um dos livros de relacionamentos de Alice e começou a ler a fim de entender mais do universo feminino.
Estranhou o conteúdo do livro, esforçava-se para entender o que mulheres como Bella viam em homens como ele. Edward olhava-se no espelho e não enxergava o homem atraente e bonito que realmente era, via apenas o seu lado ruim, se enxergava como um erro.
Era uma necessidade compreender o mundo de Bella, mas cada vez que ele lia um dos livros sobre relacionamentos de Alice, ou então as revistas sobre moda, beleza e comportamento mais se confundia vendo tantas imagens e palavras alienantes. Ele não era um jovem comum facilmente seduzido por um belo corpo ou pela indústria de consumo. Edward era seduzido pela beleza das palavras, pelo prazer que os números lhe proporcionavam, pelo brilho dos astros e das estrelas, pela sensibilidade das notas musicais. O mundo poderia girar,ele estaria assistindo mas não se moldando a ele.
Jogou o livro para o lado e deu um muxoxo. Já era difícil entender-se, compreender o todo quando via apenas as partes era torturante.
- Bom dia maninho. – Alice o cumprimentou envolvendo seus braços em volta do pescoço do irmão.
- Bom dia Alice. – Respondeu automaticamente.
– Olha só, eu vou pra academia com a Rose.
- Faça bom proveito. - Ah, claro que vou. Você com um corpo desses não precisa malhar. Você deveria se aproveitar da sua beleza, maninho. – Disse Alice enquanto tomava seu café.
- Não vejo beleza nenhuma. – Respondeu sério.
- Não é o que dizem as garotas da faculdade. Algumas me perguntaram até se você namorava a Bella.
Edward ergueu uma sobrancelha e olhou para a irmã assustado.
- O que foi? – Alice perguntou deparando-se com o olhar espantado do irmão. – Você é bonitão culpe a genética não á mim. Edward fez menção de se levantar sem tirar os olhos de Alice.
- O que você diz a elas?
- Agora você quer saber... – Edward cruzou os braços sobre o peito e olhou para Alice esperando uma resposta. – Digo para perguntarem a você.
Seus lábios tremiam assim como seu corpo, rangeu os dentes e rosnou de raiva.
- Você está me dizendo que a população absoluta da faculdade sabe que tenho certa afeição por Isabella?
- Sinto muito, o que posso dizer? – Alice replicou com cuidado. Toda calma de Edward se transformou em cólera. Tudo que menos queria era que soubessem dos seus sentimentos por Isabella, sentimento esse que nem ao menos tinha conhecimento.
- Maldição. – Esbravejou.
- Calma!Não tenho culpa. A Bella é popular na faculdade então surgem muitas fofocas com o nome dela. Não se importe tanto. – Alice disse tocando o rosto do irmão com a intenção de acalmá-lo.
- Eu não sou namorado dela. – Afirmou seguro.
- Eu sei e ela também sabe.
Lembrou dos lábios macios de Bella dominando os seus e do calor que emanava de sua pele.
- Será que sabe?
Perguntou-se dando um passo para trás defensivamente. Se antes tinha dúvida das intenções de Bella agora mais do que nunca precisava esclarecer as coisas para ela. Não poderia deixar as pessoas maldizerem sobre ele e Bella, pois não existia nada entre eles. Nada que ultrapassassem beijos os quais ele não conseguia esquecer.
- Preciso falar com ela. – Murmurou indo em direção a porta.
- Então vá. Mas não sei se é uma boa hora. – Ele virou-se e encarou a irmã com um ar questionador.
- Por quê? - Digamos que ela deve estar dormindo depois das besteiras que fez ontem.
- Besteiras? – Questionou ele esperando por explicações.
Ultimamente importava-se com Bella mais do que deveria. Alice sabia que Bella perturbava a mente do irmão a ponto de ele se preocupa com ela. Preocupação era algo normal, mas não quando se tratava de Edward Cullen.
- Não importa, eu vou falar com ela. – Concluiu revirando os olhos e indo até porta.
Tudo que mais queria era falar com Bella e resolver essa situação que o aturdia tanto.
Ao sair encontrou Rosalie no corredor com roupa de malhação e os cabelos presos, mas Edward estava preocupado demais para notar isso. Cauteloso como sempre cumprimentou Rosalie que o olhou surpresa.
- Bom dia Edward.
- Bom dia Rosalie. – ele coçou a nuca e olhando para o chão teve coragem de fazer a fatídica pergunta. – Sua irmã está em casa?
Rosalie franziu a testa, Edward procurá-la era no mínimo surpreso . Sabia o quanto Bella corria atrás dele, tanto que havia dado conselhos à irmã para parar de seguir o garoto, mas Bella era persistente demais.
- Sim, ela está. Acabou de acordar, pode entrar. – Rosalie se afastou do caminho dando espaço para Edward entrar no apartamento.
- Obrigado Rosalie. – Agradeceu um pouco envergonhado.
Nunca havia estado no apartamento de Bella antes, por isso prestou atenção em cada detalhe ao entrar no território desconhecido. Havia uma televisão de vinte e nove polegadas na parede da sala, sofá de couro marrom em frente, vários filmes e jogos numa estante e uma poltrona com estampa de zebra ao lado do sofá, o que mais lhe chamou a atenção foi o Nintendo wi abaixo da TV, Edward era apaixonado por vídeo games. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça de moletom cinza e caminhou vagarosamente pela casa.
De repente ouviu uma música calma e tranqüila vinda do corredor. Completamente atraído e curioso se viu andando pelo corredor para descobrir de onde vinha aquela música. Era como se ela o chamasse, viu-se preso ao encanto da música, exprimia tudo o que ele sentia, continha todo seu sentimento desaguado em acordes.
Quando percebeu de onde vinha a música foi tomado por todo o fascínio de Bella. A garota se encontrava sentada na cama curiosamente baixa, com o violão apoiado no calo mas sem tocá-lo,apenas apreciando a suavidade dos acordes.
De olhos fechados Bella decorava cada acorde da música como se exprimisse tudo o que sentiam um pelo outro.
Spanish Romance - Guitar
Parou na soleira da porta do quarto de Bella, mas nem ao menos prestou atenção no lugar. A garota de olhos fechados e boca semi aberta o prendera por completo. Seduzido pela música que fluía não quis interrompe-la. Seus olhos passeavam pelo rosto dela. E então ele percebeu o porquê de adorá-la tanto.
Ao acabar a música fez questão de aplaudir não a melodia e sim a beleza dela ao ouvir. Permaneceu encantado, extasiado, envolto pela nuvem de encantamento.
Bella sorriu corando violentamente.
- Olá. – Cumprimentou ela surpresa assim como sua irmã. Largou o violão na cama e esperou Edward falar algo.
Edward esqueceu do porque estava ali.Sua função se resumiu a adorá-la.
- Bem vindo ao meu refúgio. – Completou ao perceber que ele nem ao menos se mexeu.
- Que música é essa?
- “Spanish Romance”.Nunca consigo tocá-la,me contento em ouvi-la.
- Eu gostei. – ele respondeu sorrindo timidamente.
- É, mas não era eu que estava tocando,era o CD player.
- Ah, claro. – Ele respondeu tentando disfarçar o efeito que Bella causou.
- Entra. – Convidou ela um pouco desajeitada com a bagunça que era seu quarto. Dias atrás prometeu a si mesma arrumar seu quarto,porém a preguiça a venceu. Havia roupas espalhadas pelo chão, caixas de chocolate vazias na escrivaninha junto com livros de psicologia e seu Mac book preto sufocado por tudo isso. As únicas coisas que permaneciam no lugar era a guitarra encima da poltrona de couro e o mural com as fotos e lembranças dos amigos e familiares.
- Seu quarto cheira bem. – Refletiu ele gravando todos os cantos do quarto.
- Essa é a ultima coisa que eu esperava ouvir de você – Afirmou Bella sorrindo. Edward costumava ser crítico ao extremo com relação a ela e tudo que fazia.
- Você está de pijama. – Reparou ele olhando para a camiseta velha e a calça surrada que Bella usava.
- Desculpe, se soubesse que você vinha teria posto um babydoll bem curto e teria feito croissants para o café da manhã.
Edward ergueu as sobrancelhas, não havia prestado atenção em nada do que Bella disse.
- O quê?
- Nada... – Respondeu levantando da cama.
- Sua cama é baixa.
- Feng Shui. – Disse indo até o CD player e desligando-o.
- O quê?
- Feng Shui na verdade é uma corrente de pensamento chinês muito utilizado na decoração para harmonizar o ambiente, coisas da Rose. – Disse revirando os olhos procurando uma roupa limpa pelo quarto.
Ao se abaixar percebeu as conseqüências da bebedeira da noite passada, sua cabeça doía assim como o corpo todo. Pensou que não havia dia pior para Edward chegar.
- O que te traz a meu quarto?
Perguntou lembrando a Edward o verdadeiro motivo de estar ali tão perto no território da garota que o deixava sem reação com apenas um olhar.
- Temos que conversar.
- Já ouvi isso antes. Se fossemos casados eu pediria divórcio por excesso de diálogo. – brincou Bella.
- Se fossemos casados certamente não seriamos casados, pois não há possibilidade de casarmos.
Ela olhou para ele confusa franzindo a testa, sem entender aonde levava seu raciocínio.
- Olha, vou me trocar,colocar uma roupa confortável,tomar um café forte e depois conversamos ok?
- Esperarei lá fora.
- Ótimo. – Disse incomodada com a falta de humor de Edward. Se pudesse escolher certamente não se apaixonaria por ele, porém escolheu o pior caminho, teria que aceitar e desviar das pedras presentes nele.
Enfim encontrou uma roupa limpa e agendou mentalmente uma ida a lavanderia, vestiu uma camiseta listrada e um short cinza claro.
Seu desejo por um café forte ansiava a cada momento então foi até a cozinha, precisava curar a ressaca que ainda dificultava seu raciocínio.
Tomou café na caneca do Boston Red Sox que havia ganhado do pai, um torcedor fanático do time. Aos sábados Bella ia como o irmão e o pai assistir aos jogos em um daqueles bares de esportes. Charlie apostava o placar do jogo com os filhos e quem mais se aproximava ganhava quinhentos dólares, Bella tinha sorte na maioria das vezes.
- Saudades de ver os jogos de basebol com o meu pai. – Suspirou nostálgica olhando o símbolo dos Red Sox estampado na caneca.
- Você gosta de basebol ? – Perguntou Edward perambulando pela sala.
- Meu pai é fanático pelo Red Sox, desde pequenos fomos acostumados aos esportes. Quer dizer, eu e o Jasper porque a Rose tem horror. Sempre que tem jogos me junto aos garotos para assistir em algum bar.
- Seu habitat natural. – Brincou ele virando-se de costas pra ela.
- Obrigada Edward. Depois do sem beijos de ontem essa foi à melhor cortada do dia.
- Cortada?
Bella quando bebia era atingida pelo mau humor matinal que á fazia ficar na cama ouvindo música e dormindo o dia todo. A visita de Edward não só destruiu seus planos como também a preocupou. O tom de “precisamos conversar” dele não foi nada amigável, foi bem pior do que o sem beijos da manhã passada. E foi a conversa da manhã passada que a fez dançar encima de uma mesa depois de várias doses de vodka e derivados, e sentar no colo de um dos caras da fraternidade o qual nem lembrava o nome. E foi a ressaca que a fez reparar logo pela manhã no vazio que era sua vida.
- Cortada é um tipo de ofensa que irrita as pessoas.
- Você está irritada agora? – Perguntou ele virando-se para olhá-la.
Edward agradeceu por estar na extremidade oposta a de Bella.
- Sim. Mas o que você quer aqui afinal?
- Explicações. Alice me contou que algumas pessoas sabem sobre nós.
Bella revirou os olhos, não ligava para fofocas com o seu nome, era vítima constante delas. Mas Edward não parecia estar acostumado ao seu mundo.
- O que você quer que eu diga?Nós não temos nada e você deixou bem claro ontem. Não posso calar as pessoas Edward. – Explicou comprimindo o nervosismo acumulado dentro de si.
Edward olhou para Bella desconfiado, ele gostava dela porem tudo era posto á prova pelos seus instintos. Ele desconfiava de toda e qualquer intenção dela seja qual fosse. Mas Bella não ganharia nada contando sobre eles para a faculdade inteira, faltava ele se convencer disso.
- Se você não confia em mim, acho que nossa conversa termina por aqui. – Disse ela firmemente. Doía saber que ele não confiava nela, logo o garoto por quem se declarou completamente envolvida e apaixonada. A mágoa dificultava ainda mais seu raciocínio, tudo que ela queria era expulsar Edward da sua casa, pois seria difícil expulsa-lo do seu coração.
- Eu não confio na minha percepção em relação a você. – Explicou ele deixando-a mais confusa ainda, preferia que Edward saísse por aquela porta antes que dissesse algo que pudesse se arrepender depois.
- Ótimo. Agora dá para você ir, tenho alguns problemas para resolver.
Você é um deles, pensou em dizer, mas guardou para si.
- Tudo bem. Eu vou indo.
Bella virou-se de costas, cruzou os braços sobre o peito e apoiou o peso do corpo na perna esquerda.
Ouviu a porta ranger e se abrir. Seu coração foi tomado pelo remorso, não poderia deixar Edward partir daquela forma.
Os conflitos se tornaram constantes entre eles e Bella queria aproveitar o tempo com ele, aproveitar que Edward foi até ela mesmo que fosse por uma besteira, deveria significar que não havia mais medo, seu vetor agora era a desconfiança.
- Edward – Chamou esperando que ele a ouvisse.
- O que é agora Isabella?
- Eu quero que fique. Quero que passe o resto do dia comigo, se você não tiver nada melhor para fazer, é claro. – Disse virando-se para olhar a expressão surpresa do amigo.
- Mas você está irritada. – Ele disse coçando a cabeça. – Eu não quero te deixar irritada.
Bella aproximou-se dele com cautela tirando a mão que estava em seu cabelo e entrelaçando com a sua.
- Eu quero que você fique. Por favor. Eu não quero te magoar. Mas essa situação toda me magoa, por isso quero que fique só assim irei me acalmar. – Edward apertou o nó entre os dedos deles e encarou o chão.
- Você é muito contraditória sabia?
- Há problema em ser assim?
- Só se pode escolher um lado Isabella.Só há um lado o qual recorrer.
- Tudo tem dois lados, eu gosto de variar.
- Sua variância me confunde. Nunca sei como agir com você.
Bella abaixou sua mão e desvencilhou-a da dele. Quanto mais queria ele mais tomava consciência do risco que corria pelas personalidades tão opostas. Temia que Edward manifestasse alguma crise quando estavam juntos.
Sabia que estava sendo egoísta, mas já não conseguia não ficar perto dele. Agora só queria cuidar e ficar perto do seu mais novo amigo, protegê-lo do mundo, contudo não podia fugir das antíteses da vida.

0 comentários :

Postar um comentário