AI - Capitulo 12

Capítulo 12 – Ensina-me a Lutar
Itália
“Qual é o problema dela?” Marcus vociferou frustrado na cama.
Já fazia uma semana que ele estava preso naquele lugar imundo, deixado a sua própria mercê, afinal Aro e Caius não se dariam ao trabalho de tirar o sócio DELES de um seqüestro pela máfia russa.
Seu plano de conquistar a bela loira russa fora água abaixo, porque ela sumira para alguma viagem e nenhuma outra mulher influente o visitava. Talvez informadas do grande poder de sedução dele.
Talvez nenhuma ínfima mulher rondasse aqueles corredores!
Mas mesmo quando ela estivera ali por uma ou duas vezes, a formosa Roza nunca mostrara algum fascínio por ele, muito pelo contrário.
Mas Marcus a domaria! Ah se iria! Afinal, todas querem Marcus!
Aquele bordão idiota tinha um motivo para existir afinal.
Do outro lado do esconderijo, Roza acabava de chegar ainda com a mala na mão.
“Que calor...” Ela gemeu retirando o lenço de seda de volta do pescoço. Verão na Itália seria bom, se ela estivesse ali para turismo, claro. Até as noites eram quentes! Quando se tinha que ficar andando de um lado para o outro, cuidando de assuntos chatos, o calor era bem dispensável, obrigada.
Afinal, ela gostava de calor, e a Rússia não era um país tropical nem temperado. Frio e temperaturas amenas quase o tempo todo. E ela não era o tipo de mulher que gostava de rotina.
Mas também tinha que cuidar de seus negócios, incluindo viagens internacionais, o que esgotava todo seu tempo e pelo menos cuidava da parte “mudando de paisagens.”
Na cozinha ao lado da sala, Dimitri, um dos membros da máfia, mexia a bunda de um lado para o outro ao som Mc Hammer.
Música: MC Hammer - U Can't Touch This
(link seguro!!!)
http://www.youtube.com/watch?v=otCpCn0l4Wo&feature=related
Sua mão deslizava por entre as embalagens de vinho, procurando por um bom adequado.
Ele queria levar talvez algo mais interessante ao gatinho italiano, embora este fosse muito idiota, ele tinha que admitir.
Homens idiotas não faziam seu feitio, mas ali no meio do nada...
Foi quando com um “A-HÁ!” escolheu um bom vinho (ironia: italiano) e o pegou, na esperança que ele pelo menos amaciasse o coração do prendido.
Foi quando ouviu a porta se abrir e Roza chegar da viagem.
“Roza!” Dimitri disse surgindo em uma porta com toda a potência de seus quase dois metros, sua longa cabeleira loira, calça apertadíssima, segurando uma garrafa de vinho.
“Bom Giorno!” Ela disse ironicamente abraçando-o. Desde que conhecera Dimitri, ela tivera uma pequena queda por ele... Mas não valia a pena. Negócios primeiro.
Além do que a fruta do brutamonte não fosse bem... “Elas.” Na verdade, a história era bem mais complexa. E não conseguia pensar como tudo se transcorrera... E nem onde conseguira uma calça feminina apertadinha que cobrisse todos os 1,50m de pernas.
Ele se afastou dela olhando-a de corpo inteiro, fazendo um estalo com a boca.
“Como estão nossos amigos americanos?”
Ela rolou os olhos. “Consumistas e perfeccionistas como sempre.” Ela disse naturalmente. “Onde está Lênin?”
“Voltou para Moscou.” Dimitri achava que ele não queria ficar muito em sua presença, não depois que ele deu aquela piscada infalível para o “chefinho”.
Ele suspirou sonhadoramente. Seria tão bom namorar um mafioso... Mas por todo o caso tinha um belo italiano idiota preso ao lado do seu quarto.
“E como está nosso amiguinho?” Perguntou deixando sua mala no canto.
“Está lá... Mal-humorado.” Rolou os olhos. E então se lembrou do vinho em sua mão.
“Ótimo.” Ela riu.
Dirigiu-se então ao outro lado da casa e abriu a porta, onde se encontrava o mafioso.
Ele estava deitado com as mãos cobrindo o rosto e parecendo estressado e tenso.
Ela sorriu.
Ia fechando a porta, quando o homem tirou as mãos dos olhos e a olhou.
Mas ela já fechara a porta.
Então ele começou a bater na porta, chamando-a.
“Ei! Ei! Tesoro!”
Ela sorriu torto enquanto se distanciava. Era só para ele saber que ela estava ali.
Maryland. EUA.
Bella não queria acreditar. Não que ela não queria... Tecnicamente, ela não podia.
Como alguém como o general: monstro, rude, insensível, desprezível, arrogante, estúpido, provocador poderia ter... Alguém?
Por que estava na cara que aquela linda mulher era algo dele.
Namorada? Noiva? Esposa?
Bella gelou.
Será que o general tinha esposa?
Não... Ele morava no quartel como general responsável pelos novatos. Que mulher aturaria um marido ausente o tempo todo?
Mas a ideia era quase... Incrédula.
Ela nunca imaginara o general com alguém. Amando. Presenteando. Sendo gentil. Educado. Atencioso... Sorrindo.
Bella tinha certeza que a mulher que conseguisse arrancar um sorriso daquele homem, seria a mulher que conquistaria verdadeiramente o seu coração.
Rindo consigo mesma, Bella percebeu que aquele momento era impossível de acontecer.
Os treinamentos de exército estavam cada vez mais rigorosos. Bella se surpreendia com o aumento de sua capacidade nos exercícios.
Estava mais hábil, mais forte e mais voraz.
Nem mesmo o general poderia criticar seu desempenho, se bem que durante os últimos dias ele nem sequer a havia olhado e nem humilhado ou feito nada.
Depois da cena do carro, ela nunca mais ficara a um espaço pequeno dele.
E isso era bom. Para sua integridade, mas péssimo para o que pretendia.
“Está muito bem, Evans.” McCarthy aplaudiu, logo quando Bella terminou a seqüência de exercícios em um ótimo tempo.
Ela sorriu e procurou o general Cullen com o olhar.
Para jogar um olhar superior e dizer que ela era boa, sim, obrigada.
Mas não o achou em nenhum lugar a vista. Abaixou a cabeça e continuou a seqüência de exercícios.
Só o viu na hora do almoço, quando todos os novatos se posicionaram no pátio central para um pronunciamento.
Todos estavam em posição de sentido e logo os generais Cullen acompanhado de McCarthy se aproximaram de todos.
“Boa tarde.” Cumprimentou Cullen automaticamente, nem sequer esperando por uma resposta. “Como vocês bem notaram. De cinqüenta, somente quinze restaram. E daqui para frente muitos outros.”
O ar ficou tenso.
Então McCarthy pediu a palavra:
“Como foi dito no começo do ano, todos os anos temos o campeonato de boxe entre os novatos, subordinados, coronéis, generais, e até alguns funcionários da NSA.”
Ouvi um burburinho de contentamento.
“A sala de treinamento está aberta para quem quiser... O campeonato ocorrerá em Julho. Daqui três meses. Preparem-se. SENTIDO!”
Todos obedeceram a ordem e logo foram dispensados.
Naquele dia Bella ajudou Alice na enfermaria em seu horário habitual.
“Com os treinamentos para o campeonato isso aqui vai lotar!” Alice riu.
Bella sorriu nervosa.
Pelo jeito ela faria parte das pessoas que lotariam a enfermaria.
Caminhando depois do seu expediente pelos corredores, não conseguia tirar da cabeça a imagem de vários dias da mulher linda e o general entrando no quartel.
Mas logo abanou a cabeça tentando eliminar aqueles pensamentos. Ela já tinha demais com o que se preocupar.
Então ouviu os passos agitados de Jasper atrás de si.
“Claire! Claire!”
“Que foi?” Suspirou.
“É melhor você não ir treinar agora.” Ele disse parecendo alarmado. Há algum tempo Jasper percebera que Bella não se bicava com o general Cullen. Finalmente!
“Eu sei Jasper.” Continuou andando, ignorando.
Ele persistiu.
“Não, você não sabe quem está lá...”
“Eu sei Jasper.” Repetiu cansadamente enquanto continuava andando.
“Sabe?” Perguntou confuso, franzindo a testa. “E você vai lá do mesmo jeito?”
“Deixa-me em paz, ok?” Respondeu bruscamente.
O menino se encolheu.
“Ok, certo...”
Bella então foi dominada por um sentimento de... Culpa?
INFERNO! Ela não costumava ser sempre tão sentimental assim.
“Desculpe Jasper... Eu só... Estou com problemas demais na cabeça, tá?”
“Ok, não se preocupe com um filho de um pai como eu...” Ele olhou para os pés, mordeu os lábios e saiu.
“JASPER!” Chamou, mas ele já havia dobrado o corredor.
SACO! Bella fungou internamente.
Só essa lhe faltava agora.
Continuou caminhando pelo corredor e cada pensamento que teve seria um motivo para ela parar, dar meia volta e partir, mas mesmo assim, continuou:
“Você não está apta a pertencer a NSA.” Ele disse, criticando-a.
“Você não me conhece.” Ela retrucou, sentindo um enorme peso nos ombros.
“Não?” Arqueou a sobrancelha.
“Ninguém conhece ninguém.”
“Talvez eu reconheça uma fracasso de longe, novato.”
[...]
“Talvez você seja velha demais para isso. Talvez seja hora de deixar pessoas que realmente querem e consigam entrar, entrarem.”
[...]
“É assim que pretende defender o nosso país? Você continuaria nesse ritmo se fosse para defender sua vida?” O general ponderou com a voz severa.
[...]
O general pegou o bastão preto que sempre carregava consigo e com um movimento só, sem tempo de reação, desferiu um golpe no estômago de Bella.
[...]
“Gosta de boxe então, novato?” Ele perguntou.
“Gosto.” Bella respondeu com o máximo de dignidade que conseguira achar.
“Pois então assista, pois lutar é impossível para você.” E assim ele entrou na sala, deixando uma Bella perplexa e de boca aberta no umbral da porta.
[...]
“Por quê?” Ela pressionou. Ele desviou um rápido olhar para ela.
“Por que você não conseguiria lutar.”
“Só por que sou mulher?” Ela estava perdendo as paciências. “Existem outras mulheres aqui.”
“Porém mais fortes e mais capacitadas... E jovens.”
[...]
“Lutar... Com você?”
“Claro.” Ele então agachou e passou pelos fios do ringue. “Ou você tem medo?”
[...]
“Novato.” O general virou-se para ela, impassível como sempre. “Pegue suas coisas.”
“Mas esse é meu quarto!” Protestou.
O general Cullen a olhou firmemente. “Quem é o general aqui?”
[...]
“O que a fez pensar...” Ignorou o comentário dela, enquanto caminhava em sua direção analisando a sala, como se nunca houvesse a visto. Aqueles passos falsos, mas ao mesmo tempo firmes, lhe causavam calafrios. “Que poderá se tornar boa o suficiente para entrar em um campeonato com profissionais, treinando sozinha?”
Com aquelas lembranças lhe saltando a mente, ela parou de frente a enorme porta de madeira e já conseguia ouvir o barulho característico de socos desferidos em seqüências rápidas e precisas. Suspirou.
-
-
Edward estava com a cabeça inundada de pensamentos. O estresse estava o atormentando e até Alice enchia o saco.
Ele tinha quase trinta anos e estava bem seguro de si, obrigado.
A única maneira que ele achava para se descontrair e esquecer-se das coisas era o boxe.
Seus socos eram precisos e ritmados contra o saco vermelho dependurado no teto. O suor escorria por seu peito desnudo chegando até seu short azul.
Cada vez ele ia mais forte. Quando vinha o cansaço, aumentava mais o ritmo querendo quebrar barreiras e ultrapassar limites.
Os músculos de seus braços e abdômen se contraiam a cada investida e uma dor característica desconfortável surgia, mas ele ignorava.
“Argh...” Resmungava enquanto continuava com a seqüência.
Estava concentrado no saco como se fosse o seu maior oponente, o seu maior inimigo.
Ele recebera notícias boas ultimamente, mas se sentira frustrado ao saber que ainda teria que esperar um bom tempo.
Quando já havia se forçado demasiadamente, com um último forte soco endireitou as costas e esticou o braço até o ringue para pegar a garrafa de água que depositara ali, quando pelo canto do olho viu a figura do novato.
Ignorou-a e bebeu metade da garrafa, fechando com a tampa, e logo se virando em direção ao bob.
Ouviu o novato bufar.
Ele continuou ignorando.
Tirou as luvas e se concentrou nos chutes com os pés.
Talvez o novato fosse embora e o deixasse em paz. Não estava a fim de lidar com crianças hoje.
Mas logo ela estava ao seu lado encarando-o.
Ele continuou a ignorá-la.
Bella usou de todo seu autocontrole para não dar meia volta e ir embora dali. Se a situação estava difícil, o general Cullen dava um jeito de torná-la ainda mais!
Respirou fundo, e não pode deixar de observar como o general era realmente... Realmente forte.
Parecia que era incrustado de músculos, e força.
Bella desviou o olhar de sua seqüência de chutes muito bem feitos, então em um ato impensado segurou no braço musculoso do homem.
O general parou os movimentos e totalmente rígido encarou Bella com ódio no olhar.
Ela tinha coragem de tocá-lo?
Ela notando seu olhar ameaçador, logo afastou as mãos e disse:
“Eu aceito.”
Ele arqueou a sobrancelha.
“Aceita?”
Ela suspirou. Sabia que não seria fácil. Ele a faria dizer com todas as palavras. Só para humilhá-la. Maltratá-la.
“Eu. Aceito. Ser. Sua. Aluna.”
Ele então surpreendendo a ela, virou-lhe as costas e foi para o outro lado da sala.
Bella bufou e mais uma vez teve que apelar ao bom senso de permanecer ali.
“Você disse que me treinaria!” Gritou ainda no mesmo lugar.
“E eu lembro que recusou.” Ele respondeu pendurando as luvas em um cabide na entrada.
“Eu... Eu...” Engoliu em seco. “Mudei de idéia.”
Ele parou no lugar onde estava e ela o viu analisando com os dedos a cadeira, pensativo.
Sua respiração estava pesada, esperando pela resposta do homem.
Internamente ela ansiava que ele rejeitasse...
“Serei seu treinador.” Disse se virando e cruzando os braços de encontro ao peito. Mesmo com um ringue separando-os, Bella conseguia sentir o ar tenso a envolvê-la.
“O-obrigada...” Começou. Talvez um pouco de educação o fizesse amolecer?
“Até que você é um pouco esperta.”
Bella paralisou.
Seria aquilo um elogio da parte dele? Vindo do general, aquilo era realmente um avanço e...
Ele então pegou uma camiseta branca da cadeira a vestiu e antes de sair da sala, resmungou:
“Mas ainda não o bastante.”
E saiu.
“É...” Bella suspirou cansadamente. “Quem disse que seria fácil, mesmo?”

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