TCS - Capitulo 24


Capítulo 24.




Pela minha voz ele percebeu que algo aconteceu.

- O que houve com Hazel?
- Jane o levou. Foi um caos, ela nos desprevenidos. Uma amiga da Bella morreu, for transformada...
- Não importa. Hazel está com ela?
- Sim.
- Chego na sua casa hoje antes do amanhecer.

O telefone ficou mudo. Era tudo que eu não queria. Lestat em Forks. Bella me olhava sentada na cama e estiquei minha mão para ela.

- Vamos lá embaixo...

Chegamos na sala e me sentei perto de meus irmãos.

- Lestat está vindo.
- Jura?
- Não vejo nenhum motivo para comemorar Alice...
- Eu vejo... e daí que a boboquinha morreu? Lestat aqui? Vai fazer greve mesmo, Emmet?
- Chega, Rose!
- Edward...

Jasper me olhava pensativo.

- O que tem em mente? Como vamos achá-lo?
- Não se preocupe Jazz... isso é com o Lestat.

Isso seria briga de gigantes. E eu estava de saco cheio de tudo. Queria mais era passar o dia todo olhando para o teto. Bella estava no sofá de cabeça baixa, com um óculos na mão. O óculos de Hazel. Ela me olhou chorando.

- E se ele não voltar?

Emmet correu e a abraçou. Era um gay mesmo...

- Ele vai voltar cunhadinha... ele vai.


A porta do quarto de Angie fez barulho e James saiu lá de dentro. Ele juntou-se a nós. Seu rosto era de cansaço e seus olhos vermelho-sangue.

- Como ela está?
- Vai ficar bem. Ainda não acordou, mas já ganhou nossa força.

Ele se sentou exausto do meu lado. Olhou para Edward.

- Sobrou sangue das garrafas?
- Não...

James parecia faminto.

- Vocês beberam tudo? Mas eu trouxe três garrafas!
- Estavamos tensos...

Ele jogou a cabeça para trás e se abriu no sofá.

- Vamos indo Jazz?
- Melhor mesmo...
- Com certeza,foi muito barraco para um dia só...

Alice, Jazz e Rose se levantaram e caminharam até a porta. Emmet chegou do lado de Jess.

- Depois marcamos nosso encontro...

Ele falava sério mesmo? Bem, não sei, mas Jess sorriu e quando todos eles saíram, ela gritou.

- Obrigada meu pai!

OMG, só loucos...

- James, quer dar uma volta? Sair para caçar?
- Não Cu... quero estar aqui quando ela acordar.

Edward torçeu a cara e veio resmungando, sentando-se entre eu e James.

- Não creio que eu vou fazer isso, mas...

E nem eu acreditei quando o vi esticar o braço para James. Como as coisas mudam né?

- Cu, não vou beber seu sangue...não quero virar emo.
- Cala a boca sua barata de merda.

James revirou os olhos e pegou o braço de Edward, mordendo o pulso dele. Edward travou o maxilar como se sentisse dor. E então logo depois James parou e levantou a cabeça, sem os olhos vermelhos.

- Pode me chamar de mestre agora...
- Vai se fuder Cu!

Edward riu e levantou, me puxando pela mão.

- Preciso ir para casa... Lestat chega amanhã. Vai ficar bem?
- Vou... mas me deixe informada das coisas...
- Pode deixar, te amo!
- Eu também.

O beijei, passando a mão pela sua nuca e subindo para seus cabelos que eu tanto amava. James levantou e veio até nós.

- Boa luta Cu...
- Foi bom lutar ao seu lado também.

Eles apertaram as mãos e Edward foi embora.

- James, eu posso vê-la?
- Claro.

Fui com ele ao quarto de Angie e a vi deitada, imóvel, como se estivesse dormindo. Porém, sem respirar. Seu rosto era pálido que nem o deles e suas feições ganharam novas formas, mais finas, como se fossem lapidadas.

- Ela está...
- Vampira.

Eu engoli seco. Não sei se me acostumaria com Angie assim.

- Quando ela vai acordar?
- A qualquer momento. O processo de transformação já acabou.

Ela nos ouve?

- Não... e como se ela estivesse num sono profundo.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Você acha que Hazel... ele vai voltar?
- Conhecendo Lestat, eu tenho certeza.

Fiquei um pouco mais tranquila.

- Vou dormir... se precisar de algo, me chame.
- Pode deixar.

Voltei para o quarto e desabei na cama. O cansaço era demais.



Eram 7 horas da manhã quando meu celular tocou e eu atendi.

- Edward, estou chegando.
- Lestat? Oh, ok. Onde você está?
- Entrando na sua rua.

Merda! Como assim? Já?

- Tudo bem.

Desliguei e saí correndo pela casa.

- Se aprontem imbecis, Lestat chegou!

Vi um corre-corre para lá e para cá e tentei não perder tempo com meus irmãos. Abri a porta de casa para esperá-lo. Vi uma limusine preta vindo lá longe. Quem seria, né? Limusine em Forks era algo tipo... duendes. Você acha que existe, mas nunca viu.

- Cadê?
- Calma Alice... menos.
- Oh, ele vem de limusine...
- Alice!
- Ok, parei.
- Estou gostosa?

Olhei para trás e vi Rose usando um macacão de couro vermelho. OMG.

- Para um prostíbulo sim.
- Bem, se for ele a me prostituir, está valendo.

Nojento. Vomitante. Mulheres. O carro se aproximava e agora eu via a estrada atrás dele. Percebi que ele não estava só. Céus, ele trouxe um... exército? Atrás da limusine preta, tinha uma fila de carros também pretos. A limusine parou na entrada da casa e eu pude contar por alto quantos carros chegavam atrás. Até o momento em que Lestat saiu do carro, eu tinha contado 15 carros pretos.

- Uau!

Emmet não conseguiu pronunciar mais do que isso. O motorista saiu e abriu a porta. Lestat desceu do carro, vestindo capa preta de seda e óculos escuros. Ele podia tentar não chamar tanta atenção.

- Edward.
- Lestat.
- Sou Alice, sua fã! Nossa, eu te amo demais!

Ele inclinou a cabeça de lado para olhar a baixinha e tirou os óculos.

- Me ama?

Ela balançou a cabeça e eu lia em sua mente uma vontade incontrolável de abraçar ele.

- Pelo menos alguém na família Cullen me ama...
- Edward não quis me levar na viagem!
- Não brinca? Edward é antipático... mas meu castelo está de portas abertas para alguém tão encantadora como você.

Ela sorriu de quase quebrar a boca e eu li sua intenção.

- Alice! Não!

Ela parou o gesto pela metade.

- Lestat não gosta de ser tocado sem que permita.
- Oh.
- Não por uma dama tão linda, Edward. Ela pode me tocar à vontade...

"Vou matar esse cara. Vou matar esse cara" (Jasper)
"Posso tocar muitas coisas para ele..." (Rosalie)
" Que viadinho... não gosta de ser tocado..." (Emmet)

"Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh" (Alice)

Ela pulou em cima dele quase jogando-o no chão. OMG. OMG. Alice o beijou na boca.

"Morra"

OMG. Eu segurei Jasper no ar enquanto ele tentava avançar em Lestat. Que já tinha percebido o ataque e já estava em posição de briga.

- Mantenha-o longe, Edward.
- Jasper! Controle-se.
- Jazz... foi sem querer amor...

Lestat tinha um sorriso cínico no rosto. Rosalie andou até ele, rebolando. Nojento.

- Pode me seduzir que eu deixo... e Emmet não vai atacá-lo, pois ele já me traiu, sabe?

Lestat me olhou confuso.

- Vocês tem sérios problemas... calem-se!

Parece que com o grito dele todo mundo resolveu ficar quieto. Ainda bem, eu não agüentava tanta tietagem.

- Sua casinha... é espaçosa?
- Bastante.
- Certo.

Ele levantou a mão e estalou os dedos. Então me dei conta de que os 15 carros não eram mais 15. Agora eram 20. Todas as portas se abriram e de cada carro saíram 4 vampiros. Lestat passou por nós e entrou em minha casa, com seus 80 homens o seguindo. Eu entrei quando todos já estavam lá dentro.

- O que é... isso tudo?
- Você achou que eu fosse caçar sozinho?
- Venham comigo, por favor.

Achei melhor subir para a sala de reuniões. Pois aquela gente toda estava amontoada na sala. Abri a porta e mandei entrarem. Ali era bem mais espaçoso. Lestat cruzou as mãos na frente do corpo.

- Vamos aos fatos... tem quantas horas aproximadamente que Jane pegou Hazel?
- Já devem ter pouco mais de dez horas.
- Seguiram algum rastro dela?
- Não deu. Estava mais ocupado com uma garota morta no meio da rua.
- Certo. Ela foi em qual direção?
- Norte. Aparentemente. Mas pode ter sido para despistar.

Ele se virou de costas para mim, ficando de frente para seus pupilos.

- Jane Donovan, caçadora de recompensas, baixa, magra, cabelos longos e escuros. Creio que todos saibam de quem se trata. Quero uma localização dela até hoje de noite. Vocês tem... (ele olhou o relógio) exatamente 12 horas para me darem notícias.

Seus pupilos balançaram a cabeça e saíram calmamente da sala.

- Pode me explicar isso?
- Eles? Rastreadores. Os melhores.
- Uns cinco não eram suficientes, não é?
- Não.

Eu não ia discutir.

Ele sentou em uma cadeira e me olhou sorrindo.

- Então, enquanto eles não voltam para eu começar a brincadeira... o que tem de bom para se fazer aqui?
- Aqui? Nada.
- Edward... seja bonzinho. Eu sei que temos uma universidade bem perto daqui.
- O que você quer lá?
- Pense.
- Não quero carnificina na minha cidade.
- Quem falou em carnificina Edward? Você é muito tenso! Eu só quero sexo...

Uma loira de vermelho entrou na sala rebolando.

- Não pude deixar de ouvir... caso queria saber, hoje de noite tem uma festa por lá.
- Rose, não acho que ele queira ir a uma festa enquanto procura por Hazel.

Lestat se levantou e andou até a loira maldita. A olhou nos olhos.

- Talvez seja uma boa idéia... e eu posso me preocupar melhor com Hazel, depois de estar saciado.
- Então, nós vamos a uma festa?

Ele me olhou rindo.

- Vamos.


Acordei com o barulho do celular tocando. Olhei para o despertador e me assustei quando vi que dormi demais. Já eram onze horas da manhã. Atendi o celular.

- Bella?
- Edward... oi.
- Ainda estava dormindo?
- Aham. Perdi a noção da hora.
- É normal, você estava cansada...
- Acho que sim.

Sentei na cama enquanto limpava as remelas dos olhos.

- Bella, não vou te ver essa noite, ok?
- Por quê?
- Sairei com Lestat.

Lestat chegou. Era impossível não pensar nele. Era mais forte do que eu. Acho que não só para mim... para qualquer mulher.

- Onde vocês vão?
- Numa festa no campus.
- Eu vou também.
- Não me arrume mais problemas Bells. Fique em casa.
- Não... quero ir.

Ouvi ele resmungar do outro lado.

- Que seja. Te pego às 22hs.
- Tarde assim?
- É. Beijos.

Abri a porta do quarto. Silêncio total, as meninas não deviam estar em casa. Desci para comer alguma coisa. Peguei a garrafa de suco na geladeira e deixei-a cair no chão quando me virei e a vi. Angie. De olhos vermelhos e branca que nem porcelana.

- An-Angie.
- Bella...

Ela se aproximou de mim e eu congelei. Angie se curvou e me abraçou. Eu quase me mijei.

- Oh. Tu-tudo bem?
- Tudo.

Ela me olhava séria, sua voz era linda e seu rosto perfeito. Então todos ficavam lindos? Também queria!

- Ei!

James chegou na cozinha, abraçando-a por trás.

- Viu? Nova em folha.
- Ela se lembra de tudo?
- Só lembro até a hora que caí no chão. E depois... de acordar no quarto com James do meu lado.
- Ah.

Ela sorriu e eu não agüentei. Abraçei-a forte.

- Que bom que você está aqui!
- Também acho!
- Um abraço em grupo!

James nos abraçou. Ninguém merece. Mas eu ri. Estava feliz com minha amiga ali em pé novamente. E soltei-a quando ouvi um rosnado baixo.

- Ela ainda não sabe se controlar direito... mas isso passa rápido.
- Desculpe Bella.
- Tudo bem... sem problemas. Desde que eu não vire janta...
- Você? Claro que não! Talvez a Lauren...

Nós rimos dessa hipótese. Sonhar não custa nada.



Estava pronto esperando pelo príncipe. Ele me chega todo de branco. Por que adorava tanto chamar a atenção?

- Podemos ir Edward.
- Calma que eu vou também!
- E eu!

Rosalie e Alice iam atormentar minha vida enquanto Lestat estivesse lá. Puta que pariu.

- Onde estão Jazz e Em?
- De castigo.
- De greve.
- Ok.

Entramos no meu carro, que ficou pequeno para tantos egos inflados. O de Lestat ocupava mais da metade do espaço. Parei em frente a casa de Bella e buzinei. Ela saiu e veio para o carro.

- Entre atrás Bells.
- Oi...
- Ei Bella!
- Oi praga.
- Olá doçura...

Ignorei a última frase.


OMFG. Lestat estava de branco. Sem comentários. Chegamos na festa, que meio que parou quando Edward e Lestat entraram. Bem, a ala feminina parou. Eu agarrei o braço do meu para garantir. Quis segurar o de Lestat também, mas fiquei quieta. Alice fez isso por mim.

- Quanta mulher oferecida!

Um celular tocou e Lestat tirou o aparelho do bolso, atendendo-o.

- Fale. Onde? Ok. Reúna todos na casa dos Cullens.

Ele desligou e virou-se para Edward.

- Novos planos. Jane foi achada. Nós vamos para NY.
- Nós?
- Eu

e você.
- Peraí Lestat, eu não p...
- Não?

Edward tensionou o maxilar e senti um aperto na mão.

- Ok. 




Então fazer o que? Eu iria para NY. Viemos embora da festa sem nem ter ficado dez minutos por lá. Lestat vinha calado no banco do carona. Deixei Bella em casa e fui para a minha. Quando cheguei, os pupilos dele já estavam lá. Estava tudo pronto, pareciam apenas esperar por ele.

- Edward, vai levar alguma coisa?
- Roupa, de preferência.
- Te dou dez minutos.

Caralho, odeio esse cara! Entrei rápido em casa para pegar uma mala. Voltei rápido e ele já me esperava no carro.

- Tem certeza que não quer que eu chame meus irmãos?
- Tenho. Não quero ser atrapalhado.

Certo. Ele tinha razão. Chegamos numa área de pouso meio que abandonada... ninguém usava aquilo lá. Quem teria jatinho particular em Forks? Bem... Lestat. Na verdade, não era um jatinho, e sim um avião bem grande. OMG.
Entramos no avião, que decolou logo em seguida. Lestat me levou até uma cabine com poltronas e cama e me indicou uma mesa com jarras.

- Beba bastante.

Claro, estava morrendo de sede mesmo, nem precisava ele pedir muito. Bebia direto de uma das jarras, enquanto ele deitou na cama, se esticando. Folgado demais.

- Vou te deixar descansar.
- Não, fiquei. Quero saber qual sua vantagem sobre Jane? O que essa porra de metal faz?
- A porra de metal, é o meu medalhão?
- Isso.
- Ela não me atinge.
- Nada?
- Nem um pouco.
- Ótimo.

Ele fez um sinal com a mão e eu saí da cabine. Saco! Não queria ir para NY. Algumas horas depois estávamos pousandoe os carros já estavam lá, enfileirados, esperando pela tropa de elite.
Entramos em um dos carros e andamos um tempo pela cidade agitada. Quarenta minutos depois, chegamos num bairro mais humilde, porém, barra pesada, fazendo com que as pessoas na rua parassem para olhar a comitiva que chegava. Nosso carro parou e descemos. Lestat me cutucou.

- Lá em cima. Terceiro andar.

Eu olhei mas estava tudo apagado. Não lai mente nenhuma também.

- Não acho que tenha alguém lá...

Ele sorriu.

- Vamos só nós dois.
- E seu exército?
- Eles esperam aqui.

Porra, com 80 homens ali eu precisava sujar as mãos? Saco! Entramos no prédio que mais parecia estar abandonado e subimos as escadas que se desfaziam praticamente. O corredor do terceito andar estava todo apagado. Paramos em frente ao apartamento 5C. Lestat levantou a mão para mim, pedindo para eu parar. Ele abriu a porta e nós entramos. Vazio.

- Ach...

Calei-me com seu olhar de desaprovação para mim. Ele andou pelo apartamento e ao abrir a porta de um quarto, encontramos Hazel amarrado e imóvel. Então eu senti algo no ar. Jane chegou por trás de mim.

- Achei que fosse demorar...

Ia abrir a boca para falar, mas Lestat me empurrou delicadamente para o lado e entrou na frente dela. Sua boca se abriu e seus olhos demonstraram medo.

- O que foi? Não esperava por mim?
- Eu... posso...
- Não pode.

Jane tentou correr, mas Lestat mexeu a cabeça e ela parou, levando a mão até a garganta como se estivessem sufocando-a. Bem, ele não estava encostando nela. Era a primeira vez que eu o via em ação. Jane flutuou no ar.

- Eu poderia te matar bem rápido. Mas vou me divertir, só por você ter feito eu me deslocar até essa espelunca de país.

Ah... eu vim só para assistir... onde estava a pipoca? Sentei-me ao lado de Hazel. Jane foi arremessada contra a parede do outro lado da sala. Na verdade, ela atravessou algumas outras paredes... indo parar no apartamento do lado. Ele foi atrás. Eu não ia perder isso... também fui.
Quem você achou que fosse? És uma mísera bactéria nesse mundo!

Ela se levantou.

- Lest...
- Cale-se!

Jane voou no teto, batendo com as costas e caindo de novo no chão. Aquilo deve ter sido dolorido. Dessa vez ele a pegou antes dela se levantar, segurando-a pelas costelas.

- Nunca!

Quebrou um braço.

- Tente!

Quebrou outro braço.

- Brincar!

Ops, já era a perna direita.

- Comigo!

Coluna? Para que? Ele forçou seu joelho em suas costas. Eu escutei os estalos. Jane urrava.

- Mate-me!
- Desculpe... o que falou?

Ele a arrastou pelos cabelos até onde Hazel estava.

- Você o deixou amarrado Edward?

Ops, esqueci. Corri e desamarrei ele. Mas ele continuava imóvel.

- Desfaça isso Jane!
- Não... vou morrer mesmo...

OMG. Até para mim aquilo era demais. Me arrepiei quando Lestat cravou as unhas no peito de Jane, mas enterrando os dedos em sua pele. O sangue escorria. Ela agonizava.

- Desfaça!

Ela cuspiu sangue e caiu de joelhos. Então Hazel piscou, me olhando.

- Edward! Pai!

Ele correu e abraçou Lestat.

- Vem cá, quero que aprendo algo.

Lestat pegou-o pela mão e mostrou-lhe Jane.

- Está vendo essa mulher?
- Sim.
- A achava forte?
- Sim.
- Então olhe melhor. Isso é ela... (ele pegou a mão de Hazel e levou até seu próprio peito) isso somos nós. Vê a diferença?
- Nós somos melhores?
- Nós somos únicos.

Lestat então levantou-a mais uma vez e girou a cabeça de Jane num movimento só, arrancando-a do corpo. Ele deixou o corpo cair e saiu do apartamento com Hazel. Fui atrás, o show acabou.
Descíamos as escadas quando um drogado estava subindo.

- Peraí amigão... tem dinheiro? Roupa bacana...

Ele até teria ficado bem, se não tivesse encostado na roupa do Lestat. Ouvi um som de pescoço quebrando. Voltamos para a carro e viemos embora. No avião Hazel começou a contar.

- Pai, por que eu não conseguia me mover?
- Ela não conseguia te machucar porque você é forte demais para ela... o máximo que ela conseguiu foi te deixar imóvel.
- Mas eu ouvia tudo...
- Sim, dá para ouvir. Você é forte que nem eu!

Lestat olhava sorrindo, orgulhoso da cria.

- Você vai ficar aqui pai?
- Não, vou voltar...
- Fica! Fica! Edward, ele pode passar o Natal aqui, né?

Oh meu saco de filó! Natal? Lestat? Matem-me!

- Hazel, eu não acho que Lestat goste de comemorar o Natal... muito menos aqui.
- Natal? Nascimento do menino Jesus?

Lestat gargalhou.

- Por favor... pai...

O príncipe me olhou e voltou a sorrir para Hazel.

- Talvez eu venha. Talvez.

Não. Não. Por favor, não!
Nós descemos em Forks e Lestat continuou a viagem para casa. Deixei Hazel na minha casa e fui ver Bella.


Ele chegou mais lindo do que nunca. Ah está bem, todo mundo já sabe disso...

- Saudades!

Pulei em cima dele e deu um trilhão de beijos no seu rosto.

- Amor, não fiquei fora nem um dia inteiro.
- Mas mesmo assim, eu senti saudades! Hazel? E aí?
- Ah bem... já era... houve luta, sangue, cabeças voando...

OMG! OMG! Começei a chorar lembrando da carinha de Hazel. OMG! Edward sorriu sem-graça.

- Er... amor, não chore... eu estava brincando.

Como é que é? Meti a porrada nele!

- Ai Edward!
- Bells, que mania de me bater! Agora vai me culpar por torcer o pulso?

Não ia mais bater nele, mas joguei Jake em cima dele.

- Pega Jake!



O bicho voou para cima de mim, mas eu sou rápido e saí da frente.

- Fica mesmo brincando com o cão da sua amiga vampira, fica?

Ela fez bico e sentou de cara feia.

- Ah Bella, foi só para animar um pouquinho. Mas enfim, está tudo bem, deu tudo certo.
- Me conta tudo...
- Não tem muito para contar. Nós chegamos, entramos, Lestat matou a Jane e pegamos Hazel.
- Ah, ela morreu?
- Morreu.

Mortinha da silva. Vi com esses olhos que a terra NÃO há de comer! Cruzes, não meus olhos... xô!

- Que bom!

Minha namorada passava tempo de mais comigo... estava ficando sádica. Jake veio capengando e subiu no sofá sentando ao meu lado.

- Sabe, pensei aqui... podíamos pintá-lo de vermelhinho para o Natal.
- Haha, cômico!
- Sério! Eu posso fazer o moicano vermelho e as orelhas em verde...
- Cala a boca Edward!

Pô, minha idéia era legal... admitam! Vai todo mundo pintar os hamsters para o Natal, tenho certeza! Oh eu lembrei do Natal...

- Bella, o que tem em mente para... o... argh! Natal?
- Bem, eu pretendo passar bem longe da sua família!

Doeu...

- Que isso amor, por quê? Eles são tão legais...
- Sério Edward, eu quero um Natal tranqüilo, cheio de paz, risadas, assim como todo Natal deve ser.
- E desde quando você não ri com meus irmãos?

Ela fechou a cara. Droga... eu ia ter que convencê-la.

- Poxa... queria tanto, mas tanto, passar o Natal em família...
- Edward! Vocês são vampiros!
- E daí? Me amarro no menino Jesus.


Uma noite de Natal com Emmet, Rosalie, Alice e Jasper... além das minhas amigas neuróticas, da nova vampira, do meu namorado, do namorado vampiro louco da minha amiga vampira e claro, de uma criança vampira que puxou a Lestat. Nossa! Quanta coisa legal.

- Sabe Edward, estava aqui pensando... se juntássemos todo mundo, podíamos abrir um circo.

Ele não gostou da idéia, pela cara que fez.

- Não gosto de circos... palhaços são coisas assustadoras, sabia? Você já viu criança bem novinha rir de palhaço? Não! Porque eles são diabólicos... não gosto nem de pensar.

OMG. Meu namorado assassino tinha medo de palhaço!

- Edward, isso é patético! E se for para passar o Natal com vocês, não será aqui. Eu realmente não quero uma porta quebrada, ou talheres destruídos, nada que afete meu orçamento, sabe?
- Claro! A gente faz tudo lá em casa! Não tem problema!

Essa eu pagava para ver...

- Por favor, lembre-se que numa ceia, as pessoas comem, ok? Espero que não tenha apenas... sangue engarrafado.
- Não vai ter só isso, pode deixar. Posso comprar o supermercado se você preferir.
- Menos Edward, menos. Use o dinheiro para me dar um carro novo de presente.

Ele arregalou os olhos e sorriu.

- Sério? Você quer? Eu estava vendo um modelo novo n...
- Não! Eu estava brincando! Céus, qual o problema de vocês hein?
- Ah...

Um bico se formou em sua boca. Tinha quantos anos mesmo? Ah, 338, lembrei.

- É para convidar minhas amigas?
- Para o Natal?
- Sim.
- Pode levá-las. Vou precisar de distração para Lestat.
- Hein?
- Ah, não te disse? Ele talvez passe o Natal aqui.

Vou ali me jogar da po
nte. Volto mais tarde.



- Deixa eu ver se entendi. Lestat? Aquele que a gente conhece?
- Em carne e osso. Bem, mais ou menos... um pouc...
- Edward!
- Sim, ele.
- Por que o convidou?
- Não convidei. Foi seu lindinho Hazel que pediu.

Quando chegass em casa o afogaria na banheira. Ah não, ele não ia morrer. Merda!

- Certo... fazer o que? Nasci para sofrer mesmo...
- Olha! Ficou gata!

Angela apareceu na escada, sorrindo, como se nunca tivesse acontecido nada.

- Oi Edward, tudo bem?
- Melhor agora que vejo que está bem.
- Pois é... as meninas têm sido pacientes comigo.

Bella riu.

- Quando ela diz paciente, quer dizer sobre o fato da gente ter evitado que ela comesse o... bem... Jake.

OMG. Eca.

- Nossa Angie... precisamos ensiná-la a caçar então... Se comece Jake... putz... ia passar mal com aquilo ali...

Eu olhei o pulguento.

- Carne de segunda, sabe?

Ela torceu a cara.

- Edward, ele ainda é meu cachorro, ok? Não fale assim.
- Certo.

Ela fechou os olhos e meio que se desequilibrou. Eu corri para segurá-la.

- Ow. Acho que ainda... estou fraca.
- Bella, ela tem se alimentado?
- Sim, a Jess ontem roubou umas bolsas de sangue do hospital.
- Como é que é?
- Ué, ela entrou lá, não sei como, e roubou.

Eu não ia querer saber os detalhes. Melhor nem perguntar.

- Você precisa de sangue quente... ainda está nova. Posso te dar um pouco.

Bella se meteu entre nós dois.

- Opaaa! Vamos parando por aqui. Amiga minha não come namorado meu não! Nem vice-versa!
- Te matar Bells? Fica quietinha...

Prendi-a de novo na parede e voltei a cravar os dentes nela, enquanto abria minha calça e deixava cair, penetrando-a logo em seguida. Seus dedos pequenos apertaram meus braços. Eu investi com mais força, pegando-a no colo e passando suas pernas em volta de mim. Seu sangue quente me inundava por inteiro, era delicioso. Eu tinha sempre que me controlar para não sugar-lhe até a última gota.

- Edward... eu quero... tanto... o seu.

Eu a olhei lambendo os lábios.

- O meu? Ele já está dentro de você Bella...
- Não. Seu... sangue.

Hein? Suguei demais e ela estava delirando já. Suas costas batiam de leve na parede quando eu diminui um pouco o ritmo para não furá-la.

- Quer virar vampirinha então?
- Aham.

Mas que merda é essa? Parei a transa e a olhei.

- Do que você está falando Bells?

Ela corou e sorriu.


Nem eu sabia o que estava falando... mas eu ficava tão excitada com ele me mordendo que nem me dei conta do que falei.

- Só cogitei... nada não.
- Cogitou? Isso não é brincadeira...
- Desculpa. Mas não entendo sua reação... achei que fosse algo que você quisesse.
- Eu quero, óbvio! Por isso que não quero que brinque... porque eu posso acabar acreditando.

Passei a mão nos seus cabelos e o beijei na boca. Ele me apertou a coxa, voltando a estocar em mim. Oh céus!

- Sou tão louca por você que era só você me obrigar...

Ele riu e beijou minha testa, me levando para a cama. Me puxou para deitar por cima dele e eu sentei em seu membro até o final.

- Quer?

Ele perguntou maliciosamente, sorrindo torto. E levou seu pulso até a boca, cortando-o com os dentes. OMG.

- Edward!

Ele sorriu. O sangue escorria fino e devagar.

- Por que isso?
- Sou todo seu... basta querer.

Isso era tentador demais.



Ela jogou a cabeça para trás, gemendo em cima de mim, enquanto eu me mexia fazendo-a rebolar.

- Isso não se faz...
- Só estou te dando opções Bella.

Eu sabia que ela não teria coragem para isso. Só estava provocando. Senti seu corpo tremer e se contrair.

- Mas já? Que isso amor...

Segurei sua cintura e estoquei rápido para tentar alcançá-la. Ela me arranhava o abdômem e ofegava enquanto eu a descia e subia em meu corpo.

- Edw...

Explodi de prazer dentro dela e a puxei, deitando-a sobre mim.

- Só estou brincando com você!

Tirei seus cabelos do rosto e beijei sua testa. Ela estava lânguida abraçada a mim, mas senti sua mão quente tocar meu pulso e puxá-lo.

- Bella!
- Talvez eu queira...

Eu puxei minha mão, tirando-a de perto dela.

- Você não tem certeza ainda...

Ela levantou a cabeça para me olhar.

- Você quer, não quer? Então...
- Isso é lindo da sua parte amor... mas eu prefiro que você beba quando estiver pronta para a eternidade. E você não está.

Passei a língua no pulso e esperei fechar.

- Eu te amo mesmo sendo uma humana estranha.

Fui socado no peito. Ow. Melhorou... fui lambido no peito.


Acordei em seus braços, ele olhando para mim com um sorriso. Meu pescoço doía, claro.

- A parte boa de ser vampira deve incluir não sentir dor, né?
- Eu posso pensar em outras coisas boas... já imaginou nós dois com a minha velocidade?
- O que que tem?

Ele sorriu diabólico.

- Não ia precisar me preocupar em te esmagar na parede.

OMG. Untei.

- Não me fale essas coisa agora Edward! Preciso ir para a faculdade. Com a cabeça na faculdade!
- Certo. Também estarei com a minha cabeça... de cima... na faculdade. A de baixo, bem...
- Edward!

Ele riu e mordiscou minha orelha.

- Poderia fazer um segundo furo aqui, o que acha?
- Haha, hilário!
- Eu sou, eu sei...

Parei as brincadeiras dele e fui tomar banho para ir à aula. Nós chegamos no estacionamento e vimos o carro escandaloso da loira má chegando. Esperamos por eles. Rosalie estacionou e todos foram saindo, inclusive Hazel.

- Hazel?
- Emmet, que porra é essa?

Hazel sorriu para mim.

- Oi Bella!
- Oi lindinho!
- Viu tio Em? Ela não resiste.

OMG.

- Hazel, não dê em cima da minha namorada, ok?
- Não dei em cima dela não. Só joguei um charme.

Eu não agüentei. Estava babando de tanto rir quando Edward me olhou furioso.

- Uma ajuda aqui? Seria bom.
- Ah. É verdade Hazel, Edward tem razão. É feio jogar charme para cima de mulheres comprometidas...
- Ok. Você me mostra as solteiras?

OMG. Babei de novo.

- Emmet, pare de estragar o garoto!
- Estragar o que hein? Só ensino as coisas boas da vida a ele...

Então Hazel segurou minha mão e saiu me puxando.

- Vamos Bella, deixe-os aí discutindo...
- HAZEL!

Edward gritou com ele, que parou e olhou para trás.

- O que foi?
- A namorada é minha, não sua.
- Eu sei ué... se ela fosse minha namorada eu ficava em casa o dia inteiro com ela!

Emmet gargalhou estrondosamente. Então todos os outros estavam rindo também.

- Muito engraçado, anão loiro!
- Edward, ele é uma criança, ok? Menos...
- Deixa ele Bella... ele só está intimidado comigo.

Babei de novo.

- Ok rapazes, temos Bella para todos os gostos e tamanhos.

Edward me olhou torto e pegou minha outra mão.

- Vai com ele ou comigo? Lembre-se que ele não é tão... evoluído fisicamente. Quer arriscar?

Opa. Me lembrei disso!

- Desculpe Hazel lindinho... depois a gente se vê, ok?

Entrei no prédio com Edward, que sorria vitorioso.

- Você é uma criança... nem parece que cresceu Edward.
- Eu sou homem ué, gosto de disputar e defender meu território.
- Seu território tem nome, ok?
- Eu sei... chama-se Isabella.
- Hilário.
- Gostosa.
- Cala a boca Edward!



Que Mané de outro homem ciscando para cima de Bella o que! Eu tinha certeza de que ela tinha implantado no cérebro algum tipo de chip da Nasa, que atraía vampiros. Primeiro o motoqueiro, depois James, Lestat, Louis e agora Hazel. Essa porra dessa fila não acaba não?

- Estou me sentindo em grande desvantagem aqui. Preciso de uma vampira gostosa para concorrer com você!
- Pára Edward...
- Ué amor, só você pode?
- Eu não estou fazendo nada!

Estávamos subindo as escadas quando Megan esbarrou "de propósito" em mim.

- Oh, desculpe, Edward.

Seu sorriso gigante me devorava. Saco.

- Sem problemas.
- Como está tudo por aí?

Essa garota não desistiria nunca, né? Então vi meus irmãos entrarem no prédio e tive uma excelente idéia.

- Hazel, vem cá que quero te apresentar uma pessoa.

O anãozinho chegou do meu lado.

- Megan, esse é meu afilhado. Hazel.

O pestinha sorriu galanteador. Os olhos da loira brilharam.

- Oi coisinha linda!

Deixei Hazel ali hipnotizando a loira oxigenada e me mandei para minha aula. Era a última semana de aulas na faculdade, as férias estavam chegando. Aquela semana voou e quando acabaram as aulas, já estávamos na boca do Natal.
Combinei com Bella de ir comprar uma árvore depois da aula. Porque bem... nós não tínhamos uma, já que bem... nós costumávamos fazer chifrinhos nos desenhos e fotos do menino Jesus. Shhh, não deixe Bella saber disso. Chegamos para comprar um maldit... quer dizer, um lindo pinheirinho natalino. Óh que emoção.

- Edward, venha ver esse.

Andei por entre os pinheiros e cheguei até Bella. O troço verde e cheio de galhos tinha o dobro da minha altura.

- Para que algo tão grande?
- Porque é bonito, ué!
- Não serve uma miniatura? Tipo aquelas japonesas?

Ela rosnou para mim. Ok, ok. Virei para o carinha com cara de retardado.

- Quanto custa?
- 600 dólares.
- O que? Quer me roubar desgraçado?
- Edward!
- Bella, eu arranco um pinheiro lá da floresta, vamos.
- Edward!

Puta que me pariu!

- Eu vou levar essa merda!

O retardado mercenário sorriu com os dentes podres e desamarrou a árvore.

- Vai levar no carro?
- Não... pensei em levar na cabeça.

Ele me olhou confuso.

- Sim... no carro.

Eu esqueço que com essa gente inteligente eu não posso ser sarcástico.
Depois de ficar uns vinte minutos para amarrar aquele elefante branco no meu lindo Volvo, entrei no carro.

- Agora temos que ver os enfeites...

Minha namorada não conseguia ficar calada um só segundo!

- Enfeites? Que enfeites?
- Da árvore Edward...
- Precisa?
- Você pretende deixá-la toda verde?
- Por que não? É a cor da moda!
- Da sua, só se for.
- Bells... enfeites dão idéia de alegria...
- Por isso mesmo.
- Vocês são estranhos cara...
- Vocês quem?
- Humanos. Sempre escutei vocês falarem que o Natal é uma noite triste, melancólica...
- Você é chato, sabia?
- Eu? Vocês é que são estranhos? Se o nascimento é do menino Jesus, por que vocês trocam presentes entre si? Não deveria ser presentes para ele? Ah, fala sério... quanto falso moralismo!


Ele estava me irritando e conseguindo fazer eu me estressar na época do ano que eu mais amava.

- Amor, deixe os preparativos por minha conta, ok? Só preciso de você para gastar o dinheiro, porque afinal, eu não tenho grana para enfeitar seu castelo com pisca-pisca.
- Pisca-pisca? Não, peraí Bella. Olha só, a gente não gosta muito de aparecer, sabe? Você quer colocar pisca-pisca na minha casa?
- Claro! Já viu Natal sem pisca-pisca?

Ele bateu com a cabeça no volante.

- Meus irmãos vão me matar...

Fiz Edward parar no shopping para irmos comprar os enfeites.

- Vai ser de que cor a decoração?
- Tanto faz.
- Edward, participe...
- Tanto faz.

Que pessoa mais mal-humorada!

- Ok, então vai ser vermelha e prata.
- Prefiro preto.
- Preto? Edward, isso é uma árvore de Natal... e não um caixão!
- Você pediu minha opinião, eu estou dando! Preto.

Deixei ele falando sozinho e comecei a pegar os enfeites. Vermelhos e prata.

- Então dourado.
- O que?
- Vermelho e dourado.
- Para quem disse tanto faz, até que você ta querendo muito.
- Mas eu quero dourado.

Puta que pariu! Devolvi os enfeites prateados e peguei os dourados malditos.

- Melhorou amor?
- Vai ficar um lixo mesmo...

Sem comentários.

- Quantos pisca-piscas você acha que é preciso para sua casa?
- Deixa eu pensar... no último Natal eu enfeitei a casa toda e... porra Bella, eu lá sei?
- Credo... só perguntei.
- Leva umas 30 caixas logo que quero ir embora.
- Que isso amor... 30 caixas dá para enfeitar o bairro todo.
- Leva essa porra logo Bella... se faltar ou quebrar eu não vou voltar aqui!

Fomos para o caixa e voltamos para o carro. Fazer comprar com Edward não era muito legal.



Chegamos em minha casa e eu levei o elefante branco, ou verde no caso, para dentro.

- OMG o que é isso?
- Árvore, Emmet... Emmet, árvore. Apresentados.
- Eu sei que é uma árvore! Quero saber por que dentro de casa.
- Ah, não te contei... vamos ter Natal.

Rosalie descia as escadas bebendo numa taça e cuspiu quando eu terminei minha frase adorável.

- Natal? Eu sempre soube que você não regulava bem Edward...
- A conversa chegou na fábrica de água oxigenada? Não né?
- Bem... o que será a ceia? Bella e suas amigas?

Bella arregalou os olhos para mim.

- Não amor, isso não vai acontecer.

Coloquei o elefante branco num canto da sala e Bella correu para pegar os enfeites. Jasper apareceu.

- Vamos... comemorar o Natal?
- Sim.

Ele saiu da sala e voltou com uns pendurucalhos. Colocou um no topo da árvore.

- OMG! Edward!

Bella quase chorou e então eu vi que o enfeite de Jasper era uma caveirinha.

- Jazz, tire isso daí.
- Me deixa confortável olhá-la aqui, ok?
- Jazz...
- Ok, como quiserem. Podem encher essa merda de bolas alegres e coloridas. Vocês só me fodem mesmo!

Ele saiu esbravejando e socando as portas. Meus irmãos tinham sérios problemas.


- Edward, eu não sei se vai ser uma boa idéia fazer isso aqui na sua casa...
- Claro que é uma boa idéia Bells!
- Eles não têm o mínimo espírito natalino.
- Eu tenho, eu tenho!

Nós olhamos para a cara de Emmet.

- Ok, não tenho não.
- Eu não ficarei aqui, ok? Não tenho a mínima intenção de comemorar... isso.
- Ok Rose, eu digo para Lestat que você tinha outros compromissos.

Edward sorriu torto e Rosalie agarrou ele e sacudiu.

- Lestat vem para cá? Por que não disse isso antes? Ficou retardado?
- E... mais uma semana em greve de sexo.
- Cale a sua boca Emmet!
- Vem calar, loira gostosa, vem...

Emmet subiu correndo as escadas e Rosalie foi atrás dele. Esse relacionamento era agressivo demais para o meu gosto. Edward estava abrindo as caixas dos pisca-piscas, mais enrolado do que outra coisa.

- Quer ajuda amor?
- Não.
- Você sabe colocar isso lá no telhado, né?
- Bella, eu tenho algumas vantagens...
- Ok, só estou me certificando.

Ele juntou vários piscas na mão e saiu da casa, saltando até o telhado.

- Edward, mais para a ponta...
- Aqui?
- Ficou muito para a frente agora...
- Melhorou?
- Sim. Quer dizer, tem como chegar um pouquinho só para a frente de novo?

Ele me olhou com raiva.

- Mas pode deixar assim mesmo.

Ele ficou algum tempo lá em cima, dando voltas e mais voltas pelo telhado, prendendo os piscas para não se soltarem. Meia hora depois ele desceu e nós entramos para acender.

- Vamos ver agora...

Nós voltamos lá para fora e... nada.

- Por que essa merda não está acesa?
- Ahn... bem... ligou direito?
- Claro.
- Então pode ter alguma lâmpada queimada.
- Certo. Qual delas?

Ele saltou de novo, me perguntando lá de cima.

- Eu não sei... tem que ver uma por uma.
- O que? Porra Bella, essa merda tem 1.000 lâmpadas!



Depois de ficar que nem um corno procurando a maldita lâmpada queimada, achei e troquei a maldita. Então pudemos deixar a casa toda iluminada, daquele tipo que dá para enxergar lá da Lua.

- Satisfeita? Somos ponto de referência agora...
- Ficou lindo Edward!

Ela me abraçou e me beijou. Ok, se fosse assim eu colocava essa porra todo dia no telhado. Meu celular tocou lá dentro e corri para atender.

- Edward?
- Sim... Louis?
- Eu mesmo. Desculpe incomodar, mas temos um assunto meio urgente para tratar...
- Sobre?
- Nossos inimigos.

Eu odiava isso. Odiava eles.

- Ok. Como vai ser?
- Vou fazer uma conferência entre nós e Lestat também. Ele é quem tem as informações para dar.
- Certo. Pode ser em vinte minutos.

Desliguei e virei para Bella.

- Preciso ter uma reunião... quer que eu te leve para casa ou você me espera aqui?
- Eu vou para casa. Tenho que arrumar umas coisas por lá.
- Então tudo bem.

Entramos no carro e dirigi rápido.


- Sobre o que é a reunião?

Edward olhava sério para a estrada.

- Um problema nosso... uns inimigos.
- Inimigos? Alguma família louca de vampiros?
- Não são vampiros Bella.
- Oh... caçadores?
- Não são humanos também. Quer dizer, não o tempo todo.

Não estava entendendo nada.

- Se você começar a fala em duendes, eu me jogo desse carro!
- Duendes Bella? Deixa de ser boba... duendes não existem!
- Certo... onde eu estou com a cabeça, né? Não é como se eles fossem vampiros...

Ele sorriu e voltou a olhar para a frente.

- É um pouco mais complicado do que simples duendes... o que você sabe sobre os licantropos?
- Lica o que?
- Licantropos. Ou lobisomens... como são mais conhecidos.
- O que eu sei? Que eles são peludos!

Ele fechou a cara e tensionou os pulsos.

- Não é brincadeira isso.
- Desculpe. Continue.
- Ao contrário do que todo mundo pensa, eles não são apenas lenda. Eles existem, mas não se expõem, assim como nós. Na verdade eles são até mais reclusos do que os vampiros.
- Então aquela parada toda é verdade? De que na lua cheia o rapaz se transforma em lobisomem?

Ele me olhou franzindo a testa.

- Não é bem como nos filmes amor... que um rapaz inocente vira um cãozinho peludo...

Nós chegamos na porta da minha casa. Ele delisgou o carro e começou a falar.

- No início era realmente assim. Alguns homens nasciam com tendência a se transformarem em noites de lua cheia. Mas alguma coisa no caminho mudou... e eles foram evoluindo. Alguns não conseguiam mais voltar à forma humana depois que a lua mudava. A questão é que hoje em dia eles podem se transformar a hora que quiserem.

Ele parou e olhou o relógio.

- Ok, vou falar rápido. A questão é que eles são nossos maiores inimigos. Porque são os únicos que podem competir com nossa força e nosso conhecimento.
- Mas eles são racionais?
- Bella, não interrompa. Sim, são, claro. Eles são pessoas que se transformam quando querem. Eles pensam sim, e muito bem. São excelentes estrategistas. E o sonho deles é cruzar com um vampiro.
- Ew!
- Imagine o que nasceria... duplamente forte e inteligente.

Preferi não imaginar.

- Mas qual é o problema com eles?
- O problema é que há milhares de anos eles tentam dizimar a população.
- Tipo... nós?
- Vocês.
- Mas... isso é um problema para os vampiros desde quando? Como se vocês gostassem dos humanos...
- Nós gostamos amor... como viveríamos sem seu sangue?
- Isso não é delicado Edward.
- Bella, ao contrário dos lobisomens, nós vampiros vivemos em sociedade. Nós gostamos disso.
- Então vocês não querem que eles ajam?
- Nós evitamos. Sempre.
- Sempre?



Era complicado explicar uma história tão longa em poucos minutos.

- Já houveram guerras entre vampiros e lobisomens no decorrer desses séculos.
- Ow. E... quem ganhou?
- Cada hora um de nós vence.
- Então sempre tem guerra entre vocês?
- Não é sempre... a última foi há 200 anos atrás.
- Tudo isso? Você... participou?
- Claro! Todos lutamos juntos.
- Todos os Cullens?

Eu ri da inocência dela.

- Todos os vampiros.
- Ah. Quem ganhou?
- Nós. Mas na última antes dessa, os vampiros perderam. Pouco se comenta, mas os humanos foram quase dizimados. Os vampiros da época tiveram trabalho para controlar os lobos...
- Amor, não seria mais fácil as forças armadas darem conta disso?

Oh céus.

- Eles não teriam chance Bella... enquanto eles levantassem a arma para atirar, já estariam partidos ao meio. Os vampiros matam com classe, os lobisomens... bem... eles são grosseiros. Agora eu já vou, depois terminamos isso.

Deixei-a em casa e voltei. Fui para o escritório e liguei o televisor para a vídeo-conferência. Lestat e Louis apareceram do outro lado.

- Edward, creio que Louis já falou contigo, certo?
- Sim, estou ciente. E então?
- De acordo com as notícias que chegaram hoje para mim, eles estão começando a se juntar. Ainda não sei o local e nem quantos matilhas já estão a postos. Mas saberei ainda essa semana.
- Certo... acha que isso vai ser antes ou depois do Natal?
- Não faço a mínima idéia. Por quê?
- Nada não... é só que combinei com a Bella de fazer o Natal aqui em casa.

Ele ficou sério me olhando.

- Edward, se for antes do Natal e nós perdermos, tenha certeza que os humanos não terão o que comemorar.
- Ok.
- Manterei a todos informados sobre a situação. Fique preparado que a convocação pode ser a qualquer momento.
- Tudo bem, aviserei a todos aqui.

Lestat desligou e eu fiquei sentado um pouco pensando nas suas últimas palavras. Os humanos não terão o que comemorar. Isso não podia acontecer. Nós não podíamos deixar isso acontecer.

- Alice!

Entrei no quarto mas antes de abrir totalmente a porta, eu fechei. Tinha lido a mente de Jasper a tempo... não queria mesmo ver Alice com a boca no... bem, no Jasper.

- O que foi?
- Podem parar de transar rapidinho?
- Não é como se fosse simples Edward! Já basta eu sofrer com vocês e suas emoções tolas!
- Jazz se vocês não saírem agora daí, eu vou te sacanear!
- Foda-se!

Ah é? Me concentrei e fingi estar numa aula de teatro. Sabe aqueles exercícios de: "fique alegre, chore, agora medo, tristeza, vai... pavor, ria..."

- Puta que pariu Edward, me deixa gozar em paz!
- Eu estarei aqui esperando, ok?

Dois minutos depois Jasper abriu a porta com cara de sofrimento. A dele natural.

- Entre.

Entrei e me sentei na cama. Não antes de procurar vestígios nojentos, claro.

- Vim deixá-los preparados para uma guerra.
- Que guerra?
- Lobisomens.
- Ah merda!
- Pois é.

Alice encostou em mim.

- Quando cai ser?
- Não sei ainda... estou esperando um aviso do Lestat.
- Poxa, tomara que não seja no Natal...

Eu a olhei incrédulo.

- Pois é né, queria tanto ver o Papai Noel...

Emmet chegou, colocando a cabeça dentro do quarto.

- Suruba é?

Ele levou um tapa na nuca.

- Toma vergonha Emmet!
- Ai Rose, doeu!
- Que bom.

Ele sentou no meu colo.

- Porra Em, levanta daqui!
- Nem sou pesado...
- Nem sou gay... sou macho! Agora levanta!

Eu o empurrei e ele levantou.

- Estou tentando conversar sério aqui, ok?

Sobre?

- Lobisomens.

Ele arregalou os olhos e sorriu.

- Guerra? Caraca, já ganhei meu presente de Natal! Obrigado aê bom velhinho!
- Guerra?

Então me lembrei que Rosalie não era vampira quando houve a última guerra.

- Sim... já te contei a história anos atrás.
- Eu sei, eu lembro. Mas não imaginei que fosse ter uma guerra agora.
- Rose, você não precisa ir se não se sentir preparada.

Eu olhei para Emmet.

- Ela precisa sim. Não é tão jovem mais.
- Eu não me importo de lutar.
- Que bom, porque lutaria mesmo não querendo...
- Edward, não fale assim com meu doce de côco.
- Teu doce deve estar estragado...

Saí do quarto antes que a loira má começasse a me xingar. Entrei no meu quarto, abri o closet e fui até o cofre que mantinha ali. Girei a combinação e abri. Tinha tempo que não precisava usar aquilo. Peguei uma peça comprida e fria e passei-a nos dedos, admirando. Senti Rosalie chegar por trás de mim.

- Isso é uma...
- Bala de prata, sim.
- Acha que tenho chances de sair viva?
- Claro que sim, todos sairemos.
- Você sairá... mas nem todos possuem um medalhão.
- Rose, nós sairemos. Eu nunca deixaria nada acontecer a nenhum de vocês. Por mais que você seja insuportável.

Ela me bateu e riu.

- Acho melhor mesmo, ou então eu volto do além para te assombrar.
- Bem, não tenho medo de fantasmas...

Fiquei olhando-a sair do quarto. Me senti mal por mentir para ela. É claro que haveriam perdas. Mas nos Cullens ninguém encostaria. Ou teria que passar primeiro por mim. 



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