OC - Capitulo 5


Bella pov’s
Eu não acreditava que realmente tudo aquilo tinha acontecido entre mim e Edward. Cheguei a pensar que tinha sido apenas um maravilhoso sonho. Talvez fosse. Não importava mais. Não me importava que Edward fosse me ignorar após tudo o que tinha ocorrido, eu me contentaria com o pouco que ele havia me ofertado noite passada. Tomei um longo banho, vesti minhas melhores roupas e fui para o meu trabalho meia hora mais cedo.
...
-Bom dia Bella! –Jessica disse radiante naquela manhã, eu fingia estar atenta a uma papelada, mas minha mente vagava longe. –Hei, você me ouviu? –Perguntou e só assim despertei.
-Oi Jess. Desculpe-me, eu estou um pouco desatenta hoje.
-Desatenta é apelido, garota! Que bicho te mordeu? –Perguntou enquanto se sentava em sua mesa. Pensei que aquela era a oportunidade para contar o que havia acontecido, mas se eu fizesse isso todos da empresa saberiam.
-Nada. Eu só estou me sentindo um pouco indisposta para trabalhar. –Menti e Jessica parecia estar tão desatenta que não notou.
-Sabe você bem que poderia deixar a preguiça de lado e sair comigo e com Angela. Arrumaremos rapidinho alguém para você. –Jessica dizia enquanto iniciava seu trabalho. Dei de ombros. Se antes eu já me sentia tentada a esperar pelo milagre de Edward Cullen me perceber e ser o meu primeiro em tudo imagine agora após o que tinha acontecido conosco?
-Que tal outro dia? Quando eu estiver a fim de sair você será a primeira a saber. –Falei apenas para que Jess não insistisse mais com o convite. Ela pareceu se aquiescer e voltou sua atenção ao seu trabalho. Distraída como estava eu não notei que alguém estava bem próximo de mim, do outro lado da divisória.
-Isabella? –Meu nome foi pronunciado docemente, virei-me num átimo. Lá estava ele, meu milagre materializado, os braços apoiados na divisória. Era Edward e, só naquele instante, minhas lembranças sobre ontem não pareceram fruto de uma imaginação iludida.
-O-OI SENHOR CULLEN! –Me levantei da cadeira e por muito pouco não cai sentada. O cumprimentei ruidosamente. Ele parecia se divertir com minhas atitudes.
-Me chame apenas de Edward. Não sou tão velho assim. Diga-me: tem companhia para o horário do almoço?
E lá estava eu, simplesmente congelada de choque. Edward Cullen me convidando para almoçar com ele?
-Claro que ela vai! Bella nunca tem companhia para almoçar. Que tal ao meio dia na porta do refeitório? –Para a minha surpresa era Jessica respondendo por mim incrivelmente animada. Edward reprimiu uma risada.
-Ok. Vemos-nos, Bella. –Falou e caminhou para a sua sala. Tânia estava parada próxima a porta, olhava mortiferamente para a cena toda. Edward se juntou a Tânia e seguiu para a sua sala.
-AI MEU DEUS! AMIGA ME CONTA COMO VOCE...
-Fala baixo Jess! –Sibilei nervosa. Jess parecia louca de histeria.
-O que foi isso Bella? Você conhece o Edward? Quando aconteceu isso? Você... Você TRANSOU com ele é?
-Claro que não Jess! Não diga bobagens eu só... Olha, não conta pra ninguém!
-Claro Bella! Agora desembucha garota! –Eu tinha medo do olhar brilhante de Jess. Ainda sim eu teria que contar caso o contrário eu não saberia mais o significado de paz.
-Tudo bem, eu conto. Ontem, quando eu ia para casa, eu acabei ficando presa no elevador com ele.
-O que? Presa? Mas Edward não utiliza o elevador apenas para os funcionários de maior padrão? –Jess perguntou tão espantada quanto eu havia ficado quando o vi comigo no elevador.
-Por algum motivo ontem a noite ele usou o mesmo elevador que eu. Então subitamente o elevador parou e Edward começou a passar mal. Eu tentei acalmá-lo e consegui. Então... Como agradecimento ele me deu uma carona até em casa e ficou fazendo perguntas sobre mim. Foi só isso.
-SÓ ISSO? Minha amiga você acaba de me relatar o acontecimento do século! Minha nossa! Edward Cullen deu carona pra você! Detalhes, detalhes, eu preciso de detalhes! Ele é cheiroso? Como é o carro dele? Ele tentou bulinar com você? Você o convidou para subir junto a você?
-Jess não foi nada disso. Ele foi super gentil e não tentou nada e eu não fiquei me oferecendo! Que tipo de mulher eu seria se agisse assim?
-A esperta, Bella! Aposto que foi por isso que ele se ofereceu para te dar carona, ele queria que você o convidasse para subir e os dois teriam uma noite de sexo selvagem e...
-JESS! Não diga bobagens! Edward não é esse tipo de pessoa!
-Não é? Bella como você pode ser tão ingênua?
-Talvez você esteja enganada Jess. Só por que Edward é bonito e rico ele não precisa ser um playboy insensível. Eu não acho que ele seja assim.
-Bella, você é tão ingênua! Tudo bem viva no seu conto de fadas acreditando que homens como Edward Cullen são bonzinhos. Desde que você o agarre no final, está tudo bem. Ah e tem que agradecer a mim, eu fechei seu encontro com ele no refeitório. Se dependesse de você Bella, Edward Cullen sairia daqui acreditando que você tem problemas mentais. –Jessica dizia segurando uma risada. Minha cara de surpresa deve ter sido cômica mesmo.
-Eu não... Eu fico tão sem ação perto dele que não consigo agir normalmente. –Admiti, derrotada. Jess levantou-se e deu uma tapinha no meu ombro direito.
-Então treine com um boneco inflável, converse sozinha, eu sei lá Bella, mas não aja dessa forma! Ele vai achar que você tem atraso mental! –Jessica disse e não pude contestá-la, ela tinha razão.
-Eu vou fazer o meu melhor. –Prometi não para Jess, mas para mim mesma. Deus havia me dado uma chance de que Edward me conhecesse, eu não iria fazer feio.
...
-Bella, passe pelo menos um batom! –Jess implorava enquanto eu pegava minha bolsa.
-Melhor não, eu não quero que Edward pense coisas estranhas sobre mim. Ele me conheceu como eu sou, eu não quero que ele pense que sou outra pessoa quando estou diante dele. –Disse já me dirigindo para a saída. Iria para o refeitório cinco minutos mais cedo do que o horário combinado. Ignorando as broncas de Jess, eu segui para o refeitório, temerosa por não saber como ser normal diante de Edward.
“Vamos lá Bella. Imagine que não é Edward, imagine que é o cara que tira cópias de documentos da empresa para você. É isso! O cara das cópias!” –Pensei desta forma e repeti “cara das cópias” como um mantra na tentativa de aquiescer meu nervosismo. Não adiantou. Quase tive um colapso quando adentrei o refeitório. Ah, claro, eu tinha chegado mais cedo então sem chances de encontrá-lo ainda! Sentei em uma mesa afastada da aglomeração para que tivéssemos um pouco de privacidade. Não que fosse acontecer algo, longe de mim criar esperanças!
“Então vou esperá-lo. Será que entro logo na fila de me sirvo da comida daqui? Não, eu não quero parecer uma mal educada ou com pressa demais em comer e me desfazer de sua companhia. Melhor esperá-lo.”.
Assim decidido eu ficar sentada com os olhos fixos na porta.
...
Eu tinha apenas duas horas de almoço. Perdi quarenta e três minutos esperando por Edward. Isso ai, ele não tinha aparecido ainda. A fila para a comida estava gigantesca e eu duvidava que houvesse comida suficiente. Provavelmente tudo acabaria quando eu chegasse até as opções de comida.
Será que Edward havia me dado um bolo de propósito? Não, claro que não! Edward não faria isso comigo. Ainda assim eu estava faminta, precisava comer algo sendo assim levantei-me. Sairia do prédio e comeria apenas um lanche, a fim de evitar a fila inútil, e voltaria ao trabalho. Quando estava me levantando da cadeira, eis que surge Edward, passava apressado pela porta. Voltei a sentar. Ele olhava para o grande refeitório a procura de algo ou alguém. Pensei em chamá-lo, mas ele já era alvo de todos os olhos femininos do lugar, eu não queria chamar atenção para mim. E então ele me viu, sorriu e caminhou em minha direção. Sério, todas as mulheres do refeitório olhavam para ele, espantadas por ele estar ali. Senti meu coração trepidar a cada passo dado por Edward Cullen em minha direção.
“ACALME-SE BELLA! POR FAVOR, ACALME-SE!” –Exigi de mim e todo o aborrecimento pelos quarenta e cinco minutos de espera tinha se evaporado. Eu não me importava de não comer nada, com prazer cederia o restante do meu horário de almoço para conversar com ele.
-Boa tarde. Perdão pela demora. Tive uma reunião de ultima hora. –Disse com um sorriso como quem se desculpa.
-Tudo bem. –Falei com uma voz relativamente composta. Ótimo.
-Então... –Ele olhou para a fila e estreitou os olhos. –Acho que devemos procurar outro lugar para comer, ou você já comeu?
-Ah, não. Eu não comi ainda.
-Então eu vou levá-la em um restaurante que fica próximo. Costumo comer lá. Um excelente lugar. Vamos? –Edward, que ainda estava de pé, estendeu a mão para mim, um meio sorriso encantador nos lábios. Quando ele sorria para mim eu ficava paralisada, incapaz de agir como um ser humano normal.
“VAMOS BELLA! NÃO É HORA DE FICAR DESLUMBRADA COM O SORRISO DELE, SUA IDIOTA!”.
-Edward, eu tenho que trabalhar logo. Se eu for com você posso me atrasar então... –Murmurei super triste por não ter meu momento com ele. Cara por que logo hoje ele tinha que ter uma reunião urgente?
-Não se preocupe. Eu sou seu chefe afinal. Não irei penalizá-la em nada. Por favor, me de o prazer de sua companhia? –Ele pediu, os olhos tão calorosos que por Deus, foi muito para mim! Levantei-me cambaleante e segurei sua mão. Todas as mulheres e até funcionários do sexo masculino olhavam para a cena, atônicos. Bem, naquele momento eu não liguei de ser o centro das atenções. Infelizmente assim que começamos a caminhar para a saída do refeitório, Edward soltou minha mão. Uma pena. Eu estava adorando segurar a sua mão macia e um pouco fria, mas ainda sim um contato agradável. Fomos para o seu carro, ou sua nave, era um carro realmente soberbo! Edward gentilmente abriu a porta para mim e assim seguimos silenciosos para o restaurante o que eu agradeci. Se eu iria passar alguns minutos em sua companhia, eu tinha que me preparar e ficar falando com ele não iria ajudar no processo.
Eu me permiti ficar perdida em pensamentos, mas infelizmente meus pensamentos eram com Edward então não deu para me tranqüilizar como eu queria.
-Chegamos. –Edward disse. Eu nem havia me tocado que ele já havia estacionado seu carro. Apressei-me em abrir meu cinto de segurança e sai sem esperar que Edward abrir a porta para mim. Segui junto a Edward calada e estaquei quando a porta do estabelecimento abriu automaticamente. Só então percebi o quanto era chique o restaurante em que estávamos. Oh merda! Era só o que faltava agora!
-Bem vindos! Ah, senhor Cullen, que alegria em vê-lo e... –O funcionário olhou para mim, deve ter notado pelas minhas vestes que eu era pobre. Lançou um olhar de desdém. –E a sua convidada.
-Olá Sebastian. Veja-nos a mesa de sempre, sim? –Senti a mão de Edward em minhas costas e meu coração bateu erraticamente.
-Ah, como quiser. Sigam-me. – O funcionário disse e passou a caminhar. Não ousei olhar para os lados e verificar a opulência daquele local. Mantive meus olhos no chão. Algumas vezes tropecei, mas Edward parecia estar pronto para me erguer caso eu caísse estatelada no chão. Isso não podia estar acontecendo, não é? Como eu passei de mulher invisível na vida de Edward Cullen para a garota especial que ele levava para almoçar num restaurante chique? Eu nunca saberia repassar a história pra alguém.
-Sentem-se. –O funcionário disse e Edward puxou a cadeira para que eu sentasse. Sempre tão cavalheiro! O funcionário nos cedeu para cada um o cardápio. Eu o peguei e quando o abri quase tive um treco. Nem mesmo todo o meu salário poderia ser o suficiente para uma refeição nesse restaurante. Comecei a suar frio.
-Vamos fazer os nossos pedidos Bella. Você me acompanharia em um vinho? –Edward perguntou. Eu o olhei, devia estar branca. Como diabos eu ia pagar a minha parte?
-Bem eu... Edward... Senhor Cullen esse... Eu não vou poder pagar a minha parte. –Sibilei querendo enterrar minha cabeça no chão como uma ema. Edward sorriu.
-Você é minha convidada. Claro que serei eu a pagar seu consumo aqui.
-Não posso aceitar! Tudo aqui é muito caro senhor.
-Me chame de Edward, por favor. –Ele virou-se para o funcionário e disse:
-Uma garrafa de seu melhor vinho tinto. Eu não desejo comer nada, mas a senhorita certamente deseja. Diga-me Bella, o que deseja comer? –Cruzou as mãos e as colocou abaixo do queixo. Foi difícil desviar meus olhos de toda a sua perfeição e olhar o cardápio, mas eu o fiz.
-Bem eu... Eu quero algo bem leve e que não seja uma comida esquisita. –Disse enquanto olhava para o cardápio. Que bosta! O que eu fui falar?
-Então recomendo um salmão grelhado com molho de menta para a senhorita. Um prato leve e saboroso. –O funcionário disse e notei que tinha um sorrisinho de escárnio. Eu assenti sem graça. Os cardápios foram retirados da mesa e o funcionário afastou-se.
-Parece sem jeito com este ambiente. Perdão. Eu deveria ter escolhido um restaurante em que você pudesse se sentir bem.
-Não se preocupe Edward. Não me importo. Então... Não vai comer nada? Deveria comer se não comeu até agora.
-Estou sem fome. Beberei apenas vinho. Acompanhará-me? –Perguntou e vi o mesmo funcionário trazer o vinho.
-Eu não bebo. –Disse enquanto uma taça de cristal era colocada diante de mim.
-Abra uma exceção agora. Eu não gosto de beber sozinho. Não se preocupe, você não ficará bêbada.
-Tudo bem. –Concordei e o funcionário serviu a mim e a Edward. Eu nunca bebia, não sabia beber, mas não consegui dizer não a Edward. Beberiquei o vinho, não era tão bom, eu preferiria beber coca, mas não poderia contrariar Edward. Edward me olhava intensamente enquanto bebia.
-Edward, por que me convidou para jantar? –Perguntei e me arrependi da pergunta. Não queria parecer aborrecida ou algo assim.
-Não sabe? –Perguntou voltando a sorver vinho. Eu peguei minha taça e beberiquei a bebida mesmo não sendo do meu agrado.
-Não. Pode me explicar? Ainda é por se sentir grato por ontem?
-Não Bella. Não é apenas por isso. Como posso explicar... Hmmm... –Estava perdido em pensamentos e desejei poder ler mentes. Algo brotou em mim: esperança. O que? Eu com esperanças de ser outra coisa que não uma simples funcionaria? Eu devia estar bêbada com o pouco que bebi.
-O que? –Inclinei-me a frente dele e então minha refeição veio. Droga! Edward pareceu dar toda a sua atenção a sua taça de vinho e eu tive que dar atenção à comida. Não foi fácil comer. Toda a fome que eu sentia desapareceu. Ainda sim me forcei a comer e nossa! A comida era super deliciosa! No entanto vinha em pouca quantidade, eu não entendo gente rica que gasta tanto com tão pouco. Não foi fácil comer com classe, ainda mais com tantos talheres sobre a mesa, mas procurei apenas me lembrar do básico: coma devagar e com a boca fechada. Edward passava a maior parte do tempo olhando-me, às vezes parecia sorrir. Ele era tão encantador! Parecia estar apreciando estar comigo e isso me deixava tão feliz! De tão distraída que fiquei, logo o meu prato estava vazio. Eu pensei em não tocar no assunto temendo decepção com as palavras de Edward. Fiquei ocupada demais com minha taça e quando havia esvaziado a taça, Edward colocou mais para mim. Murmurei um “obrigado” e fitei a toalha de mesa.
-Então, retomemos ao assunto em foco. –Disse e se serviu de mais uma taça da garrafa de vinho. Fiquei tensa. O que ele iria falar? –Você queria saber o porquê de eu convidá-la para almoçar, não é? –Seu meio sorriso era uma coisa de louco. Eu estava hiperventilando sem saber.
-Sim. –Disse tão baixo que não tinha certeza se Edward tinha me ouvido. Ele segurava a taça mexendo o conteúdo do vinho para lá e para cá enquanto balançava.
-Serei direto, Bella. Não é de o meu feitio enrolar.
O que? Que papo era esse? Oh droga ele vai me despedir ou o que? Talvez me ofereça um cargo...
-E o que tem para me dizer? Não consigo imaginar o que. Vai me demitir ou algo assim? –Cara eu odeio quando exteriorizo meus pensamentos, mas parece um tic. Não dá pra fugir disso. Edward sorriu.
-Claro que não! Eu não demitiria alguém que tanto me fascina desde o dia em que impedi você de cair no corredor.
O que? O que ele disse? Estou com cera do ouvido? Não, Edward não disse isso!
-Mentira... –Murmurei debilmente. Eu não conseguia me conter.
-Acha que estou mentindo? Por que mentiria pra você?
-Não sei Edward, mas acho difícil de acreditar que eu fascine você. Eu sou tão desinteressante! Eu... –Edward fez sinal para o funcionário que nos atendeu vir até nós interrompendo-me. Eu me calei instantaneamente.
-Sim senhor Cullen?
-A conta. –Retirou um cartão de credito do bolso interno do paletó que usava juntamente com duzentos dólares. –Sua gorjeta. –Disse apontando para as notas. Quem dá duzentos paus de gorjeta? Apenas alguém rico. O homem sorriu como um retardado e se encaminhou para o caixa. Eu fiquei calada sem saber como iria tocar novamente no assunto. Edward tinha um olhar perdido para uma persiana de vidro atrás de mim. O funcionário trouxe o papel com a conta e o cartão, tudo já pago. Edward levantou-se e eu fiz o mesmo. O clima estava tão estranho que pensei em pedir a Edward para ir de ônibus para a empresa. Enquanto seguia para seu carro olhei nervosamente para meu relógio de pulso, eram duas e meia, meia hora de atraso. Eu estava me sentindo leve e um pouco tonta. Cambaleei duas e vezes e nas duas senti a mão de Edward em sinal de apoio. E então estávamos dentro do carro. Eu fiquei mortalmente calada e prometi a mim mesma não falar nada de constrangedor, ou seja, nem tocar no assunto que estávamos falando. Edward dirigiu direto para a empresa e assim que ele estacionou seu carro eu me apressei em sair.
-Obrigada pelo almoço e pela carona. Tenha um bom dia. –Falei rapidamente desafivelando o cinto e tentando abrir a porta, mas não consegui. Edward segurou-me pelo braço impedindo-me de sair.
-Espere. Temos algo a tratar antes. –Ele disse e eu congelei. Eu não estava preparada para o que quer que viesse agora.
-So-sobre o que? –Perguntei enquanto gaguejava.
-Não acabamos nossa conversa. Você dizia que não sabia os motivos por eu sentir fascínio por você e quando eu ia responder o funcionário do restaurante nos interrompeu.
Eu nem conseguia olhar para a cara de Edward. Isso não podia estar acontecendo, podia?
-Ah, sim. Olha, eu sei que você está muito agradecido com o que aconteceu, mas qualquer um teria feito o que eu fiz então...
-Você não agiu como qualquer uma. Você foi maternal. As outras pessoas não seriam assim.
Eu fiquei espantada. Naquele instante eu tinha todos os pensamentos possíveis com Edward, menos pensamentos maternais. Se bem que... Quando o vi frágil daquele jeito eu quis protegê-lo. Talvez ele tenha interpretado isso como sentimento maternal e não como amor.
-Pode até ser, mas... –Virei-me para ele a fim de simplificar tudo e disse:
-Afinal, o que você quer de mim? –Perguntei com a voz tremula de expectativa e medo.
-O que eu quero? Bem... Fico feliz que tenha ido direto ao ponto. Eu também sou assim, direto. Importa-se se, ao invés de dizer, eu lhe mostrar o porquê de tudo isso? –Ele perguntou inclinando em minha direção. Então tudo aconteceu rápido ou lento demais, eu não me senti presa a coisas tão banais como o tempo. Em um momento Edward estava olhando para frente sentado em seu banco e no outro seu corpo estava inclinado em minha direção, sua mão em minha nuca puxando-me para ele e seus lábios nos meus. E então eu desmaiei de olhos aberto e consciente. Isso é possível? Sim, era. Eu não conseguia me mexer e nem corresponder ao beijo. Apenas fiquei parada enquanto sentia os lábios macios roçando nos meus e estes mesmos lábios tentando aprofundar o beijo separando meus lábios.
“MEXA-SE SUA IDIOTA! MEXA-SE!” –Eu gritava para mim mesma, mas meu corpo continuou entorpecido demais para agir. Edward afastou-se e olhou-me claramente confuso.
-O que foi? –Perguntou visivelmente preocupado. Ele devia ver que eu estava mais branca que uma vela.
-Eu preciso ir. –Murmurei e sai do carro sem me dar ao trabalho de olhar para trás e ver o semblante chocado de Edward. Eu sei, eu era uma idiota. O que eu estava fazendo afinal? Minha chance de te-lo e lá estava eu fugindo dele! Eu era burra. EU ERA BURRA! BURRA! IDIOTA! IMBECIL!
...
-Ah ai está você! Onde esteve? –Jessica perguntou e sabia que não iria ter paz.
-Como assim onde estive Jess? Sabe que eu fui almoçar com ele.
-Mas eu fui ao refeitório e não vi você. Para onde foram? Saiu com ele? OH ME DEUS VOCÊ FOI PARA UM MOTEL COM ELE?
-Claro que não! Edward me levou a um restaurante freqüentado por ele.
-Nossa então deve ter sido um restaurante muito chique! –Disse Jess com a cara cheia de assombro.
-Sim e ele pagou a conta. Não tinha como eu pagar.
-E então Bella sobre o que conversaram? –Jess queria que eu lhe dissesse algo quente como “Edward tentou me seduzir”, mas eu não podia. Eu não havia digerido o que tinha acontecido. Eu não poderia contar até por que Edward poderia querer segredo. Eu estava um caos então para não piorar as coisas menti casualmente.
-Sobre a empresa, essas coisas. Acho que o Edward se aproximou de mim para saber os podres dos funcionários, quem rouba material de escritório e blá blá blá. –Falei com um meio sorriso nos lábios. Jess não somente acreditou como parecia decepcionada que meu encontro com Edward tivesse sido para esse fim.
-Cara que droga! Pensei que iria rolar algo. Tem certeza de que ele não se mostrou interessado? Não te olhou de um jeito estranho? Não tentou passar a mão em você?
-Não Jess. O Edward não fez nada. Por que ele faria? Eu sou tão... Sem graça. –Olhei para o piso e essa era minha incógnita. Por que eu? Alguma coisa estava errada. Ainda sim... A felicidade foi me tomando e eu me peguei sorrindo como uma retardada. Jess estava ocupada demais no MSN com Mike para notar minha mudança. Eu estava pasma, eu realmente havia beijado Edward! Ainda sim era difícil acreditar. Estava mais fácil acreditar que usei cocaína no banheiro e tive alucinações do que crer nisso.
Eu fiquei perdida em pensamentos com Edward Cullen e nem consegui trabalhar bem. Fiquei agradecida que o horário de saída estivesse próximo e naquele momento algo me ocorreu tardiamente. OH MEU DEUS O QUE EU FIZ? EU DISPENCEI ELE! AI MEU DEUS! EU SOU UMA IDIOTA! IDIOTA!
-Hei Bella, amiga, você ta bem? Por que você ta batendo a cabeça na sua mesa? –Jess perguntou e só então percebi que estava agindo como uma demente.
-Ah eu... Bem eu... Eu to com dor de cabeça, é isso.
-E em que planeta você acha que bater a cabeça na mesa vai melhorar sua dor de cabeça Bella? –Jess disse com escárnio. –Acho que você ficou balançada com o Edward, uma atitude muito estranha da parte dele. Imagine convidá-la para almoçar e fazer perguntas sobre a empresa? Super broxante!
Jessica continuou a criticar Edward e enquanto isso eu me arrumava para sair uns minutos mais cedo. Eu havia cometido um erro. Quando Edward me beijou eu simplesmente surtei. Precisava corrigir meu erro ou iria perdê-lo. Sai de fininho sem que Jess percebesse e fui para a garagem. O carro dele ainda estava lá então fiquei lá parada esperando e pensando no que eu diria. A princípio eu pensei em dizer tudo o que sentia por ele, todo o meu amor, mas desisti. Eu não podia fazer isso, eu iria assustá-lo.
“Vamos lá Bella, uma coisa de cada vez.” –Pensei e procurei respirar pausadamente. Foi preciso apenas alguns minutos para que eu sentisse uma presença atrás de mim, uma respiração quente na minha nuca. Virei-me e lá estava ele.
-Oi. –Disse de forma calorosa. Eu me derreti no brilho dos seus olhos. E então me lembrei da merda que tinha feito. Tratei de corrigir.
-Edward sobre o que aconteceu na hora do almoço eu... Eu sinto muito! Eu estava confusa e... –Edward colocou o dedo indicador nos meus lábios.
-Quer uma carona para casa? –Edward sugeriu. Meu coração quase saltou do peito.
-Quero. –Murmurei. Edward deu um meio sorriso e abriu a porta para mim, eu entrei sem hesitar. E teria mais momentos Edward Cullen na minha vida.
Edward pov’s
Acordei moído. A noite de sexo selvagem com Tânia tinha sugado minhas energias. Tânia dormia tranquilamente ao meu lado, a cabeça encostada em meu peito. Olhei de esguelha para o relógio digital em cima do criado mudo, já estava na hora de ir para a empresa.
-Tânia, acorde. Temos que ir para a empresa. –Disse tirando-a de cima de mim e pondo-me de pé. Procurei pelo meu roupão, estava jogando de qualquer jeito no chão. O vesti. Eu a vi se remexer na cama.
-Tânia, melhor se levantar agora. Vamos tomar banho juntos assim não nos atrasaremos. –Falei e a vi reagir. Tânia levantou-se cambaleante. Seguimos para o banheiro.   
...
Hoje minhas atenções seriam apenas de Isabella. Eu havia brilhantemente criado um vinculo com ela no elevador, poderia fazer o que quiser sem parecer estranho, convidá-la para sair ou flertá-la. Teria que ter cuidado com Alice. Ela poderia estragar meus planos se descobrisse quem era minha vitima. Não, eu não iria pensar no que Alice faria quando visse a escolhida, isso iria me atrapalhar. Desci do carro ladeado por Tânia. Ela deixara o mau humor de lado com a noite que proporcionei para ela, o que estava bom, odeio ouvir piti de mulher.
-O que temos hoje? Muitos afazeres? –Perguntei a ela. Tânia deu de ombros.
-Seu dia será tranqüilo hoje. Poucas reuniões.
-Bom. –Murmurei já sabendo como iria preencher meu dia. Pensei na possibilidade de convidar Bella para almoçar, bater um papo e quem sabe plantar na garota uma sementinha de esperança de que ela poderia ter algo comigo.
Minha sala passava pelo setor da contabilidade, setor de Isabella. Se iria almoçar com ela precisava fazer o convite ainda cedo. Ignorando os olhares e suspiros enquanto adentrava a empresa, procurei ficar atento quando entrei no setor da contabilidade. Parei. Tânia parou ao meu lado, olhava minha agenda.
-O que foi? –Sussurrou. Eu olhava para as divisórias a minha frente.
-Espere aqui. Tenho algo para fazer. –Disse seguindo para as divisórias. Não devia ser difícil achá-la.
-Bom dia senhor Cullen. –Dizia animadamente as moças ao meu redor. Nem me dei ao trabalho de responder. Olhei para as divisórias e por fim eu a encontrei. Isabella estava sentada a sua mesa parecendo mais distraída do que nunca. Talvez a garota tivesse autismo e não revelou isso no seu currículo. Encostei-me na divisória enquanto a olhava, ela estava horrorosa como sempre com aquelas roupas para inverno e sem um pingo de maquiagem. Meu Deus como alguém pode ser tão desleixada?
-Isabella? –A chamei na voz mais afável que consegui. Isabella virou num átimo.   
-O-OI SENHOR CULLEN! –Levantou-se da cadeira e quase caiu sentada. Por Deus como essa coisa era desastrada! Eu estava quase desistindo da herança só para não ter que me envolver com ela, quase.
-Me chame apenas de Edward. Não sou tão velho assim. Diga-me: tem companhia para o horário do almoço? –Perguntei e então ela congelou. O que foi que eu disse afinal? Ela simplesmente ficou parada como uma estátua.
-Claro que ela vai! Bella nunca tem companhia para almoçar. Que tal ao meio dia na porta do refeitório? –Quem falou foi à colega de trabalho dela que eu nem ao menos havia notado. Ela parecia tão empolgada como se o convite tivesse sido direcionado a ela. Seria tão mais fácil lhe dar com tipos fáceis como aquela garota ao invés de Isabella!
-Ok. Vemo-nos, Bella. –Falei e caminhei para minha sala, eu já havia perdido muito tempo com a garota. Tânia me olhava com raiva, toda a felicidade de nossa noite juntos, esquecida.
-Vamos. –Sibilei para ela seguindo para minha sala. Felizmente Tânia não soltou os cachorros quando ficamos a sós e eu pude transcorrer com o meu dia da melhor forma pensando em como seria minha nova abordagem. Claro que eu poderia seduzir Isabella de forma lenta, mas eu estava com pressa demais para afanar o que era meu. Eu seria rápido e letal e a faria casar comigo mais rápido do que o previsto.
-Então... A que horas é a primeira reunião? –Perguntei a Tânia sentando em minha mesa. A diversão começaria apenas na metade do dia.
... 
-Por hoje é só? –Perguntei a Tânia enquanto a sala de reuniões se esvaziava. Tânia, de pé e com os olhos fixos em minha agenda em suas mãos, disse:
-Sim. Como eu havia lhe falado hoje seu dia seria menos tumultuado.
Olhei para meu relógio de pulso, eu havia dito a Isabella que nos encontraríamos no refeitório ao meio dia, era meio dia e dez. Dez minutos de atraso, algo super aceitável.
-E então Edward vai me dizer o que foi falar com aquela garota? –Ela perguntou entredentes. Suspirei. Eu sabia que Tânia tocaria no assunto.
-Eu a convidei para almoçar comigo agora ao meio dia. Deve estar me esperando no refeitório. –Falei enquanto me ajeitava na poltrona onde estava sentado da forma mais confortável possível.
-Então vai dar o bote na garota?
-Claro Tânia. Quanto mais rápido melhor. Eu estou com pressa demais para satisfazer a última vontade de meu pai. –Falei com sarcasmo.
-Se é assim por que está parado aqui? Não deveria estar lá no refeitório com a sua gata borralheira?
-Não. Eu não vou de imediato, não quero que Isabella pense que estou louco por ela e fique de fofoca com as amigas. Vou deixá-la esperando um pouco. –Comecei a rir. Eu queria poder ver a tal Isabella sentada, desolada, acreditando que dei bolo nela.
Talvez eu estivesse sendo muito mal. Eu deveria ser um verdadeiro príncipe com Isabella até o dia do casamento e deixá-la esperando muito no refeitório, com fome e com a cara de tacho. Ainda sim fiquei perdido em pensamentos nada amistosos a respeito da garota enquanto o tempo passava. Quando me dei conta logo daria uma hora. Fui para o refeitório.
-Tânia, eu vou sair. –Disse pegando meu paletó e vestindo-o. Tânia me olhou com sua típica cara mal humorada, mas nada disse. Caminhei a passos lentos para o refeitório. Eu não iria comer naquele muquifo, claro. A levaria para o meu restaurante favorito, talvez a única vez em que uma pobretona como ela iria comer uma comida de verdade.
Quando adentrei o lugar eu procurei Bella e lá estava ela em uma mesa afastada de todos os outros funcionários.
“Vamos ao teatro! Lembre-se Edward: você está apaixonado por ela. Tem que convencer ela a isso.” –Pensei enquanto caminhava em sua direção. Ela estava branca, eu não sabia que eu tinha esse efeito tão devastador nas mulheres.
-Boa tarde. Perdão pela demora. Tive uma reunião de ultima hora. –Disse e tive que me conter para não rir, foi realmente divertido deixá-la na expectativa. 
-Tudo bem. –Falou até composta para o meu gosto.  
-Então... –Olhei para a fila de funcionários, um bando de pobre aglomerado na comida. Que nojo! –Acho que devemos procurar outro lugar para comer, ou você já comeu?
-Ah, não. Eu não comi ainda.
-Então eu vou levá-la em um ótimo restaurante que fica próximo. Costumo comer lá. Um excelente lugar. Vamos? 
-Edward, eu tenho que trabalhar logo. Se eu for com você posso me atrasar então...
O que? Eu estava sendo dispensado por trabalho?
-Não se preocupe. Eu sou seu chefe afinal. Não irei penalizá-la em nada. Por favor, me de o prazer de sua companhia? – Estendi a mão para Isabella, ela demorou a aceitar minha ajuda. Deslumbrada como todas as moças que eu conseguia seduzir sem esforço, mas de uma forma bem mais potente. Perguntei-me por que nela as reações eram tão estranhas. Ela seguiu comigo, mas larguei sua mão. Eu não queria também ficar colado com a garota. Bom, é bem verdade que eu estaria mentindo se dissesse que foi ruim segurar sua mão. A mão de Isabella era macia, quente. Imaginei essas mesmas mãos passando pelo meu corpo e... O que eu estava pensando? Devia ser falta de mulher gostosa. Talvez eu devesse contratar uma profissional do sexo para variar.
Continuei a caminhar até o carro. Isabella me seguia silenciosa. Entramos em meu carro e seguimos para o meu restaurante.
 -Chegamos. –Anunciei e Isabella saiu antes que eu abrisse para ela. Não devia estar acostumada a cavalheirismo, aliás, não devia estar acostumada a homem.
-Bem vindos! Ah, senhor Cullen, que alegria em vê-lo e... E a sua convidada. –O funcionário acostumado a me atender disse. Notei   que durante sua pausa olhou para Isabella, mas dei de ombros.
-Olá Sebastian. Veja-nos a mesa de sempre, sim? –Coloquei minha mão nas costas de Isabella para guiá-la até a mesa.  
-Ah, como quiser. Sigam-me. – funcionário disse e passou a caminhar. Isabella olhava para o chão, devia estar envergonhada.
-Sentem-se. –O funcionário disse e puxei a cadeira para Bella. Sebastian nos cedeu os cardápios. 
-Vamos fazer os nossos pedidos Bella. Você me acompanharia em um vinho? –Eu a olhei e me assustei. Bella estava branca. O que essa garota tinha? Era de alguma religião que proibia beber vinho?
-Bem eu... Edward... Senhor Cullen esse... Eu não vou poder pagara minha parte. –Sibilou. Eu sorri. Pobre era uma desgraça mesmo!  
-Você é minha convidada. Caro que serei eu a pagar seu consumo aqui. –Pensei que ela iria desfazer aquela cara de espanto quando me ofereci a pagar a conta, mas ela continuava apavorada.
-Não posso aceitar! Tudo aqui é muito caro senhor...
-Me chame de Edward, por favor. –Virei-me para Sebastian. –Uma garrafa de seu melhor vinho tinto. Eu não desejo comer nada, mas a senhorita certamente deseja. Diga-me Bella, o que deseja comer? –Perguntei.
-Bem eu... Eu quero algo bem leve e que não seja uma comida esquisita. –Que coisa tosca de se dizer. Essa garota era uma coisa!
-Então recomendo um salmão grelhado com molho de menta para a senhorita. Um prato leve e saboroso. –Sebastian disse segurando uma risada assim como eu.
-Parece sem jeito com este ambiente. Perdão. Eu deveria ter escolhido um restaurante em que você pudesse se sentir bem. –Disse só para que ela não tivesse a impressão errada de mim.
-Não se preocupe Edward. Não me importo. Então... Não vai comer nada? Deveria comer se não comeu até agora.
-Estou sem fome. Beberei apenas vinho. Me acompanhará? –A imaginei bebendo e o que poderíamos fazer. Eu poderia embebedá-la e levá-la para a cama. Após transarmos eu poderia inventar que era muito religioso e que precisávamos casar. Não, ia ser algo muito idiota. Além do que eu havia prometido que, por mais que casássemos, eu não iria tocar em Isabella.
-Eu não bebo. –Falou. Eu bem que esperava uma resposta assim.
-Abra uma exceção agora. Eu não gosto de beber sozinho. Não se preocupe. Você não ficará bêbada. –Insisti não para seduzi-la, mas por que odiava beber sozinho.
-Tudo bem. –Ela concordou e logo estávamos degustando de nossa taça de vinho. Eu não conseguia tirar os olhos dela, precisava planejar meu próximo passo e tinha de ser cauteloso. Isabella não era como as outras mulheres.  
-Edward, por que me convidou para jantar? –Perguntou subitamente. Eu estaquei. Não imaginava que ela seria tão direta. Mais e mais diferente das mulheres com que eu costumo lhe dar.
-Não sabe? –Perguntei enquanto sorvia o vinho. Ela apenas apressou as coisas para mim. Que bom, já estava cansado de perder tempo.
-Não. Pode me explicar? Ainda é por se sentir grato por ontem?
Hmmm... Ela era perceptiva. Eu teria que ter cuidado com ela.
-Não Bella. Não é apenas por isso. Como posso explicar... Hmmm... –Como eu iria explicar para ela meu súbito interesse. Bom eu poderia dizer “Bella quero ganhar granas as suas custas!”. Será que sendo sincero eu melhoraria as coisas para nós dois?
-O que? –Ela perguntou bem no momento em que sua comida veio. Ela pareceu desapontada. Mais tempo para pensar. Pensar em como dizer algo como “eu estou apaixonado por você” sem vomitar. Ela seria certamente a garota mais sem graça com quem eu já me envolvi. Eu só não esperava sujar minha lista de mulheres deslumbrantes que peguei com ela de forma permanente.
“Olha como ela come! Parece uma caipira tentando não fazer feio! Está até usando os talheres de salada para comer peixe. Que coisa deprimente!” –Pensei enquanto sorvia meu vinho. De uma coisa eu estava certo: eu não iria levá-la a nenhum evento empresarial na minha companhia.
Após comer tudo como a esfomeada que devia ser, servi vinho para Isabella. Murmurou um “obrigado” e continuou a beber sem tocar no assunto.
-Então, retomemos ao assunto em foco. –Disse me servi de mais uma taça da garrafa de vinho. –Você queria saber o porquê de eu convidá-la para almoçar, não é?
-Sim. –Disse tão baixo que quase não ouvi.  
-Serei direto, Bella. Não é de o meu feitio enrolar. –Falei. Eu queria encurtar toda essa estória e me livrar logo da companhia dela.
-E o que tem para me dizer? Não consigo imaginar o que. Vai me demitir ou algo assim? –Eu sorri. Como alguém pode ser tão burro e não perceber que tenho interesses sexuais? Bom, não exatamente interesse sexual. A última coisa que quero é me deitar com ela. Porém eu fingia estar interessado, alguém mais perceptivo teria notado.
-Claro que não! Eu não demitiria alguém que tanto me fascina desde o dia em que impedi você de cair no corredor. –Credo, como estava me custando dizer isso! O rosto dela mostrou choque. Claro, ela não esperava que um cara como eu dissesse que sente fascínio por ela. Ela não tinha isso nem nos seus sonhos mais otimistas.
 -Mentira... –Murmurou.
-Acha que estou mentindo? Por que mentiria pra você?
-Não sei Edward, mas acho difícil de acreditar que eu fascine você. Eu sou tão desinteressante! Eu... –Fiz sinal para o funcionário. Eu tinha que me conter para não disparar a verdade e dizer algo como “realmente eu devo ter fumado pedras de crack para mostrar interesse por você!”. 
-Sim senhor Cullen?
-A conta. – Retirei meu cartão com a gorjeta. –Sua gorjeta. –Disse apontando para as notas. Sebastian saiu satisfeito. Bem como eu imaginava do momento em que saímos do restaurante até a empresa, Isabella emudeceu. Ela certamente estava tendo dificuldade para digerir tudo. Agora eu havia dito que sentia fascínio por ela, não poderia voltar atrás. Fecharia o encontro com chave de mestre, teria que beijá-la. Tinha a impressão que seria a primeira vez que essa garota beijava, em outras palavras, seria um saco fazer isso. Eu não gostava de ser o professor de coisas como beijo e sexo, era tedioso demais.
-Obrigada pelo almoço e pela carona. Tenha um bom dia. –Falou rapidamente fazendo menção de sair. A segurei pelo braço.
-Espere. Temos algo a tratar antes. –Disse e a senti enrijecer. 
-So-sobre o que? –Isabella falou enquanto gaguejava, estava nervosa.
-Não acabamos nossa conversa. Você dizia que não sabia os motivos por eu sentir fascínio por você e quando eu ia responder o funcionário do restaurante nos interrompeu.
 -Ah, sim. Olha, eu sei que você está muito agradecido com o que aconteceu, mas qualquer um teria feito o que eu fiz então...
-Você não agiu como qualquer uma. Você foi maternal. As outras pessoas não seriam assim. –Eu fui sincero. Talvez não devesse fazer isso, exteriorizar esse tipo de pensamentos, ainda mais algo tão intimo, mas o fiz. Lembrei-me rapidamente do que senti, aquele calor maternal. Não, não é hora para pensar nisso!
 -Pode até ser, mas... Afinal, o que você quer de mim? –Ela perguntou diretamente, mas tremia. Imaginei que devia estar sendo difícil para ela ir direto ao ponto. Eu também seria direto. Queria acabar logo com tudo.
“Vamos lá Edward, é só um beijo! Não vai doer!” –Pensei enquanto executava meu bote. Eu seria rápido letal.
-O que eu quero? Bem... Fico feliz que tenha ido direto ao ponto. Eu também sou assim, direto. Importa-se se, ao invés de dizer, eu lhe mostrar o porquê de tudo isso? –Inclinei-me em sua direção, envolvi sua nuca com uma de minhas mãos e colei meus lábios aos seus. Eu me permiti relaxar e fingir que não era ali. Impossível. Eu acabei executando ao beijo pensando exatamente nela e experimentei algo angustiante ao beijá-la. Eu pude sentir a pureza a doçura daquela criatura pelos seus lábios evidentemente castos. Eu beijava uma menina nunca antes tocada e isso era tão estranho... Meio... Maravilhoso. Eu era seu primeiro e senti a necessidade de fazer com que aquele momento fosse especial para ela. Tentei aprofundar o beijo querendo verdadeiramente provar o interior de sua boca com minha língua para saber se podia ser tão doce como os lábios, mas Isabella não reagiu. Eu me afastei. Que diabos! Ela não estava correspondendo!
-O que foi? –Perguntei. Isabella estava branca como uma vela.
-Eu preciso ir. –Disse e simplesmente fugiu. Eu fiquei parado, a cara chocada. O que é isso? Eu fui dispensado por ela? Mias que porra era essa?
...
-Oi gatinho. E ai? Como foi o encontro com aquela coisinha? –Tânia disse assim que passei pela porta, a voz tingida de sarcasmo. Algo no meu semblante fez com que ela parasse com a brincadeira. Caminhei até minha mesa e sentei em minha poltrona afrouxando a gravata.
-Eu a beijei. –Foi tudo o que disse.
-Então ela já está no papo. Eu já imaginava. Qual a próxima coisa a fazer? Mandar um buque de flores e caixa com chocolates?
-Não. A próxima coisa a fazer é procurar outra candidata. Essa não vai servir. –Disse e vi o rosto de Tânia tomado pelo espanto.
-Por que não? O que aconteceu? –A curiosidade era o sentimento que predominava em Tânia. Decidi contar a verdade assim eu teria uma opinião feminina sobre o ocorrido.
-Eu a beijei no carro, mas ela não correspondeu. Não entendi. Tudo estava indo muito bem, quero dizer, quase bem. Ela é muito estranha.
-Eu lhe disse Edward que essa não ia servir.
-É Tânia você estava certa. Por que acha que ela reagiu assim ao meu beijo? Não correspondeu e quase correu no carro.
-Sei lá Edward, mas... Olhando para ela, eu acho que você foi o primeiro cara que ela beijou na vida!
-E?
-Tudo é estranho quando é o primeiro cara. Ela deve ter ficado assustada, sei lá. Não importa. Procure logo uma que não dê tanta dor de cabeça e termine com esse plano patético. –Disse enquanto vinha e se aconchegava em meu colo. Eu estava tão confuso que nem fiquei excitado por sentir seu corpo to colado ao meu.
-É o jeito. Acho que dessa vez procurarei alguém mais “fácil” e rezar para que ela consiga a simpatia de Alice o que eu duvido que ocorra facilmente. –Suspirei frustrado. Ter que recomeçar a procura não era algo que estava nos meus planos. Pena. Isabella, apesar das atitudes estranhas, me pareceu facilmente manipulável.
...
-Tem certeza de que não quer companhia? –Tânia perguntou apertando minha bunda. Às vezes era tão fácil me cansar dela!
-Já disse que não Tânia. Estou muito cansado. Amanhã, ok? –Eu estava cansado não de sexo, mas dela. Eu iria me desestressar da melhor forma: com uma profissional do sexo muito gostosa. E quando voltei minha atenção para o carro estacionado a alguns metros eu estaquei. Isabella estava parada lá. Mas por quê? Um sorriso apareceu involuntariamente dos meus lábios.
-Parece que sou mais irresistível do que pensei. –Murmurei. Tânia olhou para mim confusa, não havia percebido Isabella parada próxima ao carro.
-O que foi Edward?
-Tânia, vá para casa de taxi. –Peguei minha carteira e retirei uma nota de cem dólares da mesma, algo que eu usava em último caso, não gostava de usar dinheiro apenas cartão de credito.
-ORA MAIS POR... –Tapei seus lábios com um dedo. Ela olhou para o carro e viu Isabella.
-Parece que a garota ainda está na jogada. Seja boazinha e vá sem causar problemas. –Disse a ela beijando seus lábios. Ela olhou para mim amuada e seguiu para outra saída. Respirei fundo, hora de voltar a ser Edward, o príncipe num cavalo branco.
Ela estava tão distraída que não percebeu meu dialogo com Tânia, nem ao menos percebeu minha aproximação. Quando cheguei bem perto eu disse:
 -Oi. –Ela virou-se num átimo, assustada, e disse:
-Edward sobre o que aconteceu na hora do almoço eu... Eu sinto muito! Eu estava confusa e... –Coloquei o dedo nos seus lábios.
-Quer uma carona para casa? –Sugeri. Os planos traçados. Ela não iria escapar mais de mim. Eu iria prendê-la a mim.
-Quero. –Murmurou. Como eu havia pensado... Fácil demais. Eu não havia perdido o jeito com as mulheres. Abri a porta do carro, ela entrou sem hesitar.
Em menos de dois meses Isabella seria minha esposa.



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