OC - Capitulo 4


Bella pov’s
Sonhei com Edward. Não era a primeira vez, mas... Estranho dizer que nem nos meus sonhos eu era feliz. Em meu sonho eu via Edward, lindo como sempre, trajando um blazer preto.
“Edward?” –Eu o chamei uma, duas, três vezes. Eu o vi se afastar cada vez mais e então desaparecer. Algo que eu já estava acostumada a ver, Edward estava sempre fora do meu alcance. Ainda sim foi doloroso e eu acordei, como sempre, com os olhos marejados.
Mais um dia no meu tedioso trabalho. A única diferença dos outros dias é que eu estava atarantada com trabalhos. Eu não era a única, Jess também estava super ocupada. Ainda sim ela arranjou tempo enquanto trabalhávamos em nosso cubículo para falar sobre o seu relacionamento intenso com Mike e como até mesmo Angela conseguiu ficar com alguém. Eu ouvi a tudo e falei quando necessário, mas senti algo estranho, uma pressão no peito. Durante a minha ida ao refeitório eu entendi o que era: eu estava triste. Todas as minhas amigas, poucas eu admito, estavam seguindo com suas vidas. Iriam se casar e teriam filhos, teriam uma vida. Eu não. Eu estava parada enquanto todos seguiam com suas vidas e este pensamento me sufocou. Ainda sim fingi estar bem ou pelo menos normal e ninguém pareceu perceber que eu estava deprimida.
-Hei Bella, que tal saímos? –Angela perguntou. Ela já havia acabado seu trabalho e estava na minha divisória. Eu arrumava meus pertences em minha pasta. Jess conversava animadamente com Mike pelo seu celular, do lado de fora de nossa divisória.
-Obrigada Angela, mas vou para casa. Hoje foi um dia cansativo. –Disse. –Você vai sair com Jess?
-Sim. Vamos nos encontrar com alguns amigos. –Angela disse levemente rubra. Deduzi que os amigos que ela se referia eram Mike, namorado de Jess, e o cara com quem Angela estava ficando. Certamente eu seria um candelabro e tanto!
-Espero que se divirtam. –Disse e afastei-me. –Vou sair antes que Jess tente me arrastar para sair. –Pisquei para Angela, a mesma sorriu. Caminhei para fora da divisória, por trás de Jess, e segui para o elevador destinado aos funcionários.
Caminhei para o elevador, estava tão cansada que mantive meus olhos fechados boa parte do percurso enquanto arrastava-me para lá. Entrei, apertei o botão do térreo, ou pelo menos achei que apertei, e encostei-me no fundo do elevador. Quando eu abri meus olhos, após um longo suspiro, eu estaquei. Edward Cullen estava no mesmo elevador que eu, o que era estranho já que aquele elevador era apenas para empregados comuns. Os altos executivos usavam um elevador muito mais opulento.
Ok, eu deveria agir normalmente. Ele nem sabia quem eu era e que estava no elevador junto a ele. Estava de costas para mim e falava ao celular. Fiquei encolhida em um canto do elevador o mais distante dele, meus olhos nele. O cheiro de sua colônia tomou rapidamente o pequeno espaço. Subitamente Edward, com o celular ainda no ouvido, encostou-se ao fundo do elevador sem olhar para mim.
Desviei meus olhos e os fechei. Eu não queria ficar olhando-o como uma idiota. Eu sabia, pela demora, que logo estaríamos no térreo. Uma parte de mim queria fazer algo, puxar assunto. Eu era covarde demais para isso. Resignei-me a sentir seu perfume e mais nada e então...
O elevador pára.
Abri meus olhos e notei que a porta estava fechada então nós não havíamos chegado. Estranhei. Edward parou de falar ao telefone e olhava a porta. Aproximou-se dos botões e os apertou freneticamente.
-Que droga! Parece que o elevador parou. –Ele murmurou para si, certamente. Eu fiquei parada. Edward mexeu no seu celular, parecia ligar para alguém. Após alguns minutos alguém do outro lado da linha do celular de Edward atende.
-Tânia, o eleva... Alô? Alô? –Edward afastou o celular do ouvido. Murmurou silenciosamente um “bosta” e encostou-se novamente ao fundo do elevador.
Mantive meus olhos no chão enquanto meus pés batiam impacientes no piso. Edward virou-se e olhou para mim.
-Estamos presos neste elevador. Você teria um celular para avisar que estamos presos aqui? Meu celular descarregou.
O que? Estávamos presos? AI MEU DEUS!
-Não eu... Eu não tenho celular. –Murmurei enquanto caminhava e apertava freneticamente os botões. Isso não devia estar acontecendo, mas por um lado... Um sorriso brotou em meus lábios. Claro que Edward não viu, eu estava de costas.
-Alguém vai perceber que o elevador parou. É só nós esperarmos um pouco mais e... –Ouvi um arfar e virei-me para ver Edward. Por reflexo eu consegui pega-lo antes que Edward caísse estatelado no chão. Seu peso me desestabilizou e acabei me ajoelhando no chão com Edward em meus braços.
-Se-senhor Cullen? O-o que está acontecendo? –Perguntei trêmula. Edward respirava com dificuldade.
-Eu... Eu sou claustrofóbico. –Disse enquanto seus braços abraçavam-me pela cintura, sua cabeça tombando até ficar na curvatura do meu pescoço. Minhas mãos se moveram para suas costas, eu as acariciei.
-Tudo bem. Não precisa se desesperar. Alguém vai notar o problema com o elevador. –Disse com a voz um pouco mais composta. Oh merda que situação incrível! Estou próxima de Edward como sempre desejei na pior situação que poderia estar.
-Lamento, deixe-me ficar assim, abraçado a você. Está ajudando. –Falou com a voz fraca. Seu corpo se aconchegou melhor ao meu e ali ele ficou, quietinho. Meu coração estava tão acelerado que temi ter um ataque. Não, não agora! Edward estava frágil como nunca havia visto e ele precisava de mim. Eu seria forte, ou pelo menos fingiria ser para mantê-lo calmo. O abracei afagando suas costas, tentando mantê-lo calmo.
-Vai ficar tudo bem senhor Cullen. –Murmurei em seu ouvido sentindo sua respiração se acalmar. Ele era tão quente, tão macio e perfumado! Ah, que Deus me perdoasse, mas eu estava adorando aquele infortúnio! Que vontade de lhe dizer o que eu sentia, beijá-lo... O elevador se movimentou. Edward, sobressaltado, afastou-se olhando desnorteado para os números que passavam. E então a porta se abriu para o saguão. Havia dois seguranças em frente à porta.
-Senhor Cullen, o senhor está bem? A senhorita está bem? –Um dos seguranças perguntou. Levantei-me e assenti. Edward ajeitou sua gravata antes torta.
-Eu estou bem, estamos bem, certo? –Ele olhou para mim e deu um meio sorriso. Eu quase tive um AVC. Não consegui esboçar nenhuma reação.
-Lamento senhor. Nós não sabemos o que aconteceu com o elevador. –O outro segurança falou. –Parece que a parada de emergência foi ativada, mas não sabemos como.
-Está tudo bem. Verifique qual o problema para... –Edward ficou dando instruções para os seguranças que ouviam atentamente. Eu murmurei um “boa noite” e caminhei para a saída.
Meu Deus, eu tinha abraçado Edward Cullen, sentido seu cheiro, seu calor! Eu fui uma pessoa afortunada. Eu poderia morrer e ser uma pessoa feliz pelo pouco que ganhei.
“Isso Bella, guarde na memória esta chance que Deus presenteou a você e somente isso. Você não terá mais do que isso.” –Pensei, triste.
-Espera! –Uma voz me chamou quando estava descendo os degraus. Eu conhecia aquela voz, mas não queria acreditar que era Edward a me chamar. Virei-me após alguns instantes e o vi convergir para mim com um sorriso no rosto.
-Sim?
-Eu não agradeci apropriadamente pelo que fez por mim.
-Não foi nada senhor Cullen. Eu não fiz nada.
-Ah, você fez sim! Eu só consegui me acalmar por sua causa. Agradeço por isso, mas... Muito mais do que agradecer eu gostaria de fazer algo por você. Aceitaria uma carona, Isabella? –Ele disse com um sorriso lindo no rosto, voz afável. Eu não conseguia respirar. Oh cara ele sabia meu nome! Como? Teria lido no meu crachá?
-E-eu... Eu... –Sim, eu iria gaguejar e irritá-lo. Lá se vai mais uma chance de estar próxima a ele. Eu era patética! Vamos lá Bella diga algo descente! DIGA!
-Posso interpretar isso como um “sim”? –Ele perguntou com a voz levemente divertida. Eu me obriguei a sacudir a cabeça em sinal afirmativo. Edward alargou seu sorriso.
–Que bom. Vamos até a garagem, meu carro está lá. –Ele falou voltando a entrar no prédio da empresa. Eu o segui me segurando para não desmaiar. Eu estava sonhando! Eu estava sonhando!
Eu mal conseguia olhar para o caminho que fazia. Não fomos pelo elevador, fomos de escadas para a garagem. O segui silenciosamente. Tudo era surreal. Eu tinha medo de acordar em minha cama e descobrir que nada era real. Parei ao ver Edward diante de seu carro. Um carro espetacular, digno de alguém rico. Era um modelo importado, um Lamborghini alguma coisa. Ele abriu a porta do carona para mim como um perfeito cavalheiro. Eu entrei bestificada com a série de acontecimentos. Eu estava pegando carona com Edward Cullen.
O vi fechar a porta e caminhar graciosamente em frente ao carro. Coloquei o cinto e não toquei em mais nada, tinha medo de quebrar alguma coisa. Edward parecia feliz. Feliz com o que? Feliz por estar comigo? Não, ele devia estar feliz por que não morreu em um elevador com um “João ninguém”, só isso.
-Seu nome é Isabella, não é? –Perguntou enquanto fechava a porta do carro afivelando o cinto e ligando o carro.
-Sim, mas... Como sabe?
-Ontem eu a impedi de cair, li seu nome no crachá. Desculpe, percebi tardiamente que era você. Mais uma vez obrigado pelo que fez por mim.

-Eu não fiz nada. –Murmurei e olhei para fora da janela pelo vidro peliculado. –A propósito... O senhor está bem?

-Sim, mas me chame de Edward. Sou novo demais para ser um senhor. –Disse dando atenção a saída da garagem. Eu fiquei calada. Eu estava tão surpresa que não sabia o que dizer, como agir.

-Obrigada pela carona. –Disse. Edward soltou um riso baixo.

-Me agradeça quando estiver em casa. Aliás, onde você mora?

-Ah, claro! Moro aqui perto. Vá para a Rua Aplee age, minha casa é em um apartamento nessa rua.

-Tudo bem. Você trabalha há muito tempo em minha empresa? –Perguntou casualmente enquanto ligava o aquecedor, estava uma noite fria.

-Dois anos. –Foi tudo o que eu disse.

-Dois anos? Nunca a notei antes.

-Meu setor não interage muito com o senhor e... –Eu me virei minimamente para ver seu rosto e notei que parecia irritado com algo. Ah sim, eu o tinha chamado de “senhor” e ele não queria isso. –Me desculpe Edward. Não estou acostumada a chamar um de meus superiores pelo primeiro nome.

-Está bem. Eu compreendo. Então o seu setor é... Não consigo me lembrar.

-Sou do setor da contabilidade. –Mantive meus olhos na paisagem diante da minha janela. Se eu olhasse para Edward certamente iria gaguejar e corar. Eu não queria que ele pensasse que tenho problemas mentais.

-Ah, está explicado por que não a vejo. Embora minha sala fique próxima ao setor da contabilidade eu não interajo muito com vocês. –Edward continuava a puxar um papo animado, descontraído. Era surreal. Eu sempre o vi como um executivo linha dura que não tinha a capacidade de dar um “bom dia” para alguém e de repente ele me parecia o chefe que todo o cidadão americano quer ter: gentil, comunicativo...

Eu permaneci calada. Eu sei que deveria estar aproveitando a situação, puxando papo, mas eu não queria ser inconveniente. Procurei agir como uma pessoa séria que não agia como as outras funcionárias suspirando e cochichando quando ele passava. E então chegamos a minha rua. Estranho. O percurso demorou mais do que eu previa.

-Então qual é o seu apartamento? –Edward perguntou olhando para a janela.

-Aquele ali. –Apontei para uma pequena construção exprimida entre dois edifícios opulentos. Edward andou alguns metros com o carro e estacionou por fim.

-Aqui estamos.

-Obrigada pela carona. –Falei e sai rapidamente ignorando o fato de que Edward estava prestes a sair de seu carro só para abrir a porta para mim. Um perfeito cavalheiro. Será que existia homem mais perfeito que ele?

-Até amanhã Isabella. –Ele falou atrás de mim. Eu não me virei, continuei a subir as escadas do meu prédio. Virei-me apenas quando o barulho de seu carro estava se afastado. Eu o vi sair de minha rua. Estava entorpecida. E mergulhada nesse torpor eu fui para o meu apartamento dando boa noite ao porteiro, o senhor Travis. Quando cheguei ao meu pequeno apartamento de três cômodos no quarto andar... Bem...

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! –Sim, agi como uma patética adolescente. Eu nunca curti minha adolescência e naquele momento achei que deveria fazê-lo. Eu não conseguia acreditar em tudo o que houve. Claro que Edward poderia me ignorar no dia seguinte, mas não importava. Com as pequenas coisas que houve eu estava verdadeiramente feliz. Caminhei até o meu quarto e joguei-me na cama. Eu estava em um mundo de sonhos que não queria acordar.

Edward pov’s

Naquela manhã eu me senti confiante. Precisava armar algo para me aproximar de Isabella e testar como ela poderia reagir a mim. Caso ela não mostrasse interesse, o que eu duvidava, escolheria outra panaca. Eu esperaria pela melhor oportunidade de me aproximar dela sem, é claro, chamar atenção demais. Eu não queria que Alice percebesse que eu a havia escolhido, ela poderia atrapalhar meus planos. Eu teria de ser rápido e letal. Com estes pensamentos me arrumei para mais um dia de trabalho.
...
-E ai Edward? –Tânia falou com a voz anasalada assim que desci de meu carro na garagem. Dei de ombros. Eu não iria me indispor com ela.

-Tânia, apesar de tudo eu sou o seu superior então não me provoque com esta cara de desagrado. –Disse, frio. Tânia se recompôs imediatamente. Ela não era burra, sabia que para tudo tinha limites e que se ela me desagradasse como agora eu não hesitaria em demiti-la.

-O que me frustra é que ontem eu estava cheia de amor para dar, mas você preferiu ficar só para pensar naquela idiotinha. –Falou emburrada. O beicinho teimoso que se formou em seu rosto era atraente, despertou um desejo latente em mim. Olhei envolta, ninguém nas proximidades. Abri a porta do carro e entrei. Com um dedo eu gesticulei para que Tânia se aproximasse. Ela sorriu cheia de malicia enquanto adentrava meu carro pela outra porta, tendo problemas para abri-la. Tânia não estava acostumada com tecnologia. Após alguns minutos tentando entrar, conseguiu.

-Definitivamente não me acostumo com este seu carro. –Falou resmungona. Coloquei minha mão direita em sua coxa, acariciando-a.

-O que quer? Que eu troque meu carro por um mais simples em que você possa entrar sem problemas? –Perguntei com deboche. Tânia parecia entorpecida demais com as caricias para responder. Subi minha mão até encontrar o meio das suas pernas. Bem como imaginei Tânia não estava usando lingerie por debaixo da saia. Eu adorava vê-la submissa diante de uma simples carícia, totalmente entregue. Pela busca do prazer Tânia faria qualquer coisa, como calar-se por exemplo.

-Então... Irá esquecer toda essa bobagem e ajudar-me com meus planos... Tânia? –Falei aos sussurros enquanto Tânia contraia as cochas e segurava minhas mãos entre suas pernas para que eu continuasse com o que estava fazendo.

-Não... Não pare... –Sussurrou perdida. Eu me afastei enquanto ria maliciosamente.

-Se for uma boa menina hoje e me ajudar terá mais. –Disse e a puxei para beijá-la. Um beijo cheio de vontade que beirava a violência. Tânia sentou-se em meu colo e agarrou fortemente meu colarinho fazendo-nos aprofundar o beijo. Tive de afastá-la antes que transássemos ali mesmo.

-Tânia, gatinha, nós temos muitos afazeres hoje. Deixemos isso para mais tarde.

-Você promete Edward?

-Prometo. Hoje à noite ficaremos juntos. –Tânia abraçou-me radiante. Estranho... Eu gostava de ter Tânia por perto pelo prazer que ela me proporcionava, mas quando não estávamos nus sobre o outro eu me incomodava em estar com ela. Afastei Tânia de mim e seguimos para minha sala.
...
Eu ainda não havia visto a tal Isabella. Bom. Se eu a olhasse muito, aquela mulher nada sexy, eu corria o risco de desistir. Tinha de traçar algo para me aproximar dela, contava com o fim do expediente para fazer algo.

Meu dia transcorreu normalmente, cheio de tarefas. Tânia estava com um sorriso de orelha a orelha, devia ser pela minha promessa. Mal tive tempo para fazer as refeições, passei o dia em reuniões chatas.

-Oi Edward. –Alice entrou em minha sala após a última reunião. Estava radiante, perversamente radiante. Nem me dei ao trabalho de tirar meus olhos da papelada para vê-la.

-Oi Alice. O que quer? –Perguntei indiferente. Ela caminhou e sentou-se em uma poltrona em frente a minha mesa.

-Hei! Isso não é jeito de falar comigo! –Esbravejou. Eu deveria estar com raiva pela sinuca em que estava graças a ela, ter de casar com uma derrotada só para agradá-la. Bem, às vezes eu me esquecia de coisas banais como esta e lembrava-me agora que ela e seu marido Jasper eram os únicos familiares que eu tinha.

-Como quer que eu fale? “Olá minha irmã querida”? –Perguntei com deboche.

-É um bom começo. E ai? Achou sua futura esposa? Espero que saiba escolher irmão. Vou investigar a vida dela. –Ela disse desafiadora.

-Não se preocupe. A candidata escolhida não terá falhas. Não poderá dizer “não” a ela.

-Isso é o que vamos ver. Ah, Jasper vai para a fazenda neste final de semana. Ou melhor, nós vamos. Você vem?

-Não sei. Vou estar ocupado.

-Bom, se você for me avise. Tchau. –Alice levantou-se contornando a mesa e beijando-me na bochecha. Eu sorri. Claro que Alice sabia que eu não iria à fazenda. Eu não ia aquele lugar desde a morte de nossa mãe, Esme. Mamãe amava a fazenda. Ira até aquele lugar era motivo de recordações boas e era por isso que eu não queria ir para lá. Suspirei. Eu odiava ter lembranças familiares, me deixavam... Vulnerável.
...
Fim de expediente. Tânia estava no toalete feminino retocando a maquiagem, iríamos jantar e ida a um motel de luxo. Sai de minha sala, conversava ao telefone com um repórter interessado em uma reportagem com minha pessoa. O titulo era “Edward Cullen, o mais novo empresário do momento”. Algo assim. Para mim a revista queria apenas puxar o saco para tirar proveito de meu status.

Eu a vi. Seguia para o elevador, devia estar cansada, pois mantinha os olhos fechados enquanto seguia para o elevador de funcionários. Presa fácil. Continuei falando com Geraldy, o repórter, enquanto seguia apressado para o elevador. Aquele elevador não era utilizado pelos altos executivos como eu, apenas pela escoria da empresa.

Isabella não me percebeu em primeira instância após entrarmos juntos no elevador. Talvez não fosse bom que percebesse de imediato. Fiquei de frente para a porta ainda falando com o idiota do repórter. Pronto, nós estávamos no mesmo elevador. O que eu deveria fazer? Puxar assunto? Mas isso era tão atípico de mim! Eu precisava criar uma situação que nos unisse de algum modo, situação em que eu tivesse desculpas para falar com ela. Encostei-me no fundo do elevador como ela fazia. Bella fechou os olhos. Foi naquele instante que vi o botão de emergência para parar o elevador. Era minha única chance, já estávamos chegando ao térreo. Bella estava distraída então me inclinei rapidamente para frente apertando o botão.

O elevador pára.

Ok agora eu precisava me concentrar. Desliguei o celular e comecei a pensar na encenação. Precisava ficar próximo da garota, mas... O que faria? Ah, claustrofobia!

 -Que droga! Parece que o elevador parou. –Murmurei mexendo meu celular. Agora precisava desligá-lo de alguma forma... Fingi ligar para Tânia enquanto desligava o aparelho.  

-Tânia, o eleva... Alô? Alô? –Aparelho desligado. Agora eu tinha que me aproximar.

-Bosta! –Murmurei. Bella continuava parada, olhando para o chão. Droga, ela não estava reagindo como eu queria! Será que isso significava que Bella não estava interessada? Não, eu não iria me desesperar! Continuarei com o plano inicial.

-Estamos presos neste elevador. Você teria um celular para avisar que estamos presos aqui? Meu celular descarregou. –Disse. Finalmente a demente age. Parecia atordoada.

-Não eu... Eu não tenho celular. –Murmurou enquanto caminhava e apertava freneticamente os botões. Agora eu ia começar o meu teatro. Isabella continuou:

-Alguém vai perceber que o elevador parou. É só nós esperarmos um pouco mais e... –Ela dizia enquanto eu arfava e tombava para frente. Como eu imaginei, Isabella me segurou antes que eu caísse.

-Se-senhor Cullen? O-o que está acontecendo? –Perguntou aturdida. Procurei respirar com dificuldade e que Isabella não percebesse a farsa. Eu tinha de lhe dar uma explicação para eu estar caído em seus braços.

-Eu... Eu sou claustrofóbico. –Disse enquanto meus braços abraçavam Isabella pela cintura, minha cabeça tombando até ficar na curvatura do seu pescoço. Suas mãos se moveram para minhas costas, acariciando-as. Senti-me bem, como quando ficava nos braços de minha mãe. Fiquei surpreso por realmente ser prazeroso estar ali.

-Tudo bem. Não precisa se desesperar. Alguém vai notar o problema com o elevador. –Disse com a voz um pouco mais composta, ela parecia se acalmar apenas para passar segurança para mim.  

-Lamento, deixe-me ficar assim, abraçado a você. Está ajudando. –Disse fingindo estar fraco. Ela caiu como um patinho! Eu me aconcheguei melhor em seu corpo surpreso por notar que Isabella tinha curvas. Não dava para notar com as vestes feias que usa, aqueles moletons enormes... Nem minha mãe usaria algo tão ridículo!

 -Vai ficar tudo bem, senhor Cullen. –Murmurou em meu ouvido. Senti um arrepio perpassar meu corpo. Ficar colado àquela garota não estava me fazendo bem, eu estava me sentindo estranho, vulnerável, como quando estou envolvido com algum familiar querido ou algo assim. E então o elevador começou a andar. Droga! Por que agora? Levantei e logo estávamos no térreo. Dois seguranças estavam à porta, olhares preocupados. Ajeitei minha gravata.

-Senhor Cullen, o senhor está bem? A senhorita está bem? –Um dos seguranças perguntou. Isabella assentiu, parecia perdida, desnorteada. Fiquei satisfeito que eu estivesse causando isso nela.

-Eu estou bem, estamos bem, certo? –Disse e olhei para Isabella. Ela estava com a cabeça longe. Perguntei-me se tinha problemas mentais.

-Lamento senhor. Nós não sabemos o que aconteceu com o elevador. –O outro segurança falou. –Parece que a parada de emergência foi ativada, mas não sabemos como.

-Está tudo bem. Verifique qual o problema para que seja prontamente arrumado. Não queremos que esse tipo de situação ocorra novamente e... –Olhei envolta e vi Isabella caminhando para a saída. Merda! Qual o problema da garota? Ela estava agindo como se eu não fosse Edward Cullen! Por que ela não ficava parada e babando por mim? Por que parecia correr de mim? Essa aí me daria trabalho, eu sabia.

-Espera! –Chamei enquanto Isabella descia dos degraus. 

-Sim?

-Eu não agradeci apropriadamente pelo que fez por mim.

-Não foi nada senhor Cullen. Eu não fiz nada.

-Ah, você fez sim! Eu só consegui me acalmar por sua causa. Agradeço por isso, mas... Muito mais do que agradecer eu gostaria de fazer algo por você. Aceitaria uma carona, Isabella? –Disse com uma voz polida e sorriso afável. Isabella nem parecia respirar. Beleza! Essa iria cair fácil. 

-E-eu... Eu... –Começou a gaguejar. Bom, muito bom. Pensei se com um pouco de pressão conseguiria dormir com ela, mas... Algo ocorreu em minha cabeça enquanto conversava.

-Posso interpretar isso como um “sim”? –Perguntei achando hilário suas reações. Ela assentiu.

–Que bom. Vamos até a garagem, meu carro está lá. –Segui para o meu carro esperando que Isabella me seguisse. Ela seguiu. Eu já imaginava que iria seguir. Ela não seria rude comigo.
Isabella estava muito calada, envergonhada possivelmente. Ela ficava engraçadinha rubra. Pensei no que poderia fazer, talvez algumas perguntas. Abri a porta do carona e Isabella entrou olhando bestificada para o carro. Ela era tão simplória que certamente jamais entraria em um carro como o meu na vida. Pobre coitada!

 -Seu nome é Isabella, não é? –Perguntei enquanto fechava a porta do carro afivelando o cinto e ligando o carro.

-Sim, mas... Como sabe? –Ela estava assustada. Não sabia ao certo se devia revelar que eu tinha conhecimento de uma ou duas coisas sobre ela. Talvez mostrar obsessão sem conhecê-la bem não fosse algo bom.

-Ontem eu a impedi de cair, li seu nome no crachá. Desculpe, percebi tardiamente que era você. Mais uma vez obrigado pelo que fez por mim. –Ser amável. Esse era meu lema.

-Eu não fiz nada. A propósito... O senhor está bem?

-Sim, mas me chame de Edward. Sou novo demais para ser um senhor.  

-Obrigada pela carona. –Isabella disse. O que? Queria se desfazer de mim? Iria pedir para sair do carro?

-Me agradeça quando estiver em casa. Aliás, onde você mora?

-Ah, claro! Moro aqui perto. Vá para a Rua Aplee age, minha casa é em um apartamento nessa rua. – Ela falou o endereço. Eu já havia passado ao acaso na rua. Apenas um complexo de pequenas casas e apartamentos da classe média. Só de pensar em entrar na rua e uma plebéia descer do meu carro eu me sentia nauseado. No entanto eu não poderia me importar com a opinião alheia, não se eu queria ter a minha parte da herança.

-Tudo bem. Você trabalha há muito tempo em minha empresa? –Perguntei ligando o aquecedor do carro.

-Dois anos. –Foi tudo o que ela disse. Essa conversa quase monossilábica estava me enervando, mas eu não poderia esperar muito dela.

-Dois anos? Nunca a notei antes. –Claro, como iria notar uma coisinha tão sem graça como essa? Não a notarei nem se estivesse trabalhando nua. Só de pensar que eu teria que conviver com ela... Isabella estava falando algo. O que ela estava falando? Algo sobre seu setor eu acho.

-... E... Me desculpe Edward. Não estou acostumada a chamar um de meus superiores pelo primeiro nome.

-Está bem. Eu compreendo. Então o seu setor é... Não consigo me lembrar.

-Sou do setor da contabilidade. –Ela disse. Credo, eu até poderia imaginar o que ela era. Uma solteirona que nunca foi beijada que morava sozinha com um gato. Que porra!

-Ah, está explicado por que não a vejo. Embora minha sala fique próxima ao setor da contabilidade eu não interajo muito com vocês. –Disse dando atenção a onde a garota morava. –Então qual é o seu apartamento?

-Aquele ali. –Apontou para uma pequena construção. O lugar era deprimente. Estacionei querendo logo voltar a minha casa.

-Aqui estamos.

-Obrigada pela carona. –Falou e saiu rapidamente nem dando tempo para que eu saísse e abrisse a porta para ela. Que bosta! Essa garota estava sendo difícil! Pensei que logo de primeira ela me convidaria pra subir pro seu apartamento. A maioria das mulheres faria isso. Não que eu fosse dormir com ela, claro. A garota parecia tão inexperiente! 

-Até amanhã Isabella. –Me despedi e parti. Pensei neste fato, eu teria que dormir com ela após o casamento. Tomei uma decisão no mínimo estranha: eu não iria me deitar com Isabella. Eu já iria arruinar com a garota, não queria humilhá-la tanto dormindo com ela, ou engravidando-a. Deus do céu! 
Eu não poderia dormir com a garota, ela poderia querer engravidar usando de artimanhas para isso!

Cheguei ao meu apartamento em um condomínio luxuoso no centro da cidade, cobertura, claro. Tânia estava esperando na porta, a cara vermelha de fúria.

-EDWARD! POR QUE DIABOS ME DEIXOU ESPERANDO VOCE...

-Tânia, cala a boca. –Falei abrindo a porta com meu cartão digital e entrando. –Acender luzes. –Disse e as luzes foram acessas. Ignorando os acessos de fúria de Tânia, eu fui diretamente ao meu quarto retirando meu paletó, a gravata, os sapatos... Após me despir vesti meu roupão e fui para o meu banheiro no quarto. Não dei muito ibope para Tânia, logo sua raiva iria amainar. Entrei no Box do banheiro começando meu banho. Claro que Tânia entrou, devidamente vestida, sentado na privada e me encarando.

-O que foi Tânia?

-Onde esteve Edward?

-Por ai. –Disse enquanto banhava-me.

-Com aquela sem sal eu suponho.

-Isso mesmo. Fiz um grande progresso com aquela tal de Isabella. Acho que a partir de amanhã posso começar a paquerá-la.

-Edward, eu não acredito que vai levar isso adiante!

-O que Tânia? Quer que eu escolha uma mulher com mais sex appel? Olha que eu posso acabar me apaixonando e chutando você. –Brinquei. Tânia bufou.

-Que seja. Fique com aquela songa monga. Você não vai agüentar ficar com ela por muito tempo!

-Assim espero. Eu farei com que a vida dela seja um inferno. Ela não vai querer ficar comigo por mais de um mês.

-Edward, eu até posso imaginar que se você quiser você vai conseguir essa façanha, mas se dormir com ela a tornará viciada em você ai é provável que mesmo fosse tratada como um cachorro ela não largará do seu pé. –Tânia disse com malicia na voz. Olhei para seu rosto com um sorriso igualmente malicioso.

-Eu não vou dormir com ela. Acha mesmo que vou correr o risco de engravidá-la?
-E como vai driblar aquele bagaço de mulher?

-Simples: ignorando-a. Eu não vou dormir com ela. A não ser que certa pessoa não cuide direito de mim e me deixe na seca. Aí não posso garantir nada. –Falei brincalhão. Tânia tirou os sapatos de salto alto, despiu-se lentamente. Eu acompanhei seus movimentos visivelmente excitado, afinal Tânia era uma puta de uma gostosa! Quando estava completamente nua ela entrou no Box do banheiro junto a mim. Eu não iria ser delicado cheio de preliminares, não esta noite. A puxei pela cintura prensando-a na parede. Ergui seu quadril penetrando-a de imediato enquanto meus lábios beijavam os seus com fúria. Por algum motivo, enquanto a penetrava sem nenhuma delicadeza, lembrei-me do modo gentil como fui tratado por Isabella no elevador. Como me senti bem em seus braços do mesmo modo quando procurava o colo de minha mãe. Isso me atordoou. Fiquei um pouco perdido.

-Edward... –Tânia murmurou. Notei o aborrecimento em seu rosto. Eu havia parado com os movimentos enquanto pensava em Isabella. Estranho.

-Vamos para a cama. Quero fazer sexo lá. –Anunciei levando-a presa a minha cintura. Sabendo que a partir de amanhã eu faria o possível para apressar meus planos com a certeza de que em dois meses a tal Isabella seria desposada por mim.


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