ED - Capitulo 5


Meu pai estava em quase e estranhou a forma ríspida e assustada como eu entrei, batendo com força a porta da sala. Ele deu um pulo do sofá e veio me ver antes que eu pudesse subir as escadas e me trancar no quarto.

- Bella? O que houve?
- Nada.
- Você está... Seus olhos, querida...

Ele fez um gesto com a cabeça, apontando para algo atrás de mim. Eu me virei e me olhei no espelho, vendo a negritude de meus olhos. Suspirei com raiva de mim mesma e com vontade de quebrar o espelho.

- O que houve? Você brigou com alguém nessa festa?
- Não pai. Eu só quero ficar sozinha, ok?
- Isabella! Você pode ser mais poderosa que eu, mas eu ainda sou seu pai!

Ele falou com um tom de voz bem mais alto e mais grosso do que estava acostumado a usar comigo. Aquilo me chocou, pois há muito eu já não sabia mais o que eram "ordens paternas". Parei de costas para ele e comecei a falar só o que ele precisava saber. Eu não tinha que entrar em detalhes da minha vida pessoal também.

- Eu... senti cheiro de sangue... Muito forte. Fiquei com medo de não me controlar.
- Quando foi isso? Você chegou a fazer alguma coisa?

Sua voz agora demonstrava preocupação, pois ele sabia que eu não era a pessoa mais estável do mundo.

- Eu não fiz nada, pai. Por isso estou desse jeito, você não vê?

Subi correndo as escadas e fiz a porta se abrir quando me aproximei, trancando-a e virando a chave com a força da mente e me jogando na cama.
Eu passei o final de semana todo tentando entender o que tinha sido aquele surto da Bella. Tenho certeza que o beijo estava bom e que ela estava gostando, mas então do nada... puff! Como sabonete escorregando por entre meus dedos. Resolvi chegar antes dela nessa segunda-feira para tirar satisfações sobre o assunto.

- Bom dia, Edward!
- Bom dia.

Um garoto que fazia aula de física comigo me cumprimentou quando chegou e foi assim com vários outros. Todo mundo chegava, menos Bella. O relógio já mostrava que faltavam menos de 5 minutos para o sinal bater e então eu desisti e entrei no colégio.

- Fala, Cullen!

Jacob foi o primeiro que eu tive o desprazer de encontrar pelos corredores e ele veio com aquele tapinha irritante nas minhas costas.

- Nem te vi saindo da festa aquele dia... Presumo que coisas boas rolaram com a Swan, certo?
- Não interessa.
- Ei, que isso? Eu só perguntei... Perguntar não ofende, né?

Ele deu um sorriso falso e me abraçou, passando um braço por cima dos meus ombros.

- Sabe o que ofende? Vou te falar... Descobrir que apostaram sobre você...

Sua ameaça veio afinada, fazendo minha raiva emanar pelo meu corpo. Empurrei seu braço para cima, me livrando dele e o encostei na parede, chamando a atenção de todos à nossa volta.

- Fique longe dela, entendeu?
O inspetor chegou em mim, segurando meus ombros e me arrancando de cima do insuportável.

- Os dois querem ir para a diretoria?
- Não.

Bem, pelo menos nisso nós dois concordávamos. Nos fuzilamos com olhares, mas ficamos calados, para podermos ser dispensados. Eu fui para o caminho oposto ao dele e entrei com raiva na sala. Para minha incrível sorte, essa aula a prima da Bella também fazia. Vi Kiara sentada numa carteira perto da janela e notei que a outra ao seu lado estava vazia.

- Oi Kiara.
- Oi! Tudo bem? Como foi o final de semana? Gente, a festa foi maneiríssima, não? Eu curti muito e bebi muito e dancei muito! Tudo muito!

Me perdi na primeira frase, mas balancei a cabeça fingindo concordar com tudo que ela dizia.

- Aham.
- E aí? Vai ficar quieto me olhando? Fala alguma coisa!

Ela me deu um tapa no estômago e me perguntei o que a garota andava comendo.

- Eu estou bem. Na verdade, só queria te perguntar se sabe por que Bella não veio hoje.
- Hum. Ela não quis. Eu fiquei uns vinte minutos socando a porta do quarto dela, sabe? Mas nada. Só resmungou dizendo para eu cair fora antes que ela arrancasse minha cabeça. Eu acho que é TPM.

Ela fez uma expressão de quem pensava no que tinha acabado de dizer e depois balançou a cabeça.

- É. É TPM, com certeza!
- Ok.

Desisto de tentar prosseguir uma conversa saudável com essa louca.
Não. Eu não iria de jeito nenhum para o colégio hoje. Ver e falar com Edward não era a melhor coisa para mim no momento. Sentimentos iam e vinham dentro de mim desde o dia da festa. Eu me sentia... desprotegida, sabendo que alguma coisa em mim estava mudando e não era algo que eu pudesse controlar. E o pior de tudo, é que eu sabia o que era. Eu estava gostando de Edward Cullen. Todo esse escudo que coloquei entre nós, era uma forma de lutar contra o que sentia, mas pelo visto não deu muito certo. Na sexta-feira, dentro do carro, quando senti o gosto do seu sangue, foi o momento mais revelador para mim. Eu não ter sugado ele ali naquela hora e ter conseguido sair do carro... ia contra todos os meus instintos de predadora.

Eu realmente gostava de Edward Cullen. Mas não me sentia preparada para lidar com isso, então quando Kiara socou a porta do meu quarto me indagando o porquê de eu querer faltar aula, simplesmente me deu vontade de abrir a porta, arrancar sua cabeça e fechar a porta de novo, ignorando o corpo sem vida que cairia no chão, ensangüentando o piso de cerâmica do corredor. Mas era claro que meu pai não ficaria feliz em ter que remover a mancha de sangue que secaria ali, então... Tirei a idéia da minha cabeça.

- Bella!

OMG, isso é dèjá vu?
- Bella!

Tinha alguém batendo na minha porta. Alguém não. Kiara, mais precisamente. Olhei o relógio e vi que já tinha passado do horário de saída do colégio. Como se já não bastasse ela me atazanar o juízo antes de sair, ela vinha continuar o trabalho depois de chegar também.

- Fala!

Abri a porta e fiz minha cara mais feia para ela, que parecia nem se abalar com o rosnado baixo que saía do meu peito e me olhava sorridente.

- Adivinha quem perguntou sobre você?
- Quem?
- Adivinha...
- Por que você não me conta logo e eu não arranco sua cabeça?

Ela riu e segurou meus ombros. Kiara cismava em manter esses contatos físicos que ela achava super normal.

- Prima, você está com uma TPM do cão, né?

Passou pela minha mente responder que eu não tinha mais isso, já que estava MORTA. Mas sorri amarga e tirei suas mãos de cima de mim.

- Não, não estou. Vejamos... Edward perguntou por mim. Certo?
- Claro! Ele ficou louco quando percebeu que você não iria mesmo ao colégio. Tadinho... Parecia um cãozinho abandonado. E por falar em cães, eu não sou muito boa com eles... Quando era criança, lembra que tínhamos um cão? Pois é, nunca consegui decorar o nome do coitado. Nunca mais, eu digo nunca, quero ter um cão na vida!
- KIARA!

Tive que gritar com ela quando notei que a vitrola tinha desembestado. Se eu desse corda, ela ia ficar ali contando toda a história de sua vida.

- Ah, oi.
- Você pode voltar ao outro assunto ou não? Porque papo sobre os seus cachorros, não me interessa.
- Qual o outro assunto?

Sério que ela me perguntou isso? Deus! Que vontade de segurá-la pela nuca e bater sua cabeça na parede! Se controla, Bella, se controla! Eu segurei dos dois lados do batente da porta, para não avançar na minha prima.

- Sobre Edward. Você. Bateu. Na minha porta. Para falar dele.

Ela franziu a testa e me olhou preocupada.

- Nossa prima... Respira!
- Quer saber? Isso é demais para mim!

Fechei a porta na cara dela. Se eu ficasse mais um segundo sequer olhando aquele rosto lunático, eu teria problemas para tirar a mancha de sangue do piso.
Música (AC/DC - You Shook Me All Night Long):
http://www.youtube.com/watch?v=Bomv-6CJSfM 

Liguei meu som e coloquei AC/DC pra tocar no último volume, me jogando na cama e não me preocupando se as pessoas que passassem na rua iriam achar que tinha uma festa acontecendo aqui. Pensei se o motivo para isso era por saber que Edward perguntou por mim, mas eu realmente não devia estar me empolgando com isso. Mesmo que eu sentisse que gostava dele, era insanidade minha pensar em algo mais. Depois de ter sentido o gosto do sangue dele, ia ser doloroso para mim me controlar agora. Olhei para a porta quando ouvi Kiara bater nela novamente.

- Não estou aqui, Kiara!

Ela parou de bater, se dando por vencida, finalmente!

- Não sou a Kiara.

Hein? Pulei da cama quando ouvi a voz masculina que não era a da minha prima e abaixei um pouco o som.

- Quem é?
- Edward.

Droga. Era óbvio que era ele! Eu só perguntei por perguntar. Levantei correndo da cama e me olhei no espelho antes. Abri a porta e dei de cara com ele, sério.

- O que está fazendo dentro da minha casa?
- Eu chamei, chamei e ninguém respondeu. E sua porta estava escancarada. Pensei que pudesse ter acontecido alguma coisa.

Kiara provavelmente tinha um rabo grande demais que não dava para fechar as portas por onde ela passava. Ele agora estava com um sorriso no rosto, me olhando dos pés à cabeça e então eu me toquei que estava com uma roupa de "dormir". Vestia um short colado e super curto com uma blusa que acabava antes do umbigo.

- Uau!

Cruzei os braços em cima da barriga e o encarei com raiva.

- O que você quer?
- Queria saber por que não foi à aula hoje... Aconteceu alguma coisa?
- Não. Só estava com vontade de dormir mais um pouco.

Ele estreitou os olhos, tentando apurar a veracidade da minha frase e aquilo me irritou.

- E por que saiu correndo na sexta-feira? Eu achei que nós dois estivéssemos gostando...
- Você veio para falar de escola ou de beijo, Edward? Um assunto é bem diferente do outro e como não tenho o dia inteiro para te dar satiafações da minha vida, é melhor escolher um assunto só.

Ok, acho que a mania de falar em disparada de Kiara estava começando a me afetar. Eu não era tão matraca assim. Ele sorriu torto, me dando vontade de beijar sua boca, mas me controlei, mais uma vez segurando no batente da porta. Isso fez com que meu corpo ficasse exposto novamente, o que aumentou ainda mais o sorriso torto dele.

- Eu escolho então o assunto mais interessante. O beijo.
- Certo. Saí correndo porque senão meu pai iria até o carro te dar um tiro na cabeça, provavelmente. Ou se ele estivesse de bom-humor, apontaria para outro lugar.

Guiei meus olhos para as "partes baixas" dele e o vi tremer, pigarreando.

- Seu pai não está em casa agora, está?
- Não.
Quando Edward me perguntou sobre meu pai, eu não parei para pensar na questão e no motivo da sua pergunta. Na verdade, dentro da minha mente inocente, eu achei que ele estivesse com medo de cruzar com o chefão pelo caminho. No entanto, ao ver seu sorriso de vitória agora, eu senti a ficha fazendo"plim" na minha cabeça.

- Ótimo! Poderemos continuar de onde paramos então!

Ele levou sua mão à porta, no intuito de abrí-la mais e passar por ela, mas eu brequei.

- No seu sonho, né?
- Você não quer? Achei que estivesse gostando naquele dia...

Eu gostei. E muito. Até a hora que senti o gosto do sangue dele. Muitas questões passavam voando pela minha mente... O que eu faria se acontecesse de novo, se eu me controlaria estando sem meu pai em casa, se Edward pudesse de alguma forma descobrir a verdade...

- Bella!

Ele estalou os dedos bem perto do meu nariz, fazendo força na porta e olhando enfezado para ela.

- Posso saber de onde você tira essa força toda?

Eu tirei minha mão dali e ele a empurrou facilmente, entrando em meu quarto e olhando em volta.

- Wow!

Apenas uma exclamação. Mas pelo gesto que ele fazia, passando a mão nos cabelos e depois levando-a da boca ao queixo, eu sabia que ele estava abismado com meu quarto.

- Paredes pretas são...
- Última moda na Alemanha. Mas claro que você não podia imaginar.
- Jura? Por quê? O *Holocausto está de volta?

Ele soltou uma piadinha e piscou para mim.


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* O termo Holocausto (com inicial maiúscula) foi utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista fundado por Adolf Hitler. Havia judeus, militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, etc.

Fechei rápido minha porta pois tinha medo que a louca da minha prima aparecesse e fizesse um escândalo por Edward estar onde estava.

- Eu gosto da cor e além disso, não acho que meu quarto lhe diga respeito.

Ele sorriu, passando a língua pelo canto esquerdo da boca e se aproximou de mim, segurando dos dois lados da minha cintura. Eu era um ser frio, obscuro e assassino, então não era para me sentir daquele jeito quando ele me tocava!

- Acho melhor você ir embora, Edward.
- Eu não tenho tanta certeza disso.

Uma mão sua deslizou para cima pela minha lateral, levantando um pouco minha blusa que já era indecente. Cruzei os braços, tentando criar um tipo de escudo ridículo entre nós dois, mas não tinha escudo algum que defendesse da sua boca, que agora tocava a minha.

- Edw...

Meus cabelos foram puxados de leve para trás enquanto ele explorava minha língua e andava comigo na direção da cama. Quando senti minhas pernas baterem na madeira, meu corpo caiu no colchão e ele veio junto comigo.

Ela até então não tinha me dado um soco na cara, isso era um ótimo sinal. Eu queria possuí-la ali e ao mesmo tempo procurava não ir com tanta sede ao pote. Se é que tinha como eu estar mais sedento, né?

- Pare!

Ela virou o rosto e empurrou o meu com uma mão. Sério, de onde ela tirava tanta força? A impressão que dava é que eu podia tomar anabolizantes por um ano que não me igualaria a ela.

- O que foi?
Ele me perguntou, como se estivesse fazendo a coisa mais normal do mundo. Na verdade, era até uma coisa normal. Ele só não estava com uma pessoa normal. Respirei fundo, tentando me acalmar e o vi correndo os olhos pelos meus seios. Deus!

- Meu pai pode chegar a qualquer momento. E não acho que você vá querer estar aqui quando isso acontecer.
- Então basta nós não perdermos tempo.

Música (The Calling - Anything):http://www.youtube.com/watch?v=wJt4YbLxHxI

Ele voltou a me beijar e deitou o corpo todo sobre o meu, me fazendo sentir sua ereção. Era como se aquele contato só aumentasse ainda mais meu desejo. Não era algo que eu já tivesse sentido antes com alguém. Sua boca passeava pelo meu pescoço e suas mãos pela minha barriga. Seus dedos se aproximavam dos meus seios, por baixo da blusa, mas eu não me sentia tão à vontade com aquilo.

- Edward...

Não o empurrei, mas bloqueei a passagem de suas mãos e ele parou para me olhar.

- Bella...
- Não.

Meus deus como era teimosa! Ela desviou os olhos dos meus e suspirou enquanto segurava minhas mãos que já estavam tão perto do tesouro.

- Você não pode dizer que não gosta, que não se sente como eu nesse momento.

Mexi meu corpo sobre o dela, querendo deixar bem claro do que eu estava falando e ela arfou, mordendo os lábios.

- Eu posso gostar, mas posso não querer isso agora, ok?

Sua voz ficou mais séria dessa vez e eu notei que ela não estava brincando. Quando seus olhos encontraram os meus de novo, eu pude enxergar um pouco de tensão ali, algo que ela talvez quisesse esconder.

- Você pode ser sincera comigo...
Ser sincera com ele. Não era o que eu queria não. Odiva me sentir frágil perto de alguém que era provavelmente uma formiga para mim.

- Eu... nunca fiz essas... coisas.

Saiu sem que eu quisesse realmente. Foi algo espontâneo, que o fez arquear uma sobrancelha e depois balançar a cabeça positivamente.

- Entendo. Se é isso, você podia ter dito antes sem problema.

Ele estava concordando em parar? Sério? Nem eu esperava por isso. Edward mordeu os lábios e me beijou, massageando meus lábios com os seus e logo trazendo-os até meu ouvido.

- Eu posso ser paciente se você quiser.

Não que fosse a coisa que eu mais desejasse, mas era lógico que esperaria ela se decidir. Senti um suspiro pesado dela e suas mãos tocando minhas costas.

- Ok.
- Mas... Com uma pequena condição. Nós começarmos definitivamente a agirmos como um casal.

Me afastei para poder observar sua reação e a vi revirar os olhos, soltando minhas costas e levantando as mãos no ar.

- Combinado.
Mas que loucura era essa que eu estava fazendo? Eu nem tinha os malditos hormônios!

Edward sorria glorioso, como se tivesse conquistado algum troféu ou tivesse tirado 10 naquela prova de vestibular terrível. Ele sentou na beira da cama e ficou olhando meu quarto. Seus olhos passeavam pelas estantes agora e acabaram focando nos meus cd's.

- Seu gosto musical é bem...
- O que?

Perguntei logo, preparada para dar-lhe um chute ao menor sinal de ironia. Ele me olhou como se quisesse rir e continuou, ignorando minha cara emburrada.

- Refinado.
- Refinado?

Ok, talvez eu tivesse a impressão errada dele. Sentei me curvando um pouco devido minha péssima postura adquirida com o tempo e fiz sinal para que ele continuasse.

- Bem, pelo que eu posso ver você gosta quase das mesmas coisas que eu. Por exemplo, AC/DC. Quando ouvi a música nem acreditei que pudesse estar vindo mesmo do seu quarto.
- Isso quer dizer o que? Que você não acreditava que eu tivesse bom gosto?

Bella franziu a testa, pronta para me dar um tapa ou me chutar, provavelmente. Ela ficava sexy quando parecia irritada com algo. Passei minha língua pelos meus lábios para tirar o ressecamento deles, que aguavam por um beijo dela e continuei antes que apanhasse.

- Eu não disse isso. Não sabia do que você gostava, então logicamente não podia tirar conclusões precipitadas. Só não imaginava que tivéssemos o mesmo gosto.

Deixei-a sem ter do que reclamar, já que sua boca abriu e fechou rapidamente. Ponto para mim.

- Enfim, é melhor você ir embora.
- Já? Eu acabei de chegar...
Coitado. O que ele estava pensando? Que tinha passe expresso por aqui? Levantei da cama e puxei-o pela camisa facilmente. Edward revirava os olhos e fazia bico em protesto.

- Eu nem estou fazendo nada! Fiquei super quieto depois que você pediu, ok? Me deixa ficar.
- Hm... Não.

Para meu maldito azar, assim que abri a porta do quarto para expulsá-lo, Kiara desceu as escadas. Ela parou, confusa inicialmente ao nos ver e logo depois abriu um dos seus sorrisos bizarros que mostravam tudo e mais um pouco.

- Oi Edward!
- Oi... Kiara.
- OMG! Estavam se pegando no quarto da Bella?

Por que ela estava batendo palmas que nem retardada? Não era aniversário de ninguém! Edward me olhou sem saber o que dizer e eu puxei-o, passando por ela sem respondê-la.

- Hein?
- Finja que nem viu Edward aqui, Kiara.
- Ah, mas eu vi. Aliás, estou vendo!

Ela veio descendo atrás da gente e já estava me deixando irritada. Ok, percebi que Kiara sempre me deixava irritada. Quando abri a porta de casa para jogá-lo na rua, me virei para olhá-la.

- Quer parar de nos seguir?
- Ok.

A pessoa era tão, mas tão estranha, que simplesmente sorriu e balançou a cabeça, saindo de perto de nós e indo para a cozinha.

- O que foi isso?

Edward me perguntou, rindo da maluca.

- Não faço a mínima idéia, mas ela já veio assim, eu acho.
- Veio? Você fala como se fosse vinda de fábrica...
- E talvez seja. Vai ver é algum protótipo do governo.

Não que eu tenha muita experiência de vida. Ou de morte. Mas enfim, Kiara era um ser totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto antes. Era como... duendes. Você só acredita, vendo. Edward virou de costas para rua e ficou me olhando com cara de cão carente.

- Bem... Nos veremos amanhã?
- Acho que sim.
- Bella, você vai ao colégio amanhã, certo? Porque se estiver fugindo de mim, já aviso que virei buscá-la nem que tenha que arrombar a porta do seu quarto.

Isso era algum tipo de ameaça? Arrombar a porta do meu quarto? Acho que Edward assistia a muito filme de super-herói.

- Eu irei ao colégio. Não precisará gastar toda a sua força arrombando meu quarto, ok?
- Ótimo então. Ou eu posso vir buscá-la, se quiser.
- Tchau, Edward.

Empurrei-o de leve para demonstrar que a conversa já tinha acabado, mas o insistente segurou meu pulso e me puxou até envolver minha cintura com os braços.

- Bella... Bella... Acha mesmo que irei embora sem te beijar?
- Eu não tenho que ficar te beijando toda hora!

Ela podia se fazer de desinteressada, mas mentia um pouco mal. Eu sentia seu corpo reagir exatamente ao contrário do que ela tentava passar, quando eu a tocava em áreas estratégicas, como agora por exemplo, que minha mão alisava suas costas até chegar à sua nuca. Sua pele arrepiava-se por onde meus dedos passavam, bem devagar.

- Bem... Eu também não tenho necessariamente que ficar te beijando toda hora, mas não significa que eu não queira.

Apertei seu pescoço e invadi com pressa sua boca, deixando-a sem ação. Suas mãos pararam no meu peito enquanto eu tomava seu corpo com força, sentindo-o mole nos meus braços.
Definitivamente, Edward só não tinha morrido ainda porque ele beijava muito, muito bem. Eu me sentia nas nuvens enquanto sua boca perfeita brincava sobre a minha, sugando qualquer gota de saliva que eu pudesse produzir. O beijo foi rápido, apenas como uma prévia do que eu poderia ter sempre. Ele soltou meu rosto e me olhou com um sorriso provocante e levemente torto.

Agora, eu posso ir embora.
- Ok.

Fiquei me xingando mentalmente enquanto ele entrava no seu carro brilhante e patético. Como eu podia ser tão fraca assim?

Kiara estava na cozinha, mexendo em alguma coisa nos armários e eu tentei passar por ali sem que ela me notasse, mas a garota parecia ter olhos nas costas. Ela virou a cabeça para trás - quase igual ao filme Exorcista - e mostrou seus dentes brancos.

- Prima, vem cá!

Me aproximei dela e já que estava na cozinha, me perguntei por que não poderia fazer uma boquinha. De Kiara, claro. Ok, isso não seria legal.

- O que?
- Eu nunca te vejo comer nada. Não é dieta, é? Porque você nem precisa disso.
- Não. Não é dieta.

É apenas um tipo de alimentação diferente. Sorri tentando ser simpática e despistá-la.

- Eu como e muito! Sou esfomeada mesmo, mas acho que você nunca esteve presente nessas horas.

Até porque acho que ela se assustaria ao me ver comendo. Kiara tirou uma caixa de biscoito de dentro do armário e eu nem sabia que tinha aquilo ali. Charlie provavelmente deve ter comprado comida para ela. Minha prima abriu o pacote, pegou um biscoito doce e me ofereceu também.

- Hum, não obrigada. Não sou muito fã dessa marca.
- Oh. Que pena...
- Pois é. Meu pai sempre se engana.

Deixei Kiara comendo seus biscoitos e voltei para meu quarto. Já era de noite quando meu pai chegou e eu fui até seu quarto falar com ele. Bati na porta e ele me mandou entrar em seguida.

- Oi querida. Como foi seu dia?
- Normal. Queria falar contigo, pai.
- Sobre?

Sentei na cama dele, dobrando minhas pernas e observando ele arrumar meticulosamente suas roupas nos cabides.

- Pai, Kiara hoje tocou num assunto que eu não soube muito bem como sair. Ela tem notado que eu não como. E vai notar o mesmo de você.
- Ela te falou isso?
- Me perguntou hoje de tarde lá na cozinha. E isso porque tem pouco tempo que ela mora com a gente, né? O que vamos fazer com o passar dos dias?

Nem sei para que eu estava fazendo essa pergunta, pois pela cara do meu pai, ele estava tão sem resposta quanto eu. Charlie coçou a cabeça e sentou-se ao meu lado.

- E se nós... comêssemos de vez em quando com ela?
- Nem pensar!

Ele ficou de pensar numa solução para nosso "problema" e enquanto isso eu decidi sair para caçar. Todo esse papo de comida, biscoito e tudo mais, tinha aberto consideravelmente o meu apetite. Me arrumei e fui para a rua à procura da caça. Estava andando por uma rua praticamente deserta, mas tinha avistado um homem estranho perto de um beco. Não eram os melhores, mas eu me sentia um pouco melhor quando me alimentava de foras-da-lei. Dei a volta pela rua, para chegar por uma outra entrada do beco, que era mais escondida e quando estava próximo da minha vítima, senti uma coisa bem familiar atrás de mim. Virei-me rapidamente e dei de cara com um homem tão pálido quanto eu. Loiro. Olhos vermelhos. Um vampiro.
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http://www.news.mylocoworld.com/wp-content/uploads/2009/04/charlie-bewley-new-moon.jpg
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- Isabella Swan.

Quando ele pronunciou o meu nome, a ficha caiu. Ele me conhecia e pelo seu sotaque, eu sabia exatamente de onde ele me conhecia.

Virei de costas novamente para mostrar meu descaso, mas antes de poder me mover, ele surgiu na minha frente. Seus olhos se estreitaram enquanto ele sorria maliciosamente, passando o dedo polegar pelo lábio inferior.

- O que é isso, Isabella? Não vai cumprimentar um conhecido?

Eu sabia que ele era um Volturi, isso já estava bem claro para mim, mas eu não sabia quem ele era exatamente. Todas as minhas lembranças daqueles dias fatídicos eu tentei apagar de minha mente, pois me doía pensar nisso.

- Você quer sair do meu caminho, por favor? Minha caça vai perceber nossa presença aqui.

Pedi, rosnando baixo, apenas para que ele me ouvisse. O loiro virou-se ligeiramente para trás, olhando a minha vítima e deu alguns passos para o lado, me dando passagem.

- Como sou um perfeito cavalheiro, vou deixar que se alimente. E a propósito, acho que você se esqueceu... Mas meu nome é Alec.

O estalo na minha mente. Alec. Era lógico que eu sabia quem ele era. Tão ruim quanto a pequena loira. Minhas pernas travaram no mesmo lugar, mas me obriguei a me mover para não aparentar fraqueza. Fui em direção ao pobre - ou não - homem ali no beco.

Olhei para trás quando me afastei e vi que Alec tinha se escondido para não ser visto pelo homem. Minha vítima aparentava ter uns 30 anos e ao me ver, ficou alegre por achar que tinha petisco dando sopa na área. Bem, talvez ele estivesse certo, mas o petisco era ele.

- Oi delícia. Está perdida?

Um verdadeiro malandro, sorriso faceiro no rosto enquanto me olhava dos pés à cabeça. Eu sentia o sangue correr mais rápido agora por suas veias, excitado do jeito que ele estava. Sua jugular me chamava, pulsante e minha mente não parava de pensar no Volturi lá atrás. O que ele estava fazendo em Forks? O que queria? Meu pai sabia?

- Ei!

Estava tão distraída que o homem me puxou pela cintura, colando sua boca no meu pescoço, me pegando desprevinida. Rosnei para ele, expondo meus caninos e puxei seus cabelos, levantando seu rosto. Seus olhos me fitaram, arregalados e antes que ele soltasse o grito que estava prestes a sair, eu cravei meus dentes em sua veia, deixando seu sangue jorrar para minha boca. O que eu ouvia agora além das súplicas da vítima, era o som de palmas ecoando pelo beco. Rolei meus olhos procurando por Alec e o vi já perto de mim, apenas 1 metro de distância.

- Meus parabéns! Tática perfeita, se deixar ser agarrada! Ataque perfeito também.

Soltei o corpo mole do homem, mas não tinha matado ele ainda. Na verdade, em minhas últimas duas alimentações, eu não consegui matar as vítimas. Tinha deixado-as desacordadas por minha vontade. E não foi diferente dessa vez. Suguei o suficiente para me alimentar e soltei seu corpo, que foi escorregando pela parede até ele cair sentado.

- Fique longe de mim!

Encarei Alec, colando meu rosto no dele e olhando-o profundamente. Eu acho que ele se lembrava muito bem que eu não gostava de brincadeiras. Me afastei e pude ouvir o estalar de um pescoço. Era óbvio que ele não deixaria o homem vivo. Era uma testemunha.

- Nós ainda não acabamos, Bella.

Quando senti que ele estava vindo atrás de mim, movi um latão de lixo, daqueles de depósito, que tinha ali no beco, na sua direção e o imprensei contra a parede. Consegui ouvir o baque do seu corpo, chocando-se no concreto e fiquei satisfeita.

- E para você, eu sou Isabella.

Aproveitei a vantagem que ganhei e saí depressa do local. Tomei o cuidado de não deixar meu rastro muito evidente até minha casa, então fiz vários caminhos, passando por lugares completamente distintos. Não podia correr o risco de trazer Alec até minha família. Kiara não tinha nada a ver com nossos problemas... nem... Edward.

Entrei em casa e fui direto ao quarto do meu pai, que estava vendo televisão. Ele se assustou com o jeito que entrei no quarto, já que sempre batia antes.

- Bella?
- Pai, Alec Volturi está em Forks?
- Alec...?
- Volturi, pai! Itália...

Seus olhos enegreceram quando ele entendeu do que eu estava falando. Meu pai, que até então tentava viver com um chefe de família pacato e trabalhador, tinha se transformado no bom predador que era. Eu gostava de vê-lo daquele jeito, pois me fazia sentir segura, mesmo sabendo que não precisava de proteção.

- Onde você o viu?
- Ele me achou. No centro. Eu fui caçar e ele apareceu de surpresa. Eu tentei o máximo que pude, despistá-lo para não me seguir, mas não sei se consegui. Fiquei com medo por causa de Kiara. Pai, o que ele está fazendo aqui? Achei que fossem nos deixar em paz.

Eu tinha surtado ou era impressão minha? Meu pai segurou-me pelos ombros e seus olhos voltaram ao normal enquanto ele sorria debochado para mim.

- Está entrando em pânico, Bella? Você não é assim.
- Eu sei. Foi apenas... um colapso.

Ele suspirou e andou até a janela, observando o lado de fora por alguns minutos.

- Você vai precisar tomar conta da sua prima enquanto ele estiver por aqui. Eu vou descobrir o que ele quer, fique tranquila.


3 comentários :

ie esse capitulo 5 e igaul ao capitulo 4 pq e por favor postem um capitulo diferente por favaor
bjs

Anônimo
24 de fevereiro de 2011 21:19 comment-delete

Capituloo ja está arrumado amor *-* Obrigadaaaa por avisar o/ foi um errinho da Ray PAOKSPOKAS

Beijokas *-* :*

25 de fevereiro de 2011 12:02 comment-delete

nossa amei esse capitulo
fiquei bem feliz com a rapidez que colocaram o capitulo certo
bjs

Anônimo
26 de fevereiro de 2011 13:37 comment-delete

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