ED - Capitulo 3

| Capítulo 3 |


Música (Papas da Língua - Ao Vivo Acústico - 15 - Ela Vai Passar):
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http://www.youtube.com/watch?v=pTka4LI2yLE
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Eu era chato quando eu queria. E eu queria sair com Bella. A mesa dos nerds era muito para a minha cabeça. Me arrumei e passei o perfume que as hipnotizava, nos pontos estratégicos. Me olhei no espelho mais uma vez e desarrumei bastante os meus fios de cabelo. Elas amavam esse detalhe e ficavam loucas. Ninguém nunca tinha resistido. Parei meu Volvo na sua porta às 17h58.
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Buzinei e saí do carro, indo até a porta para esperá-la. Eu não estava acreditando no que estava vendo.
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- Não estou de capuz!
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Não, ela não estava. Mas estava de gorro e óculos escuros. Como ver seu rosto dessa maneira?
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- Você sabia que esses óculos são grandes demais para seu rosto?
- Sim.
- Inadreditável!
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Ela sorriu amarga e passou por mim, andando devagar até meu carro, abrindo a porta e batendo com uma força descomunal. Meu pobre Volvo... Essa garota começava a me irritar profundamente! Quando entrei no carro, o silêncio era contagiante. Bella olhava para a frente, sem mexer um músculo. Credo, nem parecia estar respirando...
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- Mexa-se.
- Oi?
- Dirija logo.
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Pessoa gosta de mandar, não? Liguei o carro e saí dali antes que ela me matasse ou algo do tipo. Sua carranca era grande.

Por que garotos acham sempre que os carros possantes impressionam as garotas? Paramos num sinal e eu vi um conversível com duas loiras ao nosso lado, olhando diretamente para o Volvo. Ok, nem todas as garotas se incluem nessa lista...

- Onde nós vamos?
- Comer alguma coisa...

Ah que beleza! Comer! Pode ser... o pescoço dele? Melhor não, né? Batuquei meus dedos na minha coxa, ansiosa por aquele encontro terminar logo. Edward era provavelmente um dos últimos caras com quem eu queria sair. Apesar dele ser lindo, ter um cheiro bom, um cabelo hipnotizante e... Que porra é essa, Isabella? Voltei a olhar para a frente. Será que ele percebeu que eu estava encarando-o?

- Você é sempre na defensiva assim?
- Não.
- E monossilábica? É coisa recente?
- Morra.

Ele bufou e revirou os olhos. Cansado de me aturar? Pois é... A recíproca é verdadeira. Nós paramos numa lanchonete que era bem famosa na cidade e ele veio abrir a porta para mim. Está brincando, né? Ok, vamos fingir. Esperei o lerdo chegar do meu lado e abrir a porta. Eu quase dormi com toda aquela demora.

- É aqui?
- Isso. Você poderia tirar os óculos, né?
- Não.

Desci do carro e olhei para a lanchonete lotada de gente. Saco. Nós fomos atravessar a rua e eu vi que o sinal não ia fechar tão cedo. Os carros tampouco não paravam. Ok.

Nossa! O carro que ia passar por nós, derrapou e parou do nada. Bem, pelo menos conseguimos atravessar a rua.

Entramos na droga de lanchonete e senti que alguns olhares concentraram-se em nós dois. Agora deveria ser a hora em que ele se arrependia de estar na companhia da garota estranha e corria. Mas não. O infeliz me guiou até uma das mesas, bem no meio do povão.

- O que vai querer?
- Nada.

Ele me olhou incrédulo, decepcionado e eu tive vontade de rir. Era tão bom ver essa expressão... Ok, vamos ser um pouco mais sociável.

- Pode ser batata-frita.
- E para beber?
- Sangue.

Ops, falei em voz alta? Eu vi sua boca abrir um pouquinho e ele limpar a garganta.

- Estou falando sério.
- Soda.

Edward suspirou e saiu para comprar os comes e bebes, enquanto eu fiquei observando as pessoas ali. Tudo adolescente fútil, que só ligava para aparência. As patricinhas falavam da nova cor de esmalte do mercado, enquanto os mauricinhos falavam do novo modelo de tênis da Nike.

Estava fazendo os pedidos quando vi uma garota passando por Bella e derrubando refrigerante nela. Droga! Das duas uma... Ou rolaria barraco, ou ela sairia raivosa dali e me deixaria sozinho. Paguei rápido para a atendente e fui para a mesa.

- Sinto muito... Eu vi...
- Hum.
- Melhor ir no banheiro secar, não acha?
- Isso? Não precisa.

Ela estava calma. Isso era um milagre.


Deixei ela fazer a graça dela. Esperei a loirinha voltar para sua mesa e desembrulhar seu cheesburguer hiper bacon. Ops. O sanduba voou no rosto dela.

- Ew...
- Você está nojenta!
- OMG! Isso é... maionese?

Nossa... A garota da mesa atrás de Bella se sujou feio. Eca. Quando percebi, Bella estava mergulhando as batatas no MEU molho barbecue.

- Gosta disso?
- Não.
- Então porque está mergulhando suas batatas aqui?
- Para te irritar.

Ela sorriu enquanto mastigava uma porra de uma batata molhada no meu molho. Irrita, né? Ignorei aquilo e voltei a comer meu sanduíche. meu molho parecia estar diminuindo.


Ora porra. Se eu tenho que fingir gostar desse lixo chamado batata, ao menos vou tentar me divertir, né? Vamos acabar com o molhor dele. De repente Edward se inclinou sobre a mesa e estava esticando a mão até meu rosto. Ele vai tentar me matar? Fiquei imóvel com medo de arrancar seu braço em público.

- É só...

Ele não terminou de falar e tocou com um dedo no canto da minha boca. Então ele retirou o dedo, sujo de molho e lambeu.

- Nem comer direito você sabe.
- Te perguntei alguma coisa?

O molho que estava sujando seu rosto, tinha um gosto melhor do que o molho do potinho. Ou eu que estava ficando louco? Bem, eu não sei, mas do nada eu me vi observando cada ridícula batata que ela levava devagar até a boca e mastigava lentamente. OMG, eu estava gostando de observar Isabella Swan?

Música (Sum 41 - Pieces):

http://www.youtube.com/watch?v=TzNza21A2uo

Enquanto terminávamos de comer, caiu um temporal lá fora. O povo ficou desesperado. Humanos pensam que são feitos de açúcar, eu acho. Porque é muito desespero para uma coisinha tão patética. Qual o problema em se molhar?

- Vamos?

Ele já tinha terminado de comer, enfim. Balancei a cabeça e me levantei para ir até a porta. Quando saímos da lanchonete, ele correu na minha frente e parou no meio da rua, me olhando. Então ele voltou.

- Vai andar nessa velocidade?
- Sim.
- Percebe que está ensopada?
- Sim.
- Inacreditável!

OMG. O que ele estava fazendo? Edward tirou a jaqueta de couro e levantou-a em cima da minha cabeça.

Ela pareceu não gostar muito do meu gesto, pois aperotu o passo e abaixou o rosto. Pessoa estranha.

- Você realmente não precisava ter feito isso!
- Bem, eu fui criado por humanos, não por selvagens... Então eu ainda sei como tratar uma mulher.

Ela me olhou e mesmo de óculos eu sabia que ela estava enfezada.


- Tratar uma mulher? Nem em mil anos você vai aprender...
- Não vou? Que tal eu lhe mostrar?

OMG. Ele apertou minha nuca e me puxou, encostando no Volvo. Edward estava beijando minha boca ou era impressão minha?

Ela era teimosa mas sua boca era uma tentação. Eu a beijei rápido, agarrando-a com um braço pela sua cintura e juntando-a ao meu corpo. No começo eu senti ela querendo se afastar, mas sem tanta vontade assim. E então eu consegui invadí-la com minha língua.

Ele enfim parou de me agarrar e eu tive vontade de achatar sua cabeça com todo aquele seu abuso. Como assim ele me agarra do nada? Tudo bem que ele tinha um beijo bom, muito bom...

- Entra no carro, Bella.
- Não. Eu vou a pé.

Dei as costas para ele, mas senti sua mão segurando meu braço. Era um saco ter que se fingir de fracam quando na verdade, bastava um puxão meu e o braço dele viria junto.

- Dá para me soltar?
- Por que quer ir a pé?
- Porque você é um lesado!

Ele fechou a cara e saiu me puxando para o outro lado do carro, abrindo a porta e me enfiando no banco do carona.

- Eu te busquei, eu te levo.

O queridinho bateu a porta do carro com força e deu a volta. Posso rir? Ele sentou enfezado e ligou o carro, me olhando sério. Ui, que medo.

- Você é difícil, sabia?
- Nunca disse que era fácil...
- Isabella Swan, eu sei que você gostou do beijo, e tem medo de admitir.

Nós estávamos já perto da minha casa quando ele soltou essa pérola. Desde quando eu tinha medo de alguma coisa? Apenas ri.

- Qual a graça?
- Você.

Ele freiou bruscamente na minha porta e destravou o carro para eu saltar. Mas antes que eu abrisse minha porta, fui puxada de novo pela nuca e ganhei outro beijo dele, mais rápido dessa vez.

- Agora, você pode ir.

Eu falei calmamente enquanto ela bufava e saía batendo os pés até entrar em casa.

Eu definitivamente odeio Edward Cullen! Subi com raiva para meu quarto e encontrei Kiara no caminho.

- Oi prima! Que noite linda, não?
- Não!
- Credo, que bicho te mordeu?

Eu realmente detestava quando me faziam essa pergunta. E eu tinha uma vontade incontrolável de mostrar qual era o bicho. Fazer uma viagem até a Itália talvez, e jogar a pessoa no colo de Aro. Ou de Jane, quem sabe.

- Boa noite, Kiara.
- Você está ensopada...
- Eu sei.

Fui para meu quarto e tranquei a porta por dentro, antes que a eletricidade ambulante resolvesse bater papo, fazer fofocas, ou essas outras coisas que adolescentes fazem. Eu sei, eu sou uma adolescente, mas eu não me sinto mais com ânimo para isso. Passei o resto da noite com raiva e com um pouco de fome, já que batata-frita não me alimenta do jeito certo. Na manhã seguinte, eu estava tensa com o que me esperava no colégio. Quando estacionei a picape, Kiara pulou antes mesmo de eu delsigar o motor e saiu pipocando pelo estacionamento. Ela já era mais enturmada do que eu. Bem, eu não era enturmada. Nem com o vaso de plantas da sala.

- Bom dia!

Não tinha reparado no Volvo atrás da minha vaga, então só soube da presença dele ali, quando ouvi sua voz. Ele sorria para mim, com aquela cara de imbecil. Gato, lindo e gostoso. E imbecil.

- Oi.
- Hum, dormiu comigo?

Hein? Oi? Eu? Não lembro!

Ela ficou imóvel no lugar.

- Era para ser uma piada, Bella.
- Ah. Não.

E saiu andando...

Eu achava que já era demais, sabe? Ele ficar me esperando no estacionamento e tudo mais. Porém, o que ele fez dessa vez, ultrapassou todas as barreiras de insanidade. Eu estava sentada no meu canto, esperando pelo professor de biologia, quando Edward sentou do meu lado.

- O que você está fazendo?
- Sentando.
- Aqui? Olha só quanto espaço vazio em volta!
- Bem, prefiro sentar aqui.

Ódio! Edward Cullen estava pedindo para morrer! Virei a cara e encarei meu livro besta que não servia para nada. Tentei ignorar o cabeça de vento sentado ao meu lado, mas agora, tinha uma mão nos meus cabelos.

- Tire as patas, ok?
- Ei... vai fingir que não houve nada ontem?
- Não houve nada ontem.
- Ah não?

Ele inclinou para meu lado e sussurrou, roçando a boca insuportável na minha orelha.

- Os beijos de ontem não foram nada então?
- Não.

Eu tremi com o beijo leve que ele deu no meu pescoço.

Isso tudo era apenas uma armadura que ela vestia, pois quando cheguei bem perto de sua pele, seu corpo tremeu levemente. Beijei seu pescoço, molhando bem minha boca para deixar a marca de saliva ali na sua pele.

- Bem, eu adorei o beijo de ontem... Bella.

Ela parecia me olhar com raiva. Como eu queria ver o que tinha por trás daquele capuz que escondia seu rosto... Quando não era essa droga de capuz, era uma droga de óculos gigante.

- Podemos nos ver hoje mais tarde?
- Não.
- E amanhã?
- Não.
- Bella... por favor?

Ela parou e virou a cara para me olhar. Bella se aproximou de mim, trazendo sua boca até meu pescoço. Pude sentir seus lábios encostarem na minha pele.

- Não.

Ignorei Edward a aula toda e assim que o sinal tocou, eu levantei da mesa e saí rápido pelo corredor. Foi quando uma patricinha que eu detestava, a Lauren, parou na minha frente, bloqueando minha passagem, de braços cruzados.

- Bella.

Ela falou comigo? Olhei para os lados e vi que só tinha eu ali. Ok, vamos aturar a coisinha chata.

- O que?
- Tudo bem contigo?

Eu não respondi, apenas continuei parada, olhando para ela, que agora levantava uma sobrancelha, irritada com a minha mudez.

- Ok, eu falo então. Só vim te avisar para parar de babar pelo Edward. Ele é meu.
- É?

Por que eu falei? Não era para abrir a boca!

- Será. E se você ousar cruzar o meu caminho... Bem, apesar de que... acho que você é a única a não ter a mínima chance com ele... De toda a cidade.

Que linda! Ela não sabia que eu era super competitiva, né? Sorri e passei por ela, tomando o cuidado de esbarrar sem querer em seu braço e jogá-la na parede.

- Desculpe. Você estava no meio do caminho...

Quando cheguei no estacionamento, vi uma Bella encostada no meu Volvo. Isso era... estranho.

- Oi.

Foi ela que falou comigo, certo? Limpei a garganta enquanto destravava o alarme.

- Olá. Bem... não sei o que te deu, mas vou aproveitar o seu bom-humor e perguntar se podemos nos ver mais tarde.
- Sim.

Eu quase caí para trás.

O que exatamente eu respondi? Que sim? Edward agora estava indo para o Volvo sorridente. Eu ainda não acreditava que tinha deixado aquela patricinha me envolver desse jeito! Entrei com raiva na picape e dirigi para casa, tentando de todas as formas encontrar um jeito de não sair com Edward Cullen.

- Oi filha.

Nem vi direito meu pai, tamanha a raiva que estava cegando meus olhos. Passei direto por ele e me tranquei no quarto. Que raiva! Ele devia estar se achando o máximo agora. Eu não tinha o que fazer, nem como cancelar essa droga, já que nem sabia o telefone dele. O que eu podia fazer era esperá-lo chegar aqui para dar o fora nele.

- Prima?

Ouvi as batidas de Kiara na minha porta e não respondi. Porém, elas continuaram, insistentemente. Eu resolvi levantar para abrir, antes que ela fizesse um furo de tanto bater.

- O que é?
- Oi, tudo bem?

Como a pessoa podia ser animada 24 horas por dia, como se o mundo fosse feito de flores e arco-íris?

- Tudo.
- Então... posso falar com você?
- Já está falando, não está?

Ela revirou os olhos e riu, balançando a cabeça.

- Estou. Dã!

Paciência...

- Então, é que eu estou sabendo sobre a Lauren... e vim te dar meu apoio!
- O que tem a Lauren? Está sabendo de que?
- Do boato que eu tenho certeza que foi ela quem espalhou.
- Que boato, Kiara?
- Oras, você não sabe? Todo mundo está comentando que você está dando mole para o Edward.

Ela falou como se fosse a fofoca mais falada da atualidade e parou, olhando para minha cara, com aqueles olhos arregalados.

- Foi... ela quem espalhou isso?
- Foi. Eu ouvi ela conversando com uma outra menina. A Jéssica, conhece?
- Claro.
- Então. É isso. Mas eu sei que não é verdade, porque eu sei que é ele que está correndo atrás de você. Então, eu estou te apoiando! Bem... só eu. Mas eu conto, né?

Kiara abriu um sorriso, mostrando praticamente todos os dentes da boca. Acho que foi a primeira vez desde que chegou em Forks, que ela tinha me deixado feliz. Tentei sorrir um pouco, como os humanos costumam fazer quando querem agradecer.

- Bem, obrigada por me avisar.
- E aí? O que você vai fazer?
- Não sei.

Fechei a porta e depois percebi que tinha sido na cara dela. Abri de novo a porta rápido.

- Desculpe.

E fechei de novo. Então sou eu quem estou dando em cima de Edward, certo? Eu lembrei das palavras de Lauren mais cedo na escola, do jeito como ela tinha medo de não ter chances com Edward. OK. Se ela quer briga, ela vai ter briga. Peguei minha carteira e a bolsa e saí do quarto.

- Vai sair, Bells?
- Vou até Port Angeles... só volto mais tarde.

Quando cheguei na casa dela, encontrei tudo apagado e nem a picape estava lá. Ok, ou ela esqueceu que eu viria, ou ela fugiu de mim. Resolvi esperar um pouco para ver se ela chegava e não deu outra. Alguns minutos depois eu ouvi o som terrível do motor velho chegando. Uma Bella raivosa desceu do carro e me olhou feio.

- Ah. Você veio mesmo...
- Eu vim, lembra? Você disse sim.
- É. Já venho.

Ela entrou em casa, batendo com força a porta e eu voltei para o carro. Logo depois ela saiu, com a mesma roupa horrorosa de quando chegou.

- Vamos.
- Não quer... trocar de roupa?
- Não.
- Claro.

Entrei no carro e fechei os olhos quando ela quase quebrou minha porta com a força. Essa menina precisava fazer um tratamento anti-stress.

- Onde vamos?
- Você escolhe.

Ela me olhou e mesmo não vendo, eu podia jurar que ela devia estar revirando os olhos, ou franzindo a testa. Ou até mesmo me fuzilando com o olhar.

- Então escolho ir para casa.
- Ótimo! Seu pai não vai se incomodar com a minha presença?
- Sem você.

Osso duro de roer esse. Mas mesmo assim, tinha algo diferente nessa garota. Pelo menos ela não era como todas as outras que se atirava em cima de mim. E ela cheirava bem. Muito bem. Parei o carro perto da entrada da floresta, onde eu sabia que tinha um lugar legal, com cachoeira e tudo mais.

- O que é isso? Veio acampar?

Sério que ele me trouxe para o meio do mato? Ele achava o que? Que eu era mais uma dessas garotas imbecis e indefesas que iriam ceder aos seus encantos e dar para ele ali? Ele parecia sem reação, me olhando sério.

- Se não quiser ficar aqui, diga onde quer ir.
- Eu já disse.
- Bem, essa não é uma opção. Então nós ficaremos aqui.

Ele saiu do carro e eu saí também, aspirando aquela droga de oxigênio em excesso.

- Vamos por aqui...
- Ainda tenho que fazer trilha?

Acho que ele não me ouviu, ou pelo menos fingiu isso, pois continuou andando sem me dar atenção. Bem, se eu fosse uma simples humana, ele seria um péssimo encontro, já que eu estava me embrenhando numa mata e já teria torcido o pé inúmeras vezes.

- Onde exatamente você quer me levar?
- Você vai ver.
- Hum.

Andamos mais um pouco e numa parte que tinha uma depressão no solo, ele se virou para me pegar no colo. Eu ignorei suas mãos e pulei.

- Você é estranha...
- Idem.

Ele parou num tipo de clareira e eu parei atrás. Era isso que tínhamos vindo ver?

- Você já notou que está escurecendo, né?
- Já. Nós não ficaremos muito tempo. E não precisa ter medo... Eu te protejo.

Eu quase me engasguei. De rir.

Ele sentou na beira de uma droga de cachoeira e me olhou. O que ele estava tentando fazer? Me avaliar?

- Isso tudo é uma armadura, né?
- Não.
- Bella... Você não quer se deixar envolver. Está óbvio.

Ela riu. Eu falei algo engraçado? A risada dela era... diferente. Bonita. Ela estava em pé ainda, um pouco afastada de mim, mas perto o suficiente para eu esticar minha mão e puxar seu quadril.

- Eu não mordo, sabe?

Fiz ela se aproximar, um pouco tensa e puxei sua mão para baixo, obrigando-a a sentar ao meu lado.

- Bem... Cuidado. Pois eu mordo.
- Jura? Adoraria ser mordido por você então.

Ela puxou a mão e cruzou os braços. Eu podia jurar ter ouvido um gemido, rosnado... algo assim. Talvez ela tivesse problemas respiratórios. Não era bem o momento, mas eu senti vontade de beijá-la. Era até estranho pensar, de que eu tinha começado tudo isso por causa de uma simples aposta. Mas agora eu realmente sentia vontade de estar ao lado dela e desvendar seus mistérios.


Lá vem ele... Edward estava se inclinando na minha direção e eu me inclinava para trás. Saco.

- Está fugindo de mim?

Ele perguntou com um sorriso meio torto, se achando o gostoso.

- Não.

Sua mão então segurou meu pescoço e ele puxou minha cabeça, me beijando na boca.

O que acontecia comigo? Porque eu queria jogá-lo longe mas ao mesmo tempo eu gostava da sua boca mexendo sobre a minha. Suas mãos agora alisavam meu pescoço e começaram a descer pelos meus ombros. Eu estava quase sendo deitada por ele, quando finalmente minha consciência voltou.

Ela enfim parecia ter resolvido relaxar e seu beijo era bom, enquanto eu sentia sua pele estranhamente fria tremer sob o meus toques. Mas então eu notei seu corpo enrijecendo e suas mãos no meu peito me empurrando.

- Ficou louco? Desencosta!

Mas o que...? Bella fechou a cara e levantou, limpando a roupa. Me pergunto para que ela se importava com aquele trapo...

- Não diga que não estava gostando.
- Eu odiei, é diferente!
- Covarde...


Hein?

- Do que você me chamou?

Ele apenas sorriu para mim, o sorriso mis cínico que eu já vi. Ugh! Eu simplesmente tinha vontade de pegá-lo pelo pescoço e arremessá-lo dentro da cachoeira!

- Eu disse que você é covarde!

Não me controlei. Avancei nele e segurei sua garganta. Um pouquinho mais de força e ele estaria sendo enterrado amanhã!

Wow! Menina nervosa! Ela fez de propósito, claro, me jogou no chão e subiu em cima de mim. Sua mão no meu pescoço estava tremendo, doida para me agarrar.

- Você perde a noção do perigo!
- Eu?
- Me chamar de covarde? Quer morrer?
- É covarde sim... Tem medo de se envolver.
- Não tenho não, seu imbecil! A culpa não é minha se você se acha tão irresistível assim.


Ele revirou os olhos e eu senti vontade de arrancá-los. E aí uma mão estava andando nas minhas costas. Ok... Isso...

- O que foi, Isabella? Perdeu a fala?

A sua outra mão tirou a minha que estava na sua garganta e ele puxou meu pescoço, me beijando de novo. Senti seu corpo rolar sobre o meu e por um momento eu achei que estivesse sem ar, mesmo não precisando disso para viver.

- Vá mais além e seja um homem morto!

Eu falei quando duas mãos começaram a passear pela minha barriga por debaixo do casaco. Ele parou e sorriu para mim. Eu o empurrei e levantei, pronta para ir embora.

- Está ficando tarde. Me leva para casa!

Eu juro que não entendo essa garota. Qualquer outra no lugar dela iria querer continuar com os amassos, já que o minha popularidade era grande com as garotas. Eu acho que já nem ligava mais para a maldita aposta, mas alguma coisa me prendia nela e me fazia querer continuar.

- Se quer ir, então vamos logo... eu tenho coisas mais importantes para fazer!

Ao chegarmos no carro eu até pensei em abrir a porta para ela, mas a simpatia em pessoa nem deu essa chance. Ela saiu na frente e entrou logo no carro, batendo porta com toda força. Eu me perguntava se no final de tudo isso eu ainda teria um carro inteiro.

- Certo, eu desisto. Se é isso que você quer me ver admitir, você conseguiu. Mas só me diga por favor, o que eu preciso fazer para que você seja natural comigo?

Ela virou o rosto para me olhar, mas eu não conseguia ver os seus olhos. Ouvi um suspiro forte e ela encostou a cabeça no banco.

- Eu estou agindo naturalmente. Não tenho culpa se você está acostumado com essas garotas que só sabem rir de tudo que você fala e que se jogam no seu pescoço por qualquer coisa...
- Eu tenho certeza que por trás dessa armadura toda existe uma garota frágil...

Ele curvou-se na minha direção e sorriu.

- E eu vou conseguir achar essa garota aí dentro.

Eu não entendia exatamente o que passava na cabeça dele agora, mas Edward parecia estar sendo verdadeiro ao dizer aquelas palavras. Fiquei quieta até chegar em casa e quando saí do carro ele saiu junto também, parando na minha frente.

- Será que amanhã eu vou poder falar com você normalmente? Ou você vai agir como se nada estivesse acontecendo entre nós?
- Que eu saiba não está acontecendo nada...
- É claro que está, Bella. Não se faça de boba, pois eu sei que você não é.

Suas mãos tocaram minha cintura e apertaram enquanto ele beijava meu rosto, tocando de leve os lábios no canto na minha boca.

- Boa noite e até amanhã.

Edward me soltou e deu a volta para entrar no carro. Quando entrei em casa minha querida prima estava em pé na sala com um sorriso gigante no rosto, daqueles que mostravam todos os dentes na boca.

- Vocês ficam lindos juntos!
- Não enche, Kiara...

Independente do que rolasse com Edward, eu ainda colocaria o meu plano em ação. Aquela patricinha queria briga, então eu iria dar briga a ela.

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