BMO - Capitulo 3

Bella POV
Quantas pessoas teriam a mesma sorte que eu? Tudo o que vinha me acontecendo nos últimos dias eu só poderia chamar de sorte. Mesmo com todas as dificuldades que vinha tendo, consegui ter uma filha saudável, sem maiores complicações.

Além disso, Melaine era a criança mais doce que já vi. Estava completando agora duas semanas de vida. Era a cópia fiel do homem que eu amava. Os cachos cor de bronze emolduravam o rosto perfeito. Até os olhos verdes eram idênticos aos do pai.

Definitivamente, ela não tinha nada que pudesse dizer que era minha filha, à primeira vista. Até algumas pintas esporádicas pelo corpo, assim como Edward.
Edward...ainda doía pensar nele. E para ser sincera...doeria sempre. Não era raro eu me perguntar como ele estava. Provavelmente estaria bem com a mulher e sequer se lembrava que um dia passei por sua vida.

Bem...mas agora eu tinha alguém a quem dar o meu amor.E sem nunca me esquecer que nessa maré de sorte ainda se encaixava um anjo. O doutor Jasper Halle. Era assim que eu o chamava... um anjo. Logo após minha alta no hospital, ele fez questão de me trazer até em casa. Quando viu minha situação ele saiu do meu quarto. Mas voltou em seguida carregado de compras. E ainda me deixou algum dinheiro, afinal, eu não voltaria a trabalhar tão cedo.

E agora, sempre que podia que ele vinha nos ver.Ele sempre falava sobre os cabelos e os olhos da Mel. Conhecia apenas uma pessoa com esse tom nos cabelos. Cheguei a pensar que ele conhecesse Edward, mas ele nunca aprofundava o assunto, então não insisti. Talvez tenha sido alguém que passou pelas mãos dele no hospital. E eu aqui tendo esperanças.

Porque apesar de tudo, eu tinha esperanças de um dia poder apresentar a minha filha ao pai.
Jasper era um bom homem. Casado, mas sua esposa morava em Paris, tinha uma agÊncia de modelos. Fiquei triste ao saber que ele apenas esperava completar seu prazo no hospital para se mudar. Iria ficar com a esposa.

E eu continuaria sozinha, aqui na Espanha. Pensando bem, eu nem tinha muito do que reclamar. Consegui sair de Forks e chegar até aqui. Pelo menos meus pais tiveram a decência de me colocar num vôo,tudo para ficarem livres de mim. Eu nem acreditei que eles pudessem fazer isso, depois de ter sido expulsa de casa e dormir na rua por dois dias.

Mas agora era bola pra frente, embora eu temesse um pouco meu futuro. Como poderia dar uma vida razoável para minha filha trabalhando naquele restaurante?
Eu começava pensar seriamente em levá-la para adoção. Olhei em seu rosto sereno e um aperto em meu peito me fez soluçar. Qual o caminho a seguir? Eu iria sofrer longe da minha filha. Mas seria a chance dela ter uma vida melhor, ter acesso a saúde, educação. Coisas que comigo ela não teria.

Uma batida leve na porta me fez sorrir. Já sabia quem era.
- Entre, Jasper.
-Olá... como vão minhas meninas?
Mel se remexeu no meu colo. Parecia que já conhecia a voz dele.
-Ah... pensamos que tinha nos abandonado.
- Claro que não.
Deu-me um beijo na cabeça e pegou Mel dos meus braços.

- Está cada dia mais linda. E tão quietinha. Todas as mães deveriam ter essa sorte.
- Disso realmente não posso reclamar. Dorme a noite inteira.
- Bella...já pensou no que irá fazer daqui pra frente?
Engoli em seco. Não sei p que Jasper iria dizer a respeito dos meus pensamentos.
-Eu... infelizmente não terei condições de dar o que ela merece, Jasper. Nem sem se irão me aceitar novamente no trabalho.
- Mas... tem que haver um jeito, Bella. Quando você diz que não terá condições... o que quer dizer realmente?
- Eu penso em...

Então uma idéia louca me passou pela cabeça. Tive medo. Mas nesse momento me pareceu a coisa mais lógica a se fazer. Jasper havia me dito que estava casado há três anos, mas que sua esposa ainda não conseguiu ter filhos. Fazia um longo tratamento. Será que ela se importaria em adotar a Mel?
- Pensa em?
- Jasper... o que sua esposa acharia de adotarem uma criança?
- Adotar?
A compreensão aos poucos foi preenchendo sua mente e Jasper me olhou com olhos arregalados.

- Você...você quer que adotemos a Mel?
- Eu ficaria mais tranqüila se soubesse que estaria com você.
- Mas, Bella... eu irei pra Paris. Você não irá ter contato nenhum com ela.
-Não seria diferente se outro casal a adotasse.
-Nossa...eu...queria tanto dar um jeito. Alice sempre me falou em adoção, mas... meu Deus, o que eu faço?
Jasper caminhou pelo quarto com Mel nos braços. Não falava nada. Parecia pensar no que fazer. De repente parou e me encarou um bom tempo.
- E o pai da Mel? Tem alguma chance dele saber?
Neguei.

- Ele está longe, JAsper. Nem deve se lembrar que existi.
- Entendo. Eu precisava conversar com a Alice, mas creio que não será possível. Ela foi ver o irmão que está passando por uma situação complicada. E eu não tenho muito tempo...irei embora amanhã.
- AMANHÃ?
Novamente aquele sentimento de perda se instalando dentro de mim. Jasper, que conheci há tão pouco tempo já era especial demais pra mim.

- Sabe... eu tinha pensado em levá-la comigo.
- Eu? Ficou louco, Jasper? Sem falar com sua esposa?
- Alice é excelente pessoa, Bella. Ela não vai se importar. Além do mais, ela comprou uma casa maior, está precisando de alguém para ajudá-la. Você seria perfeita. Já é de confiança para mim.
- Eu não sei, Jasper.
- Por favor...eu sei que ela...
Ele foi interrompido pelo toque do seu celular. Sorriu aliviado.

- Amor...estava louco atrás de você. Acho que encontrei uma pessoa para ajuda´-lá em nossa casa.
Fiquei olhando, ansiosa. Peguei Mel dos braços dele para que pudesse se concentrar melhor na conversa com a esposa.
- Ela é de confiança, Alice. Olhe...eu a conheci no hospital. Acabou de ter um filho... e não tem condições de se virar sozinha.
Esperou novamente.
- É... mãe solteira, Alice. Tem apenas quinze anos.
Vi sua expressão mudar. Passar da ansiedade para incredulidade.

- Alice! Como pode pensar isso? Eu te amo e jamais faria isso.
Deus do céu....olha eu complicando a vida de mais um. A esposa deveria estar pensando que o filho era do Jasper. Mas logo sua expressão suavizou-se e fiquei mais calma.
- Tudo bem. Eu te amo. Amanhã estaremos ai.
Estaremos?
Assim que desligou ele abriu um largo sorriso para mim.
- Vamos começar a arrumar suas coisas?
- Jasper, eu...
- Nem venha me dizer não, Bella. Olha... você irá trabalhar pra mim...e não irá precisar dar a Mel para adoção. Por favor... pense na sua filha.
Aquilo me desarmou, lógico. Que mãe iria querer se afastar do filho?

- Tudo bem, Jasper. Iremos com você.
- Ótimo. Vou agora mesmo providenciar as passagens.

Eu só esperava não estar dando um passo maior que a perna novamente. Afinal Jasper e a esposa eram um casal há algum tempo separados pelo trabalho. Não queria ser uma pedra no caminho deles. Parecia que Alice havia aceitado bem a idéia. Mas sempre tinha aquela história de um santo não bater com o outro. E se fosse assim com nós duas?
Obriguei minha mente a pelo menos uma vez na vida ter pensamentos positivos. Beijei o rosto delicado da minha filha e coloquei-a no berço que o próprio Jasper comprou.

- Preparada para mudar de ares, meu anjinho?

Nesse momento prometi que iria dar o máximo de mim para o Jasper e sua esposa. Afinal, mesmo me conhecendo há pouco tempo, estava me ajudando como a um irmão.
E sua esposa nem ao menos me conhecia e fazia o mesmo. Eu retribuiria à altura.
Ajoelhei-me em frente a imagem de Nossa Senhora que ganhei de Sue, para que eu tivesse um bom parto. E agradeci. Eu não merecia. Mas Deus estava olhando por mim.


Edward POV
Mais um dia...
Nem ao menos sabia em que dia da semana eu estava. Começava a contar pela quantidade de garrafas de uísque espalhadas pelo quarto de hóspedes. Era onde eu dormia agora. Aliás era uma das poucas coisas que fazia alem de beber: dormir.

Talvez assim o tempo passasse depressa e eu envelhecesse...ou então morresse logo de uma vez. Talvez isso aplacasse a dor que se tornava cada dia mais insuportável.
Sim...morrer era uma boa idéia para quem já estava com a alma morta. Quando eu imaginei que uma mulher faria isso comigo? Pior...era apenas uma garota.

-Edward?
Com dificuldade abri meus olhos e vi Tânia parada ao lado da minha cama.
- Estou indo embora.
Sentei-me, a cabeça girando juntamente com meu estômago.
- Pra onde?
- Pra qualquer lugar onde eu não veja sua decadência. Cansei, Edward. Pensei que com o tempo você fosse reagir, mas não. Continua nesse marasmo como se isso fosse trazer a garota de volta. Sabe como foi duro pra mim, Edward? Eu te amo e vejo você se acabando por causa de outra. Não da mais pra mim. Preciso ter um pouco de amor próprio.
- Sinto muito, Tânia.

Foi tudo o que consegui dizer. Eu quase não a via mais em casa, ficava trancado o dia todo em mim mesmo. Em nenhum momento me importei se ela estava mal com essa situação. Somente me amando para agüentar tudo o que agüentou nesses meses. Mesmo assim era melhor que ela se fosse. Eu pertencia a outra mulher, não fazia sentido continuarmos sob o mesmo teto.

- Seja feliz, Tânia.
- Eu não posso dizer o mesmo a você. Infelizmente está preso numa concha. Ser feliz só depende de você mesmo. Pare de sentir autopiedade, Edward. Reaja.
Caminhou até a porta, mas ainda falou antes de sair definitivamente da minha vida.
- Meu advogado irá procurá-lo para tratar do nosso divórcio. Se você ainda estiver vivo para assinar.

Só ouvi o bater da porta e em seguida seu carro se afastando. Levantei-me apenas para pegar nova garrafa de uísque e voltei para cama.

Não sei quanto tempo havia se passado desde que Tânia saiu de casa e ouvi novamente o som de um motor de carro. Talvez tivesse se esquecido de alguma coisa.
Entretanto a campainha soou. Permaneci no mesmo lugar.E a campainha persistindo, persistindo até que ouvi uma voz ao lado da minha janela.

- EDWARD CULLEN... OU VOCÊ ABRE ESSA PORRA DESSA PORTA OU IREI CHAMAR OS BOMBEIROS. SEI QUE ESTÁ AI , SEU IMBECIL.
- Alice?
O que essa louca estava fazendo aqui afinal? Levantei-me e fui arrastando até a porta de entrada. Do lado de fora uma baixinha de cabelos curtos e espetados me encarando, as mãos na cintura.

- Bonito... como se não bastasse querer morrer aos poucos e sozinho ainda se negar a abrir a porta pra mim.
- Oi pra você também, Alice.
- Ah... o cinismo pelo jeito não morreu com o resto do corpo.
- O que veio fazer aqui? Não deveria estar em Paris?
- Deveria. Mas a minha digníssima ex cunhada me ligou há uns dias me dizendo que estava abandonando o barco.
- Sim. Tânia partiu hoje.

Alice sentou-se, as pernas cruzadas, esperando que eu me sentasse também. Era dois anos mais nova que eu e estava casada há três anos. Sempre fomos inseparáveis.Falávamo-nos quase todos os dias... antes de conhecer Bella.

- O que veio fazer aqui? Ainda não respondeu.
- Vim ver se prefere ser cremado ou enterrado mesmo. Pelo amor de Deus, Edward. Olhe o que está fazendo da sua vida.
- Que vida?
- A vida que você tinha, seu estúpido. Cadê aquele homem lindo, cheio de energia, escritor de verdadeiras maravilhas?
- Está morto.
-Não...morto é o que você desejaria estar. Mas ate pra morrer está se mostrando um covarde. E sabe do que mais? A morte vai demorar a encontrar você, Edward. Simplesmente porque você não completou nem um terço da sua missão aqui nessa vida.
- E QUAL É MINHA MISSÃO, HÃ? ACABAR COM A VIDA DE UMA GAROTINHA... QUE ESTÁ POR AI...PERDIDA. TALVEZ COM UM FILHO MEU NOS BRAÇOS.

Sentei-me, derrotado e chorei novamente como há muito tempo não fazia.Pensei que já tivesse chorado tudo o que tinha para chorar, mas me enganei. Alice sentou-se ao meu lado, o braço em meus ombros.

- Nunca mais ouviu falar nela?
Neguei.
- E você acha que ficar jogado, bebendo, vai trazê-la de volta? Tem que ir a luta, Edward. Sei La...contratamos um detetive, qualquer coisa. Ela não pode ter desaparecido assim.
- Preciso dela, Alice. Eu a amo demais.
- Será que...a gravidez foi adiante?
- Não sei.

Obviamente minha família ficou sabendo de tudo o que aconteceu comigo. Por várias vezes Alice quis me tirar daqui, levar-me para alguma clínica de repouso. Mas eu fui firme. Parecia que gostava de sofrer olhando para a velha casa em ruínas.

- Ah..meu Deus...
- O que foi, Alice?
-Só um momento. Preciso ligar para o Jasper.

Esperei enquanto ela ligava, deixando meu corpo escorregar no sofá. Fechei meus olhos. Sempre que me sentava ali as lembranças de nossas tardes eram inevitáveis.

- Jasper...desculpe não ter ligado antes. Deu trabalho para ser recebida aqui.

...........
- E quem é a pessoa? Vai me trazer alguém da Espanha, Jasper? Ficou doido?

..................
- Ainda mais com um bebê? Está pensando em adotar essa criança, por acaso? Olhe, JAsper...isso é complicado. Vai que você traz a pessoa e eu não aprovo?
Um silêncio e um arfar em seguida. Abri meus olhos, curioso e vi a expressão de raiva de Alice.

- Jasper Halle...que conversa é essa? Acha que irei acreditar nisso? Você engravidou alguma fulana e agora quer trazer o filho, é isso?


Agora fiquei ainda mais curioso. Jasper traiu Alice? Improvável.
Alice suspirou e seu tom foi mais brando.


- Desculpe-me, Jasper. Eu também te amo e sei que jamais faria isso. Talvez a proximidade com Edward me faça pensar em coisas absurdas.

Fuzilei-a com os olhos. Atrevida. Baixinha e invocada.

- tudo bem. Veremos no que vai dar. Te amo.


Assim que ela desligou eu a olhei, debochado.
- Jasper anda fazendo filhotinhos por ai?
- Ele até faria isso se fosse da sua laia. Imbecil...uma garota que ele ajudou no parto. Ficou comovido por ser mãe solteira.
- Igual a Bella.
- Sim.
Alice sentou-se novamente ao meu lado e segurou minhas mãos.

- Edward... por que não vem comigo para Paris? Um tempo longe disso tudo, deixar a cabeça mais fresca e depois se quiser, você volta.
- Isso não iria adiantar coisa alguma, Alice.
- Eu só quero estar perto de você. Cuidar de você. Não estou pedindo que esqueça a Bella. Apenas quero cuidar de você um pouco. Eu te amo tanto, Edward. Não gosto de vê-lo assim.
-Eu também te amo,Alice.
- Então deixe-me cuidar de você. Por um tempo, apenas, depois vocÊ volta, se assim quiser.

Senti-me péssimo por ver o quanto Alice estava sofrendo comigo. Como se não bastasse ter feito tão mal a Bella, agora fazia à Alice também.
Eu precisava retribuir tanto carinho. Ainda que minha vontade fosse continuar como estava...morrendo aos poucos.

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