BMO - Capitulo 2

Bella POV
O sol escaldante queimava minha pele. Ainda assim eu continuava minha caminhada até onde morava. Um buraco onde eu me escondia. Era a única coisa que meu mísero salário conseguia pagar. Um quarto e um banheiro...nada mais. Minha barriga de quase nove meses dificultava e muito o meu caminhar. Tudo o que eu queria agora era um banho e deitar-me naquela cama dura, deixando a tristeza me dominar como vinha sendo há seis meses, quando fui expulsa de casa.

E o mais engraçado de tudo isso era que minha tristeza nem estava relacionada à meus pais. Minha tristeza era por causa DELE. A falta que eu sentia DELE. Edward...


Eu não conseguia odiá-lo. E nem podia. Na verdade a culpada de toda essa história era eu mesma.
Eu seduzi, envolvi,aticei...e menti. Menti descaradamente sujando a imagem daquele homem que na minha opinião era perfeito. Pensar nele doía. Doía tanto que era como se a mão de Deus apertasse e esmagasse meu peito, não me deixando esquecer que destruí a vida de alguém.Eu merecia todo esse sofrimento. Sozinha...Só não estava completamente só porque trazia dentro de mim o filho do homem que eu amava.

Amava tanto que sentia que jamais conseguiria esquecê-lo. Uns poderiam achar que era birutice de minha parte. Afinal eu só tinha quinze anos. Apesar da pouca idade eu sabia o que queria da minha vida:amor. Apenas isso. E foi exatamente isso que encontrei em Edward, ainda que não fosse correspondido.

Passei as costas da mão no rosto, secando minhas lágrimas. Era sempre assim quando pensava nele. Só conseguia chorar. De dor e saudade.

Subi os degraus que levavam ao meu quarto, numa velha pousada.
- Oi, Bella. Está quase na hora, heim?
- Oi senhora Clearwater....realmente. Está quase.
Sue Clearwater era a dona da velha pousada onde eu vivia. Uma bondosa senhora na faixa dos setenta anos. Era com ela que sempre podia contar nos piores momentos. Às vezes meu dinheiro mal dava para o aluguel, muito menos para as vitaminas que o médico receitava. Mas eu dava um jeito. Pelo menos meu bebê viria com saúde. Nessas horas Seu me ajudava, recebendo menos do aluguel ou comprando meus remédios. Isso me fazia ainda ter fé na humanidade. Na caridade das pessoas. Caridade que meus próprios pais não tiveram comigo.


Entrei em meu quarto e olhei ao redor: uma cama velha, uma cômoda ainda mais velha e um abajur carcomido.
Fui direto ao banheiro, tirando minhas roupas suadas e entrando sob a ducha fria. Lavei meus cabelos demoradamente tirando o cheiro de gordura que sempre vinha impregnado nele assim que saía do restaurante.
Foi o único lugar decente que aceitou dar emprego para uma garota de quinze anos e ainda por cima grávida. Por isso mesmo eu fazia meu trabalho, muitas vezes pesado, sem reclamar.

Sai do banho e vesti uma camisa de malha e deitei-me. Só então eu dei vazão a minha tristeza, novamente.
Talvez fosse esse meu castigo por ter acabado com a vida de Edward. A imagem dele em minha mente era tão nítida que parecia que ele estava aqui, à minha frente.
Sempre perfeito, sempre lindo. Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que o vi. tinha acabado de se mudar para a única casa ao lado da minha. Deus...como era lindo. Muito alto e forte, pele clara. Mas o que chamava mais atenção eram os cabelos revoltos, uma mistura de castanho e bronze. Contrastava perfeitamente bem com o verde dos seus olhos.


Eu caí de quatro por ele. E na minha total imaturidade e cheia de hormônios efervescentes eu o seduzi. Com apenas quinze anos eu tinha um corpo de dezoito. Chamava a atenção por onde quer que passasse. Tanto que com medo de minha brejeirice, minha mãe tirou -me da escola. Estudava em casa, apenas. Eu sabia do poder de sedução que tinha sobre os homens. Mas eu não buscava sexo, tanto que quando tentavam se aproximar eu fugia. Eu queria muito descobrir o sexo, mas com alguém que eu gostasse.

E foi exatamente isso o que fiz. Fiquei tão louca por Edward que não me importei que fosse mais velho e casado. Eu queria que ele fosse meu. Queria que ele me chamasse de meu amor todos os dias. Absurdo? Não. Eu me apaixonei. Não existe idade pra isso. E foi movida por essa paixão que me entreguei de corpo e alma. Passamos tardes e mais tardes juntos.


Eu só queria desfrutar da sua presença. Em momento algum me preocupei com gravidez, mesmo porque nessa idade...tudo são flores.
Meus pais estranharam meu jeito. Eu estava mais feliz. Porque sinceramente...eu não era feliz antes de Edward. Meus pais me tratavam friamente, sempre. Era como se eu nem fosse filha deles.


Mas então veio a bomba. Eu tinha tantos enjôos que minha mãe começou a ficar desconfiada. Acabou levando-me ao médico e descobrindo minha gravidez.
Na hora bateu o desespero. Meu medo maior era que meus pais me virassem as costas, já que eu sabia que Edward não poderia ficar comigo.


Eu chorava, cheguei a apanhar no rosto para contar a verdade... mas acabei mentindo. Talvez numa tentativa desesperada de fazer meus pais me apoiarem. Cometi o maior sacrilégio que uma pessoa poderia cometer: falei que havia sido estuprada por Edward.
Acabei ferrando com minha vida e com a dele também. Ta certo que eu esperava que ele fosse ficar furioso, mas daí a dizer que eu não era virgem?
Lembro-me bem de como ele demorou para remover a mancha de sangue que ficou no sofá quando me possuiu pela primeira vez.


Pensar nisso me fez suspirar. Eu quase podia sentir seu toque em minha pele, seu cheiro delicioso em meu corpo.
Peguei o pequeno medalhão que consegui trazer comigo. Dentro dele uma foto do Edward, que eu consegui pegar sem que ele percebesse.
Chorei agarrada a ela.Será que algum dia eu teria alívio em meu coração? Será que algum dia eu teria paz?
E o mais importante de tudo: será que Edward também teria paz? Ele conseguiria colocar sua vida nos eixos?


Depois que sai de Forks nunca mais ouvi falar nele. Nem tampouco em meus pais.
Eu esperava que ele estivesse bem.Afinal eu jamais poderia desejar o mal para o amor da minha vida.

Levei minhas mãos ao ventre ao senti-lo contrair-se dolorosamente.
- Calma, bebê. Sei que está ansioso para sair. Estou pensando no seu pai agora. Queria tanto que você se parecesse com ele.
Novamente eu chorei...alto, soluçando.
Havia ainda um motivo maior para meu choro. Como eu conseguiria criar meu filho?
Creio que foi de tanto chorar ou cansaço mesmo que acabei adormecendo.

Acordei às três da manhã com uma dor insuportável. Gemi e segurei meu ventre.
- Não faça isso, bebê...não agora.
Mas a dor ia aumentando. Eu não via outra saída a não ser sair sozinha pela noite até o hospital, que milagrosamente ficava a menos de quinze minutos da minha espelunca. Vesti uma roupa qualquer e peguei a pequena sacola que ha dias estava preparada.


Desci com dificuldade e me pus a caminho, parando a cada segundo, curvada sobre meu ventre.
Às vezes a dor era tão forte que eu gritava para a noite preta. Mas segui firme. Eu precisava ser firme para o meu bebê. Eu ainda não sabia o sexo. Não tinha dinheiro para fazer esse exame. Mas o que viesse seria bem vindo. Principalmente por ser filho de quem era.


O trajeto que deveria durar quinze minutos levou meia hora. Cheguei tão exausta que desabei nos braços do médico ou enfermeiro que passava por ali.
- Meu Deus...ajudem aqui...
Foi só o que ouvi antes de apagar.
Acordei,creio eu, pouco tempo depois. As dores ainda piores. Um homem com cara de anjo me olhava, preocupado.
- Ola...sou o médico que atendeu você assim que chegou.
A dor me fez contorcer numa careta.
- Está em trabalho de parto. Onde está sua família?
- Não tenho família.
- E o pai do bebê?
- Está...longe.
- É mãe solteira?
- Sim.
-Meu Deus...Isabella, não é?
- Sim.
-Sou Jasper Halle. Fique tranquila que cuidarei muito bem de vocês dois.
- Obrigada.


As dores foram se intensificando. Eu nem conseguia perceber as pessoas ao meu redor. Só percebia vultos brancos, andando de um lado a outro. Depois uma fisgada em minhas costas e como por encanto as dores foram desaparecendo.
- Está me ouvindo, Isabella?
- Sim.
- Está anestesiada. Iremos começar agora. Em minutos seu bebê estará em seus braços.


Consegui sorrir e obedecer as ordens deles: fazer força.
Fiz durante um longo tempo até ouvir o choro. Éramos dois chorando agora. Meu bebê, fruto do amor louco que vivi chegava ao mundo.
- Parabéns, Isabella.É uma menina linda.


O médico se aproximou com minha filha no colo. Chorei vergonhosamente ao ver a massa de cabelos cor de cobre sobressaindo pelo tecido enrolado em seu corpo.
Colocou-a ao meu lado sorrindo para mim.
- É muito linda.
- Obrigada, doutor.
- Sabe que vi essa cor de cabelos apenas uma vez na vida? Essa é a segunda. Parabéns.


Não respondi. Estava olhando embasbacada para minha filha. Pele clara como a do pai.Só queria ver seus olhos...saber se seriam verdes também.
- Já escolheu o nome?
Eu ainda não tinha pensado nisso. Mas lembrei-me de ter lido uns rascunhos do livro que Edward estava escrevendo. Melaine era o nome da heroína.Estava escolhido o nome da nossa filha.
- É Melaine...Mel...


Cansada, mas feliz eu a aconcheguei mais junto ao meu corpo e fechei meus olhos. Talvez eu jamais viesse a encontrar Edward novamente. Mas eu teria essa parte dele para sempre. A nossa melhor parte. A prova irrefutável de que um dia nos amamos, ainda que tivesse durado apenas algumas horas.

Nossa filha receberá todo o amor desse mundo. Todo o amor que está guardado e massacra meu peito.
Com um sorriso nos lábios eu dormi, torcendo para que o amanhã fosse menos doloroso para nós duas. Aliás...para nós três.

2 comentários :

parabens muito boa :)

19 de novembro de 2013 01:00 comment-delete

parabens muito boa :)

19 de novembro de 2013 01:00 comment-delete

Postar um comentário