SMS - Capitulo 6

“Eu vi a barriga de minha mãe ficar cada vez maior. Eu vi com meus próprios olhos inocentes um borrão numa tela esquisita que fez minha mãe chorar dizendo que era uma menina. Senti ciúmes quando começaram a comprar coisas só pra ela, e a chamarem só ela de amorzinho. Eu não queria dividir meus pais. Eu não queria dividir a minha atenção.

A cada dia, a barriga ficava maior e o quarto cor de rosa mais bem decorado. O nome Isabella era estampado na parede cor de rosa como o nome da vitória. Eu já não tinha mais o que fazer... Ela viria, e não havia esforços pra impedi-la.

Cogitei a idéia de jogá-la pela janela, jogá-la na lata do lixo, ou dar ela pra um cachorro comer... Mas nada daria certo, nada! Quem sabe eu pudesse arrumar outros pais pra ela?

Num dia de sol, minha mãe começou a sentir dor e me disse que sua barriga iria explodir e de lá, finalmente, Isabella iria sair. Mandou eu ligar pro papai e pedir ajuda. Mas eu não queria que ela saísse! Pensei muito antes de pegar o telefone e discar o numero do papai que ela gritava atrás de mim. Eu podia deixar mamãe ali, sem ajuda, e quem sabe a menina não chegasse a nascer?

Quando dei por mim, estava numa sala azul com papai, que me chacoalhava feliz de um lado pro outro, cheio de orgulho me dizendo que sua “menininha” iria nascer. E nasceu. Eu vi a enfermeira no final do corredor vindo na nossa direção trazendo um embrulhinho cor de rosa. Era pequenininho demais. Papai se adiantou em vê-la... E depois me ergueu no colo, afastou a cobertinha pra eu poder ver.

Era muuuito pequena, e branquinha! Cabelinhos ralos e castanhos... Olhos fechados, mas que no momento em que a olhei, se abriram pra mim.

Ok, eu passei a odiá-la profundamente, ignorá-la, não querendo de jeito nenhum saber daquela coisinha pequenina que desde que chegara em casa no colo da minha mãe começara a me atazanar.

Mas havia um problema...

Quando ela chorava, quem conseguia a fazer ficar quieta? Eu. Quando queria comer, quem tinha que alimentá-la? Eu. A primeira palavra dela fora qual? “Ed”, meu apelido. Quando deu os primeiros passos, na direção de quem ela foi? Na minha. Seus sorrisos eram pra quem? Pra mim. Pra passear ela pegava na mão de quem? Na minha... Aos três anos, quando entendeu o propósito do primeiro pedaço de bolo, pra quem ela o entregou? Pra mim.

Ela me amava, e eu não sabia por quanto tempo mais eu resistir a ela.”

Lembrança

I

Bella: Ôh Ed... – eu suspirei quando a ouvi chamar o meu nome de novo. Virei o rosto na direção em que ela estava, e a vi deitada no tapete de barriga para baixo, pitando alguns desenhos. Era bem pequena pra quatro anos e meio.

Não consegui olhar pro rosto dela. Os cabelos castanhos, lisos e longos tapavam sua pequena face, enquanto seus olhos estavam vidrados no desenho. Havia lápis de cor espalhados pelo tapete, assim como giz de cera. Seu pezinho descalça chacoalhava no ar, e ela cantarolava. O vestido rosa estava um pouco curto, mostrando a calcinha cheia de bichinhos.

Edward: que foi agora? – esparramado no sofá ao lado dela, eu resmunguei, tentando prestar atenção na TV a minha frente.

Bella: Ed, olha pra eu! – choramingou. Eu olhei de novo – a mamãe e o papai vão demorar pra voltar? – Bella meigamente apoiou as mãozinhas no queixo, e fez biquinho um pouco triste – não quero que eles demorem, Ed.

Edward: Ah Bella, sei lá... – dei de ombros, e voltei a olhar pra TV – eu já te disse que a mamãe tava dodói. O papai foi levar ela pra ver o médico... Fica quieta ai com seus desenhos e me deixa ver TV.

Voltei à atenção totalmente pra TV, assistindo o programa de esportes. Com oito anos meu pai já tinha me viciado em futebol. Estava passando o jogo do meu time preferido, e nem pude observar por tanto tempo. Assim que o jogador fez o primeiro gol, Bella ficou de pé e veio caminhando até o sofá. Ela ficou parada bem na minha frente.

Bella: Ed... – me cutucou, enquanto eu tentava desviar o olhar pra TV, ignorando ela a minha frente. Não adiantava. Ela acompanhava o meu movimento, e seu longo cabelo atrapalhava-me de olhar.

Edward: O QUE FOI AGORA, BELLA? – gritei, sentando direito no sofá e ficando bravo – mais que saco!

Os olhos dela se encheram de lágrimas, e ela fez biquinho. Paralisei. Ok, ela nunca tinha chorado pra mim, e eu também nunca tinha gritado com ela. As bochechas ficaram mais rosadas quando as lágrimas começaram a cair silenciosas por seu rostinho.

Eu a observei melhor. O vestido estava ainda um pouco erguido, ainda mostrando a calcinha... Os pés estavam pretos de sujeita, e os cabelos longos demais pra ela caindo até a cintura. Toda pequenininha e triste comigo. Em sua mão ela trazia os lápis de cor e o desenho já pronto.

Bella: desculpa, Ed – suas mãos se abriram e ela largou os lápis no chão – eu não vou mais ficar aqui – e ela ia saindo.

Eu peguei em seu braço, a fazendo parar. Ela parou, agora chorando mais alto.

Edward: desculpa. – minha voz soava nervosa – o que você queria?

Bella: te dá isso... – ela estendeu o desenho pra mim com as mãos tremulas – eu fiz pra você porque eu gosto de você, mas você não gosta de mim, Ed. – dizendo isso, ela largou o desenho e se desvencilhou do meu braço e correu pra fora de casa.

Fiquei uns minutos avaliando o desenho. Ela tinha aprendido a escrever fazia uns dias, e sabia escrever apenas o próprio nome, o de meus pais, e o meu, obvio! Naquela folha toda colorida via-se um coração no seu centro em rosa, e dentro do coração, estava escrito o nome dela e o meu. Bella e Edward.

Ah meu Deus, ela gostava tentando de mim e eu... Tanto dela. Eu ficava brigando e repreendendo tudo o que ela fazia só por um ciúme bobinho?

Edward: mais que droga de menina... – resmunguei, e sai correndo atrás dela.

Quando cheguei ao jardim, a vi parada no portão com um homem. Ela estava do lado de dentro, e o cara falava com ela pelo lado de fora do portão. Bella sorria toda inocente, e ele a olhava estranho... Cheguei perto sem pensar.

Bella: Ed – ela sorriu pra mim – esse moço tá perguntando se tem alguém em casa...

Olhei pro cara que desfez o sorriso ao me ver. Pelo jeito que ele olhava pra ela, parecia que queria fazer algo... Mau com ela.

Edward: é, tem... Os meus pais estão lá dentro, mais não podem te atender. – eu jamais ia poder dizer que estava sozinho ali com ela. Meu pai sempre me dizia pra ficar atento com essas coisas, pois haviam muitos adultos que gostavam de fazer coisas ruins com crianças, principalmente meninas bonitas como a Bella. – vêm Bella... E é melhor você ir embora! – falei pro cara, e sai puxando ela dali. Fomos pro jardim de trás, e dei uma olhada. O cara tinha ido embora. – Bella, quantas vezes a mamãe já disse pra não falar com estranhos?

Bella: ai Ed, desculpa... – ela fez carinha triste – ele foi quem falou comigo. – me abaixei pra puxar a barra do vestido dela, e calçar nos pés dela a sandália que ela carregava na mão agora. Bella se apoiou no meu ombro pra encaixar o pezinho no sapato. – eu não vou falar mais...

Edward: o que ele te disse? – perguntei preocupado.

Bella: nada... Você chegou rápido. – sorriu – ainda tá bravo comigo? – fez biquinho de novo.

Edward: não, desculpa... Eu já disse. – ela sorriu, e abraçou-se a mim – Bella...

Bella: eu te amo, Ed – sua voz era contente – você me ama também? – ela ergueu o rosto na direção do meu, só que era baixinha demais, batia na minha barriga.

Edward: é claro que eu te amo. – foi a primeira vez que ela disse me amar. Foi à primeira vez também que eu admitir amar ela.

Bella: eu sou a melhor irmãzinha do mundo? – sorriu.

Edward: é, é a melhor irmãzinha do mundo...

Bella: você promete não brigar mais comigo? Promete?

Edward: prometo Bella...

Final lembrança I

“Virei um escravo dela. O desejo dessa menina pra mim virou uma lei. Tudo o que ela queria e estava ao meu alcance era dela... Por isso que eu sempre fui um bom filho, um bom estudante... Por isso que eu fiz faculdade pra ter uma carreira. Eu queria e sempre quis dar tudo a ela”.

Lembrança II

Bella: Ed, isso é a praia? – os olhos dela brilhavam em direção ao mar. A chupeta entre os lábios, e o ursinho agarrado nos braços. Uma mão presa entre as minhas. Pés no chão...

Edward: é... A praia é isso, Bella.

Bella: ai Ed, é tão azul... E bonita. Eu posso entrar na água? – ela chacoalhava a mão na minha – pode, pode?

Edward: temos que pedir pra mamãe...

Bella: por favor, Ed... Você não vai me deixar sozinha. Não vai deixar eu me perder ai. – seu rostinho ficou triste. – vamos lá dentro, Ed, eu vou guardar a Lily – ela chacoalhou o ursinho – e agente pede pra mamãe!

Edward: tá, ok... – saímos em direção à casa de praia, e vimos nossos pais ali, observando a vista. – mãe, a Bella quer nadar no mar...

Esme: Ah, claro amorzinho... – respondeu docemente, e Bella sorriu muito. Ela tirou a chupeta da boca e enfiou na minha. Nisso, saiu correndo e entrou no quarto – cuida direito da sua irmã, tá bom? Não vai pro lado fundo, fica só na parte rasa. – disse minha mãe me olhando seriamente – entendeu Edward?

Edward: sim senhora... – respondi abaixando o olhar. Tirei a blusa e joguei encima do sofá.

Bella: Ôh Ed... – gritou lá de cima – que roupa eu tenho que vestir?

Subi as escadas na direção do quarto, e lá estava ela só de calcinha na frente da mala de viagem. Minha mãe foi comigo, mas Bella insistiu que ela saísse. Queria que eu a vestisse... Como sempre. Eu ri dela, e fui na direção da mala.

Edward: toma, põe isso... – eu também não sabia bem que ela tinha que usar, só estendi um biquíni cor de rosa cheio de bichinhos pra ela.

Bella: como é que eu ponho isso? – Bella se aproximou, e pegou a chupeta da minha boca colocando na dela.

Edward: ah, vem cá... – eu a puxei, e tentei mil vezes colocar aquilo nela. Puxei a calcinha pelas perninhas dela, e enfiei a outra. – acho que é assim... Ah, vai logo Bella, senão vai escurecer e agente não vai entrar na água... – peguei um chapéu ali e enfiei na cabeça dela.

Bella: Ed, e o meu cabelo? – choramingou, tocando no longo cabelo. – porque pra você é tudo fácil e pra mim e difícil? – continuou choramingando. – hein?

Edward: Ah, é porque eu sou menino... – comecei a procurar ali alguma coisa pra prender o cabelo dela, até que achei um amarrador na mala e amarrei o cabelo dela debaixo do chapéu rosa. – pronto o que mais falta?

Bella: nada! – sorriu, e veio pegar na minha mão. – Ed, você não vai me largar, né?

Nós descemos a escada e nos despedimos de nossos pais, que nos olhariam de perto na varanda da casa.

Edward: é lógico que eu não vou te largar... É só segurar na minha mão que vai ficar tudo bem. – nós dois caminhávamos na areia, quando ela se virou pra mim meio séria.

Bella: não to falando disso – disse calminha – to falando de me largar. Não querer mais ficar comigo.

Edward: Ah Bella, você é minha irmãzinha eu não vou te largar nunca... – sorri, e peguei-a no colo, entrando com ela na água. Ela gritou muuuito! – quer que eu te largue agora?

Bella: AAAAAH, eu quero! Me soolta Ed! – ela gritava rindo. Eu a coloquei no chão e ficamos ali... Brincando como duas crianças bobas. Quem via de fora apenas via duas crianças, uma de cinco anos e um garoto de oito brincando na beira da praia. Ninguém sabia do nosso diferente amor...

Talvez nem eu nem Bella imaginássemos naquela época o que de verdade iríamos sentir um pelo outro quando fossemos maior.

Final Lembrança II

“A base da minha vida era ela. Uma menininha que conforme crescia ficava cada vez mais pentelha, intrometida, carinhosa... E linda. Cada vez mais linda...

Eu não podia negar que ela era linda. Eu não podia negar que depois dela fazer onze anos os garotos pagavam um pau pra ela, e isso fazia o meu sangue ferver! Eu não podia negar que sempre a vi como a minha menininha, mais a partir do momento em que começaram as restrições, Bella virou uma coisa diferente na minha vida. Bella virou o meu desejo secreto...”

Lembrança III

Oh droga!

Esme: você me entendeu? – ela falava comigo como se eu fosse o culpado de algo muito grave – a sua irmã agora é uma mocinha, você vai ter que tratá-la diferente!

Edward: sim senhora... – respondi com expressão enraivecida – mas eu não sei por que tudo isso, mãe. A Bella e eu não fazemos nada de errado!

Esme: você nunca vai entender o que a menstruação representa na vida de uma menina, filho – suas mãos acariciaram o meu cabelo – agora papai e eu vamos dar uma saída rápida... Cuida da Bella, ela precisa de você agora... Deve estar confusa.

Quando meus pais saíram não tive coragem de subir lá e falar com ela.

Droga, uma mocinha?

Eu teria que agüentar isso agora? Sai pra piscina e fiquei lá tacando umas bolinhas na água com a imagem dela na minha mente... A minha Bella... Não seria mais tão minha? Conversamos na piscina e as palavras dela me fizeram mudar de idéia. Ninguém iria conseguir tirar ela de mim, nem que o mundo caísse no chão.

A noite caiu, e a chuva começou a tamborilar na janela. Eu me via sozinho no meu quarto, e já fazia muito tempo que Bella tinha ido tomar banho. O sono me batia forte, eu já queria dormir...

Ela não viria essa noite, com certeza! Deveria estar com o que minha mãe disse na cabeça, e talvez já não me quisesse tão perto. Ajeitei o meu travesseiro, e fiquei mirando o teto com os braços atrás da cabeça.

Eu sabia que ela tinha medo de chuva. Eu sabia que ela não estava bem... Deveria eu ir até lá? Mas... Se Bella não queria vir, porque eu deveria ir? Suspirei, e me senti mal. Era tão estranho ter a cama só pra mim, sem dividi-la com ela...

O barulho da chuva ficava mais forte, até que o meu sono chegou de vez. Nem tive tempo de fechar os olhos, pois a porta do meu quarto bateu, e quando olhei na direção, ali estava ela. Suspirei, e a ouvi caminha até mim.

Bella: Oi... – sorriu meio vermelhinha – eu vi te dar boa noite – ela estava de pijama de frio, pois estava mesmo um frio com a chuva. O cabelo amarrado pra trás e bem arrumado. Ela nem parecia ter se deitado.

Edward: boa noite, gatinha... – peguei na mão dela e dei um beijo. Ela abaixou o olhar – ué, você não vai nanar comigo hoje? – eu ri, falando como ela falava quando era menorzinha.

Bella: pensei que não iria querer – ela riu tímida, e deu de ombros.

Edward: porque eu não iria? – fui pro canto, dando espaço pra ela deitar – tava magoado, pensando que você já tinha me esquecido.

Bella: eu nunca vou te esquecer, eu já falei... – ela suspirou, deitando ao meu lado e puxando as cobertas – só não liga se eu sujar o seu lençol de sangue, tá? – e riu, indo me abraçar.

Edward: ai... Eca! – fiz cara de nojo, e sai do abraço dela. Bella ficou triste. Eu voltei até ela – eu estava brincando bobinha... O lençol agente lava.

Bella: agente não, a mamãe... – e aos poucos dormirmos.

Final lembrança III

“Talvez o destino estivesse sendo cruel com agente por nos desejarmos daquela form. De todos os jeitos eu tentei fugir dela, do olhar dela, as suplicas caladas que ela fazia por também me desejar de outra forma.

Isso não podia acontecer isso era errado! Tanto Bella quanto eu sabíamos que nosso relacionamento não poderia passar-se de irmão para irmã, pois era isso que éramos. Nossa essência era essa...

Tentei com várias garotas, porém por mais que eu tivesse várias, a única na qual eu queria mesmo era ela. A única pela qual eu faria qualquer coisa era ela.

Por muito tempo julguei estar confundindo tudo. Bella era a minha garotinha, e eu não a amava como mulher. Era isso que eu tentava enfiar de vez em meu ser. Mas a cada sorriso dela, a cada palavra em minha direção... Ou apenas o simples fato de ver seus olhos me fazia mudar de idéia. Essa mulher era minha... E não era pra ser como irmã. A única saída pra nós, era que eu arrumasse outra garota, uma que fosse importante. Eu tinha fé em conhecer o amor, e deixar aquele sentimento bonito que eu nutria por minha irmãzinha de lado.

Eu tentei, porém não havia nada que ela me pedisse sorrindo que eu não fizesse chorando. Tinha como explicar a ela que era tudo por ela? Que se eu estava com outra era pelo bem dela, e não para fazê-la sofrer?

Naquela tarde onde eu lhe contei que havia arrumado uma namorada, ela entrou em desespero! Fez um escarcéu enorme, e por fim... O que eu mais temi e mais busquei evitar desde que ela tinha começado a me atrair de um jeito diferente, aconteceu.

Beijamos-nos... E foi perfeito. Exatamente como eu temia (“Sangue do meu Sangue” – Capítulo um – lembrança II).

Com ela nos meus braços eu não consegui mais esconder. Com ela junto a mim, daquele jeito, como a garota que eu desejava beijar desde antes saber o que era isso, eu me senti completo. Eu me senti como se um anjo estivesse em meus braços, mesmo que ela tenha sido bem mais ousada do que deveria.

A partir daquele momento percebi que eu não podia esconder mais de mim mesmo o amor enlouquecido que eu tinha por ela. Por isso... Nada mais importava na minha vida a não ser esconder dos outros.

Mesmo que fosse minha vontade tê-la a todos os momentos, era impossível eu e ela termos algo além de um relacionamento família. Era... Insano!

Vivi a pior época de minha existência depois daquele beijo. Meu corpo não se permitia ficar ao lado dela sem tocá-la, e era por isso que eu me mantinha sempre ocupado, nunca mais buscando tocá-la.

Minha imagem no espelho pra mim se tornava repulsiva. Olhar-me e saber que eu tinha beijado a minha irmã, que eu tinha quase perdido o controle com ela era o mesmo que descer ao inferno pra mim. Jamais queria fazê-la sofrer, e sabia que com nosso momento tão próximo sem ele poder existir era o jeito mais fácil de chegar ao coração dela e despedaçá-lo.

Bella também me amava muito.

E só fui me dar conta disso no dia em que contaram pra ela que eu iria morar em Londres, e que praticamente, não iríamos mais nos ver. O desespero tomou conta do meu ser ao vê-la tão mal. Por mim. Eu tinha decidido ir. Era a minha única saída. Era a salvação pra nós... Nos separarmos, e cada um levaria a vida diferentemente da do outro. E depois disso, me dei conta do pior fato de todos. Aquele que estava na frente dos meus olhos, e apenas eu, o pior cego, não queria ver.

Bella também me amava como eu a amava.

E isso não podia ter sido pior. Ou sim, podia... A forma com que descobri que ela me amava, fora sem duvida, à pior de todas. Cai na sedução dela, e acabei pecando mais do que eu poderia suportar. Acabei tocando-a como sempre desejei, acabei tendo ela nos meus braços de um jeito impossível e naquela tarde, a beira do lado, se não tivesse sido o telefonema de minha mãe, as coisas teriam acontecido. Teria feito amor com ela, e tudo poderia ser mais catastrófico (“Sangue do meu Sangue” – Capítulo um – Lembrança III).”

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