SMS - Capítulo 5

Final lembrança X


“As coisas iam melhorando aos poucos. Ele insistiu em ficar do meu lado até os gêmeos nascerem, e me convenceu de que trancar a faculdade era o melhor que ele podia fazer. Estava com dois meses de férias trancados no trabalho, e poderia tirá-los agora. Isso era bom. Até os sete meses ele estaria do meu lado, e talvez eu fosse com ele quando ele voltasse pra Londres.

Não sei o que ele fez, mas convenceu nossos pais de que ficar com ele era o melhor pra mim. Disse que iria assumir todas as responsabilidades comigo e com os gêmeos, e que eles não precisavam se preocupar comigo. A única coisa que me impedia de ir, era que eu e ele queríamos que nos bebês nascessem nos Estados Unidos.

Parecia impressão, mais cada vez eu percebi a mais que meus pais estavam um pouco desconfiados.”


Lembrança XI


Bella: bom, depois que você foi pra Londres no ano novo, eu continuei com a vida, como sempre. Estava com a cabeça cheia pelo baile de formatura, e não pensei muito na distância. Ok, o tempo ia passando e passando...

Travei um pouco. Olhei pra Edward ao meu lado. Eu e ele deitamos na grama do jardim, como sempre fazíamos nas tardes quando éramos criança. Seu rosto olhando o meu o tempo todo, enquanto meus olhos por trás da sombra das arvore, tentavam mirar o sol ofuscante do verão que começava.

Estava tudo como antes, exceto que agora eu tinha uma barrigona imensa de quase sete meses de gravidez.

Edward: e ai? – insistiu, apertando um pouco meu braço, e sorrindo.

Bella: calma – eu ri – Bom, eu comecei a me senti enjoada. – torci os lábios - achei normal, mais depois de um tempo fui fazer uma consulta com a minha médica, e disse pra ela que estava dois meses atrasada com a menstruação. Há, eu achei que era normal! Por causa do anticoncepcional, mais ela disse que não era... – minha voz tremeu – com a ajuda dela eu encaixei todas as peças, e descobri que estava grávida. Naquele dia meu mundo caiu, literalmente.

Edward: eu ainda não entendo... – sua mão deslizou para a minha grande barriga – agente se protegeu tanto. Exceto na primeira vez, mais isso faz tempo.

Bella: eu já disse, bobinho. – sorri, e peguei seu rosto entre minhas mãos, chegando mais perto dele – eu ia fazer uns exames no final de ano, e tive que suspender a pílula. – bati com a mão na testa – eu me esqueci de te falar, e se não se lembra, agente não usou preservativo lá na praia.Nenhuma vez!

Edward: verdade... – e riu um pouco – o que podemos fazer além de aceitar?

Bella: nada, ué. – dei de ombros – acho que... Ta tudo bem!

Edward: tirando a mamãe, tá ótimo. – ele se inclinou um pouco e beijou a minha barriga – vamos ter dois bebezinhos lindos pra ela parar de encher o saco! Vão ser dois garotos bagunceiros como nós éramos.

Bella: er... – enrolei – eu não te contei, né? – e ri com a expressão dele.

Edward: contou o que? – também sorriu. – anda, fala... Eu quero saber.

Bella: menina. – foi tudo que eu disse.

Edward: menina? – repetiu com os olhos saltados – verdade? Os dois?

Bella: sim, duas meninas. Idênticas. – e ri mais, ficando sentada. – não contei antes, porque achei que você quisesse meninos. Eu fiz suspense pra saber só na hora do parto! Desculpa.

Edward: Ai, meu Deus! – suspirou – meninas. – e tocou a minha barriga de novo – vão me dar trabalho. – se abaixou pra beijar de novo minha barriga. – quando descobriu?

Bella: o que eu perdi também era menina. – lembrei – a médica disse que era todo o mesmo sexo.

Edward: Hum. – disse, ainda me olhando – caraca, não acredito. Duas meninas. E como vão se chamar?

Bella: eu escolho um nome e você outro. – sugeri – mais com as mesmas iniciais, tá? – e ri.

Edward: ah, claro... Hum... Deixa eu ver... Que inicial?

Bella: sei lá... – olhei em volta – M.

Edward: Ok, M. – parou pra pensar – Mellody. – e sorriu – que tal? É bem doce...

Bella: também acho. – comecei a rodar os olhos, em busca de um nome que combinasse – Mellany. Combina.

Edward: Mellody e Mellany. Ok, acho que ficou bem a cara de irmãs gêmeas. Deus, essa deve ter sido a escolha de nome pras filhas mais rápida da história. – ele riu, e chegou mais perto – que droga, eu queria te beijar...

Bella: a mamãe vai ver. Ela está na cozinha... – lembrei a ele, pois a janela da cozinha estava aberta bem a nossa frente, onde nossa mãe cozinhava.

Edward: fico feliz por serem do mesmo sexo... – seus olhos estavam presos em mim, e sua mão tirava alguns fios de cabelo do meu rosto – não vamos ter jamais um filho homem, certo?

Bella: não quero correr o risco de isso acontecer com eles. – respondi também com o olhar focado nele – é tão perfeito, porque sei que nosso amor jamais vai acabar, mas é tão horrível. Somos sangue do mesmo sangue. Saímos das mesmas pessoas, temos quase o mesmo DNA, os mesmos avós, fomos gerados no mesmo útero, nascemos da mesma mulher...

Edward: e agora vamos ter as mesmas filhas.

Bella: você se arrepende? – perguntei – de ter ficado comigo? De termos feito amor, e de toda nossa história?

Edward: é claro que não... – sorriu de canto – eu não podia olhar pro futuro e não me ver sem você ao meu lado desse jeito. Como irmã não bastava, e jamais iria bastar. Admito que é estranho, mas é você que eu amo. É você que eu quero comigo.

Naquela tarde voltamos pra casa depois de ir fazer umas comprinhas pras gêmeas. Eu estava dentro do meu quarto, mas pude ouvir a conversa que minha mãe teve com Edward no corredor, aos sussurros.

Esme: você não precisa assumir essa responsabilidade, Edward. – dizia bem baixo pra ele – a sua irmã é uma irresponsável. Ela fez, agora ela vai cuidar. Você não precisa destruir sua vida por ela, e pelo erro dela.

Edward: mãe, eu não vou destruir a minha vida, mais que droga! Eu não sou criança, tá bom?

Esme: meu Deus, ter uma filha perdida já basta pra mim! Não é justo que ela leve o meu filho perfeito junto!

Edward: ela não é uma perdida! – a voz dele estava muito alterada – não repita isso nunca. Você conhece a Bella, e sabe que ela nunca foi uma garota ruim. Ela sempre foi uma boa menina!

Esme: uma boa menina não me daria esse desgosto! – a voz dela se alterou – não engravidaria no começo da vida, e ainda por cima de gêmeas!

Edward: você fala como se a culpa fosse dela! – se exaltou – ela não teve culpa de serem duas crianças. Para de dizer isso.

Esme: se ela tivesse mantido as perninhas fechadas, fogo apagado e se dado ao respeito, ela não estaria nessa situação. Não tem nem a coragem de dizer quem é o pai das crianças! – ironizou – deve ser mesmo um bom rapaz, esse maldito! Espero que morra, esse infeliz!

 Edward: EU JÁ TÔ CHEIO DISSO. PARA DE FALAR ASSIM DELA!

Esme: a sua irmã não presta! Não é com você a história toda... É com ela! ELA É O MEU DESGOSTO!

Edward: o pai sou eu mamãe, se é isso que você quer saber! – parei por um momento, congelada no lugar. O que ele tinha dito?

Esme: não seja ridículo. – e riu – eu sei que você quer se colocar nas dores dela, mais pode parar já com isso, mocinho! Você não é o pai... Não tem que fazer isso.

Edward: EU NÃO ESTOU BRINCANDO! – gritou – EU SOU O PAI DAS GEMEAS!

Abri a porta do quarto, e desci correndo. Parei na escada, e vi que meu pai fez o mesmo. Estávamos todos na cozinha agora. Meu pai e eu na escada, olhando para minha mãe e Edward. OMG!

Bella: EDWARD, não! – supliquei, sentindo os olhos arderem - PARA!

Edward: eu já me cansei disso tudo, de todo mundo ficar falando de você... – disse pra mim, nervoso demais pra reagir de outra forma. Voltou-se para a minha mãe – EU SOU O PAI. EU ENGRAVIDEI A BELLA!

Carlisle: Edward, você está louco? – ele riu um pouco – que idiotice é essa, filho? Sua preocupação em defendê-la acabar de passar dos limites.

Edward: não to defendendo. – eu chorava muito. Meus pais me olharam – to dizendo a verdade! Eu engravidei a Bella!

Bella: PARA, PARA! – tapei os olhos, molhando as mãos com lágrimas – Edward, para! – gritei.

Edward: PARA? – ironizou – até quando agente vai esconder? – disse pra mim – até quando? OU NUNCA IRIAMOS CONTAR? É ridículo. Eu seria que tipo de homem se deixasse a culpa toda encima de você quando sou EU o maior culpado disso tudo?

Esme: Edward, não está engraçado! – disse séria – para com isso. Todos sabem que é mentira.

Ela não parecia mesmo acreditar. Assim como meu pai, apesar de todos verem o meu desespero.

Edward: não é mentira, mãe! – insistiu – eu e Bella ficamos juntos desde que ela tinha catorze anos. – contou. Eu sei meus pés perderem o chão – agente sempre se gostou. Desde que éramos criança. Você sempre teve razão. O nosso amor não era comum para irmãos.

Carlisle: O que você está nos falando? – o rosto do meu pai ficou um pouco vermelho.

Edward: eu não queria aceitar, assim como ela. – continuou como se não tivesse ouvido – fugimos dos nossos sentimentos, até que há três anos... – ele se empatou um pouco – não conseguimos mais e agente... Dormiu junto.

Bella: EDWARD! – gritei – PARA, PARA, PARA!

Edward: eu tirei a virgindade dela, ela me pertenceu e a mais ninguém. Continuamos com isso... Até hoje. – terminou – e deu nisso. – apontou pra minha barriga – EU SOU O PAI. EU ENGRAVIDEI A BELLA. – ele se virou pra mim. – ela não é uma perdida! Eu posso garantir pra vocês que ela nunca deixaria um homem tocar nela. Fui só eu. Eu sou o culpado.

Meus pais nem respiravam.

Esme: é mentira, não é? – perguntou pra mim, cheia de esperança – fala pra mim que isso tudo que o seu irmão disso é mentira!

Edward: é... – insistiu – quero ver você negar.

Bella: mãe... – choraminguei.

Esme: FALA! – gritou pra mim, indo na minha direção muito irada. Meu pai entrou na frente dela, a impedindo de me alcançar. – fala que é mentira!

Carlisle: Bella... – pediu mais calmo. – é verdade?

Eu não respondi, continuei chorando, e apenas confirmei com a cabeça.

Esme: EU NÃO ACREDITO NISSO! – gritou, pra quem quisesse ouvir – EU NÃO ACREDITO QUE OS MEUS FILHOS... OS MEUS FILHOS TIVERAM A CAPACIDADE DE FAZER UMA ATROCIDADE COMO ESSA! VOCÊS SÃO IRMÃOS, IRMÃOS! SANGUE DO MESMO SANGUE. VOCÊS SÃO MALUCOS, MALUCOS!

Carlisle: calma, calma... – dizia pra minha mãe, que ainda berrava.

Esme: EU CONFIAVA EM VOCÊS! EU CONFIAVA... COMO VOCÊS TIVERAM A CORAGEM DE... – ela suspirou, e olhou pra Edward – COMO VOCÊ PODE TOCAR NA SUA IRMÃ? – berrou – COMO TEVE CORAGEM DE FAZER ISSO? COMO? COMO VER ELA COMO MULHER? ELA ERA SÓ UMA CRIANÇA!!! DÁ PRA ME EXPLICAR? ONDE ESTEVE TUDO QUE TE ENSINAMOS?

Ele se manteve calado. Meu pai não dizia nada, apenas tentava manter ela longe de mim, pra não me acertar um tapa, sei lá. Por causa dos bebês, única e exclusivamente.

Esme: EMBAIXO DO NOSSO TETO, CARLISLE! ELES ESTAVAM DORMINDO JUNTOS EMBAIXO DO NOSSO TETO! NOSSOS FILHOS!


Final lembrança XI


“Só lembro-me de Edward me levando pra Londres. Só disso. Minha mente estava vazia, oca, assim como tudo em mim.

O tempo passou, e passou. Fiquei o apartamento com ele, que voltou a trabalhar e estudar. Tudo ia bem, até que entrei em trabalho de parto, e as minhas filhas nasceram.

Minha mãe jamais entrou em contado com agente. Apenas o meu pai foi correndo quando soube que as netas tinham nascido. Foi só isso. Ele chegou, viu Mellody e Mellany, as duas loirinhas de olhos verdes que tinham saído de dentro de mim.

Perfeitas, por um grande milagre. Parecidas demais com o pai, meu irmão, Edward. Cheias de vida, e gordinhas.

No começo foi tudo muito difícil pra nós dois. Sozinhos, completamente sem apoio, num país onde não conhecíamos ninguém, sem qualquer ajuda, tão jovens e com duas menininhas recém nascidas pra criar.

Fizemos o que pudemos. Revezávamos com as gêmeas, pra que ele pudesse trabalhar e estudar, e eu estudar. Era muito apertado, e só aliviou quando elas fizeram três anos e entraram na creche. A época perfeita!

Todos nas redondezas viam agente como um casal. Ninguém tinha sequer a idéia de que éramos irmãos. Não nos casamos. Isso seria impossível pra nós. Fomos levando a vida, e levando a vida, até que um dia, quatro anos depois de termos deixado os Estados Unidos, meu pai telefonou dizendo que nossa mãe tinha sofrido um acidente, e queria nos ver. Ela estava nas ultimas.”


Lembrança Final


Bella: Mellany, para de correr! A mamãe já falou pra você ficar do lado... – ela pareceu não me ouvir. Continuou correndo a minha frente como um raio de luz.

Branquinha, de cabelos longos e loiríssimos, trajando um vestido amarelo de bolinhas pretas. Olhei pra Edward, que caminhava ao meu lado com Mellody no colo, calma, idêntica a irmã, com o mesmo vestido, mais nas cores branco e rosa.

Tão iguais, mais tão diferentes. Uma era doce, calma, e carinhosa, como uma verdadeira melodia.

A outra era tão elétrica, cheia de energia, e muito inteligente. Como se tivesse idéia do que mais pra frente a esperava. Uma história esquisita, como a dos pais. Duas meninas perfeitas, frutos de um terrível pecado. Que pagariam com o preconceito que sofreriam por serem filhas de pais irmãos, para punirem eu e Edward pelo nosso erro.

Edward: Mellany, espera. – foi tudo que ele disse, e no mesmo momento ela parou de correr.

Mellany: ai mãe, agente não vai tomar injeção, né? – perguntou estendendo a mão pra eu segurar.

Bella: mais é claro que não, amor... – peguei na mão dela, e nós quatro voltamos a caminhar juntos – porque você pensa isso, minha bonequinha linda?

Mellany: porque estamos no médico... – ela olhava ao redor. – é médico que tem aqui, né pai? – perguntou pra Edward.

Edward: é sim senhora... – abriu a porta pra nós passáramos com o braço livre – e é bom se comportar, ouviu, dona moça? – cutucou Mellany.

Mellody: porque agente está aqui, papai? – quase nem ouvi a voz dela, baixinha e doce, no colo de Edward.

Edward: viemos visitar a vovó, Mel. – respondeu gentil.

Mellany: a sua mãe ou a da mamãe? – eu pensei que ela nem tinha ouvido, mais ouviu, e muito bem! – porque pra ser nossa vó tem que ser sua mãe ou da mamãe, né?

Edward: é... – ele ficou sem palavras, pela primeira vez na frente das meninas.

Bella: é a mãe de nós dois. – respondi por ele.

Mellany: mais...

Edward: já dissemos que fomos criados pela mesma família, esqueceu?

Mellody: como eu e a Mellany? – quis saber, ainda meio tímida por estar fora de casa.

Edward: sim.

Mellany: mais eu e você somos irmãs, sua burra... O papai e a mamãe não. – continuou andando de mãos dadas comigo.

Edward: não chame a sua irmã de

burra, Mellany. – a voz dele era meio severa – peça Desculpas.

Mellany: desculpa. – falou orgulhosa. – olha, é o vovô! – ela fazia sinal de “Tchau” para o nosso pai que estava ao longe, ao lado de uma adolescente de cabelos ruivos, meio gótica. Sabrina. A coitada tinha sido mimada demais quando fomos embora, e acabou virando uma rebelde sem causa quando não atendiam suas vontades. Ela já deveria ter quinze anos.

Mellany largou da minha mão e saiu correndo na direção avô.

 Carlisle: Olá, bonequinha! – nosso pai e pegou no colo, e beijou a testa – como você está grandona, heim? O que vocês deram pra essas meninas? Estão enormes!

Meu pai beijou meu rosto, fez o mesmo com Mellody e apertou Edward num abraço.

Apesar de entusiasmado por nossa presença, estava abatido e nitidamente abalado.

Edward: como foi? – Sabrina estava com as gêmeas zanzando pelo corredor. Não faziam barulho, e estavam a nossa vista.

Carlisle: trágico – disse com voz abalada – ela estava levando pra um abrigo de caridade umas coisas de vocês que ainda estavam em casa, que ela não conseguiu se desfazer na época. No caminho se chocou contra um caminhão, e está como está.

Bella: acha que vai sobreviver? – minha pergunta era meio esperançosa. Apesar de tudo que me fez, era minha mãe!

Carlisle: eu não tenho tanta certeza. Ela pediu pra chamar vocês porque ela quer ver as meninas. – explicou – achei que... Que ela merecesse conhecê-las, mesmo que fosse numa situação tão ruim.

Edward: pai... Não quero que Mellody e Mellany passem por isso.

Carlisle: pode ser a ultima coisa que sua mãe vai ver. – insistiu – é melhor pensar rápido. Talvez não dê tempo!

Edward e eu nos olhamos.

Bella: ele tem razão.

Edward: vai ser perturbador!

Bella: elas não vão morrer por isso! – insisti também.

Edward concordou, afinal. Quando vi já estávamos na sala onde minha mãe estava, cheia de fios, muito machucada, e apenas podendo ver. Sem fala, sem movimentos, sem nada!

Mellany no colo de Edward, Mellody no meu.

Edward: Oi, mãe. – disse meio encabulado. Ela estava olhando pra ele.

Bella: Oi mãe... – eu estava chorando. Ele me abraçou de lado. Era muito doloroso... – Mellody, Mellany... Digam olá pra vovó.

Mellody: Oi vovó... – ela estava meio assustada.

Mellany: ai papai, porque ela tá toda machucada? – cochichou um pouco alto com Edward. – Oi!

Minha mãe continuou olhando, imóvel. Eu não podia descrever a forma com que ela olhava pras minhas filhas. Ela não disse nada, e sem muitas palavras, fomos embora. Pra não voltar a Londres, dormimos na casa do meu pai com as gêmeas e Sabrina.

Carlisle: meu Deus, elas parecem demais com o Edward. – Mellany corria de um lado pro outro, vestida com um pijama rosa e ursinhos. Mellody estava deitada na perna do avô tomando mamadeira quietinha, com os cabelos loiríssimos espalhados na perna dele.

Bella: é... – eu e ele estávamos no mesmo sofá. Edward mantinha uma distância segura de mim. Procurávamos não agir como casal que éramos na frente do meu pai – não tem nada a ver comigo.

Carlisle: claro que tem... – os olhos dele estavam em Mellany – dá uma olhada nessa garota! – apontou pra minha filha que corria de um lado pro outro, incansavelmente – você era impagável! Se lembra, Edward? Eu e Esme vivíamos gritando da janela... “Edward, segura sua irmã...” E esse daqui virava pra gente e dizia “Ah pai, deixa ela, deixa ela! Se não ela me bate!”

Nós rimos.

Edward: é, era porreta! – brincou – depois lá em casa ela vira pra mim e fala “Ai Ed, pra quem será que a Mellany puxou?

Talvez tenha sido a situação mais desconfortável pela qual eu já tenha passado. Meu pai, ali, ouvindo agente falar das nossas filhas e de nós mesmo. Irmãos.

Bella: hora das mocinhas dormirem... – bocejei, e fiz sinal pra elas subirem. Mellody já dormia praticamente no sofá, então Edward a pegou no colo e a levou pra cima.

Sai arrastando Mellany, e depois de muito sacrifício, conseguimos fazer as duas pegarem no sono no quarto da casa de meu pai, onde antigamente morávamos quando crianças. As acomodei no meu antigo quarto, que não tinha muito daquela época, só as paredes cor de rosa, e a cama de casal com o mesmo jogo de cama que deixei, e o guarda roupa branco vazio.

Edward e eu íamos dormir no quarto antigo dele.

Edward: nossa, está... Igual. – ele olhava em volta, e via que o quarto onde estávamos era exatamente o mesmo de cinco anos atrás.

Bella: acho que ela tem mais rancor de mim do que de você. – cruzei os braços, e me sentei na cama que era mesmo, idêntica a das minhas lembranças. Ele fechou a porta, e parou de frente pra janela... Ficou olhando. Me levantei, e caminhei até ele. Parei ali, e observei o balanço que mais gostávamos no mundo ainda inteiro embaixo da árvore maior do jardim, bem ao lado da piscina. – meu Deus, faz tanto tempo! – segurei no ombro dele, e fiquei ali, contemplando o passado.

 Edward: eu não acredito que conseguimos. – murmurou olhando lá pra fora – não acredito que nossa vida seja tão boa... Quando pecamos tanto... Quando estamos juntos, Bella.

Bella: não acredito que não vamos ter castigo. – murmurei – eu tenho certeza que ainda vamos recebê-lo. – o abracei por trás, e grudei o meu rosto em suas costas – suporto tudo no mundo, menos ficar sem você. Qualquer coisa, menos ficar sem você.

Edward: não pense tão negativamente. – sugeriu, virando na minha direção, e me puxando pra eu ficar a sua frente. Agora nós dois olhavam a janela, com ele me abraçando por trás – você lembra? – sussurrou – lembra de quando éramos crianças, e eu ficava te empurrando naquele balanço?

Bella: claro que eu me lembro... – sorri – acho que foi o melhor tempo da nossa vida. Quando não devíamos nada pra ninguém, e nem tínhamos consciência de nossos sentimentos.

Edward: é. – concordou – eu ficava lá te empurrando, e imaginando se no mundo existiria uma menina como você. Uma tão bonita tão legal – disse com empolgação infantil. Eu ri – e que eu amassa tanto. Tanto quanto amava você. – parei de rir, e fiquei o ouvindo falar. Fechei os olhos, e foi como se eu voltasse no tempo.

Eu podia ver meus cabelos castanhos voando no vento, cumpridos até a minha cintura. Podia ver meu vestido rosa de princesa de sempre, os meus pés descalços indo pra frente e pra trás conforme o balanço. Podia ouvir as minhas risadas, e as de Edward. Podia vê-lo ao meu lado... Conforme o balanço ia mais alto, mais ele sorria pra mim. Embaixo, sem camisa, de short e pé no chão. Cabelo loiríssimo e arrepiado.

Um dente faltando na boca porque tinha acabado de perder, me olhando com os olhos muito verdes pelo sol, e corpo tremulo pelo quão frio estava à água da piscina quando o joguei lá dentro, minutos antes.

Edward: eu ficava pensando se existiria uma menina assim esperando por mim no mundo. Pra ser minha esposa... Se um irmão estaria a empurrando no balanço, e um dia ela cairia direto nos meus braços. Ficava pensando no homem que se casaria com você. Se ele seria bom o suficiente, e em como ele tinha sorte por te ter como mulher. – murmurava no meu ouvido. – mais essa menina nunca chegou pra mim... Pois a menina dos meus sonhos estava bem na minha frente, e quem estava a empurrando no balanço era eu.

Bella: eu também pensava assim... – falei sentindo que quase chorava. – eu também pensava que um dia você ia arrumar uma mulher, e eu um homem. E que nos separaríamos... – me virei pra ele, e fiquei na ponta dos pés pra alcançar seu rosto – eu não podia suportar isso. Passava a noite toda chorando, e terminava indo me deitar com você, porque os pesadelos eram insuportáveis. – acho que ele estava impressionado – eu te amava tanto, e ainda amo, que quando eu pensava assim não via mais sentido pra existir. – notei que Edward secava as lágrimas nas minhas bochechas – eu era só uma criança, e não entendia os meus sentimentos. – gaguejei – eu queria morrer em pensar que você não iria estar pra sempre no quarto ao lado, me esperando pra dormir. – sorri – a minha vida era atormentada por fantasmas do futuro.

Edward: porque o destino foi tão ruim conosco? – o olhar de dor no rosto dele me apavorava – eu também não entendia meus sentimentos. Eu também queria morrer em pensar que eu não estaria mais com você um dia. Só uma criança sentindo amor e não sabendo identificá-lo.

Bella: duas crianças. – murmurei – acho que... Que você esqueceu seu coração no útero da mamãe, e eu o roubei pra mim.

Edward: só pode ser isso... Não existe explicação lógica pra um amor como o nosso.

Bella: existe explicação lógica pra um amor como esse sim. – pisquei, focalizando o rosto dele, e beijando de leve seus lábios – eu amo você mais do que a mim mesmo, mais do que qualquer coisa que pise na terra. A explicação pra isso é que somos almas gêmeas, e que se nos encontrássemos no mundo, tudo seria perfeito demais. Tinha que ter um obstáculo pra nos fazer aprender algo. E esse obstáculo nos fez nascer com a mesma genética, com o mesmo sangue, com os rostos parecidos e os mesmos pais. – completei, suspirando – somos irmãos porque se não fossemos, iria ser... Perfeito demais.

Edward: se eu não fosse seu irmão seria muito mais fácil. Eu poderia te dar o mundo sem precisar explicar nada pra ninguém.

Bella: eu tenho tudo que preciso... – mordi os lábios – tenho uma vida estável, tenho um emprego, tenho duas filhas perfeitas e lindas, e tenho você ao meu lado, o que significa ter mais do que apenas água no meu organismo e ar nos meus pulmões. Não preciso de mais nada pra ser feliz, nada.

Ele sorriu de canto, e me beijou.

Edward: você me deve uma noite nessa cama, lembra? – e riu malicioso, falando sobre a cama dele.

Bella: pelo que eu me lembro, é você quem me deve uma noite nessa cama, já que você me ligou e me incentivou a praticar sexo por telefone. – e ri, quando ele ia comigo em direção a cama dele no centro do quarto.

Edward: você adorou, pelo que me lembro... – me sentei ali, e ele ao meu lado. Suspiramos.

Bella: tantas lembranças neste quarto... – choraminguei, olhando em volta – lembra quando agente montava uma barrada usando o guarda roupa e insistíamos em passar a noite lá?

Edward: lembro... – sorriu – lembro que quando chovia você ficava com medo, e gritava toda vez que os trovões faziam eco em casa e sua sombra aparecia na porta.

Bella: você tentava me explicar que ninguém ia me pegar, mas eu insistia em te agarrar. – sorri docemente, e logo estávamos deitados na cama dele lado a lado, um virado pro outro, eu acariciando seu rosto lindo, ele de olhos fechados...

Edward: eu te via toda mansinha, agarrando meu braço, tapando a minha vista com seus cabelos, sugando aquela chupeta como se fosse a sua vida, agarrada no coelhinho cor de rosa com o outro braço... – os olhos dele ainda não estavam abertos – eu posso te ver certinho se te imagino assim. Pensava porque te amava tanto... Porque raios de Deus, uma criança podia ser tão bonita, tão minha.

Bella: eu confiava em você. E ainda confio. – cheguei mais perto, me abraçando a ele, e meio que de praxe, começou a chover. – se você me dissesse que não era sim, eu ia acreditar. – olhei nos olhos dele – eu não conhecia outra verdade que não fosse aquela dita por seus lábios.

Edward: já estou cheio de me lamentar! – Edward começou a ficar nervoso – to pouco me lixando pro mundo, se quer saber! – e sorriu – que se danem todos e seus preconceitos! EU TE AMO, e a partir de hoje vou gritar pra quem quiser ouvir. Vou contar a verdade... As gêmeas são nossas, enossas mesmo. Não vou viver de mentiras pra ninguém. Não vou dizer o que eles querem ouvir... Sei que pode parecer horrível pra todos, mas ninguém sabe da nossa história. Ninguém.

Eu ia dizer alguma coisa, quando a porta do quarto foi aberta.

Mellody: mamy, papy? – chamou meio chorosa – vocês estão aqui? – olhamos pra ela parada na porta.

Bella: Mel, o que foi? – me sentei na cama, e ela entrou correndo agarrada com um bicho de pelúcia.

Mellody: mamy tem bicho no seu quarto! Eu não quero ficar lá! – ela chorava muito quando pulou no meu colo.

Edward: Hei mocinha, foi só um pesadelo! – ele acariciava os cabelos cumpridos dela.

Mellody: papy, pega a Any. Não deixa ela sozinha lá não! – choramingou.

Não restou mais nada pra fazer. Edward foi buscar Mellany que veio aos resmungos. Nós três passamos a noite lá... Juntos.


Final lembrança Final


Atualmente


Bella: e é isso, senhor juiz... – As lágrimas deslizavam pelos meus olhos, e eu sentia as bochechas ardendo – Edward e eu jamais planejamos nos amar... – apertei os olhos – eu juro pela vida das minhas gêmeas que sempre o amei, e sempre vou amá-lo. Todos aqui podem pensar que isso não passa de uma encenação, mas eu jamais seria capaz de mentir a minha história... Eu não tenho porque esconder algo tão bonito.

O tribunal caiu em silêncio. Se eu me esforçasse, poderia ouvir os insetos por ali, assim como as batidas erráticas do meu coração e o de Edward.

Juiz: o advogado... – o homem parecia meio abalado com o meu depoimento. As minhas lágrimas grossas e sentidas também estavam me abalando cada vez mais. Mel e Any estavam sentadas com meu pai na platéia. Elas me observavam tristonhas... Já fazia tanto tempo que estavam sem mim, sem Edward – de acusação deseja fazer alguma pergunta?

A pergunta fora dirigia a advogada da minha mãe.

A mulher loira estava sentada em sua cadeira na acusação ao lado de minha própria mãe. Nos olhos da advogada eu via apenas lágrimas talvez, como as minhas. Ela tinha olhos inchados, mas uma postura rígida. Ela tinha se comovido com a minha história?

A mulher se colocou de pé e andou até a frente do juiz.

Doutora Garner: tenho uma pergunta... Mas é pra minha cliente. – ela se virou para minha mãe, que se assustou na sua postura – COMO VOCÊ TEVE A CAPACIDADE DE FAZER ISSO COM SEUS PROPRIOS FILHOS?

Todos no tribunal de exaltaram.

Juiz: doutora Garner...

Doutora Garner: você não tem coração? – todos se calaram – você sabe de tudo isso, você sabe que eles se amam... Como é capaz de dizer que eles podem fazer mal aquelas meninas? – minha mãe parecia surpresa, assim como eu. – como é capaz de dizer que são criminosos?

Esme: olha aqui, doutora... INCESTO É CRIME NESSE PAÍS! Segue logo com esse julgamento, porque eu estou te pagando pra me defender, não se voltar contra mim! – disse nervosa.

Juiz: silêncio! – batia o martelo – doutora Garner, larga o caso ou vai parar com esse escândalo? – se ela largasse, Edward e eu pegaríamos uns anos de prisão pelo crime de Incesto, e ainda ficaríamos sem as nossas filhas.

Seus olhos se voltaram pra mim.

Doutora Garner: senhora Cullen, há quantos anos a senhora ama como homem o seu irmão? – ela lia na ficha dela. Não era pra me ajudar.

Bella: eu já disse... Desde que nasci. Desde que eu coloquei os olhos nesse mundo! – Edward estava calado no banco dos réus. De terno negro e olhos cansados. Ele não me olhava.

Doutora Garner: teve sempre a consciência de que isso era errado? Teve sempre a consciência de que poderia ser presa? De que ele era seu irmão?

Bella: eu o amo! – grunhi – não existe mais nada pra te dizer!

Doutora Garner: como me provará que o ama?

Bella: olhe pras minhas filhas, doutora! – apontei pra Mel e Any – você acha que se eu não o amasse mais do que a minha própria vida eu as teria deixado viver? Acha que eu não seria capaz de abortar e esconder toda a verdade dos meus pais? Seria muito mais fácil pra mim... Mas elas são parte dele e minha também. Eu jamais seria capaz de interromper algo que veio dele. Eu o amo. Muito. Existe prova de amor maior do que essa?

Os cochichos voltaram a se instalar no tribunal, e a doutora Garner me deu um sorriso de canto, e logo se voltou para o juiz.

Doutora Garner: sem mais perguntas, meritíssimo. – e caminhou até sua cadeira novamente.

O juiz me olhou meio abalado, e pigarreou.

Juiz: chamo para depor Edward Cullen – e bateu o martelo. Só o depoimento de Edward seria capaz de resolver definitivamente, essa confusa história de amor.

Enquanto uma policial me conduzia até o lugar de antes, Edward passou por mim. Ele me olhou nos olhos e parou uns instantes.

Edward: vamos sair dessa, eu te juro!

Bella: o que você vai fazer? – perguntei, quando nos separaram.

Edward: tem alguém nessa história toda que vai nos ajudar. Só essa pessoa pode nos salvar.

E nos separaram. O que Edward planejara? Quem seria nosso salvador ou salvadora? Isso é... A história de dois irmãos que se amam... Teria salvação?


FIM
 (pelo menos, da parte da Bella)






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4 comentários :

LOL,Queria Continuação,Assim fica meio que "cortado"...

24 de fevereiro de 2011 23:46 comment-delete

Ai meu Jesus Cristinhooooo!
Comecei a ler a sua fic ontem a noite e terminei agorinha
E como você me para numa parte dessa?
To morrendo do coração aqui.
Credoooooo, vem cá, a Esme não tem coração não?
Deve ser uma pedra de gelo no lugar dele.
Senhor, que mulher ruim.
Virgem santissima.
Quero mais, please.

6 de março de 2011 20:53 comment-delete

Aaah...
Eu não acredito que você parou assim..
Ç____________Ç

Você não tem coração.??
Fiquei triste agora..

i__i

Por favorzinho, continua logo..
A fic é a melhor que eu já li em toda a minha vida..
Por favor..
Não abandone ela..
*-*

Continua rapidinho sim.??
Beijinho beijinhos..

Até o próximo..

10 de abril de 2011 00:25 comment-delete

omg !!!!! comecei a ler a fic hj msm e amei !!! como vc pode parar assim ?!?!?! queis me dar um ataque do coraçao ? kkkkkk posta logo bjs

18 de junho de 2015 17:26 comment-delete

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