O Contrato - Capítulo 8

Bella pov’s

O tempo passa, mesmo quando nosso desejo é de que permaneça estagnado.

Poderiam ter se passado dias, meses ou até anos, eu não perceberia tal passagem. Ainda sim eu sabia exatamente quando tempo eu e Edward tínhamos de namoro: dois meses e quinze dias.

Todos os dias eram um conto de fadas para mim, mesmo que fizéssemos coisas banais juntos como um café da manhã, um passeio no parque, almoço em algum restaurante de sua escolha ou quem sabe um jantar em um ambiente mais opulento. Qualquer coisa ao lado dele era ótima e não sentia o tédio se apoderar de mim por não fazermos algo mais arrojado; Edward parecia compartilhar de minha opinião.

Eu disse tudo sobre mim para ele, cada detalhe que cheguei a considerar insignificante, detalhes pessoais que nunca partilhei com ninguém. Pouco soube a seu respeito, Edward não era de falar sobre sua pessoa, mas não me importei com isso. Claro que Jessica e Angela estavam desconfiadas das mudanças que se operavam em mim durante esses mais de dois meses, elas notavam o quanto eu parecia estar sempre feliz mesmo que a quantia de trabalhos em minha mesa fosse grande. Por fim contei às duas que estava acontecendo comigo, meu envolvimento com Edward, não tinha como esconder delas por muito tempo. Jess ficou radiante, mas senti uma pontada de inveja em suas palavras. Dei de ombros. Se estivesse em seu lugar também sentiria inveja. Angela parecia feliz por mim e todos os dias eu relatava as duas o que acontecia entre mim e Edward, elas ficavam em júbilo por isso. Embora eu fosse sua namorada não havia troca de intimidade em frente a todos, Edward dizia que era importante sermos discretos e acatei seu pedido. Edward não havia até agora me apresentado a sua família como sua namorada, mas não me importei. Eu não me importava com nada, nem mesmo se soubesse que eu era só um passatempo. Ao menos eu o tinha em meus braços e isso bastava.

...

Aquela era uma manhã feliz de domingo. Eu e Edward estávamos completando três meses de namoro e Edward prometera a mim que iria me apresentar a sua irmã Alice e ao cunhado Jasper. Eu não havia exigido tão coisa dele, claro que não! Ainda sim, na noite anterior, quando Edward disse que iríamos jantar com sua família, eu fiquei radiante, estava radiante até agora. Essa era a prova de que eu não era um passatempo.

Acordei bem cedo com o intuito de arrumar meu apartamento, andava tão desleixada com a limpeza e organização que o local estava quase inabitável. Em parte decidi limpa-lo por que precisava me distrair com algo, estava tensa com o jantar com os familiares de Edward. Uma bobagem, eu sabia. Coloquei uma música agitada em meu som, peguei os produtos de limpeza, vesti apenas uma camisa velha e comecei o serviço. De fato a limpeza ajudou-me a relaxar e acredito que estaria completamente relaxada até o anoitecer se meu celular não tivesse tocado.

-Droga! –Resmunguei tirando as luvas de látex e correndo, suja de sabão, até a sala onde havia deixado meu celular. O atendi num átimo.

-Alô? –Perguntei ofegante.

-Não acredito! Você não consegue ainda reconhecer o número de celular do seu próprio namorado? Amor, assim você me deixa triste. –Edward disse do outro lado da linha, podia ouvir seu riso.

-Oi amor! –Cumprimentei radiante. –Perdão eu atendi tão rapidamente que não chequei quem poderia ser. –Sentei no braço do sofá, um sorriso que não conseguia retirar de meu rosto.

-Bom dia amor. Não me diga que acordei você? –Edward perguntou, sua voz parecia preocupada.

-Não. Acordei cedo e estou limpando o apartamento.

-Amor, importa-se se eu aparecer agora? –Edward perguntou. Eu estaquei.

-Não, claro que não, mas... Pensei que só nos veríamos ao anoitecer quando você viesse me buscar para o jantar com sua família. Por um acaso o jantar foi cancelado?

-Não Bella, não é isso. Tenho algo importante para conversar com você e... Bom... Acho que seria melhor falar antes do jantar. Posso ir até ai? –Uma súbita tensão tomou meu corpo. O que Edward gostaria de conversar comigo?

-Claro Edward. Eu vou me arrumar, espero por você aqui.

-Então até mais meu amor. Estou ansioso para vê-la. –Edward disse e me senti derreter. Ainda custava a acreditar que Edward me dizia tais coisas.

-Até mais. –Desliguei e me dirigi rapidamente para o banheiro, precisava estar de banho tomado e vestida quando ele chegasse. Enquanto me ocupava em lavar meu cabelo, mil especulações passaram em minha cabeça. O que Edward queria falar comigo? Eu não conseguia pensar em algo bom. Senti um arrepio perpassar meu corpo quando minha primeira sugestão do motivo da conversa fosse o término do nosso namoro. Tentei espantar logo tal pensamento sombrio. Se Edward fosse terminar comigo ele não me trataria tão carinhosamente ao telefone como sempre faz.

Cansada de minhas próprias especulações, terminei meu banho e fui ao meu quarto vestir algo. Eu estava secando meus cabelos com uma toalha, após vestir uma calça jeans e uma camisa branca, quando a campainha tocou.

-Droga! –Corri até a porta e a atendi. Edward estava lá de pé, lindo como sempre. Era impressionante como eu ainda perdia a fala ao vê-lo. Edward me olhou de cima a baixo e sorriu.

-Bom dia. –Disse dando-me um selinho antes de adentrar completamente meu apartamento. Sentou-se no sofá.

-Desculpe, não consegui terminar de me arrumar, devo estar horrenda! –Reclamei caminhando para o corredor que me levaria a meu quarto. –Vou terminar de me arrumar e já volto. –Disse, mas ao chegar à entrada do corredor, próximo ao sofá, Edward puxou-me pelo braço e me fez sentar em seu colo.

-Não seja boba. Está linda como em qualquer outro dia. –Seus braços envolveram minha cintura puxando-me para mais perto do meu peito. Eu me inclinei beijando-o calmamente. Após o beijo Edward colocou sua cabeça próxima ao meu pescoço inspirando.

-Está tão cheirosa. –Murmurou com a voz rouca. Senti um calor tomar meu corpo, um calor que já era familiar para mim. Bem como eu imaginei, quando o corpo de Edward parecia estar sendo consumido pelo mesmo calor, ele se afastou. Fez com que eu sentasse ao seu lado no sofá.

-Termine de se arrumar, eu vou esperar aqui. –Ele disse. Eu fiquei a olhá-lo tentando desvendar o que se passava na mente de Edward, tentando compreende-lo. Nada me ocorreu.

-ok. –Disse e segui para o quarto.

Apesar de estarmos juntos há três meses, os três meses mais felizes de minha vida, Edward nunca tentou passar dos limites comigo. Às vezes eu notava sua excitação quando nossos corpos estavam próximos demais e então Edward se afastava. Edward era homem e todo o homem precisa de sexo. Ele parecia se conter apenas por mim, ele sabia que eu era virgem. Talvez temesse passar dos limites e me magoar. A idéia de fazer sexo com Edward nunca me pareceu aterrorizante, mesmo quando ele não era meu. Agora o que eu mais queria era experimentar o prazer com ele, estreitando nossos laços. Eu precisava dizer a ele que estava pronta, mas não seria algo fácil. Mesmo com o grau de intimidade que tínhamos, eu não me sentia com coragem o suficiente para dizer em palavras que queria fazer amor com ele. Talvez eu pudesse apenas conduzi-lo, esta mesma noite. Em menos de meia hora eu já estava pronta. Edward aguardava-me sentado no sofá, os olhos fixados na minha pequena sacada, olhando a paisagem.

-Desculpe a demora. –Murmurei e sentei ao seu lado. Edward ergueu a mão e afagou minha bochecha.

-Não demorou nada.

-Então você já tomou café? Eu posso preparar algo para você. –Fiz menção de me levantar, mas Edward puxou-me pelo pulso fazendo com que eu voltasse a sentar. Agora a expressão de Edward era séria, o que me assustou.

-Não, eu comi antes de vir para cá. Então eu quero conversar com você antes de irmos ao jantar que Alice está promovendo.

-Ah sim, você disse que queria conversar. Então diga sobre o que é. –Perguntei tentando aparentar calma, mas no fundo estava tensa. Edward parecia tão sério naquele momento, algo atípico dele. Segurou minhas mãos entre as suas, seus olhos em mim.

-Bella, eu sei que é cedo para tal coisa, mas visto que não tenho dúvidas sobre você eu não quero mais esperar. Desde que você entrou em minha vida eu não consigo me imaginar sem você ao meu lado e mesmo o pouco que eu já tenho já não é o suficiente. –Edward voltou seu olhar para nossas mãos, eu continuei a olhá-lo sem entender aonde aquela conversa iria parar.

-Edward eu... –Comecei a falar, mas Edward colocou seu dedo indicador em meus lábios.

-Deixe-me terminar, por favor! –E então eu o vi se mover e pegar algo no bolso da jaqueta. Era uma caixinha aveludada, muito bonita. Eu comecei a soar frio.

-Bella... –Ele me chamou olhando-me com intensidade, suas mãos abriam a caixa. Eu não consegui tirar meus olhos dos seus. –Bella, você aceitaria ser minha esposa? –Ele perguntou, havia tensão em sua face, como que temendo minha rejeição.

Eu me permiti ficar mergulhada no catatonismo. Nem em minhas mais arrojadas fantasias eu imaginei que um dia essa criatura divina pudesse ser minha ao menos uma vez, quanto mais eu ser sua esposa. Mesmo que tudo fosse real a minha volta, mesmo que eu já estivesse parcialmente acostumada com Edward, eu ainda me perguntava se estava vivendo um sonho. Eu temia que em uma manhã eu acordasse e percebesse a ilusão tendo que viver mais um dia em minha antiga vida patética, a vida em que eu era mera espectadora da vida de Edward. Eu estava viciada nele, não conseguiria suportar a regressão de nossa relação. E agora, contrariando a tudo, podendo ter uma mulher a sua altura, lá estava Edward me pedindo a coisa que eu mais queria mais do que ar ou comida ou riqueza ou saúde. Eu queria...

-Bella, o que foi? Por que está chorando? –Edward perguntou alarmado, com uma mão tateou meu rosto e colheu algumas lágrimas com a ponta de seus dedos.

-Eu... Eu só... –Eu não conseguia me fazer pronunciar a palavra “sim”. Eu estava tão atordoada ainda digerindo a situação que simplesmente estaquei. Edward com uma das mãos livres afagava meu rosto.

-Escute você não precisa responder agora. Pode ter o tempo que quiser para pensar afinal de contas é um grande passo para nossas vidas e... –Eu não deixei Edward terminar. Joguei-me em seus braços. Edward abraçou-me apertado. Após um tempo, abraçados, Edward afastou-me e sem dizer nada, com seus olhos fixos nos meus, colocou a aliança que trouxera em meu dedo anular direito. Ergueu minha mão beijando o local onde agora estava meu anel de noivado, colocou ambas as mãos em minhas bochechas puxando-me para um beijo ardente. Eu estava nas nuvens, poderia morrer da pior forma e ainda sim manteria um sorriso no rosto. Antes que eu pudesse exteriorizar o que estava pensando, senti que o clima entre nós mudava para algo mais intenso. Edward deitou-me no sofá cobrindo meu corpo com o seu, seus lábios nos meus, suas mãos em meu abdômen massageando-o.

Envolvi meus braços no pescoço de Edward e naquele momento, sabendo que ele iria me pertencer pelos laços do matrimônio, eu desejei muito mais do que beijos. Por fim consegui livrar uma mão passando a mesma para o peito de Edward. Ele usava uma camisa de botões azul com as mangas dobradas até o cotovelo. Consegui abrir dois botões infiltrando minha mão a fim de tocar seu peito nu.

Cedo demais Edward se afastou. Parecia horrorizado que nossa troca de caricias tivesse ido tão longe. Sentou-se no outro sofá, os olhos no chão.

-Desculpe. Não era minha intenção desrespeitá-la. –Murmurou. Eu me endireitei no sofá.

-Não me desrespeitou. Edward eu... Eu não acho que... O que eu quero dizer é... Eu estou pronta. –Não conseguia olhar para ele, não queria que Edward pensasse que sou uma oferecida. Mas pensando bem nós estávamos noivos. Não tinha nenhum problema. Edward ficou me encarando com uma expressão insondável.

-Eu preciso ir. Venho buscá-la mais tarde.

-Edward, não precisa ir. Foi algo que eu disse? –Perguntei apavorada. Edward pareceu ficar alarmado com minha expressão.

-Não é nada Bella é só que... Bom... Eu achei que seria bom se nós dois deixássemos isso para depois.

-Depois quando?

-Depois do casamento. O que acha?

-Edward, não precisa fazer isso por mim. –Murmurei super sem graça.

-Não faço apenas por você, faço por mim também. Bella, entenda que durante esse tempo eu sempre me envolvi com mulheres... Mulheres impuras por assim dizer. Mulheres que se entregavam a mim apenas com o intuito de ganhar algo valioso em troca. Agora eu tenho você e quero que tudo seja perfeito, a moda antiga. Quero que seja minha após estarmos casados. É um capricho, eu sei, mas...

-Não, eu entendo. Se for assim que deseja, será assim. –Eu devia estar rubra, não era fácil falar em algo tão intimo. Edward sorriu. Levantou-se do sofá onde estava e sentou-se ao meu lado. Puxou meu rosto em direção ao seu e beijou-me.

-Eu realmente estou feliz que tenha aceitado. –Sussurrou em meu ouvido. –Eu preciso ir. Vejo você ao anoitecer.

Eu me despedi de Edward na porta do prédio e quando por fim ele partiu e fiquei sozinha em meu apartamento, eu cai no berreiro. Eu sei que é algo patético para aqueles que acompanham, mas não para mim.

A princesa tinha seu príncipe e logo conheceria a frase “e então viveram felizes para sempre”.

...

Eu segui entorpecida para a casa da irmã de Edward, Alice. Ainda custava a acreditar que Edward havia me pedido para ser sua esposa, que eu o teria ao meu lado sempre, acordaria com ele, teria a posse de seu corpo... Todas as grandes e pequenas coisas que diziam a seu respeito seriam minhas. Edward levara um buque de flores silvestres para mim, elogiou meu vestido azul marinho, dizendo que aquela cor ficava bem em mim. Valeu à pena gastar todo meu salário daquele mês com o vestido que comprei em uma butique chique só para ouvi-lo me elogiar daquela forma.

- Então, sentiu minha falta? –Edward perguntou enquanto seguia de carro para a casa de Alice.

-Claro. Mas ainda sim foi bom que você tenha ido embora de casa.

-Por quê? –Edward virou-se para me olhar ignorando a estrada por alguns instantes.

-Eu meio que fiquei catatônica após sua saída. Foi difícil digerir o fato de que fui pedida em casamento.

-Por que é tão difícil aceitar que a pedi em casamento?

-Edward eu não sou muito adequada pra você. –Admiti sentindo a veracidade em minhas palavras. Isso doía. Eu sempre soube, mesmo agora, que não era adequada para Edward. Senti a mão de Edward segurar a minha no banco.

-Não quero ouvir tal idiotice. Pare de se diminuir. Edward disse parecendo aborrecido. Talvez ele estivesse certo, eu devia ter algo especial para ele me querer. Ficamos calados durante o restante do percurso.

...

-Pronta? –Edward perguntou enquanto tocava a campainha do portão. A casa de Alice era grande, isso pude notar sem nem ter entrado na propriedade.

-Sim. –Murmurei fitando o chão. Edward ergueu minha mão com a aliança e a beijou.

-Boa noite, bem vindos. –Disse uma governanta que nos recebeu. Alguns empregados atrás dela sorriam para nós, em posições retas, perfeitas. Murmurei uma “boa noite” e segui ao lado de Edward. A casa era impressionante, tão grande, com vidros substituindo paredes e toda branca. Eu tentei conter meu olhar fascinado, mas não acho que consegui disfarçar o quanto estava impressionada com a opulência do local. Mesmo tendo freqüentado lugares chiques através de Edward, eu ainda não conseguia me acostumar com a riqueza daquela família.

Alice, linda como sempre, ladeada pelo seu marido Jasper, veio nos receber na porta.

-Boa noite. Bem vindos! –Ao notar que era eu ao lado de Edward ela estacou. Seus lábios ficaram em uma linha rígida e sua testa se franziu. Não entendi sua expressão, parecia aborrecida pela minha presença. Rapidamente Alice mudou.

-Bella! Não acredito que é você! Que bom vê-la! –Abraçou-me.

-Oi Alice. –Correspondi timidamente seu abraço ainda pensando na expressão de Alice assim que me viu.

-Bem vindos. Ficamos felizes que tenham vindo. –Jasper falou. –Muito prazer em conhecê-la Bella.

-Como sabe meu nome? –Perguntei sem conter a curiosidade.

-Alice fala muito de você, parece gostar verdadeiramente de você. –Disse Jasper.

-É claro que gosto! Bella salvou minha noite certa vez, sabia disso Edward? –Ela virou-se para seu irmão e, embora sorrisse, tinha um olhar hostil. –Certa noite eu sai com Jasper para um barzinho, mas meu sapato quebrou. Bella entregou seus próprios sapatos para que eu não perdesse minha noite.

-Ah, Bella me falou a respeito quando comentei que você queria conhecer minha misteriosa namorada. Disse que vocês se falavam. Que coincidência boa não acha Alice? –Edward sorria e senti um tom de zombaria, Alice estava séria. Eu e Jasper olhávamos a situação sem entender o que se passava. Por fim a tensão se amainou.

-Então vamos ao jantar. Venha Bella. –Alice pegou minha mão e me fez sentar ao eu lado. Edward sentou na minha frente com Jasper ao seu lado. À medida que eu e Alice conversávamos a tensão que antes eu sentia foi se dissipando. Alice foi simpática como sempre, mas havia um tom estranho em sua voz, triste. Procurei não pensar muito nisso.

...

-Quer dizer que ele a pediu em casamento? –Alice perguntou-me pasma. Tosos nós já tínhamos jantado, estávamos na sala de visitas tomando um chá.

-Claro, Bella é a mulher da minha vida. Eu não quero perder tempo. –Edward estava sentado ao meu lado, segurava minha mão. Alice nos olhou atentamente. Eu me senti mole com suas palavras, com seu despreocupado toque.

-E já marcaram a data Edward? –Jasper perguntou.

-Não. Eu a pedi essa manhã. Bella... –Edward virou-se e me olhou, seus olhos eram tão fascinantes que só pude olhá-lo como uma idiota. –Quando quer se casar?

Eu queria dizer AGORA, mas pareceria loucura.

-Quando você quiser. –Murmurei. Edward acariciou meu rosto. Virou-se para Alice.

-Certamente você vai querer organizar o casamento, não é mesmo Alice?

-Sim. Quero cuidar de tudo como presente de casamento. –Ela disse com a voz sem nenhuma emoção.

-Uma semana é o suficiente? –Edward perguntou e eu estaquei. Ele realmente falou uma semana?

-Sim. Eu o aconselho a dar uma semana de folga para Bella do trabalho. Vou monopolizá-la.

-Claro. Bella, essa data está boa para você? –Edward me olhou aparentando preocupação. Devia estar temendo que sua precipitação me desagradasse.

-Você não tem idéia do quanto estou feliz. –Murmurei contendo a vontade de chorar.

-Então vamos começar agora. Edward eu vou tirar suas medidas. Vamos até o meu quarto. Em seguida tiro as suas cunhadinha. –Alice levantou-se, veio para meu lado e me beijou na bochecha. Puxou Edward pela mão. Os dois desapareceram pela escadaria. Teria ficado quieta se a voz masculina não se manifestasse.

-Fico feliz por você. Você parece ser certa para o Edward. Ele está precisando de alguém descente ao seu lado.

-Mesmo que você ou Edward digam isso, eu ainda não acho que sou merecedora de uma pessoa como ele.

-Não diga tal bobagem. Edward tem estado muito solitário. Mesmo tendo Alice e a mim, ele não tem ninguém que cuide dele, que esteja sempre ao seu lado. Será bom para ele casar. Dessa forma ele amadurecerá.

-Estranho, eu já acho Edward maduro. –Olhei para Jasper, ele tinha um olhar vago. Alguma coisa estava acontecendo ali, ou eu devia estar apenas paranóica.

...

-Seu vestido ficará lindo! Alguma preferência para a cor da decoração? –Alice perguntou enquanto tirava minhas medidas.

-Não sei nada sobre isso. Acho que vou deixar em suas mãos capazes, mas... Eu não sei como eu vou pagar.

-Ah Bella não se preocupe com isso! Nós temos dinheiro para dar e vender. Vamos cuidar de tudo! Apenas diga os nome que você quer em sua lista e os nomes de seus padrinhos.

-Eu vou pensar nisso.

-Mas pense rápido Bella. O casamento é daqui a uma semana!

-Eu estou ansiosa para o casamento, mas... Uma semana? Não é algo precipitado?

-E o que tem isso? Você não quer se casar cedo? Tem duvidas quanto a Edward? –Alice parou de tirar minhas medidas e me olhou especulativa. Apressei-me em retirar a impressão errada.

-Não! Eu tenho certeza de Edward!

-Que bom. –Alice ficou a me olhar, uma expressão que eu não compreendia.

-Alice, você não me quer como cunhada? –Murmurei. Ela estacou com minhas palavras.

-Não! Claro que não Bella! Você é a cunhada que eu sempre desejei e...

-Então por que você parece ter ficado aborrecida quando Edward me apresentou a você? –Eu a observei. Vi seu rosto ficar surpreso com minha sinceridade e então uma expressão suave aparecer e seu rosto.

-Bella, me promete uma coisa?

-O que Alice?

-Você ama meu irmão, eu posso ver isso. Você é exatamente o que Edward precisa. Fique com ele.

-Alice, não precisa me pedir algo assim. Claro que eu vou ficar com ele, vou cuidar muito bem do seu irmão. –Prometi com fervor. Alice sorriu.

-Que bom. Agora a partir de amanhã você é minha. –Alice piscou. Alice era uma pessoa espontânea, maravilhosa. Eu me enchi de contentamento em saber que eu iria pertencer àquela família maravilhosa.

...

-Então você ficará ocupada com Alice. Já pensou em quem serão seus padrinhos? –Edward perguntou, estávamos saindo do terreno da casa de Alice.

-Sim. Jessica e Mike serão meus padrinhos. Eu não o conheço muito bem, mas não tenho muita opção. Eu não sou de muitos amigos e não tenho parentes. –Murmurei e virei meu rosto para olhar a paisagem pela janela, não queria que Edward visse meu rosto. Vendo-o com sua família despertou algo em mim, uma antiga tristeza. A tristeza de não ter nenhum familiar. Senti a umidade em meus olhos.

-Bella, está chorando? Por que está chorando? –Edward perguntou alarmado, uma mão ele retirou do volante colocando em meu rosto. Peguei sua mão e a segurei.

-Estou bem eu só... Não é nada.

-Bella, não minta. Você deve ter um motivo. O que foi? Alice foi desagradável com você? –Ele parecia terrivelmente preocupado. Eu sorri para tranqüilizá-lo.

-Não é isso. Sua família é maravilhosa. É que... O clima familiar me deixou um pouco sensível. Fazia tempo que eu não me sentia assim. Eu tinha me esquecido como é estar entre familiares e quando lembro dói. –Agora que iríamos ser marido e mulher eu podia dizer tudo sobre mim, até os fatos tristes que fiz de tudo para ocultar dele. Edward ficou calado. Após alguns minutos notei que não estávamos indo para meu apartamento.

-Para onde nós estamos indo Edward? –Eu perguntei.

-Meu apartamento. Namoramos há três meses e você ainda não conhece o lugar onde moro.

E era verdade. Edward passava a maior parte do tempo em meu apartamento quando vinha me ver. Nunca havia ido até sua casa, nem sabia onde era. Poderia parecer desleixo de minha parte, mas eu não queria incomodar Edward de jeito nenhum e por isso eu nunca perguntava nada, cobrava nada. Minha tristeza pareceu se exaurir quando percebi que Edward iria ceder, mostrar mais coisas ao seu respeito. Eu mantive um sorriso no rosto esperando ansiosa pela chegada ao seu apartamento.

...

-O que achou? –Edward perguntou ao acender as luzes com um comando de voz. Eu olhava a tudo embasbacada. Edward morava na cobertura de um prédio de luxo. A decoração era simples, mas de muito bom gosto.

-É lindo! –Disse caminhando até o sofá branco e sentando. Edward ficou de pé.

-É aqui que vamos morar após o casamento. Você poderá alugar seu apartamento. Venha, vou mostrar a casa. –Edward pegou minha mão conduzindo-me por todos os cômodos do gigantesco apartamento. Aquele lugar era magnífico, tão grande, tudo tão limpo e arrumado! E tudo tão... Solitário. Edward vivia sozinho ali, sem ninguém, ninguém...

Fiquei reconfortada em saber que logo eu iria preencher qualquer vazio que ainda pudesse existir em sua vida.

-O que foi? –Edward perguntou-me. Sorri.

-Nada. Ainda falta me mostrar um cômodo eu suponho. –Disse e vi Edward me sorrir cheio de malicia.

-Sim. O meu quarto. –Edward puxou-me até a porta dupla que dava para o seu quarto, acionou o comando acender luzes ao passarmos pela porta. Seu quarto era magnífico: espaçoso, as paredes pintadas de preto e telas de pinturas abstratas, moveis brancos. Uma porta devia dar para o closet enquanto outra devia ser de seu banheiro. O quarto possuía uma grande sacada.

-Puxa, um quarto maravilhoso! Aliás, tudo aqui é maravilhoso.

-Foi Alice quem o decorou. Fico feliz que tenha gostado. Este será nosso novo lar daqui a uma semana. E pode começar a trazer seus pertences para cá e alugar seu apartamento.

-Nossa, está tão em cima! Edward, eu não sei se vamos conseguir ajeitar tudo em uma semana. –Edward ergueu nossas mãos entrelaçadas e afagou meu rosto.

-Não se preocupe. Alice cuidará do casamento e eu cuidarei de sua mudança, trarei para cá apenas o essencial. O restante ficará para seu inquilino. Amanhã vá a empresa falar com seus amigos, anunciar quem será seu padrinho e madrinha, sua dama de honra e convidar quem você quiser.

-Tudo bem. –Edward abraçou-me, um abraço apertado, e sussurrou em meu ouvido:

-Perdoe a pressa. Sei que uma semana é um exagero, um tempo muito curto, mas...

-Tudo bem. Eu estou tão ansiosa quanto você para ficar ao seu lado, sempre.

-Que bom. –Edward beijou-me com avidez e guiou-me para sua cama. Eu estava tão perdida no frenesi de seus lábios, suas mãos, o perfume e o calor do seu corpo que não notei quando estávamos deitados, o corpo de Edward comprimindo o meu no colchão. Seus lábios não me davam liberdade para falar, sequer para raciocinar. Suas mãos prensavam as minhas acima de minha cabeça. A atitude de um Edward afoito realmente me assustou, mas isso não fez com que eu o detivesse. Mesmo temerosa com os acontecimentos, com a novidade por detrás de tudo, eu queria aquilo. Eu queria, eu precisava ter mais de Edward. Eu o queria em meus braços, em minha língua, dentro de mim. Minhas mãos deixaram de acariciar sua nuca e passaram para frente de sua camisa de botões. Enquanto Edward beijava-me no pescoço, minhas mãos tentavam abrir os botões de sua camisa. Ele estacou e afastou-se tão rapidamente que demorei alguns segundos para processar o ocorrido.

-Me desculpe! Não deveria ter agido assim! –Falou e parecia desnorteado. Edward sentou-se na cama longe de mim, os olhos fixos no piso encarpetado.

-Tudo bem Edward. Não precisa ficar assim. Não foi nada. Olha... –Tentei me aproximar e tocá-lo, mas Edward levantou-se da cama.

-Devo levá-la a sua casa. A partir de amanhã começam os preparativos. Você deve estar descansada. –Virou-se para mim e sorriu. Ajudou-me e levantar da cama e logo seguíamos para minha casa num silêncio mortal. Eu não entendia a hesitação de Edward em me tocar. Será que era realmente tão importante me manter virgem e fazer amor comigo após o casamento? Se não era algo importante para mim, como poderia ser tão importante para ele? Eu queria perguntar suas reais motivações para não querer me tocar, eu queria conduzi-lo até a cama mostrando a ele que não havia problema algum fazermos amor, mas eu nada fiz. Desde que Edward entrou em minha vida procurei ao máximo não ser um estorvo. Ignorei tudo que pudesse incitar a termos uma discussão, como as especulações que aconteciam na empresa do suposto caso entre Edward e Tânia. Como nunca vi nada eu dei de ombros, mesmo que por dentro a insegurança me ferisse. Eu temia que Edward fosse tirado de mim, não achava que tinha algum atrativo que o prendesse a mim. Qualquer mulher com um pouco mais de carne e grana para se enfeitar poderia chamar a sua atenção e eu seria facilmente descartada. Eu temia isso mais do que qualquer outra coisa. Edward tornou-se para mim uma espécie de droga, eu precisava de doses diárias dele para ser feliz.

-Bella? –A voz de Edward me despertou da letargia.

-Ah! O que? –Olhei para os lados desorientada. Nós já estávamos em frente ao meu prédio.

-Chegamos. –Ele sorria, parecia se divertir com minha cara desnorteada.

-Ah, sim. Então já estou indo. Vemos-nos amanhã, se eu conseguir ter um tempo pra isso. Com toda essa correria de casamento imagino que ficará difícil. –Falei entre risos.

-Provavelmente. Alice vai monopolizá-la. Então é melhor nós aproveitarmos agora. –Edward puxou-me para o círculo de seus braços e beijou-me voraz. Era incrível a sensação de ser beijada por Edward. Eu me sentia alheia a tudo. Poderia acontecer um maremoto ou uma explosão e eu não perceberia. E eu não via a hora de ser inteiramente dele, de ser uma mulher completa e saber o que PE o prazer pelas suas mãos grandes, macias e frias. Quando ambos estávamos ofegantes, Edward me soltou.

-A mudança ficará sob minha responsabilidade. Amanhã venho buscar você e a deixarei com Alice.

-Antes eu gostaria de ir à empresa falar com minhas amigas.

-Tudo bem então. Boa noite meu amor. –Edward disse beijando-me na testa. Pensei em convidá-lo para subir comigo, mas nada disse. Sai do carro e só entrei no prédio quando o carro de Edward desapareceu na esquina. Deixei minhas duvidas de lado para ser apenas embalada pela felicidade e a certeza de que logo Edward e eu seriamos um só. Era só isso que importava.

Ao adormecer eu sonhei com Edward.

Edward pov’s

O tempo passa... Isso é uma droga!

Quando eu dei por mim já haviam passado mais de dois meses. Dois meses em que tive que aturar ter Isabella como namorada, dois meses do mais puro inferno! Bom, talvez eu esteja exagerando. A garota não enchia meu saco, Tânia enchia muito mais do que ela. Bella não fazia perguntas, cobranças, nada. Era algo estranho. Bella era quase a namorada perfeita, estava sempre sorrindo quando nos víamos, mesmo quando não fazíamos nada de extravagante. Ouso até afirmar que ela estava feliz com esse namoro bolacha de sal que tínhamos. Mas eu não estava. Eu era homem afinal e precisava de uma pegação maior, para não ter um termo mais adequado para usar. Tânia me satisfazia bem, felizmente. Só assim eu conseguia lidar com aquela farsa que era nosso namoro.

Bella, acatando o meu pedido, manteve tudo em segredo. Talvez suas duas amigas do trabalho soubessem, mas felizmente nosso romance não caiu em mais bocas. Eu não queria que Alice soubesse prematuramente que Bella era escolhida, eu ainda temia que todos os meus esforços fossem perdidos quando eu fosse apresentar Bella a ela. Alice poderia contar a verdade e Bella poderia terminar comigo, mas vendo como a garota me olhava, como se estivesse contemplando um Deus pagão, acho que talvez ela até aceitasse tal acordo desde que ficássemos juntos.

Foi inevitável conhecê-la melhor. Eu não falava sobre mim, nunca gostei de falar de minha vida pessoal, então Bella preenchia o silencio falando sobre sua vida. Fiquei surpreso ao ver que ela conhecia um pouco a dor de não possuir pais. Ela tinha uma vida sofrida, embora tentasse não transparecer a dor. Vivia solitária em seu micro-apartamento, não tinha muitos amigos e nunca namorou. Comigo ela teve o seu primeiro beijo e, se eu não estivesse tão decidido a mante-la virgem, teria sua primeira transa. Uma parte de mim sentia-se orgulhoso por eu ser o seu primeiro e desejava torná-la mulher (nunca havia tido o privilegio de tirar a virgindade de alguma garota), mas a outra, a relativamente racional, jurara que não iria tocá-la. Era difícil. Não que Bella me desse tesão, mas qualquer homem fica mexido quando está com uma mulher, mesmo que a mulher não seja tão bela como as que já teve. E Bella, bom, ela não era horripilante, apenas não se cuidava. Peguei-me por diversas vezes imaginando como ela seria se cuidasse de sua aparência, talvez fosse mais interessante que Tânia. Como era difícil Bella se produzir eu não passava muito tempo fantasiando.

Independente da proximidade que desenvolvera com Bella e se Bella era bonita por baixo daquelas roupas feias e fora de moda, eu tinha um plano traçado.

...

-Tânia, eu estou indo. –Disse a Tânia enquanto pegava meu celular em cima do criado mudo. Estávamos em meu apartamento e eu estava pronto para a tarefa mais difícil que meu ego poderia executar: pedir Bella em casamento. Estávamos juntos há exatos meses e eu havia prometido a ela que a apresentaria a Alice. Alice ficou radiante quando lhe contei que havia escolhido minha pretendente e que eu iria levá-la para conhecê-la, preparou um jantar naquela noite de domingo.

-Por que vai tão cedo? O jantar na casa de sua irmã não é apenas ao anoitecer? –Tânia perguntou levemente aborrecida.

-Quero pedir Bella em casamento antes do jantar. Além de apresentá-la a Alice comunicarei o casamento. Alice gosta de Bella, ela não vai querer estragar a felicidade de Bella dizendo que Bella é inadequada para mim.

-Em outras palavras você quer colocar sua irmã em uma sinuca de bico com a tal Bella? Você é perverso Edward. Deve ser por isso que adoro fazer sexo com você. –Falou divertida. Aproximei-me da cama e a puxei para beijá-la.

-Não me tente com seus comentários maliciosos gata. Posso acabar esquecendo Bella e transar com você o dia inteiro. –Falei em seu ouvido mordiscando sua orelha. Tânia arfou.

-Uma ótima idéia. Por que não faz isso agora?

-Por que eu não vou arruinar todo um esforço por algo que posso ter mais tarde. –A beijei no pescoço e me afastei. –Nos vemos amanhã. –Sai sabendo que precisaria ser um bom ator, ainda mais do que fui nesses meses.

...

No interior do meu carro decidi ligar para Bella comunicando que iria visitá-la, a aliança comprada há meses atrás estava no meu bolso. Eu sabia que Bella diria sim, minha preocupação era com Alice. Rapidamente alguém atendeu claro que devia ser Bella.

-Alô? –Perguntou ofegante. Minha mente maliciosa se perguntou o porquê de estar ofegante, mas esse tipo de coisa não colava com Bella. Vai ver estava ofegante por estar limpando a casa.

-Não acredito! Você não consegue ainda reconhecer o número de celular do seu próprio namorado? Amor, assim você me deixa triste. –Disse entre risos. Na verdade eu ria das especulações que minha mente estava fazendo por Bella ter atendido ao celular ofegante. Teria um Ricardão na historia? Eu duvidava!

-Oi amor! –Cumprimentou radiante. Nada abalava aquele bom humor dela. –Perdão eu atendi tão rapidamente que não chequei quem poderia ser.

-Bom dia amor. Não me diga que acordei você? –Perguntei, mas já deveria saber que Bella não era como as outras mulheres que acordavam tarde. Ela devia ter acordado cedo e agora trabalhava. Bom, se eu precisasse de uma empregada eu já saberia que ela preenchia os pré-requisitos.

-Não. Acordei cedo e estou limpando o apartamento. –Bella disse. Bingo! Eu sempre acerto o que ela faz.

-Amor, importa-se se eu aparecer agora? –Perguntei. Sabia que não precisava perguntar. Ela não iria se negar para mim.

-Não, claro que não, mas... Pensei que só nos veríamos ao anoitecer quando você viesse me buscar para o jantar com sua família. Por um acaso o jantar foi cancelado?

-Não Bella, não é isso. Tenho algo importante para conversar com você e... Bom... Acho que seria melhor falar antes do jantar. Posso ir até ai?

-Claro Edward. Eu vou me arrumar, espero por você aqui.

-Então até mais meu amor. Estou ansioso para vê-la. –E estava. Resolvendo esse problema eu teria minha herança. Quem se importava com o resto?

-Até mais. –Desligou. Dei atenção ao trânsito. Eu tinha que ser cauteloso quando entrava na área dos favelados onde Bella morava. Definitivamente após o casamento Bella iria morar comigo!

...

Eu já deveria imaginar que encontraria Bella nada sexy como em qualquer outro dia. Lá estava ela atendendo a porta para mim com uma camisa branca e jeans, os cabelos molhados e descalça. Se bem que... Aquele jeans ficava bem apertadinho mostrando como eram bem torneadas suas pernas e...

-Bom dia. –Disse dando um selinho antes de adentrar completamente o apartamento. Sentei-me no sofá.

-Desculpe, não consegui terminar de me arrumar, devo estar horrenda! –Bella reclamou caminhando para o corredor que me levaria a o seu quarto. Enquanto isso eu a analisava. Incrível que ela estava até bonita tão desarrumada. –Vou terminar de me arrumar e já volto. –Disse, mas ao chegar à entrada do corredor, próximo ao sofá, eu a puxei fazendo-a se sentar em meu colo.

-Não seja boba. Está linda como em qualquer outro dia. –Eu disse uma mentirinha para melhorar o seu amor-próprio. Eu a puxei e a beijei. Bella desconhecia o beijo, eu a ensinei a tal. Mas agora beijava muito bem. Com um professor como eu é claro que ela iria saber beijar em pouco tempo. Beijá-la era algo bom, mas não chegava a provocar excitação como os beijos de Tânia então eu classificaria seu beijo como tedioso. Eu me aproximei de seu pescoço inalando o perfuma que havia ali, graças a Deus a garota era sempre limpa.

-Está tão cheirosa. –Murmurei. Eu a senti reagir a isso, seu corpo a entregava sempre. Era inegável que eu despertava Bella para o sexo com atos simples e me sentia satisfeito por isso. Era o mínimo que podia fazer para dar credibilidade a nossa relação visto que não poderia aprofundar as caricias nela. Senti meu corpo também reagir e rapidamente afastei Bella de mim fazendo com que ela sentasse ao meu lado. Eu tinha que me policiar para não ir mais além.

-Termine de se arrumar, eu vou esperar aqui. –Disse. Bella me olhava de forma especulativa e eu sabia que ela se perguntava por que não havíamos avançado na relação, por que eu sempre parava quando as coisas esquentavam. Ela parecia querer, eu podia ver isso. Mas eu não daria o que ela queria.

-ok. –Disse e seguiu para o seu quarto.

Confesso que durante esses três meses de namoro houve momentos em que eu deixei o autocontrole se esvair e quase fui além com Bella, era difícil me policiar quando as coisas esquentavam, mas eu consegui me deter. Bella não falava nada, mas também não ficava satisfeita. Ela fazia um biquinho sempre que eu parava na hora “H”, um biquinho muito fofo, devo ressaltar. Mas eu não podia correr riscos, não se isso fosse implicar em engravidá-la. Claro que eu poderia conversar com Bella, dizer que não quero ser pai e aconselhá-la ao uso de métodos contraceptivos, mas havia algo em mim, o pouco de moralidade que sobrevivera a minha vida promíscua, que queria mante-la intocada. Se eu iria arruinar com a vida da moça, poderia pelo menos poupá-la de ter o arrependimento de ter se entregado a mim.

-Desculpe a demora. –A voz soou quebrando minha linha de pensamento. Bella estava arrumada, bonitinha até. Quando Bella sentou-se ao meu lado eu ergui minha mão e afaguei sua bochecha.

-Não demorou nada.

-Então você já tomou café? Eu posso preparar algo para você. –Fez menção de se levantar, mas eu a retive. Eu não poderia mais protelar aquilo. Coloquei uma máscara de seriedade. Era a hora da atuação impecável.

-Não, eu comi antes de vir para cá. Então eu quero conversar com você antes de irmos ao jantar que Alice está promovendo. –Me justifiquei pensando no que diria a ela.

-Ah sim, você disse que queria conversar. Então diga sobre o que é. –Perguntou. Segurei suas mãos entre as minhas. Isso não seria fácil.

“Vamos lá você consegue! Não é algo definitivo afinal. Após o casamento Bella vai querer se separar rapidamente de mim quando descobrir meu gênio.” –Pensei e quase sorri com isso, quase.

-Bella, eu sei que é cedo para tal coisa, mas visto que não tenho dúvidas sobre você eu não quero mais esperar. Desde que você entrou em minha vida eu não consigo me imaginar sem você ao meu lado e mesmo o pouco que eu já tenho já não é o suficiente. –Eu nem a olhava para testar sua reação as minhas palavras. Fixei meus olhos em nossas mãos.

-Edward eu... –Bella começou a falar, mas eu a impedi colocando meu dedo indicador em seus lábios.

-Deixe-me terminar, por favor! –Peguei a caixinha com a aliança no bolso de minha jaqueta.

-Bella... –Eu a chamei enquanto minhas mãos abriam a caixa. Bella apenas me olhava. –Bella, você aceitaria ser minha esposa? –Perguntei. Estranho dizer, mas, enquanto olhava sua face paralisada pelo espanto, fiquei tenso caso Bella me negasse. Ela poderia me negar, não poderia? Por mais impossível que isso parecesse, Bella poderia dizer não a minha proposta. Se ela fizesse uma sandice dessas, eu seria capaz, num acesso de fúria, mandá-la para o inferno. Bella ficou parada me olhando. Ela estava tão parada que estupidamente me perguntei se ainda estava viva. Talvez eu a tivesse matado do coração com a proposta. Se isso acontecesse seria o inferno, lá se vai três meses de bajulação para com ela! E então eu vi as lágrimas descendo de seus olhos. Bosta! Se tinha uma coisa que eu odiava era ver uma mulher chorando. Por isso sempre terminava com meus casos pelo telefone.

-Bella, o que foi? Por que está chorando? –Perguntei secando as lágrimas com a ponta de meus dedos. Bella pareceu enfim ter alguma reação.

-Eu... Eu só... –Ela gaguejava. Continuei a afagar seu rosto. Por que ela estava assim? Será que estava nervosa sem saber se deveria aceitar ou não?

-Escute você não precisa responder agora. Pode ter o tempo que quiser para pensar afinal de contas é um grande passo para nossas vidas e... –Bella se jogou em meus braços. Eu a abracei apertado sentindo o gosto da vitoria. Aquilo era claramente um “sim”. Após alguns minutos eu me afastei e coloquei a aliança em seu dedo, ergui sua mão beijando-a num gesto que certamente deixaria Bella nas nuvens. Eu me inclinei e a beijei. Tudo bem eu admito que Bella agora beijava bem, o gosto da sua boca era muito bom, melhor do que o de Tânia, mas isso não queria dizer nada. Eu experimentei aproveitar sem ligar para cuidados, de um jeito muito próximo ao que eu fazia com Tânia. E quando dei por mim eu estava sobre o corpo de Bella beijando-a avidamente. Toquei seu abdômen massageando-o. Mesmo coberta com vestes feias eu sabia, enquanto a tocava, que Bella tinha um corpo bonito. Perguntei-me como ela poderia ficar com um pouco de produção, mas não quis pensar muito no assunto.

Bella parecia querer algo mais, não era a primeira vez que seu corpo a denunciava. Apesar de virgem, ela não temia ser tocada mais profundamente por alguém, diria até que ansiava. Enquanto nós estávamos envolvidos naquela atmosfera de excitação eu me perguntei “por que não?”. Senti que Bella tentava abrir minha camisa e então eu encontrei a resposta prara minha pergunta.

“Por que eu não poderia tocar-la?”.

“Por que era o minino que poderia fazer por ela, já que iria usa-la.”.

Eu me afastei sentando no outro sofá. Bella me olhava chocada certamente.

-Desculpe. Não era minha intenção desrespeitá-la. –Disse.

-Não me desrespeitou. Edward eu... Eu não acho que... O que eu quero dizer é... Eu estou pronta. –Ela disse. Eu a fitei. Bosta recusar uma mulher que queria sexo não era uma das minhas qualidades! Se eu ficasse ali um pouco mais eu acabaria...

-Eu preciso ir. Venho buscá-la mais tarde.

-Edward, não precisa ir. Foi algo que eu disse? –Bella perguntou. Como sempre se culpando! Talvez fosse culpa dela mesmo. Eu sentei que estava perdendo cada vez mais o controle. Aquele ar de inocência que a envolvia mesclado com o desejo que estava estampado nos seus olhos era algo atordoador.

-Não é nada Bella é só que... Bom... Eu achei que seria bom se nós dois deixássemos isso para depois.

Que outros homens nunca ouvissem uma sugestão tão absurda dessas! Iriam achar que sou gay!

-Depois quando? –Ela perguntou impaciente. Que droga! As virgens não deveriam temer serem tocadas intimamente? Queria que Bella fosse daquelas que dissuadem um homem que queria possuí-la. Assim tudo seria mais fácil pra mim.

-Depois do casamento. O que acha?

-Edward, não precisa fazer isso por mim. –Bella murmurou.

-Não faço apenas por você, faço por mim também. Bella, entenda que durante esse tempo eu sempre me envolvi com mulheres... Mulheres impuras por assim dizer. Mulheres que se entregavam a mim apenas com o intuito de ganhar algo valioso em troca. Agora eu tenho você e quero que tudo seja perfeito, a moda antiga. Quero que seja minha após estarmos casados. É um capricho, eu sei, mas... –Esperava que Bella não visse a mentira estampada na minha cara. Que coisa mais idiota de se dizer! Até parece que eu era do tipo cumpridor de regras arcaicas como essas!

-Não, eu entendo. Se for assim que deseja, será assim. –Bella disse e notei que estava rubra. Sorri. Levantei-me do sofá sentando ao seu lado e a beijei.

-Eu realmente estou feliz que tenha aceitado. –Sussurrei em meu ouvido. Eu estava feliz, agora poderia pegar minha grana. –Eu preciso ir. Vejo você ao anoitecer.

Sai de lá rapidamente antes que fizesse besteira. Agora eu tinha uma nova fase a cumprir: fazer com que Alice aceitasse Bella e não contasse a verdade.

...

Fiz tudo para agradar Bella. Estava bem vestido, levei flores (um buque barato, admito. Não quero acostumá-la mal.), a elogiei (verdade seja dita ela estava bonita. Bella ficava muito bem de azul.). Bella estava muito calada enquanto eu dirigia. Procurei puxar assunto.

- Então, sentiu minha falta? –Perguntei. Uma pergunta nada original a meu ver.

-Claro. Mas ainda sim foi bom que você tenha ido embora de casa.

-Por quê? –Eu a olhei sem saber o que ela queria dizer com aquelas palavras.

-Eu meio que fiquei catatônica após sua saída. Foi difícil digerir o fato de que fui pedida em casamento.

Ah claro. Eu já imaginava que Bella ficaria em choque. Não é todo dia que o príncipe pede a gata borralheira em casamento antes de vê-la apresentável.

-Por que é tão difícil aceitar que a pedi em casamento? –Perguntei. Queria saber se ela desconfiava de algo logicamente.

-Edward eu não sou muito adequada pra você.

Era impressionante como Bella se depreciava! Era por isso que não gostava de pessoas como ela, pessoas que não se valorizavam! Ela deveria recitar a frase “sou gostosa, e daí?”, mesmo que ela fosse um bagulho. E Bella não era um bagulho, não muito pelo menos.

-Não quero ouvir tal idiotice. Pare de se diminuir. –Disse com aspereza. Bella ficou calada e eu também.

...

Estávamos em frente à casa de Alice.

-Pronta? –Perguntei tocando a campainha. Agora era a prova de fogo. Eu não poderia deixar Alice contar a verdade, mas como eu a impediria se ela quisesse falar? Será que conseguiria dopá-la com alguém anestésico antes que Jasper percebesse e quebrasse minha cara?

-Sim. –Murmurou. Beijei a aliança e a ela n tentativa de diminuir sua tensão. A porta foi aberta pela governanta.

-Boa noite, bem vindos. –Disse uma governanta. Alguns empregados atrás sorriam como imbecis para nós. Entramos e notei o olhar de Bella avaliando a casa. Acho que Bella nunca tinha entrado em lugares como a casa de Alice. E então avistei Alice com Jasper.

-Boa noite. Bem vindos! –Nos cumprimentou e então estacou. Ela viu Bella ao meu lado. Alice era muito perceptiva, logo perceberia que eu a estive observando para escolher a candidata perfeita. Seus lábios ficaram em uma linha rígida e sua testa se franziu. E então num passe de mágica ela mudou.

-Bella! Não acredito que é você! Que bom vê-la! –Abraçou Bella e, aproveitando que Bella estava de costas, mandou o dedo do meio para mim. Eu sorri.

-Oi Alice. –Bella disse abraçando-a.

-Bem vindos. Ficamos felizes que tenham vindo. –Jasper falou. –Muito prazer em conhecê-la Bella.

-Como sabe meu nome? –Perguntou Bella. Certamente Alice gostou tanto de Bella que falou dela até para Jasper.

-Alice fala muito de você, parece gostar verdadeiramente de você. –Disse Jasper.

-É claro que gosto! Bella salvou minha noite certa vez, sabia disso Edward? –Ela virou-se para mim com hostilidade. Como imaginei, Alice sabia da verdade, sabia que eu a espionei. –Certa noite eu sai com Jasper para um barzinho, mas meu sapato quebrou. Bella entregou seus próprios sapatos para que eu não perdesse minha noite.

-Ah, Bella me falou a respeito quando comentei que você queria conhecer minha misteriosa namorada. Disse que vocês se falavam. Que coincidência boa não acha Alice? –Zombei. Alice estava furiosa, eu sabia. Os outros pareciam confusos. E então vi Jasper congelar a expressão minimamente. Finalmente ele percebeu. Claro, Jasper esteve ao lado de Alice durante a leitura do testamento. Ele sabia que eu estava usando Bella.

-Então vamos ao jantar. Venha Bella. –Alice pegou a mão de Bella guiando-a para o seu lado. Sentei em frente à Bella e fiquei tenso. Alice se atreveria a contar a verdade diante de todos?

A medida que Alice conversava com Bella percebi que ela ficava mais tranqüila. Ainda estava tenso, mas procurei deixar para lá. Teria que me preparar quando fosse à hora de Alice julgá-la. Ela ainda poderia dizer “não”.

...

-Quer dizer que ele a pediu em casamento? –Alice perguntou a Bella pasma. Tosos nós já tínhamos jantado, estávamos na sala de visitas tomando um chá.

-Claro, Bella é a mulher da minha vida. Eu não quero perder tempo. –Eu estava sentado ao lado de Bella segurando sua mão. Alice nos olhou atentamente.

-E já marcaram a data Edward? –Jasper perguntou despreocupado.

-Não. Eu a pedi essa manhã. Bella... Quando quer se casar? –Que Bella quisesse apressar as coisas. Eu já estava cansado de ser um bom moço.

-Quando você quiser. –Murmurou. Era a resposta que eu queria! Acariciei seu rosto. Virei-me para Alice.

-Certamente você vai querer organizar o casamento, não é mesmo Alice?

-Sim. Quero cuidar de tudo como presente de casamento. –Ela disse com a voz sem nenhuma emoção. Sim, ela iria aceitar Bella. Se não fosse aceitar deveria ter dito “não”.

-Uma semana é o suficiente? –Perguntei. Senti Bella enrijecer ao meu lado.

-Sim. Eu o aconselho a dar uma semana de folga para Bella do trabalho. Vou monopolizá-la. –E vi a empolgação em seus olhos. Alice adorava isso, coisas que envolvessem seu talento em criar.

-Claro. Bella, essa data está boa para você? –Perguntei a Bella fingindo preocupação. Claro que estaria bom para ela, Bella era tão romântica e bobinha! Poderia apostar que tem como livro de cabeceira a estória de uma das princesas da Disney, via High School Musical e ouvia Taylor Smith.

-Você não tem idéia do quanto estou feliz. –Murmurou. Bingo! Eu sempre acertava as vontades dessa mulher.

-Então vamos começar agora. Edward eu vou tirar suas medidas. Vamos até o meu quarto. Em seguida tiro as suas cunhadinha. –Alice levantou beijando Bella na bochecha, logo após isso me puxou pela mão. Ela não precisava retirar minhas medidas, sabia de cor. Ela iria me colocar na parede e eu saberia sua resposta, se aceitaria Bella ou não.

Assim que passamos pela porta do quarto de Alice, ela virou-se com uma expressão carrancuda e soltou os cachorros.

-Então esteve me vigiando, não é?

-Claro. De que outra forma encontraria a mulher que fosse aceita por você?

-Edward, não ouse fazer nada com Bella. Ela não é como as vadias com que você se relaciona! –Ela sibilou.

-Tarde demais e... Não estou maltratando a garota! Ela deve ser a mulher mais afortunada da Terra agora! E você não vai estragar a felicidade dela, vai?

-Edward, se eu disser “não” para Bella, você vai largá-la?

-Sim e procurarei outra que a agrade. –Reprimi minha vontade de rir ao ver a expressão que Alice fazia.

-Não se preocupe eu não vou dizer não. –E vi no rosto de Alice um sorriso estranho. Ela estava tramando algo.

-Posso saber por que não vai negar Bella?

-Por que eu sei que ela conseguirá ensiná-lo.

-Me ensinar? O que Bella poderia me ensinar Alice? –Perguntei com incredulidade.

-Você verá. Agora chame Bella para vir aqui. Preciso tirar as medidas dela.

Eu não iria me preocupar com as palavras de Alice. Mas pensando bem ela tinha a estranha mania de rogar pragas que sempre funcionavam. Mas o que Bella poderia me ensinar? Como viver feliz na pobreza? Possivelmente.

Eu encontrei Bella na sala conversando com Jasper. Não me preocupei. Jasper não ia se meter em assuntos alheios.

-Bella, amor, Alice está chamando por você. –Eu disse enquanto descia as escadas. Bella levantou-se e veio em minha direção. Inclinei-me e a beijei antes de seguir para a sala. Jasper fitou-me intensamente, ele sabia exatamente o que estava acontecendo, mas não falou nada, o que agradeci. Eu sempre odiei ouvir sermões afinal.

...

Quando Bella saiu do quarto de Alice temi que Alice tivesse contado a verdade, mas ao ver Bella sorrir eu soube que Alice iria manter sua palavra. Enquanto seguíamos eu puxei assunto.

-Então você ficará ocupada com Alice. Já pensou em quem serão seus padrinhos?

-Sim. Jessica e Mike serão meus padrinhos. Eu não o conheço muito bem, mas não tenho muita opção. Eu não sou de muitos amigos e não tenho parentes. –Bella murmurou e não voltou seu olhar para mim. Não era a primeira vez que tínhamos conversas sobre nossa vida passada. Eu odiava tocar nesse assunto, não por mim, Bella não exigia detalhes da minha vida, mas pelo que ouvia de Bella. Ela era igual a mim, solitária, e isso me incomodava. Notei algo em seu rosto e estaquei.

-Bella, está chorando? Por que está chorando? –Perguntei alarmado colocando minha mão em eu rosto. Bella segurou minha mão em seu rosto.

-Estou bem eu só... Não é nada. –Ela sempre era evasiva, nunca dividia sua dor. Não que eu quisesse ouvir ladainha de mulher solitária, mas se ouvisse seria uma boa oportunidade de posar como um bom moço.

-Bella, não minta. Você deve ter um motivo. O que foi? Alice foi desagradável com você? –Perguntei claramente preocupado. Iria esganar aquela baixinha se tivesse dito algo.

-Não é isso. Sua família é maravilhosa. É que... O clima familiar me deixou um pouco sensível. Fazia tempo que eu não me sentia assim. Eu tinha me esquecido como é estar entre familiares e quando lembro dói. –Ela disse pouco à vontade. Bella não gostava de exteriorizar seus sentimentos e isso era por que ela não gostava de me incomodar. Bella fazia de tudo por mim, eu tinha que reconhecer. Ela era realmente a pessoa fantástica que Alice descrevera, por isso Alice temia que eu a magoasse, temia que isso acabasse com aquela pessoa boa que Bella era. Antes eu não estava nem ai, mas eu me via cada vez mais envolvido com Bella e o fato e sua historia parecer igual a minha em alguns aspectos só pioravam.

-Para onde nós estamos indo Edward? –Ela perguntou. Só então notei que estava indo para meu apartamento. Havia me esquecido que ela estava em meu quarto e que eu precisava levá-la para casa, mas, pensando bem, já estava na hora de Bella conhecer minha casa. Até por que ela moraria lá enquanto estivéssemos casados. Eu é que não iria morar naquele cortiço que ela vive!

-Meu apartamento. Namoramos há três meses e você ainda não conhece o lugar onde moro. –Disse e a vi sorrir, ansiosa. Era bom tirar aqueles traços de tristeza e melancolia dela.

...

-O que achou? –Perguntei ao acender as luzes com um comando de voz, Bella ficou desorientada com a tecnologia, certamente pensando que assombrações acionaram a luz. Perguntei-me como ela reagiria se visse minha coleção de carros, talvez babasse no processo.

-É lindo! –Disse.

-É aqui que vamos morar após o casamento. Você poderá alugar seu apartamento. Venha, vou mostrar a casa. –Pegou sua mão conduzindo-nos por todos os cômodos do apartamento.

Experimentei olhar para Bella enquanto mostrava a casa, ela sorria de forma sutil.

-O que foi? –Perguntei.

-Nada. Ainda falta me mostrar um cômodo eu suponho. –Disse e saquei a que cômodo ela se referia: meu quarto. E não é que essa coisinha sabia ser maliciosa? O mais excitante de tudo era que sua malicia ainda conservava um ar de inocência, algo exótico para mim. Idéias devassas toldaram minha mente.

-Sim. O meu quarto. –Eu a puxei para meu quarto acionando as luzes no processo. Bella olhava ao cômodo, maravilhada.

-Puxa, um quarto maravilhoso! Aliás, tudo aqui é maravilhoso.

-Foi Alice quem o decorou. Fico feliz que tenha gostado. Este será nosso novo lar daqui a uma semana. E pode começar a trazer seus pertences para cá e alugar seu apartamento. –Imaginei como minha casa ficaria com os pertences de Bella e tremi com isso. Será que ela iria colocar suas calcinhas para secar no Box do banheiro? Se eu visse uma cena dessas teria um AVC. Felizmente havia um cômodo vago em minha casa, aquele seria seu quarto.

-Nossa, está tão em cima! Edward, eu não sei se vamos conseguir ajeitar tudo em uma semana.

Ergui minha mão que estava entrelaçada a dela e afaguei seu rosto. A pele de Bella não possuía nenhum defeito, era macia, quente, perfumada... A excitação foi tomando conta de mim.

-Não se preocupe. Alice cuidará do casamento e eu cuidarei de sua mudança, trarei para cá apenas o essencial. O restante ficará para seu inquilino. Amanhã vá a empresa falar com seus amigos, anunciar quem será seu padrinho e madrinha, sua dama de honra e convidar quem você quiser.

-Tudo bem. –Bella disse. Eu a abracei sentindo os seus seios relativamente fartos comprimidos em meu peito. Sussurrei em seu ouvido:

-Perdoe a pressa. Sei que uma semana é um exagero, um tempo muito curto, mas...

-Tudo bem. Eu estou tão ansiosa quanto você para ficar ao seu lado, sempre.

-Que bom. –Disse e a beijei com empolgação enquanto a guiava para a cama. Não saberia explicar o que estava acontecendo comigo, definitivamente era a cabeça de baixo a pensar por mim. Eu não estava tão necessitado por sexo para apelar desse jeito, mas o modo como Bella agia, erótica sem nem se dar conta, estava me deixando louco. Ergui suas mãos enquanto a beijava prensando-a. Bella passou a acariciar minha nuca, puxando-me para ela, o que me fez aprofundar mais o beijo. Passei a beijá-la no pescoço e senti as mãos de Bella em minha camisa, desabotoando-a. Foi naquele momento que tive um ataque de consciência.

“Se eu a tomar agora, será muito mais difícil para ela seguir em frente quando terminar com nosso casamento.” –Pensei e tal pensamento foi como gelo nas minhas partes intimas. Eu acabei por me afastar.

-Me desculpe! Não deveria ter agido assim!

-Tudo bem Edward. Não precisa ficar assim. Não foi nada. Olha... –Bella tentou me tocar, me tranqüilizar, mas levantei da cama.

-Devo levá-la a sua casa. A partir de amanhã começam os preparativos. Você deve estar descansada. –Sorri. Logo nós estávamos compostos e seguindo para o apartamento de Bella. Eu não consegui puxar assunto no caminho. Quem me visse agora recusando mulher diria que eu era gay! Uma parte de mim pensava que talvez fosse melhor ter realmente um casamento de verdade com Bella, fazer uma vasectomia reversível para não engravidá-la e só me mostrar um monstro quando fosse pedir o divorcio. Outra queria apressar os fatos. Se eu não seria futuro para ela não seria melhor eu fazer de tudo para nos separarmos assim que casássemos? Perdido em pensamentos eu quase entrei na rua errada. Bella continuava calada, parecia tão aérea quanto eu.

-Bella? –Chamei.

-Ah! O que? –Olhou para todos os lados desorientada.

-Chegamos. –Reprimia a vontade de rir, Bella parecia ter atraso mental com aquela cara.

-Ah, sim. Então já estou indo. Vemo-nos amanhã, se eu conseguir ter um tempo pra isso. Com toda essa correria de casamento imagino que ficará difícil. –Falou sorrindo. Francamente o sorriso de Bella era lindo! Ou talvez eu estivesse vendo coisas por estar com sono.

-Provavelmente. Alice vai monopolizá-la. Então é melhor nós aproveitarmos agora. –Eu a puxei e a beijei com a mesma empolgação no quarto, mas soube reprimir o monstro cheio de testosterona e para antes que minhas mãos tocassem o lugar errado.

-A mudança ficará sob minha responsabilidade. Amanhã venho buscar você e a deixarei com Alice. –E precisaria mobiliar o quarto vago para ela. Estava fora de cogitação dividir uma cama com ela. Eu era meio sonâmbulo, poderia agarrá-la.

-Antes eu gostaria de ir à empresa falar com minhas amigas.

-Tudo bem então. Boa noite meu amor. –Eu a beijei na testa. Sai rapidamente. Minha cabeça estava um caos. O meu lado moral reclamava com o lado imoral, mas como o lado imoral era mais forte então eu dei de ombros. Pensar em relacionamento não era algo saudável.

Eu estava quente, precisando de uma mulher para saciar meus desejos despertados em meu momento intimo com Bella. Poderia ligar para Tânia, mas ela não daria conta do recado. Eu conhecia nas proximidades um prostíbulo classe A que costumava freqüentar antes de obter sexo de graça com Tânia. Foi para lá que eu fui. Eu não queria deixar minha mente vagar e pensar em Bella, não era algo muito saudável.

Precisei de apenas vinte e cinco minutos para chegar ao meu destino.

-Ora quem está aqui! Boa noite senhor Cullen! –Madame Sophia, uma descendente de prostitutas francesas, recebeu-me na porta.

-Olá madame Sophia.

-Fazia tempo que não vinha para cá. Vamos, entre! –Ela fez um gesto para que eu entrasse.

Quem visse o prostíbulo do lado de fora, toda a sua opulência, jamais saberia o que realmente ocorria no prédio. Um local onde apenas homens, e mulheres, bem abastados vinham se divertir com os prazeres da carne. Tinha de tudo: homens, mulheres e até animais, mas eu só usava serviços femininos, claro.

-E então o que deseja?

-Eu não sei madame Sophia, não sou mais um árduo freqüentador para saber das opções por aqui.

-Confia em meu gosto pessoal, senhor Cullen?

-Claro.

-Então eu irei guiá-lo a um quarto e escolherei minhas melhores meninas.

-Que seja.

Madame Sophia deixou-me em um quarto opulento, para os melhores clientes. Servi-me de seu uísque enquanto esperava que me trouxesse as garotas. Se Tânia soubesse o que estava fazendo ela me mataria, esse é o problema de ficar tempo demais com alguém. Ela se apossa de você. Retirei meu paletó, a camisa, os sapatos e o par de meias, o cinto, ficando apenas de calça. Sentei na cama ainda segurando o copo de uísque, bebericando da bebida e pensando que em uma semana eu pegaria o que me cabe na empresa. A porta se abre, desvio o olhar do copo e vejo 4 mulheres adentrando o cômodo. Uma loira daquelas espetaculares, usava lingerie vermelha e tinha um corpo parecido com o de Pâmela Anderson; uma ruiva usando lingerie verde que combinava com seus olhos, tinha pouco seio, mas muita bunda; uma morena alta, um pouco mais magra que as demais, mas linda; e uma asiática com uma carinha de menininha excitante. Minha excitação veio latente. Elas olharam para mim pasmas, não é todo dia que tem a oportunidade de ter um cliente gostoso e então seus rostos adquiriram compleições safadas.

-Então você é o menininho mal que precisa de um corretivo? –A loira falou passando a língua nos lábios. Deixei meu copo de lado e as olhei com lascívia.

-Ah sim, sou eu mesmo. Vou precisar ser castigado por todas vocês. –Eu as vi se aproximar, a morena fechando a porta.

-Então é melhor começarmos. –A asiática de voz anasalada falou.

Minha brincadeirinha se iniciou e os pensamentos acerca de Isabella Marie Swan foram ocultos pelos gemidos das prostitutas habilidosas.

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