KM - Capitulo 4


Capítulo 4.




Eu fui procurar alguma coisa para beber. Até as coelhinhas estavam me irritando. Já falei que elas estava com a bunda quase toda de fora? Por que o uniforme tinha que ser assim? Que eu saiba, coelho é peludo, então nada mais do que normal, uma roupa coberta de pêlos, certo?

- Oi!

Por favor, seja gato! Me virei e dei de cara com o carinha de óculos do sofá. Aparentemente, ele desgrudou do sofá para vir atrás de mim. Qual foi mesmo o pecado que eu cometi?

- Oi...

- Você disse que voltava já... mas acho que esqueceu, né?

Além de tudo, ainda era retardado.

- Isso. Esqueci.

- Não tem problema, eu guardei seu lugar lá.

OMG. Espero que ninguém me veja conversando com esse... ser. Não dava para ser nova na cidade e já ter a vida social abalada. Não que eu tivesse muita vida social. Talvez, se dependesse do meu irmão, minha vida seria em algum convento. Ele não era assim...

- Então, fica lá guardando meu lugar, que eu já vou, ok?
- Vai mesmo, né?
- Claro!
- Ok. Não demora!

Eu sorri querendo chorar.

- Não demoro!

Ele voltou para o sofá e eu corri até Tom.

- Quem é aquela pessoa?
- Michael?
- Que seja... de onde vocês o conhecem? Do hospício?
- Bem, não... ele é um groupie do Rob. Já nem ligamos mais...

Groupie? E que agora estava me dando tchauzinho lá do sofá? Se esconde, Kristen.

- O que que tem o Michael?
- Deixa eu ver... ele falou comigo!
- Jura? Tá aí... ele é um cara que eu faço gosto.
- Você tem amor à vida, Tom?

Eu dei um soco no braço dele e saí, deixando a tal da Francielle dando um beijo desentupidor de pia nele. OMG. Eu via os fluidos sendo trocados ali. Saí de perto, quando vi Tom apertando a bunda dela.

- Ei, estou aqui!
Eu me controlei para não matar esse cara. Ele continuava acenando para mim, insistentemente. Senti uma mão apertar de leve minha cintura.

- Michael, né? Se deu bem, Kiki!

Robert estava agora do meu lado, sorrindo sarcástico.

- Pois é, mas fiquei sabendo que ele só tem olhos para você...
- Não... ele só fica atrás de mim porque sabe que é onde tem mulher...

Cada frase que saía daquela boca era de matar. Me matar, na verdade. Ele parecia se esforçar para mostrar que era pegador, sei lá. Ou o problema era comigo?

- Bem, vou deixá-lo livre então.

Ele segurou minha mão, confuso.

- Como assim?
- Melhor não ficar por perto. É sempre bom te verem livre, sabe? Assim você consegue uma quantidade maior.
- Ok, tem alguém irritada por aqui?
- Não... esquece.

Puxei minha mão e saí de perto dele. Passou uma coelhinha rebolando e eu aproveitei para encher a cara.

Eu estava irritada. Não porque eu não estava tendo a atenção de Robert do jeito que eu queria, nem pelo fato dele estar ciscando para cima da vadia da Megan e já ter uma outra garota agarrada ao seu pescoço. Ok, era por tudo isso sim. Ah, e pelo fato também do groupie não desistir de acenar para mim. O cara era burro ou apenas insistente? Quando eu vi a tal da Karine aos beijos com o meu Rob, eu desisti e resolvi ir dormir. Eu realmente não queria mais ninguém dali.

Tudo bem, confesso que se tivesse a chance, daria uns beijos no Kellan, mas nada demais.

- Você nem foi lá...

Eu não acreditei quando vi o groupie na porta do meu quarto, me impedindo de fechá-la.

- Ah... eu estou com dor de cabeça. Acho melhor dormir, sabe?
- Poxa, mas eu fiquei guardando seu lugar!
- Olha, eu não acho que fosse preciso mesmo... não tem ninguém querendo sentar.

Ele me olhou decepcionado, com cara de... bunda. Bem, era a cara dele.

- Não era mais fácil ter me dado um fora?

Ele que era mongol e eu que ia fazer o papel de vilã? Ah não!

- Fora? Por que? Nossa, só porque eu estou passando mal, você já acha que eu te enrolei? Eu não sou assim, ok?

Agora ele parecia arrependido por ter falado aquilo. Hahaha.

- Foi mal... é só que você é muito gata e eu estou apaixonado!

Tirem esse cara de perto de mim, pelo amor de deus! De onde saiu essa criatura?

- Certo... bem... se me der licença, eu realmente quero me deitar.
- Posso ficar aqui contigo? Te faço cafuné.

OMG.

- Melhor não. Mesmo. Meu irmão pode não gostar.
- Seu irmão está ocupado demais para gostar de alguma coisa... ele está com aquela Francielle...
- Bem, mas se o Robert ver, ele vai avisá-lo.
- O Rob também está bem ocupado com a Karine...

Ok, eu juro por tudo que é mais sagrado que eu quase soquei aquela cara de bunda!

- Bem, não importa. Eu não vou deixar você entrar, não me leve a mal.

Eu cresci escutando minha mãe dizer para sempre ser educada, sabe? Então, eu não podia simplesmente dizer o que vinha à minha cabeça. Eu sorri para ele e fui fechando a porta, mas a praga não deixou, colocando o corpo no meio.

- Por favor... só um pouco... só quero conversar e te conhecer melhor...

Nesse exato momento, eu fui obrigada a ver o que eu não queria. Robert estava passando pelo corredor em direção ao seu quarto, abraçado com Karine. Ele parou quando viu o groupie ali.

- Me espere lá no quarto, Kah.

Eu quis voar na cabeça daquelazinha. Mas me segurei e apenas observei ela indo para o quarto do meu amado. Ele colocou uma mão no ombro do... qual o nome? Ah sei lá. Groupie.

- Michael, ainda está aqui?

Ah lembrei! Michael!

- Estou sim. Tudo bem Robzão?

OMG. Robzão? Robzão? Ele não fez isso...

- Michael... acho que a Kristen quer entrar no quarto.
- Eu sei! Eu também quero!

Robert riu, mas não foi um riso de "achei graça". Foi um riso de "vou te matar".

- Que tal você ir embora? Está ficando tarde, ok? Não é legal andar de ônibus essa hora...

Ônibus? Além de retardado, ainda por cima não tinha carro? Morra!

- Mas eu queria conv...

Rob puxou ele pelo ombro e foi andando pelo corredor.

- Boa noite, Michael.

Fiquei na porta esperando Robert voltar. Minha esperança era que ele esquecesse daquelazinha no quarto e entrasse no meu. Ele voltou com um sorriso no rosto.

- Kiki, vou te dar uma figa de presente... para não atrair essas coisas ruins.

Eu sorri apenas.

- Bem, ele não volta mais. Boa noite!
- Boa noite...

Ele ia saindo, mas voltou e apoiou o cotovelo na porta aberta.

- Está tudo bem?
- Sim.
- Tem certeza? Te achei um pouco estressada mais cedo...
- Você quem me estressou!

Ele franziu a testa, confuso.

- Eu? O que eu fiz?
- Nada, esquece... estou pensando alto demais.
- Você bebeu, Kris?

Ele torceu a cara em desaprovação.

- Um pouco, nada demais. Não estou bêbada, antes que alguém diga!
- Ok, não ia dizer nada. Relaxa. Boa noite.

Ele se aproximou e me deu um beijo no rosto, colocando uma mão na minha cintura. Na hora, me deu uma vontade enorme de virar a cara "sem querer" e deixar sua boca encontrar a minha, mas eu me controlei.

- Boa noite. Durma bem.

O desgraçado foi em direção ao quarto e falou alto e em bom tom.

- Não vou dormir.

Eu tive um péssimo sono. Sono? Onde? Eu só lembro de ficar rolando de um lado para o outro na cama. Enfim, algumas horas depois, a música tinha acabado e parecia não ter mais ninguém lá. Era um silêncio lindo! Levantei e fui na cozinha.
O apartamento era um caos. Tinha lixo para tudo que é lado. Espero que eles contratem alguém para limpar, porque Kristen aqui é que não seria. Abri a geladeira para olhar o que tinha bebível, que não tivesse álcool. Minha cabeça estava sendo martelada.

- Insônia?

Dei um pulo quando ouvi uma voz atras de mim.

- Rob! Quer me matar do coração?

Pelo visto sim, já que ele mais uma vez, estava só de cueca. Não disseram a ele que isso era pecado?

- Desculpe.

Ele sorriu e me abraçou, me balançando de um lado para o outro. O que era isso? Ei fiquei tensa.

- Está dormindo ainda Rob?
- Eu não, por quê?
- Nada...

Ele me soltou e foi até a geladeira. Eu tentei ignorar aquela bunda grudada na cueca boxer. Tentei. Em nenhum momento eu consegui.

- Insônia também?
- Algo parecido com isso...

Ele colocou uma garrafa d'água no balcão da cozinha e me olhou mexendo nos cabelos.

- Minha... enfim, a garota não foi embora.
- Hein?
- A garota... no meu quarto. Entende? Ela ainda está lá... dormindo.
- Não entendi. Ela não deveria estar lá?
- Não. Ela já deveria ter ido embora.
- Qual o problema?

Ele sorriu.

Não é qualquer uma que eu gosto que durma comigo...

Não era qualquer uma? Está ferrada Kristen. Ele só deve dividir a cama com quem tem pedigree.

- Ela ronca?
- Não.
- Qual o problema então?
- Questão de pele Kiki. Sou enjoado mesmo.
- Ah sim. Você transa, mas não pode passar a noite ao lado da pessoa... super coerente...

Ele riu enquanto bebia água, me olhando.

- Eu não lembro de ter dado essa intimidade toda à senhorita...
- Na verdade você nunca deu não.
- Hum, entendo. Achei que seus pais não fossem te deixar vir. Eu lembro que você era a bonequinha de porcelana no teu pai.
- Rob, isso era quando eu tinha 10 anos!
- Tem tempo que eu não te vejo ué. E você nem cresceu tanto nesses anos...
- Não foi o que você me disse quando eu cheguei.

Ele deu de ombros, sorrindo.

- Não leve tão a sério tudo que eu falo, Kiki.

Certo. Eu não levaria mais então.

- Bem, vou voltar para o quarto. Boa sorte com a sua companhia!
- Tem lugar para mim lá no seu?

Não leve a sério, Kristen. Brinquei também.

- Claro! Tem para todos!
- Ótimo.

Ele veio andando atrás de mim.

- Vai onde, Rob?
- Para seu quarto.
- Isso é sério?
- É. Não é?

OMG.

- Achei que fosse brincadeira sua...
- Não, dessa vez eu falei sério. Não quero voltar para o meu.
- Por que não a manda embora então?
- Também não quero deixá-la chateada, né?

Claro que não. Ela nem iria se chatear em acordar e não encontrá-lo lá. Homens... De onde eles tiram esses pensamentos?

- Bem... ok.

Eu estava surtando quando abri a porta e entramos no quarto. Se acalma Kristen. Olhei para a cama e ela nos olhou. Eu falei olhando para ele e depois desviei os olhos.

- Se importa em dormir na cama mesmo?
- Não.

Ele respondeu e já foi deitando de um lado, puxando o edredon para se cobrir. Eu nunca mais lavaria aquele edredon. Eu fui tremendo até a cama e deitei do outro lado, como se fosse um manequim de loja, toda dura.

- Nós já dormimos várias vezes juntos, lembra?
- Dormimos?

Dormimos? Mesmo? Nos meus sonhos?

- Sim, numa época que eu morei na sua casa por uns meses. Acho que você tinha uns 7 ou 8 anos.

Ele virou de lado para me olhar. O edredon só cobria do umbigo para baixo... então eu tinha um peito e uma barriga gostosos me olhando. Não morra Kristen.

- Então eu dormia naquele quarto que sempre ficava vazio. Mas você sempre vinha de madrugada e subia de mansinho na cama.

Eu estava vermelha? Devia estar. Descobri agora que eu era a maior piriguete da parada.

- Eu... não lembro... acho que aboli da mente esses micos.

Ele riu.

- Não era mico. Quando eu reclamava, você abria um sorrisão, aí não tinha como dizer não...
- Ou seja, eu já era chata desde pequena...
- Não era chata... só quando me babava.
- Eu te babava?

Se esconde Kristen!

- Às vezes sim... mas já passou. O que importa é você não roncar. O resto é resto.

Ele não queria que eu roncasse? Pronto, agora mesmo que eu não ia conseguir dormir. Como eu poderia controlar isso?

- Eu não sei se ronco, mas vou me observar, ok?

Ele sorriu torto. Maldade.

- Ok.

Ele ficou um tempo me olhando, sério, e voltou a sorrir.

- E os namorados, Kiki?
- No plural? Não existe nem no singular, quanto mais no plural!
- Ah, mas nem um rolo, nada disso?
- Não! Até porque, mesmo que eu tivesse, eu perderia... acho que nenhum namorado gostaria de ouvir os suspiros no cinema, vendo Twilight...

Ele coçou a cabeça e levantou uma sobrancelha.

- Suspiros? Vai dizer que você é tiete do Kellan? Ou do Cam?
- Eu? Ah deles não.

Ele sorriu mais torto ainda. Eu deveria pensar antes de falar.

- O que temos aqui? Fã de Edward Cullen?

Eu sorri sem-graça.

- Qual mortal não é? Voc...ele é perfeito.
- Eu não entendo essa paixão toda por um cara que se considera, e com toda razão, abominável. E que de perfeito não tem nada. Bem, pode até ser no livro, mas não é no filme. Pelo menos eu não sou.

- Edward Cullen é perfeito! E você o fez com perfeição!
- Bem, vocês me odiaram quando eu fui escalado...

Ah que se dane... eu não podia ficar quieta num momento de insanidade desses.

- Robert Pattinson, você é o cara mais perfeito de todos para viver Edward Cullen, ok?

Ok, acho que eu me exaltei um pouco.

- Vindo de você não conta, já que me conhece há anos... não acho que você falaria mal de mim.

Suspirei e deixei para lá. Ele não gostava de se achar perfeito? Só lamento.

- Boa noite, Rob.

- Boa noite, Kiki.

Virei de costas para ele e fingi dormir. Claro, eu não dormiria fácil. Senti ele me cobrir com o edredon. Eu teria sonhos impróprios essa noite. Se eu dormisse, né? Os minutos passaram e eu continuava em claro. Me virei devagar e o vi dormindo como um anjo. Até a respiração estava super calma. Eu não resisti e apoiei o cotovelo na cama para admirar o homem por quem eu era louca. Sim, eu era retardada, fiquei vendo-o dormir e não me dei conta de que já estava há algum tempo naquela posição.

- Kristen?

Quando eu pisquei, Robert estava de olhos abertos me olhando assustado.

- Está... me vendo dormir?

Pensa rápido, rápido, rápido!

- Não! Caiu um cisco no meu olho e não consigo tirar!

Dei umas vinte piscadas e me joguei de novo na cama, de costas para ele. OMG. Dorme logo, Robert.

Eu ouvi ainda ele rindo e depois ficando quieto. Resolvi tentar dormir dessa vez, nem que fosse preciso eu contar carneirinhos. Acordei com um pouco da claridade entrando pela janela e antes de abrir os olhos eu pude sentir minha perna tocando outra perna. Outra perna que não era a minha. Abri devagar os olhos. OMG. Morri e esqueceram de me enterrar. Eu estava com a cabeça deitada no peito de Rob e uma perna em cima da dele. Das duas uma... ou ele me acharia a oferecida total, ou ele me acharia a oferecida total. Ah certo, é só uma opção.

- Bom dia...

Eu estava tentando não me mexer, mas ele acordou do mesmo jeito.

- Bom... dia.

- Me agarrando, Kiki?

Considerei pular da janela, mas eu corria o risco de me quebrar toda e não morrer, do jeito que era azarada.

- Acordei aqui... desculpa.

Tratei de levantar rápido e desencostar dele antes que fosse denunciada por abuso sexual, apesar de que não me importaria em ser presa por isso. Bem, eu estava me levantando, mas ele me puxou de volta, me abraçando.

- Não fuja, Kiki! Eu gosto de ser agarrado!

Oi? Hein? Esse era de longe o melhor dos meus sonhos! Senti ele embolar as pernas na minha e rir.

- Realmente você não cresceu nada! É a metade de mim, e essas pernas? Finas demais, vamos engordar!
- Ok.

Eu levantei a cabeça para olhá-lo e quase entrei em combustão com aquela boca tão perto da minha. Minha cabeça era atraída naquela direção, mas eu não podia atacá-lo dessa forma. Abaixei de novo a cabeça e ri.

- O que foi?
- Nada... estava só pensando...
- Bem, melhor ir ver se a menina acordou.

Ele não sabia o nome dela? Até eu sabia! Robert foi me beijar a testa, provavelmente, mas eu levantei a cabeça na hora, sem saber de sua intenção e o beijo saiu entre o nariz e a boca, e então ele escorregou sem querer para meus lábios. Perdi o ar com o selinho.

- Eita! Já começo o dia bem!

Como ele conseguia levar isso na brincadeira? Eu estava quase morrendo ali!

- É...
- Bom, deixa eu ir... desculpe o beijo, ok? Foi mal calculado...

Ele beijou meu cabelo e levantou.

Eu sentia uma mistura de revolta com paixonite aguda, sabem como é? Quando a gente quer socar a pessoa e depois dar um chupão? Por que tudo para os homens é tão fácil? Ele nem pareceu confuso, ou envergonhado, nada disso. Apenas levantou numa boa e saiu do quarto, enquanto eu ficava ali deitada com cara de babaca. Depois que voltei a sentir minhas pernas, resolvi levantar.

- Bom dia.

Tinha uma menina falando comigo, mas não era a Karine.

- Bom... dia.
- Sou a Fran.

Ah sim, aquela que dormiu com meu irmão.

- Prazer.

Ela saiu rebolando só de calçinha e sutiã até a cozinha. Era normal andar com roupas íntimas por aquela casa?

- Kiki!

Tom me abraçou por trás e me deu um beijo na bochecha.

- Bom dia Tom.
- E aí, nem vi o que desenrolou entre você e o Michael...
- Não desenrolou nada!
- Poxa...
- Qual seu problema Tom? Tanto homem bonito que você conhece, e me joga justo para o mais estranho de todos?

Ele sorriu e apertou meu nariz.

- São esses que são fiéis!

Faça-me o favor. Preferia ser corna do que ficar com o groupie!

Eu tinha mesmo que resolver minha vida acadêmica na cidade. Então tomei um café e um banho rápido e saí de casa. A Arts Academy é uma escola grande e super difícil de entrar. Eu estava feliz por ter sido aceita, pois não via a hora de pisar no palco pela primeira vez. Quando entrei para fazer minha matrícula, confesso que de início fiquei um pouco assustada. Só tinha gente estranha ali. Tipo, estranho mesmo, com cara de louco e roupas de louco. Povo de teatro era assim mesmo ou o problema era com a minha escola? A matrícula foi rápida, e depois que peguei todos os horários das aulas, vim embora.

Estava entrando no prédio, quando fui interceptada.

- Pois não?

O porteiro estava me olhando, em pé na minha frente.

- Oi, boa tarde.
- Deseja ir aonde?

Mas como assim?

- Para casa.

Ele continuou me olhando.

- Eu moro aqui. Na cobertura... sou irmã do Tom Sturridge.
- Não a conheço, senhorita.
- Deve ser porque eu estou há poucos dias na cidade.
- Eu estava de férias.
- Então...

Tentei passar e ele me bloqueou. Eu estava me irritando.

- Como não a conheço, não posso deixá-la subir.
- Certo. Você pode fazer o favor de ligar para lá?

Ele foi até a mesa e ligou para o apartamento.

- Boa tarde, senhor Pattinson! Eu estou aqui embaixo com a senhorita...
- Kristen.
- Kristen. Ela diz que conhece vocês, entende?

Eu queria matar o cara. Ele torceu a cara para mim e depois sorriu.

- Pode subir.
- Jura?

Passei por ele com raiva e apertei querendo quebrar o botão do elevador.

- Uma vez é o suficiente!

Fingi não escutar a piada. Robert me esperava com a porta aberta, rindo.

- Então conheceu o Alfie...
- Quem?
- Nosso porteiro homossexual.

Estava tudo explicado.

- Pelo visto ele tem uma paixão secreta por um dos dois.
- Não é nada secreta.

Ele riu passando a mão nos cabelos e me dando espaço para eu passar pela porta.

- E aí, fez a matrícula?
- Sim. Tudo certo.
- Gostou do lugar?
- Gostei. Só tem gente louca, mas gostei.
- Bem... ator é tudo louco Kiki.

Eu concordei e fui para meu quarto, com ele atrás de mim.

- Você não vai acreditar em quem me ligou.
- Quem?
- Não quer chutar?
- Não, Rob. Eu provavelmente não iria acertar.

Ele tirou o celular do bolso e apertou algumas teclas. Depois virou o visor para eu olhar. A penúltima chamada recebida era de alguém chamado Michael. OMG.

- O... groupie?

Ele sorriu torto.

- Arrasando corações, Kiki.
- Arrasando droga nenhuma! O que ele queria contigo?
- Me implorar para deixá-lo sair com você.

Isso não estava acontecendo. Eu iria matar esse cara da próxima vez que ele aparecesse na minha frente.

- O que você falou, Robert?
- Nada. Desliguei na cara dele.

Ele foi andando para o quarto e perguntou antes de fechar a porta.

- Você vai sair com a gente hoje?
- Para onde?
- Uma festa aí...

Ele fechou a porta e eu fiquei parada no corredor. Festa? Mas teve uma ontem, não teve? Esse povo não fazia nada além disso?

Eu esperei Tom aparecer em casa para perguntar da tal festa. Porque se dependesse dele eu seria sempre a última a saber das coisas. Quando ouvi ele chegar em casa, fui falar com ele.

- Tom, que festa é essa de hoje?
- Festa?
- Foi o Rob que disse.
- Ah sim, é uma festa de um amigo dele... fechou uma boate aí.
- Hum. Que horas nós vamos sair de casa?

Ele estava sentado no sofá e se virou para me olhar.

- Nós? Quem disse que você vai?
- Por que eu não posso ir?
- Kristen, eu realmente não me sinto bem em ficar te arrastando para essas coisas...
- Que coisas Tom? Você fala como se rolasse drogas, sexo e rock'n roll em tudo que é lugar.
- Mas é o que rola mesmo. Tirando a parte do rock'n roll.

OMG. O Tom estava completamente chato.

- Bem, eu sou maior de idade e vou se eu quiser ir! Deixa de palhaçada.
- Me lembre de agradecer ao Rob mais tarde!

Quem agradeceria seria eu! Ou não, né? Eu era uma fracassada, já estava começando a admitir. Mas essa noite ele seria meu! Fato!




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