ALDE - Capitulo 8

Edward estava atordoado naquelas semanas com todas as provas e seminários, por vezes trancava-se no quarto e não saia nem ao menos para comer. Alice preocupada pediu para os pais irem visitar o irmão. Edward isolava-se no escuro com seus fantasmas interiores, papeis espalhados por todo o quarto. Só sua respiração era ouvida no ambiente,ele se encontrava sentado no chão duro por horas abraçados os próprios joelhos, estático.

Esme e Carlisle largaram tudo que faziam e foram visitar os filhos.

Alice andava de um lado para o outro, apreensiva.

Era uma sexta, Esme e Carlisle chegaram à noite. As expressões aflitas com a dor do filho.

- Como ele está?

- Mal. Da faculdade para casa, calado. Não dorme direito, não come e sente frio constantemente devido ao estresse.

- São muitas mudanças na vida dele. – Esme disse suspirando.

- Ele não está acostumado.No colégio tudo era relativamente mais fácil.Trouxe um calmante ,vão resolver a longo prazo.- Disse Carlisle abraçando a esposa tentando acalmá-la.Ele sempre foi o mais equilibrado em relação ao filho,ao contrario de Esme que se desesperava quando Edward tinha crises.

- Quem está aí? – Edward apareceu na sala e Esme correu para abraçá-lo mesmo sabendo que o surpreenderia.

- Eu não deveria ter permitido que você viesse para cá.

- Mãe eu estou bem. Só um pouco nervoso, mas estou bem.

Ele ensaiou um sorriso, mas não convenceu muito.

- Você não está bem Edward. Nem ao menos comeu direito esses dias. – Alice denunciou.

- Onde você aprendeu a mentir filho? – Brincou Carlisle.

- Com você e com Alice – Respondeu Edward.

- Fizemos algumas comprinhas. – Disse Esme.

- Algumas? – Perguntou Edward olhando para as sacolas que provavelmente a mãe obrigou o pai a carregar.

Esme tomou as sacolas das mãos de Carlisle e foi até a cozinha para guardar as compras,era típica mãe coruja,cuidadosa e apegada aos filhos especialmente a Edward por suas limitações.

- Vocês vão embora hoje? – Perguntou coçando o queixo preocupado,achava dispensável a presença do pai e da mãe ali.

- Mal chegamos já está nos expulsando! – Afirmou Carlisle.

- Não é isso pai.É só que não vejo necessidade de preocupação.

- Eu vejo claramente. – Retrucou Alice emburrada.

- Filho vamos lá embaixo,esqueci algo no carro. – Carlisle envolvendo o braço no pescoço do filho.

Edward continuou parado no mesmo lugar.

- Eu não quero sair pai.

- Não é bem uma saída.Vamos Edward.Prometo que valerá a pena.- Explicou Carlisle,Edward ponderou mas aceitou.

- Vamos. – Revirou os olhos.

Eles desceram às escadas em silêncio,Edward parou no portão do prédio observando o pai caminhar até o carro.

Sentiu a brisa fria da noite atingir seu corpo e respirou fundo deixando-se dominar pelo frio,olhou para a lua minguante no céu e sorriu timidamente.

- Filho?Edward? – Carlisle chamou-o com a mala do BMW M3 aberta.

- Trouxe um presentinho para você.

Edward não resistiu,saiu do prédio para olhar o que havia na mala do carro

Carlisle tirou uma caixa retangular da mala do carro,parecia bem pesado.

Edward ajudou o pai a carregar a caixa.Havia algo que muito lhe interessava dentro dela,algo atraente o suficiente para fazê-lo subir as escadas até o segundo andar às pressas.

- Não acredito! – Exclamou ao ver o conteúdo da caixa que se encontrava em cima da mesinha de centro da sala

- Um Telescópio Refletor Newtoniano!Ele tem distância focal de 900mm e espelho parabólico resultando numa imagem bem mais nítida e clara. Apesar de ser pesado é ideal, particularmente acho os refletores melhores que os refratores. – Edward explicou empolgado.Carlisle, Esme e Alice riram ao ver a animação de Edward, encantado com um garoto que jogava bola pela primeira vez na vida, seu sorriso era sincero,seus olhos brilhavam como se houvesse um ultimo fio de esperança ali.

- O que achou? – Carlisle perguntou se sentando ao lado do filho.

- Incrível, magnífico, esplêndido. – Edward disse contente.

- Fico feliz que tenha gostado. Esse presente tem uma simbologia. – Explicou forçando o olhar de Edward para ele.

- Não compreendi pai.

- Quer dizer que você deve lutar por aquilo que ama. Acreditar Edward, você tem que acreditar no que quer. Se quiser uma garota conquiste-a,se quiser um carro compre-o.Os meios definem os fins Edward.

- Os meios definem os fins. – Repetiu para si. O pai sempre o salvava com suas palavras.

- O que eu quero dizer é que se você quiser ser um grande astrônomo estude, busque, você pode ser muito inteligente, mas precisa se esforçar para atingir suas metas.

Edward sabia muito bem do que o pai falava. Sabia o que poderia acontecer se afundasse na ansiedade, ele perderia as oportunidades de se mostrar um bom aluno, de concluir seu curso. No colegial aconteceram as mesmas crises, por isso precisou de orientação psicológica. Não queria atingir o mesmo estágio. Havia algo nele que não queria simplesmente morrer, uma força mobilizadora , algo pelo qual queria lutar.

Por isso se esforçou para dormir aquela noite, não antes de montar o novo telescópio, que disputava lugar com o antigo. Pelo mesmo motivo acordou mais disposto aquela manhã, comeu direito sendo observado com orgulho pela irmã.

Esme insistiu em ligar três vezes naquela manhã deixando-o irritado enquanto se concentrava para atualizar-se nos estudos.

Abriu o email para ver se havia alguma novidade, havia alguns de Mike, mas teve um que chamou sua atenção:o de Isabella.

Esfregou os olhos com força sem acreditar no que via.

Fixou os olhos no endereço de email. Como ela havia conseguido?

Clicou no endereço e logo apareceu a mensagem.

De:bellaswan@cornell.com

Para: Edward Cullen

Sei que você odeia telefones por isso não liguei. Estou preocupada com você, Alice me contou algumas coisas e... Só queria te ver pessoalmente se for possível.

Perguntou-se o porquê de Bella se importar tanto com ele. Como ela soube que ele estava mal?

Alice, só podia ser Alice.

Balançou a cabeça negativamente pensando na irmã nada discreta.

- Alice! – Gritou.

Alice apareceu prontamente em alguns segundos. Edward questionou-a com a expressão inquisitória sem nem ao menos notar.

- Eu não ia dizer nada, mas ela me obrigou. Você sabe o quanto ela pode ser...

- Assustadora? – Edward completou, Alice assentiu lutando para não rir.

- Até onde ela sabe? – perguntou coçando a barba por fazer.

- Muito pouco. Só que você é um gênio paranóico. Ela não sabe o que você tem especificamente.

- Interessante, e nem pode saber entendeu?

- Sim senhor. – Alice bateu continência e sorriu para o irmão.

Edward escondia o que tinha por medo da reação de Bella, ou melhor, se protegia de uma possível reação dela, podia-se chamar de paranóia. Contaria algum dia quem sabe, mas por enquanto seria apenas um cara a mais na faculdade. Não queria transtornar-se com esse problema, nem que sentissem pena dele por isso preferia se manter reservado,recluso.

- Ela também me contou do tal convite que lhe fez.

Revirou os olhos e coçou a nuca esperando o indesejável sermão da irmã.

- Você está louco?O pior que uma garota pode ouvir é um talvez. Fica remoendo a dúvida!Imagine-se no lugar dela?A Bella pode ser meio louca, mas ela gosta de você!

Piscou os olhos algumas vezes diante da explosão da irmã.

- Desculpe Alice, eu passei dezessete anos da minha vida sem um relacionamento. – Respondeu irritado.

- Desculpe, ás vezes perco a paciência – Disse Alice ajoelhando de frente para ele. – Mas é que você e a Bella são tão lerdinhos, alguém precisa dar um empurrão.

Edward franziu o cenho se perguntando o que a irmã quis dizer.

Alice leu a expressão de desentendido do irmão e logo compreendeu. Para ela, que era parente, era fácil ler Edward.

- Quero dizer, vocês nem ao menos são amigos.

- É melhor para ela e melhor para mim assim. – Respondeu sem olhar para Alice. Doía mas ele achava melhor assim.

- Deixe de ser egoísta, é cômodo para você assim. – Alice retrucou impaciente. – Ela quer se aproximar, mas você não deixa. Mas eu posso te ajudar!

- Ajuda em quê?

- Á conquistar a Bella. – Alice respondeu animada. Edward pôde sentir algo maligno emanando da mente da irmã.

Arrepiou-se com a idéia mirabolante de conquistar Bella, sendo que ele mal sabia o que sentia.

- Quem te disser que ... – Tentou se defender.

- Você gosta dela?As mulheres têm um sexto sentido para isso.

Edward abriu a boca para protestar mas já era tarde, Alice desandou a falar.

- Você tem que ser atencioso mas não tanto,olhe para ela sempre que puder demonstre interesse pelos assuntos,pergunte algo sobre a vida dela.Elogia mas não tanto.

- Alice eu não preciso de conselhos. Nem ao menos sei como segui-los. – Respondeu coçando a nuca nervoso eram muitas informações para ele acompanhar.

Edward estava confuso com tantas informações, gostava de Bella, mas não sabia como agir e todos os conselhos de Alice pareciam impossíveis de se seguir.

- Vou responder o email dela.

- Isso! – Empolgou-se Alice que se postou atrás do irmão para observá-lo, mas Edward imediatamente a expulsou alegando invasão de privacidade.

- Voltarei com um bom plano.

Bufou irritado e rosnou. Concentrou-se na resposta que daria a Bella.

“Isabella não se preocupe estou bem. Desconsidere as informações de Alice.

Aquele convite para almoçar poderia ser reconsiderado?

Desculpe se a ofendi por ponderar o convite.

“Edward.”

Demorou um pouco para clicar em “enviar”, os dedos trêmulos encarando a mensagem na tela, mas por fim clicou. Deu de ombros e saiu sem nem ao menos ler os emails de Mike.

Bella praticamente pulou ao ver a mensagem de Edward de seu Blackberry, coincidentemente navegava na Internet respondendo o email de sua mãe, e quando leu a mensagem gritou como se comemorasse um gol do Manchester United.

Estava numa festa na piscina com os amigos e os irmãos, não perdia uma festa apesar de ultimamente não ligar para elas.

- Bella?Tudo bem? – Jake perguntou.

- É ele!Ele respondeu!

- Edward Cullen? – Perguntou Jacob curioso.

- O astroboy? – Emmet brincou. Bella revirou os olhos.

- Poupe-me Emmet.

- Se um email do garoto deixou te deixou assim, coitado dele no encontro. - Brincou Jasper. Bella levantou da cadeira e correu atrás do irmão arrancando risos de Rosalie, Emmet e Jacob.

Quando acabou voltou-se para sua turma.

-

Bella não se anime tanto. – Rosalie aconselhou.

- Mas ele merece – Respondeu Bella suspirando. – Quer saber?Cansei de festa.Vou embora.

- Manda beijo para o astroboy.

- É, manda um abraço para o Spock. – jasper brincou.

- Spock? – Questionou Bella.

- Spock, Star Trek. Pilota a US Enterprise com o John Kirk,ele é a descrição do Edward.

Bella fez uma expressão de desentendida.

- Spock, cara!Olha, se você está a fim do astroboy recomendo assistir alguns filmes tipo Star Wars, Star Trek, contatos imediatos de terceiro grau,Apolo 13...e aquela série “Battlestar Galactica”.

- Obrigada pela dica maninho. Você devia se aproveitar da situação e se acertar com a Alice.

- Eu não quero a baixinha ... – Jasper resmungou.

- Ah, quer! – lançou um olhar convencido para o irmão e os deixou lá conversando.

Precisava ver se ele estava bem com os próprios olhos. Alice não foi muito especifica quando a explicou o que ele sentia.

- Meu irmão não está acostumado com a agitação da faculdade. Ele é muito sensível.

Apenas isso. Sentiu algo a mais no olhar de Alice, Edward escondia algo, além de sua compreensão.

Não que desconfiasse da amiga, era um pressentimento estúpido. Edward não era comum,ela sabia.

Dirigiu até o prédio e ao chegar olhou para o 201 e em seguida para o 202, resistindo à tentação de apertar a campainha e procurar por Edward. Tinha medo que ele desistisse do almoço afinal, ele tinha motivos para isso. Decidiu por esperar, pegou a chave de casa na bolsa e quando ia abrir a porta, a do 201 magicamente se abriu, como se soubesse que da sua dúvida.

- Alice!Oi! – Cumprimentou a amiga constrangida.

- Oi Bella! – Alice disse animada.

- Como você sabia que eu havia chegado?

- O som do seu carro, querida. Você ouve música muito alta, Edward já reclamou várias vezes. Ele odeia som alto – Alice piscou para Bella. Ela não entendeu. – Quer entrar?

Bella olhou para Alice atônita.

- Ele...

- Ele está bem, muito bem. O papai e a mamãe vieram aqui ontem dá uma coça nele. – Alice disse rindo. – ah, sem falar que ganhou um telescópio newtoniano que não pára de venerar.

- Telescópio newtoniano?

- Ele pode te explicar, entra.

- Eu vou perguntar o quê? Posso ver seu telescópio? – Perguntou apreensiva.

- Sim parece uma boa idéia. – Alice riu.

Bella passou a mão nos cabelos castanhos e respirou fundo. Decidiu por entrar. Alice indicou o quarto de Edward no corredor e ela foi até lá, a porta estava entreaberta, Edward mexia concentrado no computador enquanto ouvia música, surpreendeu-se com o estilo musical que ele ouvia.

- Metal?

- Não é um simples metal, a música tem uma filosofia uma história, se você for perceptivelmente sensível verá que traduz todo o sentimento que...

Ele se virou e viu que não falava com Alice e sim com Bella. Arregalou os olhos enquanto olhava para a garota parada em sua porta trajando um minúsculo short preto e uma camiseta branca demarcando cada curva de seu corpo.

- Desculpe, geralmente não faço discursos para estranhos. – Disse constrangido voltando-se ao trabalho que fazia.

- Edward!Que absurdo!Não sou estranha!

- Desculpe, não foi minha intenção ofende-la.

- Você não me ofendeu. Foi uma brincadeira.

Ele sorriu timidamente e voltou-se para a tela do computador.

- É bonita.

- O quê ? – A palavra bonita remetia-lhe a ela.

- A música!

- Claro,claro.

Bella pigarreou nervosa, não queria assustar Edward muito menos atrapalhá-lo.

- Posso entrar?

- Sinta-se a vontade. – Edward respondeu sem olhar para ela.

Bella olhou em volta do quarto, estava diferente, meio bagunçado. Olhou para o garoto sentando na escrivaninha e sorriu, bagunça era típico de Edward. Foi até a estante para olhar os CDs, livros e objetos pessoais dele. O estilo musical ia de Angra até Vivaldi, uma coleção das melhores óperas, a coleção inteira do The dark side of the moon do Pink Floyd e alguns CDs dos Beatles chamaram a atenção de Bella, aliviou-se por serem compatíveis pelo menos no gosto musical. Os livros também eram variados, havia ficção e até mesmo o Livro vermelho de Mao Tse tung, seu olhar parou no “O guia do mochileiro das galáxias” ele tinha a coleção inteira.

- O guia do mochileiro... Eu amo esse livro, é muito engraçado. – Virou para falar com ele e reparou que Edward a admirava em pé encostado na parede da janela. Ele arregalou os olhos e virou-se de costas assim que Bella virou para trás.

Ela não pôde deixar de rir da situação.

- Do que você ri?

- De nós. Da nossa situação.

- E qual é a nossa situação?

- Eu tento me aproximar e você foge.

- É uma perspectiva interessante, mas creio que não valha à pena discutir sobre ela.

Bella ergueu uma sobrancelha sem entender a esquiva constante de Edward chegava a ser perturbador.

- Eu mandei um email para você coincidentemente.

- É mesmo? – Se de desentendida se aproximando dele aos poucos. – O que dizia?

Edward coçou a nuca, para ele email foi o melhor meio de comunicação que inventaram. Rápido e impessoal, não exigia uma relação tão proximal o qual tanto temia.

- Dizia que eu estou bem, para você esquecer o que Alice disse sobre mim e...

Bella se divertia ao ouvi-lo. O jeito como ele ficava embaraçado era impagável.

- Prossiga.

- Dizia que ... Não me obrigue a repetir em voz alta.- Respondeu virando-se para ela mas sem olhá-la, as sobrancelhas franzidas e o constrangimento era evidente.

Bella perguntou-se se estaria sendo má depois daquele apelo mas só achou mais graça.Não era todos os dias que via um garoto si constranger tão facilmente diante dela,Edward era único e impar de várias formas.

- Não tenha medo de dizer o que sente Edward.Afinal, somos amigos...não somos?

Agora sim Edward ficou tenso,as pernas bambearam e as sobrancelhas se ergueram.

Pigarreou várias vezes pensando no que Bella havia dito,e agradeceu por ela estar seguramente distante dele.

- Somos?

- Somos ,pelo menos eu me sinto sua amiga.

- Então somos amigos – ele respondeu como se não houvesse mais escolha. – O que devemos fazer se somos amigos? – pronunciou a palavra amigo com certo receio.Aquilo era novo para ele,ter uma amiga e ainda por cima sendo Bella.Suas amizades femininas não deram muito certo por isso tinha medo dessa amizade,preferia se manter longe de Isabella evitando problemas.

- Não sei se é adequado sermos amigos Isabella, na verdade acho que você deveria se distanciar.

Bella ergueu o olhar para ele boquiaberta, sem reação. Sempre que dava um passo à frente com Edward ele dava um passo para trás, se sentia em um monólogo,apenas ela doava-se na relação.

- Por quê?Olha Edward se você pensa que sou de ferro ou coisa do tipo errou. Não vou ficar correndo atrás de você. Eu sou a única que cede aqui?Afinal, você me quer por perto ou não?

Era agora ou nunca. Bella torceu para ele responder sim, não estava preparada para um não, se afastar definitivamente de Edward seria muito difícil.

Edward estava nervoso, ou melhor, inquieto. Coçou a nuca, fungou várias vezes, suas pernas balançavam sem parar. Ele só queria se livrar de toda a responsabilidade que essa resposta trazia e aquietar seu espírito de vez.

- Quero! – Respondeu quase gritando.

- Ótimo. – Murmurou aliviada, respirou fundo. – Você me confunde garoto. – Brincou.

- Desculpe.

- Estou brincando.

- Hum, tenho uma dúvida. Já que somos amigos há algo que eu deveria saber?

Bella riu, Edward permanecia sempre na defensiva, como se estivesse em guerra constante consigo mesmo e com o mundo.

- Eu sou de Peixes. – Brincou.

- O quê? – Perguntou confuso.

- Signo de peixes.

- Ah!

Um silêncio se seguiu. Bella pensava em como se aproximar dele de uma forma saudável e benéfica. Enquanto Edward apenas olhava para o céu.

- Sabia que ficar de costas para alguém é falta de educação?

- Sim. Desculpe. – Virou de frente para ela. Bella observou o traje dele, camisa cinza escura, calça de moletom cinza e meias brancas, os cabelos bagunçados e a barba cerrada destacando sua beleza.

Edward reparou nas coxas da garota, repreendeu-se por olhar tanto. Quando estava diante de Bella se perdia facilmente. Ela o perturbava de um modo incomum.

- Almoçar. – Ele disse do nada.

- o quê?

- O convite para almoçar. – Respondeu pigarreando.

- Você está me convidando?

- Não, estou... – Lutou consigo mesmo para dizer o que pretendia, respirou fundo buscando coragem. – Aceitando seu convite.

Bella sorriu por dentro vitoriosa. Agora era só escolher o lugar perfeito para dar mais um passo na sua amizade com Edward.

- Que bom. Que tal na quarta depois da aula?

- Seria ótimo. – Sorriu timidamente, o pior já havia passado, ele sentia-se aliviado.

- Eu adoro tocar violão no terraço. – Soltou. – Lá tem um ótimo visual do céu, é tudo tão aberto.

- Por que você está dizendo isso?

- Porque talvez eu apareça lá hoje à noite.

- Ah. – Foi aí que Edward entendeu. Ele prometeu ouvi-la tocar e parecia-lhe uma ótima oportunidade, além do mais poderia levar seu telescópio e admirar o céu amplamente. Não sabia se era uma boa idéia ficar a sós com ela, mas ele queria muito ouvi-la, vencido pela curiosidade decidiu ir.

- Eu vou para casa.Tchau Edward. – Bella se aproximou dele com cautela,se inclinou e depositou um beijo em sua bochecha.Edward estremeceu,um arrepio perpassou por sua espinha.

Fechou os olhos e pôs a mão no lugar como se toda lembrança do beijo voltasse.Não era uma sensação perturbadora e sim viva,pulsante.

- Talvez eu apareça lá!Maldita terceira lei de Newton!*

*A toda ação corresponde uma reação, com a mesma intensidade, mesma direção e sentidos contrários.

Edward comeu inquieto naquela noite,demorou para comer a comida no prato,as pernas balançavam de um lado para o outro.

- Alguma interferência? – Perguntou Alice notando o nervosismo do irmão.

- Não.Estou ótimo. – Disse ele pensativo.

- Não está!O que a Bella fez?

- Ela existe,já é o suficiente. – Respondeu se levantando. – Eu não agüento mais tentar ficar longe dela.Não sei o que sinto,se é mensurável,quantificável...simplesmente não sei.É isso que me irrita.

Alice olhou para Edward, chocada. Ela não tinha dúvidas de que ele estava apaixonado mas como explicar?A idéia que Edward tinha de paixão era totalmente distorcida.Seu comportamento era mecânico,padronizado.Esses sentimentos eram novos para ele.

Alice desejou que os pais estivessem presentes mas como não estavam tratou de explicar ao irmão.

- Não fique longe dela,se aproxime.E não tente medir o que sente,é impossível.

Edward franziu o cenho e olhou boquiaberto para a irmã.

- Me explique por favor. – Pediu se sentando.

- Bella é uma garota bonita, ela chama a atenção é normal você estar assim. – Alice tentou medir as apalavras. – Suas reações biológicas são comuns e só irá piorar querido.

- Se eu continuar perto dela?

- Vai piorar se você fugir do que sente. Atração não se explica Edward, se sente.Se você se acostumar com ela pode até melhorar.

- Então eu tenho que ficar perto dela. É uma boa teoria. – Refletiu coçando a barba. – Você quer dizer que estou reagindo naturalmente em relação ao sexo oposto e que eu deveria explorar essa sensação.

Alice sorriu enquanto Edward coçava a barba intensamente. Ele levantou subitamente e foi até o quarto. Vestiu o casaco cinza por cima da camisa azul escura puída e pegou uma maleta prateada encima do armário.

Desmontou o telescópio velho e colocou ali dentro, cada peça em seu devido lugar. Ele entendia aquilo como um teste e esperava que Bella estivesse lá.

- Aonde você vai com essa maleta?

- Explorar sensações.

- Quê?

Tarde demais ele já havia saído.

Edward subiu as escadas, irritado pelo prédio ter seis andares e ser antigo o suficiente para não ter escadas.

Ouviu alguns acordes de uma canção conhecida e sorriu.

- Isabella. – Suspirou e logo se arrependeu do ato.

Mais um degrau e a canção se acentuavam. Era uma música conhecida, mas a voz era aveludada e rouca ao mesmo tempo. Era uma novidade que o deixou completamente extasiado.

Realize – Colbie Caillat.

- Então ele a viu e sorriu para a imagem que seus olhos captavam com tanta atenção, Bella tocando. Mesmo que a vista fosse maravilhosa, mesmo que o céu tivesse o chamando para contemplá-lo ele só a via.

Bella deslizava os dedos com destreza nas cordas e em suas devidas casas, os cabelos castanhos voavam ao vento, os olhos fechados e a boca movimentavam-se suave e lentamente. A melodia adentrava em seus ouvidos, ela a conhecia. Alice não cansava de ouvir essa música no carro quando ia para a faculdade e apesar de achá-la enjoativa na voz de Bella a canção ganhava significado, emoção.

Olhou para o céu estrelado dividindo a atenção entre ele e Bella.

- Meu Deus!Há quanto tempo você está aí?

- O suficiente para reconhecer a beleza da sua voz. – Disse sem pensar. Bella sorriu intensamente para ele. – Eu disse isso em voz alta não foi?

- Disse. – Bella riu do constrangimento evidente de Edward.

- Desculpe. – Pediu corado.

- Tá brincando?É o primeiro elogio que recebo de você em séculos! – Empolgou-se, não conteve a felicidade por tê-lo ali tão perto.

- Isso é bom ou ruim? – Perguntou confuso evitando o olhar analítico de Bella.

- Bom, ótimo, maravilhoso. Seria perfeito se você não estivesse tão longe de mim.

Edward coçou a nuca, nervoso.

Bella arrepende-se do que disse. Às vezes esquecia que deveria ir devagar com Edward.

- Senta! – Bella convidou-o erguendo o tapete no chão ele sentar.

Edward pensou um ouço, mas aceitou. Sentou-se de frente para ela meio desconfortável em ter que olhá-la.

- E então,o que tem nessa mala?

- Bomba de hidrogênio. – Brincou ele.

- Sério? – Entrou na brincadeira.

- Não. – Disse ele sério.

- Edward! Você não sabe brincar!

- Desculpe.

- Não tem problema. Só para de se desculpar e relaxe.

- Está bem... – Disse fechando a mão em punho, nervoso.

- Você está bem? – Bella perguntou preocupada.

- Por que todos perguntam isso? – Questionou irritado.

- Desculpe – Disse mordendo o lábio inferior. – Às vezes parece que você está com dor. – Bella suspendeu a mão e deslizou-a pelo tapete até o punho cerrado de Edward. Passou os dedos de leve nele.

Edward olhou-a por segundos e depois relaxou a mão. Ela queria passar confiança e ele entendeu perfeitamente, deixando seu corpo reagir aos dedos frios de Bella. Lutou consigo mesmo para manter-se firme ali, ele precisa sentir aquele contato e ela o fazia sentir intensamente.

- Estamos progredindo. – ele murmurou contente.

- Sim. – Suspirou confortável com o toque. – É como energia magnética, é bom.

Bella sorriu para ele que prestava atenção na anatomia de sua mão.

- Suas mãos são pequenas.

Ela riu se sentindo como um bebê começando a andar, virou a mão dele deixando suas palmas se tocarem.

Edward respirou fundo e sorriu timidamente enquanto Bella deslizava os dedos levemente por sua palma, deixando o frio perpassar sua espinha.

- Hum...isso é bom.- Cada um aproveitava o momento á sua maneira,Bella queria tocar nele estar com ele e Edward apreciava o toque macio da pele dela em contato com a sua.

- Me diga Edward o que você quer que eu toque pra você?

- Hã?

- Tocar.Contanto que não seja Bach,Pink Floyd ou Vivaldi tudo vale.

Ele continuou admirando o caminho que os dedos de Bella traçavam em suas mãos.

- Edward? – Bella o chamou e percebeu que ele estava envolvido demais com seu toque. – Acho melhor eu parar senão a Alice vai me acusar de fazer lavagem cerebral no irmão dela. – Disse parando contra a vontade.

- O quê?

- Nada,esquece – Edward se recompôs e coçou a nuca.

- Sabia que a face da Lua que não podemos ver chama-se face oculta, que só pode ser fotograda pelos astronautas ou naves em órbita da Lua.

- Legal. – sorriu para ele que mantinha a cabeça baixa como sempre , era dificil para ele estar ali e o olhar de Bella só piorava a situação.

- Você não quer escolher então tocarei qualquer uma.

Everywhere – Michelle Branch

Edward pendeu a cabeça para o lado ouvindo Bella tocar.A música em segundos passou a ser sua favorita na voz dela.

Admirou encantado a garota tocar de modo dedicado e encantador.

Cada nota era para ele.Cada verso era para ele.

Escolheu a música de propósito,quem sabe assim ele se conscientizava de que havia algo à mais entre eles.Que crescia a cada dia ou pelo menos assim que deveria ser.

Bella olhou para Edward de olhos fechados sentiu uma imansa vontade de beija-lo mas sabia que roubar um beijo seu botaria em risco toda a confiança em construção.

- Edward?

Ele abriu os olhos aos poucos e deu de cara com os olhoscastanhos de Bella encarando-lhe,assustado desviou rapidamente o olhar.

- Você cantando é impresionante.Sua voz atrai de uma forma inexplicável. – Disse espontaneamente.

Bella ergeu uma sobrancelha,receber elogios de Edward ainda eram uma novidade.Com certeza a opinião dele era a que mais valia a pena no momento.

- Assim eu fico sem graça! – Respondeu coçando a cabeça.

Bella vencida pela vontade,deitou o violão no chão e se inclinou para beijar a bochecha do garoto.

- É bom ter um amigo como voce.

- O que amigos fazem? – Perguntou curioso.

Bella parou para pensar,como Edward nunca teve um amigo?

-Muitas coisas... – Se viu cercada pelo pergunta de Edward,coçou a cabeça e refletiu. – Conversam,brincam,abraçam,confiam um no outro.Ser amigo é como um contrato inquebrável,um compromisso não só com o outro,com você mesmo.

- Eu terei que te abraçar?

- Só quando quiser –Respondeu decepcionada com o tom da pergunta.

Lembrou quando eles fizeram coisas piores do que se abraçar.

- Aonde iremos quarta?

- Surpresa.

- Odeio surpresas. – Disse revirando os olhos.

- Por quê?

- Cria expectativas.

- Ah – Mumurou confusa.Edward era tão incomum que a deixava tonta. – Sendo assim vamos a um lugar que eu adoro aqui em Ithaca.

- Á um bar?

- Engraçadinho.Você é muito sarcástico sabia? – Disse sorrindo e reparou que edward não faizia o mesmo.- Você quase nunca sorri ou ri.

- Motivos.

- Não tem? – Perguntou ela.

Deu de ombros.

- Eu posso te dar motivos para rir.

- Você já dá quando tenta parecer séria. – Olhou para ele pasma.

- Você conhece bem a arte de deixar as pessoas para baixo. – Retrucou.

- Desculpe. – Abaixou a cabeça e coçou a nuca.Por isso que não queria ser amigo de Bella não conseguia medir o impacto de suas palavras.Sua confusão era evidente.

- Tudo bem.Não precisa se desculpar.Por que voce não monta seu telescópio?

- Não...acho que vou para casa. – Disse decepcionado com sua capacidade de dialogar.

- Eu vou com você.

Enrolou o tapete, carregou o violão e foi até Edward que esperava no primeiro degrau da escada segurando a maleta prata.

Desceram as escadas calados se olhando de vez em quando até chegarem no segundo andar.

Bella se aproximou de Edward que estremeceu,seus lábios alcaçaram sua orelha ,seus corpos próximos,ele não pôde evitar a proximidade.

- Tenha uma boa noite amigo. – cantarolou no ouvido dele que se manteve estático,deixando o calor de Bella e a voz lhe invadir.

- Te-rei – Disse com dificuldade.

A vontade de Bella era empurrar ele na parede e beija-lo até perder o folego,seu auto controle era minimo mas ela não podia,sabia que um mínimo passo prejudicaria sua relação com Edward para sempre.

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