AI - Capitulo 5

Boxe com o General C.


Itália

"Bon Giorno!" Marcus exclamou lançando um olhar sedutor para a bela ninfa que passava em seu vestido de verão ao seu lado no café mais badalado da cidade.

A moça tentava ignorá-lo, mas em um olhar de relance, sua boca se abriu e qualquer resposta que criara em sua boca sumira de sua mente.

"É... Io..."

"Uma ragazza formosa como a senhorita não deveria andar sozinha por aí." Marcus piscou, estirando o belo corpo para frente da mesa.

A moça o observou sentado naquela mesa de espaldar no café e notou que ele certamente era o homem mais bonito que já havia visto.

Ela não tinha palavras e se encontrava muito envergonhada para prosseguir dizendo alguma coisa.

Marcus então se levantou elegantemente da mesa, com seu sempre elegante terno risco de giz e galantemente estendeu a mão na direção da bela moça.

"Aceita mi companhia, tesoro?"

"É... C-claro..." Respondeu incerta, aceitando a mão do mafioso que sorriu mostrando toda a fileira de belos dentes brancos e bem esculpidos. A mão dele era forte e vigorosa e logo a encaminhou a se sentar na cadeira, contornando a mesa e se sentando no próprio assento.

"Sabe..." Começou Marcus perfurando a mulher com seu olhar e brincando com os óculos de sol. A moça se perdeu um pouco em seus olhos azul piscina. "Vejo moças lindas todos os dias... Lindas não, estupendas... Mas você... Oh, me lembra as deusas do Olímpio da Grécia Antiga, ah não, melhor! As nossas belas deusas romanas! Como és linda!"

A moça corou e abaixou os olhos torcendo a alça da bolsa com as mãos, nervosamente.

Marcus então se aproximou lentamente dela e tocou o seu queixo com a ponta do dedo.

"És as mais belas das italianas..." E realmente ela era bem... Uma típica italiana. Se Marcus estivesse usando mais a cabeça de cima do que a de baixo, desconfiaria desse fator.

"Por favor..." Ela disse encabulada ensaiando um sorrisinho constrangido, mas ao mesmo tempo confiante.

Está no papo, Marcus pensou sorridente.

"Qual é o seu nome?"

"Laura..."

"Lindo." Sorriu galanteador.

"E o seu?"

"Meu nome só é dito..." Ele murmurou contra o lóbulo da orelha da moça, fazendo-a arrepiar-se. "No calar da noite... Quando os gemidos... São leves sons de violinos na mais bela orquestra..."

Ele sorriu. E a moça retribuiu.

Dentro de uma hora estavam os dois se entregando aos prazeres em uma casa no meio do campo. Era um casebre bem antigo, mas Marcus reformara com orgulho, e fizera de lá um lugar aconchegante.

"E qual é o seu nome?" Ela perguntou arranhando as costas dele, em meio á um gemido.

O mafioso sorriu.

"Volturi. Marcus Volturi."

Então os olhos da moça se arregalaram em choque, e ela afastou as mãos do homem de si. Cobriu com as mãos os seios e tentou puxar o lençol para cobrir o corpo.

"Você deve estar brincando..."

"Não, minha cara." Sorriu, se deitando na cama com os braços apoiando a cabeça e observando a moça como se em um cinema.

"Você... Por Dio!" Então ela se levantou rapidamente e começou a recolher suas roupas com pressa, com o suor escorrendo por sua face.

Ela correu até a porta, mas notou que ela estava trancada e nem sinal da chave por lá.

Então Marcus gargalhou. Aquela risada forte e viril, porém agora horripilante aos ouvidos da pobre moça.

"Aonde pensa que vai, tesoro? O prazer mal começou. Você não pode perder." Então ele pegou um canivete e um isqueiro dentro da mesa de cabeceira, e como um felino e um olhar maníaco nos olhos, se aproximou de mulher, que gritava.



Maryland. EUA.

Bella apareceu na sala de treinamento outras vezes sempre depois da enfermaria, espreitando atrás da porta e observando o General Cullen lutar.

Ela tinha que admitir que não fosse à toa que ele era conhecido como deus da luta, porque ele realmente era bom.

Bella sempre gostara de boxe, tanto de lutar tanto de assistir pela TV.

E agora, observando na NSA, a adrenalina rolava em seu corpo só de assistir a luta magnífica das pessoas que já sabiam antes mesmo do fim da partida que iriam perder para o general.

Porém um dia, fazendo uma semana que observava ás escondidas, já que todos estavam concentrados demais em seus muques e socos, ela não viu o general na sala de treinamento.

Ela achou estranho, afinal, parecia que ele realmente gostava de lutar, e ia pontualmente todos os dias.

Será que ele morreu? Ou fora transferido?

As esperanças de Bella murcharam, quando idealizou que se fosse esse o caso, o prédio inteiro saberia.

Quando já estava quase pronta para ir ao seu dormitório, levou um tremendo susto ao notar o próprio general atrás de si.

Ela logo controlou a expressão e a respiração, e bateu continência para ele, ainda atordoada por ser pega no fraga.

"Observando escondido, novato?" Os lábios de Bella se cerraram com suas palavras. Ele e aquela maldita mania de chamá-la de homem!

"Sou, eu... Eu só estava... Andando. É andando." Ela se chutou mentalmente por estar sendo tão patética.

O general arqueou uma sobrancelha, em tom de zombaria.

"Sim, andando, portanto sem mover os pés. Que nova forma interessante de se andar."

Bella endureceu. "Desculpe general. Eu realmente estava espiando as lutas..."

"E fazer isso durante uma semana inteira não foi o suficiente?"

"Como que...?" Ela começou, mas ela logo se calou, achando inútil continuar a frase.

"Gosta de boxe então, novato?" Ele perguntou.

"Gosto." Bella respondeu com o máximo de dignidade que conseguira achar.

"Pois então assista, pois lutar é impossível para você." E assim ele entrou na sala, deixando uma Bella perplexa e de boca aberta no umbral da porta.

Ele achava que ela não era capaz? Mas ele iria ver...

Só de raiva, ela bufou, e a passos firmes, voltou ao dormitório, sem assistir a luta dessa vez.

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Somente no dia seguinte enquanto conversava com Alice, já que não tinham pacientes no dia, que ela descobriu o porquê do general chegar atrasado ao treino.

Alice tocou no assunto por cima e provavelmente nem percebendo as antenas ligadas de Bella.

"Ele tem essa expressão dura e fria, mas é um bom homem..." Ela começara, depois de falar um pouco de cada subordinado de lá. "Mas ele tem sentimentos, não é qualquer um que manda celebrar uma missa em ação de graças aos pais cada ano depois da morte deles..." Ela abanou as cabeças em exasperação. "Faz vinte anos que ele faz o mesmo ritual... Todos os anos... Por isso," Ela deu um sorrisinho enigmático. "Ele tem sentimentos, embora não demonstre."

Bella tentou descobrir mais sobre o general, querendo achar o porquê de sua sempre frígida expressão, ou pelo menos descobrir um ponto fraco que ela pudesse usar a seu favor na missão.

Porém ela só descobrira que ele ficara órfão ainda muito novo, e todos os anos desde então, no aniversário da morte de seus pais ele mandava rezar uma missa para a alma deles.

Bella não pôde deixar de se surpreender com o ato. Mas mesmo assim a morte de seus pais não justificava o comportamento do general. Disso ela tinha absoluta certeza.

Ela também perdera os pais muito cedo, e nem por isso trazia uma máscara de rancor na face.

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Alguns dias depois ela não resistiu e voltou a sala de treinamento. Porém dessa vez ela entrou. Para sua surpresa Jasper estava lá treinando, e sorriu quando a viu entrar.

Alguns a encaravam, mas ela simplesmente espaçou as pernas, cruzou os braços e ficou em um canto observando cada movimento de cada pessoa presente.

O general Cullen estava segurando um saco pendurado no teto para um novato, e não a viu chegar. E Bella aproveitando isso, tentou ver nele algo do menino órfão perdido no mundo, e o jovem homem criando uma cara de misto e amargura que ficaria no rosto para sempre.

Bella não conseguiu achar esse menino, por mais que ela tentasse. Para Bella ele nascera já dando ordens para a mãe.

Até que o general McCarthy veio falar com ela.

"Senhorita Evans."

"General." Ela bateu continência.

"Algum problema?" Ele perguntou, arqueando a sobrancelha.

"Não..." Ela disse confusa. "Eu pensei que... Eu poderia praticar."

"Você luta boxe?"

Ela assentiu.

Ele colocou a mão no queixo em uma atitude pensativa, depois encolheu os ombros.

"Não sei se será possível, acho melhor perguntar ao general Cullen."

O queixo dela caiu.

"Por quê?" Logo emendou. "Desculpe general, mas não vejo o porquê do senhor não poder me dar a permissão."

"Ele controla aqui e vê o rendimento e o potencial de cada um, ele é a melhor opção."

E assim ele saiu dali, deixando Bella com raiva.

Ela realmente teria que pedir permissão ao imparcial do general Cullen?

Ela respirou fundo, tentou controlar ao máximo sua expressão e encaminhou até onde ele estava. Queria parecer indiferente, como ele, mas sabia que não conseguiria. Ele era o rei da não-expressão.

O subordinado suava horrores, e Edward o pressionava, gritando que ele era fraco, que ele era impotente, que ele não merecia estar ali, e o garoto lutava... Lutava...

Edward não olhou para ela quando ela se aproximou, porém ela sabia que ele já a tinha visto e percebera sua presença.

Depois de dez minutos esperando, finalmente ele perguntou:

"Sim, novato?"

"Eu queria lutar." Ela falou rapidamente.

O general continuou com a atenção no saco e no garoto que fazia caretas horríveis.

"Impossível."

"Por quê?" Ela pressionou. Ele desviou um rápido olhar para ela.

"Por que você não conseguiria lutar."

"Só por que sou mulher?" Ela estava perdendo as paciências. "Existem outras mulheres aqui."

"Porém mais fortes e mais capacitadas... E jovens." Ele disse a última palavra com um olhar de esguelha para ela e um tom de ironia na voz.

Bella respirou fundo e fechou as mãos em punho.

"Eu consigo."

"Não acredito." Falou peremptório.

"Pois me deixa provar."

Ele parou de segurar o saco e o garoto não previamente avisado, desviou um soco no ombro de Edward. Este somente colocou a mão ali como se espantasse uma mosca, e encarou Bella.

"Não." E assim ele saiu andando. Bella fechou os olhos e foi atrás dele.

"Eu preciso de treinamento."

"Você já tem o treinamento necessário nos campos, novato."

"Mas eu posso lutar. Eu sei lutar. E eu quero."

O general parou e se virou nos calcanhares para observá-la.

"Certo, então prove."

Ela ficou confusa.

"Como?"

Ele arqueou uma sobrancelha e Bella poderia jurar que vira um breve sorriso se formando em seus lábios. Mas fora tão rápido que ela começou a acusar sua mente de lhe pregar peças.

"Lute comigo."

Bella ficou sem ar.

"Lutar... Com você?"

"Claro." Ele então se agachou e passou pelos fios do ringue. "Ou você tem medo?"

Bella deixou toda a preocupação de lado e entrou logo atrás dele.

Edward jogou luvas para ela enquanto não se preocupava em colocar nenhuma.

"Por que você não vai colocá-las?" Ela perguntou.

"Não preciso." Ele encolheu os ombros, parando ereto no meio do ringue com as mãos para trás e só faltavam os braços abertos e dizendo "me bata".

As veias de Bella começaram a saltar de raiva, e o coração dela batia descompassado.

O sangue dela fervia diante a humilhação daquele homem que se achava o topo do mundo.

Ela flexionou os braços, sentindo as luvas um pouco mais largas do que sua mão e cerrou os punhos.

Ela não precisava de um lembrete sobre a habilidade de Edward na luta, por isso tentou em milésimos de segundo pensar em alguma estratégia para conseguir combatê-lo, embora achasse um tanto impossível.

Ela canalizou toda sua raiva que nutria pelo homem em sua frente e partiu para cima dele, com um movimento que para ela fora rápido o bastante para pegá-lo de surpresa.

Porém ele simplesmente desviou dela, fazendo com que encontrasse o ar. Os braços do general seguraram em sua cintura e a precipitaram em direção ao chão onde ela caiu com um baque surdo.

Bella respirava com dificuldade tentando controlar as lágrimas de humilhação que ousavam em saltar de seus olhos e encarou Edward. Com um grito de fúria, e não aceitando ser descartada tão rapidamente, ela se levantou e atacou de novo cerrando os punhos, acertando dessa vez o abdômen despido dele.

Porém ele novamente conseguiu derrubá-la. O suor escorria pela face de Bella e seus olhos começaram a lacrimejar de fúria enquanto ela continuava estendida no chão do ringue com os braços mortos em cada lado do seu corpo.

"Chorando?" Ele perguntou zombeteiro. Bella trincou o maxilar, levantou a perna conseguindo assim desferir outro chute na barriga do general. Rapidamente se levantou e começou uma série de socos em seu rosto, enquanto gritava com extrema fúria.

Ele se defendeu com as mãos, e minutos depois a segurou pela cintura e a derrubou novamente. Parecia tão... Fácil para ele. Como se ela fosse uma pena e que ele pudesse pega-la com uma mão.

Fazia tempo que ela não lutava por isso a falta de forma, porém a raiva a impedia de pensar com coerência, e usar o cérebro ao invés da força física.

Acabou que nem um olho roxo ela conseguiu dar no homem.

Ela estava acabada e com sensação de nocaute no chão do ringue, enquanto o general Cullen estava de pé, com os cabelos esvoaçando, observando-a respirar com dificuldade. No olhar que eles dividiram naquele momento, Bella desejou matá-lo, da forma mais terrível e cruciante o possível.

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