TCS - Capitulo 6

Eu podia afirmar que adorava vê-la sem-graça. A cor que suas bochechas ganhavam era irresistível. Mas ainda melhor era provocá-la! Nossa, parece que eu tinha nascido para isso. Ela ficava linda irritada! E o seu cheiro, maravilhoso! Sem falar da pele macia dela... Que merda Edward Cullen, você está apaixonado? Certo, eu precisava parar de pensar um pouco em Bella e me concentrar em outra questão. Minha visita ao senador Lionel Bass. Um cara para chegar a essa posição, precisa ser inteligente, e de preferência, ter jogo de cintura. Ótimo, eu adorava desafios... lidar com gente burra não tinha a mínima graça.

Cheguei em Washington, D.C, e parei o carro de onde pudesse ter uma visão total do prédio. Que foda, eu sempre quis entrar no Capitólio. Até morto, Henry Bass me presenteava. Disquei um número no celular.

- R.E., boa tarde.
- Boa tarde, Lionel Bass está?
- Sim, quem deseja?
- Edward Cullen.
- Ele está em reunião, quer deixar recado?
- Não... quero entrar aí!
- Me desculpe senhor, mas ele não recebe qualquer um.
- Que tal você ir até ele, e avisar que Edward Cullen está na linha?
- Só um minuto, por favor.

Maldita tecnologia! Para que inventaram telefone, se meu poder de sedução só funcionava pessoalmente?

- Cullen.
- Bass.
- Em que posso ajudá-lo?
- Acho que nós temos algo para resolver.
- Talvez. Mas não aqui. Em outro lugar, quando eu combinar.

Eu ri. Hilário esse cara.

- Bass, deixe eu te explicar. Primeiro, eu não estou pedindo. Segundo, você não vai gostar se eu entrar aí sem ter sido convidado. Terceiro, eu sempre sonheir em conhecer o Capitólio.

Ok, essa última foi birra minha. Eu queria mesmo conhecer o prédio.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois falou com a voz vacilando.

- Você vai entrar, Cullen.

Isso! Emmet ia morrer quando soubesse onde eu estava. Eu precisava levar uma prova... procurei em volta por turistas, e vi uma mulher com uma Polaroid. Bem, antigamente era esse o nome... hoje em dia devia ser alguma Cybershot 85.9 que dá para fotografar da Lua... inventam de tudo para ganhar dinheiro, né?

- Oi!

"Hein? É comigo?"

- Oiiii!
- Tudo bem?

"Melhor agora..."

- Aham...
- Linda máquina! A dona também!

Mentira! Ela era bem estranha... mas meu humor estava afinado hoje... Bella me deixava assim. A garota riu e quase deixou o meu objeto de desejo cair no chão. Eu matava! Não era fácil achar dessas máquinas que a foto sai na hora.

- Hã, obri-brigada! Quer ver?
- Não. Quero tirar foto. Você tira?
- Claro! Comigo?
- Não... com o prédio.

Ela ficou triste e eu resolvi fazer minha boa ação do dia.

- Com você eu tiro depois, lindinha!

Ela abriu aquele sorriso de orelha a orelha, vermelha que nem um pimentão. Tinha achado a irmã gêmea da Bella! Me posicionei num ângulo em que o prédio saísse bem atrás de mim.

- Diga xis!
- Hein?

O flash bateu! Malditas gírias de século XXI! Que porra é essa de xis? Mas eu fiquei feliz quando a foto saiu. Emmet ia arrancar os pentelhos. Não que eu quisesse presenciar essa cena.

- Agora nós dois!

A bonitinha me abraçou enquanto batia a foto. Pelo menos eu fiz alguém feliz... Agradeci e segui para a entrada. Os vinte seguranças engravatados me pararam.

- Pois não?
- Vou falar com o senador Bass.
- Seu nome?

- Edward Cullen.

Um deles passou um rádio para alguém, enquanto me olhava. Esse alguém autorizou minha entrada. Eu passei por eles sorrindo feliz da vida por não ter sujado as mãos.
Fui passando por onde mandavam, até chegar no andar dele. Estalei os ossos dos dedos e pescoço antes de entrar na sala.

- Edward Cullen, em carne e osso! Enfim, o conheci.

Em carne e osso? Eu achei melhor ficar quieto.

- Lionel Bass. Você trabalha num lugar legal.

Ele sorriu seco.

- Nós dois sabemos que você não veio aqui para fazer turismo, Cullen.
- Não mesmo. Na verdade eu vim, por achar que você tem algum problema comigo. Estou certo?
- Sente-se.
- Prefiro continuar em pé. Mas fique à vontade.

Ele ficou em pé.

- Henry falava muito de você. Ele te idolatrava.
- Até demais, talvez.

Lionel pegou um objeto pontudo de metal, não, de prata... eu sentia pelo cheiro... e ficou brincando com ele na mão.

- Sabe, Edward, não pense que eu e meu filho não conversávamos. Nós trocávamos muitos segredos.
- Entendo. E vocês conversavam a meu respeito também?
- De vez em quando. Ele me contou muitas coisas interessantes sobre você.
- Mesmo? Ele te contou também, que não sabia nem a metade a meu respeito?

Bass fechou a cara e seus batimentos mudaram de ritmo.

- Como vai Paul Finch? Tem falado com ele?
- Não muito. Paul Finch não me importa.
- Soube que ele sofreu um acidente... espero que esteja bem.
- Ele está morto. Mas isso você já sabe.

Ele riu nervoso.

- Existem muitas versões sobre seu povo... fico tentando descobrir o que é verdade ou não...
- Meu povo? Deixa eu te atualizar sobre meu povo. Nós andamos de dia, prata e alho não nos matam nem fazem mal, crucifixo é só tabu, somos mais rápidos que o seu pensamento, nossos caninos machucam bastante, e bem... daqui eu sinto o cheiro cítrico do seu sangue.

Ele já suava, quando devolveu o objeto de prata à mesa.

- O que você quer, Cullen? Já não me tomou o suficiente?
- Tomei? Veja bem, Lionel. Eu nunca tive nenhum problema com seu filho, até ele tentar estuprar e matar uma garota de quem eu gosto muito. Eu ia deixá-lo fora disso, mas no fim, ele não me deu muitas opções.

O ódio crescia dentro dele, ficando de igual para igual com o medo. Talvez ele fosse o primeiro que tivera sangue frio de me enfrentar por tanto tempo. Eu adorei isso.

- Seu filho tinha um futuro brilhante pela frente. Uma pena ele ter desperdiçado...
- Desperdiçado? Meu filho foi despedaçado por causa de uma mulher qualquer, e você me diz que ele desperdiçou o futuro?
- Lionel, Lionel... cuidado com as palavras...

Eu vooei no pescoço dele, o espremendo contra a parede.

- Ela não é uma mulher. Ainda. Muito menos qualquer. Ela é a MINHA garota.
- Vai me matar dentro da minha sala, Cullen?

Ele balançava as pernas no ar, enquanto eu quase o sufocava. O soltei.

- Não. Mas eu quero que você entenda. Não gostei de saber que invadiu meu território.
- Eu nem estive lá. Mandei alguém.
- Que seja. Eu não gostei de qualquer jeito. Fique longe de mim e da minha família, e eu te deixo em paz.
- OU?

O infeliz ainda tinha coragem de me perguntar isso? E ele ria cinicamente.

- Ou eu venho atrás de você novamente. Nem que eu tenha que te caçar até o inferno. E Bass, você realmente não vai querer me ver irritado. Já te disse que estou de bom humor hoje?

Virei de costas e andei até a porta. Óbvio que li sua mente antes que ele fizesse o que tinha pensado. Segurei no ar o objeto de prata que voava em minha direção, e o taquei de volta para Lionel, que ficou imóvel, com o objeto cravando na parede, ao lado de seu rosto.

- Lionel, eu quis errar!

Era hora de voltar para minha garota.


Eu queria poder odiar Edward Cullen. Porque ele só me maltratava. Mas eu era idiota o bastante, pois toda vez que eu o via na minha frente, eu esquecia de odiá-lo. Estava na cama já há algumas horas, pensando na vida. Tinha acordado sem a mínima disposição para ir a faculdade hoje. Achei que seria mais útil e seguro, ficar mofando na cama. Talvez eu ficasse para sempre ali, e colocasse pregos na janela, assim estaria protegida da maldade de Edward Cullen. Não... ele provavelmente arrombaria a janela. Ou a porta. E eu teria que explicar para minhas amigas, que estava de rala-e-rola com um vampiro. Eu não acho que elas aceitariam isso muito bem. Certo, se ao menos eu estivesse mesmo de rala-e-rola. Porque nem isso eu estava. Eu sofria e ele se divertia. Era uma nova vertente do sadomasoquismo. Só que sem correntes e chicote. Aqui eram dentes e sangue. E mortes. Ok, Bella, chega!

Eu não ia estudar hoje, mas precisava ocupar minha mente com alguma coisa. Não dava para pensar nessas loucuras o dia todo. Resolvi arrumar meu quarto, e mudar os móveis de lugar. Nada melhor do que fazer força, e suar, e se machucar. Troquei a mesinha de cabeceira de lugar com a poltrona. Empurrei a cama para o outro lado. Mas não ficou legal por causa do armário, que eu nem ia conseguir mover do lugar. Deixa pra lá... achei melhor ir comer alguma coisa, já tinha passado a hora do almoço e meu estômago estava reclamando. Estava tranquilamente fazendo meu macarrão quando um barulho de algo caindo me assustou. O que foi aquilo? Peguei a primeira coisa que vi para usar como arma e subi as escadas. Eu ainda ouvia um barulho vindo do meu quarto, quando abri a portame posicionando para atacar!

- Edward!
- Bella, por que você mudou os móveis de lugar?

Então eu entendi e não aguentei segurar a risada. Ele tinha "saltado" minha janela, mas ao invés do caminho livre como antes, ele encontrou a mesinha de cabeceira ali. Era ótimo saber que em alguma coisa ele tinha se dado mal.

- Eu não acredito! Bem feito!
- Isso aí, continue rindo... eu podia ter quebrado a perna.

Eu o olhei torto.

- Ok, mentira. Mas isso foi maldade... você sabia que eu ia voltar!
- Eu nem lembrei na hora, juro. Mas já que você está aqui... que tal puxar meu armário?
- Eu dirigi a 160km/hs desde a capital, sem parar, para chegar aqui e você me pedir para redecorar o quarto?

Eu sorri simpática. Ele suspirou.

- Certo. E a propósito, para que o pano de prato?
- Ah, isso. Eu peguei qualquer coisa para usar como arma, no caso de ser um ladrão.
- E você pretendia matá-lo de cócegas?

Edward Cullen era irritante.



Eu tentei entender a lógica dela, de pegar um pano de prato para lidar com um ladrão. O mais engraçado de tudo é que ela não tinha a mínima noção de como era absurda! Eu fiz a vontade dela e mudei a droga do armário de lugar. Se eu não fizesse isso, ela provavelmente acabaria fazendo e se quebraria toda quando o armário caísse em cima dela. Isso na melhor das hipóteses. Quando eu terminei ela estava sentada na cama me olhando surpresa.

- O que foi?
- Nada... eu achei que você tivesse que fazer um mínimo de força, pelo menos.
- Ah, eu fiz força. Quase rompi uma artéria... acho que vou precisar de massagem por uma semana.
- Eu devo ter perdido a piada, sabe... porque quando te conheci não achei que você tivesse essa veia cômica.

Eu não tinha mesmo. Tudo bem que eu sempre gostei de provocar, mas eu andava meio irônico demais. Acho que foi depois que a conheci.

- E você não disse que ia voltar só amanhã?
- Eu disse?
- Sim, você falou volto depois de amanhã.
- Hum, pode ser. Mas eu resolvi tudo mais rápido do que imaginei.

Ela ficou calada, com os olhos baixos, mexendo no lençol.

- Algum problema?

Levantou os olhos, me olhando e mordendo os lábios.

- Eu queria muito fazer umas perguntas...

Eu fui até ela e sentei na cama, encostando as costas na parede, enquanto ela virava para me olhar.

- Faça-as.
- E você vai responder?
- As que eu quiser, sim.
- Ok... é fato então que você é um vampiro?
- Sim. Fato consumado.
- E os outros?
- Meus irmãos? Também.
- Espera aí. Vocês são irmãos? Eu vi dois deles se agarrando. Óh céus, que nojo!
- Não, Bella, calma.

Eu ri imaginando a cena na cabeça dela. Dois irmãos se agarrando. Eca!

- Não é bem assim... somos uma família, mas não temos os mesmos pais. Irmãos é uma forma de falar.
- Não entendi... não são irmãos de sangue?
- Somos... de um certo modo. (eu sorri)
- Você só está me confundindo mais.
- Todos são meus irmãos... mas não entre si. Todos foram transformados por mim, entende? Então de uma certa forma, eu tenho um tipo de parentesco com todos...
- Você é tipo, um pai deles?
- Não não. Nunca quis estabelecer uma ligação dessas. Nós vivemos juntos, nos respeitamos, cada um tem seu espaço. Mas lógico que eles me respeitam um pouco mais do que aos outros.

Ela me olhava tentando absorver a informação.

- Por que vocês andam de dia?
- Porque nós podemos. Sem nos expormos à luz direta do sol.
- Hum... então os filmes estão errados?
- Totalmente! (eu ri)
- Você me achou ridícula fantasiada de vampira então?

Mexi no cabelo enquanto sorria para ela. Ela estava engraçada, né?

- Bem, eu odiei os dentes e as lentes.
- Olho branco não existe mesmo, né?
- Olhando para mim você pode ver que não.

Eu tirei os óculos, deixando-a ver meus olhos vermelhos. Ela me encarava curiosa. Era estranho deixar um humano saber desse tipo de coisa.

- Vermelhos... você nunca esteve usando lentes na festa...
- Não!
- Vocês não possuem criatividade nenhuma, né?

Eu achei graça. Era legal, ué.

- Não.

Ela mordia os lábios, talvez pensando na próxima pergunta.

- Você... é imortal mesmo?
- Se a minha cabeça não for arrancada, sim. Nem se eu for destroçado, claro.


Ela me olhou com pavor. Eu estava sendo sincero...
- Estaca?
- Mito. Culpa da Buffy!

Ela riu, ficando corada. Eu gostava do som da sua risada.

- Você... já matou muitas pessoas? (dessa vez ela me olhou com receio)
- Já. Faz parte da cadeia alimentar, eu acho.
- E você se orgulha disso?
- Bella, eu não sou um bom rapaz. E eu já faço isso há algum tempinho... já tive tempo de me acostumar. Não vou te dizer que sinto peso na consciência, porque seria mentira. Eu gosto.
- Ok... e... por que você... não me matou?

Essa era uma pergunta complicada. Nem eu tinha a resposta exata ainda.

- Eu não quis.
- Essa é sua resposta?
- É a que eu tenho para dar no momento.
- Idade?
- Verdadeira, ou fictícia?
- As duas...
- 338 e 25.
- Hein?
- Nasci em 1670 Bella...
- Ow.

Ela olhava novamente para baixo, brincando com o lençol. Será que ela me achou velho demais?

- Prefere rapazes mais novos? (eu provoquei)
- Eu estava pensando em relacionamentos com homens de até 28 no máximo...

Soltei uma gargalhada, que a fez rir também.

- Acho que você está com problemas então.
- Eu sonhei com você. (ela falou, vacilando)
- Sonhou? Eu costumo causar isso nas mulheres mesmo.
- Muito engraçado. Na verdade, foi pesadelo.

Eu franzi a testa, olhando-a. Pesadelo comigo? Isso era novidade.

- Estava escuro aqui no quarto e você me atacava...
- Foi apenas um pesadelo. Eu já disse que se quisesse, já tinha feito isso.
- Você acha? Eu posso ser pequena, mas não se engane... sei me defender, ok?

Aquilo foi a piada do dia. Ela sabia se defender? Eu devia lembrá-la do sequestro da moto e do teste da Beta? Mas eu achei melhor provar, ao invés de discutir...

- Entendo.

E então eu pulei em cima dela, a jogando deitada de costas.

- Que defesa extraordinária. Estou chocado!
- Não tem graça. Você me pegou desprevenida.
- Claro, porque um vampiro sempre avisa quando vai atacar. (eu sorri)

Ela me fez uma careta, enquanto deixava a cabeça cair para o lado. Eu olhei aquele pescoço cheiroso e suculento, me esquecendo de tudo. Eu segurei suas mãos, enquanto aproximava lentamente meu rosto daquele alvo.

- Ed-edward?
- Oi...
- O que vo-você está faze-zendo?

Eu fechei os olhos, tentando me controlar. Mas que merda eu estava fazendo?

- Nada.


Eu tive medo de respirar, enquanto ele estava em cima de mim, encarando meu pescoço. Ele ia mesmo me atacar? Ou era só mais uma cena de tortura que ele gostava de fazer comigo? Então ele soltou meus braços e saiu de cima de mim, levantando da cama. Eu não tinha certeza se isso era bom ou ruim, mas tudo bem.

- Desculpe. (ele me olhou sério)
- Pelo que exatamente?
- Por quase ter te matado.
- Ah, isso? Ok. (respondi enquanto ficava de pé também)

Eu é que não seria besta de discutir, né? Quando um vampiro nos pede desculpas, nós aceitamos calada.

- Isso foi só para te provar como você não teria a mínima chance comigo.
- Eu já disse que você me pegou desprevenida...

Edward me olhava. Na verdade, ele olhava para meu corpo. Mais precisamente, na altura da barriga. Eu acompanhei seus olhos. Ele olhava uma pequena mancha de sangue na camisola, que vinha do meu corte.

- Isso melhorou?

Ele perguntou, se aproximando novamente de mim, e tocando a camisola.

- Mais ou menos... acho que o curativo vazou...
- Não é melhor trocar então?

Ele me olhou, sorrindo um sorriso torto que eu já tinha visto algumas vezes. Dava a impressão que ele sempre sorria desse jeito quando queria seduzir. Eu ainda morro disso.

- Acho que sim... eu vou trocar antes de dormir.
- E você acha que eu vou deixar você ficar sangrando assim? Onde está a gaze e o esparadrapo?

Eu ri nervosa. Ele não estava falando sério, né?

- Quem disse que eu vou deixar você fazer isso?
- Quem disse que eu vou esperar você autorizar?
- Você vai mexer com sangue?

Ele ficou me fitando por alguns segundos.

- Vendo por esse lado, eu deixo você fazer isso sozinha.

Então ele virou-se, se preparando para pular, não, saltar minha janela. Como assim ele nem se despede?

- Ei!

Ele me olhou.

- Já vai?
- Vou.
- Nossa, que simpático. Tchau então.

Ele riu e me puxou pela mão.

- Quer saltar comigo?
- NÃO! Tenho medo de altura, obrigada.

Eu tinha muito medo de altura. Mesmo. Senti seus dedos alisando meus cabelos, enquanto me olhava.

- Eu não te deixaria cair... mas se você tem medo, não vou fazer isso. Mas vou embora, ok? É torturante demais ficar tanto tempo por aqui.
- Torturante? Por causa do sangue? Eu troco o curativo então, é só você me esperar aqui.
- Bella, não é por causa do sangue. Esse é apenas um dos motivos. É por sua causa. Você toda me dá água na boca.

Ele beijou minha testa enquanto eu engolia seco.

- Ok.

Fiquei ali parada vendo ele entrar no carro e ir embora. Eu era mesmo estranha, muito estranha. Demorei 18 anos para arranjar um namorado, e quando arranjo, ele é um vampiro. Não que ele fosse meu namorado.



Sério, o que estava acontecendo comigo? Eu simplesmente não queria sair de lá. Não estava nem na metade do caminho para minha casa, e já sentia vontade de voltar. Que merda! Certo, mas eu não iria voltar, pois eu era um cara super controlado. Cheguei em casa e escutei cada um no seu quarto. Bem, mais ou menos. Rose e Emmet num quarto, Alice e Jazz em outro. Só o otário aqui tinha um quarto gigante, para ficar sozinho. Sim, porque eu nunca trazia mulheres para casa. Isso era uma regra sagrada. Para todos nós.

Me joguei na cama, para fazer o que eu adorava. Olhar o teto. Isso me distraía muito. E então as vozes foram ficando mais intensas. Não só as vozes, mas os pensamentos dos meus irmãos. Eu estava sendo obrigado a ouvir a transa dos dois casais. Eu devia estar pagando todos os meus pecados, só podia ser isso.

"Mais forte, Emmet!"
"Você gosta disso Alice?"
"Hum, isso Jazz..."
"Que delícia Rose!"


Fiquei puto e saí berrando pelo corredor, enquanto voltava para o carro.

- Estou indo embora porque vocês são pervertidos! Ninguém tem motel para ir não?

Entrei no carro e fiquei olhando o volante, pensando. Para onde ir? Ali é que não dava para ficar, eu não era tão masoquista assim. Só tinha um lugar onde eu gostaria de estar... mas eu tinha acabado de sair de lá. Ela provavelmente me expulsaria com um pano de prato na mão. Eu ri disso. Ok, eu não corria nenhum perigo.

Entrei no quarto que já estava de luzes apagadas e só iluminado pela luz que vinha de fora. A vi dormindo, respirando calmamente. Me aproximei devagar para não matá-la do coração. Era certo eu estar ali? Que se dane. Agachei em frente a cama, perto do seu rosto.

- Bella...

Nada... sono profundo né? Mudei de tática então. Sussurei em seu ouvido.

- Bella...

Os olhos cor de chocolate se abriram e ficaram me olhando. E fecharam de novo.

- Bella...

Dessa vez eu dei uma leve sacudida nela. Eu queria atenção, né? Ela me olhou de novo, dessa vez levantando a cabeça.

- Edward? Achei que estava sonhando.

- Não está... surpresa!

Eu abri um sorrisão enquanto implorava mentalmente. Me deixe ficar, me deixe ficar, me deixe ficar.

- Posso ficar aqui?

Ela sentou na cama esfregando os olhos. Totalmente descabelada. Mas eu nem ousei comentar esse fato.

- Você quer... ficar aqui? No meu quarto?
- Exatamente!
- Até amanhã?
- Bem... eu pensei em ficar até amanhã. Mas se você preferir explodir o mundo e ficar até o próximo século... pode ser também.

Ela revirou os olhos, passando a mão nos cabelos. Eu devia avisá-la que ela tinha se descabelado ainda mais? Não Edward, cale a boca.

- Ok... o que você quer ficar fazendo?

Eu juro que na maioria das vezes eu não queria irritá-la, ou provacá-la, muito menos deixá-la sem-graça. Mas era impossível, já que ela só tinha perguntas para respostas ótimas!

- Eu posso te dar várias opções... a maioria é proibida para menores de idade. Mas visto que você já tem 18 anos...

Ela ficou roxa e afundou a cabeça no travesseiro, me empurrando com a mão.

- Sai daqui, Cullen!
- Tudo bem...


Ei, ele vai embora mesmo. Será que só ele pode ser irônico? Eu me vi levantando da cama e correndo antes que ele saltasse. Quando alcançei ele, passei meus braços em volta da sua cintura e...

- Edwaarrrdddd!

Eu fechei os olhos e senti suas mãos me segurando, enquanto nós caíamos da janela. Eu achei que ia morrer, mas não senti impacto nenhum. Abri os olhos, e vi que ele estava de pé no gramado, me segurando no colo.

- Você é definitivamente louca!
- Eu... eu... (suspirei) eu sei...

Céus, eu era louca. Eu tinha abraçado ele justamente na hora que ele pulou. Claro que eu fui junto, né?



Ela estava tremendo. E dessa vez não era pela minha beleza. Claro, a pessoa quase tinha se estabacado aqui embaixo. Quando eu tinha dado o impulso para saltar, senti seus braços me envolvendo. Por sorte consegui segurá-la antes que chegássemos ao chão. Agora ela tinha a cabeça encostada no meu peito, enquanto recuperava a respiração normal.

- O que deu em você?
- A culpa é sua que saiu andando!
- Você me mandou embora, lembra?
- Eu estava sendo irônica!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Hum.

Eu relembrei ela falando e me empurrando.

- Você não é muito boa nisso...

Ela me acariciou com um soco.

- Será que podemos voltar então?
- Claro!

Eu dei impulso para saltar, sentindo seus braços apertando meu pescoço.

- Edwardddd!

- O que? Você não queria que eu entrasse pela porta, né?

A coloquei em pé no quarto, segurando-a pela cintura enquanto a sentia meio tonta. E então eu vi uma coisa interessante. Bem interessante, na verdade. Eu só tinha me dado conta disso agora, com ela ali em pé na minha frente. O que ela estava vestindo não era uma camisola... era minha camisa! Aquilo era excitante.

- Bella, o que minha camisa está fazendo no seu corpo?

Ela corou olhando rápido para si mesma e me olhou de volta.

- Ow.
- Ow? Ela está fazendo ow?

Eu ri. Ela era muito engraçada.

- Haha! Cômico! Não, eu a lavei para te devolver. Mas quando fui deitar vi que não tinha nenhuma camisola limpa... então a vesti.

Ela mordia os lábios e desviava os olhos enquanto me respondia. Hum. Estranho. Fui até seu armário e abri as portas. Tinham umas 5 roupas de dormir penduradas.

- Essas não serviam, né?

Eu amava provocá-la, mais do que tudo!

- Ok, Edward... eu quis vestí-la. Satisfeito?

Muito! Eu sorri de lado, andando até ela, saboreando cada centímetro daquela imagem.

- Você sabe... que a blusa sendo minha, eu posso pegá-la de volta, né?

Ela arregalou os olhos cor de chocolate, dando um sorriso nervoso.

- Você não faria isso...
- Eu faria muitas coisas que você nem imagina...

Passei a língua pelo contorno da boca, quase babando, enquanto me aproximava mais... lentamente.

- Não seja louco! Eu estou sem nada por baixo!

Eu voei nela, quase a esmagando na parede, sentindo seu coração querendo sair pela boca.

- Bella, não se diz para um leão que o cordeiro já está temperado... a não ser que o cordeiro queira ser abatido.

Eu susurrava no seu ouvido, enquanto deslizava uma mão pela sua coxa, sentindo seus músculos completamente rígidos. Ela afundou o rosto no meu peito, apertando minha blusa com os dedos.

- Não... por favor...

E eu não pude continuar. Não com ela me pedindo pra parar. Me afastei um pouco dando-a espaço para sair da parede e fui sentar na cama.

- Você quer a camisa de volta?
- Claro que não. Pode ficar.

Ela veio para a cama e sentou-se ao meu lado, deitando a cabeça no meu ombro. Minha descoberta... eu tinha me apaixonado.


Ele me obedeceu. Eu nem acreditava nisso. Encostei minha cabeça no seu ombro, tentando manter meus olhos abertos.

- Obrigada.
- Sem problemas. Eu só quero arrancar sua roupa... mas... sem problemas.

Eu o peguei rindo maliciosamente para mim e passando a mão naquele cabelo irritante.

- Por que você faz isso?
- Isso o que?
- Mexe no cabelo toda hora.
- Ah... eu não sei. Alguma mania antiga. Por que, te incomoda?
- Muito! É irritante! E sexy... mas é irritante!

Ele riu, desmanchando mais ainda o penteado, puramente de propósito. Para que eu fui comentar isso? Edward então deitou na cama e ficou me olhando.

- Você vai dormir aí? E eu?
- Aqui também.
- Reparou que a cama é de solteiro, né?

Ele sorriu torto.

- Tem espaço para os dois.

Ele se ajeitou, ficando de lado e deu um tapinha no colchão, me chamando. E eu achava que nunca ganharia na loteria! Deitei ao seu lado, praticamente colada nele devido ao tamanho da cama, enquanto seus olhos vermelhos olhavam fundo nos meus olhos.

- Se eu acordar de madrugada com você me olhando assim, vou pensar que estou tendo pesadelos de novo. (eu fiz ele rir)
- Eu te faço mudar de idéia.

Ele respondeu aproximando sua boca da minha. Senti sua mão puxar minha cintura para mais perto do seu corpo e então ele me beijou. Me dava leves mordidas nos lábios primeiro, e depois sua língua encontrou a minha, o quente e o gelado. Seu beijo era algo que eu nunca tinha provado igual, devagar e intenso. Eu só lembro de ter me aconchegado naqueles braços, enquanto meus olhos se fechavam lentamente, e o vermelho era a última coisa que eu via.



Eu fiquei a noite toda imóvel, não queria acordá-la desnecessariamente. Mas eu acho que poderia ficar ali eternamente, acompanhando a sua respiração calma, e o movimentos que seus lábios faziam enquanto sussurravam durante o sono. Eu me senti vitorioso, por ter sido tão controlado essa noite, pois eu quase perdi o controle quando ela colocou uma perna por cima de mim. Se Emmet soubesse disso, provavelmente me chamaria de broxa ou algo do tipo. Eu já estava pensando em acordá-la quando o relógio despertou. Aquilo era um despertador mesmo? Parecia um barulho que vinha do inferno. Se eu fosse humano e tivesse que acordar ouvindo aquilo, com certeza já teria me suicidado. Agora eu entendia porque muitos humanos já amanheciam estressados. Tudo culpa da porra do despertador. Ainda bem que no meu tempo, eu acordava com o canto do galo.

Eu a olhava quando os olhos se abriram, primeiro assustados, e depois se juntando a um sorriso calmo. Que bom, ela entendeu que não era um pesadelo. Suas mãos pequenas vieram parar nos meus cabelos e sua perna subiu mais ainda para cima de mim, enquanto uma das mãos saíam dos cabelos e desciam pelas minhas costas. Era eu quem estava sonhando agora? Fiquei imóvel e sério quando senti a mão quente entrando por debaixo da minha camisa. Era instinto eu ficar alerta.

- Ops... reflexo... desculpa. (ela falou mordendo os lábios, retirando a mão das minhas costas e a perna de cima de mim)
- Isso é um reflexo diário? Dormirei aqui todos os dias a partir de agora!

Ela fez careta e depois, como se estivesse lembrando de algo, tampou o rosto com as mãos.

- Ow! Edward! Sai daqui! Eu devo estar um lixo!
- Você não está um lixo... talvez um pouco despenteada. Mas só.

Ela voltou a me bater com aquelas mãos pesadas e grandes. Achava mesmo que eu sentia alguma coisa? Levantou da cama tentando (sem sucesso) ajeitar o cabelo. Quanto mais ela levantava os braços, mais a camisa subia, quase revelando aquilo que eu queria ver. Por mim ela ficaria o dia todo mexendo no cabelo...

- Eu só vou falar com você depois de ter escovado os dentes, tomado banho e penteado a juba.
- Ok.
- E você está parado aí, sem ir embora porque...
- Não quero ir.
- Não vai pra faculdade hoje?
- Claro que vou.
- Com essa roupa?

Ah. Me olhei e lembrei que estava com a mesma roupa que passara o dia inteiro. Olhei Bella e tive uma excelente idéia.

- Vou com a blusa que você está.
- Hein?


Eu não acreditava que essa noite tinha sido real mesmo. Porque tipo, eu dormi com Edward Cullen! Rá! Chupa essa manga! Tudo bem, eu tinha só dormido mesmo... mas eu dormi com Edward Cullen! Nos braços de Edward Cullen, colada em Edward Cullen. Ok, eu estava ficando histérica! Saí do banho, e quem estava no meu quarto? Vou dar uma pista. Ah tá bom, perdeu a graça. Ele agora vestia a camisa que eu usei para dormir. Um pouquinho amarrotada, mas não importa. Eu estava com ela há poucos minutos. Eu sou foda! Ele estava futucando tudo no meu quarto. Todas as gavetas. Para um vampiro, ele era bem fofoqueiro. Vi seu sorriso torto me olhando.

- Eu daria a minha imortalidade para ser essa toalha.

Eu provavelmente tinha corado, já que ele agora estava rindo satisfeito. O plano dele era esse. Sempre.

- Eu preciso me trocar... não quer dar uma voltinha pela vizinhança?
- Não.
- Edward, isso foi uma indireta para você sair.
- Ah foi? Você não é muito boa nisso também, Bella.

Eu bufei. Estava perdendo tempo ali com ele querendo me irritar. Se ele fosse mudo seria tão bom...

- Dá pra pelo menos ficar de costas enquanto me troco?
- Claro! Juro pela minha alma!
- Aquela que você provavelmente não tem?

Ele riu e me puxou pelo braço.

- Droga... achei que você fosse cair...
- Eu acho que estou começando a entender as suas piadinhas!

Dessa vez ele gargalhou. Já disse que ele era lindo?

- Tudo bem, você venceu. Vou ficar de costas.
- Edward...
- Sério!

Ele virou de costas e ficou rindo. Eu iria matá-lo se ele fizesse alguma graça. Acho que nunca troquei de roupa tão rápido em toda minha vida. E olha que eu já era rápida nisso.

- Bella...
- Fala.
- Eu cheguei a dizer que vampiros enxergam de costas?

Eu tropeçei na calça que estava vestindo e caí de cara no chão.

- Está tudo bem aí?
- EDWARD!!!!!

Ele ria. Por que essa pessoa gostava tanto de rir?

- É brincadeira. Vampiros não enxergam de costas. Bem, pelo menos não eu. Eu só leio pensamentos.

Puta que pariu!

- EDWARD!!!!!
- Calma... não os seus.

Terminei de vestir a roupa e fiquei sentada no chão, no mesmo lugar onde tinha caído e fiquei olhando-o de costas ainda. Ele tinha me cansado mentalmente. Edward Cullen era irritante!

- Já acabei!
- Hum. Preferia você de toalha.
- Não acho que seria muito confortável assistir aula de toalha, sabe?

Ele me puxou pela mão, me ajudando a levantar.

- E quem disse que você iria para a faculdade?
- Bem, eu estou aqui para estudar e aprender coisas!

Lá vinha o sorriso torto de novo. O que era agora? Ele pegou minha mão e a levou para dentro de sua camisa. Óh céus, que barriga era aquela?

- Eu sou um ótimo professor, Bella. Te ensinaria melhor que os seus professores...

Eu ri extremamente nervosa, tentando respirar.

- Esto-tou falando de matérias acadêmicas.
- Educação sexual é uma matéria acadêmica!

Eu fiquei olhando-o sem conseguir responder. Na verdade nem sei dizer quanto tempo eu fiquei engasgada.

- Bella...
- Hã?
- Fecha a boca para não babar, minha linda...

Apertei meus dedos na barriga dele e puxei-o pelos cabelos trazendo sua boca até a minha. Eu o beijava tão rápido que nem acreditava que essa habilidade toda era minha mesmo. Ele foi andando de costas até deitar na cama de barriga pra cima e me puxou pela cintura me colocando em cima do seu corpo. Eu acho que estava suando... talvez fosse precisar de outro banho. Apoiei as mãos no seu abdômem, que a blusa levantada deixava aparecer.

- Eu gosto da sua barriga...
- Só dela? O resto do corpo vai ficar com ciúmes!
- Eu não vou cair na sua de novo Edward.

Ele riu e meu corpo tremeu com o movimento do seu.

- Bem... faça bom proveito dela. Meu corpo é todo seu!

Ele sorria torto enquanto passava a língua pela boca. Me torturava até quando não tocava em mim. Antipático!

- Se não saírmos logo vamos nos atrasar, Edward.

Saí de cima dele tentando não parecer nervosa, já que eu estava prestes a infartar.

- Toma, Edward! Desprezado mais uma vez!
- Eu não desprezei ninguém!
- Como não? Você se aproveitou de mim agora. Tirou minha inocência...
- Muito engraçado.

Ele riu e me puxou pelo pescoço, sussurrando.

- Sabe por que eu estou resistindo a tudo isso?
- Por que?
- Porque quando eu decidir te pegar de jeito, vou descontar tudo que está se acumulando aqui.
- Tudo o que?

Ele me olhou com cara de safado.

- Esquece. Na hora eu explico.



Eu falei para ela que não me incomodava de sair pela janela e esperá-la no carro, enquanto se despedia das amigas. Mas ela insistiu e fez questão que eu saísse pela porta da frente. Ela pegou minha mão e me puxou pela escada. Quando chegamos na cozinha, minha paz tinha acabado.

"Que merda é essa?"
"Edward Cullen? Cullen? Cullen?"
"Bella e ele? Hum... isso aí amiga!"
"Um Cullen aqui em casa?"
"Eles dormiram juntos?"
"O que preciso fazer pra dormir com ele também?"


- Bom dia meninas! (Bella estava sorridente)
- Bom dia, Edward! É Edward, né?
- Oi Edward!
- Hey Bella!

Será que eu teria oportunidade de falar algum dia?

- Olá. Bom dia.

Elas me olhavam incrédulas.

"Será que ele é todo branquinho?" "Imagina esse homem me agarrando..."

Ok. Chega.

- Bella, lembra o que eu falei dos pensamentos? (falei baixo em seu ouvido)
- Lembro muito bem.
- Então... eu só não leio você. Mas estou lendo suas amigas. E não estou achando legal. Quer dizer... não seria legal para você eu levar isso a sério.
- Ow. Eca! Nojo! Vocês são abusadas hein!

As garotas olharam-na assustadas, e eu puxei Bella pelo braço, a tirando da cozinha.

- Você ficou maluca?
- O que? Acha mesmo que eu vou ficar quieta?
- Você pretende brigar com elas, dizendo que eu escutei seus pensamentos?

Ela parou e ficou me olhando. Eu esperava que ela ficasse na dela.

- Certo. Mas não é nem um pouco legal saber que minhas amigas dão mole para você e o senhor escuta tudo...
- Na verdade, só duas me querem. A de cabelos escuros não.
- Angie! Pelo menos ela. O que você quis dizer com levar isso a sério?
- Digamos que não estou acostumado a ser fiel.

Pela cara que ela fez, achei melhor ir correndo para o carro.
Ela saiu de casa e passou andando por mim. Onde ela estava indo?

- Bella?

Não respondeu. Mulheres... liguei o carro e a segui devagar, abrindo o vidro para falar com ela.

- Você vai a pé?
- Vou.
- Entra, Bella.
- Não, obrigada.
- Eu estava brincando...
- Não estava não.
- Ok, não estava.

Ops. Ela me fuzilou com os olhos. Mulheres não gostam de sinceridade? Como elas são estranhas!

- Você nunca consegue ler o que eu penso?
- Nunca...
- Ótimo!
- Ótimo por que?
- Porque estou te xingando mentalmente.
- Isso amor, desabafa!

Ela apertou o passo. Era melhor eu pedir desculpas. Desliguei o carro e saí, puxando-a pela mão.

- Eu estava sendo sincero... preferia que eu tivesse mentido?
- Claro que não. Sinceridade é fundamental. E além do mais, o que eu tenho a ver com isso? Não sou nada sua...

Ahhh, era esse o jogo. Entendi. Ou ela achou que eu não fosse entender? Eu já tinha ouvido essa frase algumas vezes durante meus 338 anos.

- Isso é verdade. Mas você quer ser?

Ela parou e me olhou.

- Ser o que?
- Alguma coisa minha.
- Que seria...?

Tudo bem, eu deixaria ela achar que tinha me encostado na parede. Eu daria essa vitória a ela...

- Você quer ser minha namorada, Isabella Swan?
- Ah. Isso?

Dando uma de desentendida. Que fofinha.

- Isso.
- Pode ser. (ela respondeu dando de ombros)

Tradução: "é óbvio!" Mas eu não iria traduzir em voz alta, claro.

- Então que tal minha namorada entrar no carro?
- Tudo bem.

Ela entrou, fazendo barulho ao bater a porta, enquanto eu esperava a hora que a fumaçinha fosse sair da cabeça dela. Que nem histórias em quadrinhos, sabe?

- Minha namorada está mais calma?
- Não!

Certo. Hora de agir. Eu não era mais adolescente.

- Bella, olha só. Você precisa entender que eu não sou igual aos outros caras. Eu sou um... predador.

Ela me olhou feio.

- Posso terminar?
- Pode.
- Eu nunca namorei.
- Nunca? Você é virgem?

Eu ri.

- Eu não disse que nunca transei... quer que eu entre em detalhes?
- Não.
- Certo. Esse é o meu instinto. Eu sou assim e não me arrependo de nada do que fiz. Mas isso é passado, e olha que eu tenho um passado gigante. Portanto, nós estamos namorando, mas eu não posso mudar o que sou.
- Ou seja, você não será fiel?
- Eu não disse isso. Eu serei fiel, em não me relacionar com outras mulheres. Mas eu não vou deixar de me alimentar delas.
- Ow.

Senti ela engolir seco, triste. Isso me matava. Mas o que eu podia fazer? Não ia passar a morder apenas homens, né? Era uma coisa meio homossexual.

- Tudo bem com isso?
- O que você faz exatamente? Para moder a vítima?
- Eu as seduzo.
- Você seduz homens também?

Eca. Bizarro só em pensar.

- Não. Só mordo homens quando não tenho outra opção.
- E eu tenho que achar normal você seduzir mulheres?

Parei o carro e puxei-a para meu colo, alisando a cintura dela.

- Sim, você tem que achar normal... já que será a única que vai encostar em mim.

Invadi sua boca, agarrando seus cabelos enquanto deixava-a sem ar. A buzina começou a tocar quando a imprensei contra o volante, beijando seu pescoço. Acho que eu não tinha deixado dúvidas no ar.


Eu estava terminando de me ajeitar quando saí do carro. Edward meio que tinha tirado meu cabelo do lugar. E ainda não tinha engolido muito bem essa história de ficar mordendo mulheres não, mas tudo bem. Foi uma sensação bem estranha e atípica chegar com ele na faculdade. Sabe quando todo mundo te olha feio? Minto. Sabe quando todas as mulheres te olham feio? Então...

- O que elas estão pensando?
- Quem?
- As mulheres.
- Quais?
- Todas, Edward.
- Ah tá. O mesmo de sempre... sou lindo, gostoso, me querem e...
- EDWARD! De mim. O que estão pensando de mim...
- Ops. Nada...

Ele não me olhou.

- Pode falar, eu não ligo.
- Nada demais, Bella.
- Eu vou te bater se você não disser.
- Morri de medo.
- Sério, Edward!
- Acham que você não é boa o suficiente para mim.
- Ah. Ok. Elas estão certas.
- Você é hilária!

Elas estavam certas mesmo, por mais que eu odiasse isso. Nem eu sabia o que Edward Cullen tinha visto em mim. Mas eu é que não ia reclamar, né? Se ele é cego, ótimo! Eu gelei quando entramos no prédio e seus irmãos estavam lá, olhando para ele. E ele me levava em direção a eles. Merda.

- Edward, eu acho melhor eu não ir lá.
- Vou te apresentar, só isso.
- Eles não gostam de mim...
- Quem disse?
- Emmet.
- Hein?
- Bem, Rosalie não gosta de mim.
- Rosalie não gosta de ninguém. Só dela.
- E do Emmet, né?
- Mais ou menos. Ela gosta muito do corpo dele.
- Ow.

Paramos em frente aos quatro vampiros. E eu não acredito que estou falando isso naturalmente. Enfim, eles me olharam surpresos. Bem, não todos. A baixinha me olhou sorrindo.

- Oi Bella!

Ela falou comigo? E me chamou de Bella? Eu olhei pro Edward.

- Ela prevê o futuro. (ele me disse no ouvido)

Sério? Queria perguntá-la se eu ia reprovar na aula de Literatura Moderna...

- Essa é Bella.

Ele me apresentou, fazendo a loira me fulminar. Céus...

- Er... oi gente.
- Já nos conhecemos, né Bella?

Emmet sorriu para mim e piscou. Espero que Rosalie não tenha visto isso. Mas Edward viu e fechou a cara para o irmão.

- É um prazer.

O loiro também falou comigo, um pouco mais seco que Emmet, mas mesmo assim, simpático. Eu olhei para ela. A loira.

- O que? Quer um oi? Oi.

Delicadíssima, não?

- Ignore Rosalie. O dia que ela for agradável com alguém, o mundo acaba.

A baixinha, Alice, me disse enquanto sorria para mim. Ela parecia ser legal. Tirando o fato de matar pessoas, claro. 





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2 comentários :

aah eu tenho uma POLAROIDE mais nunca aparece um gatinho pra tirar foto comigo KKKKKKK'
o edward está bem mais carinhoso agora ne *-*

8 de dezembro de 2010 21:09 comment-delete

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Morri de rir com esse capitulo .. foi um dos melhores ate agora!
E o Ed é um amooooor *-*

3 de fevereiro de 2011 21:51 comment-delete

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