TCS - Capitulo 3

Eu posso dizer com toda certeza que nunca estive tão apavorada em toda minha vida. Eu já estava aceitando minha morte precoce, quando vi um herói se aproximando com seu cavalo branco, não. Era Edward. Hein? Era Edward? Ele estava pedindo para eu lhe dar a mão? Mas eu não queria morrer tão feio, estabacada na estrada. Ele gritava comigo, e então não sei de onde eu tirei coragem, mas estiquei minha mão pra ele, sentindo meus ossos serem esmagados enquanto ele me puxava de encontro ao seu corpo. Eu não pensei em mais nada na hora, só me agarrei na sua cintura, esperando que aquele pesadelo passasse.

- Não solte de mim por nada nesse mundo!

Ele estava brincando, né? Soltar? Eu o apertava com tanta força que meus braços já deviam estar permanentemente entranhados na sua pele. Mas apesar de todo o susto e da minha quase morte, eu tinha que dar o braço a torcer, de que estava feliz por estar tão próxima dele. E o que? Ele tinha vindo atrás de mim? Me lembrarei de perguntar na faculdade amanhã para a Megan patricinha-loira se ele já salvara ela alguma vez... ou qualquer outra!

Eu olhei para cima, para poder ver seu rosto, e ele estava completamente compenetrado no meu sequestrador. E seus olhos estavam vermelhos... de novo? Quando ele teve tempo de recolocar as lentes? Ele era lindo, sexy, tesudo. Mas assustador. Bem, ele estava assustador naquela hora, inclinando seu corpo pra frente e olhando mortalmente para o outro motoqueiro. O que ele estava pensando? Ele não era policial ou nenhum homem da lei. Ele ia perseguir mesmo o cara? E se o outro estivesse armado? Eu não gostaria de ver meu cavalheiro reluzente levar um tiro por minha causa. E por falar em reluzente, o que era esse medalhão que brilhava horrores?

E então de repente Edward deu uma pisada na moto que a fez empinar a frente, me fazendo apertá-lo mais ainda para não cair. Eu devia estar matando o pobre coitado esmagado. Ele chegou bem rente a outra moto e segurou o outro cara pelo pescoço, levantando-o no ar, enquanto a moto, que agora estava sem motorista, batia numa árvore.



Eu precisava pensar rápido no que fazer com Bella. Não podia deixar que ela presenciasse o que eu estava prestes a fazer. Eu só tinha uma opção. Parei a moto, sem largar o pescoço do Volturi. Ela me olhou, os olhos arregalados e a respiração vacilante, morrendo de medo.

- Um dia talvez você entenda...

E apertei com os dedos dois locais estratégicos do seu pescoço, enquanto ela tentava se soltar, desmaiando lentamente nos meus braços. Com o braço que tinha livre, peguei-a no colo e a deitei na calçada a salvo. Escutei barulho de motos, estavam voltando atrás do companheiro perdido. Futuro morto, na verdade. O que falou comigo antes na festa, tentou intervir.

- Ele não o viu. É novo entre nós, deixe-o ir.
- Ele mexeu com a pessoa errada. Ele é meu. Está disposto a brigar por ele?

O que falava comigo lançou um olhar faminto em direção a Bella. Eu acompanhei seus olhos.

- A humana vale a pena?
- Deixe-a fora disso. E se não quiser perder mais membros da gangue, é melhor irem embora. Meus irmãos já estão perto.

Eles resolveram me ouvir. E foram sumindo pela estrada.

Trouxe o infeliz mais próximo do meu rosto para poder encará-lo bem de perto. Ele não falava nada. Ele não pensava nada. Lógico, era idiota demais para pensar, isso eu percebi. Eu pensei em torturá-lo, mas não era bom me expor tanto, no meio da rua. Para qualquer humano, o corpo de um vampiro era inquebrável, impenetrável. Mas, não para um vampiro. É lógico que brigas entre vampiros eram complicadas, porque as duas partes tinham a mesma força. E até mesmo para nós, o escudo da pele causava alguma resistência. Bem, não para nós, exatamente. Para os outros. Eu tinha uma vantagem a meu favor, que só meus irmãos sabiam. E também alguns poucos vampiros que cruzavam meu caminho e me faziam mostrar-lhes, como hoje. Mas eu não gostava disso, realmente não gostava. Eu sentia o ódio muito mais forte dentro de mim. Eu o olhei.

- Com os cumprimentos de Vlad.

Falei irônico, enquanto traçava-lhe a unha na garganta, soltando-o no chão. Merda, eu detestava quando a cabeça se soltava... sempre dava mais trabalho para limpar. Eu fiquei ali, olhando o corpo se desintegrando aos poucos, enquanto guardava meu medalhão. Caminhei até ela e a peguei no colo. O que eu faria? Nem sabia onde ela morava. Deveria levá-la de volta para a festa? Suas amigas a essa hora já deviam estar se descabelando. Ótimo. Irmãos.

- Edward, você enlouqueceu total? (Alice estava histérica, isso era difícil)
- Só um pouco...
- No meio da rua, Edward? E se alguém viu? E essa bagunça? Eu não vou limpar nada porque não posso sujar essa roupa.

Rosalie me estressava demais. Se ela não tivesse sido transformada por mim, eu juro que já estava morta. Mas o laço de sangue era mais forte, para o bem dela, claro.

- Eu só não entendo por que você me deixou de fora da melhor parte... (Emmet resmungava, quase chorando)
- Vocês assumem aqui para mim? Preciso decidir o que fazer com ela.
- Essa exposição toda por causa dessa humana! Se ela ao menos fosse gostosa como eu...
- Você pode ser gostosa Rose, mas deixe-me te lembrar que eu nunca te peguei. Porque eu nunca quis.

Ela quebrou em mil pedaços os óculos que segurava na mão. Ponto para mim.

- Ow! Eu tô aqui, ok? Será que você poderia não colocar a palavra "pegar" e "Rose" na mesma frase? Por favor?
- Foi mal Emmet. Mas veja por um lado bom... isso foi bem antes de você chegar.

Eu dei um tapinha no seu ombro, consolando-o. Chamei Jazz mais pra longe, tentando salvar minha mente da futilidade de Rosalie.

- Jazz, como ficaram as coisas por lá, depois que saí?
- Oh, eles ficaram meio atônitos, mas nós resolvemos. Isso foi uma encenação, que nós programamos para dar as boas-vindas ao semestre. Os Volturis eram atores de fora. E ah... a caloura é uma aspirante à atriz, que se candidatou para fazer o papel da mocinha.

Eu me contorci. Sério mesmo?

- Isso foi o melhor que vocês fizeram?
- Bem... tivemos que pensar rápido, né? Já queriam chamar a polícia...

Eu tive que rir. Isso era patético. Fiquei imaginando Bella, quando acordasse, com olhares curiosos em cima dela. Será que pediriam autógrafo? Ela me mataria. Voltei em direção à festa, caminhando com ela no colo, ainda desmaiada. Mas eu já sentia ela acordando, a intenção foi deixá-la desacordada só enquanto eu resolvia as coisas. Seus braços envolveram levemente o meu pescoço.


Certo. Era triste saber que tinha morrido. Mas pelo menos eu estava no céu, visto que estava sendo carregada por um anjo que era a cara do Cullen. Eu sorri para o anjo, ele era tão lindo. E tão parecido... será que anjos poderiam dar beijo na boca?

- Bom dia.

Ele falava? Ah não. Não era um anjo. Era Edward, e eu ainda estava viva. Que bom. Seu hálito inebriante perto do meu rosto me deixava tonta. Como se eu já não estivesse antes.

- Bom dia? (eu olhei em volta, era de noite)
- Considerando o tanto que você dormiu... é quase de dia já. (ele riu torto) Estou brincando. Você está bem?
- Acho. Acho que sim.

E então as últimas imagens voltaram todas à minha mente. A moto, Edward agarrando o cara, Edward com a mão no meu pescoço e... ops. Edward com a mão no meu pescoço! Ele tinha me sufocado. De propósito! Quando eu me dei conta de que estava sendo carregada pelo inimigo, comecei a espernear e bater nele tentando me soltar.

- Me põe no chão, seu louco. Agora! Eu me lembro de tudo, lembro de você querendo me matar!
- Te matar? (ele riu, sem me soltar) Se eu realmente quisesse isso não precisaria de toda essa parafernália. Bella, eu não posso te explicar agora. Só que eu te salvei, caso você não lembre...
- E depois ficou entediado e resolveu me botar pra dormir?

Eu queria gritar, sair correndo dali. O que ele ainda queria comigo?

- Eu fiz o que fiz porque não queria que você visse o resto. Mas eu sabia que você acordaria bem depois... foi calculado.
- O que eu não podia ver?

E então, como uma bola batendo na minha cabeça, eu me toquei do que ele falava.

- O que aconteceu lá? Cadê o outro cara? Você está ferido?

Eu apalpava seu peito procurando por algum ferimento. Ops. Ele tremeu. Eu tirei minhas mãos dele.

- Achou o que procurava? (ele me olhou desafiador e depois riu) O outro cara não importa mais. Mas nós precisamos conversar.
- Sobre?
- Vou tentar ser rápido e direto. Um cara da gangue te pegou, eu te salvei e nós estamos voltando para a festa. Só que eu não gosto de exposição e não quero ficar dando explicações por aí. Então só para constar, isso foi tudo uma encenação, ok? Você tem que confirmar quando dissermos que aqueles caras eram atores contratados. E que você era a donzela em perigo.

Ele riu. Estava brincando, né? Quem cairia nessa? Minhas amigas pelo menos não.

- Você quer que eu finja... que sou... atriz? É isso?

Ele balançou a cabeça. Eu gargalhei, sem quase não conseguir parar.

- Você realmente não me conhece para saber que eu odeio aparecer! Se você tivesse me dito isso antes, eu teria pedido para me deixar na moto do cara... sério mesmo.
- Ok. Então eu vou ter que dizer a todos que era um ex-namorado seu querendo reatar o namoro.

Wow. O que? Tudo bem, não seria muito ruim a idéia de ser atriz. Eu suspirei, sabendo que tinha perdido a briga. O olhei, examinando-o.

- O que você tem a esconder? E o que era aquele negócio que brilhava?

Eu segui com os olhos, a corrente prata que entrava por dentro da camisa dele, e toquei nela, querendo puxá-la. Seus dedos apertaram minha mão e ele me olhou de cara feia. Fiz merda de novo.

- Aquele negócio que brilha, chama-se medalhão. E não, você não vai vê-lo.

Mas eu nem perguntei nada... ok, eu ia mesmo perguntar. Que saco!

- E sobre ter o que esconder?
- Talvez eu tenha, talvez não. Mas eu não te devo satisfações sobre isso.
- Tudo bem Mister Simpatia. Eu só perguntei. E por falar nisso... como você está de lentes de novo?

Ele entortou a cara.

- Você faz muitas perguntas.
- E você não responde nenhuma.

Continuamos o resto do caminho calados, e eu afundando em devaneios. O que tinha por trás disso tudo? Eu não engoli o fato de não saber o que houve com o cara. Quando vi que estávamos chegando, ele me chamou.

- Bella...
- Oi.
- Vampiros atraem vampiros. Não use mais essa roupa, por favor.

Eu não entendi. Mas concordei.

- Ok.


Era relaxante estar sozinho com ela, eu não precisava ficar escutando porra nenhuma de pensamentos. Aquilo incomodava muito às vezes. Certo, não era tão relaxante, considerando o fato de que eu tinha vontade de furar seu pescoço e drenar seu sangue, já que por causa dela eu não me alimentei bem da outra vez. Ou então jogá-la na cama e possuí-la, já que por causa dela, eu não transei da outra vez. Mas eu só pensava nessas opções em 95% do tempo. Ou ostros 5% eu me sentia relaxado. Patético, né? Eu sei. Eu a olhei e a peguei de rosto pra cima olhando pra mim. Tive vontade de rir, mas vi que ela tinha corado que nem beterraba, então deixei pra lá. Ela já não estava tendo um dia muito bom.

- Só por curiosidade, quantos anos você tem?

Perguntei antes de colocá-la no chão.

- 18, e você?

Eu engasguei. Eu era mesmo masoquista.

- Sou um pouco mais velho.

Eu sorri, sem entrar em detalhes. Para que dizê-la que eu era quase da época daquele vestido? Não havia necessidade...

- Bella! Bella! Você está bem?

Suas amigas correram quando a viram. Eu notei os curiosos que ainda estavam do lado de fora, se aglomerando à nossa volta. Ah, claro, para verem os excelentes atores! Eu não me esqueceria de agradecer meus irmãos mais tarde.

"Que inveja dela"
"Queria estar no lugar dela para ser salva por ele"
"Onde foi o teste? Eu nem soube de nada..."
"Gostosa pra caralho, pegava fácil"


Esse pensamento não foi legal. Onde estava o infeliz? Esquece Edward... Era mais interessante me divertir com a cara dela totalmente sem-graça com as pessoas que a bajulavam.

- Edward, por favor?

Uma pessoa estranha, vestida de... o que era aquilo? Bem, um vestido preto com bolas verdes na frente. Esticou a mão com papel e caneta para mim.

- Eu não dou autógrafo.

Respondi amargo e entrei na casa. Ops. Só depois percebi que era uma amiga de Bella. Que fora.
Eu entrei numa das salas e Henry Bass estava sentado ao redor de uma mesa com sua fiel cúpula.

- Cullen, aquilo eram...
- Sim. Eram.

Ele se levantou e pegou uma taça, enquanto tirava uma garrafa de bronze envelhecido de dentro de um armário trancado a sete chaves. Me serviu.

- Um brinde. Ao sangue mais nobre! (sorriu enquanto brindava para mim)

Eu sorri forçado, não estava com saco para aquilo. Sentei-me enquanto tentava relaxar, esquecer os problemas e tentar, porque até agora isso não tinha dado certo, curtir a festa.

- Então, quem é a garota?
- Que garota, Henry?
- A que pegaram, que você foi atrás.
- Ah. Ela é caloura. Isabella Swan.
- Ela é do nosso nível?
- Se você quer saber se ela é rica, eu não sei. Não a conheço direito.

"Ela não é de se jogar fora..." - eu o olhei de lado. Os Betas sabiam o que éramos, mas não sabiam de alguns de nossos poderes, digamos assim.

- Qual o interesse nela? Não acho que ela tenha nada a te oferecer.
- Eu acho que ela não é de se jogar fora, só isso. Ao menos para um pouco de diversão ela deve servir.
- A menos que você seja muito tolerante a dor, é melhor não se meter com ela.

Ele me olhou incrédulo. Qual era o problema desses caras? Nunca viram mulher na vida?

- O que? VO-CÊ está interessado na pobre donzela? Edward Cullen? Só pra morder, ou... pra dar umazinha também?

Eu o olhei. Só.

- Henry, sua blusa está com sangue.
- Não está não. (ele conferiu olhando a blusa toda)

Eu dei um soco no seu rosto E levantei para ir embora.

- Agora está.

Eu passei rápido pela sala lotada de jovens bêbados dançando uma música que nem letra tinha, apenas batidas. Hoje em dia ninguém sabia apreciar uma boa música. Fui para o carro, decidido a não esperar meus irmãos. Alice a essa hora já tinha visto eu indo embora e daria um jeito de se virarem. Quando eu abri a porta, uma mão leve tocou meu braço.

- Você já vai?

Ela me olhava com os olhos brancos. Olhos patéticos, por sinal. Mas nela eu achava engraçado.

- Vou. Não estou me divertindo aqui. É melhor ir embora.
- É que eu fiquei tanto tempo discutindo contigo, que me dei conta que nem te agradeci.
- Não precisa. Eu fiz o que qualquer um faria.


Ele era humilde né? Qualquer um? Claro... qualquer um saltaria numa moto a 120km/hs para perseguir um cara sinistro e salvar uma garota que mal conhecia. Com certeza.

- Bem, de qualquer forma, obrigada. De verdade.

Eu bufei, cruzando os braços, com cara de poucos amigos. Cadê as meninas hein?

- Qual o problema Bella?
- Nenhum... só estou cansada. Queria ter a mesma sorte que você para poder ir embora.
- E não vai por quê?
- Bem, porque eu estou com outras três pessoas. Que pelo visto, não vão querer ir embora tão cedo.

Ele me olhou sério. Como se estivesse pensando. Passou a mão nos cabelos. Cabelos irritantes.

- Se quer ir embora, eu posso te levar.

Ah, ele achou que eu estivesse de carona? Eu abri a boca pra dizer que meu carro estava logo ali, mas fechei-a rápido. O que eu estava fazendo? Ou pensando? Eu iria mesmo recusar a carona dele? Claro que não! Lembrei que as meninas precisariam voltar de alguma forma...

- Ok, aceito a carona. (eu ria nervosa... idiota!) Só vou lá dentro avisar minhas amigas. Me espera?

Óh céus, diga que sim.

- Pode ir. Eu não tenho toda a eternidade, mas eu te espero. (ele falou com um tom sarcástico)

Eu corri até a casa, achei Angela conversando com um carinha, bonito por sinal. Óbvio que não era nenhum Cullen, dã, mas era legalzinho.

- Angie, toma a chave da pick-up. Eu vou embora de carona.
- De carona? Com quem?
- Com o Cullen. (falei baixinho no seu ouvido)

Ela arregalou os olhos. Qual o espanto hein?

- Ok.



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1 comentários :

UAAL adorei!correndo ler o proximo !
beijinhos

6 de dezembro de 2010 19:36 comment-delete

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