TCS - Capitulo 1

Eu acordei sem nenhum humor. O dia estava frio e eu já tremia só em pensar na hora de sair do banho. Maldição. Levantei-me, xingando a 5ª geração da pessoa que inventou os estudos, tomei meu banho rápido, vesti qualquer moletom que vi pela frente, passei uma escova nos cabelos só para tirar os nós que se acumulavam e desci as escadas para me juntar às meninas na cozinha.

- Hey Bella, animada para nosso primeiro dia de faculdade?

Ugh. Jessica poderia ser terrivelmente irritante. A maioria das pessoas ficaria empolgada com seu primeiro dia numa faculdade. Bem, eu não era como a maioria das pessoas. Tudo bem que estudar na Universidade de Forks tinha a sua vantagem (ou desvantagem, dependendo do seu ponto de vista), devido ao tamanho minúsculo daquela instituição. E para falar a verdade, foi isso que me fez continuar na cidade e optar por aquela faculdade. Digo, o que eu não queria mesmo era ser a atração cômica de um lugar do tamanho de Harvard ou Yale. Não combinava comigo. Mesmo. E além do mais, poderia ser interessante dividir uma casa com Jessica e Angela... ah, e Lauren. E estar menos de duas horas de distância de Charlie.

- Muito animada Jess, explodindo de felicidade! - sorri amargamente enquanto engolia um pedaço de pão.
- Nossa, Bella, seu entusiasmo contagia o ambiente, sabia? - Lauren soltou seu sarcasmo.
- Jura? Que bom, fico feliz por isso! Já estou indo. Vem comigo Angie?
- Claro! Já acabei o café.

Nós saímos deixando Jess e Lauren em casa, entrando em minha pick-up enquanto tentávamos não tremer de frio. Apesar das meninas cismarem que não era necessário o uso de um carro para ir até a faculdade, eu tinha batido o pé, não abrindo mão da minha boa e velha Ugly Red. Em ridículos 5 minutos estávamos no estacionamento. Ok, não era tão longe assim, era ridiculamente perto. Estacionei e quando me preparava para desligar o carro, alguém bateu no vidro.

- Sim? - Eu falei abaixando-o.
- Oi, meu nome é Megan, tudo bem? Então... como eu acho que vocês devem ser calouras aqui, eu achei melhor avisar que você não deve estacionar nessa vaga.
- Porque não? - Perguntei com a voz esganiçada, já ficando estressada.
- Bem, porque ela já tem dono. É uma vaga cativa, ok?

Ótimo, era só o que me faltava, ser expulsa da vaga.

- Acontece que eu não estou vendo a palavra cativa escrita aqui...
- Na verdade - Ela apontou o dedo para frente - Está sim.

E então minha cara foi no chão, quando eu olhei para o meio-fio na minha frente e vi uma plaquinha reluzente, escrito com letras douradas e desenhadas: "Cullen".

- Obrigada.

Eu agradeci amargamente, enquanto dava ré e escutava o riso de Angela ao meu lado.

- Começamos bem Bella.

Depois de rodar alguns minutos procurando por uma maldita vaga, eu estacionei e nós entramos no prédio gigante que se estendia à nossa frente, todo adornado em gesso com estátuas lá no alto. Andávamos olhando todas as portas procurando por nossas salas. Eu teria que me acostumar rápido com aquele turbilhão de vozes, gente entrando e saindo, falando alto, rindo. E eu achava que o colégio era ruim? Aquilo era quase o inferno. Então eu tive a brilhante idéia de parar em frente a um mural que ficava no fim do corredor, e que aparentemente, constavam as informações das salas e aulas daquele semestre.

- Ok Angie, minha sala fica no 3º andar e a sua... pelo visto, ahn... ah, no 2º! Acho que a gente se vê depois então. Lá na lanchonete? Angie?

Eu me virei para ver por que estava sendo completamente ignorada ali, e aí descobri. Simplesmente eu não tinha percebido que o terrível turbilhão de vozes tinha sumido, e quem não estava em silêncio, murmurava alguma coisa baixa pra si mesmo, ou para os amigos. E todos, eu disse todos, inclusive minha amiga, olhavam fixamente para o início do corredor, e eu segui seus olhos.
Eles eram cinco no total... três homens e duas mulheres, que passavam pelo caminho que se abria em meio aos estudantes embasbacados. Eu não sei se era algum problema de visão meu, mas pareciam deuses recém-chegados do Olimpo.
Todos tinham a mesma cor de pele pálida e usavam óculos escuros. A mulher mais alta, e que chamava mais atenção, era loira de cabelos esvoaçantes, a outra era baixinha de cabelos curtos, negros e repicados. O homem mais alto tinha cabelos pretos bem batidos e era super musculoso. O do meio e o mais baixo era magro e tinha cabelos loiros tão repicados quanto os da outra garota.
E o 5º, mas não último, era simplesmente o mais magnífico de todos.
Seu cabelo era um ruivo mais puxado para o dourado, meio bronze ou sei lá que cor linda era aquela... e os fios eram meticulosamente bagunçados. Não era tão alto quanto o moreno nem tão baixo quanto o loiro. E não era musculoso, mas aparentava ser forte. De uma forma intrigante, ele andava à frente dos outros quatro.
Enquanto eu via algumas pessoas cumprimentando-os timidamente, eles não olhavam para a cara de ninguém, muito menos respondiam o cumprimento. Apenas desfilaram pelo corredor, em suas roupas extremamente elegantes e subiram as escadas.
Foi só eles sumirem, que o turbilhão voltou, como se todos tivessem saído de algum tipo bizarro de hipnose.

- Viu as salas Bella?

Eu torci a cara.

- Vi né. Eu no 3º andar e você no 2º.
- Ok, nos vemos na lanchonete! - Angie se despediu subindo as escadas correndo.

A menina que me expulsara mais cedo da vaga, estava passando por mim e eu não resisti em segurá-la pelo braço.

- Ei, lembra de mim? - Eu me esforcei ao máximo para dar um sorriso simpático.
- Claro! Você é a garota que roubou a vaga do Cullen. Deveria me agradecer o resto do semestre, por eu ter te salvado.
- Me salvado? De que? E quem eram essas pessoas que chegaram juntas? Esses cinco?
- Te salvado de se tornar a piada da faculdade durante a sua estadia aqui. E aqueles cinco... são os Cullens. - Ela falou esse nome como se estivesse contando uma piada de loira, para uma loira.
- Ah! Então esses são os meus calos? Que me fizeram rodar atrás de uma vaga? Bom saber!

Ela apertou meu braço, me levando para o canto do corredor.

- Shhh! Fala baixo! Você é louca ou só é burra mesmo? Olha só, deixa eu explicar de um jeito que você entenda. Você arranjar briga com os Cullens, só vai tornar sua vida aqui um inferno. E você realmente não quer isso.

Mas do que essa maluca estava falando? Ela achava que eu iria me curvar a um bando de antipáticos só por causa de uma estúpida plaquinha de vaga cativa? Aquilo estava me irritando. Ela perguntou meu nome.

- Isabella. Isabella Swan.
- Ok Isabella. Veja assim, eles são a elite, e você... - Ela me olhava da cabeça aos pés - Bem, você está longe de ser a elite, né?

Eu nem tive tempo de responder o que queria para aquela patricinha, pois antes mesmo de abrir a boca, ela me virou as costas em foi em direção a uma amiga que a chamava do outro lado do corredor. Droga! Nem me dei conta do quanto eu estava atrasada. Saí correndo pela escada, empurrando as pessoas lerdas que cismavam em parar para conversar bem no meio daquela passagem, esquecendo que ali era para descer ou subir. Cheguei sem fôlego no meu andar e senti meu rosto vermelho. Isso acontecia facilmente quando eu corria, ou gargalhava demais, ou ficava sem-graça. Era uma coisa bem agradável, para não dizer o contrário. Minha primeira aula era de Literatura Modernista, uma matéria avançada, que não era cursada por calouros, mas que eu consegui encaixar na minha grade por causa de um curso que eu fizera ano passado. Arrependi-me amargamente de ter ficado discutindo lá embaixo com a patricinha, pois o professor já estava na sala, que estava lotada. De veteranos. Ótimo, Bella, vamos começar a pagar mico. Os rostos se viraram em minha direção quando a porta rangeu ao abrí-la. O professor mandou-me um olhar de desaprovação e eu ouvi sua voz ríspida se dirigir a mim.

- Estamos começando hoje, senhorita, mas saiba que não tolero atrasos de mais de 10 minutos em minhas aulas. Se não puder estar dentro desta sala até as 08:10 hs, fique em casa dormindo.

Eu engoli seco. Essa não era a melhor forma de começar agradando um professor de uma matéria que eu não queria reprovar. Subi os degraus, sem olhar para ninguém e sentei numa carteira na 5ª fileira. Eu estava abrindo meu livro quando vi um cabelo bronze duas fileiras na minha frente. Eu não acreditava que estava na mesma sala que um deles. Ou melhor, que o mais bonito deles. Eu olhei para a menina ao meu lado, que parecia viajar numa revista escondida camuflada dentro do livro.

- Ei!

Ela me olhou. Tinha um rosto simpático.

- Qual o nome dele? - Eu perguntei baixinho, apontando para os cabelos bronze.
- O Cullen? Aquele é o Edward.

Edward. O nome era bonito para alguém tão antipático, eu pensei. Mas eu tinha gostado do seu nome. Tinha uma melodia agradável.

- Edward... - Eu falei muito baixo, só para mim, como se estivesse frisando em minha mente.

Então por algum motivo, ele se virou para trás, rápido, me encarando pelos óculos escuros. Eu não sei se foi ilusão minha, deveria ser, mas eu podia jurar ter visto ele passar a ponta da língua no canto da boca. Então eu já estava imaginando coisas. Que ótimo. Ele se virou quando o professor fez uma pergunta geral. Uma garota lá na frente levantou o braço e começou a responder. Eu sabia que ela estava um pouco nervosa, porque ela fazia os mesmos gestos que eu, quando ficava assim também.
Tive pena da pobre menina quando ela começou a gaguejar, se enrolando nas próprias palavras, contribuindo para um riso coletivo da sala. Mas eu não ri, porque sabia exatamente o que era passar por isso. Ele também não riu. Enquanto a garota procurava um lugar para se esconder, ele simplesmente deu um tapa ensurdecedor com a mão aberta na carteira, e de repente toda a sala se calou.

- Continue, Kiara. - Ele falou.

E então ela continuou. Wow. O que foi aquilo? Primeiro porque era perturbador o fato de que todo mundo o tinha obedecido. Segundo porque sua voz era ao mesmo tempo rouca e aveludada. Isso era possível? Eu não me importava... a voz dele era inebriante.
Eu não vi a hora passar, já que estava mergulhada em meus devaneios. Mas quando sai do transe, o professor já terminava suas últimas frases. Assim que a aula terminou, alguns alunos saíram rápido, enquanto ele caminhava calmamente até a porta. Eu achei graça na forma como as mulheres olhavam pro seu rosto quando ele passava por elas. Ele era realmente muito bonito, mas eu não entendia o motivo para tamanho fanatismo. Quando eu terminei de juntar minhas coisas e saí da sala, ele já tinha sumido do corredor.
Desci para a lanchonete, e vi minhas amigas sentadas numa mesa, guardando lugar para mim. Eu cheguei, jogando meus livros na mesa.

- Ei gente. Espero que o dia de vocês tenha sido melhor que o meu.
- Ah claro, Bella. Se você diz melhor, se referindo a uma loira oxigenada tirando todos, eu disso todos, os olhares de cima de você, e roubando-os para ela, então sim, meu dia foi melhor. - Lauren resmungava aparentemente bem irritada.
- O que ela tem? - Perguntei pra Jess e Angie.
- Deixa eu resumir... - Jess falava enquanto suspirava - No começo Lauren estava super feliz porque os caras olhavam para ela no corredor. Aí passou uma loira tipo modelo e a Lauren se tornou, bem... o oposto do centro das atenções. - A Jess prendia um riso enquanto se divertia contando.
- Deixa eu adivinhar. Loira, alta, linda, de óculos escuros?

Eu fechei a cara quando as três balançaram a cabeça. Pelo visto não era só eu que tinha problemas com essas pessoas. E aí contei minha história para elas, desde o infortúnio com a vaga do carro, até o acontecimento em sala de aula.

- Ah Bella, você é doida. O cara é um gato e você implicando com ele... olha a neurose, tudo por causa de uma vaga. - Angie estava me contrariando? Sério?.
- Não é tudo por causa de uma vaga, Angela. É por causa da vaga, por causa do nariz empinado deles e por todos parecerem venerá-los. Eles são os donos da faculdade por acaso? Não.

Eu não ia convencê-las de nada, era perda de tempo. Pelo visto Angela estava tão fascinada quanto as outras garotas. Levantei e fui comprar algo para comer, meu estômago tava roncando e só agora eu me toquei.



Eu estava indo para a lanchonete encontrar meus irmãos. Quando estava chegando vi o Emmet chegando por trás de uma garota que segurava um salgado e um copo de suco nas mãos. Eu sabia que ele ia aprontar. Emmet tinha uma necessidade insaciável de aparecer. E de enlouquecer as mulheres. Mas isso eu também tinha. Ele encostou a mão nos ombros dela e disse um "oi" em seu ouvido. E eu só vi a pobre coitada tremer e deixar o copo cair. Ele era sem dúvidas o pior de todos.

- Algum dia você vai se cansar dessa brincadeira Emmet? - Eu perguntei enquanto olhava a garota, tremendo, sentar em sua mesa.

"Ele falou comigo! Um Cullen falou comigo!" - Era só o que ela conseguia pensar... atônita.

- Nunca! É tão hilária a reação delas... - Ele sorria para mim.
- Até o dia que Rosalie se irritar com...

Eu não terminei de falar, porque aparentemente, alguém me deu um encontrão. Eu me virei para olhar, e descobri que era a garota da Literatura, que falou meu nome. Ela levantou a cabeça para me olhar, permanecendo imóvel e de boca aberta, como todas as outras. Eu não a conhecia, portanto devia ser caloura. Eu a encarei, esperando por algum pensamento. Nada. Estranho.

- De-des-desculpa, eu não estava olhando.

Eu senti vontade de rir quando seu rosto ficou vermelho igual a um pimentão. Em geral as garotas só ficavam tontas, mas não costumavam corar. Não tanto assim. Eu estava de bom-humor hoje, portanto não quis piorar a situação. Para ela, claro.

- Sem problemas. - Falei num tom de voz meio seco.

Ela voltou a caminhar, indo em direção ao balcão da lanchonete, enquanto Jazz, Alice e Rose chegavam. Sentamos-nos em nossa mesa, enquanto colocávamos algumas questões em dia.

- Pegaram algum professor ruim esse semestre? - Jazz perguntava enquanto sondava nossas emoções.
- Eu peguei uma professora idiota, serve?
- Qual o problema dessa vez, Rose?
- Bom, eu tenho aula com uma professora que fica tímida com os alunos. Foi só um cara falar uma graçinha que ela quase se enfiou de baixo da mesa.
- Eu não consegui ler a mente de uma caloura.

Todos me olharam, incrédulos.

- Como assim, não conseguiu Edward? - Alice me perguntava, abaixando seus óculos para me olhar.
- Bem, eu tentei e não veio nada... como se ela estivesse vazia.
- Quem é a garota? - Jazz perguntou enquanto olhava em volta.
- Ela estava por aqui. - Eu olhei tentando achá-la - Lá está ela, em pé na lanchonete, de moletom preto.
- Nossa, ela se veste bem. - Rosalie riu com seu sarcasmo doentio.
- Será que ela é... diferente? Como nós?
- Não Emmet, ela não é vampira, nem nada parecido. Ela é humana com certeza. Eu senti seu sangue.
- Hum, estranho... nunca vi isso acontecer com você...
- Eu sei Alice. Mas podem ficar tranquilos que eu vou descobrir o motivo disso.

Terminamos nossa conversa, enquanto eu observava a estranha caloura, de longe. O que será que ela tinha de diferente que eu não conseguia ler?


Eu ainda estava tentando me recuperar da situação que eu acabara de passar, quando a voz da Angela me tirou do transe.
- Bella, tá tudo bem?
- Hã? Ah sim, está. - Tentei disfarçar.
- Você voltou estranha lá de baixo... aconteceu alguma coisa?
- Não. Só o antipático do Cullen que esbarrou em mim. Ou melhor, eu esbarrei nele.

Todas me olharam pasmas.

- Como assim você esbarrou no Cullen? Qual deles? Foi de propósito? Ele falou contigo? Você falou com ele?

Sério, a Jessica precisava urgentemente parar com essa mania de bombardear os outros de perguntas. Eu nunca conseguia nem lembrar da primeira.

- Não. Sim, quer dizer, eu esbarrei nele sem querer, pedi desculpas e pronto, continuei minha vida. Nada demais.

Mentira! Eu quase babei quando olhei pra cima e dei com ele me olhando. Acho que era normal as pessoas surtarem quando os olhavam tão de perto. Só podia ser isso, porque antes, eu o achava bonito, claro. Mas agora... bem, existia alguma palavra apropriada? Ele era como se fosse irreal, como se fizesse parte de um sonho. Seu rosto tinha contornos perfeitos e sua boca, ah Bella. Parou. Ele pode ser absurdamente lindo, mas ainda é estranho e antipático.
O resto do dia passou bem rápido, com o meu desespero em tentar não chegar atrasada em nenhuma aula. Eu tenho que admitir que quando saía de uma sala para entrar em outra, eu corria os olhos pelo corredor querendo cruzar com um deles. Mas isso não aconteceu, para minha tristeza. No final das minhas aulas, eu não consegui achar nenhuma das meninas, então resolvi ir sozinha mesmo para casa.
Entrei no estacionamento e fui caminhando calmamente para o carro, que estava longe, bem longe, graças, é claro, aos Cullens. Ugh. Quando estava me aproximando da vaga da qual tinha sido expulsa, vi a loira, o saradão, a baixinha e o loiro encostados num carro vermelho. Não. Carro vermelho era o meu. Aquilo que dava para enxergar até mesmo da Lua, era uma BMW conversível vermelha que no sol deveria cegar. Eu senti falta de um deles. Ele, claro. O antipático. Não que os outros não fossem também, mas ele me irritava mais.
Me virei assustada com o barulho de uma batida. Era uma garota no volante de um Honda, que tinha batido na traseira de um Volks velho. Ah claro, então eu entendi o porquê. Edward Cullen tinha passado sorrindo por ela. A maluca estava com a cabeça chorando com a cabeça baixa no volante, enquanto ele se dirigia até os outros quatro, sorrindo alegremente, rodopiando o chaveiro do carro no dedo. Eu tive pena da menina.
Ele não foi para a BMW. Ele abriu a porta do carro ao lado. Só então eu percebi que não era a BMW que estava na MINHA vaga. Era um Volvo prata brilhante. Eu não devia ter feito isso, na verdade nem sei até agora porque eu fiz. Mas me deu uma raiva súbita, e eu fui fervendo até eles, o oposto do caminho onde meu carro vermelho velho estava. Quando eles viram eu me aproximar, ficaram todos eretos, e o maior, o musculoso, se pôs na frente deles, quase grudando em mim.

- Sim? - Ele me perguntou, me encarando seriamente.
- Por que vocês fazem isso? - Eu tentei ficar na ponta dos pés para não me sentir uma anã perto dele.
- O que nós fazemos? Você pode me explicar?

Wow. Ok. Ele se inclinou, se aproximando do meu rosto e me deixou tonta. Era possível todos eles serem tão assustadoramente lindos?

- Emmet!

Uma voz seca fez com que o grandalhão se distanciasse de mim, me fazendo recuperar a respiração. Então eu vi que Edward tinha saído do carro e se colocado do lado do outro. Ele passou a mão nos cabelos irritantes enquanto me olhava.

- Deixe-a falar. Estou curioso. - O filho da mãe sorriu cinicamente, entortando a boca.
- Porque vocês fazem isso com as pessoas? Deixam elas assim... vocês viram que a garota bateu com o carro, né? Foi provocação sua!

Eu apontei o dedo para ele. E depois me arrependi. Ele inclinou a cabeça para o lado como se estivesse me estudando, e se aproximou de mim, encostando o peito no meu dedo apontado. Passou o dedo indicador que possuía um anel prata pelo lábio inferior e me encarou tão sério que eu senti medo. Sem olhar para o outro, ele fez um sinal com a mão, e o grandão voltou para a BMW. Eu abaixei meu dedo, meio tensa, e perdi o ar com a sua voz baixa, sendo quase que sussurrada, em direção a mim.

- E porque seria culpa minha se alguém bate com o carro por não olhar para a frente? Eu por acaso tenho culpa de ser como sou? Ou são vocês mulheres que são...

Eu estava imóvel. Pude sentí-lo vindo por trás de mim, e assoprando nos meus ouvidos.

- Fracas...



A caloura estava realmente testando meus limites. Não lembrava de ninguém que tivesse ousado me apontar o dedo, e ainda continuasse vivo. Bem, ela me intrigava, por não conseguir ler sua mente. Isso era o suficiente para ela continuar respirando. Mas eu ia torturá-la, poderia ser divertido.
Mandei Emmet nos deixar, e me inclinei sussurrando para ela, exalando meu veneno inebriante no ar. Pus-me atrás dela, enquanto assoprava no seu ouvido, e sentia os batimentos cardíacos dela acelerarem. O sangue dela cheirava forte e doce, me fazendo lembrar que estava com muita fome. Mas ali não. E nem ela. Não agora, pelo menos. Quando eu senti o calor emanando do seu corpo, deslizei um dedo pelo seu braço, fazendo todos os pêlos do seu corpo se eriçarem.

- Até amanhã, Bella.

E a deixei ali. Enquanto eu entrava no carro, escutava Rosalie arrancando, cantando os pneus da BMW. Eu ri. Ela era nervosinha demais. Uma mão bateu na lataria do carro e eu abaixei o vidro quando a vi me encarando. Não era possível, o que ela queria agora?

- Ei, como você sabe meu nome?
- Você me disse. - Eu sorri.
- Não, não disse. Eu me lembraria.

Ela chegava a ser engraçada, se achando a menina má, ou sei lá o que ela achava que fosse. Ela devia achar que metia medo em alguém...
Eu mexi meu dedo, chamando-a mais perto. Ela se curvou sobre a janela para me ouvir. Eu assoprei.

- Qual o seu nome?
- Isabella. Ou Bella se preferir. - Ela respondeu fechando os olhos tonta.
- Viu como você me disse?

Eu dei ré enquanto ria, e me afastei dirigindo pela saída enquanto via pelo retrovisor, ela fechar a cara e dar um tapa na própria testa.
Estacionei na garagem atrás da BMW de Rose, e vi meus irmãos em pé, me esperando com a cara amarrada e braços cruzados.

"Ele tá com um sorriso de satisfação, deve ter matado-a."

- Não Jazz, ele não a matou, eu a vejo viva ainda. - Alice respondia enquanto me olhava, entrando em minha mente.
- E eu posso saber por que a humana ainda está viva? Digo, vocês viram a petulância dela, certo?

Rose falava com as mãos na cintura enquanto batia os pés, uma imagem perfeita de uma criança mimada. Ok, tirando a parte da criança, o resto era verdade. Eu juro que não sabia como Emmet conseguia aturá-la.

"Você tá cozinhando para saborear depois, né Edward?"- Emmet dava um sorrisinho maligno.

- Posso falar? Eu não a matei, óbvio, porque ela me intriga. O fato de eu não poder ouví-la... é muito estranho. E além do mais ela não oferece perigo nem para uma mosca.

Eu os deixei com suas próprias neuroses, e entrei em casa. Aproveitei para tirar aqueles malditos óculos, isso me enchia. Parei em pé no espelho, encarando meus olhos vermelho-sangue, que poderiam assustar qualquer criatura mortal que os encarasse. Eu precisava me alimentar... não queria usar os óculos hoje a noite.

- Emmet! - Eu saí do quarto procurando meu irmão que sempre estava tão sedento quanto eu.
- Fala Edward.
- Vou até Port Angeles. Vem comigo?
- Caçar? - Seus olhos vermelhos brilharam.

- Não, Emmet. Comprar roupas. - Eu dei-lhe um tapa na cabeça.
- Vocês não vão sair para caçar agora, né? Esqueceram de hoje a noite? - Alice vinha caminhando do jeito delicado e mortal dela, enquanto abotoava a blusa.
- Alice, quantas vezes eu já te implorei... eu não quero saber quando você e Jazz estão transando!
- Nós nem começamos Edward. Fui interrompida por essa sua saída repentina.
- Nós estaremos de volta antes de anoitecer. É uma caça rápida. Não quero óculos hoje.
- Mas...
- Sem mais, Alice. Eu não estou pedindo. Eu estou comunicando. Vamos Emmet!

Coloquei de novo os óculos e fui para o carro esperar por Emmet. Ele entrou e eu quase morri sufocado. Se fosse possível, claro.

- Que merda é essa, Em?
- Perfume ué.

Eu olhei meu irmão tentando não rir. Ele ficaria magoado.

- E para que você se encharcou disso? Posso saber?
- Para atrair a caça mais fácil ué.
- Ah claro! Como eu não me toquei antes! Um perfume francês deve mesmo ser bem mais atrativo do que nosso hálito inebriante, nosso rosto perfeito e nosso poder de persuasão.

Eu zombei dele rindo enquanto dirigia para Port Angeles, e via Emmet se ajeitando no banco enquanto se segurava para não me dar um soco. Mas ele não ousaria, óbvio.


Eu entrei em casa batendo a porta. Como eu pude ser tão idiota em deixar ele me impressionar daquele jeito? A essa hora ele devia estar rindo com os outros, contando como foi fácil me deixar sem respiração. Ugh. Americana estúpida! Ouvi risos vindo da cozinha...

- Bella, você não vai acreditar!
- Pelo visto não posso duvidar de mais nada hoje, Jess.
- Então, Bella. Eu consegui com todo meu charme, claro, fazer com que nós fôssemos convidadas para a festa de hoje! - Lauren sorria.
- Festa? Que festa?

E eu lá estava com humor para festa? Eu queria era socar a cara de alguém para descontar minha raiva. Mas não seria legal fazer isso com minhas amigas.

- Como assim que festa? - Jess soltou sua voz agudíssima. Ela estava surtando?
- Em que mundo você vive, Bella? Não é possível que tenha passado o dia todo na faculdade e sequer ouviu falar sobre a festa.

Eu tinha vontade de dar uma boa resposta pra Lauren. Mas me segurei.

- É a festa de confraternização. De início de um semestre. É tipo, o evento VIP do campus. E é claro, que só os VIPS podem entrar. Mas, como eu sou uma ótima amiga, eu disse que só iria se pudesse levar vocês!

Lauren sorria triunfante. Eu me perguntava como ela arranjara tempo de já ser popular, em menos de 24 horas. I-na-cre-di-tá-vel!

- Sei... e qual é a dessa festa? Tem que levar alguma comida?

Elas me olharam horrorizadas. Ué, eu estava acostumada com festas onde as mulheres levavam um prato de comida e os homens levavam bebidas. Estava falando algum sacrilégio?

- Você não ouse! Bella, a festa é na casa da Fraternidade Beta. Os mais ricos do campus. Tirando os Cullens, claro.

Eu ouvi direito? Cullens?

- Tirando os Cullens? O que você já sabe sobre eles, Lauren?
- Nada demais. Só que eles são muito ricos. Muito, muito, muito mesmo.

Jura? Eu nem percebi... achei que tivessem roubado aqueles carros... Mas pelo visto aquela era uma grande descoberta para Lauren. Eu fiquei quieta.

- Mas então, como eu dizia antes de você me interromper, a festa é nessa fraternidade fodástica. E é à fantasia! Não entra quem estiver sem, ok? Então nós precisamos começar a pensar, pois temos pouco tempo.
- Hum, fantasia? Não é muito meu estilo não... quando é a festa?
- Hoje! - Jessica gritou.
- Hein? Vocês querem que eu arrume uma fantasia para hoje? Ah, claro...
- Nós vamos agora numa loja que aluga fantasias, Bella. Estamos só esperando a Angela sair do banho.

Hoje não era mesmo o meu dia. Depois do mico todo na faculdade, ainda teria que ir fantasiada numa festa de ricaços mitídos com suas namoradas exuberantes. Ótimo! Angie desceu arrumada, e nós saímos para a tal loja.

- Vamos na sua pickup, Bella?
- Ahhhh, agora vocês querem andar na Ugly Red, né? Mordam a língua!

Pelo menos algo para me deixar feliz. Rodamos atrás do endereço que Jessica tinha anotado na internet e estacionei na porta da loja. Bem, era uma lojinha bem furreca, para ser sincera. Entramos e um vendedor com cara de Shrek veio nos atender. Eu vi a Lauren agarrando uma roupa de Mulher Maravilha. Típico.

- O senhor tem alguma coisa fofinha? Tipo fantasia de coelho, ou algo assim?

Angela iria se vestir de coelho? Sério? Ok, eu podia não ter muita noção das coisas, mas coelho é sacanagem, né? Corri os olhos pela loja, sem saber o que procurar. Eu não queria nada que deixasse minha bunda de fora nem que fizesse os outros acharem que meu Q.I. fosse abaixo de 50. Nem queria nada muito colorido, não estava com esse espírito alegre. Na verdade, eu queria mesmo era sair correndo dali. Mas aí eu vi um vestido, tipo de época, num manequim no fundo da loja. Ele parecia aqueles que a gente via em filmes antigos, de corpete justíssimo, magas compridas e saia um pouco rodada e longa. Virei para o Shrek.

- Que fantasia é essa?
- Ah, na verdade é só uma parte da fantasia. É de vampira do século XV. É o vestido, uma capa preta de veludo e os dentes. Se você quiser a lente branca, custa mais 15 dólares.

Eu estava com espírito assassino de um vampiro hoje. Achei a fantasia perfeita! Estava no caixa fazendo o pagamento quando Jessica parou do meu lado, com uma roupa preta e verde, estranha...

- O que é isso Jess?
- Minha fantasia! De sinal!
- Hã? Sinal?
- É. Sinal verde, sacou? Tipo, eu estou livre, leve e solta.

Isso ia dar o que falar... Pegamos nossas sacolas e entramos no carro. Elas estavam incrivelmente animadas e eu me deixei contagiar um pouco, afinal, não dava para passar todas as horas da minha vida, com raiva de Edward Cullen. Eu tinha coisas mais interessantes para fazer, né? Como criar coragem para entrar naquela roupa. Ainda bem que estava frio. 





                                                                                     Capitulo 2 >>>    

2 comentários :

[AAH] essa finc promete õ/
Quero de Natal um ed malvadão tambem

5 de dezembro de 2010 18:26 comment-delete

CAAH
ADOREI, ESTA PERFEITO...
VC É D+
PARABÉNS

5 de dezembro de 2010 19:47 comment-delete

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