OC - Capitulo 2

Bella pov’s

Era uma vida difícil. Perdi meus pais há tempos, meu pai era policial, fora vitima de um tiroteio. Minha mãe morreu de câncer no pulmão, era fumante afinal. Eu morava sozinha em um pequeno apartamento próximo ao meu trabalho, nunca, eu disse nunca, havia sequer beijado um rapaz. Cheguei a pensar que morreria solteira já que os rapazes que conheci na escola não me agradavam, mas eis que, no ambiente de trabalho, eu me apaixono. Miseravelmente meu primeiro amor era o rapaz mais belo e cobiçado que conheci, o diretor executivo da Cullen Publicidade, Edward Cullen. Isso foi há dois anos e até aquele momento eu não havia sido notada por ele. E não era só porque meu setor não era muito próximo a ele, o setor contábil da empresa. Eu não era o tipo dele. Eu não era muito bonita. Tinha características físicas bem comuns: cabelos parcialmente longos de cor castanho-avermelhada, olhos castanhos, pele incrivelmente branca... E nem tinha grana para investir pesado em roupas, academia, cabeleireiro para melhorar minha aparência. Eu já estava com vinte e um anos.

Mais um dia na empresa. Mais um dia executando minhas funções com a máxima eficácia, ouvindo Jessica e sua vida amorosa conturbada. Até quando eu agüentaria essa rotina? Eu me sentia mal, nenhum mal físico, o que era pior. O que eu não sabia era que, naquele dia, algo iria acontecer.

-Bella, que tal ir comigo após o trabalho para um barzinho aqui perto? Convidei o Mike e a Angela.

-Angela? Quem é? –Perguntei enquanto mexia despreocupada no computador.

-Ela é do setor de design daqui. Eu a conheci recentemente quando estava batendo perna por aqui. Ela é legalzinha, acho que vocês se dariam bem. Ela é bem calada, igual a você.

-Não sei Jess. Eu to a fim de ir para casa e dormir.

-Não seja chata Bella! Vamos logo! Quem sabe assim você e Angela não arrumam alguém? Eu não sei como você consegue ficar sem ninguém. Eu piraria se passasse tanto tempo sem um homem!
Eu jamais saberei o que me levou a aceitar o pedido de Jess para acompanhá-la nessa ida ao mais novo barzinho, ladeada de Angela e o peguete de Jess, Mike, mas eu fui mesmo assim.

Jess tinha razão, Angela era muito parecida comigo, a começar pela cara de desagrado ao ir a um lugar abarrotado de pessoas. Como Jessica não parava de se atracar com Mike, eu e Angela nos sentimos livres para conversar. Falamos de tudo um pouco, principalmente sobre a empresa.

-Meu setor é bastante exaustivo, mas eu gosto.- Comentou Angela bebericando seu coquetel de frutas sem álcool, eu bebia apenas água mineral.

-Deve ser muito interessante seu setor, sendo da parte de criação. Meu setor é muito burocrático. –Disse. Só de lembrar sentia-me mais cansada.

-Bom, não é isso que a Jessica fala. Ela fala que o setor dela é o melhor por que tem maior concentração de homens interessantes. –Angela disse risonha. Eu bufei. Só Jessica mesmo!

-Bem, eu nunca vi ninguém que me interessasse. –Disse. Claro que existia Edward, mas ele não era exatamente do setor contábil.

Eu poderia ter passado a noite conversando com Angela sobre tantos assuntos diferentes, Angela era tão agradável! No entanto eu estava cansada e amanhã seria mais um dia de trabalho duro. Despedi-me de todos e segui para a porta do barzinho. Pegaria um taxi e iria para casa, simples assim. 

Enquanto estava na porta do barzinho esperando pela aparição de um taxi, ouvi um voz ruidosa.

-Não acredito! Como a tira do meu salto pode arrebentar agora? –Ouvi uma voz feminina dizer a alguns metros. Uma moça bonita, pele branca, trajando um vestido preto colado ao corpo, bem básico, mas muito belo. Continuei a dar atenção à rua.

-Então é melhor voltarmos para casa meu amor. Deixemos nossa saída para outro dia. –O acompanhante da mocinha disse.

-Ah não Jasper! Foi tão difícil eu conseguir um espaço na minha agenda! Está fora de cogitação nós perdermos a noite! –E então eu dei atenção à conversa. Reconheci então Alice, irmã de Edward Cullen e responsável pela parte de criação da Cullen Publicidade, e seu marido Jasper Hale, advogado de sucesso.

-Mas você vai ficar apenas com um salto, meu amor? –Ele perguntou, afetuoso. Notei que Alice usava um sapato de tiras preto, uma das tiras arrebentou deixando o lado esquerdo inutilizável.

-Claro que não! Oh droga e agora? Se eu voltar para casa para trocar nós não vamos voltar, eu posso apostar!

Eu retirei meus sapatos, acho que calçávamos o mesmo número e meus sapatos eram pretos, não tão bonitos como os dela, mas dava para usar. Caminhei até Alice e toquei seu ombro. Ela virou-se. Ver o rosto de Alice era algo chocante, ela era tão bela, tão bela quanto Edward. Tentando conter o rubor, estendi os sapatos para ela.

-Tome. Acho que calçamos o mesmo número. Não é tão bonito quando o seu salto de tiras, mas pelo menos não vai precisar ir embora para trocar. –Disse sorrindo. Alice olhou-me boquiaberta.

-Poxa... Obrigada, mas... Esses sapatos são seus. Você calçará o que? –Alice perguntou olhando para meus pés descalços.

-Eu estou indo para casa afinal. Sem problemas. –Falei e fiz sinal para um taxi, ele parou ao meu lado. Alice pegou parecendo surpresa com minha generosidade exacerbada. Após ela pegar o salto que lhe ofereci, eu entrei no taxi e segui para casa. Claro que eu poderia dizer quem era certamente isso poderia me beneficiar no trabalho. Bobagem. Eu não era do tipo aproveitadora. Além disso, eu não gostava dos sapatos que entreguei a ela. Não estava perdendo nada.

...

Mais um dia na empresa. Dia tumultuado. Eu estava em frente ao computador quase desenvolvendo uma lesão por esforço repetitivo de tanto que digitava. Tínhamos recebido muito trabalho. Mesmo com a carga alta, eu trabalhava tranqüila. Ao contrário de Jessica, ela estava prestes a ter um colapso.

-MEU PAI! COMO PODE TER TANTO TRABALHO? –Ela disse digitando freneticamente com uma mão enquanto a outra tirava papéis impressos da impressora. Dei de ombros. Gosto de Jessica, mas verdade seja dita ela não era muito de trabalhar. Quando vem muito trabalho, ela se desespera.

-Acostume-se Jess. A empresa está em expansão desde a morte de Carlisle. Teremos muito trabalho. –Disse e levantei quando a campainha do intervalo soou. –Vou ao refeitório. Vem comigo?

-Melhor não Bella. Tenho muita coisa para fazer. Vai à frente, ok?

-Ok. –Fui para o refeitório a passos lentos. Eu estava estressada, não pelo trabalho, sei lá. Nem eu mesma sabia o motivo. Pensei que deveria relaxar, talvez sair da cidade nas minhas férias...

-Hei! Você! –Ouvi a voz dizer. Virei-me e vi Alice Cullen com um sorriso nos lábios, trajava um blazer azul marinho belo, salto alto preto, uma flor de tecido presa no cabelo. Linda, estilosa, o oposto de mim.

-Oi? –Perguntei aturdida com o sorriso enorme em seus lábios.

-Nossa então você trabalha aqui? Quem diria! Lembra-se de mim ontem?

-Sim. Eu emprestei meus sapatos.

-Puxa nem sei como agradecer! Você salvou minha noite com meu marido. Eu sabia que a conhecia de algum lugar. Ah, deixe eu me apresentar: Sou Alice Cullen. –Alice estendeu a mão para mim. Eu a cumprimentei e sorri, parecia ser impossível não se contagiar com seu sorriso.

-Prazer, Isabella Marie Swan.

-Como forma de agradecer ao que fez por mim será que você me acompanharia até o refeitório, Isabella? –Perguntou Alice.

-Claro.

...

Alice era agradável, bem diferente do que eu imaginava. Agradeceu-me inúmeras vezes e, quando estávamos sem assunto, fez perguntas sobre mim, perguntas sobre o que eu fazia na empresa, há quanto tempo estava lá, o que eu achava dos meus colegas de trabalho, enfim!

Eu respondi a tudo tranquilamente, enrubescendo por Alice se mostrar tão interessada em mim. Pelo amor de Deus eu só emprestei um sapato!

-Senhora Cullen, a conversa está boa, mas eu tenho que ir. O horário do meu almoço acabou. –Disse sem graça, não queria que ela interpretasse meu ato como rudeza, mas ela sorria.

-Que pena. você é muito agradável bem como imaginei que fosse.

-Poxa, fico feliz que pense assim. Você também é muito legal senhora...

-Perai! Nada de senhora! –Ela disse parecendo horrorizada com a alcunha. Eu sorri sem jeito.

-Desculpe. Então eu preciso ir.

-Obrigada pela companhia Bella. Vamos fazer isso novamente, foi fabuloso conversar com você! –Ela falou super empolgada. Ela era estranha, mas boa gente.

-Claro Alice. Foi bom conversar com você. Até mais. –Levantei da mesa do refeitório pegando minha bandeja vazia e colocando-a sobre a lixeira. Dei uma última olhada para Alice que acenava.
Eu imaginei outra coisa. Quero dizer ela era uma Cullen! Eu devia estar tão acostumada ao tratamento indiferente de Edward que pensei que Alice agiria da mesma forma. Estava tão perdida em pensamentos que acabei por tropeçar, algo comum para mim. Eu nunca fui de ter um bom equilíbrio.                    

Surpreendentemente eu não me choquei no chão, alguém me amparou colocando um braço na frente do meu corpo e me suspendendo.

-Puxa obrigad... –Eu olhei para a pessoa que me ajudou e estaquei. Edward Cullen, lindo como sempre, havia me ajudado a não cair. Isso poderia ter sido um ato como qualquer outro se não fosse por um detalhe: Edward me olhava. Não estou falando de um simples olhar, do tipo que você olha para alguém e verdadeiramente não vê. Estou falando de um olhar penetrante, tão penetrante que me senti desfalecer.

Pela primeira vez na vida Edward Cullen me olhou. Eu me senti imensamente feliz por isso.

Edward pov’s

Eu precisava desposar alguém, escolher esta pessoa cuidadosamente para que ela fosse bem aceita por Alice, claro. Tânia já estava descartada, Alice jamais a aprovaria. Melhor assim. Ela não levaria nossa união matrimonial como um contrato, levaria como um relacionamento. Tânia era gostosa, boa de cama, mas definitivamente não servia para outra coisa que não fosse me dar prazer. Eu bem sabia que se enjoasse dela, Tânia seria uma presença insuportável.

Eu precisava encontrar alguém, não seria difícil, mas quem? Alguém que passasse pelos olhos perscrutadores de Alice não seria fácil, Alice era uma pessoa desconfiada de tudo e de todos. Certamente pesquisaria a vida da pessoa que eu escolheria para ter certeza de que não era uma prostituta ou atriz.

Os dias passaram...

Eu estava em uma sinuca de bico, mas não poderia me desesperar. Primeiro eu tinha que encontrar a pessoa em que Alice acreditaria para depois pensar em como iria lhe dar com essa farsa, se contaria a outra pessoa envolvida o plano ou não.

-E então meu amor? Quando iremos nos casar? –Tânia disse naquela noite, estávamos em um motel de luxo. Tânia estava nua deitada na cama, eu estava trajando um roupão do motel, fumava um cigarro.

-Casar? Do que está falando? –Disse com descaso.

-Ora, eu vou me casar com você, não é? Quem mais aceitaria algo como casar com você apenas para você lucrar com um contrato?

-Bem... Eu irei procurar. –Ouvi Tânia bufar claramente contrariada por não ser a escolhida.

-Só me dê um motivo para eu não ser a eleita nessa palhaçada, Edward.

Como imaginei... Tânia iria questionar. Eu senti que iria me aborrecer e isso era algo que eu não queria.

 Minha mente tinha que maquinar algo, mas o que? Quem poderia? Ex-namoradas? Bem... A maioria estava casada ou noiva ou pior: tinha filhos. Não que não fosse fácil fazê-las se separarem, mas Alice não iria aprovar eu causar uma separação. Além disso, Alice nunca gostou de minhas antigas namoradas.

Amigas de Alice? Talvez. Mas Alice era estranha, a maioria de seus amigos eram homens, quando eram mulheres estas eram lésbicas. Vai entender! Parece até que ela estava prevendo o que iria acontecer, me colocando em uma situação difícil.

O que eu iria fazer? Quem? Alguma desconhecida, com passado limpo, que tivesse algo em comum com Alice... Eu teria que estar em alerta para não deixar a oportunidade passar. Começaria a encontrar a possível pessoa na empresa. Estava fora de cogitação procurar em bares ou festas.
Eu comecei a ficar mais atento, claro que minha atitude enervou Tânia, mas ela não poderia reclamar, ela sabia que ela jamais seria aceita por Alice.

Todas as funcionárias casadas, solteiras, divorciadas, viúvas... Todas mostravam interesse por mim. Algumas eram gostosinhas, mas não era preciso ter olho clinico para saber o quão vulgares elas eram. Não seria fácil encontrar alguém puritana, nem mesmo nas dependências do prédio. A desesperança começando a me atingir. De repente todas as mulheres que me cercavam pareciam putas.

...

-Esta foi à última reunião. Você pode almoçar agora. –Tânia disse. Ela andava aborrecida por não ter sido escolhida e por ficar claro que eu estava à procura de alguém. Bem, uma noite de prazer e uma jóia calariam sua boquinha carnuda.

-Não tenho tempo para isso. Tenho alguns contratos para assinar. –Falei categórico enquanto acendia um cigarro, olhava a floresta de prédios pela minha grande janela.

-Mas você precisa comer algo gatinho. Vá rapidamente ao refeitório. –Ela sugeriu e decidi aceitar. Eu havia apenas bebido uísque. Caminhei casualmente até o refeitório ignorando os suspiros e murmúrios femininos. Claro que eu ainda estava à procura, mas sinceramente a futilidade parecia habitar em todas, ninguém dali iria me servir.

Olhei para o refeitório com uma quantia considerável de pessoas e estaquei. Notei Alice conversando animadamente com uma moça. A moça usava crachá, deveria ser funcionaria. Estranho... Alice nunca foi de conversar com funcionárias. Fiquei parado em um corredor acompanhando a conversa. A garota parecia um pouco envergonhada, mas Alice conversava animadamente com ela. Quem era aquela garota? De que setor? Seu rosto era conhecido, eu já devo ter visto sua figura em algum lugar, mas não conseguia distingui-la no mar de rostos que via diariamente, principalmente quando se tratava de mulheres.

A conversa das duas terminou juntamente com o horário do almoço. Fiquei ali analisando aquela camaradagem. A garota seguia para um corredor próximo ao meu. Eu a segui. O plano se formando. Alice a conhecia e parecia gostar dela, ela não parecia feia, mas era difícil dizer, eu a via de longe.

Meus pés caminharam mais rapidamente na tentativa de alcançá-la. Ver seu rosto, saber seu nome, seu setor, no mínimo. Ela foi a mais próxima na empresa que encontrei, pelo menos assim eu estava pensando. Caminhei mais rápido, ela não havia me percebido atrás dela. Estava quase colado a ela. Ela tropeçou, eu a peguei evitando uma queda.

-Puxa obrigad... –Ela começou a virar e me olhou. Eu a vi, vi tudo em seus olhos castanhos, profundos. Naquele momento desconcertante para ela eu consegui pensar apenas em algo:

“É ELA! É ELA A ESCOLHIDA!”.


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1 comentários :

[AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA]
“É ELA! É ELA A ESCOLHIDA!”.
morri! *------*
preciso de mais! please!

20 de dezembro de 2010 23:13 comment-delete

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