ALDE - Capitulo 3

Naquela noite haveria a festa dos calouros, mas Edward não ligara, não gostava de festas, eram barulhentas demais, preferia o sossego do seu lar. Além do mais amanhã seria um dia longo e frutífero para ele, o primeiro dia de aula.

Mas naquela noite ele não sentia a mínima vontade ficar em casa. Esperou Alice sair para a tal festa, pegou seu binóculo de 10x50 e desceu. Hoje admiraria as estrelas de outro ambiente.

Subiu numa árvore que havia próxima a sua casa com facilidade, chegou até o topo e sentou num galho aparentemente reforçado, ajeitou seu binóculo e ficou ali por horas admirando os astros e a lua imponente no céu.

Sabia cada constelação e como hobby gostava de dar nome a elas. Era como se o céu estivesse na ponta de seus dedos trêmulos.

Olhou para o relógio e viu que era meia noite, resolveu descer, já era tarde se Alice chegasse provavelmente que só iria acontecer lá pela manhã, mas resolveu não arriscar, do jeito que sua irmã era protetora era capaz de voltar mais cedo para vigiá-lo.

Desceu da árvore em um pulo, cambaleou com o impacto. De repente um grito se fez audível na sua frente, a silhueta de uma garota apareceu do nada o assustando.

- Shshshsh..

Estava escuro demais pra saber quem era.

- Quem é você?

A garota tateou no escuro, desejou ter uma lanterna em suas mãos.

Não respondeu, a garota encontrou seu peito dando apalpadas lá, ele deu um passo pra trás.

- Mas o que? – Ele tentou perguntar assustado.

- Edward?É o irmãozinho da Alice? – Revirou os olhos ao reconhecer a voz da garota, então era ela, Isabella Swan.

- Sou eu sim, Isabella. O que faz aqui?

Isabella riu, Edward se perguntou se estaria ela bêbada.

- Garoto, você é meio estranho não é?Numa árvore essa hora da noite?

-Na verdade não. Estava aproveitando a altura para observar a constelação de Virgem e assim ver algumas galáxias. Você que é estranha por estar supostamente num estado de consciência alterado na rua essa hora da noite.

- Ah, vai grosso. – Ela praticamente gritou andando apressada para o prédio.

Edward riu do seu andar cambaleante. Sentiu algo parecido com pena ou pesar por ela, podia ser anti-social, mas não era egoísta, não iria deixar uma garota naquela situação desamparada, lembrando-se do cavalheiro que era apoiou o braço de Bella sobre seu ombro e como o outro abraçou sua cintura, arrepiou-se ao ver que a garota trajava apenas um vestido preto brilhante curto demais demarcando suas coxas torneadas. Espantou-se com os pensamentos libidinosos que se formava em sua mente e ajudou a garota a subir a escada até o segundo andar facilmente. Não trocaram palavras até lá.

- Obrigada, até que você não é tão hostil quanto eu pensei.

- Acredite, eu não sou assim por que eu quero – Ele respondeu mantendo uma distância segura. Bella o deixava sem reação.

- Por que você nunca me olha?Eu sou tão feia assim?- Perguntou ela se aproximando, Edward respirou fundo dando um passo para trás.

- Não, mas você é muito engraçada embriagada. Suas chaves estão aí?

- Eu não trouxe chave, está na bolsa da Rose, droga!Eu podia ficar na sua casa enquanto isso. - Bella disse sorrindo maliciosamente.

Titubeou diante da proposta da garota, seria constrangedor tê-la dentro de casa e seria mais constrangedor deixá-la na rua.

- Está bem.

Abriu a porta e a ajudou a entrar, sentou-a no sofá e sentou-se no braço dele de costas para ela.

- Você é muito estranho. - Bella afirmou rindo. - Mas é lindo!

Estremeceu ao sentir a voz de Bella próxima a sua orelha, virou-se e deu de cara com ela que o olhava com olhos de cobiça. Se fosse um homem qualquer se aproveitaria da situação, mas ele se afastou com medo das reações que Bella provocara.

- Sabia que as Constelações são agrupamentos aparentes de estrelas os quais os astrônomos da antiguidade imaginaram formar figuras de pessoas, animais ou objetos. Numa noite escura, pode-se ver entre 1000 e 1500 estrelas, sendo que cada estrela pertence a alguma constelação. As constelações nos ajudam a separar o céu em porções menores, mas identificá-las é em geral muito difícil.

- Do que você está falando? – Bella perguntou tonta.

- De astronomia. Sabia que Estrelas são esferas auto-gravitantes de gás ionizado, cuja fonte de energia é a transmutação de elementos através de reações nucleares, isto é, da fusão nuclear de hidrogênio em hélio e posteriormente em elementos mais pesados.

Edward se recostou na parede e se pos a olhar a janela, se distraindo rapidamente. Não notou quando Bella levantou do sofá e foi até ele, passeando o dedo por seu peito atlético, só quando ela puxou seu rosto pra próximo do seu e escorou seu corpo sobre o dele despertou-o dos pensamentos que o prendiam.

- Isabella...

Sem precedentes Bella tomou a boca de Edward num beijo atrevido e voraz, sem defesas Edward se rendeu a boca macia de Isabella enquanto sua língua quente encontrava a dela num ritmo delicioso, Bella deleitou-se da boca suave e do hálito mentolado dele que se misturava ao seu de vodka com coca que havia bebido na festa. Sorriu vitoriosa entre os lábios do irmão da amiga. As mãos de Edward se postaram na sua cintura, sua excitação era visível.

Isabella quis provocá-lo, a bebida liberava seus instintos, alimentava os desejos do seu inconsciente. Roçou sua excitação sobre a de Edward, mordendo seu lábio inferior de leve. Ele estava totalmente rendido nas mãos cruéis e pequenas de Isabella, sua mente negava o que seu corpo insistiu em explorar, manteve os olhos fechados aproveitando a sensação, ele a queria.

- Você me quer Edward? – Bella sussurrou no ouvido dele provocando calafrios.

- Eu...

Nesse momento a porta se abriu revelando Alice, Jasper, Emmet, Rosalie e Jacob que se deparou com a cena. Lançaram olhares assustados e pasmos para os dois, boquiabertos com a cena.

Edward viu-se confuso, soltou Bella sem entender por que todos os encaravam silenciosos. Coçou a nuca visivelmente nervoso com a situação.

Bella permaneceu com a mão sobre seu peito.

- Um á zero Bella – Brincou Jacob sorrindo.

- Tá tudo bem, Edward – Murmurou para ele que tremia olhando para o chão. Coçou a nuca novamente.

- Não, não está. – Edward empurrou Bella e saiu correndo em direção ao seu quarto.

Bella virou-se para os amigos e viu que Alice já andava em direção ao quarto do irmão e fez sinal para ela parar.

- Deixa que eu fale com ele Alice.

Abriu a porta sem se preocupar com o que encontraria. O encontrou de braços cruzados deitado na cama olhando para o teto escuro, onde pequenas estrelas de neon brilhavam.

- Por quê? – Perguntou irritada, o ódio era visível em seus olhos, primeiro essa atração inexplicável pelo calouro e agora ele fugia depois de beijá-la, quem ele pensa que é?Ela é Isabella Swan, a garota que todos os garotos querem beijar, mas o escolheu, por algum motivo todos seus pêlos se eriçavam diante de Edward. Se ela soubesse que ele sentia o mesmo com tal intensidade...

Edward se assustou mais uma vez com a entrada súbita de Bella. Não entendia a sua fúria, queria apenas ficar só e digerir o que aconteceu.

- Você não tem o direito de entrar no meu quarto dessa maneira. – Falou rápido demais, a fala rápida era resultante do nervosismo que sentia, mas principalmente da síndrome.

- E você não tem o direito de me beijar e sair desse jeito. Você é homem ou o quê? – Bella desafiou tirando os cabelos do rosto vermelho de raiva. Queria obter respostas dele e as obteria.

Edward se sentou na beira da cama e coçou a nuca, seu hábito natural.

- Você que me beijou.

- Mas você correspondeu.

- Você é uma garota o que eu poderia fazer?Te empurrar?

- Ah, seu!E por que você não olha na merda dos meus olhos?

Edward suspirou, sua vida inteira foi assim, sua trajetória de garoto introvertido e sem graça continuava. Simplesmente não conseguia, não podia olhá-la nos olhos por mais lindo que eles fossem.

- Desista de mim. Acho melhor você ir para casa e esquecer o que aconteceu.

- Você esqueceu? – Perguntou Bella cabisbaixa. As palavras de Edward lhe atingiram com força. Como um tapa na cara rápido e certeiro.

Fechou os olhos cerrando os punhos, a resposta doeria, mas era a única racional que vinha a sua mente.

-Não, mas eu vou superar – Disse suspirando. Não podia ficar com Bella, se sentia confuso, um misto de emoções desesperadamente embaralhadas passava por sua mente. Ele se sentia um ser a parte no mundo. Ele não notava alterações de humor, nem diferenciava emoções nas outras pessoas, por isso a frustração lhe atingia.

- Estúpido! –Gritou Bella com os olhos cobertos de lágrimas.

- Isabella, por favor, você não está em plenas condições de discutir no momento.

- Que se foda minhas condições, porra!Eu pensei que você fosse diferente, pensei que pudéssemos dar certo, mas me enganei, já faz parte da minha vida se enganar com as pessoas.

- A última frase ela disse mais pra si mesma do que para ele que parecia estar em outro mundo.

Fechou a porta com e saiu.

Edward desabou na cama suspirando, estarrecido. Sentia algo incomum e intenso por Isabella, ela arrepiava todas as partículas do seu corpo com apenas um toque. A leveza de sua voz combinava perfeitamente com seu rosto angelical e ao mesmo tempo diabólico.

Lembrou do beijo e das sensações que ele trouxe, rosnou inconformado com o modo como seus próprios pensamentos lhe traiam.

- O que aconteceu?

Nem percebeu que Alice estava ali parada á porta, não só Alice como a loira que viu sair do carro prata ontem.

- Nada, o estado de consciência dela está alterado.

- Edward, ela saiu daqui chorando! – Alice disse exasperada.

- Ela vai superar Alice.

- Você a rejeitou depois de ter a beijado? – Rosalie perguntou.

- Já disse que foi ela quem me beijou.

- Ah claro, ela fez um monólogo! – Debochou Rosalie. Edward não entendeu os aspies não compreendem ironias e duplos sentidos.

Edward a ignorou e se dirigiu a Alice.

- Alice, você sabe o porquê, eu não posso manter nenhum tipo de relacionamento com ela.

Rosalie olhou para Alice procurando explicações. A expressão de Alice mudou.

- É eu sei. Vou conversar com ela.

- ótimo – Disse ele indiferente Alice fechou a porta.

Fechou os olhos procurando dormir, a noite durou demais para ele. Esquecer Bella e o beijo iria ser inútil assim como seria inútil tentar evitá-la, eram vizinhos e ainda estudavam na mesma universidade. Deu tapas seguidos em sua própria testa como se isso fizesse esquecer a noite. Puxou várias formulas na sua mente, números qualquer, somava, subtraia, dividia, era seu tranqüilizante, seu universo próprio e assim esqueceu-se do real, totalmente absorto nos números.

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